TEXTO ÁUREO
“E
nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre
toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos
jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos” (At 2.17).
VERDADE
PRÁTICA
O Espírito Santo não veio ao mundo cumprir
uma missão temporária, mas guiar a Igreja até a vinda do Senhor.
LEITURA
BÍBLICA EM CLASSE
Joel 1.1;
2.28-32.
1 - Palavra do SENHOR que foi dirigida a Joel,
filho de Petuel.
28 - E há de ser que, depois, derramarei o meu
Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os
vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões.
29 - E também sobre os servos e sobre as servas,
naqueles dias, derramarei o meu Espírito.
30 - E mostrarei prodígios no céu e na terra,
sangue, e fogo, e colunas de fumaça.
31 - O sol se converterá em trevas, e a lua, em
sangue, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR.
32 - E há de ser que todo aquele que invocar o nome
do SENHOR será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento,
assim como o SENHOR tem dito, e nos restantes que o SENHOR chamar.
PROPOSTA DA
LIÇÃO
•
Joel não mencionou
nenhum rei em seu livro;
•
Assunto do livro:
ameaças e promessas escatológicas;
•
Espírito Santo:
pessoa, igual ao Pai e ao Filho em poder;
•
Derramamento do
Espírito, um revestimento. A metáfora;
•
Derramamento: Joel,
“depois”. Pedro, nos “últimos dias”;
•
Fim: sinais no céu,
embaixo na terra, sangue, fogo etc;
•
Tudo isto foi
repetido por Pedro no primeiro sermão;
•
Mas não foi visto no
dia de Pentecostes, aquilo foi o inicio;
•
Tais sinais dizem
respeito à Grande Tribulação.
INTRODUÇÃO
Joel, filho de Petuel, desenvolveu seu
ministério no reino do Sul (835-796
a.C.) e ficou conhecido como o “profeta pentecostal”,
titulo recebido do Movimento Pentecostal, mas suas profecias não diziam
respeito somente a efusão do Espírito Santo nos últimos dias, pois abrangem
outros temas, entre os quais destacamos as pragas advindas da ação dos
gafanhotos, locustas e pulgões (Jl 1.4-6), além da iminente invasão babilônica
e juízos sobre as nações.
Estas mensagens, como as outras, tinham por
objetivo, levar o povo ao arrependimento a fim de que a nação, em algum momento
da história, contemplasse o derramamento do Espírito Santo, como cumprimento da
profecia, a promessa universal, um novo concerto a todos quantos
cressem (2.28-32).
O reino do Sul, também era próspero, como o
do Norte, e as inclinações para o pecado também eram semelhantes, inclusive o
sincretismo religioso era uma prática normal e tolerável entre eles. Sobre isto
o professor José Roberto A. Barbosa escreveu:
“Naquela época,
semelhantemente ao que aconteceu com o povo do norte, Judá desfrutava de plena
prosperidade. Essa condição favorecia o sincretismo religioso, o povo adorava
ao Deus de Israel, ao mesmo tempo em que se dobravam perante outros deuses. Por
isso, Joel profetiza a fim de evitar que Judá sofresse o castigo de Deus como
consequência dos seus pecados".
I.
O LIVRO DE JOEL NO CÂNON SAGRADO
1. CONTEXTO HISTÓRICO.
São escassas as informações sobre Joel e
sua época. O pouco conhecido é o que extraímos de seu próprio livro, principalmente
a sua filiação (1.1). Nenhum rei foi mencionado por ele, o que dificulta ainda
mais a contextualização histórica. A menção dos sacerdotes auxiliando na
administração (2 Cr 23.16-21), leva a crer que Joas estava no trono, mesmo com
pouca idade (2 Cr 24.1). Outro fator que pode auxiliar na localização histórica
de seu ministério é a funcionalidade do Templo (1.9, 13; 2.17).
2. POSIÇÃO DE JOEL NO CÂNON SAGRADO.
A ordem dos Profetas Menores em nossas
versões da Bíblia é a mesma do Cânon Judaico e da Vulgata Latina, mas não é
cronológica. Joel é o segundo livro, situado entre Oseias e Amós, mas na Septuaginta
há uma diferença na ordem dos primeiros seis livros: Oseias, Amós, Miqueias,
Joel, Obadias, Jonas.
Provavelmente foi um dos mais antigos,
senão o pioneiro. As únicas pistas de seu período de atuação podem ser vistas
no seu estilo literário, bem diferente do período pós exílio e pela citação dos
ferrenhos inimigos de Israel, que na sua época eram os filisteus, fenícios,
egípcios e edomitas e não os assírios, sírios e babilônicos citados por
profetas de outras épocas.
3. ESTRUTURA E MENSAGEM.
O oráculo foi entregue ao profeta por meio
da palavra (1.1). São três capítulos, mas a sua divisão na Bíblia Hebraica é
diferente, pois o trecho 2.28-32 equivale ao capítulo três, com cinco
versículos, e o conteúdo do capítulo quatro é exatamente o mesmo do nosso
capítulo três. O livro também tem um teor escatológico, com ameaças e promessas
e trata de três assuntos específicos:
a) LEMBRETE: A praga de gafanhotos,
locustas e pulgões (1.2-10);
b) ALERTA: Invasão de um grande exército
proveniente do Norte (1.6; 2.1-11);
c) PROMESSA: Manifestação da misericórdia
de Deus diante do arrependimento sincero (2.18; 3.21), ocasionando a
restauração da nação e o derramamento do Espírito Santo.
II. A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO
1. SUA PERSONALIDADE.
A Bíblia nos apresenta o Espírito Santo
como uma pessoa e não como uma mera influência. Ele é inteligente (Rm 8.27),
tem emoções (Ef 4.30), vontade (At 16.6-11; 1 Co 12.11), se entristece (Ef
4.30), tem ciúmes (Tg 4.5), pensa, fala (At 8.29) e ensina (Jo 14.26). Provas
bíblicas de sua personalidade não nos faltam, mas para tal é necessário um
exame cuidadoso da Palavra.
2. SUA DIVINDADE.
O Espírito Santo é chamado textualmente de
“Deus de Israel” (2 Sm 23.2,3). Ele é igual ao Pai e ao Filho em poder, glória
e majestade. Sobre isto o professor Luciano de Paula Lourenço escreveu:
A Bíblia não se limita a mostrar que o Espírito Santo é uma Pessoa, mas
também nos revela que é uma Pessoa Divina, ou seja, é uma das Pessoas que
compõem este mistério que é a Santíssima Trindade, este Deus que é triúno, ou
seja, um Único Deus que está em três Pessoas.
O Espírito Santo é chamado Deus (At 5:3,4) e
Senhor (2Co 3:18). Quando Isaías viu a glória de Deus (Is 6:1-3), escreveu: “Ouvi
a voz do Senhor...vai e diz a este povo” (Is 6:8-9). O apóstolo Paulo citou
essa mesma palavra e disse: “Bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo
profeta Isaías dizendo: Vai a este povo” (cf.
At 28:25, 26). Com isso, Paulo identificou o Espírito Santo com Deus. Ele faz
parte da Santíssima Trindade. Ele é mencionado junto com o Pai e o Filho (Mt
28:19; 2Co 13:13) e, a Bíblia afirma que os três são um (1João 5:7).
O texto mais explícito a respeito da divindade do
Espírito Santo está em At
5:3,4 - “Disse, então,
Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao
Espírito Santo?... Não mentiste aos homens, mas a Deus”.
3. COMO UMA PESSOA PODE SER DERRAMADA?
Esta é uma das perguntas que alguns grupos
religiosos fazem frequentemente com a finalidade de “provar” que o Espírito
Santo não é Deus nem uma pessoa. Por duas vezes a palavra profética afirma
“derramarei o meu Espírito” (2.28,29), o que é ratificado em o Novo Testamento
(At 2.17,18).
O Espírito Santo sempre encontrou oposição,
ao longo da história, pois não foram poucos que não aceitaram a sua Divindade,
dentre os quais destacamos Eustáquio de Sebaste (300-380). Sobre isto o
professor Luciano de Paula Lourenço escreveu:
“Ainda apresentando a mesma linha de raciocínio
desses grupos religiosos, perguntamos: como pode Jesus ser uma pessoa e alguém
ser morada dele? - “Jesus respondeu, e disse-lhe: se alguém me ama, guardará
a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” (João 14:23). Paulo declara: “meus filhos, por quem de novo
sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós”(Gl 4:19). Como
pode Jesus ser formado em alguém, sendo ele uma pessoa? Ainda em Gálatas 2:20,
Paulo disse: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas
Cristo vive em mim”. Como esses grupo religiosos explicam esse mistério?
Negam também a personalidade de Jesus por causa disso? É claro que não! Então
por que negam a personalidade do Espírito Santo, valendo-se do mesmo argumento?
Certamente, negam essa verdade bíblica porque não se preocupam em ensinar a Bíblia,
mas de impor crenças peculiares”.
O derramamento do Espírito, um dia, estaria
disponível a todos que cressem e teria uma atuação dinamizada, logo nos
primórdios da igreja.
4. LINGUAGEM METAFÓRICA.
O “derramamento” do Espírito Santo é a
expressão que a Bíblia usa para descrever o revestimento de alguém com o poder
do mesmo Espírito. Trata-se de uma metáfora, figura que “consiste na
transferência de um termo para uma esfera de significação que não é a sua, em
virtude de uma comparação implícita”. Simbolizado pela água, o Espírito Santo
lava, purifica e refrigera como reflexo de suas múltiplas operações (Is 44.3;
Jo 7.37-39; Tt 3.5), ao ser derramado.