Presidente Prudente (SP),

Apresentação da lição em power point

sábado, 5 de janeiro de 2013

Como se faz uma boa aliança política!


Quando Israel saiu do Egito foi alertado por Deus para que não fizesse aliança com os povos que habitavam Canaã (Ex 34.15-17) para assim evitarem males (Dt 7.1-4), mas em contrário, se permitiram às misturas com aquelas inúmeras etnias e religiões, por isto conheceram a indignação de Deus (Jz 2.1-15; 3.5-8).

A idolatria é um dos frutos certos das alianças maléficas, mas outros tantos males surgem, tal como os laços (Ex 34.12), contenda entre irmãos (1 Rs 14.30), inflamação entre os reinos[1] (2 Rs 16.7; Is 7.1-2), mesmo que fosse por obra de Deus (1 Rs 12.24), bem diferente dos casos quando a aliança produz união e paz (At 9.31).

Outros frutos das alianças erradas são a traição e consequentemente a morte (Mt 26.14-15; 27.3), haja vista que os maiores incentivadores dos erros ao atingirem seus objetivos, viram as costas aos “arrependidos” e os deixam sozinhos em seus conflitos (Mt 27.4-5).

1) Aliança política entre Salomão (Israel) Hirão (Tiro)
Hirão, rei de Tiro, grande aliado e amigo de Davi (1 Rs 5.1, p. final), se alegrou ao saber que Salomão havia sucedido seu pai no trono em Israel, mas nada que se compare ao que sentiu quando recebeu uma mensagem, na qual o filho do seu amigo, agora rei, lhe antecipou com grande confiança os seus planos para construir o grande Templo de adoração em Jerusalém.

Muita coragem do recém ungido rei Salomão, que confiou no vizinho, não duvidando em momento algum da lealdade e amor demonstrado ao seu pai no passado. Ele correu um risco grande, pois quem lhe poderia garantir que teria o mesmo prestigio do grande rei Davi? Receptividade na mensagem seria normal, devido ao respeito entre Tiro e Israel, mas a reciprocidade já seria questão de pensarmos com algum cuidado.

Salomão, sábio, mirou e acertou o alvo, pois era sabedor que ninguém seria capaz de impedir a construção daquela grande edifício (2 Sm 7.12-13), porém percebeu que necessitaria de aliados, então colocou em prática um plano bem simples, porém objetivo. Sua intenção era não se desgastar com os vizinhos inimigos, mas aproveitar os amigos que estavam ao lado. 
“Hirão, rei de Tiro, tinha sido muito amigo de Davi e soube com grande prazer que aquele extraordinário príncipe sucedera no reino ao seu pai. Enviou-lhe embaixadores para dar testemunho de sua alegria e desejar ao novo rei toda sorte de prosperidade. Salomão escreveu-lhe nestes termos: "O rei Salomão ao rei Hirão: O rei, meu pai, tinha grande desejo de construir um templo em honra a Deus, mas não pôde fazê-lo por causa das guerras, armas senão depois de vencidos e feitos tributários os seus inimigos. Agora, que Deus me faz a graça de desfrutar grande paz, estou resolvido a empreender essa obra, a qual Ele predisse a meu pai que eu teria a felicidade de começar e de terminar. É o que me leva a rogar-vos enviar-me alguns de vossos operários para cortar, com os meus, no monte Líbano, a madeira necessária para esse fim, pois, segundo dizem, não há outros tão hábeis nisso como os sidônios, e eu os pagarei como vos agradar". JOSEFO (livro oitavo, capítulo 2).
A grande “sacada” de Salomão para confirmar a aliança foi o elogio, não para a lealdade de Hirão demonstrada ao seu pai, mas sim aos seus trabalhadores, que foram intitulados de melhores cortadores de árvores daquela região. Segundo a mensagem, cortadores como eles não existiam, em lugar algum da terra.

A alegria de Hirão foi tamanha, haja vista aquele reconhecimento e também pelo fato da recompensa material prometida, que viria em boa hora para aquela nação (1 Rs 5.6, 11). 
“O rei Hirão recebeu com alegria essa carta e respondeu: "O rei Hirão ao rei Salomão: Dou graças por terdes sucedido no trono ao rei vosso pai, que era príncipe muito sensato e virtuoso, e farei com alegria o que desejais de mim. Mandarei que cortem também, nas minhas florestas, muitos troncos de ciprestes e de cedros, que mandarei levar por mar, ligados uns aos outros, até a margem de vosso território, no lugar que julgardes o mais cômodo, para serem depois levados a Jerusalém. Rogo-vos, em troca, que me mandeis uma partida de trigo, de que temos falta nesta ilha, como sabeis. [...] Salomão ficou muito satisfeito com o gesto do rei Hirão e permitiu-lhe tirar de seus territórios duas mil medidas de trigo, duas mil de óleo e duas mil de vinho, contendo cada medida setenta e duas pintas. A amizade desses dois reis aumentou e durou para sempre”. JOSEFO (livro oitavo, capítulo 2).
Não tinha como Salomão não honrar aquela aliança (1 Rs 5.12), tamanha foi a disposição de Hirão em fornecer-lhe o material necessário. 
“Recebi a sua mensagem e vou atender o seu pedido. Vou providenciar os cedros e os pinheiros. Os meus operários levarão as toras do alto dos montes Libanos até o mar e farão jangadas com elas. Depois as levarão beirando o litoral até o lugar que você escolher. Ali os meus operários desamarrarão as toras, e os seus operários tomarão conta delas. E eu gostaria que você fornecesse alimentação para os meus operários”. (1 Rs 5.8-10, NTLH).
Que aliança política bem feita, com resultado satisfatório, pura benção de Deus para o recém ungido rei de Israel. Em nenhum momento foram mencionados os filhos ou filhas para que fossem dados à casamentos para selo da aliança ou para prolongamento da paz entre as duas nações.

O trato foi firmado e cumprido de acordo com o escrito e falado entre eles:
  • “Peco-te madeiras” – “Atenderei o seu pedido”;
  • “Seus operários são os melhores do mundo, são especialistas” – “Obrigado pelo reconhecimento”;
  • “Pagarei ótimos salários” – “Bem na hora, estamos em crise”;
  • “Aqui estão os carregamentos” – “Obrigado pela entrega no prazo combinado, a obra não sofrerá atrasos”;
  • “Se precisarem novamente, sabem onde nos encontrar” – “Pode deixar, viramos clientes e amigos”.
2) Aliança política entre Acabe (Israel dividido) e Etbaal (Sidom)
A aliança entre Salomão e Hirão duradoura, de Deus, uma benção para a nação de Israel, outras tantas foram feitas, talvez não com os mesmos resultados, tal como a que o rei Acabe fez com o rei de Sidom, a qual recebeu como “prêmio” o direito de casar-se com uma bruxa, feiticeira, prostituta, louca varrida, matéria prima de ração para cães (I Rs 21.23), idólatra (ao quadrado), mentirosa (1 Rs 21.10), mulher que desonrou o marido e rei (governas tú? eu te darei a vinha de Nabote). O que Acabe poderia esperar de uma tola fenícia adoradora de Baal?

A seca (1 Rs 17.1) não perturbou tanto os israelitas quanto as ações de Jezabel, a rainha. Na verdade Acabe ao encontrar Elias deveria ter dito: “o que você quer com os verdadeiros perturbadores de Israel? Eu e Jezabel” (cf 1 Rs 18.17).

Os sidônios deram graças aos seus diversos deuses quando Acabe levou para Israel aquela distinta senhora, provavelmente pensaram: “ele não sabe com quem está se mexendo”. Que aliança política mal feita.

[1] Após a divisão de Israel (1 Rs 12.16-17), dando origem ao reino do norte (10 tribos perdida após o cativeiro) e Sul (Judá e Benjamim, leais a Davi).

Referências: 
Bíblia de estudo aplicação pessoal. CPAD, 2003

Bíblia Sagrada: Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000

Bíblia Sagrada – Harpa Cristã. Baureri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 2003

JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. De Abraão a queda de Jerusalém. 8ª Ed. Traduzido por Vicente Pedroso. Rio de Janeiro. CPAD, 2004

Por: Ailton da Silva - Ano III

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