sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O cuidado com a língua. Plano de aula

TEXTO ÁUREO
“Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal varão é perfeito e poderoso para também refrear todo o corpo” (Tg 3.2)

VERDADE PRÁTICA
A nossa língua pode destruir vidas, portanto, sejamos cuidadosos com o que falamos.

LEITURA BIBLICA EM CLASSE – Tg 3.1-12 
1 - Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo.
2 - Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal varão é perfeito e poderoso para também refrear todo o corpo.
3 - Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todo o seu corpo.
4 - Vede também as naus que, sendo tão grandes e levadas de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa.
5 - Assim também a língua é um pequeno membro e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia.
6 - A língua também é um fogo; como mundo de iniquidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno.
7 - Porque toda a natureza, tanto de bestas-feras como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se amansa e foi domada pela natureza humana;
8 - mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal.
9 - Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus:
10 - de uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim.
11 - Porventura, deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amargosa?
12 - Meus irmãos, pode também a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Assim, tampouco pode uma fonte dar água salgada e doce.

PROPOSTA
          Ministério da Palavra: muita responsabilidade;
          Os mestres não podem ter espírito dos fariseu;
          Controle a língua e controlará outras áreas da vida;
          Língua: apesar de pequena produz grande estrago;
          Quantos foram feridos por nossas palavras?
          Conseguimos dominar tudo, exceto a nossa língua;
          Nossa língua não pode ser um instrumento maligno;
          Da mesma fonte jorra água doce e salgada?
          Quem bebe “água viva” consegue jorrar água para morte?

INTRODUÇÃO
Nessa lição veremos o quanto o crente deve ser cuidadoso na maneira de falar com os outros. Tema do terceiro capítulo da epístola, o meio-irmão do Senhor escreve sobre um pequeno membro do nosso corpo: a língua. Este acanhado, mas poderoso órgão humano, pode destruir ou edificar a vida das pessoas. Por isso, a nossa língua deve ser controlada pelo Espírito Santo a fim de sermos canais de bênçãos para aqueles que nos ouve.

Grandes tempestades sempre são anunciadas por leves brisas, muitas vezes até mesmo imperceptíveis, quando menos esperamos estamos dentro de um furacão. Se pudéssemos antever estes acontecimentos certamente não experimentaríamos as trágicas consequências.

Uma simples fagulha pode iniciar o fogo da rebelião, da mesma forma se fosse possível prever este incidente certamente estaríamos livres dos prejuízos materiais entre outros. Se ficarmos chutando os cachorros, mais dia ou menos dias ele nos morderá, também esta é uma situação que muitos gostariam de evitar.

Pois bem, tempestades, furações, incêndios, ataques de animais, tudo previsível e evitável, basta vigiarmos e não procurarmos elementos geradores para estes fatos. Saindo da dimensão material e mergulhando na espiritual todos estes acontecimentos estão diante de nossas vidas durante nossa carreira. Um a um vamos entrando, saindo, perdendo as vezes, ganhando muitas vezes, mas tudo isto pode ser evitado pelo bom uso de um pequeno membro de nosso corpo, a língua, que é um instrumento tanto para o bem quanto para o mal, tanto pode abençoar quanto pode amaldiçoar.

O mesmo membro que em um momento glorifica a Deus e o exalta, mas que no instante seguinte é capaz de amaldiçoar o seu próximo ou provocar as situações acima citadas, portanto, cada um examine a si mesmo e use a sua língua e que a use para o bem, para algo útil, conforme exemplos relatados por Tiago, para direcionar em alto mar, para alegrar, animar os caídos e tristes.

I. A SERIEDADE DOS MESTRES (Tg 3.1,2)
1. O RIGOR COM OS MESTRES. 
A palavra hebraica para mestre é rabbi, cujo significado é “meu mestre”. Os mestres eram honrados em toda a comunidade judaica, gozando de grande respeito e prestígio. Na realidade, o ofício rabínico era uma das posições mais almejadas pelos judeus, pois era notória a influência dos mestres sobre as pessoas (Mt 23.1-7). Daí o porquê de muitos ambicionarem tal posição. E é exatamente alarmado por isso que Tiago inicia então o capítulo três, referindo-se aos que acalentavam essa aspiração, visando obter prestígio, privilégio e fama, a que tivessem cuidado (v.1). Antes de almejarmos o ministério da Palavra devemos estar cônscios de nossa responsabilidade e de que um dia o Altíssimo nos pedirá conta dos atos e dos talentos a nós dispensados.

Obreiros, ensinadores, discipuladores, multiplicadores cônscios de suas responsabilidades? Ou todos cientes de possuírem algo para entregar à igreja? Ou seria possível vermos um amontoados de homens ávidos por posições, cargos, cadeiras, mas que na hora de darem vida às atribuições da função se anulassem ou não cumprissem à risca?

A preocupação de Tiago na época era esta, muitos estavam almejando a posição, devido ao destaque e honras que recebiam, mas que não tinham o material e conteúdo esperado e requerido pela igreja. Como ensinarão se não foram capacitados por Deus? Como ensinarão se foram somente separados por homens? O que teria sido de Saulo, o então enviado pela igreja missionária de Antioquia, se ele não tivesse o dom para colocar em prática quando foi interpelado pelos mandantes da sinagoga (At 13.15) em Antioquia da Psídia? A ordem foi simples: “Se você tem alguma palavra de consolação para o povo, falai”. Era costume conceder tais oportunidade na igreja (1 Co 14.26-34) com o propósito de edificação, por isto deveria ser com ordem.

2. A SERIEDADE COM OS MESTRES NA IGREJA (V.1). 
Em Mateus 5.19 lemos sobre a advertência de Jesus quanto à seriedade e a fidelidade dos discípulos no ensino do Evangelho. Devido a sua importância, Jesus estabeleceu o ensino como um meio de propagar o Evangelho a toda criatura e, assim, ordenou a sua Igreja que fizesse seguidores do Caminho pelo mundo (Mt 28.19,20). É interessante notarmos o paralelo que Tiago faz em relação à advertência proferida por Jesus em tempo anterior: Quem foi vocacionado para ser mestre não pode ter o “espírito” dos fariseus, mas o de Cristo (Mc 12.38-40).

Muitos mestres da antiguidade e da modernidade serão julgados pela sua negligência, por isto tais devem exercer esta missão com muita seriedade e responsabilidade (Mt 5.19). Quem recebe do Senhor deve repasssar à igreja e defender diante dos inimigos da cruz (1 Co 11.23).

Paulo ficou um ano junto à Barnabé em Antioquia ensinando a igreja, este trabalho deu resultado a curto prazo, pois logo esta igreja já estava servida de doutores, mestres e profetas (At 13.1).

3. PERFEIÇÃO QUE DOMINA O CORPO (V.2). 
Quem domina ou controla a sua língua, sem cometer delitos (excessos, descontroles, julgamentos precipitados, difamações, etc.), sem dúvida, é “perfeito”. O controle da língua significa que a pessoa tem a capacidade de controlar as demais áreas da vida, pois a língua é poderosa “para também refrear todo o corpo”. Quem tem domínio sobre a língua, tem igualmente o coração preservado, pois a boca fala do que o coração está cheio. Discipline-se! Faça um propósito com Deus e consigo mesmo: não empreste os seus lábios para fazer o mal.

Pronto, falei! Esta não pode ser a tônica dos ensinadores, que por sinal devem refrear suas línguas, pensar e refletir antes de sua ações. Isto prova que todos nós, independentes da posição, cargo ou função desempenhada na igreja, somos propensos aos erros e que não somos perfeitos. Todos nós precisamos da graça de Deus em nossas vidas.

II. A CAPACIDADE DA LÍNGUA (Tg 3.3-9)
1. AS PEQUENAS COISAS NO GOVERNO DO TODO (VV.3-5). 
Tiago faz uma analogia acerca da nossa capacidade de usarmos a língua. Ele remete-nos ao exemplo do leme dos navios e do freio dos cavalos. Apesar de tais objetos serem pequenos, porém, são fundamentais para controlar e dirigir transportes grandes e pesados. Assim, o apóstolo nos mostra que, apesar de pequena, a língua é capaz de realizar grandes empreendimentos — edificantes ou destrutivos. Como um pequeno membro é capaz de “acender um bosque inteiro”?

Tiago deixa bem claro que é sim possível usarmos com qualidade a nossa língua, para tanto ele fez algumas comparações utilizando alguns elementos e animais. Se é possível colocarmos o freio na boca do cavalo e se é mais fácil ainda comandar grandes navios e embarcações através de um pequeno leme (Tg 3.3,4), por que então não seria possível destinarmos um bom uso para a nossa fala? Tanto o freio na boca do cavalo quanto o leme nos navios são pequenas peças ou instrumentos que direcionam e influenciam o todo, tanto o próprio animal quanto a embarcação. Estes “são controladores muito eficientes” que quando usados contribuem para o bom andamento do que é proposto.

2. “A LÍNGUA TAMBÉM É UM FOGO” (VV.6,7). 
Quantas pessoas não frequentam mais as nossas reuniões porque foram feridas com palavras? Você já se fez essa pergunta? É preciso usar nossa língua sabiamente, pois “a morte e a vida estão no poder da língua [...]” (Pv 18.21). Grande parte dos incêndios nas florestas inicia através de uma pequena fagulha. Todavia, essa faísca alastra-se podendo destruir grandes áreas de vegetação. Da mesma forma, são as palavras por nós pronunciadas. Se não forem proclamadas com bom senso, muitas tragédias podem acontecer.

“Uma simples fagulha pode iniciar o fogo da rebelião”, assim diz um ditado. Por isto todo cuidado ainda é pouco. Qualquer foco de incêndio, seja ele produzido por nós ou não através de nossa língua, deve ser combatido para que não provoque um estrago ainda maior, portanto, horrenda coisa é cair nas mãos das línguas vivas, o fogo consumidor, que destrói muitas vidas.

3. PARA DOMINAR A LÍNGUA. 
Ainda no versículo sete, Tiago faz outra ilustração em relação ao tema do uso da língua. Ele mostra que a natureza humana conseguiu domar e adestrar as bestas-feras, as aves, os répteis e os animais do mar. Mas a língua do ser humano até hoje não houve quem fosse capaz de dominar. Por esforço próprio o homem não terá forças para domar o seu desejo e as suas vontades. Mas quando Deus passa a nos governar, a língua do crente deixa de ser um órgão de destruição e passa a ser um instrumento poderoso e abençoador, usado para o louvor da glória do Eterno. A fim de dominar a nossa língua, devemos entregar o nosso coração inteiramente ao Senhor, “Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” (Mt 12.34).

Qual a necessidade do domínio humano sobre a sua língua? As vezes torna-se estranho demonstramos tanto temor por este pequeno membro, mas através dele é que podemos dar vida, exteriorizar o que está contido em nossa mente e coração.

Tudo é possível ao que crê, até mesmo ter uma língua moldada pelo Espírito Santo de Deus, para tanto haverá necessidade de um esforço tremendo de nossa parte, “muito autocontrole, disciplina e compromisso com a prática dos princípios bíblicos que devem nortear nossa vida”. O homem é capaz de domar e adestrar bestas-feras, porém encontra dificuldade para cuidar do seu falar, para vigiar, ou usar corretamente este dom dado por Deus.

III. NÃO PODEMOS AGIR DE DUPLA MANEIRA (Tg 3.10-12)
1. BÊNÇÃO E MALDIÇÃO (V.10). 
Tiago até reconhece a possibilidade de alguém usar a língua de modo ambíguo. Entretanto, deve a mesma língua que expressa o amor a Deus, deixar-se usar para destruir pessoas? Apesar de o meio-irmão do Senhor dizer que tudo que existe obedece sua própria natureza, se experimentamos o novo nascimento, tornamo-nos uma nova criação, isto é, adquirimos outra natureza. Esta tem de ser manifesta em nosso falar e agir. Portanto, se você foi transformado pela graça de Deus mediante a fé de Cristo, a sua língua não pode ser um instrumento maligno. A fofoca, a mentira, a calúnia e a difamação são obras carnais e não podem ter lugar em nossa vida.

Como pode a língua em uma hora bendizer a Deus e na hora seguinte amaldiçoar os homens?  Podemos manter uma “língua de duas caras”? Somos crentes bipolares? “A Bíblia não atribuiu nenhum poder mágico às nossas palavras”, no entanto é evidente que, dependendo do contexto em que são faladas e por quem são pronunciadas, podem ferir ou até mesmo matar (Pv 18.21a), pois a morte e a vida estão no poder da língua.

O Maligno necessita de alguém para lançar suas setas e uma das formas mais comuns é a utilização da língua de algum desavisado ou maldoso. Às vezes esta instrumentalização não visa tão somente a critica, a contenda, a difamação, injurias, pois em alguns casos o lisonjeio é visto com a intenção de fazer brotar no coração do homem a soberba e auto confiança em desagravo à vontade de Deus (At 16.17).

2. EXEMPLOS DA NATUREZA (VV.11,12). 
O líder da igreja de Jerusalém usa dois exemplos da natureza para apontar a incoerência de agirmos duplamente. Tiago questiona a possibilidade de a fonte que jorra água doce jorrar igualmente água salgada. Para provar a impossibilidade natural deste fenômeno, o meio-irmão do Senhor pergunta, de maneira retórica, se uma figueira poderia produzir azeitonas, e a videira, figos. Naturalmente, a resposta é um sonoro não! Portanto, a pessoa que bendiz ao Senhor não maldiz o próximo. Se Deus é amor, como podemos odiar alguém?

Tiago usou alguns exemplos da natureza para nos lembrar do bom uso das palavras. A figueira produz o seu fruto, a videira idem e a oliveira não fica atrás, diante disto por que então a língua consegue ou tenta produzir frutos bons ou maus ao mesmo tempo? Esta variação de humor, alternativas de ações e produção de inúmeros frutos não pode ser uma constante em nossa vida, podemos e temos condições de evitar tal situação.

3. UMA ÚNICA FONTE. 
Aquele que bebe da água da vida não pode fazer jorrar água para morte. Quem bebe da água limpa do Cristo de Deus não pode transbordar água suja. Portanto, a palavra proferida por um discípulo de Cristo deve edificar os irmãos, dar graça aos que ouvem e sarar quem se encontra ferido.

Como uma fonte de água doce pode jorrar outro tipo de água ao mesmo tempo? Não pode existir meio termo, ou a fonte produz bênçãos ou produz maldições.

CONCLUSÃO
Uma vez Salomão disse que a boca do justo é manancial de vida (Pv 10.11), e que as palavras da boca do homem, são águas profundas (Pv 18.4). Tomemos o devido cuidado com a maneira como usamos a nossa língua. Não esqueçamos que, no dia do Juízo, daremos conta a Deus de toda palavra ociosa proferida pela nossa boca (Mt 12.36).

OBJETIVOS DA LIÇÃO – FORAM ALCANÇADOS
1)    Os mestres deveriam ter conteúdo.
2)    Língua, pequeno membro, pode produzir muitos males.
3)    A língua do salvo não pode ser um instrumento maligno.

REFERÊNCIAS
Bíblia de estudo aplicação pessoal. CPAD, 2003.

Bíblia de Estudo Temas em Concordância. Nova Versão Internacional (NVI). Rio de Janeiro. Editora Central Gospel, 2008.

Bíblia Sagrada. Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000.

Bíblia Sagrada – Harpa Cristã. Barueri, SP. Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro. Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2003.

LOURENÇO, Luciano de Paula. O cuidado com a língua. Disponível em: http://luloure.blogspot.com.br/2014/08/aula-08-o-cuidado-com-lingua.html. Acesso em 20 de agosto de 2014.

SILVA, Alessandro. O cuidado com a língua. Disponível em: http://estudaalicaoebd.blogspot.com.br/2014/07/8-licao-3-trimestre-2014-o-cuidado-com_2022.html#more. Acesso em 20 de agosto de 2014.

Por: Ailton da Silva - Ano VI (desde 2009)

sábado, 16 de agosto de 2014

Neemias: Como sair do anonimato? Capítulo 3 - Slides






Por: Ailton da Silva - Ano VI (desde 2009)

Neemias: como sair do anonimato? Capítulo 3

CAPÍTULO 3
PRIMEIRO OBSTÁCULO
E A PRIMEIRA IMPRESSÃO

1. PRIMEIRO OBSTACULO – ESPEROU E NÃO ANTECIPOU:
Neemias, abnegado e fiel servo de Deus, um articulador, um verdadeiro líder, destacou-se pelo seu elevado senso de organização, humildade e coragem. Chegou em Jerusalém (terra de ninguém) e ficou sem silêncio, apenas observando com muita prudência a situação da cidade (2.12,16). Como havia sido enviado pelo rei e estava de posses das cartas, para comprovação, poderia ter revelado a todos a sua missão, fazendo prevalecer a autoridade que lhe fora concedida. Mas em quem confiar? Aquele ambiente era tão hostil.

Era uma crise sem precedentes, que para muitos não teria fim. Pobreza interna e zombaria externa e ainda para ajudar, os repatriados, da duas primeiras turmas, ainda estavam desmotivados e não encontravam forçar para mudarem aquela situação. Nos dois primeiros retornos até estavam animados, mas foram obrigados a paralisarem as obras por um decreto real (Ed 4.21). Portanto a luta não seria contra a carne ou sangue, mas sim contra a apatia do povo.

A crise atingiu os campos estrutural, político, social e espiritual. Era essencial e urgente a presença de um líder autêntico, que fosse capaz de reverter aquele trágico quadro. Este era o momento ideal para que um homem fosse levantado, de um longínquo e inesperado local, com alguns recursos materiais e provido da capacitação de Deus.

2. UM LÍDER CORAJOSO:
Quem dentre os homens da terra poderia demonstrar tamanha preocupação e amor com Jerusalém? Quantos não foram informados da situação e não tomaram nenhuma atitude? Justificativas para isto tiveram, pois estavam no seguro, confortável e aprazível território persa. Para que olhar para trás? Enxergariam somente a miséria e destruição. Aos olhos de muitos, Jerusalém estava condenada a ruínas, em pouco tempo.

Neemias, pela sua posição e condição de servo, talvez tenha receado contar ao rei todo o motivo de sua tristeza, ou pelo menos deveria. Mesmo que fosse o mais otimista dos homens, jamais se imaginaria usufruindo de alguns minutos de uma audiência real, muito menos a possibilidade de expressar sua dor e lamento pela cidade de seus pais. Receber a permissão para viajar a Jerusalém com cartas de apresentação, salvo conduto e pedido de materiais, uma espécie de patrocínio, seria loucura de sua parte esperar, mas se confiasse inteiramente e unicamente em Deus, tudo isto seria possível. Neste momento o mundo contemplou o nascimento do grande líder que conseguiu encorajar os judeus a fazerem a obra de Deus (2.18).

A maior ousadia, a marca registrada no ministério de Neemias, foi o fato de ter conseguido fazer com que o rei Artaxerxes mudasse a sua visão política em relação a Jerusalém, pois ele reavaliou uma decisão antiga pela qual havia paralisado a reconstrução do templo (Ed 4.21). Somente um grande milagre de Deus para motivar tamanha reversão de decisão.

a) Característica de Neemias, o líder completo:
  • Corajoso, destemido, determinado, perseverante;
  • Humilde, prudente, probo, cauteloso;
  • Comunicativo, empático, motivador, participativo;
  • Sábio, responsável, organizado, estrategista;
  • Motivador, participativo, prospectivo;
  • Discernente, homem de oração e temente a Deus.

3. O MINISTÉRIO OUSADO DE NEEMIAS:
  • Pediu para ser enviado com a missão de reconstruir Jerusalém (2.5). Neemias recebeu seu chamado de Deus, mas precisa ser enviado pelo rei;
  • Pediu cartas de recomendação (2.7). Estava prevendo transtornos e problemas;
  • Pediu provisão para a viagem (2.8);
  • Proteção para a viagem (2.9). Ele foi não dispensou os oficiais do exército, tampouco os cavaleiros.

4. PRIMEIRA IMPRESSÃO – DESTRUIÇÃO E POBREZA:
Hanani, não havia mentido. Realmente a situação de Jerusalém era desesperadora. Em suas observações noturnas Neemias constatou a veracidade das informações. Insegurança, injustiça social, miséria, pobreza interna e zombaria externa. Tudo levava a crer que não haveria solução. Para alguns era cômodo permanecerem naquelas condições, pois imaginavam perigoso e desgastante remexerem nos escombros e poeiras deixado pelos babilônicos. Eles também temiam pela zombaria.

Muitos contemplaram aquela situação, mas não tiveram coragem e liderança para a reconstrução. Neemias entendeu que bastava de choro e lamentações. Era preciso agir e rápido. A cidade estava desprotegida e havia se tornado uma terra de ninguém.

5. UM LÍDER PRUDENTE:
Neemias sabia como agir e já havia traçado o seu plano. Como era sabedor da provável oposição e como não queria chamar a atenção, manteve-se em silêncio, somente observando com muita discrição e prudência. As suas observações noturnas revelaram algo bem mais assustador do que era visto durante o dia. Como era urgente e necessária aquela obra. Se não havia segurança naquela cidade a luz do dia muito menos nas trevas.

Mesmo sendo discreto, em suas observações (2.16), os burburinhos já corriam entre os moradores. Talvez eles estivessem curiosos pela sua presença, mas em nenhum momento revelou o que Deus havia colocado em seu coração, somente o fez no momento oportuno (2.18).

Neemias não queria alarmar a cidade e os desmotivados judeus ou tampouco antecipar o seu plano aos inimigos. Certamente foi lembrado, por alguns, do fracasso dos anteriores, que tentaram em vão, reconstruir os muros. Mesmo com sua coragem, ousadia e certeza poderia ser desmotivado com estes comentários maldosos.

6. COMENTÁRIOS ADICIONAIS:
  • Sem oposição o trabalho não cresce, assim como a luz somente é produzida pela ação do positivo com o negativo (fase e neutro). Prova disto foi a igreja primitiva (fase) e a perseguição (neutro). "O vento espalhou a chama";
  • É fácil encontrar valentes e corajosos durante a luz do dia, pois o inimigo é visível, mas o difícil é nas trevas. Como os judeus enfrentariam seus inimigos na escuridão? Todos em suas casas, enquanto a cidade estava totalmente desprotegida;
  • Quantos abandonam a obra porque outros chegam de longe para trabalhar? “Quem é este copeirozinho ai”? Este copeirozinho era um servo de Deus enviado e quem tem ouvidos ouça o que ele disser;
  • Neemias nas suas observações noturnas disse que não havia nenhum animal exceto o que ele estava montando. Ele também não viu nenhum animal racional vigiando a cidade;
  • Porque Jerusalém estava na pobreza? Porque não havia sequer ferreiros para fazer enxadas. Eles foram levados para a Babilônia para produzirem armas?
  • Neemias não enxugou a máquina, primeiro observou o que poderia ser aproveitado.

Por: Ailton da Silva - Ano VI (desde 2009)

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A fé se manifesta em obras. Plano de aula

TEXTO ÁUREO 
Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus (Mt 5.16).

VERDADE PRÁTICA 
Uma vez salvos em Cristo, o amor, materializado por meio das boas obras, torna-se a nossa identidade cristã.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE – Tg 2.14-26
14 - Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé e não tiver as obras? Porventura, a fé pode salvá-lo?
15 - E, se o irmão ou a irmã estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano,
16 - e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentar-vos e fartai-vos; e lhes não derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá dai?
17 - Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.
18 - Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.
19 - Tu crês que há um só Deus? Fazes bem; também os demônios o creem e estremecem.
20 - Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?
21 - Porventura Abraão, o nosso pai, não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho lsaque?
22 - Bem vês que a fé cooperou com as suas obras e que, pelas obras, a fé foi aperfeiçoada,
23 - e cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus.
24 - Vedes, então, que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé.
25 - E de igual modo Raabe, a meretriz, não foi também justificada pelas obras, quando recolheu os emissários e os despediu por outro caminho?
26 - Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.

PROPOSTA
         Paulo se preocupou com a causa da salvação;
         Tiago se preocupou com os efeitos da salvação;
         Fé viva: manifestação de amor ao próximo;
         Fé morta: fé desacompanhada de ações;
         Crença teórica: os demônios também a tem e estremecem;
         Abraão: uma fé levada até as últimas consequências;
         Raabe: uma gentia e prostitua teve fé no Deus de Israel;
         Sem o espírito o ser humano não é nada;
         Assim também a fé sem obras é morta.

INTRODUÇÃO
A lição de hoje trata da fé manifestada através das obras (Tg 2.14-26). Além de tal assunto ser imprescindível à vida cristã —, pois, sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6) —, é preciso reafirmar que o crente é salvo pela graça, por meio da fé (Ef 2.8,9). Devendo o cristão andar por ela (2Co 5.7), tendo em vista de que tudo aquilo que não é de fé, culmina em pecado (Rm 14.23). Entretanto, a fé não é uma fuga da realidade. Por isso, Jesus ensinou que a fé deve ser praticada (Mt 5.22-48). Nesta lição, igualmente, Tiago mostra que uma fé viva é autenticada pela produção de boas obras, pois não há antagonismo algum entre ambas — fé e obras. Conforme aprenderemos, na vida cristã, fé e obras não são distintas, mas complementares.

Reconheceríamos Abraão como o pai da fé, caso ele não tivesse manifestado sua fé diante dos homens? Ele partiu para Harã e depois para as terras de Siquém. Deixou para trás um passado idólatra e de ignorância. Ele creu e saiu primeiro para ver bem depois, pois a visão das terras se deu logo após a sua chamada. Isto lhe foi imputado por justiça. A sua jornada seria longa, cansativa e, pela fé, pois não fora revelado a ele o local exato, a latitude, longitude, direção e tampouco a duração da viagem, apenas ainda ecoava em sua mente: “largue, saia, vá que eu te mostrarei”. Deixou amigos, parentes e peregrinou por terras desconhecidas. Habitou entre os cananeus que eram considerados pessoas de má fama. Enfrentou a fome ao chegar a Canaã, e peregrinou ao Egito.

I. DIANTE DO NECESSITADO, A NOSSA FÉ SEM OBRAS É MORTA (Tg 2.14-17)
1. Fé e obras. 
Ao ler desavisadamente a Epístola de Tiago o leitor pode afirmar que ela contradiz os ensinamentos do apóstolo Paulo quanto à doutrina da salvação pela fé (Rm 4.1-6). Todavia, ao estudarmos cuidadosamente o tema em questão, veremos que os ensinos paulinos e os de Tiago em hipótese alguma se contradizem. Quando Paulo escreve sobre as obras, ele se refere à Lei — o orgulho nos rituais judaicos e na obediência a um sistema de regras religiosas — enquanto que Tiago, às obras de misericórdia ao próximo necessitado. O meio-irmão do Senhor não se opôs ao apóstolo dos gentios. Enquanto Paulo anunciava ao pecador a salvação pela graça mediante a fé (Ef. 2.8), Tiago doutrinava os crentes sobre a impossibilidade de vivermos a fé de Cristo sem manifestar os frutos de arrependimento (Mt 3.8). O primeiro preocupou-se com a causa da salvação e o segundo, com o efeito dela.

Como esperar a salvação somente pelas obras? Como imaginar estas obras como condição essencial para salvação? Ou quem em sã consciência poderia pregar ou sustentar tal ideia? Foi exatamente isto que Tiago combateu em sua carta. O legalismo dos judeus ortodoxos ainda falava muito alto nos corações dos que estavam abraçando a fé, portanto era necessário em ensino mais contundente por parte do colegiado apostólico.

2. O cristão e a caridade. 
“A fé não acompanhada de ação é morta”, declara Tiago. “Fazer”, “realizar” e “agir” são atitudes que integram a religião pura e imaculada: ajudar os necessitados nas suas necessidades. A fé, quando não produz tais frutos, é morta. A fim de ilustrar tal verdade, Tiago inquire retoricamente os servos de Deus dizendo que se oferecermos, a um irmão ou a uma irmã, que estejam padecendo necessidade, apenas uma palavra de “incentivo” e não lhes dermos as coisas de que eles necessitam, isso não resolverá o problema. Diante de alguém necessitado, o que precisa ser feito? Orar e despedi-lo sem nada? Se assim procedermos, nossa oração não servirá para nada. Aliás, como ensina João, a pessoa que não se compadece dos necessitados não tem o amor de Deus em sua vida (1Jo 3.17,18). Tal aspecto já havia sido ensinado por Jesus ao dizer que, no socorro àqueles que precisam de ajuda, acolhemos o próprio Senhor (Mt 25.40).

Despedir o necessitado sem oferecer algo a ele? Somente lhe dar algumas palavras de incentivo? Relembremos uma história do passado muito conhecida: E disse o governador do Egito aos dez homens famintos hebreus que apareceram em sua sala de audiência: “Yes, we can”, sim nós podemos. José quando reconheceu seus irmãos tratou de socorrê-los, apesar que titubeou um pouco, mas sabia de onde havia vindo, o sofrimento que passara. Em vez de despedi-los somente com palavras de incentivo ofereceu o melhor, muito mais do que imaginavam.

3. A “morte” da fé. 
A concepção de fé apresentada na Epístola de Tiago é a confiança em Deus: “Tu crês que há um só Deus?” (v.19). Logo, as obras de que Tiago fala, consistem na expressão da vontade de Deus, ou seja, amar o próximo, visitar os enfermos, defender os direitos dos pobres, praticar a justiça, etc. Esta é a fé viva em Deus! A epístola nos ensina que se amamos o outro, não amamos segundo as nossas concupiscências, mas segundo o amor de Deus por nós. Este amor nos estimula a amar o ser humano independentemente de quem ele seja. Ame o próximo e mostrará uma fé viva. Não ame, e se confirmará: a tua é fé está morta.

Conheço a história de um homem que demonstrou amor pelo próximo independente de quem fossem eles. José amou seus irmãos como nunca, no momento que os viu com rostos no pó implorando por alimentos. Ele os amou segundo o amor de Deus, já que se fosse segundo as suas concupiscências fatalmente seus irmãos teriam descido às gélidas e sombrias prisões egípcias.

II. EXEMPLOS VETEROTESTAMENTÁRIOS DE FÉ COM OBRAS (Tg 2.18-25)
1. Não basta “crer”. 
Tiago afirma que a crença teórica em Deus não significa muita coisa. Os demônios, igualmente, creem e estremecem diante do Altíssimo (Lc 8.26-33; Mc 5.1-10). Em outras palavras, eles “creem”, ou sabem, que Jesus é o Filho de Deus. Entretanto, a confissão dos demônios não implica um compromisso de obediência a Deus. A verdadeira fé, porém, manifesta-se na prática coerente do servo de Deus com tudo aquilo em que ele diz crer. O autor da epístola demonstra que a fé não consiste em um discurso, mas em convicção autêntica, seguida da prática de obras de amor, pois é justamente isso que Jesus fez e ainda faz (At 10.38; Hb 13.8). Exemplificando esse ensino da fé compromissada com a ação, Tiago utiliza dois ricos exemplos do Antigo Testamento.

Como Abraão e os outros grandes patriarcas de Israel e os muitos heróis da fé, cabe a cada um de nós não somente crer, mas participar, entrarmos na história, mergulharmos de cabeça, vivermos.

2. Abraão. 
O patriarca Abraão, conhecido como “pai da fé”, obedeceu a Deus quando o Senhor lhe pediu seu amado filho, Isaque. O patriarca de Israel já havia demonstrado confiança em Deus quando decidiu, por um ato de fé e obediência, partir para uma terra desconhecida (Hb 11.8,9). Agora, Abraão estava diante de uma prova de fé ainda mais dura: imolar o seu filho amado e oferecê-lo em sacrifício a Deus. Uma fé levada até as últimas consequências! A obra de Abraão demonstrou a sua confiança em Deus independente das circunstâncias. E nós, como estamos diante de Deus? Cremos quando vai tudo bem, e está tudo certo ou cremos apesar das circunstâncias?

Abraão, o primeiro patriarca de Israel foi resgatado de sua vã maneira de viver e, pela fé, guiado para uma terra que, sequer imaginava, mas que lhe seria mostrada com o tempo. Largou tudo e partiu rumo ao cumprimento das promessas. Ele quase sacrificou aquele que seria o segundo patriarca para que a sua fé fosse provada diante de Deus.

Mas que espécie de sacrifício racional era aquele que Abraão quase ofereceu a Deus? Tristeza em vez de alegria? Choro no lugar de júbilos? Perdas em lugar de ganhos? Derrotas e não vitórias? Era isto que receberia por ter posto a mão no arado? E o que recebia por toda a sua dedicação? Rótulo de assassino, louco, fanático, extremista entre outros. Sara o apoiaria? E os parentes o taxariam ainda mais, dariam graças, aos seus inúmeros deuses, por Abraão estar tão longe. Ninguém entendia o que a fé manifesta em obras poderia proporcionar, mas a partir deste episodio tudo ficou mais claro.

3. Raabe. 
Outro exemplo apresentado por Tiago é o de Raabe, uma mulher gentia e prostituta que vivia em Jericó durante a conquista da terra de Canaã pelos judeus. Quando Josué enviou os espias para olharem a terra, Raabe os escondeu e, mais tarde, os ajudou a escapar dos guardas de Jericó. A atitude de Raabe levou os espias a prometerem que nenhum mal aconteceria a ela quando os israelitas tomassem a cidade (Js 2.1-24). Raabe teve fé no Deus de Israel! Na certeza de que Deus daria aquela cidade ao seu povo, ela agiu para proteger os espias enviados por Josué. Por isso, Raabe, a prostituta de Jericó, foi justificada e constituída na linhagem do nosso Salvador, Jesus Cristo (Mt 1.5). É uma grande mulher que consta como a heroína da fé (Hb 11.31).

Esta história se espalhou por toda aquela região: “Um Deus poderoso libertou um povo do Egito e eles estão vindo para cá”. Raabe tinha ciência disto e temeu pela fé, ainda mais quando se deparou com os espias, que na verdade não foram espiar, eles foram enviados como portadores de boas novas para os que cressem.

A fé de Raabe, manifesta em obras, proporcionou a salvação para sua família, em meio a muitas que lá existiam. A principal personagem desta história não foi Josué, os espias ou os guerreiros de Jericó, que sequer apareceram, mas sim foi Raabe, que creu no que ouviu e obedeceu pela fé. Uma prévia do que seria sustentado pelo apóstolo Paulo em Filipos: “Crê e serás salvo tu e a tua casa” (At 16.31).

Ela soube a quem obedecer (Js 2.14), obedeceu sem questionar (Js 2.15), esteve pronta a obedecer (Js 2.18) e obedeceu com fé (Js 2.21), portanto ela preencheu todos os requisitos para receber sua recompensa (Js 6.21-25), pois foram retiradas e foram agregadas a congregação dos filhos de Israel e ainda para completar a vitória foi incluída na galeria dos heróis da fé (Hb 11.31).

III. A METÁFORA DO CORPO SEM O ESPÍRITO PARA EXEMPLIFICAR A FÉ SEM OBRAS (Tg 2.26)
1. Uma analogia do corpo sem espírito. 
Para os que conhecem a Palavra de Deus, é inconcebível a ideia de um corpo vivo sem o espírito e a alma (At 20.9,10; 1Ts 5.23). O teólogo britânico, John Stott, escreveu: “O nosso próximo é uma pessoa, um ser humano, criado por Deus. E Deus não o criou como uma alma sem corpo (para que pudéssemos amar somente sua alma), nem como um corpo sem alma (para que pudéssemos preocupar-nos exclusivamente com seu bem-estar físico), nem tampouco um corpo-alma em isolamento (para que pudéssemos preocupar-nos com ele somente como um indivíduo, sem nos preocupar com a sociedade em que ele vive). Não! Deus fez o homem um ser espiritual, físico e social. Como ser humano, o nosso próximo pode ser definido como ‘um corpo-alma em sociedade’” (Cristianismo Equilibrado, CPAD). Sem o espírito, o fôlego de vida, o ser humano não é nada. Só podemos ser considerados humanos quando as esferas espiritual, física e social estão inseparáveis. Qual a relação desse assunto com a fé?

Um corpo sem a sua parte espiritual é morto, o primeiro depende do segundo para existir. O que seria do velho Abraão sem seu filho unigênito? Já que Deus havia pedido em sacrifício o filho unigênito dele e não considerava neste contexto Ismael, o filho com a serva que havia sido despedido dias antes.  O que seria de José sem o perdão e a convivência com sua família?

2. Da mesma maneira: fé sem obras é morta. 
“Assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta” (v.26). Tiago nos ensina que não faz sentido expressarmos uma fé verbalmente se ela não tem ação concreta. Como as pessoas constatarão que eu creio de todo coração em Deus? À medida que os meus atos em relação a elas revelarem o amor do Criador. Se não houver obras de misericórdia, amor, honestidade e carinho ao próximo, a nossa fé estará morta, sepultada. Podemos citar de cor e salteado o Credo Apostólico, o credo da nossa demominação e milhares de versículos da Bíblia. Mas se não houver ação, tudo não passará de argumentos sem vida. Deus nos livre dessa ignomínia!

Tudo o que fosse feito a partir de então ou tudo o que acontecesse seria considerado mera obra do acaso e nunca cumprimento do plano de Deus. A fé sem obras é morta, por isto foi necessário que fosse manifesta na vida dos grandes patriarcas e dos heróis da fé, muito mais se torna necessário para a igreja moderna.

CONCLUSÃO
Sabemos que o ser humano está vivo porque ele tem atividade cerebral intacta, os pulmões funcionam rotineiramente, o coração bombeia o sangue, irrigando todo o corpo. Isto é, o corpo humano está se movimentando naturalmente. Da mesma forma é a fé. Uma fé viva em Deus através do seu Filho, Jesus Cristo, justifica o homem de todo o pecado (Rm 5.1; Tg 2.18-25). Mas uma fé sem obras está morta! É como um corpo humano que não tem vida. Não respira mais. Que possamos viver todas as implicações reais de nossa crença em Deus.

OBJETIVOS DA LIÇÃO – FORAM ALCANÇADOS
1) A fé sem as obras se torna morta.
2) Heróis da fé do passado: Abrão, Raabe, José etc.
3) Corpo sem vida está morto, tal como a fé sem obras.

REFERÊNCIAS
Bíblia de estudo aplicação pessoal. CPAD, 2003.

Bíblia de Estudo Temas em Concordância. Nova Versão Internacional (NVI). Rio de Janeiro. Editora Central Gospel, 2008.

Bíblia Sagrada. Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000.

Bíblia Sagrada – Harpa Cristã. Barueri, SP. Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro. Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2003.
  
Por: Ailton da Silva - Ano VI (desde 2009)