INTRODUÇÃO
Por várias vezes o comentarista frisou: “A nossa declaração
de fé”, portanto fazem parte deste seleto grupo os que creem na inerrância e
infalibilidade da Bíblia.
“Nossa ortodoxia professa e ensina
que a Bíblia é a inspirada Palavra de Deus, inerrante e infalível com plena
autoridade naquilo que diz e ensina”. (Baptista, 2021)
Obra de Flávio Josefo não é para ler, é para pesquisar,
enquanto que a Bíblia não é para pesquisar, é para ler e meditar.
I – O QUE É A INERRÂNCIA
DA BÍBLIA
1. O conceito de
inerrância bíblica
A Bíblia não tem erros. Não foi DITADA por Deus. Foi INSPIRADA.
Ditado é muito cansativo, repetitivo e neste caso Deus não ficava repetindo
sua Palavra para os escritores. Uma única vez era suficiente (cfe Ap 1.11 – “o
que vês escreve”. Não creio em um homem dizendo para Deus: “dá para o Senhor
repetir a última parte ou mostrar de novo, eu não entendi”.
“Se for admitida a existência de algum erro nas
Sagradas Escrituras, estaremos alijando a veracidade divina, fazendo a certeza
desaparecer” (Baptista, 2021)
Além do mais se for encontrado um erro, poderão aparecer
outros milhares. “Porteira que passa boi, passa boiada”. E com a Palavra de
Deus não seria este o caso.
A Bíblia é isenta de erros em todos os assuntos por ela
apresentada, tais como os aspectos doutrinários, espirituais, éticos, morais,
históricos, culturais, científicos, etc.
2. A Bíblia reivindica a
sua inerrância
Pv 30.5 – “Toda Palavra de Deus é pura; Ele é escudo para os
que nEle confiam”. Palavra pura, provada, justamente porque Deus é o fundamento. Algumas passagens que comprovam a inexistência de erros na
Bíblia:
- Gn 42.13 – “Eles disseram: Nós, teus servos, somos doze irmãos (VERDADE), filhos de um homem na terra
de Canaã (VERDADE); o mais novo está
hoje com nosso pai (VERDADE), outro
já não existe (MENTIRA)”. A Bíblia
apresenta histórias de homens que mentiram, mas que na ficaram impunes e que
viram seus atos serem revelados. Se nesta passagem José tivesse concordado com
os irmãos, ai poderíamos apontar erros na Bíblia;
- Dt
3.23-26 – “Também eu, nesse tempo, implorei graça ao Senhor , dizendo: Ó Senhor
Deus! Passaste a mostrar ao teu servo a tua grandeza e a tua poderosa mão;
porque que deus há, nos céus ou na terra, que possa fazer segundo as tuas
obras, segundo os teus poderosos feitos? Rogo-te que me deixes passar, para que
eu veja esta boa terra que está dalém do Jordão, esta boa região montanhosa e o
Líbano. Porém o Senhor indignou-se muito contra mim, por vossa causa, e não me
ouviu; antes, me disse: Basta! Não me fales mais nisto”. Moisés foi claro em
apontar a causa do não de Deus, “por vossa causa”, e todos sabemos que este foi
o motivo que tirou de Moisés o direito de entrar na Terra Prometida, portanto a
Bíblia reivindica a sua inerrância;
- Ez
12 – “E o príncipe que está no meio deles levará aos ombros as mobílias, e às
escuras sairá; farão uma abertura na parede para as tirarem por ela; o seu
rosto cobrirá, para que com os seus olhos não veja a terra. Também estenderei a
minha rede sobre ele, e será apanhado no meu laço; e o levarei à babilônia, à
terra dos caldeus, e contudo não a verá, ainda que ali morrerá”. O Profeta
Ezequiel já estava no exílio (Ez 1.1), junto ao rio Quebar, portanto a sua
profecia poderia ser interpretada de forma equivocada, pois como poderia estar
alertando o povo de algo que já havia acontecido? A resposta é simples, tanto a
ida (Jr 52.28-30) quanto o retorno (com Esdras, Zorobabel e Neemias) da
Babilônia se deu em três etapas. Nabucodonosor levou os intelectuais, os
inteligentes, a nata, os que pudessem produzir em suas terras, na verdade não
queria preguiçosos ou “encostados”. Em uma destas levas estava Ezequiel, que se
preparava para o sacerdócio, mas que viu seu sonho ser interrompido, melhor
para ele, pois o serviço levítico já estava falido, corrompido. De um possível
sacerdote em Jerusalém se tornou um profeta no exílio. Sua profecia dizia
respeito a última deportação (Jr 52.9-11).
Isto prova que a Palavra de Deus foi
também provada no fogo, colocada à prova, como os mais nobres dos metais. Ao
final desta operação a Palavra se revelou fiel, eficaz, tal como prometido foi
a respeito dela (Sl 18.30).
Vejamos este clássico:
“E disse-lhe Saul: De quem és filho, jovem? E
disse Davi: “Filho de teu servo Jessé, belemita”. (I Sm 17.58)
Davi respondeu a questão do rei Saul e não estendeu muito a
conversa. Foi simples e direto. Sou filho de Jesse, o belemita e ponto final.
Qualquer um de nós se estivéssemos na pele dele teríamos continuado. Fatalmente
diríamos: “Sou fulano, filho de beltrano, o
novo rei, o seu sucessor, o que tomará o seu lugar e fará um trabalho melhor
que o seu, porque ando segundo o coração de Deus”. É melhorar paramos no
ponto final.
“...as Escrituras não podem ser anuladas, nem se
pode introduzir nada a elas, nem se pode encontrar falhas nela” (Baptista,
2021)
3. A infalibilidade e
inerrância da Bíblia
O plano da salvação é outro fator que pode atestar a
infalibilidade da Bíblia, pois em nenhum momento da história da humanidade,
este plano apresentou falhas, erros ou necessitou de alterações.
II – O ESPIRITO SANTO
PRESERVOU AS ESCRITURAS
1. Os manuscritos
autográfos
Foram obras das mãos do próprio autor, que ficaram sujeitas
às ações do tempo, não sobrevivendo, no entanto, o Espirito Santo se encarregou
de preservar a ideia original inspirada por Deus através das cópias, que se
mantiveram fiéis aos originais. Sem esta ação do Espirito Santo a Bíblia não
poderia ser considerada fonte de inspiração e autoridade Divina.
2. Os manuscritos
apógrafos
Estas cópias, que se mantiveram fiéis, graças a ação do
Espírito Santo, são chamadas de manuscritos apógrafos. Muitas delas foram obras
dos escribas judeus que mantiveram uma precisão impressionante, no que diz
respeito aos materiais usados e também na contagem de linhas e colunas nos
escritos, justamente para impedir futuros acréscimos, retiradas ou alterações
de textos. Isso jamais viria do homem, veio do céu.
Isto prova que a inspiração Divina ocorreu na primeira
redação dos textos sagrados, já na preservação através das copias, ocorreu a
ação do Espirito Santo de Deus para que esta inspiração fosse mantida.
3. Os apócrifos e
pseudoepígrafados
Os livros apócrifos são aceitos
pelos católicos romanos e rejeitados pelos judeus e protestantes. Apócrifo, do
grego apocrypha, que significa "oculto"
ou "difícil de entender. São escritos judaicos não-canônicos originários
do período intertestamentário. Os livros apócrifos
são: Tobias, Judite, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico, Baruque, I e II
Macabeus e há alguns trechos apócrifos acrescidos nos livros de Ester (capítulo
10,4-16,24), Daniel (capítulo 3.24-90 e a inclusão dos capítulos 13 e
14).
Existem nestes livros muitos falsos ensinos e
contradições, tipo justificação pelas obras (Ecl. 3.33; Tob. 4.7-11), mediação
dos Santos (Tob. 12.12), oração pelos mortos (II Macabeus 12.44-46) e
superstições diversas (Tb 6.7-19). A relação dos apócrifos que não foram
reconhecidos é extensa e inclui outros livros além dos já citados:
- Evangelho de Tomé; dos ebionitas;
de Pedro; de Tiago; dos egípcios;
- Evangelho arábico da infância;
Evangelho de Nicodemos;
- Evangelho do carpinteiro José; a história do
carpinteiro José;
- O passamento de
Maria; O Evangelho da
natividade de Maria;
- Evangelho de um Pseudo-Mateus; Evangelho dos
doze;
- Os Atos de Pedro;
de João; de André; de Tome; de Paulo; de Matias; de
Filipe e de Tadeu;
- A Carta perdida aos
Coríntios; As seis Cartas de
Paulo a Sêneca; A Carta de
Paulo aos laodicenses;
- Apocalipse de Pedro; Paulo; Tome;
Estêvão; Tiago; Messos; Dositeu.
III – A VERDADE NAS
ESCRITURAS
1. A Bíblia é a verdade
plena
Nas Escrituras
corresponde à realidade exata dos fatos em concordância com o pensamento de
Deus, que é a verdade (Jo 14.6; Rm 3.4) e a sua Palavra também é a verdade (Jo
17.17) – O escritor aos Hebreus declara que é “ impossível que Deus minta ” (Hb
6.18).
“...ainda que o FRUTO DA OLIVEIRA minta” Hc 3.17 (impossível o FRUTO
da oliveira mentir)
2. A verdade espiritual e
moral.
Nossa Declaração de Fé afirma
que a Bíblia nos revela o conhecimento completo de Deus, não sendo necessário
nenhum a nova revelação para a nossa salvação.
Segundo pastor Antônio Gilberto,
Deus requer do homem tudo o que o homem precisa saber, mas queremos mais,
desejamos descobrir todos os segredos. Um dos mais cativantes é o da vida,
quando ela surge? Quando nos tornarmos almas viventes? Quando a alma é inserida
no corpo do bebê no ventre? O que nos foi revelado na Palavra, em todos os
aspectos nos conforta e nos prepara para esta vida, e para a futura.
3. A verdade histórica e
científica.
A própria história secular
comprova a veracidade de muitas profecias através justamente dos fatos
históricos que se seguiram. Um dos mais importantes é o caso do governante Nabucodonosor
que teve seu reinado iniciado em 604 a.C. e se tornou um dos principais
soberanos de sua época.
Conquistou
boa parte da Ásia e do Oriente Médio, inclusive Jerusalém, levando cativo os
judeus para Babilônia em 606, 597 e 586 a.C., respectivamente. O profeta Daniel
esteve frente a este desesperado governante que havia recebido uma das mais
importantes revelações acerca do futuro da humanidade através de um sonho,
interpretação confirmada depois em visão (Dn 7.1-7).
a) Cabeça de ouro – primeiro animal
(Leão)
- A cabeça de ouro simbolizava o poderoso império
Babilônico, que passaria e daria lugar a outro (Atual território do Iraque);
b) Peito e braço de prata – segundo
animal (Urso)
- O peito e braços de prata representava o império
Medo-Persa, que se levantaria após a Babilônia, através das conquistas do
grande Imperador Ciro em 539 a.C. (atual território do Irã).
c) Ventre e coxas de bronze – terceiro
animal (Leopardo)
- Duzentos anos mais tarde, o imperador Alexandre, o
Grande comandando o império grego derrotou o império Medo-Persa e se
estabeleceu como potência mundial (cultura grega, helenização).
d) Pernas de ferro – quarto animal
(Animal espantoso)
- Em 168 a.C., o império grego sucumbiu diante da força
de Roma, o mais extenso e poderoso império que já existiu (dominação pela
força).
e) Pés em parte de
ferro e em parte de barro
- Isto não simbolizava o surgimento de um novo império,
mas sim identificava a divisão do império romano em dez reinos, por volta de
476 d.C., conforme numeração dos dedos dos pés da estátua de Nabucodonosor.
CONCLUSÃO
- Poema
“Bíblia, a Palavra que aos homens foi dada
Mas por eles foi rejeitada
Somente porque está escrita no papel
Mas o que diriam se estivesse escrita no céu“
REFERÊNCIAS
A preservação do texto bíblico. disponível em; https://biblia.sbb.org.br/a-preservacao-do-texto-biblico.. Acesso em 12/01/2022
Baptista, Douglas. A supremacia das
Escrituras. A Inspirada, Inerrante e Infalível Palavra de Deus. Casa
Publicadora das Assembleia de Deus. Rio de Janeiro, 2021
Bíblia de estudo aplicação pessoal. CPAD, 2003.
Bíblia de Estudo Temas em Concordância. Nova Versão Internacional
(NVI). Rio de Janeiro. Editora Central Gospel, 2008.
Bíblia Sagrada. Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP).
Sociedade Bíblica do Brasil, 2000.
Bíblia Sagrada – Harpa Cristã. Barueri, SP. Sociedade Bíblica do
Brasil, Rio de Janeiro. Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2003.