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sábado, 2 de agosto de 2014

Neemias: como sair do anonimato? Capítulo 2


CAPÍTULO 2
COMO ABALAR A ESTRUTURA DE UM LÍDER?

1. QUEM FOI NEEMIAS:
Realmente não foi fácil a vida daqueles que estavam na cidade, o pior era que não faziam nada para mudarem aquele quadro caótico. Houve necessidade que Deus levantasse outro homem de fora, de longe, pois os poucos e desanimados moradores (de dentro) não perceberam que o conformismo e o comodismo tiravam deles o controle da situação.

Neemias, servindo a corte persa, não tinha obrigação de demonstrar tanta preocupação com Jerusalém. Mesmo depois de conhecer a situação da cidade não haveria necessidade do desabafo com o rei Artaxerxes, a não ser que sentisse em seu coração um chamado muito forte.

Foi filho de Hacalias, irmão de Hanani (Ne 1.1; 7.2). Ardeu em seu coração o desejo de ajudar o povo que estava em grande desprezo e miséria. Mesmo diante de sua ocupação no palácio real reservou um tempo para ouvir de seu irmão um relato sobre a cidade, que sequer conhecia.

Serviu ao rei Artaxerxe I, na corte persa, como copeiro, em meio ao luxo, facilmente se iludiria com o sistema politeísta medo-persa, mas nunca se deixou corromper pelas ofertas ou práticas pagãs. O ponto crucial de sua vida, o divisor de águas foi a sua empatia e preocupação com a cidade de Davi, outros em sua posição, jamais desprezariam suas funções na corte para viajar e auxiliar um povo, que não mexia um dedo, sequer para mudar a sua própria situação.

Não era um general, um engenheiro, construtor de grande porte, diplomata, mas possuía qualidades tais, pois no decorrer da obra enfrentou perigos, inimigos, dificuldades, oposição de estrangeiro e outras situações. Sentiu a chamada de Deus em sua vida quando ouviu o catastrófico diagnóstico da cidade. No seu entendimento ainda havia solução?

A distância entre Susã, a fortaleza (Et 1.2) e Jerusalém, cerca de 1600 km, não foi obstáculo para que cumprisse o que havia colocado no coração. A alegria, vitória, dores e problemas do povo também seriam seus. Mesmo tendo pouco conhecimento sobre a cidade, seguiu viagem.

O único que poderia impedir sua viagem seria o próprio rei, pois seria difícil encontrar outro homem em que pudesse depositar tamanha confiança, mas ele foi o primeiro gentio que ouviu as lamentações de Neemias e desde o inicio o incentivou que fosse a realizar o que Deus havia colocado em seu coração. Em nenhum momento duvidou, imaginou ou insinuou que a viagem tivesse outro interesse que não o apresentado por Neemias. O rei permitiu a viagem e lhe deu as cartas necessárias.

A reconstrução da cidade poderia ser uma realidade distante e inatingível ou não, pois já estavam trabalhando neste intento, inclusive o Templo estava reerguido, mas o principal era atentarem para os muros ao redor, que deveriam ser reconstruídos imediatamente, pois de nada adiantaria investirem na cidade e esquecerem da proteção. Ele sabia que toda a tradição, história, cultura, religiosidade dos judeus dependia daquela cidade.


a) Missão de Hanani: abalar a estrutura do futuro líder:
Certamente Neemias esperava ouvir de Hanani boas notícias sobre a cidade, pois já era tempo da reconstrução estar a pleno vapor, mas o que ouviu o deixou triste e receoso pelo futuro da nação. Esta conversa selou o chamado daquele homem, a partir daquele momento nunca mais foi o mesmo. Era a oportunidade que fazer algo para Deus. Alguém poderia condenar Hanani por ter ido tão distante para entregar noticias tão ruins.

2. ORAÇÃO – CONFIRMAÇÃO DA CHAMADA: 
Neemias teria sucesso sem oração? A sua comoção pela situação da cidade, após receber a noticia foi o combustível que o impulsionou a clamar em favor da cidade e para receber de Deus a confirmação de sua chamada (1.4-11). Se não tivesse orado em favor da cidade certamente teria somente lamentado toda aquela situação e não teria ido a lugar algum.

Cerca de quatro meses de oração (1.1; 2.1 – quisleu à nisã do 20º ano do rei Artaxerxes, lembrando que o ano judaico dá-se no mês de Tishrei), e então sentiu forças para solicitar ao rei a permissão para sua viagem. A obra da reconstrução do muro e das portas foi concluída em exatos 52 dias, praticamente a metade do tempo em que ele ficou em oração (6.15)

Um líder, que negligencia o momento de oração, se torna presa fácil para o inimigo. Decisões erradas, precipitadas ou tendenciosas são consequências da falta de oração e vigilância.

3. INÍCIO DO MINISTÉRIO DE NEEMIAS: 
Neemias deixou sua função e o conforto no palácio e “pela fé, recusou a ser chamado copeiro do rei”, antes preferiu conhecer in loco a situação e sofrimento de seu povo (repetição da história?). Jerusalém sem muro não tinha proteção contra os seus inimigos, contra falsos profetas, heresias, falsos ensinos. A preocupação dele era muito mais do que somente com a aparência e estética da cidade.

Quando Neemias ouviu o relato de que os muros estavam derribados e fendidos, o seu coração ardeu. Como o povo não atentava para este detalhe? De que adiantava a urgente reconstrução do Templo, o resgate da fé monoteísta e práticas agradáveis a Deus se estavam completamente desprotegidos? O primeiro inimigo que se levantasse seria capaz de invadir e destruir tudo novamente. Haveria fé e animo suficientes para outros mutirões? E o que dizer de ladrões, salteadores, doenças, enganadores que tinham livre trânsito?

a) Oração de um verdadeiro líder:
  • Reconheceu a autoridade de Deus (1.5);
  • Confessou os pecados e intercedeu pelo povo (1.6);
  • Fez menção de Moisés (promessas e advertências–1.7);
  • Mencionou o compromisso de Deus com Israel (1.9);
  • Se colocou em favor dos judeus;
  • Foi persistente, fervoroso, específico e direto.


b) A necessidade dos muros:
  • Os discípulos, quando foram chamados por Jesus, largaram tudo para seguirem o Mestre ou continuaram em suas praticas mundanas e trabalhos? Que conhecimento ou proteção teriam se não tivesse sido reconstruído em suas vidas o muro? Facilmente retornariam ao desprezo e miséria de antes;
  • O que teria acontecido com os discípulos se o barco tivesse se rompido durante a clássica tempestade acalmada por Jesus? As ondas açoitavam o barco constantemente (Mc 4.37) e não atacava propriamente e primariamente os homens a bordo. O ataque primeiro foi contra o barco. Eles seriam mortos quando o barco fosse destruído. Povo no mar sem barco são presas fáceis e o que dizer da cidade na terra sem muros?
  • E todos os dias Jesus acrescentava à igreja aqueles que se haviam de salvar (At 2.47). O intuito era reuni-los para protegê-los do mal e do ataque do inimigo.

Neemias, de princípio, não tinha autoridade e experiência para reunir grandes exércitos ou um número elevado de trabalhadores, tampouco condições para levantar e guiar os judeus de volta para Jerusalém, mas foi capacitado por Deus.

O primeiro sentimento que nasceu em seu coração foi o desejo de retorno para trabalhar e não o de se intitular salvador da pátria judaica, o grande general responsável pela reconstrução, mas isto somente aconteceu porque após ouvir as noticias a sua primeira atitude foi se colocar diante de Deus em oração. Que caminho seguir? Condições para sensibilizar o povo e reuni-los seria humanamente impossível? Se os que estavam morando na cidade não faziam nada imaginem então os que estavam em uma zona de conforto e tranqüilidade, mesmo servindo outro império? Prova disto é que muitos não voltaram quando foram autorizados.

Uma atitude simples (Ne 1.4), mas necessária, pois o primeiro passo seria receber de Deus a confirmação para que não agisse somente por emoção. Após esta oração apresentou diante do rei que percebeu a tristeza do seu servo e ouviu as suas lamentações sobre a cidade. Naquele momento Neemias transpassou a primeira barreira de sua nova carreira. Recebeu o aval, a confirmação para sua empreitada.

O início do ministério de Neemias foi baseado em uma das mais significativas orações registradas na Bíblia. Oração reverente, adorando a Deus, atribuindo-lhe todo o poder, reconhecendo a autoridade, fazendo menção do compromisso estabelecido com seu povo, confessando os pecados de todos os envolvidos na historia e intercedendo por eles.

Neemias intercedeu pelo povo, colocando-se na brecha em favor deles, mesmo que não conhecesse boa parte de sua linhagem. Desde o principio, quando ouviu os relatos de seu irmão, sentiu as dores e a aflição da cidade. Chorou, lamentou, orou e jejuou vários dias, persistente, fervoroso e foi bem específico e direto, pois não rodeou, já foi apresentando a Deus o pecado dele e do povo (Ne 1.7).

Neemias poderia até ter imaginado que não seria fácil o rei permitir sua viagem a Jerusalém, mas através de sua oração contemplou o trabalhar de Deus, viu cair por terra o medo, pois não somente teve o seu pedido atendido como também foi confortado (Sl 33.12).

Ele não tomou atitudes precipitadas. Precisava de confirmação e autorização do rei para que fizesse o que Deus havia colocado em seu coração. Não abandonou o palácio, não solicitou autorização do rei antes da oração, pois não queria se adiantar ao processo. Em sua mente tudo seria direcionado conforme a vontade de Deus. Em nenhum momento acusou ou culpou o povo pelos seus pecados, simplesmente confessou.

4. COMENTÁRIOS ADICIONAIS:
  • Notícias de Hanani: povo caído, sacerdotes distantes de Deus, cidade em ruínas, É O FIM DO MUNDO;
  • José acordou prisioneiro e dormiu governador, enquanto que Neemias acordou copeiro e dormiu como governador;
  • As lamentações de Neemias;
  • Qual império, da época, desejava Jerusalém? Ninguém queria mais, nem mesmos os moradores;
  • Durante a viagem ele foi refletindo sobre as suas primeiras atitudes e como encontraria a cidade. Teria que apresentar a vitória, pois a derrota eles já conheciam;
  • Dentre os moradores de Jerusalém havia muitos que possuíam as mesmas forças e idéias de Neemias, mas nenhum tomou atitude. O que faltou? Chamada, liderança, dom ministerial?
  • Hanani plantou a semente, a raiz cresceu (para baixo) e agora o crescimento seria com Deus;
  • Neemias conseguiu fazer com que o rei mudasse um decreto real, nem mesmo Daniel conseguiu. Teve que ir para a fornalha de fogo. A obra havia sido paralisada e foi retomada;
  • Tríplice função de Neemias: trabalhar, motivar o povo e vigiar.

Por: Ailton da Silva - Ano VI (desde 2009)

Neemias: como sair do anonimato? Capítulo 2 - Slides






Por: Ailton da Silva - Ano VI (desde 2009)

O ladrão da cruz convertido


O ladrão convertido da cruz que pregou o que viveu, apenas alguns momentos de sua vida. Sua fala foi usado para o progresso do reino. Vejam:
  • Imaginemos a reação do público presente no evento. Todos estavam de boca aberta presenciando a transformação radical pela qual aquele homem estava passando, ali bem diante dos olhos de todos. 
Em pouco minutos ele viveu o que pregou com a sua fala.

Por: Ailton da Silva - Ano VI (desde 2009)

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O cuidado ao falar e a religião pura. Plano de aula



TEXTO ÁUREO
[...] Mas todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar (Tg 1.19).

VERDADE PRÁTICA
As nossas palavras podem, ou não, evidenciar a sabedoria de Deus.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE – Tg 1.19-27.
19 - Sabeis isto, meus amados irmãos; mas todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.
20 - Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus.
21 - Pelo que, rejeitando toda a imundícia e acúmulo de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar a vossa alma.
22 - E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos.
23 - Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao varão que contempla ao espelho o seu rosto natural;
24 - Porque se contempla a si mesmo, e foi-se, e logo se esqueceu de como era.
25 - Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito.
26 - Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã.
27 - A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.

PROPOSTA
         Ouvir: muito trabalhoso, por isto alguns ignoram;
         Quem ouve com atenção adquire a capacidade de opinar;
         Não somos proibidos de indignarmos contra as injustiças;
         A Palavra de Deus é o guia maior para o crente;
         Não pode haver incoerência entre o “dizer e o fazer”;
         “Falamos, mas não vivemos”;
         A verdadeira religião reprova o ativismo religioso;
         Verdadeira religião: visitar os órfãos e as viúvas;
         A falsa religião está mergulhada no egoísmo e corrupção.

INTRODUÇÃO
Na lição dessa semana vamos estudar a maneira adequada de o crente usar um instrumento maravilhoso, mas ao mesmo tempo, potencialmente perigoso: a fala. Este assunto está interligado à temática da verdadeira religião que agrada a Deus. O fenômeno da fala é uma das fontes de expressão do pensamento humano, como também é responsável pelo processo de comunicação e de formação da identidade cultural de uma sociedade. As pessoas querem falar às outras aquilo que pensam. O crente, todavia, tem o compromisso de não apenas falar o que pensa, mas agir como propõe o Evangelho.

Pronto, falei! A expressão em moda em nosso meio. Somos prontos a falar e tardios ao extremo para ouvir. A comunicação é o meio pelo qual conseguimos atingir o nosso maior objetivo, o carro chefe de nossa carreira espiritual, o cumprimento da grande Comissão. Pela fala podemos obter sucesso como também podemos colocar tudo a perder no que diz respeito ao alcance daqueles que ainda não abraçaram a fé verdadeira.

Apesar de que o comentarista da lição deixa claro que o ouvir é mais trabalhoso, por outro lado penso que é mais prático ouvir do que falar, pois o falar, sim, dá um trabalho tremendo. Temos que escolher as palavras, entrar no assunto, se inteirarmos do que está sendo tratado, realmente é muito trabalhoso falarmos, é melhor ouvirmos, mas a humanidade não está nem um pouco preocupada com o trabalho, por isto o número de “falantes” é muito maior que o de “ouvintes”.

I. PRONTO PARA OUVIR E TARDIO PARA FALAR (Tg 1.19,20)
1. PRONTO PARA OUVIR. 
Para alguns crentes, a pessoa sábia é a que sempre tem algo a falar. Ouvir é um empreendimento trabalhoso e, por isso, ignorado por muitos. Diferentemente, as Escrituras admoestam-nos a ser prontos para ouvir. No versículo 19, Tiago introduz o seu ensino sobre o “ouvir” e o “falar” destacando a expressão sabei isto. Com essa expressão, ele demonstra a sua preocupação pastoral com os seus leitores. Outro termo no versículo 19 chama-nos a atenção: pronto. No grego, a palavra significa “rápido”, “ligeiro” e “veloz”. Ali, o escritor sacro incentiva-nos a estar disponíveis a ouvir. É uma atitude que depende de uma disposição e também da decisão em ouvir o outro. A exemplo do profeta Samuel, que desde a sua infância foi ensinado a ouvir a voz divina (1Sm 3.10; 16.6-13), o povo de Deus deve persistir em escutar os desígnios do Pai, pois nesses últimos dias tem Ele falado através do seu Filho, o Verbo Vivo de Deus (Hb 1.1; cf. Jo 1.1).

Ouvir se torna uma arte, para poucos privilegiados, aliás, estes se tornam profundos pensadores, que prestam atenção em tudo e em todos, avaliando e colhendo os frutos no futuro desta qualidade, ao contrário, daqueles que falam pelos cotovelos, que vivem saindo e entrando de situações desagradáveis, justamente por falarem sem medida. Já dizia o sábio Salomão: “o que, passando, se mete em questão alheia é como aquele que toma um cão pelas orelhas” (Pv 26.17).

2. TARDIO PARA FALAR. 
Quem ouve com atenção adquire a rara capacidade de opinar acerca de qualquer assunto. É justamente por isso que a Carta de Tiago exorta-nos a ser tardios para falar (v.19). Uma palavra dita sem pensar, fora de tempo, e sem conhecimento dos fatos, pode provocar verdadeiras tragédias. Quem nunca se arrependeu de ter falado antes de pensar? Diante de Faraó, o imperador do Egito Antigo, o patriarca José aproveitou sabiamente um momento ímpar em sua vida. Antes de responder às perguntas sobre os sonhos do monarca, José as ouviu e refletiu sobre elas. Em seguida, orientado pelo Senhor, respondeu sabiamente Faraó (Gn 41.16). Temos de aprender a refletir sobre o que vamos dizer e falar no tempo certo. Pese bem as palavras, e ore como o rei Davi: “Põe, ó SENHOR, uma guarda à minha boca; guarda a porta dos meus lábios” (Sl 141.3).

Aqueles que ouvem com frequência e com certa qualidade adquirem qualidades que os diferem dos demais, por isto, diante de situações desesperadoras, certamente eles terão as atitudes corretas, já estudas previamente, tal como José, que diante de Faraó ficou primeiramente ouvindo com atenção o relato dele acerca de seus sonhos (Gn 41.17-24). Quantas bênçãos e oportunidade José teria perdido caso tivesse interrompido o governante com palavras de maldição tipo: “o senhor pagará por cada erro, Deus cobrará, por isto Ele avisou”, ao contrário ele ficou ouvindo e pedindo orientação para que interpretasse corretamente.

Por falar em arrependimento por falar sem pensar, não tem como não nos lembrarmos da sedição de Miriã e Arão já em pleno deserto. Falaram sem pensar e colheram os resultados (Nm 12.1-15).

3. CONTROLE A SUA IRA. 
Uma terceira admoestação encontrada no versículo 19 da carta de Tiago expressa o seguinte: tardio para se irar. A ira é um profundo sentimento de ódio e rancor contra a outra pessoa. Uma vez descontrolada, ela não produz a justiça de Deus, mas uma justiça segundo o critério da pessoa que sofreu o dano: a vingança. A Palavra de Deus não proíbe o crente de ficar indignado contra a injustiça (Is 58.1,7; Lc 19.45). Contudo, ao mesmo tempo, a Bíblia estabelece limites para o nosso temperamento não se achar irrefletido, descontrolado, deixando-nos impulsivamente irados (Ef 4.26; Pv 17.27). O cristão, templo do Espírito Santo, tem de levar a sua mente cativa a Cristo (2Co 10.5) e manifestar o fruto do Santo Espírito: o domínio próprio (Gl 5.22 — ARA). Fuja da aparência do mal. Tenha autocontrole.

“Tardio para irar-se”, uma expressão pouco usual e tão difícil para se colocar em prática nos dias atuais. Por qualquer motivo estouramos, manifestamos a nossa ira em atos contrários aos apresentados pela Palavra. O que não dizer da ira incontrolável de Saul ao tomar ciência da reprovação de seu reinado? Pior reação ele teve quando soube que o outro era segundo o coração de Deus (1 Sm 13.13-14). Ele foi tomado por uma ira incontrolável, mas ficou quietinho ouvindo a repreensão do profeta Samuel, até tardou para falar ou justificar, somente não foi capaz de controlar sua ira.

II. PRATICANTE E NÃO APENAS OUVINTE DA PALAVRA (Tg 1.21-25)
1. ENXERTAI-VOS DA PALAVRA (V.21). 
A Palavra de Deus é o guia maior do crente. E para que a Palavra atinja efetivamente o coração do servo de Deus, este precisa acolhê-la com pureza e sinceridade. Isto é, firmar uma posição radical rejeitando toda a imundícia e a malícia mundana (v.19); recebendo o Evangelho com mansidão e sobriedade. Leia os Evangelhos! Persiga em conhecer a mensagem divina de Cristo Jesus, mas, igualmente, abra o coração para ouvir a voz do Senhor.

Quando um não quer, dois não brigam. Quando o homem não quer, não deseja e não permite, a Palavra não soa no seu coração com todos os seus efeitos benéficos. O ladrão ao lado de Jesus no Calvário, que independente dos argumentos de sua condenação, ouviu e aceitou de bom grado o que ouviu naquele dia do Salvador, bem diferente de seu companheiro de cruz, que viu e ouviu o mesmo, mas que não demonstrou a mesma receptividade. Portanto devemos acolher a Palavra com sinceridade e pureza, para então, de forma radical rejeitarmos toda imundícia e a malicia mundana.

2. PRATICAI A PALAVRA (VV.22-24). 
O escritor sacro não tem interesse em que o leitor da epístola apenas acolha a Palavra no coração, antes deseja que o crente a pratique (v.22). Não pode haver incoerência entre o que se “diz” e o que se “faz” para quem é discípulo de Jesus. Se amar a Deus e ao próximo são os maiores dos mandamentos, então, devemos porfiar em vivê-los. Quem acolhe a Palavra rejeita tudo o que é imundo, maligno, perverso, injusto, dissimulado, insincero. Não apenas isso, mas igualmente abre a porta do coração para “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama” (Fp 4.8). Do contrário, seremos identificados com o homem que contempla a própria imagem no espelho e depois se retira esquecendo-se completamente dela. Há pessoas que olham para o Evangelho e ouvem, mas sem memória e perseverança, não dão nenhuma resposta ou sequência ao chamado de Jesus Cristo (vv.23,24). Deus nos livre desse engodo!

Voltando ainda ao caso do ladrão que abraçou a Palavra em seus últimos instantes de vida há de se frisar que ele viveu o que pregou, mesmo que por poucos instantes. Defendeu a sua fé, testemunhou a messianidade de Jesus e confiou cegamente na promessa recebida: “hoje mesmo estarás comigo”. Foi bonito ver aquele homem virando sua cabeça para o meio para confessar sua fé em Jesus, mas seria inaceitável ele virar para os lados praguejar ou agir contrário ao que estava pregando com sua vida. Ele aceitou e acolheu o que estava vendo e ouvindo e isto mudou a sua vida de uma hora para outra.

3. PERSEVERE OUVINDO E AGINDO (V.25). 
Tiago conclui este ponto da epístola da seguinte maneira: Quem é cuidadoso para com a lei, nela persevera; não apenas ouvindo-a negligentemente, mas praticando-a zelosamente. Felicidade plena em tudo é a promessa para quem ousa viver o Evangelho cônscio das implicações espirituais e das consequências materiais. Alguém, um dia, disse que os evangélicos são poderosos no discurso, mas fracos na prática do mesmo discurso. Falamos, mas não vivemos! Precisamos analisar nossa vida em amor e sinceridade. Entremos na presença de Deus com o rosto descoberto, coração rasgado e alma despida. No tempo em que vivemos não dá para passar despercebidos na dissimulação, ou seja, fingindo ser algo que na verdade não somos.

“Quem é cuidadoso para com a lei, nela persevera; não apenas ouvindo-a negligentemente, mas praticando-a” independente do lugar onde esteja. A reação do publico presente não intimidou aquele homem que abraçara a fé nos últimos instantes de vida, tampouco seus conhecidos ou familiares, casos estiveram presentes, os desprezaram ou maldizeram pela sua súbita mudança de comportamento. Ele falou e viveu o seu discurso, confessou publicamente sua fé e seus pecados e aguardou ansioso o cumprimento do que lhe fora prometido. “Rosto descoberto, coração rasgado e alma despida”, que situação mais agradável para se entrar na presença de Deus.

III. A RELIGIÃO PURA E VERDADEIRA (Tg 1.26,27)
1. A FALSA RELIGIOSIDADE. 
Apesar de algumas pessoas se considerarem religiosas por frequentarem um templo, as Escrituras revelam o significado da verdadeira religião. Ela reprova todo o ativismo religioso feito em “nome de Deus”, mas em detrimento do próximo. Aqui, a língua do crente tem um papel importante. Tiago diz que é possível enganar o próprio coração quando deixamos de refrear a nossa língua. Ora, o coração é a sede dos desejos, dos sentimentos e das vontades. E a boca só fala daquilo que o coração está cheio (Mt 12.34). É incompatível com o Evangelho, viver a graça de Deus sem mergulhar no Reino dEle. Quem não se entrega inteiramente ao Senhor pratica uma religião vã e falsa. Não podemos ser como a pessoa capaz de fazer uma belíssima oração por um faminto, e depois despedi-lo sem lhe dar um único grão de arroz.

Estamos diante da cruz, batendo em nossos peitos e orgulhosos por pertencermos à instituições centenárias ou pioneiras na pregação do Evangelho. A tudo isto, devemos o nosso respeito e agradecimento, ainda mais quando resgatamos no tempo as dificuldades vividas pelos fundadores, missionários ou simpatizantes, pois não se dispuseram de aparatos tecnológicos ou de comunicação em massa para alcançarem seus membros e controlarem as igrejas que foram abertas por este Brasil afora, especificamente.

Muitos morreram empunhando a bandeira do Evangelho, pregando e cumprindo o “ide” e proporcionando a muitos a possibilidade de experimentarem uma mudança de vida. Não temos relatos de pregadores empunhando armas, dirigindo tanques, conectando explosivos em seus corpos para defenderem a fé e tampouco usaram o nome de Deus para justificarem seus atos.

2. A VERDADEIRA RELIGIÃO (V.27). 
A religião pura, santa e imaculada, de acordo com o autor sacro, é suprir a necessidade do próximo: “Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações”. O problema hoje é que a nossa atenção, quase sempre, está voltada para o prazer pessoal. Temos os olhos fechados para os necessitados que na maioria das vezes cultuam a Deus, assentados, ao nosso lado. Lembremo-nos da vida de Jesus Cristo! Ele não apenas olhou para os marginalizados, mas foi até eles e os acolheu em amor (Mt 25.35-45). A religião que agrada a Deus é aquela cujos discípulos professam e bendizem o seu nome, visitando e acolhendo os necessitados nas aflições.

Jesus assombrou o mundo dos ambiciosos, preconceituosos e falsos religiosos. Ele conversou com a escória da época, abraçou os excluídos, sentou com os marginalizados, procurou os que realmente se sentiam desprotegidos. Não privilegiou os grandes, ricos e poderosos. Os que o procuraram foram atendidos. O Rei dos reis não frequentou palácios, banquetes, festas bombásticas, não foi convidado para grandes inaugurações, não presenciou construções monumentais e faraônicas, aliás, Ele não esteve frente a frente com réplicas de templos, o que viu foi réplicas e projetos falidos de homens que se julgavam religiosos.

3. GUARDANDO-SE DA CORRUPÇÃO (V.27). 
Além de recomendar a obrigatoriedade de visitarmos os órfãos e as viúvas, a Epístola de Tiago menciona outro aspecto da verdadeira religião: guardar-se da corrupção do mundo. A religião falsa está mergulhada no egoísmo, na corrupção e nos interesses maléficos do sistema pecaminoso. A igreja deve manter-se longe da corrupção. Estamos no mundo, mas não fazemos parte do seu sistema! O Evangelho nada tem com os seus valores e preceitos. Portanto, não flerte com o modo corrupto de viver do mundo (Tg 4.4). Amemos e desejemos o Evangelho de todo o nosso coração.

Mesmo gerados pela Palavra da verdade estamos diante da corrupção humana e caso não tenhamos os devidos cuidados fatalmente seremos tragados por ela. Ananias e Safira, dois exemplos de bons crentes na igreja primitiva, deixaram-se corromper e tiveram arcaram com as respectivas consequências, portanto o fato do abraço da fé não nos exime da corrupção mundana, para isto é necessário a vigilância.

CONCLUSÃO
Nessa semana aprendemos sobre o cuidado que devemos ter com o ouvir e o falar. Estudamos também acerca da religião pura e imaculada que alegra a Deus: visitar os órfãos e as viúvas nas tribulações e guardarmo-nos da corrupção do mundo. Que os nossos ouvidos estejam prontos para ouvir, a nossa língua para falar sabiamente e a nossa vida para praticar tudo quanto aprendemos do Evangelho. Embora estejamos em um mundo turbulento, devemos exalar o bom perfume de Cristo por onde formos (2Co 2.15).
  
OBJETIVOS DA LIÇÃO – FORAM ALCANÇADOS?
      Sábios: sempre prontos para ouvir e tardios para falar.
      Não podemos dizer uma coisa e fazer outra;
      Verdadeira religião: atenção e socorro aos necessitados.

REFERÊNCIAS
Bíblia de estudo aplicação pessoal. CPAD, 2003.

Bíblia de Estudo Temas em Concordância. Nova Versão Internacional (NVI). Rio de Janeiro. Editora Central Gospel, 2008.

Bíblia Sagrada. Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000.

Bíblia Sagrada – Harpa Cristã. Barueri, SP. Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro. Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2003.


Por: Ailton da Silva - Ano VI (desde 2009)