domingo, 1 de agosto de 2021

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 7

continuação...

Jacó, no caminho de volta pensava em Esaú, como enfrentá-lo, depois de tudo o que havia acontecido. Será que os anos de separação tinham amenizado o furor?

Por isso enviou mensageiros para encontrá-lo com ofertas e presentes, pois ainda ecoava em sua mente a ameaça de morte do passado.

Segundo Esaú, esta promessa seria cumprida logo após a morte de seu pai, por isso restava somente a Jacó esperar por mais um livramento. Será que imaginava seu pai vivo ou morto?

Jacó desesperado ouviu de seus mensageiros que seu irmão estava vindo ao seu encontro com quatrocentos varões. Seria este o seu fim? Estava na presença de Deus e cumprindo a sua vontade, não deveria temer, mas também sabia que aquela situação poderia ser a colheita ou o pagamento pelos seus erros do passado.

Os presentes enviados para o irmão, pelos seus servos, lhe dariam a garantia da boa recepção? A sua dívida era antiga, por isto temia pelo pior, mas teria que agir como um verdadeiro patriarca, enfrentar de frente e não fugir mais. Tinha estrutura suficiente para suportar.

Quando foi enganado por seu sogro, poderia ter largado tudo, mas resolveu ficar e recomeçar do zero. Agora estava diante de outro impasse, encarar seu irmão e seu exército ou fugir para preservar sua vida e de sua família.

Seu avô Abraão e seu pai Isaque enfrentaram o mesmo dilema no passado, quando esconderam[1] suas respectivas situações conjugais e desta forma preservaram suas vidas e de suas famílias.

Jacó decidiu encarar seu irmão, porém antes deveria enfrentar a maior de todas as lutas. O duelo travado com o varão enviado, por Deus, para abençoá-lo o tornou apto para enfrentar toda e qualquer dificuldade.

Pelo novo nome recebido, Israel, não teria mais o que temer, era somente prosseguir em frente, pois Deus não deixaria nada acontecer de mal.

As dúvidas e o medo foram vencidos pela valentia demonstrada nesta luta, portanto não havia mais motivo para fuga.

Após a luta, o importante não era saber o nome do seu oponente na luta, o que interessava era sua conduta diante da honra do novo nome que recebera, Israel (alguém que luta com Deus e prevalece), já que o seu nome anterior Jacó (aquele que agarra, enganador, dissimulador, ambicioso) já havia honrado com todas as suas forças.

Enfim chegou o momento do reencontro com Esaú, mas não havia com que se preocupar, pois assim como Labão não lhe fez nada, da mesma forma seria com seu irmão.

Ao vê-lo se prostrou sete vezes por terra, em sinal de arrependimento por tudo que fizera no passado. Se prostrou naquele dia, diante do irmão, para ser honrado depois pelo filho, pois o mesmo procedimento foi repetido[2] por José, anos mais tarde no Egito, no reencontro com Jacó, após se revelar aos seus irmãos.

Deus já havia trabalhado no coração dos dois durante os vinte anos de separação, por isso se abraçaram, choraram e se reconciliaram. Chegou ao fim todo a angústia e sofrimento de Jacó e Esaú.

Depois deste reencontro amigável fizeram questão de visitar o velho pai, que então contemplava seus filhos unidos e livre daquele peso, fruto de um erro seu e de Rebeca. Sequer imaginava esta cena novamente, pois na sua mente Jacó poderia estar até morto, ou em terras muito distantes.

Este foi o período de maior tristeza da vida de Isaque, mas agora seu consolo era vê-los juntos, avô, netos, tios, pais e filhos, proporcionando momentos de pura alegria. Foi sepultado pouco tempo depois pelos seus filhos que em seguida tomaram caminhos diferentes.

A família[3] de Jacó que retornou era composta por doze filhos e uma filha, duas esposas, Raquel e Leia, irmãs e rivais entre si e duas concubinas, Bilá e Zilpa. Seria natural que houvesse problemas de relacionamentos, como de fato houve desde o principio, no entanto, nada que pudesse impedir que fossem usados por para cumprimento de seu plano.

Assim Jacó prosseguiu sua vida com seus filhos, cada vez mais confiante nas providências de Deus e aguardava então o cumprimento da promessa maior.



[1] Abraão (Gn 12.10-13); Isaque (Gn 26.7).

[2] José se lançou honrosamente no pescoço de seu pai e chorou (Gn 46.29).

[3] Pai, mãe, filhos e servas apresentaram condutas repreensíveis. 

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

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