sábado, 9 de agosto de 2014

A verdadeira fé não faz acepção de pessoas. Plano de aula


TEXTO ÁUREO
Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis. Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado e sois redarguidos pela lei como transgressores (Tg 2.8,9).

VERDADE PRÁTICA
Não podemos fazer acepção de pessoas, pois o Senhor não fez conosco.

LEITURA BIBLICA EM CLASSE – Tg 2.1-13
1 - Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas.
2 - Porque, se no vosso ajuntamento entrar algum homem com anel de ouro no dedo, com vestes preciosas, e entrar também algum pobre com sórdida vestimenta,
3 - e atentardes para o que traz a veste preciosa e lhe disserdes: Assenta-te tu aqui, num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Tu, fica aí em pé ou assenta-te abaixo do meu estrado,
4 - porventura não fizestes distinção dentro de vós mesmos e não vos fizestes juízes de maus pensamentos?
5 - Ouvi, meus amados irmãos. Porventura, não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?
6 - Mas vós desonrastes o pobre. Porventura, não vos oprimem os ricos e não vos arrastam aos tribunais?
7 - Porventura, não blasfemam eles o bom nome que sobre vós foi invocado?
8 - Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis.
9 - Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado e sois redarguidos pela lei como transgressores.
10 - Porque qualquer que guardar toda a lei e tropeçar em um só ponto tornou-se culpado de todos.
11 - Porque aquele que disse: Não cometerás adultério, também disse: Não matarás. Se tu, pois, não cometeres adultério, mas matares, estás feito transgressor da lei.
12 - Assim falai e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade.
13 - Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa sobre o juízo.

PROPOSTA
         Discriminação: inaceitável e inadmissível em nosso meio;
         A igreja deve produzir um ambiente de amor e acolhedor;
         “Juízes de maus pensamentos”: pura discriminação;
         Deus escolheu aos pobres para serem ricos na fé;
         Desonrar o pobre é pecado;
         Discriminação/favoritismo/parcialidade: combatamos;
         Lei Real: “amarás o teu próximo como a ti mesmo”;
         Lei Mosaica: não ao adultério e sim a acepção de pessoas;
         Lei da Liberdade: “assim falai, e assim procedei”.

INTRODUÇÃO
A discriminação contra as pessoas de classe social inferior é vergonhosa e ultrajante, principalmente, quando praticada no âmbito de uma igreja local. Nesta lição estudaremos sobre a fé que não faz acepção de pessoas. Veremos que erramos — e muito — quando julgamos as pessoas sob perspectivas subjetivas tais como a aparência física, posição social, status, a bagagem intelectual, etc. Isso porque tais características não determinam o caráter (Lc 12.15). Assim, a lição dessa semana tem o objetivo de mostrar, pelas Escrituras, que a verdadeira fé e a acepção de pessoas são atitudes incompatíveis entre si e, justamente por isso, não podem coexistir na vida de quem aceitou ao Evangelho (Dt 10.17; Rm 2.11).

A discriminação é vista quando ocorre um pré-julgamento, de cunho negativo, sobre indivíduos de determinada raça, religião, sexo, posição ou “departamentos”, momento em que são comparados ou quando recebem características que não são as suas. Este mal vem de pessoas que se julgam ser dominantes, quase perfeitas e são baseadas em crenças, tradições ou pensamentos discriminatório. Tais ações provocam reações das vítimas, em respostas ao julgamento a que são submetidas, mas todo este processo discriminatório é mascarado pelos agentes ditos dominantes, já que tais negam suas práticas preconceituosas, atribuindo toda a culpa à sociedade, no caso a religiosa, no entanto os tais se esquecem que fazem parte ou pelo menos estão inseridos nesta sociedade e que todos tem a suas parcelas de culpa.

Quem é o pobre, gordo, feio, analfabeto ou letrado? Estas diferenças não poderiam existir entre aqueles que já experimentaram o novo nascimento. As diferenças sociais, competições, hostilidade e soberba infelizmente teimam em rodear as igrejas. Em vez de perdermos tempo para classificarmos os tais, bom seria que saíssemos em socorro a eles conforme nos determina a Palavra pois o nosso bem maior é e sempre será a igualdade, enquanto que a visão do mundo decaído ainda continua sendo a riqueza (ordens e possessão), a beleza (conquistas e carnalidade) e a inteligência (humilhação e triunfo diante da competitividade).

I. A FÉ NÃO PODE FAZER ACEPÇÃO DE PESSOAS (Tg 2.1-4)
1. EM CRISTO A FÉ É IMPARCIAL. 
O primeiro conselho de Tiago para a igreja é o de não termos uma fé que faz acepção de pessoas (v.1). Mas é possível haver favoritismo social onde as pessoas dizem-se geradas pela Palavra da Verdade? As Escrituras mostram que sim. Aconteceu na igreja de Corinto quando da celebração da Ceia do Senhor (1Co 11.17-34). Hoje, não são poucos os relatos de pessoas discriminadas devido a sua condição social na igreja. Ora, recebemos uma nova natureza em Cristo (Cl 3.10), pois Ele derrubou o muro que fazia a separação entre os homens (Ef 2.14,15) tornando possível a igualdade entre eles, ou seja, estando em Jesus, “não há grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos” (Cl 3.11). É, portanto, inaceitável e inadmissível que exista tal comportamento discriminatório e preconceituoso entre nós.

Jesus não fez acepção de pessoas, conversou com os pecadores, atendeu os doentes, conversou com os leprosos, andarilhos, os desprezados pela sociedade perfeita da época e nunca despediu quem o procurou crendo em pelo menos na sua atenção. Quantos hoje não viraram as costas para esta classe de necessitados?

2. O AMOR DE DEUS TEM DE SER MANIFESTO NA IGREJA LOCAL. 
Havia na congregação, do tempo de Tiago, a acepção de pessoas. Segundo as condições econômicas, “um homem com anel de ouro no dedo, com trajes preciosos” era convidado a assentar-se em lugar de honra, enquanto o “pobre com sórdido traje” era recebido com indiferença, ficando em pé, abaixo do púlpito (vv.2,3). Tudo isso acontecia num culto solene a Deus! A Igreja de Cristo tem como princípio eterno produzir um ambiente regado de amor e acolhimento, e para isto “não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3.28).

O cenário de discriminação visto na igreja primitiva difere dos padrões atuais? Políticos, ricos, poderosos e influentes tomam as decisões baseadas em partidarismo e interesses de classes.  Tomando por base os fatos ocorridos com os irmãos de José podemos afirmar que em nenhum momento houve favorecimento, pelo contrario, eles receberam uma boa terra e trouxeram consigo seus rebanhos para trabalharem (Gn 46.31-34). Se fosse hoje, certamente seus irmãos ficariam no palácio e receberiam os melhores cargos remunerados.

3. NÃO SEJAMOS PERVERSOS (V.4).
A expressão “juízes de maus pensamentos” aplicada no texto bíblico para qualificar os que discriminavam o pobre nas reuniões solenes, não se refere às autoridades judiciais, mas aos membros da igreja que, de acordo com a condição social, se faziam julgadores dos próprios irmãos. O símbolo da justiça é uma mulher de olhos vendados, tendo no braço esquerdo a balança e, no braço direito, a espada. Tal imagem simboliza a imparcialidade da justiça em relação a quem está sendo julgado. Portanto, a exemplo do símbolo da justiça, não fomos chamados a ser perversos “juízes”, mas pessoas que vivam segundo a verdade do Evangelho. Este nos desafia a amar o próximo como a nós mesmos (Mc 12.31).

Quando José reconheceu seus irmãos, que estavam na lona, será que deu vontade de vingar-se pelo passado? Ele poderia ter agido de forma perversa, mas preferiu colocar em prática um pensamento que muitas vezes ignoramos hoje: porque zombar ou desprezar as pessoas que estão ladeira abaixo? Hoje encontramos tais enquanto estamos subindo, mas amanhã elas poderão nos encontrar enquanto estivermos descendo. José não agiu desta forma, ele ouviu uma voz mansa e suave que lhe dizia: “você conhece esta situação, já viveu tudo isto”.

II. DEUS ESCOLHEU OS POBRES AOS OLHOS DO MUNDO (Tg 2.5-7)
1. A SOBERANA ESCOLHA DE DEUS. 
É bem verdade que muitas pessoas ricas têm sido alcançadas pelo Evangelho. Mas ouçamos com clareza o que a Bíblia diz acerca dos pobres. Deus é soberano em suas escolhas. E de acordo com a sua soberana vontade, Ele escolheu os pobres deste mundo. De maneira retórica, Tiago afirma: “Porventura não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé, e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?” (v.5). É possível que as igrejas às quais Tiago dirigiu a Epístola talvez tivessem se esquecido de que é pecado fazer acepção de pessoas. Ainda hoje não podemos negligenciar esse ensino! O Senhor Jesus falou dos pobres nos Evangelhos (Lc 4.18; Mt 11.4,5) e, mais tarde, no Sermão da Montanha repetiu: “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus” (Lc 6.20).

Como os pobres deste mundo podem se tornar ricos? Pela soberana escolha de Deus os pobres deste mundo podem se tornar ricos, mas ricos na fé e não e tão somente ricos materiais desesperados e ávidos cada vez mais pelas riquezas.

2. A PRINCIPAL RAZÃO PARA NÃO DESONRAR O POBRE (V.6).
Apesar de Deus ter escolhido os pobres, a igreja do tempo de Tiago fez a opção contrária. Entretanto, o meio-irmão do Senhor traz à memória da igreja que quem a oprimia era justamente os ricos. Estes os arrastaram aos tribunais. Como podiam eles desonrar os pobres, escolhidos por Deus, e favorecer os ricos que os oprimiam? É triste quando escolhemos o contrário da escolha de Deus. As Palavras de Jesus ainda continuam a falar hoje: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração, a apregoar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.18,19). Somos os seus discípulos? Então para sermos coerentes com o Evangelho termos de encarnar a missão de Jesus. Desonrar o pobre é pecado!

José, um pobre homem que sofria no Egito. Mal remunerado, condenado à prisão, devido a uma cilada, afastado da família, muito longe do exercício mínimo de sua dignidade. Um pobre que não poderia ser desprezado ou desonrado. Os soldados ou qualquer outro egípcio olhava para ele e meneavam a cabeça. O que esperar daquele projeto falido de homem? Não desonre um pobre, amanhã a situação pode se inverter. Vide caso daquele “presidiário” que acordou nas frias prisões e dormiu no palácio tomando decisões.

3. DESONRARAM O SENHOR. 
Após lembrar a igreja da escolha de Deus em relação aos pobres deste mundo, Tiago exorta os irmãos a reconhecerem o favoritismo que há dentro da comunidade cristã: “Mas vós desonrastes o pobre” (v.6). Já os ricos, são recebidos com toda a pompa. No versículo 7, o meio-irmão do Senhor pergunta: “Porventura, não blasfemam eles [os ricos] o bom nome que sobre vós foi invocado?” (v.7). Estamos frente a algo reprovável diante de Deus: a discriminação social na igreja. Por isso é que o favoritismo, a parcialidade e quaisquer tipos de discriminação devem ser combatidos com rigor na igreja local, principalmente pela liderança. Esta deve dar o maior dos exemplos. Quem discrimina não compreendeu o que é o Evangelho!

Quando José adentrou os palácios egípcios, totalmente trêmulo, assustado, pois não imaginava o que lhe esperava. Olhou ao seu redor, percebeu o desprezo dos egípcios, mas caminhou em direção ao que lhe havia sido proposto. O prêmio da “soberana vocação” lhe esperava logo ali, que honra estar diante do Faraó. Naquele momento ninguém lhe dava nada, ninguém lhe honrou. Nenhum dos presentes lembrou que atrás de toda esta história havia um Deus, Todo Poderoso, que estava trabalhando na vida daquele pobre homem.

III. A LEI REAL, A LEI MOSAICA E A LEI DA LIBERDADE (Tg 2.8-13)
1. A LEI REAL. 
A lei real é esta: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (v.8). Essa é a conclamação de Tiago a que os crentes obedeçam a verdadeira lei. O termo “real”, no versículo 8, refere-se àquilo que é o mais importante da lei, a sua própria essência. Portanto, quem faz acepção de pessoas está quebrando a essência da lei. O amor ao próximo é o coração de toda lei: “A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. [...] O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Rm 13.8,10). Só o amor é capaz de impedir quaisquer tipos de discriminação. Quem ama, não precisa da lei (Gl 5.23).

Será que os mais revoltosos egípcios aprenderam a amar José depois de sua belíssima administração? Pelo menos por gratidão poderiam demonstrar alguma reação. Não era todo dia que aparecia um estrangeiro desvalido para socorrê-los.

2. A LEI MOSAICA. 
Na época em que a Epístola de Tiago foi escrita, os judeus faziam distinção entre as leis religiosas mais importantes e as menos importantes, segundo os critérios estabelecidos por eles mesmos. Os judeus julgavam que o não cumprimento de um só mandamento acarretaria a culpa somente daquele mandamento desobedecido. Mas quando a Bíblia afirma “Porque aquele que disse: Não cometerás adultério, também disse: Não matarás”, está asseverando o aspecto coletivo da lei. Isto é, quem desobedece um único preceito, quebra, ao mesmo tempo, toda a lei. Embora os crentes da igreja não adulterassem, faziam acepção de pessoas. Eles não atendiam a necessidade dos órfãos e das viúvas e, por isso, tornaram-se “transgressores de toda a lei”. No Sermão da Montanha, nosso Senhor ensinou sobre a necessidade de se cumprir toda a lei (Mt 5.17-19; cf. Gl 5.23; Tg 2.10).

Que dilema para a igreja nos tempos de Tiago: obedecer toda Lei ou observar somente os pontos tidos como importantes, se é que havia esta divisão. Claro que naquela época, tal como hoje, muitos ignoravam a unidade da Lei e não a consideravam em sua totalidade. Cumpriam um e desprezam outros, alias isto foi afirmado por Jesus, durante o seu ministério terreno (Mt 23.23).

3. A LEI DA LIBERDADE. 
A Lei da Liberdade é o Evangelho. Por ele o homem torna-se livre. Liberto do pecado, dos preconceitos e da maneira mundana de pensar (Rm 6.18). Quem é verdadeiramente discípulo de Jesus desfruta, abundantemente, de tal liberdade (Jo 8.36; Gl 5.1,13). Entretanto, como orienta Tiago, tal liberdade deve vir acompanhada da coerência: “Assim falai, e assim procedei” (v.12). O crente pode falar, pode ensinar e até escrever sobre o pecado de fazer acepção de pessoas. Mas na verdade, é a sua conduta em relação aos irmãos que demonstrará se ele é, de fato, um liberto em Cristo ou um escravo deste pecado.

O bom é viver segundo a liberdade que Jesus nos proporciona, livres do peso da Lei e da escravidão do pecado, vivendo conforme o que pregamos e não pregando o que não vivemos.

CONCLUSÃO
O segundo capítulo da Epístola de Tiago é uma voz do Evangelho a ecoar através dos tempos. Ele rotula a acepção de pessoas como pecado, lembrando-nos de que Deus escolheu os “pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam”. Assim, se a nossa vontade estiver de acordo com a vontade de Deus, amaremos os pobres como a nós mesmos. E conscientizar-nos-emos de que esse amor exige de nós ações verdadeiras, sinceras, e não apenas de vãs palavras religiosas que até mesmo o vento se encarrega de levar (cf. Tg 2.15-17).

OBJETIVOS DA LIÇÃO – FORAM ALCANÇADOS
1)   A igreja deve produzir um ambiente de amor;
2)   Os pobres deste mundo podem se tornar ricos na fé;
3)   Amar a todos e viver em liberdade sem culpas.

REFERÊNCIAS
Bíblia de estudo aplicação pessoal. CPAD, 2003.

Bíblia de Estudo Temas em Concordância. Nova Versão Internacional (NVI). Rio de Janeiro. Editora Central Gospel, 2008.

Bíblia Sagrada. Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000.


Bíblia Sagrada – Harpa Cristã. Barueri, SP. Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro. Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2003.

Por: Ailton da Silva - Ano VI (desde 2009)

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Logo mais pela manhã atualizarei os materiais para EBD

Por: Ailton da Silva - Ano VI (desde 2009)

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

sábado, 2 de agosto de 2014

Neemias: como sair do anonimato? Capítulo 2


CAPÍTULO 2
COMO ABALAR A ESTRUTURA DE UM LÍDER?

1. QUEM FOI NEEMIAS:
Realmente não foi fácil a vida daqueles que estavam na cidade, o pior era que não faziam nada para mudarem aquele quadro caótico. Houve necessidade que Deus levantasse outro homem de fora, de longe, pois os poucos e desanimados moradores (de dentro) não perceberam que o conformismo e o comodismo tiravam deles o controle da situação.

Neemias, servindo a corte persa, não tinha obrigação de demonstrar tanta preocupação com Jerusalém. Mesmo depois de conhecer a situação da cidade não haveria necessidade do desabafo com o rei Artaxerxes, a não ser que sentisse em seu coração um chamado muito forte.

Foi filho de Hacalias, irmão de Hanani (Ne 1.1; 7.2). Ardeu em seu coração o desejo de ajudar o povo que estava em grande desprezo e miséria. Mesmo diante de sua ocupação no palácio real reservou um tempo para ouvir de seu irmão um relato sobre a cidade, que sequer conhecia.

Serviu ao rei Artaxerxe I, na corte persa, como copeiro, em meio ao luxo, facilmente se iludiria com o sistema politeísta medo-persa, mas nunca se deixou corromper pelas ofertas ou práticas pagãs. O ponto crucial de sua vida, o divisor de águas foi a sua empatia e preocupação com a cidade de Davi, outros em sua posição, jamais desprezariam suas funções na corte para viajar e auxiliar um povo, que não mexia um dedo, sequer para mudar a sua própria situação.

Não era um general, um engenheiro, construtor de grande porte, diplomata, mas possuía qualidades tais, pois no decorrer da obra enfrentou perigos, inimigos, dificuldades, oposição de estrangeiro e outras situações. Sentiu a chamada de Deus em sua vida quando ouviu o catastrófico diagnóstico da cidade. No seu entendimento ainda havia solução?

A distância entre Susã, a fortaleza (Et 1.2) e Jerusalém, cerca de 1600 km, não foi obstáculo para que cumprisse o que havia colocado no coração. A alegria, vitória, dores e problemas do povo também seriam seus. Mesmo tendo pouco conhecimento sobre a cidade, seguiu viagem.

O único que poderia impedir sua viagem seria o próprio rei, pois seria difícil encontrar outro homem em que pudesse depositar tamanha confiança, mas ele foi o primeiro gentio que ouviu as lamentações de Neemias e desde o inicio o incentivou que fosse a realizar o que Deus havia colocado em seu coração. Em nenhum momento duvidou, imaginou ou insinuou que a viagem tivesse outro interesse que não o apresentado por Neemias. O rei permitiu a viagem e lhe deu as cartas necessárias.

A reconstrução da cidade poderia ser uma realidade distante e inatingível ou não, pois já estavam trabalhando neste intento, inclusive o Templo estava reerguido, mas o principal era atentarem para os muros ao redor, que deveriam ser reconstruídos imediatamente, pois de nada adiantaria investirem na cidade e esquecerem da proteção. Ele sabia que toda a tradição, história, cultura, religiosidade dos judeus dependia daquela cidade.


a) Missão de Hanani: abalar a estrutura do futuro líder:
Certamente Neemias esperava ouvir de Hanani boas notícias sobre a cidade, pois já era tempo da reconstrução estar a pleno vapor, mas o que ouviu o deixou triste e receoso pelo futuro da nação. Esta conversa selou o chamado daquele homem, a partir daquele momento nunca mais foi o mesmo. Era a oportunidade que fazer algo para Deus. Alguém poderia condenar Hanani por ter ido tão distante para entregar noticias tão ruins.

2. ORAÇÃO – CONFIRMAÇÃO DA CHAMADA: 
Neemias teria sucesso sem oração? A sua comoção pela situação da cidade, após receber a noticia foi o combustível que o impulsionou a clamar em favor da cidade e para receber de Deus a confirmação de sua chamada (1.4-11). Se não tivesse orado em favor da cidade certamente teria somente lamentado toda aquela situação e não teria ido a lugar algum.

Cerca de quatro meses de oração (1.1; 2.1 – quisleu à nisã do 20º ano do rei Artaxerxes, lembrando que o ano judaico dá-se no mês de Tishrei), e então sentiu forças para solicitar ao rei a permissão para sua viagem. A obra da reconstrução do muro e das portas foi concluída em exatos 52 dias, praticamente a metade do tempo em que ele ficou em oração (6.15)

Um líder, que negligencia o momento de oração, se torna presa fácil para o inimigo. Decisões erradas, precipitadas ou tendenciosas são consequências da falta de oração e vigilância.

3. INÍCIO DO MINISTÉRIO DE NEEMIAS: 
Neemias deixou sua função e o conforto no palácio e “pela fé, recusou a ser chamado copeiro do rei”, antes preferiu conhecer in loco a situação e sofrimento de seu povo (repetição da história?). Jerusalém sem muro não tinha proteção contra os seus inimigos, contra falsos profetas, heresias, falsos ensinos. A preocupação dele era muito mais do que somente com a aparência e estética da cidade.

Quando Neemias ouviu o relato de que os muros estavam derribados e fendidos, o seu coração ardeu. Como o povo não atentava para este detalhe? De que adiantava a urgente reconstrução do Templo, o resgate da fé monoteísta e práticas agradáveis a Deus se estavam completamente desprotegidos? O primeiro inimigo que se levantasse seria capaz de invadir e destruir tudo novamente. Haveria fé e animo suficientes para outros mutirões? E o que dizer de ladrões, salteadores, doenças, enganadores que tinham livre trânsito?

a) Oração de um verdadeiro líder:
  • Reconheceu a autoridade de Deus (1.5);
  • Confessou os pecados e intercedeu pelo povo (1.6);
  • Fez menção de Moisés (promessas e advertências–1.7);
  • Mencionou o compromisso de Deus com Israel (1.9);
  • Se colocou em favor dos judeus;
  • Foi persistente, fervoroso, específico e direto.


b) A necessidade dos muros:
  • Os discípulos, quando foram chamados por Jesus, largaram tudo para seguirem o Mestre ou continuaram em suas praticas mundanas e trabalhos? Que conhecimento ou proteção teriam se não tivesse sido reconstruído em suas vidas o muro? Facilmente retornariam ao desprezo e miséria de antes;
  • O que teria acontecido com os discípulos se o barco tivesse se rompido durante a clássica tempestade acalmada por Jesus? As ondas açoitavam o barco constantemente (Mc 4.37) e não atacava propriamente e primariamente os homens a bordo. O ataque primeiro foi contra o barco. Eles seriam mortos quando o barco fosse destruído. Povo no mar sem barco são presas fáceis e o que dizer da cidade na terra sem muros?
  • E todos os dias Jesus acrescentava à igreja aqueles que se haviam de salvar (At 2.47). O intuito era reuni-los para protegê-los do mal e do ataque do inimigo.

Neemias, de princípio, não tinha autoridade e experiência para reunir grandes exércitos ou um número elevado de trabalhadores, tampouco condições para levantar e guiar os judeus de volta para Jerusalém, mas foi capacitado por Deus.

O primeiro sentimento que nasceu em seu coração foi o desejo de retorno para trabalhar e não o de se intitular salvador da pátria judaica, o grande general responsável pela reconstrução, mas isto somente aconteceu porque após ouvir as noticias a sua primeira atitude foi se colocar diante de Deus em oração. Que caminho seguir? Condições para sensibilizar o povo e reuni-los seria humanamente impossível? Se os que estavam morando na cidade não faziam nada imaginem então os que estavam em uma zona de conforto e tranqüilidade, mesmo servindo outro império? Prova disto é que muitos não voltaram quando foram autorizados.

Uma atitude simples (Ne 1.4), mas necessária, pois o primeiro passo seria receber de Deus a confirmação para que não agisse somente por emoção. Após esta oração apresentou diante do rei que percebeu a tristeza do seu servo e ouviu as suas lamentações sobre a cidade. Naquele momento Neemias transpassou a primeira barreira de sua nova carreira. Recebeu o aval, a confirmação para sua empreitada.

O início do ministério de Neemias foi baseado em uma das mais significativas orações registradas na Bíblia. Oração reverente, adorando a Deus, atribuindo-lhe todo o poder, reconhecendo a autoridade, fazendo menção do compromisso estabelecido com seu povo, confessando os pecados de todos os envolvidos na historia e intercedendo por eles.

Neemias intercedeu pelo povo, colocando-se na brecha em favor deles, mesmo que não conhecesse boa parte de sua linhagem. Desde o principio, quando ouviu os relatos de seu irmão, sentiu as dores e a aflição da cidade. Chorou, lamentou, orou e jejuou vários dias, persistente, fervoroso e foi bem específico e direto, pois não rodeou, já foi apresentando a Deus o pecado dele e do povo (Ne 1.7).

Neemias poderia até ter imaginado que não seria fácil o rei permitir sua viagem a Jerusalém, mas através de sua oração contemplou o trabalhar de Deus, viu cair por terra o medo, pois não somente teve o seu pedido atendido como também foi confortado (Sl 33.12).

Ele não tomou atitudes precipitadas. Precisava de confirmação e autorização do rei para que fizesse o que Deus havia colocado em seu coração. Não abandonou o palácio, não solicitou autorização do rei antes da oração, pois não queria se adiantar ao processo. Em sua mente tudo seria direcionado conforme a vontade de Deus. Em nenhum momento acusou ou culpou o povo pelos seus pecados, simplesmente confessou.

4. COMENTÁRIOS ADICIONAIS:
  • Notícias de Hanani: povo caído, sacerdotes distantes de Deus, cidade em ruínas, É O FIM DO MUNDO;
  • José acordou prisioneiro e dormiu governador, enquanto que Neemias acordou copeiro e dormiu como governador;
  • As lamentações de Neemias;
  • Qual império, da época, desejava Jerusalém? Ninguém queria mais, nem mesmos os moradores;
  • Durante a viagem ele foi refletindo sobre as suas primeiras atitudes e como encontraria a cidade. Teria que apresentar a vitória, pois a derrota eles já conheciam;
  • Dentre os moradores de Jerusalém havia muitos que possuíam as mesmas forças e idéias de Neemias, mas nenhum tomou atitude. O que faltou? Chamada, liderança, dom ministerial?
  • Hanani plantou a semente, a raiz cresceu (para baixo) e agora o crescimento seria com Deus;
  • Neemias conseguiu fazer com que o rei mudasse um decreto real, nem mesmo Daniel conseguiu. Teve que ir para a fornalha de fogo. A obra havia sido paralisada e foi retomada;
  • Tríplice função de Neemias: trabalhar, motivar o povo e vigiar.

Por: Ailton da Silva - Ano VI (desde 2009)

Neemias: como sair do anonimato? Capítulo 2 - Slides






Por: Ailton da Silva - Ano VI (desde 2009)

O ladrão da cruz convertido


O ladrão convertido da cruz que pregou o que viveu, apenas alguns momentos de sua vida. Sua fala foi usado para o progresso do reino. Vejam:
  • Imaginemos a reação do público presente no evento. Todos estavam de boca aberta presenciando a transformação radical pela qual aquele homem estava passando, ali bem diante dos olhos de todos. 
Em pouco minutos ele viveu o que pregou com a sua fala.

Por: Ailton da Silva - Ano VI (desde 2009)

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O cuidado ao falar e a religião pura. Plano de aula



TEXTO ÁUREO
[...] Mas todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar (Tg 1.19).

VERDADE PRÁTICA
As nossas palavras podem, ou não, evidenciar a sabedoria de Deus.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE – Tg 1.19-27.
19 - Sabeis isto, meus amados irmãos; mas todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.
20 - Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus.
21 - Pelo que, rejeitando toda a imundícia e acúmulo de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar a vossa alma.
22 - E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos.
23 - Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao varão que contempla ao espelho o seu rosto natural;
24 - Porque se contempla a si mesmo, e foi-se, e logo se esqueceu de como era.
25 - Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito.
26 - Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã.
27 - A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.

PROPOSTA
         Ouvir: muito trabalhoso, por isto alguns ignoram;
         Quem ouve com atenção adquire a capacidade de opinar;
         Não somos proibidos de indignarmos contra as injustiças;
         A Palavra de Deus é o guia maior para o crente;
         Não pode haver incoerência entre o “dizer e o fazer”;
         “Falamos, mas não vivemos”;
         A verdadeira religião reprova o ativismo religioso;
         Verdadeira religião: visitar os órfãos e as viúvas;
         A falsa religião está mergulhada no egoísmo e corrupção.

INTRODUÇÃO
Na lição dessa semana vamos estudar a maneira adequada de o crente usar um instrumento maravilhoso, mas ao mesmo tempo, potencialmente perigoso: a fala. Este assunto está interligado à temática da verdadeira religião que agrada a Deus. O fenômeno da fala é uma das fontes de expressão do pensamento humano, como também é responsável pelo processo de comunicação e de formação da identidade cultural de uma sociedade. As pessoas querem falar às outras aquilo que pensam. O crente, todavia, tem o compromisso de não apenas falar o que pensa, mas agir como propõe o Evangelho.

Pronto, falei! A expressão em moda em nosso meio. Somos prontos a falar e tardios ao extremo para ouvir. A comunicação é o meio pelo qual conseguimos atingir o nosso maior objetivo, o carro chefe de nossa carreira espiritual, o cumprimento da grande Comissão. Pela fala podemos obter sucesso como também podemos colocar tudo a perder no que diz respeito ao alcance daqueles que ainda não abraçaram a fé verdadeira.

Apesar de que o comentarista da lição deixa claro que o ouvir é mais trabalhoso, por outro lado penso que é mais prático ouvir do que falar, pois o falar, sim, dá um trabalho tremendo. Temos que escolher as palavras, entrar no assunto, se inteirarmos do que está sendo tratado, realmente é muito trabalhoso falarmos, é melhor ouvirmos, mas a humanidade não está nem um pouco preocupada com o trabalho, por isto o número de “falantes” é muito maior que o de “ouvintes”.

I. PRONTO PARA OUVIR E TARDIO PARA FALAR (Tg 1.19,20)
1. PRONTO PARA OUVIR. 
Para alguns crentes, a pessoa sábia é a que sempre tem algo a falar. Ouvir é um empreendimento trabalhoso e, por isso, ignorado por muitos. Diferentemente, as Escrituras admoestam-nos a ser prontos para ouvir. No versículo 19, Tiago introduz o seu ensino sobre o “ouvir” e o “falar” destacando a expressão sabei isto. Com essa expressão, ele demonstra a sua preocupação pastoral com os seus leitores. Outro termo no versículo 19 chama-nos a atenção: pronto. No grego, a palavra significa “rápido”, “ligeiro” e “veloz”. Ali, o escritor sacro incentiva-nos a estar disponíveis a ouvir. É uma atitude que depende de uma disposição e também da decisão em ouvir o outro. A exemplo do profeta Samuel, que desde a sua infância foi ensinado a ouvir a voz divina (1Sm 3.10; 16.6-13), o povo de Deus deve persistir em escutar os desígnios do Pai, pois nesses últimos dias tem Ele falado através do seu Filho, o Verbo Vivo de Deus (Hb 1.1; cf. Jo 1.1).

Ouvir se torna uma arte, para poucos privilegiados, aliás, estes se tornam profundos pensadores, que prestam atenção em tudo e em todos, avaliando e colhendo os frutos no futuro desta qualidade, ao contrário, daqueles que falam pelos cotovelos, que vivem saindo e entrando de situações desagradáveis, justamente por falarem sem medida. Já dizia o sábio Salomão: “o que, passando, se mete em questão alheia é como aquele que toma um cão pelas orelhas” (Pv 26.17).

2. TARDIO PARA FALAR. 
Quem ouve com atenção adquire a rara capacidade de opinar acerca de qualquer assunto. É justamente por isso que a Carta de Tiago exorta-nos a ser tardios para falar (v.19). Uma palavra dita sem pensar, fora de tempo, e sem conhecimento dos fatos, pode provocar verdadeiras tragédias. Quem nunca se arrependeu de ter falado antes de pensar? Diante de Faraó, o imperador do Egito Antigo, o patriarca José aproveitou sabiamente um momento ímpar em sua vida. Antes de responder às perguntas sobre os sonhos do monarca, José as ouviu e refletiu sobre elas. Em seguida, orientado pelo Senhor, respondeu sabiamente Faraó (Gn 41.16). Temos de aprender a refletir sobre o que vamos dizer e falar no tempo certo. Pese bem as palavras, e ore como o rei Davi: “Põe, ó SENHOR, uma guarda à minha boca; guarda a porta dos meus lábios” (Sl 141.3).

Aqueles que ouvem com frequência e com certa qualidade adquirem qualidades que os diferem dos demais, por isto, diante de situações desesperadoras, certamente eles terão as atitudes corretas, já estudas previamente, tal como José, que diante de Faraó ficou primeiramente ouvindo com atenção o relato dele acerca de seus sonhos (Gn 41.17-24). Quantas bênçãos e oportunidade José teria perdido caso tivesse interrompido o governante com palavras de maldição tipo: “o senhor pagará por cada erro, Deus cobrará, por isto Ele avisou”, ao contrário ele ficou ouvindo e pedindo orientação para que interpretasse corretamente.

Por falar em arrependimento por falar sem pensar, não tem como não nos lembrarmos da sedição de Miriã e Arão já em pleno deserto. Falaram sem pensar e colheram os resultados (Nm 12.1-15).

3. CONTROLE A SUA IRA. 
Uma terceira admoestação encontrada no versículo 19 da carta de Tiago expressa o seguinte: tardio para se irar. A ira é um profundo sentimento de ódio e rancor contra a outra pessoa. Uma vez descontrolada, ela não produz a justiça de Deus, mas uma justiça segundo o critério da pessoa que sofreu o dano: a vingança. A Palavra de Deus não proíbe o crente de ficar indignado contra a injustiça (Is 58.1,7; Lc 19.45). Contudo, ao mesmo tempo, a Bíblia estabelece limites para o nosso temperamento não se achar irrefletido, descontrolado, deixando-nos impulsivamente irados (Ef 4.26; Pv 17.27). O cristão, templo do Espírito Santo, tem de levar a sua mente cativa a Cristo (2Co 10.5) e manifestar o fruto do Santo Espírito: o domínio próprio (Gl 5.22 — ARA). Fuja da aparência do mal. Tenha autocontrole.

“Tardio para irar-se”, uma expressão pouco usual e tão difícil para se colocar em prática nos dias atuais. Por qualquer motivo estouramos, manifestamos a nossa ira em atos contrários aos apresentados pela Palavra. O que não dizer da ira incontrolável de Saul ao tomar ciência da reprovação de seu reinado? Pior reação ele teve quando soube que o outro era segundo o coração de Deus (1 Sm 13.13-14). Ele foi tomado por uma ira incontrolável, mas ficou quietinho ouvindo a repreensão do profeta Samuel, até tardou para falar ou justificar, somente não foi capaz de controlar sua ira.

II. PRATICANTE E NÃO APENAS OUVINTE DA PALAVRA (Tg 1.21-25)
1. ENXERTAI-VOS DA PALAVRA (V.21). 
A Palavra de Deus é o guia maior do crente. E para que a Palavra atinja efetivamente o coração do servo de Deus, este precisa acolhê-la com pureza e sinceridade. Isto é, firmar uma posição radical rejeitando toda a imundícia e a malícia mundana (v.19); recebendo o Evangelho com mansidão e sobriedade. Leia os Evangelhos! Persiga em conhecer a mensagem divina de Cristo Jesus, mas, igualmente, abra o coração para ouvir a voz do Senhor.

Quando um não quer, dois não brigam. Quando o homem não quer, não deseja e não permite, a Palavra não soa no seu coração com todos os seus efeitos benéficos. O ladrão ao lado de Jesus no Calvário, que independente dos argumentos de sua condenação, ouviu e aceitou de bom grado o que ouviu naquele dia do Salvador, bem diferente de seu companheiro de cruz, que viu e ouviu o mesmo, mas que não demonstrou a mesma receptividade. Portanto devemos acolher a Palavra com sinceridade e pureza, para então, de forma radical rejeitarmos toda imundícia e a malicia mundana.

2. PRATICAI A PALAVRA (VV.22-24). 
O escritor sacro não tem interesse em que o leitor da epístola apenas acolha a Palavra no coração, antes deseja que o crente a pratique (v.22). Não pode haver incoerência entre o que se “diz” e o que se “faz” para quem é discípulo de Jesus. Se amar a Deus e ao próximo são os maiores dos mandamentos, então, devemos porfiar em vivê-los. Quem acolhe a Palavra rejeita tudo o que é imundo, maligno, perverso, injusto, dissimulado, insincero. Não apenas isso, mas igualmente abre a porta do coração para “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama” (Fp 4.8). Do contrário, seremos identificados com o homem que contempla a própria imagem no espelho e depois se retira esquecendo-se completamente dela. Há pessoas que olham para o Evangelho e ouvem, mas sem memória e perseverança, não dão nenhuma resposta ou sequência ao chamado de Jesus Cristo (vv.23,24). Deus nos livre desse engodo!

Voltando ainda ao caso do ladrão que abraçou a Palavra em seus últimos instantes de vida há de se frisar que ele viveu o que pregou, mesmo que por poucos instantes. Defendeu a sua fé, testemunhou a messianidade de Jesus e confiou cegamente na promessa recebida: “hoje mesmo estarás comigo”. Foi bonito ver aquele homem virando sua cabeça para o meio para confessar sua fé em Jesus, mas seria inaceitável ele virar para os lados praguejar ou agir contrário ao que estava pregando com sua vida. Ele aceitou e acolheu o que estava vendo e ouvindo e isto mudou a sua vida de uma hora para outra.

3. PERSEVERE OUVINDO E AGINDO (V.25). 
Tiago conclui este ponto da epístola da seguinte maneira: Quem é cuidadoso para com a lei, nela persevera; não apenas ouvindo-a negligentemente, mas praticando-a zelosamente. Felicidade plena em tudo é a promessa para quem ousa viver o Evangelho cônscio das implicações espirituais e das consequências materiais. Alguém, um dia, disse que os evangélicos são poderosos no discurso, mas fracos na prática do mesmo discurso. Falamos, mas não vivemos! Precisamos analisar nossa vida em amor e sinceridade. Entremos na presença de Deus com o rosto descoberto, coração rasgado e alma despida. No tempo em que vivemos não dá para passar despercebidos na dissimulação, ou seja, fingindo ser algo que na verdade não somos.

“Quem é cuidadoso para com a lei, nela persevera; não apenas ouvindo-a negligentemente, mas praticando-a” independente do lugar onde esteja. A reação do publico presente não intimidou aquele homem que abraçara a fé nos últimos instantes de vida, tampouco seus conhecidos ou familiares, casos estiveram presentes, os desprezaram ou maldizeram pela sua súbita mudança de comportamento. Ele falou e viveu o seu discurso, confessou publicamente sua fé e seus pecados e aguardou ansioso o cumprimento do que lhe fora prometido. “Rosto descoberto, coração rasgado e alma despida”, que situação mais agradável para se entrar na presença de Deus.

III. A RELIGIÃO PURA E VERDADEIRA (Tg 1.26,27)
1. A FALSA RELIGIOSIDADE. 
Apesar de algumas pessoas se considerarem religiosas por frequentarem um templo, as Escrituras revelam o significado da verdadeira religião. Ela reprova todo o ativismo religioso feito em “nome de Deus”, mas em detrimento do próximo. Aqui, a língua do crente tem um papel importante. Tiago diz que é possível enganar o próprio coração quando deixamos de refrear a nossa língua. Ora, o coração é a sede dos desejos, dos sentimentos e das vontades. E a boca só fala daquilo que o coração está cheio (Mt 12.34). É incompatível com o Evangelho, viver a graça de Deus sem mergulhar no Reino dEle. Quem não se entrega inteiramente ao Senhor pratica uma religião vã e falsa. Não podemos ser como a pessoa capaz de fazer uma belíssima oração por um faminto, e depois despedi-lo sem lhe dar um único grão de arroz.

Estamos diante da cruz, batendo em nossos peitos e orgulhosos por pertencermos à instituições centenárias ou pioneiras na pregação do Evangelho. A tudo isto, devemos o nosso respeito e agradecimento, ainda mais quando resgatamos no tempo as dificuldades vividas pelos fundadores, missionários ou simpatizantes, pois não se dispuseram de aparatos tecnológicos ou de comunicação em massa para alcançarem seus membros e controlarem as igrejas que foram abertas por este Brasil afora, especificamente.

Muitos morreram empunhando a bandeira do Evangelho, pregando e cumprindo o “ide” e proporcionando a muitos a possibilidade de experimentarem uma mudança de vida. Não temos relatos de pregadores empunhando armas, dirigindo tanques, conectando explosivos em seus corpos para defenderem a fé e tampouco usaram o nome de Deus para justificarem seus atos.

2. A VERDADEIRA RELIGIÃO (V.27). 
A religião pura, santa e imaculada, de acordo com o autor sacro, é suprir a necessidade do próximo: “Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações”. O problema hoje é que a nossa atenção, quase sempre, está voltada para o prazer pessoal. Temos os olhos fechados para os necessitados que na maioria das vezes cultuam a Deus, assentados, ao nosso lado. Lembremo-nos da vida de Jesus Cristo! Ele não apenas olhou para os marginalizados, mas foi até eles e os acolheu em amor (Mt 25.35-45). A religião que agrada a Deus é aquela cujos discípulos professam e bendizem o seu nome, visitando e acolhendo os necessitados nas aflições.

Jesus assombrou o mundo dos ambiciosos, preconceituosos e falsos religiosos. Ele conversou com a escória da época, abraçou os excluídos, sentou com os marginalizados, procurou os que realmente se sentiam desprotegidos. Não privilegiou os grandes, ricos e poderosos. Os que o procuraram foram atendidos. O Rei dos reis não frequentou palácios, banquetes, festas bombásticas, não foi convidado para grandes inaugurações, não presenciou construções monumentais e faraônicas, aliás, Ele não esteve frente a frente com réplicas de templos, o que viu foi réplicas e projetos falidos de homens que se julgavam religiosos.

3. GUARDANDO-SE DA CORRUPÇÃO (V.27). 
Além de recomendar a obrigatoriedade de visitarmos os órfãos e as viúvas, a Epístola de Tiago menciona outro aspecto da verdadeira religião: guardar-se da corrupção do mundo. A religião falsa está mergulhada no egoísmo, na corrupção e nos interesses maléficos do sistema pecaminoso. A igreja deve manter-se longe da corrupção. Estamos no mundo, mas não fazemos parte do seu sistema! O Evangelho nada tem com os seus valores e preceitos. Portanto, não flerte com o modo corrupto de viver do mundo (Tg 4.4). Amemos e desejemos o Evangelho de todo o nosso coração.

Mesmo gerados pela Palavra da verdade estamos diante da corrupção humana e caso não tenhamos os devidos cuidados fatalmente seremos tragados por ela. Ananias e Safira, dois exemplos de bons crentes na igreja primitiva, deixaram-se corromper e tiveram arcaram com as respectivas consequências, portanto o fato do abraço da fé não nos exime da corrupção mundana, para isto é necessário a vigilância.

CONCLUSÃO
Nessa semana aprendemos sobre o cuidado que devemos ter com o ouvir e o falar. Estudamos também acerca da religião pura e imaculada que alegra a Deus: visitar os órfãos e as viúvas nas tribulações e guardarmo-nos da corrupção do mundo. Que os nossos ouvidos estejam prontos para ouvir, a nossa língua para falar sabiamente e a nossa vida para praticar tudo quanto aprendemos do Evangelho. Embora estejamos em um mundo turbulento, devemos exalar o bom perfume de Cristo por onde formos (2Co 2.15).
  
OBJETIVOS DA LIÇÃO – FORAM ALCANÇADOS?
      Sábios: sempre prontos para ouvir e tardios para falar.
      Não podemos dizer uma coisa e fazer outra;
      Verdadeira religião: atenção e socorro aos necessitados.

REFERÊNCIAS
Bíblia de estudo aplicação pessoal. CPAD, 2003.

Bíblia de Estudo Temas em Concordância. Nova Versão Internacional (NVI). Rio de Janeiro. Editora Central Gospel, 2008.

Bíblia Sagrada. Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000.

Bíblia Sagrada – Harpa Cristã. Barueri, SP. Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro. Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2003.


Por: Ailton da Silva - Ano VI (desde 2009)