quinta-feira, 7 de agosto de 2014
terça-feira, 5 de agosto de 2014
Pré-aula_Lição 6: A verdadeira fé não faz acepção de pessoas
Por: Ailton da Silva - Ano VI (desde 2009)
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
sábado, 2 de agosto de 2014
Neemias: como sair do anonimato? Capítulo 2
CAPÍTULO 2
COMO ABALAR A ESTRUTURA DE UM LÍDER?
1. QUEM FOI NEEMIAS:
Realmente não foi fácil a vida
daqueles que estavam na cidade, o pior era que não faziam nada para mudarem
aquele quadro caótico. Houve necessidade que Deus levantasse outro homem de
fora, de longe, pois os poucos e desanimados moradores (de dentro) não
perceberam que o conformismo e o comodismo tiravam deles o controle da
situação.
Neemias, servindo a corte persa, não tinha
obrigação de demonstrar tanta preocupação com Jerusalém. Mesmo depois de
conhecer a situação da cidade não haveria necessidade do desabafo com o rei
Artaxerxes, a não ser que sentisse em seu coração um chamado muito forte.
Foi filho de Hacalias, irmão de Hanani (Ne 1.1; 7.2). Ardeu
em seu coração o desejo de ajudar o povo que estava em grande desprezo e
miséria. Mesmo diante de sua ocupação no palácio real reservou um tempo para
ouvir de seu irmão um relato sobre a cidade, que sequer conhecia.
Serviu ao rei
Artaxerxe I, na corte persa, como copeiro, em meio ao luxo, facilmente se
iludiria com o sistema politeísta medo-persa, mas nunca se deixou corromper
pelas ofertas ou práticas pagãs. O ponto crucial de sua vida, o divisor de
águas foi a sua empatia e preocupação com a cidade de Davi, outros em sua
posição, jamais desprezariam suas funções na corte para viajar e auxiliar um
povo, que não mexia um dedo, sequer para mudar a sua própria situação.
Não era um general, um engenheiro,
construtor de grande porte, diplomata, mas possuía qualidades tais, pois no
decorrer da obra enfrentou perigos, inimigos, dificuldades, oposição de
estrangeiro e outras situações. Sentiu a chamada de Deus em sua vida quando
ouviu o catastrófico diagnóstico da cidade. No seu entendimento ainda havia
solução?
A distância entre Susã, a fortaleza (Et 1.2) e Jerusalém,
cerca de 1600 km ,
não foi obstáculo para que cumprisse o que havia colocado no coração. A
alegria, vitória, dores e problemas do povo também seriam seus. Mesmo tendo
pouco conhecimento sobre a cidade, seguiu viagem.
O único que poderia impedir sua viagem seria o próprio rei,
pois seria difícil encontrar outro homem em que pudesse depositar tamanha
confiança, mas ele foi o primeiro gentio que ouviu as lamentações de Neemias e
desde o inicio o incentivou que fosse a realizar o que Deus havia colocado em
seu coração. Em nenhum momento duvidou, imaginou ou insinuou que a viagem
tivesse outro interesse que não o apresentado por Neemias. O rei permitiu a
viagem e lhe deu as cartas necessárias.
A reconstrução da cidade poderia ser uma
realidade distante e inatingível ou não, pois já estavam trabalhando neste
intento, inclusive o Templo estava reerguido, mas o principal era atentarem para
os muros ao redor, que deveriam ser reconstruídos imediatamente, pois de nada
adiantaria investirem na cidade e esquecerem da proteção. Ele sabia que toda a
tradição, história, cultura, religiosidade dos judeus dependia daquela cidade.
a) Missão de Hanani:
abalar a estrutura do futuro líder:
Certamente Neemias esperava ouvir de Hanani boas notícias
sobre a cidade, pois já era tempo da reconstrução estar a pleno vapor, mas o
que ouviu o deixou triste e receoso pelo futuro da nação. Esta conversa selou o
chamado daquele homem, a partir daquele momento nunca mais foi o mesmo. Era a
oportunidade que fazer algo para Deus. Alguém poderia condenar Hanani por ter
ido tão distante para entregar noticias tão ruins.
2. ORAÇÃO – CONFIRMAÇÃO DA CHAMADA:
Neemias
teria sucesso sem oração? A sua comoção pela situação da cidade, após receber a
noticia foi o combustível que o impulsionou a clamar em favor da cidade e para
receber de Deus a confirmação de sua chamada (1.4-11). Se não tivesse orado em
favor da cidade certamente teria somente lamentado toda aquela situação e não
teria ido a lugar algum.
Cerca
de quatro meses de oração (1.1; 2.1 – quisleu à nisã do 20º ano do rei
Artaxerxes, lembrando que o ano judaico dá-se no mês de Tishrei), e então
sentiu forças para solicitar ao rei a permissão para sua viagem. A obra da
reconstrução do muro e das portas foi concluída em exatos 52 dias, praticamente
a metade do tempo em que ele ficou em oração (6.15)
Um
líder, que negligencia o momento de oração, se torna presa fácil para o
inimigo. Decisões erradas, precipitadas ou tendenciosas são consequências da
falta de oração e vigilância.
3. INÍCIO DO MINISTÉRIO DE NEEMIAS:
Neemias deixou sua função e o conforto no palácio e “pela fé,
recusou a ser chamado copeiro do rei”, antes preferiu conhecer in loco a situação e sofrimento de seu
povo (repetição da história?). Jerusalém sem muro não tinha proteção contra os
seus inimigos, contra falsos profetas, heresias, falsos ensinos. A preocupação
dele era muito mais do que somente com a aparência e estética da cidade.
Quando Neemias ouviu o relato de que os muros estavam
derribados e fendidos, o seu coração ardeu. Como o povo não atentava para este
detalhe? De que adiantava a urgente reconstrução do Templo, o resgate da fé
monoteísta e práticas agradáveis a Deus se estavam completamente desprotegidos?
O primeiro inimigo que se levantasse seria capaz de invadir e destruir tudo
novamente. Haveria fé e animo suficientes para outros mutirões? E o que dizer
de ladrões, salteadores, doenças, enganadores que tinham livre trânsito?
a) Oração de um verdadeiro
líder:
- Reconheceu a autoridade de Deus (1.5);
- Confessou os pecados e intercedeu pelo povo (1.6);
- Fez menção de Moisés (promessas e advertências–1.7);
- Mencionou o compromisso de Deus com Israel (1.9);
- Se colocou em favor dos judeus;
- Foi persistente, fervoroso, específico e direto.
b) A necessidade dos muros:
- Os discípulos, quando foram chamados por Jesus, largaram tudo para seguirem o Mestre ou continuaram em suas praticas mundanas e trabalhos? Que conhecimento ou proteção teriam se não tivesse sido reconstruído em suas vidas o muro? Facilmente retornariam ao desprezo e miséria de antes;
- O que teria acontecido com os discípulos se o barco tivesse se rompido durante a clássica tempestade acalmada por Jesus? As ondas açoitavam o barco constantemente (Mc 4.37) e não atacava propriamente e primariamente os homens a bordo. O ataque primeiro foi contra o barco. Eles seriam mortos quando o barco fosse destruído. Povo no mar sem barco são presas fáceis e o que dizer da cidade na terra sem muros?
- E todos os dias Jesus acrescentava à igreja aqueles que se haviam de salvar (At 2.47). O intuito era reuni-los para protegê-los do mal e do ataque do inimigo.
Neemias, de princípio, não tinha autoridade e experiência
para reunir grandes exércitos ou um número elevado de trabalhadores, tampouco
condições para levantar e guiar os judeus de volta para Jerusalém, mas foi
capacitado por Deus.
O primeiro sentimento que nasceu em seu coração foi o desejo
de retorno para trabalhar e não o de se intitular salvador da pátria judaica, o
grande general responsável pela reconstrução, mas isto somente aconteceu porque
após ouvir as noticias a sua primeira atitude foi se colocar diante de Deus em oração. Que caminho
seguir? Condições para sensibilizar o povo e reuni-los seria humanamente
impossível? Se os que estavam morando na cidade não faziam nada imaginem então
os que estavam em uma zona de conforto e tranqüilidade, mesmo servindo outro
império? Prova disto é que muitos não voltaram quando foram autorizados.
Uma atitude simples (Ne 1.4), mas necessária, pois o primeiro
passo seria receber de Deus a confirmação para que não agisse somente por
emoção. Após esta oração apresentou diante do rei que percebeu a tristeza do seu
servo e ouviu as suas lamentações sobre a cidade. Naquele momento Neemias
transpassou a primeira barreira de sua nova carreira. Recebeu o aval, a
confirmação para sua empreitada.
O início do ministério de Neemias foi baseado em uma das mais
significativas orações registradas na Bíblia. Oração reverente, adorando a
Deus, atribuindo-lhe todo o poder, reconhecendo a autoridade, fazendo menção do
compromisso estabelecido com seu povo, confessando os pecados de todos os
envolvidos na historia e intercedendo por eles.
Neemias
intercedeu pelo povo, colocando-se na brecha em favor deles, mesmo que não
conhecesse boa parte de sua linhagem. Desde o principio, quando ouviu os
relatos de seu irmão, sentiu as dores e a aflição da cidade. Chorou, lamentou,
orou e jejuou vários dias, persistente, fervoroso e foi bem específico e
direto, pois não rodeou, já foi apresentando a Deus o pecado dele e do povo (Ne
1.7).
Neemias
poderia até ter imaginado que não seria fácil o rei permitir sua viagem a
Jerusalém, mas através de sua oração contemplou o trabalhar de Deus, viu cair
por terra o medo, pois não somente teve o seu pedido atendido como também foi
confortado (Sl 33.12).
Ele
não tomou atitudes precipitadas. Precisava de confirmação e autorização do rei
para que fizesse o que Deus havia colocado em seu coração. Não abandonou o
palácio, não solicitou autorização do rei antes da oração, pois não queria se
adiantar ao processo. Em sua mente tudo seria direcionado conforme a vontade de
Deus. Em nenhum momento acusou ou culpou o povo pelos seus pecados,
simplesmente confessou.
4. COMENTÁRIOS ADICIONAIS:
- Notícias de Hanani: povo caído, sacerdotes distantes de Deus, cidade em ruínas, É O FIM DO MUNDO;
- José acordou prisioneiro e dormiu governador, enquanto que Neemias acordou copeiro e dormiu como governador;
- As lamentações de Neemias;
- Qual império, da época, desejava Jerusalém? Ninguém queria mais, nem mesmos os moradores;
- Durante a viagem ele foi refletindo sobre as suas primeiras atitudes e como encontraria a cidade. Teria que apresentar a vitória, pois a derrota eles já conheciam;
- Dentre os moradores de Jerusalém havia muitos que possuíam as mesmas forças e idéias de Neemias, mas nenhum tomou atitude. O que faltou? Chamada, liderança, dom ministerial?
- Hanani plantou a semente, a raiz cresceu (para baixo) e agora o crescimento seria com Deus;
- Neemias conseguiu fazer com que o rei mudasse um decreto real, nem mesmo Daniel conseguiu. Teve que ir para a fornalha de fogo. A obra havia sido paralisada e foi retomada;
- Tríplice função de Neemias: trabalhar, motivar o povo e vigiar.
O ladrão da cruz convertido
O ladrão convertido da cruz que pregou o que viveu, apenas alguns momentos de sua vida. Sua fala foi usado para o progresso do reino. Vejam:
- Imaginemos a reação do público presente no evento. Todos estavam de boca aberta presenciando a transformação radical pela qual aquele homem estava passando, ali bem diante dos olhos de todos.
Em pouco minutos ele viveu o que pregou com a sua fala.
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
O cuidado ao falar e a religião pura. Plano de aula
TEXTO ÁUREO
“[...] Mas todo
o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar” (Tg
1.19).
VERDADE PRÁTICA
As nossas palavras podem, ou não, evidenciar a sabedoria de Deus.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
– Tg 1.19-27.
19 - Sabeis isto, meus amados irmãos; mas todo o homem seja pronto para
ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.
20 - Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus.
21 - Pelo que, rejeitando toda a imundícia e acúmulo de malícia, recebei
com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar a vossa alma.
22 - E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos
com falsos discursos.
23 - Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante
ao varão que contempla ao espelho o seu rosto natural;
24 - Porque se contempla a si mesmo, e foi-se, e logo se esqueceu de como
era.
25 - Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e
nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal
será bem-aventurado no seu feito.
26 - Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua,
antes engana o seu coração, a religião desse é vã.
27 - A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os
órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.
PROPOSTA
•
Ouvir:
muito trabalhoso, por isto alguns ignoram;
•
Quem
ouve com atenção adquire a capacidade de opinar;
•
Não
somos proibidos de indignarmos contra as injustiças;
•
A
Palavra de Deus é o guia maior para o crente;
•
Não
pode haver incoerência entre o “dizer e o fazer”;
•
“Falamos,
mas não vivemos”;
•
A
verdadeira religião reprova o ativismo religioso;
•
Verdadeira
religião: visitar os órfãos e as viúvas;
•
A
falsa religião está mergulhada no egoísmo e corrupção.
INTRODUÇÃO
Na lição dessa semana vamos estudar a maneira adequada de o crente
usar um instrumento maravilhoso, mas ao mesmo tempo, potencialmente perigoso: a
fala. Este assunto está interligado à temática da verdadeira religião que
agrada a Deus. O fenômeno da fala é uma das fontes de expressão do pensamento
humano, como também é responsável pelo processo de comunicação e de formação da
identidade cultural de uma sociedade. As pessoas querem falar às outras aquilo
que pensam. O crente, todavia, tem o compromisso de não apenas falar o que
pensa, mas agir como propõe o Evangelho.
Pronto, falei! A expressão em moda em nosso meio. Somos prontos a falar
e tardios ao extremo para ouvir. A comunicação é o meio pelo qual conseguimos atingir
o nosso maior objetivo, o carro chefe de nossa carreira espiritual, o
cumprimento da grande Comissão. Pela fala podemos obter sucesso como também
podemos colocar tudo a perder no que diz respeito ao alcance daqueles que ainda
não abraçaram a fé verdadeira.
Apesar de que o comentarista da lição deixa claro que o ouvir é mais
trabalhoso, por outro lado penso que é mais prático ouvir do que falar, pois o
falar, sim, dá um trabalho tremendo. Temos que escolher as palavras, entrar no
assunto, se inteirarmos do que está sendo tratado, realmente é muito trabalhoso
falarmos, é melhor ouvirmos, mas a humanidade não está nem um pouco preocupada
com o trabalho, por isto o número de “falantes” é muito maior que o de
“ouvintes”.
I. PRONTO
PARA OUVIR E TARDIO PARA FALAR (Tg 1.19,20)
1. PRONTO PARA OUVIR.
Para alguns crentes, a pessoa sábia é a que sempre tem algo a falar.
Ouvir é um empreendimento trabalhoso e, por isso, ignorado por muitos.
Diferentemente, as Escrituras admoestam-nos a ser prontos para ouvir. No
versículo 19, Tiago introduz o seu ensino sobre o “ouvir” e o “falar”
destacando a expressão sabei isto. Com essa expressão, ele
demonstra a sua preocupação pastoral com os seus leitores. Outro termo no
versículo 19 chama-nos a atenção: pronto. No grego, a palavra significa
“rápido”, “ligeiro” e “veloz”. Ali, o escritor sacro incentiva-nos a estar
disponíveis a ouvir. É uma atitude que depende de uma disposição e também da
decisão em ouvir o outro. A exemplo do profeta Samuel, que desde a sua infância
foi ensinado a ouvir a voz divina (1Sm 3.10; 16.6-13), o povo de Deus deve
persistir em escutar os desígnios do Pai, pois nesses últimos dias tem Ele
falado através do seu Filho, o Verbo Vivo de Deus (Hb 1.1; cf. Jo 1.1).
Ouvir se torna uma arte, para poucos privilegiados, aliás, estes se
tornam profundos pensadores, que prestam atenção em tudo e em todos, avaliando
e colhendo os frutos no futuro desta qualidade, ao contrário, daqueles que
falam pelos cotovelos, que vivem saindo e entrando de situações desagradáveis, justamente
por falarem sem medida. Já dizia o sábio Salomão: “o que, passando, se mete em
questão alheia é como aquele que toma um cão pelas orelhas” (Pv 26.17).
2. TARDIO PARA FALAR.
Quem ouve com atenção adquire a rara capacidade de opinar acerca de
qualquer assunto. É justamente por isso que a Carta de Tiago exorta-nos a ser tardios
para falar (v.19). Uma
palavra dita sem pensar, fora de tempo, e sem conhecimento dos fatos, pode
provocar verdadeiras tragédias. Quem nunca se arrependeu de ter falado antes de
pensar? Diante de Faraó, o imperador do Egito Antigo, o patriarca José
aproveitou sabiamente um momento ímpar em sua vida. Antes de responder às
perguntas sobre os sonhos do monarca, José as ouviu e refletiu sobre elas. Em
seguida, orientado pelo Senhor, respondeu sabiamente Faraó (Gn 41.16). Temos de
aprender a refletir sobre o que vamos dizer e falar no tempo certo. Pese bem as
palavras, e ore como o rei Davi: “Põe, ó SENHOR, uma guarda à minha boca;
guarda a porta dos meus lábios” (Sl 141.3).
Aqueles
que ouvem com frequência e com certa qualidade adquirem qualidades que os
diferem dos demais, por isto, diante de situações desesperadoras, certamente
eles terão as atitudes corretas, já estudas previamente, tal como José, que
diante de Faraó ficou primeiramente ouvindo com atenção o relato dele acerca de
seus sonhos (Gn 41.17-24). Quantas bênçãos e oportunidade José teria perdido
caso tivesse interrompido o governante com palavras de maldição tipo: “o senhor
pagará por cada erro, Deus cobrará, por isto Ele avisou”, ao contrário ele
ficou ouvindo e pedindo orientação para que interpretasse corretamente.
Por falar
em arrependimento por falar sem pensar, não tem como não nos lembrarmos da
sedição de Miriã e Arão já em pleno deserto. Falaram sem pensar e colheram os
resultados (Nm 12.1-15).
3. CONTROLE A SUA IRA.
Uma terceira admoestação encontrada no versículo 19 da carta de
Tiago expressa o seguinte: tardio para se irar. A ira é um
profundo sentimento de ódio e rancor contra a outra pessoa. Uma vez
descontrolada, ela não produz a justiça de Deus, mas uma justiça segundo o
critério da pessoa que sofreu o dano: a vingança. A Palavra de Deus não proíbe
o crente de ficar indignado contra a injustiça (Is 58.1,7; Lc 19.45). Contudo,
ao mesmo tempo, a Bíblia estabelece limites para o nosso temperamento não se
achar irrefletido, descontrolado, deixando-nos impulsivamente irados (Ef 4.26;
Pv 17.27). O cristão, templo do Espírito Santo, tem de levar a sua mente cativa
a Cristo (2Co 10.5) e manifestar o fruto do Santo Espírito: o domínio próprio
(Gl 5.22 — ARA). Fuja da
aparência do mal. Tenha autocontrole.
“Tardio para irar-se”, uma expressão
pouco usual e tão difícil para se colocar em prática nos dias atuais. Por
qualquer motivo estouramos, manifestamos a nossa ira em atos contrários aos
apresentados pela Palavra. O que não dizer da ira incontrolável de Saul ao
tomar ciência da reprovação de seu reinado? Pior reação ele teve quando soube
que o outro era segundo o coração de Deus (1 Sm 13.13-14). Ele foi tomado por uma
ira incontrolável, mas ficou quietinho ouvindo a repreensão do profeta Samuel,
até tardou para falar ou justificar, somente não foi capaz de controlar sua
ira.
II.
PRATICANTE E NÃO APENAS OUVINTE DA PALAVRA (Tg 1.21-25)
1. ENXERTAI-VOS DA PALAVRA (V.21).
A Palavra de Deus é o guia maior do crente. E para que a Palavra
atinja efetivamente o coração do servo de Deus, este precisa acolhê-la com
pureza e sinceridade. Isto é, firmar uma posição radical rejeitando toda a
imundícia e a malícia mundana (v.19); recebendo o Evangelho com mansidão e
sobriedade. Leia os Evangelhos! Persiga em conhecer a mensagem divina de Cristo
Jesus, mas, igualmente, abra o coração para ouvir a voz do Senhor.
Quando um
não quer, dois não brigam. Quando o homem não quer, não deseja e não permite, a
Palavra não soa no seu coração com todos os seus efeitos benéficos. O ladrão ao
lado de Jesus no Calvário, que independente dos argumentos de sua condenação,
ouviu e aceitou de bom grado o que ouviu naquele dia do Salvador, bem diferente
de seu companheiro de cruz, que viu e ouviu o mesmo, mas que não demonstrou a
mesma receptividade. Portanto devemos acolher a Palavra com sinceridade e
pureza, para então, de forma radical rejeitarmos toda imundícia e a malicia
mundana.
2. PRATICAI A PALAVRA (VV.22-24).
O escritor sacro não tem interesse em que o leitor da epístola
apenas acolha a Palavra no coração, antes deseja que o crente a pratique
(v.22). Não pode haver incoerência entre o que se “diz” e o que se “faz” para
quem é discípulo de Jesus. Se amar a Deus e ao próximo são os maiores dos
mandamentos, então, devemos porfiar em vivê-los. Quem acolhe a Palavra rejeita
tudo o que é imundo, maligno, perverso, injusto, dissimulado, insincero. Não
apenas isso, mas igualmente abre a porta do coração para “tudo o que é
verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o
que é amável, tudo o que é de boa fama” (Fp 4.8). Do contrário, seremos
identificados com o homem que contempla a própria imagem no espelho e depois se
retira esquecendo-se completamente dela. Há pessoas que olham para o Evangelho
e ouvem, mas sem memória e perseverança, não dão nenhuma resposta ou sequência
ao chamado de Jesus Cristo (vv.23,24). Deus nos livre desse engodo!
Voltando
ainda ao caso do ladrão que abraçou a Palavra em seus últimos instantes de vida
há de se frisar que ele viveu o que pregou, mesmo que por poucos instantes.
Defendeu a sua fé, testemunhou a messianidade de Jesus e confiou cegamente na
promessa recebida: “hoje mesmo estarás comigo”. Foi bonito ver aquele homem
virando sua cabeça para o meio para confessar sua fé em Jesus, mas seria
inaceitável ele virar para os lados praguejar ou agir contrário ao que estava
pregando com sua vida. Ele aceitou e acolheu o que estava vendo e ouvindo e
isto mudou a sua vida de uma hora para outra.
3. PERSEVERE OUVINDO E AGINDO (V.25).
Tiago conclui este ponto da epístola da seguinte maneira: Quem é
cuidadoso para com a lei, nela persevera; não apenas ouvindo-a negligentemente,
mas praticando-a zelosamente. Felicidade plena em tudo é a promessa para quem
ousa viver o Evangelho cônscio das implicações espirituais e das consequências
materiais. Alguém, um dia, disse que os evangélicos são poderosos no discurso,
mas fracos na prática do mesmo discurso. Falamos, mas não vivemos! Precisamos
analisar nossa vida em amor e sinceridade. Entremos na presença de Deus com o
rosto descoberto, coração rasgado e alma despida. No tempo em que vivemos não
dá para passar despercebidos na dissimulação, ou seja, fingindo ser algo que na
verdade não somos.
“Quem é cuidadoso para com a lei,
nela persevera; não apenas ouvindo-a negligentemente, mas praticando-a”
independente do lugar onde esteja. A reação do publico presente não intimidou
aquele homem que abraçara a fé nos últimos instantes de vida, tampouco seus
conhecidos ou familiares, casos estiveram presentes, os desprezaram ou
maldizeram pela sua súbita mudança de comportamento. Ele falou e viveu o seu
discurso, confessou publicamente sua fé e seus pecados e aguardou ansioso o
cumprimento do que lhe fora prometido. “Rosto descoberto, coração rasgado e
alma despida”, que situação mais agradável para se entrar na presença de Deus.
III. A
RELIGIÃO PURA E VERDADEIRA (Tg 1.26,27)
1. A FALSA RELIGIOSIDADE.
Apesar de algumas pessoas se considerarem religiosas por
frequentarem um templo, as Escrituras revelam o significado da verdadeira
religião. Ela reprova todo o ativismo religioso feito em “nome de Deus”, mas em
detrimento do próximo. Aqui, a língua do crente tem um papel importante. Tiago
diz que é possível enganar o próprio coração quando deixamos de refrear a nossa
língua. Ora, o coração é a sede dos desejos, dos sentimentos e das vontades. E
a boca só fala daquilo que o coração está cheio (Mt 12.34). É incompatível com
o Evangelho, viver a graça de Deus sem mergulhar no Reino dEle. Quem não se
entrega inteiramente ao Senhor pratica uma religião vã e falsa. Não podemos ser
como a pessoa capaz de fazer uma belíssima oração por um faminto, e depois
despedi-lo sem lhe dar um único grão de arroz.
Estamos diante da cruz, batendo em
nossos peitos e orgulhosos por pertencermos à instituições centenárias ou
pioneiras na pregação do Evangelho. A tudo isto, devemos o nosso respeito e
agradecimento, ainda mais quando resgatamos no tempo as dificuldades vividas
pelos fundadores, missionários ou simpatizantes, pois não se dispuseram de
aparatos tecnológicos ou de comunicação em massa para alcançarem seus membros e
controlarem as igrejas que foram abertas por este Brasil afora,
especificamente.
Muitos morreram empunhando a
bandeira do Evangelho, pregando e cumprindo o “ide” e proporcionando a muitos a
possibilidade de experimentarem uma mudança de vida. Não temos relatos de
pregadores empunhando armas, dirigindo tanques, conectando explosivos em seus
corpos para defenderem a fé e tampouco usaram o nome de Deus para justificarem
seus atos.
2. A VERDADEIRA RELIGIÃO (V.27).
A religião pura, santa e imaculada, de acordo com o autor sacro, é
suprir a necessidade do próximo: “Visitar os órfãos e as viúvas nas suas
tribulações”. O problema hoje é que a nossa atenção, quase sempre, está voltada
para o prazer pessoal. Temos os olhos fechados para os necessitados que na
maioria das vezes cultuam a Deus, assentados, ao nosso lado. Lembremo-nos da
vida de Jesus Cristo! Ele não apenas olhou para os marginalizados, mas foi até
eles e os acolheu em amor (Mt 25.35-45). A religião que agrada a Deus é aquela
cujos discípulos professam e bendizem o seu nome, visitando e acolhendo os
necessitados nas aflições.
Jesus
assombrou o mundo dos ambiciosos, preconceituosos e falsos religiosos. Ele
conversou com a escória da época, abraçou os excluídos, sentou com os
marginalizados, procurou os que realmente se sentiam desprotegidos. Não
privilegiou os grandes, ricos e poderosos. Os que o procuraram foram atendidos.
O Rei dos reis não frequentou palácios, banquetes, festas bombásticas, não foi
convidado para grandes inaugurações, não presenciou construções monumentais e
faraônicas, aliás, Ele não esteve frente a frente com réplicas de templos, o
que viu foi réplicas e projetos falidos de homens que se julgavam religiosos.
3. GUARDANDO-SE DA CORRUPÇÃO (V.27).
Além de recomendar a obrigatoriedade de visitarmos os órfãos e as
viúvas, a Epístola de Tiago menciona outro aspecto da verdadeira religião:
guardar-se da corrupção do mundo. A religião falsa está mergulhada no egoísmo,
na corrupção e nos interesses maléficos do sistema pecaminoso. A igreja deve
manter-se longe da corrupção. Estamos no mundo, mas não fazemos parte do seu
sistema! O Evangelho nada tem com os seus valores e preceitos. Portanto, não
flerte com o modo corrupto de viver do mundo (Tg 4.4). Amemos e desejemos o
Evangelho de todo o nosso coração.
Mesmo gerados pela Palavra da
verdade estamos diante da corrupção humana e caso não tenhamos os devidos
cuidados fatalmente seremos tragados por ela. Ananias e Safira, dois exemplos
de bons crentes na igreja primitiva, deixaram-se corromper e tiveram arcaram
com as respectivas consequências, portanto o fato do abraço da fé não nos exime
da corrupção mundana, para isto é necessário a vigilância.
CONCLUSÃO
Nessa semana aprendemos sobre o cuidado que devemos ter com o ouvir
e o falar. Estudamos também acerca da religião pura e imaculada que alegra a
Deus: visitar os órfãos e as viúvas nas tribulações e guardarmo-nos da
corrupção do mundo. Que os nossos ouvidos estejam prontos para ouvir, a nossa
língua para falar sabiamente e a nossa vida para praticar tudo quanto
aprendemos do Evangelho. Embora estejamos em um mundo turbulento, devemos
exalar o bom perfume de Cristo por onde formos (2Co 2.15).
OBJETIVOS DA LIÇÃO – FORAM ALCANÇADOS?
• Sábios: sempre prontos para ouvir e
tardios para falar.
• Não podemos dizer uma coisa e fazer outra;
• Verdadeira religião: atenção e socorro aos
necessitados.
REFERÊNCIAS
Bíblia de estudo aplicação pessoal.
CPAD, 2003.
Bíblia de Estudo Temas em Concordância. Nova Versão
Internacional (NVI). Rio de Janeiro. Editora Central Gospel, 2008.
Bíblia Sagrada. Nova tradução na linguagem
de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000.
Bíblia Sagrada – Harpa Cristã. Barueri,
SP. Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro. Casa Publicadora das
Assembleias de Deus, 2003.
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