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quinta-feira, 31 de março de 2022

Prefiro murmurar no deserto. As dez murmurações do primogênito. Capítulo 11


Os hebreus se julgavam e tinham, a princípio, o direito de se considerarem escolhidos e privilegiados, pois desde que foram ouvidos, atendidos e oficializados como povo eleito de Deus, acumularam cinco grandes motivos para pensarem desta forma:

  • A chamada: Abraão foi chamado e separado dentre os idólatras (Js 24.2), para se tornar pai de uma grande multidão. Foi guiado até uma terra distante, onde Deus com mão forte o protegeu, por isto os hebreus pensavam que seriam guiados sem problemas até Canaã, porém não agiram como o fiel patriarca, que nunca reclamou dos obstáculos;
  • A promessa: A intenção de Deus era separar para si um povo, para adorá-lo e servi-lo. A promessa foi feita a Abraão e depois confirmada, pela ordem ao filho Isaque, ao neto Jacó, aos doze bisnetos e por fim aos hebreus, antes e depois de saírem do Egito. Imaginavam que chegariam em Canaã sem muitos problemas;
  • A trajetória: Tomaram por base a trajetória de José, que vendido como escravo foi exaltado depois do sofrimento, ficando somente abaixo de Faraó. Imaginavam que passariam pelo mesmo processo e seriam exaltados logo após o fim da escravidão. O preço da caminhada no deserto já havia sido pago por Abraão, Isaque, Jacó e seus filhos;
  • A escravidão e libertação: Israel enfrentou momentos de aflições e dores durante a escravidão no Egito. Uma sensação de abandono, pois durante este período não houve nenhuma manifestação de Deus, porém quando Moisés foi enviado para levá-los a Terra Prometida se alegraram novamente com a certeza de que não estavam esquecidos;
  • Operações de milagres e maravilhas: Os milagres operados no Egito e em pleno deserto serviu para aumentar a fé dos hebreus. Acreditavam por isto serem privilegiados, pois nunca houve notícias de nações sendo visitadas ou abençoadas, em tão curto espaço de tempo.

Os hebreus saíram do Egito e viram grandes maravilhas operadas por Deus no deserto, porém não entraram em Canaã. As murmurações no deserto impediram que entrassem na Terra Prometida.

Mesmo diante das murmurações, Deus não permitiu que interrompessem a caminhada ou que retornassem ao Egito, como desejaram alguns. A esperança era que neste meio tempo pudesse haver um concerto coletivo, que lhes daria a oportunidade de alcançar o prêmio da soberana vocação. 

“Não voltará para a terra do Egito, ...” (Os 11.5).  “Eu te conheci no deserto, em terra muito seca” (Os 13.5). 

Esta foi a saga do povo que durante quatrocentos e trinta anos permaneceu no Egito escravizado, mas que um dia foi agraciado, com a audição de seu clamor.

Recepcionaram um dos maiores profetas já levantados na face da terra, Moisés, que os guiou pelo deserto até as portas de Canaã.

As dez murmurações, os dez clamores e os dez livramentos caracterizaram e deram vida, através dos tempos, ao que consideramos os momentos da maior demonstração da justiça de Deus, pois somente recebeu a bênção aqueles que de fato mereceram.

Canaã era uma terra idólatra, imoral e injusta, por isto Israel deveria eliminar todos os ao entrarem em seus limites, para que não fossem contaminados pelas abominações.

Se depararam com uma cultura estranha, rituais religiosos e com as riquezas que foram deixadas por aqueles que fugiram ou morreram na batalha, no entanto nada disto poderia ser absorvido, pelo contrário, deveria ser eliminado todo e qualquer foco de abominação daquele povo.

No entanto não cumpriram as ordens de Deus e se misturaram com o que havia sobrado dos cananeus. Este foi o princípio das dores dos hebreus, o povo escolhido, em sua Terra Prometida. 

“Para que eu veja os bens de teus escolhidos, para que eu me alegre com a alegria do teu povo, para que me regozije com a tua herança” (Sl 106.5).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Geografia Bíblica. Rio de Janeiro . CPAD, 1987.

Bíblia de aplicação pessoal 

Bíblia Sagrada: Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000. 

COPE, Landa L. Modelo Social do Antigo Testamento: redescobrindo princípios de Deus para discipular as nações. Traduzido por: Andréa Aparício Ribeiro. Almirante Tamandaré JMÍ. Gráfica & Editora Jocum Brasil, 2007. 

GRENZER, Matthias. Do clã de Jacó ao povo de Israel (Ex 1,1-7). Disponível em: http://revistas.pucsp.br/index.php/culturateo/article/view/15573. Acesso em 03 de agosto de 2014 

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do Antigo Testamento - vol 1 - Gênesis a Neemias. 

História do povo judeu. Faculdade de teologia Hokemah. São Luís, 2004. 

JOSEFO, Flávio. A história dos hebreus de Abraão a queda de Jerusalém. Traduzido por Vicente Pedroso 

MACEDO, Edir. A fé de Abraão. Rio de Janeiro. Editora Universal, 2001. 

MACKINTOSH, C. H. Estudos sobre o livro de Êxodo. 

OLIVEIRA, Admilson. Piedade e a fé de seus pais. Disponível em: http://ministerioemfoco.blogspot.com/2011/07/moises-piedade-e-fe-do-seus-pais.html. Acesso em: 01 de ago. 2011. 

Schultz, Samuel J. A história de Israel no antigo testamento. 

Silva, Antônio Gilberto da. A Bíblia através dos séculos: uma introdução. Rio de Janeiro. Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 1986. 

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

quinta-feira, 17 de março de 2022

Prefiro murmurar no deserto. As dez murmurações do primogênito. Capítulo 11

Durante a jornada no deserto foram inúmeros os momentos em que os hebreus sentiram medo e se desesperaram, mas em todas as situações foram socorridos, confortados e em algumas vezes poupados por Deus.

Mesmo recebendo um livramento após outro não conseguiram manter uma regularidade espiritual, pois foram muitos altos e baixos, ora provocado pelos erros, ora pela permissão de Deus.

Constantemente cobravam de Moisés um basta naquela situação, pois queriam prosseguir na mais pura tranquilidade, sem problemas. As reclamações eram frequentes e não percebiam que estavam aborrecendo a Deus e decretando a própria ruína.

Estas dez murmurações, cada uma por um motivo, serviram para Moisés conhecer o caráter dos hebreus. Ingratidão, incredulidade, infidelidade e corações duros, mas foi por este povo que desenvolveu um grande amor.

 

a) Motivo das murmurações:

  • Primeira murmuração: medo da morte e do inimigo;
  • Segunda murmuração: falta de água doce;
  • Terceira murmuração: fome;
  • Quarta murmuração: sede;
  • Quinta murmuração: suposta falta de líder;
  • Sexta murmuração: reclamaram do maná;
  • Sétima murmuração: inveja;
  • Oitava murmuração: medo dos cananeus;
  • Nona murmuração: queriam ser independentes;
  • Décima murmuração: reclamaram da falta de água.

Nas quatro primeiras murmurações os hebreus receberam os respectivos livramentos e assim continuaram em direção à Canaã, certos de que Deus agiria em favor deles. Em nenhuma destas oportunidades houve cobrança pelos erros.

 

b) As consequências – primeiro grupo:

  • Primeira murmuração: não houve;
  • Segunda murmuração: não houve;
  • Terceira murmuração: não houve
  • Quarta murmuração: não houve.

 

c) As consequências – segundo grupo:

  • Quinta murmuração: Os idólatras foram mortos pelos levitas. Deus não mais os acompanharia durante a jornada e enviou um anjo para esta missão;
  • Sexta murmuração: Foram feridos por uma grande praga enquanto a carne ainda estava entre os dentes;
  • Sétima murmuração: Miriã, leprosa, foi afastada por sete dias da congregação;
  • Oitava murmuração: Aquela geração não mais entraria em Canaã e peregrinariam pelo deserto até que morressem todos;
  • Nona murmuração: A terra se abriu e engoliu os três revoltosos com suas famílias e pertences, enquanto que um fogo consumiu os duzentos e cinquenta homens, que apoiaram Core, Data e Abirão. No dia seguinte, foram mortos quatorze mil e setecentos hebreus;
  • Decima murmuração: Moisés perdeu o direito de entrar na Terra Prometida e Deus não mudou sua sentença em relação ao povo, que também não entraria. 


continua...
Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

quinta-feira, 10 de março de 2022

Prefiro murmurar no deserto. As dez murmurações do primogênito. Capítulo 10


O LIVRAMENTO

Então Moisés tomou a vara de diante do Senhor, como lhe tinha sido ordenado e cumpriu a risca a determinação de Deus. Tudo estava dentro do normal e nada de estranho foi visto em sua atitude até o momento em que foi infeliz em sua declaração: “Porventura tiraremos água desta rocha para vós?”

Moisés quase prejudicou o simbolismo da rocha com a sua atitude impensada para se promover como o pretenso, realizador de maravilhas, mas Deus que é misericordioso não deixou seu servo envergonhado e permitiu que brotasse água da rocha diante dos olhos de todos. Depois em secreto apresentou a Moises o seu erro e as consequências.

Moisés perdeu o direito de entrar na Terra Prometida devido a incredulidade (Nm 20.12), rebelião (Nm 27.14), transgressão (Dt 32.51) e por causa de suas palavras irrefletidas (SI 106.32-33), mesmo assim não teve coragem, sequer pensou, em aceitar a proposta anterior de Deus em fazer a partir dele uma outra nação (Ex 32.10).

Moisés se descuidou por um momento e sofreu as consequências. “Porventura, tiraremos água”, foi uma infeliz declaração, tal como a do discípulo Pedro anos mais tarde no Monte da Transfiguração[1], quando disse algo parecido: “façamos três cabanas” (Mc 9.5). Tanto um quanto o outro erraram em suas falas, pois deixaram claro que estavam pensando somente no material e nas coisas de baixo, da Terra.

Deus não frustra planos do homem e assim permitiu que Moisés contemplasse com seus olhos a Terra Prometida (Dt 34.4). Até onde sua visão pudesse alcançar. Alegria e satisfação pela missão cumprida. Não entraria em Canaã, mas também não ficou na frustração. Este foi o dia em que Deus disse: “basta e não falamos mais sobre este assunto” (Dt 3.23-26).

Moisés sabia, desde o inicio que a saída do Egito seria uma benção incondicional, pois Deus deixou claro que ouviu o clamor de seu povo e que havia decidido pela libertação, em momento nenhum foi cobrado fé deles, no entanto, durante a caminhada foram sendo reveladas as condições para que entrassem em Canaã e isto Deus nunca escondeu de ninguém.



[1] Moisés não entrou na Terra Prometida em vida, mas esteve no Monte da Transfiguração juntamente com Elias para participar de uma reunião solene com Jesus. Tanto ele quanto Elias estavam conforme permissão de Deus, um que havia sido arrebatado e outro sepultado pelo próprio Deus.

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Prefiro murmurar no deserto. As dez murmurações do primogênito. Capítulo 10

a) O primeiro erro de Moisés:

Pura demonstração de incredulidade de quem poderia ter sido chamado de pai na fé de todos os hebreus. Quem foi o primeiro que demonstrou interesse, fé e confiança nas promessas de Deus? Bastava falar a rocha, mas em um momento de pura infelicidade e descuido doutrinário, abriu as portas para questionamentos, dúvidas e instigou o povo à revolta. De certo esta não foi sua intenção.

“Porventura tiraremos água desta rocha para vós?” Uma infeliz declaração (Nm 20.10), uma questão que poderia ser resolvida sem maiores prejuízos. Alguém poderia sim fazer brotar água da rocha e este alguém não era da Terra.

 

b) O Segundo erro de Moisés:

“Porventura tiraremos água desta rocha para vós?” Quem sabe, talvez. O certo é que a água brotaria da rocha. O egoísmo e petulância de Moisés ficaram evidentes nesta sua declaração, pois no seleto grupo da Trindade não tem espaço para a inclusão do homem.

Moisés trouxe para si uma autoridade e poder que não lhe pertenciam, jamais poderia ter se auto incluído entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Disse Deus um dia: “Façamos o homem”, em outro dia disse: “desçamos e confundamos”, isto prova que em momento nenhum coube ou foi usada a palavra “porventura faremos ou porventura desceremos e confundiremos”.

 

c) O terceiro erro de Moisés:

Será que Moisés estava tentando tirar a glória que deveria ser toda e exclusiva para Deus? Este seu erro crucial que lhe custaria muitas lágrimas. Feriu a rocha por duas vezes e saiu a tão desejada água, porém não houve muito tempo para comemorações.

Como Moisés feriu a rocha? Alegre, com fé, aliviado? Ou irado, desconfiado e atribulado pela pressão? Na primeira ocasião, quando houve falta de água, obedeceu à risca as ordens de Deus (Ex 17.5-6), por que então se portou desta maneira? Ainda mais diante daquele simbolismo divino, pois aquela rocha era uma figura de Cristo (1 Co 10.4). Era a segunda vez que aparecia diante deles, para prestar socorro, para ajudar, para dar o livramento.

Se clamassem, ouviriam do céu: “Haja água” e haveria. Era para Moisés ter usado sua voz e não o seu cajado. O que deveria ser um momento de cura, pois aquela água teve a função de sarar, se tornou o principio das dores para o líder.

 

O CLAMOR

Era momento de clamor, mudança de vida, demonstração de fé. O erro foi percebido e deveria ser corrigido. Os encarregados desta tarefa já estavam dispostos a iniciarem o momento de humilhação diante de Deus, pois a situação poderia piorar.

Era hora de mostrar seu caráter e amor pelos hebreus. Será que ainda tinha forças para mais um clamor? Será que tinha ao seu lado alguns valentes para esta batalha? Será que havia chegado o momento da troca do líder? Haveria alguém que preenchesse os requisitos?

Não era ainda a hora do aparecimento da figura do sucessor. O tempo de Moisés ainda não havia terminado, mesmo com seus erros e surtos (Nm 11.21-22).

Deus chamou Moisés para a obra e não tinha cabimento ficar ali parado, diante do povo, chorando pelo leite derramado.

Deus não queria um príncipe para liderar o seu povo até a Terra Prometida, por isto tirou Moisés do meio da realeza egípcia bem antes de dar início ao seu plano.

Também não queria que um prisioneiro liderasse Israel, pois os hebreus não o aceitariam, por isto permitiu a fuga de Moisés após o assassinato (Ex 2.12).

Para a missão de liderar Israel não era preciso a figura de um soldado, guerreiro e valentão, por isto Deus fez Moisés desaprender tudo o que havia aprendido no Egito em termos de tática de guerra e defesa pessoal.

Deus queria um pastor amoroso, por isto foi necessário que Moisés saísse primeiro do Egito para conhecer e sentir de longe as dores de seu povo para então voltar com todo o gás a fim de liderar a grande saga dos hebreus.

Se o grande líder de Israel fosse um príncipe, certamente sairia atrás de seus súditos e aproveitaria os últimos momentos de mordomia. Se fosse um prisioneiro sem perspectivas, facilmente arrumaria suas malas e voltaria para seu antigo lugar de sofrimento, tal como os hebreus desejaram em várias oportunidades. E se fosse um soldado valentão, fatalmente se armaria e sairia em batalha contra o invisível e perderia.

Ou na pior das hipóteses poderia ter aceito a proposta feita por Deus, para a partir dele fazer uma outra nação (Ex 32.10) e eternizar seu nome. Qualquer um teria aceitado.

continua...
Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

sábado, 12 de fevereiro de 2022

Prefiro murmurar no deserto. As dez murmurações do primogênito. Capítulo 10

10ª MURMURAÇÃO - MOTIVO: FALTA DE ÁGUA (novamente) 

Foram cerca de quatrocentos e trinta anos de permanência no Egito em regime de escravidão (Ex 12.41 cf Gn 46.5-6) e sofrimento. Depois foram mais quarenta anos de caminhada no deserto, uma situação angustiante que parecia não ter fim (Nm 14.33-34; Dt 2.7; 8.2-4; 29.5; Js 5.6; At 7.36). Não tinha como não deixar transparecer a insatisfação.

E o que dizer da nova geração que nasceu em pleno deserto? Tinham a certeza do recebimento da herança? Também estavam propensos a erros?

A nova geração tomou conhecimento dos fatos ocorridos pré e pós-saída da escravidão, portanto era inaceitável que duvidassem ou murmurassem, na verdade não havia motivos para tal.

Moisés estava em idade avançada, cansado da jornada e, por algumas vezes, não era mais senhor de suas palavras. Será que havia chegado o momento da troca? Um sucessor teria condições de dar continuidade em seu trabalho? Ao seu lado sempre esteve um valoroso jovem, destemido e com todo vigor, mas ainda necessitava de mais preparo e discipulado[1].

Moisés já havia errado quando duvidou que Deus pudesse dar carne ao povo por um mês inteiro (Nm 11.21-22). Na mente dele, de onde sairia tantas ovelhas, vacas e peixes. Deus não cobrou dele nesta oportunidade, mas a conversa seria diferente agora, diante da murmuração do povo, que reclamaram pela falta de água.

 

A MURMURAÇÃO

Em Cades, o povo ficou sem água e muitos aproveitaram a situação para murmurar contra Moisés e Arão, representantes de Deus. Para piorar ainda mais, disseram que seria melhor se tivessem sido todos consumidos juntos com os demais murmuradores nas ocasiões anteriores.

Mas havia possibilidade de desagradarem a Deus ainda mais e conseguiram, pois reclamaram do lugar, chamaram de lugar mau e sem perspectiva. Sequer havia iniciada a exploração daquelas terras, como então chegarem aquela conclusão? Canaã, a terra da fartura, se aproximava. 

“E não havia água para a congregação; então se congregaram contra Moisés e contra Arão. E o povo contendeu com Moisés, e falaram dizendo: Oxalá tivéssemos expirado quando expiraram nossos irmãos perante o Senhor! E por que trouxestes a congregação do Senhor a este deserto, para que morramos ali, nós e os nossos animais? E por que nos fizestes subir do Egito, para nos trazer a este lugar mau? Lugar não de semente, nem de figos, nem vides, nem de romãs, nem água para beber (Nm 20.2-5). 

Um pouco antes desta murmuração, presenciaram a morte de Miriã e logo após este episódio se depararam com outro funeral, o de Arão. Desta forma o trio que trabalhou junto, antes mesmo da saída do Egito, foi desfeito.

O período compreendido entre o sepultamento de Miriã e Arão foi possível contemplar aquele que foi o maior erro de Moisés. Teria sido este erro, porventura fruto das perdas dos irmãos? Quem sabe isto não tenha abalado a estrutura do grande líder de Israel na caminhada.

De todos os erros do povo e de Moisés, este foi o mais grave e decisivo, pois interferiu em seu futuro. A ordem foi para falar à rocha e não bater enfurecido nela.

A sua impaciência foi uma reação de momento, devido à pressão a que estava sujeito por causa das críticas do povo, no entanto esta sua atitude revelou uma pequena falta de fé na suficiência de Deus.

continua...



[1] Josué foi o maior exemplo de discipulado bem sucedido no Antigo Testamento.

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Prefiro murmurar no deserto. As dez murmurações do primogênito. Capítulo 9

O LIVRAMENTO

Deus ordenou Moisés e Arão para que se afastassem da habitação dos três revoltosos, porque faria algo grandioso para ser lembrado eternamente. Esta seria a primeira intervenção para livrá-los da primeira

Isto seria o sinal do primeiro livramento dado a congregação e ao mesmo tempo seria a confirmação da autoridade e chamada dos líderes, enquanto que para os revoltosos seria o pagamento pelas murmurações. 

“E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Fala a toda esta congregação, dizendo: Subi do derredor da habitação de Coré, Datã e Abirão” (Nm 16.23-24). 

Os que iniciaram a revolta se posicionaram à frente de suas tendas, em tom de afronta, juntamente com suas famílias, como se estivessem se preparando para uma batalha, enquanto isto a congregação se afastou deles, justamente por terem reconhecido o erro. 

“Se estes morrerem como morrem todos os homens, e se forem visitados como são visitados todos os homens, então o SENHOR não me enviou. Mas, se o SENHOR criar alguma coisa nova, e a terra abrir a sua boca e os tragar com tudo o que é seu, e vivos descerem ao abismo, então conhecereis que estes homens irritaram ao SENHOR” (Nm 16.29-30). 

Se os revoltosos fossem feridos com doença ou praga comum, poderia ser considerado como um acontecimento normal, mas se fossem consumidos com mão forte, com algo inédito, então saberiam que o Senhor havia operado. 

“Abriu-se a terra, e engoliu Data, e cobriu a gente de Abirão. E lavrou um fogo na sua gente; a chama abrasou os ímpios” (Sl 106.17-18). 

A terra se abriu e engoliu os três revoltosos com suas famílias e pertences, enquanto que um fogo consumiu os duzentos e cinquenta homens, que apoiaram Core, Data e Abirão. Os que presenciaram esta ação de Deus fugiram, pois temeram pelo pior.

Deus teria o direito, de não somente consumir todos os revoltosos, como também toda aquela congregação, mas por intermédio do clamor de Moisés proporcionou mais um livramento e assim como nas outras oportunidades feriu somente aqueles que fizeram por merecer.

Os hebreus correram o risco grande de nunca mais serem considerados uma nação, pois mais uma vez se rebelaram e se amotinaram contra Deus, que poderia aniquilá-los. Foram salvos como nas vezes anteriores pelo clamor de Moisés.                

“E voltou Arão a Moisés à porta da tenda da congregação; e cessou a praga” (Nm 16.50). 

Mas quando contemplaram os mortos por ocasião da murmuração de Coré, Datã e Abirão, que foram engolidos vivos pela terra e os quatorze mil e setecentos corpos estendidos no chão no dia seguinte, então tomaram consciência da intensidade do pecado cometido e demonstraram confiança na intercessão do líder, já que sabiam que receberiam o livramento mais rápido, devido a estreita comunhão que Moisés mantinha com Deus.

A autoridade de Moisés foi restabelecida e a tranquilidade voltou a reinar, mas as consequências dos pecados e as mortes se tornaram manchas na história de Israel, porém o derramamento do ardor da ira divina não foram suficientes para colocar um ponto final nas murmurações. 

“...e me tentaram estas dez vezes, e não obedeceram a minha voz” (Nm 14.22).


Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Prefiro murmurar no deserto. As dez murmurações do primogênito. Capítulo


O CLAMOR

Somente perceberam a gravidade da situação quando viram Moisés e Arão se afastando do meio da congregação, não para escaparem das consequências, mas sim para se prostrarem em favor deles.

Este era o clamor pelo primeiro erro, depois Moisés e Arão novamente entrariam em ação. 

“E falou o SENHOR a Moisés e a Arão, dizendo: Apartai-vos do meio desta congregação, e os consumirei num momento. Mas eles se prostraram sobre os seus rostos, e disseram: O Deus, Deus dos espíritos de toda a carne, pecará um só homem, e indignar-te-ás tu contra toda esta congregação?” (Nm 16.20-22). 

Mas antes de verem o cumprimento desta palavra, os hebreus tomaram duas decisões importantíssimas, pois estavam na iminência de serem destruídos;

  • Mudaram de opinião: Estavam cansados da peregrinação, por isto deram crédito aos revoltosos. Era grande a ansiedade por verem Deus mudando de ideia quanto à sentença anterior, quando perderam o direito da entrada em Canaã, mas quando ouviram a resposta do clamor trataram logo de obedecer as novas ordens que lhes foram entregues, mesmo porque que outra atitude poderiam tomar?
  • Reconheceram a autoridade de Moisés: diante deste acontecimento notaram que Moisés e Arão ainda tinham o apoio de Deus para continuarem liderando, portanto apoiaram novamente seus lideres para escaparem da morte, deixando a culpa sobre o ombro dos três revoltosos e suas famílias.

Mas este problema gerou outro ainda pior. No dia seguinte quando viram os revoltosos mortos, culparam Moisés e Arão por todo o ocorrido, pelas mortes, mas não se lembraram de agradecer por estarem vivos e por terem recebido outro livramento. 

“Mas no dia seguinte toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e contra Arão, dizendo: Vós matastes o povo do SENHOR” (Nm 16.41). 

Perceberam a falta dos duzentos e cinquenta e três homens e suas respectivas famílias e logo elegeram culpados para toda aquela tragédia.

Logicamente sobrou para Moisés e Arão, que levaram ao conhecimento de Deus. Estavam prestes a serem dizimados a não ser que alguém clamasse.

Foi necessário outro clamor, pois uma praga começou a dizimar o povo, por terem apontado seus lideres como culpados pela morte dos revoltosos. Moisés e Arão correram de um lado para o outro tentando convencê-los do pecado.

Arão tomou o incensário e pôs nele fogo do altar para fazer expiação para cessar a praga. Um grande temor tomou conta da congregação, mas os prejuízos foram inevitáveis. A solução foi confiar no clamor de Moisés e Arão para que cessasse a praga. Não havia outra atitude a tomarem.

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Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

sábado, 22 de janeiro de 2022

Prefiro murmurar no deserto. As dez murmurações do primogênito. Capítulo 9

9ª MURMURAÇÃO - MOTIVO: QUERIAM SER INDEPENDENTES 

Estavam cientes de que peregrinariam por quarenta anos pelo meio do deserto até que todos morressem para que então uma nova geração de israelitas recebesse a bênção. Restava somente um consolo, a esperança de que Deus revisse sua decisão.

Moisés esperava que depois de tudo o ocorrido, o temor se apoderasse deles, porém o que viu foi um novo principio de revolta brotar naqueles corações ingratos.

A rebeldia novamente veio a tona entre a multidão, quando Coré, Datã e Abirão, se insurgiram contra os líderes, mas tanto eles quanto o povo, sofreram as consequências desta rebeldia. A intenção era dividir, enfraquecer, desgastar e promover a imagem de cada um.

Tomar o poder naquela altura da caminhada era muito fácil, bastava uma revolução e um golpe, mas o interessante é que durante o tempo de escravidão no Egito nenhum homem se levantou com tamanha valentia para livrar o povo do sofrimento. Agora imaginavam que bastava se rebelarem contra Moisés, porém não imaginavam que estariam se rebelando contra o próprio Deus e isto não ficaria impune.

A rebeldia enfraqueceria o grupo, fortaleceria o deserto e os inimigos que aguardavam pelo encontro com os hebreus. Ninguém pensou nisto?

O pior é que a caminhada parava durante a rebeldia e isto aumentava o tempo da jornada. Quem ganhava com isto?

 

A MURMURAÇÃO

A tranquilidade dos hebreus foi alterada a partir do momento em que Core, Data e Abirão se rebelaram ajuntando entre si duzentos e cinquenta homens, todos maiorais daquela congregação, para tomarem o controle, pois se julgavam capazes de administrarem aquela multidão. Imaginavam que reuniam as mesmas condições espirituais e morais que Moisés. Queriam ser independentes. 

“E Coré, filho de Jizar, filho de Coate, filho de Levi, tomou consigo a Datã e a Abirão, filhos de Eliabe, e a Om, filho de Pelete, filhos de Rúben. E levantaram-se perante Moisés com duzentos e cinquenta homens dos filhos de Israel, príncipes da congregação, chamados à assembleia, homens de posição. E se congregaram contra Moisés e contra Arão, e lhes disseram: Basta-vos, pois que toda a congregação é santa, todos são santos, e o SENHOR está no meio deles; por que, pois, vos elevais sobre a congregação do Senhor?” (Nm 16.1-3). 

O desejo dos rebeldes era influenciar uma grande parte daquela congregação, já que todos morreriam mesmo no deserto, então não teriam motivos para continuarem sob o assenhoramento de Moisés (Nm 16.13).

Era incompreensível a atitude daquele povo. Porque eram iludidos tão facilmente, por qualquer tipo de conversa ou boato. Os argumentos que os revoltosos apresentaram eram mais dignos de confiança do que o que já tinham visto na liderança de Moisés?

continua...

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Prefiro murmurar no deserto. As dez murmurações do primogênito. Capítulo 8

O CLAMOR

Moisés se colocou na presença de Deus em favor daquele povo obstinado e de dura cerviz. 

“Perdoa, pois, a iniquidade deste povo, segundo a grandeza da tua misericórdia; e como também perdoaste a este povo desde a terra do Egito até aqui” (Nm 14.19). 

Moisés esperava que os espias voltassem com notícias animadoras, pois havia escolhido criteriosamente entre milhares, porém em contrário às suas expectativas, os mensageiros em vez de animarem provocaram rebelião.

 

O LIVRAMENTO

As outras nações já conheciam a história da libertação e do que havia ocorrido no deserto. Moisés usava isto como um trunfo para tocar o coração de Deus. 

“Neste deserto cairão os vossos cadáveres, como também todos os que de vós foram contados segundo toda a vossa conta, de vinte anos para cima, os que dentre vós contra mim murmurastes. Não entrareis na terra, pela qual levantei a minha mão que vos faria habitar nela, salvo Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num” (Nm 14.29-30). 

Receberam mais um livramento, porém perceberam aborrecimento de Deus. A ansiedade por chegarem as tão sonhadas terras era grande, porém todos se entristeceram ao ouvirem de Moisés que não entrariam e que nada mudaria esta decisão. Somente Josué e Calebe entrariam, pois foram os únicos que acreditaram na possibilidade de vitória.

Tirados do Egito, peregrinos pelo deserto para serem surpreendidos com aquela notícia tão desagradável, bem ali às portas de Canaã. Quantos não atribuíram a Deus o titulo de injusto? Se antes, por muito menos, disseram a Moisés que estavam sendo injustiçados e que preferiram voltar para o Egito, imagine então diante daquela revelação?

Na verdade até poderiam classificar esta decisão como injusta, porém teríamos que observar um pequeno detalhe, que fatalmente os faria mudar este conceito. 

“Assim partiram os filhos de Israel até Ramessés”. Porém, tão certamente como eu vivo, e como a glória do SENHOR encherá toda a terra. E que todos os homens que viram a minha glória e os meus sinais, que fiz no Egito e no deserto, e me tentaram estas dez vezes, e não obedeceram à minha voz, Não verão a terra de que a seus pais jurei, e nenhum daqueles que me provocaram a verá” (Ex 12.37; Nm 14.21-23). 

Saíram do Egito renovados e alegres com o fim do sofrimento e possível desfruto da bênção, mas aquele sentimento deu lugar a tristeza, pois jamais imaginavam que seriam sentenciados à morte, logo ali, tão próximo de Canaã. Isto não foi demonstração de injustiça, pelo contrário.

Se a Bíblia fosse composta por Gênesis e somente com os treze primeiros capítulos de Êxodo, sem Levíticos e com o livro de Números iniciando a partir do capitulo catorze, momento que os hebreus perderam o direito de entrar em Canaã, certamente enxergaríamos uma grande injustiça, pois veríamos os hebreus saindo do Egito, guiado pelo deserto, para depois serem proibidos de entrarem nas terras que mais desejavam. Uma grande injustiça aos olhos humanos. Por que então Deus não deixou todos no cárcere egípcio? Pelo menos ali nunca faltou o alimento racionado, a água rara e principalmente a terra para seus túmulos.

Os vinte e sete últimos capítulos do livro de Êxodo e os treze primeiros de Número trazem à tona toda a verdade e nos mostram o verdadeiro caráter dos hebreus e o motivo que fez Deus tirar do seu povo o direito à entrada em Canaã. 

“...e me tentaram estas dez vezes” (Nm 14.22). 

Somente Josué e Calebe reuniam condições para receberem a bênção, inclusive Moisés também estava na lista dos que não entrariam, por mais que tenha tentado mudar esta situação sem sucesso[1] (Dt 3.23-26).

Não perceberam que o passado deve servir de experiência, o presente deve ser vivido e o futuro deve ser aguardado. A lembrança do passado e a murmuração do presente interferiram na bênção do futuro.

Peregrinariam por mais longos quarenta anos, para simbolizar os dias em que os doze espias estiveram espiando Canaã e para que os de vinte anos para cima morressem.

Foram trinta e oito anos para que aquela geração de murmuradores fosse consumida (Dt 2.14). Deus sabia bem que eram os de vinte anos para cima que perderam a benção, não tinha como alguém mentir ou esconder sua idade.

continua...



[1] Este foi o dia em que Deus disse “basta” para Moisés e não quis mais falar sobre este assunto com ele (Dt 3.23-26).

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Prefiro murmurar no deserto. As dez murmurações do primogênito. Capítulo 8

Abraão, obedecendo ordens de Deus, deixou o conforto e garantia de prosperidade em suas terras para peregrinar por uma região inóspita, desconhecida, longínqua e cercada de incertezas.

De uma hora para outra, mudou o seu padrão de vida e se lançou naquela que se tornaria a maior de suas jornadas. A amizade, o companheirismo e o amor que reinava entre sua família certamente deram lugares ao ódio, solidão e ingratidão que presenciou ao chegar em terras cananeias. Deixou tudo, família, propriedades e peregrinou até chegar ao ponto final de sua jornada. Habitou entre os cananeus, enfrentou a fome, conheceu o Egito

Então o patriarca Abraão tomou posse da promessa e agora anos mais tarde, os hebreus, seus descendentes, revivendo a história. Eram necessários quarenta dias, para espiarem, conhecerem as fraquezas, qualidades e para verem se realmente manava leite e mel.

Canaã era uma promessa e não uma doação, aquela terra precisava ser conquistada, mas antes necessitava de um reconhecimento geral para que os planos humanos pudessem ser colocados em prática, já que o de Deus, em pleno curso, não necessitava de intervenção ou estudo humano.

 

A MURMURAÇÃO

Moisés não reunia mais condições físicas para espiar a terra sozinho e também não poderia se ausentar[1] por muito tempo, por isto escolheu um homem de cada uma das doze tribos para que, corajosamente, se embrenhasse por Canaã.

A convocação dos doze os diferenciou do restante, pois começaram a ser vistos com outros olhos. Escolhidos, corajosos, destemidos e que certamente voltariam com boas noticias.

A missão era simples, deveriam espiar o povo que morava naquela terra, se eram fracos ou fortes, se eram muitos ou poucos, se a terra era boa ou ruim, se as cidades eram fortificadas e muradas, se o solo era fértil, se haviam florestas e se possível deveriam trazer uma amostra de algum fruto, que no caso, seriam uvas, pois era inicio da colheita.

Uma oportunidade para entrarem na história, mas deixaram escapar esta chance, apenas dois se destacaram. Foi justamente deste grupo que saiu o sucessor de Moisés.

Cumpriram à risca as determinações de Moisés e ao fim dos quarentas dias voltaram da missão. Todos estavam ansiosos pelo relatório que julgavam ser favorável. Moisés, Arão e todos os hebreus os receberam de braços abertos.

O relatório no inicio foi animador, realmente a terra manava leite e mel, o cacho de uva trazido era prova, porém o semblante de todos mudou quando afirmaram que aquelas terras eram habitadas por homens de grande estatura, um povo numeroso e que as cidades eram realmente fortificadas.

O desanimo tomou conta e aconselharem Moisés a não entrar com o povo naquelas terras, exceto dois, Josué e Calebe, os únicos que animar a tomarem posse da Terra.

De um lado estavam dez espias descrentes, medrosos, que afirmaram ser impossível a conquista de Canaã e do outro lado estavam dois corajosos, destemidos e crentes, que categoricamente diziam: “sim, é possível, podemos vencer”. Para quem os hebreus dariam crédito?

Em que os dez espias fundamentaram seus relatórios? No físico, no olhar humano, na lógica? E Josué e Calebe? Em que firmaram suas declarações? No desejo de tomarem posse da terra? Na loucura? Ou na fé? Naquele momento iniciou-se um grande conflito entre os hebreus. Ver para crer, crer para ver, ou sumir para bem longe do alcance dos cananeus.

Os que apoiaram os dez espias medrosos se esqueceram que os cananeus, descendentes de Cam, estavam sob maldição, enquanto que eles estavam debaixo da bênção de Sem, Abraão, Isaque e Jacó.

A incredulidade, medo e covardia os derrubaram por terra os dez espias medrosos. Não entraram na Terra Prometida e todos os que neles acreditaram, mesmo porque declararam que seria impossível e realmente foi.

Temeram os cananeus? Para quem já havia enfrentado e derrotado a maior potência da época, o que poderia ser impossível?

O que teria acontecido se soubessem que enfrentariam no Mar Vermelho, a maior de suas batalhas? E qual seria a reação se visualizasse, logo na saída do Egito, a comitiva de boas vindas instalada às portas da Terra Prometida? O grupo de opositores era composto pelos filisteus e amalequitas a Oeste, edomitas a Leste, amonitas e moabitas ao Norte e os cananeus ao centro.

Quando Moisés enviou aqueles doze homens para espiarem Canaã, esperava receber a notícia mais aguardada, porém para espanto de todos, ouviram que os habitantes daquele lugar eram fortes, poderosos e que resistiriam à grande conquista dos hebreus. 

“Então toda a congregação levantou a sua voz; e o povo chorou naquela noite. E todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e contra Arão; e toda a congregação lhes disse: Quem dera tivéssemos morrido na terra do Egito! ou, mesmo neste deserto! E por que o SENHOR nos traz a esta terra, para cairmos à espada, e para que nossas mulheres e nossas crianças sejam por presa? Não nos seria melhor voltarmos ao Egito?” (Nm 14.1-3). 

Cobraram de Moisés atitudes, desapontaram a Deus e fizeram menção da vida miserável do tempo do Egito, onde foram mal alimentados, privados da liberdade e expostos à idolatria e sujeitos à ruína espiritual.

A revolta foi geral e tentaram apedrejar Josué e Calebe, os únicos que conseguiram enxergar que os cananeus poderiam ser derrotados. Isto irou a Deus a ponto de dizer a Moisés que consumiria a todos ali mesmo e que faria dele uma nova nação[2].

Moisés explicou a todos que tinham condições de vencerem os habitantes de Canaã, mas não creram e revoltaram-se. Clamaram por novos líderes para guiá-los de volta ao Egito. Isto aumentou ainda mais o desejo de Deus em consumi-los, pois desanimaram da promessa.

continua...

[1] Na última vez em que os hebreus ficaram sem Moisés, houve o nascimento de um deus (bezerro) e a morte de muitos idólatras.

[2] Este foi o segundo “não” de Moisés dito a Deus (Nm 14.12-13).

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)