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terça-feira, 5 de outubro de 2021

Escatologia - aula 2

IV – DOUTRINAS ESCATOLÓGICAS

1) DISPENSAÇÕES

Dispensação é um período de tempo, longo ou curto, pelo qual Deus prova a humanidade. É método mais antigo de estudar a Palavra de Deus. Cada dispensação é dado ao homem uma prova ou responsabilidade específica e cada uma termina com fracasso humano e juízo correspondente.                

“Distinga as épocas e as Escrituras se harmonizam” (Agostinho) 

Trata-se de ações de Deus na história em diferentes períodos que são por Ele administrados em bases diferentes e envolve uma interpretação literal da Escritura, uma distinção entre Israel e a Igreja. 

"O termo faz referência à mordomia ou à administração de tarefas. No sistema teológico refere-se a um período de tempo no qual Deus lida com a raça humana de um modo distinto" (I Co 9.17; Ef 1.10; 3.2,9; Cl 1.25; Lc 16.2-4). Isso aponta para a presença de Deus, que guia os atos pessoais e os acontecimentos históricos, com suas revelações, intervenções, recompensas, castigos e instruções e também aponta para as provisões divinas quanto à própria natureza, sustentando-a e guiando-a (Rm .17; 11.36; Cl 1.16).

a) Inocência

  • Destaques: Adão e Eva (positivo no início, negativo depois);
  • Propósitos: Povoar e subjugar a Terra, para o proveito humano. Ter domínio sobre a criação animal. Zelar o jardim. Comer ervas e frutas. Abster-se de comer da árvore da ciência do bem e do mal;
  • Circunstâncias favoráveis: Não tinham conhecimento do pecado. Não tinham doenças. Tinham perfeita liberdade. Escolhiam qualquer coisa para comer. Não havia trabalhos forçados. Não tinham inimigos. Tinham vida espiritual. Tinham domínio sobre toda a criação;
  • Início, término e duração: Iniciou-se no Jardim do Éden (Gn 2.7 a 3.24) com a criação e terminou com a expulsão do homem. Sua duração é indefinida;
  • Elemento estranho: Satanás, cujo desejo era introduzir confusão no ambiente de paz. O ardil usado foi a "Dúvida" que conseguiu introduzir na mente da mulher, por meio de insinuação muito disfarçada;
  • Fracasso: Foram vencidos pelo desejo da carne, pelo desejo dos olhos e pela vanglória da vida (1 Jo 2.16; Gn 3.6; 1 Tm 2.13-14). Adão que foi constituído como chefe da criação, se sujeitou a Satanás. O homem viu, cobiçou, tomou, escondeu, transmitiu e morreu;
  • Juízo: Maldição para a criação e para a Terra (espinhos, cardos, frio, calor). Suor para conseguir o pão (para o homem) e dores ao conceber filhos e submissão da mulher ao marido. Mortes (física, espiritual e eterna). Expulsão do paraíso;
  • Situação do homem após o fracasso: Conhecimento do mal. A perda da comunhão com Deus. Separação de Cristo. O espírito do homem ficou em estado de morte. A perversão da natureza moral. O homem tornou-se escravo do pecado e de Satanás e perdeu muito de sua inteligência;
  • Curiosidades da dispensação: Por misericórdia, Deus expulsou Adão e Eva do Jardim e proibiu o acesso à árvore da vida, para não amargarem uma existência eterna em pecado. Era preferível a sujeição à morte física, pois a mesma serve para conduzir o homem a Cristo.

 

b) Consciência

  • Destaques: Adão, Eva, Caim (negativos). Abel, Sete, Enos e Enoque (positivos);
  • Propósitos: o homem deveria obedecer e oferecer sacrifícios (Gn 3.21-22);
  • Circunstâncias favoráveis: O homem tinha a promessa da redenção de Deus. Adão adorava a Deus e oferecia holocaustos;
  • Início, término e duração: Começa com a queda do homem e vai até ao dilúvio (Gn 4.1 a 7.23). Durou 1656 anos;
  • Elemento estranho: Coração aberto para a corrupção. Maldade;
  • Fracasso: Caim fracassou, primeiro por não trazer uma oferta de sangue no altar de Deus (Gênesis 4.3-7), em segundo lugar fracassou por matar a seu irmão, Abel;
  • Juízo: Dilúvio universal (Gn 6.7). A descendência de Caim terminou com o dilúvio;
  • Situação do homem após o fracasso: Diminuição do tempo de vida (Adão, 930 anos; Sete, 912 anos; Enos, 905 anos; Cainã, 910 anos; Maalelel, 895 anos; Jerede, 962 anos, Enoque, 365 anos; Metusalém, 969 anos; Lameque, 777 anos; Noé, 950 anos). Os homens estavam em um estado de iniquidade desenfreada; 
  • Curiosidades da dispensação: A redenção prevista por Deus foi a arca de Noé. Enoque escapou por ser arrebatado por Deus. Pelo pecado na primeira dispensação o homem perdeu a "Consciência de Deus" e ganhou a "consciência de si mesmo", ou seja, ele começou a prestar conta de seus próprios atos, estado e caráter.

 

c) Governo humano

  • Destaques: Noé e sua família (positivo). Ninrode (negativo);
  • Propósitos: o homem deveria povoar e se espalhar e deveriam se desvincular da consciência corrompida da dispensação anterior;
  • Circunstâncias favoráveis: Noé possuía uma experiência natural e espiritual e recebeu um novo pacto de Deus (Gênesis 9.9). Adoravam ao Deus verdadeiro com liberdade (Gn 8.20-21; 9.1-7). Tiveram permissão para formar um governo humano e governar-se a si mesmo. Podiam comer carne animal. Não tiveram que obedecer a consciência doente como anteriormente. Deus deu conselhos sobre assassinatos e como punir o assassino e sobre a ingestão de sangue;
  • Início, término e duração: Do dilúvio a Abraão (Gn 8.15 a 11.9);
  • Elemento estranho: Desejo do homem em ser adorado e engrandecido. Embriaguez;
  • Fracasso: A construção da torre de Babel (Gn 10.8-10) se deu durante o governo de Nimrode. Foi construída com o propósito de rebelião, orgulho e para adoração ao líder humano;
  • Juízo: Confusão de línguas. Cam e seus descendentes foram destinados a servos (Gn 11.5-9; 9.25). A maldição caiu sobre Canaã, o filho mais moço de Cam, e não sobre seu pai, e desde então os Cananitas foram adversários do povo de Deus;
  • Situação do homem após o fracasso: Homem sujeito a maldições, dispersos após a confusão de línguas e reunidos em pequenos grupos que falavam ou se entendiam pelo idioma;
  • Curiosidades da dispensação: Foi uma aliança incondicional entre Deus e Noé (especificamente) e Deus e a humanidade (em geral). Depois do dilúvio, Deus prometeu à humanidade que nunca mais destruiria toda a vida na Terra com um dilúvio (2 Pe 2.5).

 

d) Promessa ou Patriarcal

  • Destaques: Abraão, Isaque, Jacó, José e Moisés (positivos);
  • Propósitos: Deviam permanecer em Canaã. Tinham que depositar sua fé no Salvador prometido que viria;
  • Circunstâncias favoráveis: Abraão recebeu uma benção incondicional e não teve dificuldade para construir um altar (Gn 12.7). Seria o canal pelo qual viria o Salvador de toda humanidade, por isso é que essa dispensação se chama da "Promessa";
  • Início, término e duração: Começou no chamado de Abraão (Gênesis 12.1) e terminou no Êxodo de Israel do Egito (Ex 19). Durou cerca de 430 anos;
  • Elemento estranho: Medo e falta de fé diante da seca por parte dos patriarcas;
  • Fracasso: Abraão partiu da terra da preferência de Deus, devido a seca, e foi para o Egito. Isaque e Jacó também foram para o Egito e Pada-Arã, respectivamente devidos aos problemas;
  • Juízo: Escravidão (Ex 1.4-8) no Egito por cerca de 400 anos;
  • Situação do homem após o fracasso: Moraram no Egito e se afastaram aos poucos de Deus, foram esquecendo as obras de Deus;
  • Curiosidades da dispensação: É chamada de Dispensação da Promessa, pois para os hebreus serem livres, foi enviado um Libertador (Moisés) e um sacrifício pela culpa.

 

e) Lei

  • Destaques: Moisés, Sacerdotes, Profetas, Reis e juízes (positivo);
  • Propósitos: Tinham que obedecer aos mandamentos, juízos e ordenanças (EX 19.5-8);
  •  Circunstâncias favoráveis: A proteção, providência e milagres no deserto se estenderam por quarenta anos. Com a entrega da Lei se conheceu a completa vontade de Deus;
  • Início, término e duração: Começou no monte Sinai e terminou com a morte de Jesus na cruz. Durou cerca de 1711 anos;
  • Elemento estranho: Murmuração e ídolos;
  • Fracasso: Violaram a Lei e rejeitaram a Cristo (Mt 27.23). Murmuraram, adoraram ídolos e se deram aos pecados morais e espirituais;
  • Juízo: Cativeiro permanente das 10 tribos (Reino do Norte) e cativeiro em Babilônia de Judá (Reino do Sul). Dispersão mundial (Dt 28.63-66; Lc 21.24) e destruição de Jerusalém;
  • Situação do homem após o fracasso: Os sacerdotes estavam totalmente mergulhados no legalismo e ritualismo;
  • Curiosidades da dispensação: A Lei foi dada verbalmente (Ex 20.1-17) e estava dividida em três partes, os 10 mandamentos como expressão da vontade de Deus, os juízos relacionado com o governo da vida social de Israel e as ordenanças, que se preocupavam com a vida religiosa de Israel. Eram exigências impossíveis aos homens.

 

f) Graça

  • Destaques: Discípulos, apóstolos, Paulo e Igreja primitiva (positivos);
  • Propósitos: Receber a Cristo pela fé e andar em espírito (Jo 1.12). O propósito desta dispensação é "chamar" de fora ou formar deles a um povo, a Igreja (At 15.13-18);
  • Circunstâncias favoráveis: Jesus, a voz de Deus aos homens (Hb 1.1-3), iniciou esta dispensação (Jo 17.1-5). Ele destruiu todas as obras do Diabo ao fazer obras maiores, trouxe liberdade pelo Evangelho e estabeleceu uma Igreja, revestindo-a com poder para continuar a obra (Mt 8.17; 18.188; Jo 14.16; At 1.1-2; 2.1-4);
  • Início, término e duração: Da primeira à segunda vinda de Jesus; começa na crucificação e termina na primeira fase da segunda vinda;
  • Elemento estranho: Incredulidade, rejeição, apostasia e perseguição.
  • Fracasso: Rejeição a Cristo (Jo 5.40, At 3.19-26) e apostasia da Igreja visível (II Tm 3.1-8);
  • Juízo: Grande Tribulação (Mt 24.21). O fim desta dispensação será o juízo de Deus sobre todos os incrédulos e nações durante a Grande Tribulação e o reino do Anticristo;
  • Situação do homem após o fracasso: Homem destituído da Graça de Deus;
  • Curiosidades da dispensação: Tal qual Moisés foi mediador da aliança mosaica, assim Cristo é o Mediador da Nova Aliança (Hb 8.6; 9.15; 12.24). Com a vinda de Jesus, a Antiga Aliança terminou (Rm 10.4; Gl 3.19). Na Dispensação da Graça, Deus fez uma aliança, uma aliança superior às outras, por intermédio do próprio Filho enviado por Deus à humanidade. Toda e qualquer tarefa da Igreja depende exclusivamente da Graça.

 

g) Reino milenial

  • Destaques: Jesus, Igreja (positivos) e Maligno (negativo).
  • Propósitos: Obedecer e adorar a Jesus (Is 11.3-5). Recepção de Cristo como Rei da vida natural e na alma para a vida espiritual e eterna. Obediência às leis divinas do governo do Messias. A humanidade na dispensação Milênio será provada, como nas outras dispensações anteriores;
  • Circunstâncias favoráveis: Cristo reinará com ajuda dos santos (Is 4.2-3; 9.6-7; 11.1-9; Jr 23.5-8; Ap 11.15). O Maligno será amarrado no abismo (Ap 20.1-13). O governo será perfeito em Justiça. Os santos de todos os tempos terão parte no reino (Os 3.5; Jr. 30.9; Ez. 34.10). A terra estará livre da maldição. Haverá uma única capital, Jerusalém. Pecadores estarão no reino, mas estarão obrigados a obedecer as leis do reino (Is 2.2-5; Sl 2.7-9; Mq 4.3; I Co 15.25-28; Ap 20.1-10; Zc 14.16-21). Haverá um novo templo. Cristo será seu construtor (Zc. 6.9-15);
  • Início, término e duração: Desde o juízo das nações ao juízo final (Is 11.3-9; Ap 20). Começa com a vinda de Cristo em glória e terminará com o Juízo Final, ou Grande Trono Branco. Durará 1.000 anos;
  • Elemento estranho: Facilidade com que o Maligno seduzirá as nações após ser solto;
  • Fracasso: Como nos períodos anteriores esta dispensação terminará em fracasso. Quando Satanás for solto, muitos que aparentemente obedeciam as leis divinas, se unirão ao Maligno em seu ultimo esforço para vencer a Cristo;
  • Juízo: O grande Trono Branco e o inferno (Ap 20.7-9);
  • Situação do homem após o fracasso: Condenação ao Lago de fogo;
  • Curiosidades da dispensação: Será um reino literal e universal (Dn 2.34,35). Jerusalém será a capital do reino (Jr 3.27; Is 24.23; Ez 48). Os animais serão dóceis (Is 11.6-9; 65.25; Os 2.18). Época de justiça e paz (Is 9.6,7; 11.4; Zc 9.10; SI 96.13). A terra ficará mais fértil (Is 35.1; Am 9.3,6). A vida humana será prolongada (Is 65.20,22; Zc 8.4,5). O Maligno estará aprisionado neste tempo (Ap 20.20,22,23). 

continua...

Fonte: Apostila Curso Básico de Teologia do SETEM – Seminário Teológico Manancial. Elaboração: Pb. Ailton da Silva

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

sábado, 2 de outubro de 2021

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 11

A história de Jacó. Coincidência ou repetições da história

A trajetória de Jacó desde o início foi conturbada, seu nascimento, suas confusões com Esaú, enquanto jovem, a compra da primogenitura, quando se imaginou o homem mais feliz do mundo, sentimento que aumentou após ter recebido a bênção que seria de seu irmão, mas por tudo isto vieram os problemas, a fuga, seus dois casamentos e quatro esposas, os atritos profissionais com seu tio e as confusões de seus filhos e filha.

No seu reencontro com Esaú imaginava que tudo mudaria, mas após a morte do pai, os dois tomaram caminhos[1] diferentes e para aumentar, ainda mais, suas preocupações, os seus filhos quase comprometeram a segurança da família durante o envolvimento de Diná com o heveu Siquém.

Depois Ruben, o primogênito, manchou o leito do pai, ao se relacionar com uma de suas concubinas.

Judá também o entristeceu quando se envolveu com sua nora, Tamar, pensado que fosse uma prostituta, mas nada disto poderia ser comparado a dor que sentiu quando seus filhos chegaram com a notícia da morte de José. Depois de muitos anos se alegrou novamente, após ficar a par de todo o ocorrido.

Agora, no Egito, viveria os seus últimos anos de vida, com a família reunida, usufruindo de todos os recursos que foram colocados à disposição de seus filhos pastores. Deus reservou a melhor parte de todo território egípcio[2]. Estavam radiantes de alegria por esta bênção tão inesperada.

Enquanto estava em Canaã, a sua preocupação era somente com a falta de condições dignas ou mínimas de vida. A sua esperança maior era avistar seus filhos retornando do Egito com os mantimentos, que durariam alguns poucos dias. Ou teria tido fé suficiente para pedir ou imaginar algo mais?

Rever seu filho preferido, morar na melhor porção de terra do Egito e ser sustentado por esta nação todos os dias da sua vida, jamais havia pensado que pudesse ser desta forma. O certo é que mesmo o mais otimista da família não teria imaginado tamanha bênção. Jacó havia orado apenas por alimento para sua família e rebanho e Deus fez muito mais.

Após receber a boa notícia de seus filhos, poderia ter solicitado a José que enviasse mantimentos para Canaã, ou que fossem visitados de tempo em tempo, para assim não se misturarem com os egípcios.

Ou então José poderia largar o Egito para viver com sua família em suas terras, nada mais lógico. Deixaria um sucessor em seu lugar, ou na pior das hipóteses, poderia licenciar-se do cargo para passar um período com eles. Certamente o grato Faraó concederia.

José não poderia abandonar o Egito, pois aquela nação precisava de seus préstimos e não tinha outro para governar, sem contar que a diferença de cultura e estilo de vida seriam sentidos logo nos primeiros dias. Da mordomia egípcia garantida às necessidade gritantes de Canaã, certamente o arrependimento pela troca seria imediato. Sofreu tanto e agora, na bonança, deveria aproveitar. Quantas decisões em curto espaço de tempo, que poderiam afetar a vida de seus descendentes.

José, seus irmãos e pai não pensaram somente no bem estar físico da família ou das futuras gerações e não foi um erro Jacó ter aceito o convite[3] do filho, que também não errou em continuar naquele lugar desempenhando a sua função. Os seus irmãos também não erraram. Toda aquela situação era o inicio do cumprimento do que houvera sido prometido a Abraão (Gn 15.17-21). Estavam tão felizes com o desfecho daquela história, livres do peso e do remorso, que ninguém poderia ser condenado. Era momento de alegria e não de cobrança.

Qual seria a atitude de todos, caso Deus revelasse o que aconteceria com aquele povo[4]? Ficariam em suas terras para preservarem a linhagem ou aceitariam o convite para usufruírem do que o Egito estava lhes oferecendo no presente sem se importarem com o futuro? Que terrível dilema.

Permaneceriam naquelas terras o tempo que fosse necessário, era uma espécie de recompensa para a geração daquele patriarca, que poderia imaginar ser aquela, a grande nação, que Deus havia prometido para Abraão. A partir do momento que se sentissem ameaçados ou quando perdessem todas estas regalias, seria necessária uma nova intervenção Divina, por enquanto deveriam se alegrar por aquela bênção. Foi uma trajetória vitoriosa, mesmo que não a considerasse.

Toda a história narrada por Jacó, na presença de Faraó, foi necessária para comprovar que aquela geração não era composta de meros coadjuvantes, eram especiais, mesmo diante de tantos problemas. Não tinha como aquele governante não se apaixonar e respeitar a narrativa daquele bom e velho patriarca.

José havia contado a história de sua família para Faraó antes do encontro e preparou seus irmãos, que deveriam falar a verdade (Gn 46.31-34), mesmo porque “aquele que estava assentado no trono[5]” já conhecia a história de todos, sabia que eram pastores e queria ouvir deles que desejavam ser na cidade estranha o que sempre foram em Canaã, pastores. Afinal não tinha como negarem suas origens.

Não tinha como a família negar suas origens, porém o ambiente poderia favorecer o contrário, por isso José orientou seus irmãos a declararem o objetivo de cada um. Sempre foram pastores e deveriam continuar, mas deviam tomar cuidado com os egípcios, pois muitos desqualificavam aquele tipo de trabalho. Faraó queria apenas conhecer os planos de cada um para o futuro. A declaração dos irmãos impediu que se misturassem aos egípcios.

A única intenção de José era cuidar de seu pai e irmãos até que tivessem condições de se manterem com suas próprias forças e recursos.

Na sua ótica, como homem justo, não seria correto sustentá-los por toda a vida, pois isto contrariava os seus princípios. Para tanto arquitetou um plano para ajudá-los no início.

Os famintos egípcios fariam qualquer coisa para adquirirem alimentos, por isto José, pouco a pouco, foi minando as forças deles. Primeiramente cedeu alimentos em troca do escasso dinheiro.

Quando não tinham mais recursos financeiros ofereceram os seus cavalos, ovelhas, vacas e jumentos, presente ideal que José poderia dar a seus irmãos, haja vista a experiência de pastores. Alguns destes animais poderiam servir para futuro sacrifícios, caso tivessem ainda este zelo. José percebeu que se ficassem em posse dos egípcios, certamente seriam abatidos, pois a fome assolava a região e não perderiam esta oportunidade.

Quando acabou o dinheiro e os animais, os egípcios ofereceram suas terras e liberdade em troca de alimentos. Tornaram-se servos de Faraó para não morrerem durante o período de fome e desta forma contribuíram para o bem estar de Israel naquelas terras.

O Egito se preparou, pois havia pão[6] entre eles, mas a fome também assolou a muitos.

Aos poucos José conseguiu estabelecer a sua família[7] no Egito, durante o período de adaptação, fazendo uso da própria riqueza deles, sem deixar com que percebessem todo o seu plano.

Se todos os irmãos imaginassem que a vida mudaria a partir do cumprimento dos sonhos de José certamente teriam se prostrado ali mesmo em Canaã, na época dos sonhos.

A vida daquela família mudou de uma hora para outra, saíram da escassa Canaã e foram para o próspero Egito e para a melhor parte, onde viveriam por muitos anos.

Mas o retorno a Canaã foi previsto por Jacó (Gn 48.21), antes de sua morte e confirmado por José (Gn 50.24-25). O filho prometeu não sepultar o pai naquela terra, conforme instruções recebidas (Gn 47.29-30) e também pediu o mesmo para seus irmãos.

Os filhos de Israel encontraram certa dificuldade para entenderem esta profecia de José (Gn 50.25), pois até então tudo corria normal e não havia nada que temer no Egito, havia prosperidade, felicidade e gratidão.

Talvez um revés, uma mudança na política egípcia, um governo diferente ou então que a ingratidão, mais cedo ou mais, pudesse bater à porta daquele povo que um dia foi tão ajudado por José. Viveram por muito tempo bem, mas como tudo tem um fim, após a morte do patriarca e dos governantes[8] que conheceram sua história, os egípcios permitiram o nascimento da ingratidão.

José foi sepultado no Egito em um sarcófago (Gn 50.26), fato que atestou sua definitivamente sua morte, justamente o que a túnica colorida manchada de sangue não foi capaz de fazer. 

A túnica manchada de sangue, resultado de mentiras, deixou saudade, choro e sofrimento para o pai, mas o caixão, que representava a realidade nua e crua, deixou um legado e uma história. José poderia ter sido sepultado como um chefe de Estado, com honras e em uma estrutura inferior a dos faraós, mas optou pela terra[9], pois sabia que um dia Deus visitaria Israel naquele lugar e os tiraria dali.

José enxergava o futuro e não o presente, não queria pirâmide, queria um túmulo na terra e não nas grandes construções faraônicas[10], pois poderia soar como ofensa ou ataque à cultura egípcia caso Moisés violasse o local onde estava sepultado o patriarca anterior.

O período que se seguiu foi de intenso sofrimento para Israel, pois os anos vividos sob o regime de escravidão, foram de muita humilhação, opressão, choro e mortes, justamente no momento em que os hebreus se viram sem nenhum patriarca para protegê-los.

A saída dos hebreus de solo egípcio foi rápida e não houve tempo para implosão, destruição ou reformas no túmulo de José. O que havia sido prometido foi cumprido pelos filhos de Israel.

Após quatrocentos e trinta anos de sofrimento e distanciamento de Deus, Moisés conhecendo a promessa não enfrentou dificuldades para cumpri-la. Os ossos de José foram retirados do Egito (Ex 13.19) e enterrados em Siquém (Js 24.32). Promessa feita, promessa cumprida.

O homem era sábio, preferiu perder a honra momentânea, para depois ser honrado por Moisés, pois foi lembrado e saiu nos braços do libertador de Israel.

A situação do quarto patriarca oscilou muito, não por culpa dele, mas devido ao plano de Deus. Esteve entre os seus irmãos e foi rejeitado, esquecido, sofreu, pagou um alto preço, mas no momento certo de sua vida foi exaltado. Subiu ao trono e mesmo em condições totalmente favoráveis não se vingou de seus irmãos tão logo os viu, pelo contrário, acolheu e ajudou muito.

Mas quando poderia ter retornado para sua terra, para rever seu pai e buscar sua família, não foi, ficou praticamente na metade do caminho, esperando a aproximação de seus convidados. Não pisou em sua terra, mesmo tendo todo o poder e autoridade, somente fez isto quando foi sepultar seu pai, momento em que esteve rodeado por três povos, egípcios, hebreus e cananeus.

O mesmo ocorreu com Jesus que também esteve entre os seus e da mesma forma foi rejeitado, preso e humilhado. A sua morte o coroou, a ressurreição o glorificou e a ascensão devolveu toda sua glória deixada, quando se tornou carne. Em sua segunda vinda, esta terra não será pisada, mesmo com todo o poder e autoridade, tal como José, mas no retorno para derrotar o Maligno e instalar seu reinado, a história será diferente.


[1] Esaú seguiu para suas terras, Seir e Jacó para Salém em Canaã (Gn 33.16-20).

[2] Os filhos de Israel habitaram nas terras de Gosén, no delta do rio Nilo (Gn 46.29).

[3] Jacó apresentou o Egito aos hebreus, enquanto que Moisés os ensinaria a deixar para trás e esquecer definitivamente.

[4] Quatrocentos e trinta anos de convívio no Egito, alguns destes anos sob intensa escravidão e sofrimento.

[5] Aquele que está assentado no Trono conhece toda a história. Não tem como esconder dEle.

[6] Havia muito pão Egito, mas também havia fome (Gn 41.54-55).

[7] José salvou o Egito da crise, mas tudo teria sido em vão caso não tivesse perdoado seus irmãos.

[8] Os hicsos foram expulsos do Egito e juntamente com eles foi embora à gratidão pelos feitos de José.

[9] Se fosse sepultado em uma pirâmide, José seria lembrado como uma múmia e não pelos seus feitos.

[10] Não recebeu a glória dos egípcios, mas depois recebeu de Moisés.

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

Anticristo. A solução material com implicações espirituais! Capítulo 9

G) OS ANJOS EVANGELISTAS:

Mesmo com a morte das duas testemunhas, ocasião em que o ministério humano terá fim, a Palavra ainda será proclamada, mas não por homens e sim por três anjos evangelistas, que apresentarão, respectivamente, a mensagem do Evangelho Eterno, a queda do império do Anticristo e os juízos sobre aqueles que adoraram a Besta e que receberam a sua marca (Ap 14.6-8). Esta será a última chance para o homem.

Esta será a oportunidade para que os anjos façam o que sempre desejaram (I Pe 1.12). São criaturas divinas, que tem por função a adoração a Deus, mas no Apocalipse serão encarregados de ministrar os juízos divinos.

O apóstolo Paulo alertou a Igreja da Galácia (Gl 1.8) quanto a uma possível cópia deste acontecimento futuro, pois temeu que os gálatas fossem enganados por qualquer ventinho de doutrina (Ef 4.14), tanto que os instruiu a não acreditarem em outro Evangelho, mesmo que fosse pregado por um suposto anjo vindo do céu.

Uma situação totalmente diferente do que acontecerá nos dias do Apocalipse, pois os gálatas estiveram expostos a um evangelho humano e a um suposto anjo de luz (II Co 11.14) que tinha outras intenções. Paulo se referia ao Maligno que pode se transformar em anjo de luz (II Co 11.14) para enganar.

A perseguição e morte calarão os mártires, os cento e quarenta e quatro mil e as duas testemunhas, mas o Anticristo não terá como impedir a pregação do Evangelho pelos anjos evangelistas. “O céu será o púlpito dos anjos e o auditório consistirá de todas as nações, tribos e línguas”.

continua...

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

Prefiro murmurar no deserto. As dez murmurações do primogênito. Capítulo 2

O LIVRAMENTO

Alguns assistiam atônitos, outros revoltosos, uma pouca parcela é provável que estivesse clamando juntamente com o líder, ajudando-o, mesmo em suas limitações espirituais. Diante desta cena ficou comprovado, mais uma vez, que ainda dependiam muito de Moisés.

Após o ocorrido no Egito e no mar Vermelho era de se esperar que enxergassem o clamor como uma ferramenta acessível e disponível a qualquer um, tal como aconteceu no Egito quando as lamentações, choros e orações foram ouvidas por Deus. 

“E ele clamou ao Senhor, e o Senhor mostrou-lhe um lenho que lançou nas águas, e as águas se tornaram doces: ali lhe deu estatutos e uma ordenança, e ali os provou” (Ex 15.25). 

Os mais eufóricos esperavam gritos de Moisés, incentivos, chamado à aglomeração, uma grande reunião, trajes de gala, mas se espantaram quando o viram se dirigindo a um pequeno arbusto, de onde retirou um insignificante lenho, um galhinho, um pedacinho de madeira, que foi jogado na água.

Um ato tão simples, tanto quanto seria a caminhada do povo em direção à Terra Prometida. Um simples pedaço de madeira, aparentemente, sem utilidade, podre, desprezado por qualquer um.

Quando Moisés contemplou aquele lenho deve ter se lembrado da sarça ardente que não se consumia e rapidamente associou as duas[1] visões e tomou a iniciativa.

A experiência adquirida com Deus, desde o nascimento, o ensinou a não perder oportunidades e tampouco desprezar qualquer evidência de operação Divina, por menor ou insignificante que fossem os instrumentos ou meios.

Foram vários acontecimentos que contribuíram para o enriquecimento espiritual de Moisés, entre eles:

  • O barquinho feito de junco pela sua mãe, que se tornou a grande providência em prol de sua vida;
  • O simples escravo hebreu ajudado, por ele, enquanto sofria violência de um egípcio;
  • Os quarenta anos em que se portou como um mero pastor em Midiã cuidando de ovelhas que nem suas eram;
  • Os momentos em que se apresentou diante de Faraó, como o embaixador da Terra Prometida, se submetendo ao tempo e aos desígnios de Deus, pois poderia ter pedido que acabasse de uma vez por toda aquela situação, uma visita ao governante e já tudo seria resolvido;
  • O momento em que fez uso de seu comum cajado, para que as águas do Mar Vermelho fossem divididas. Agora em Mara, fazia uso daquele pedaço de madeira, lenha ou galhinho de arbusto. Toda esta experiência não poderia ser desprezada por Moisés.

Muitos imaginavam que viria um grande sinal do céu ou algo semelhante ao que havia acontecido no mar Vermelho, mas ao contrário viram um simples pedacinho de madeira que não estava em chamas e que tampouco brilhava como ouro. Na verdade era insignificante, porém uma valiosa ferramenta[2] para Moisés.

Um novo livramento foi dado ao povo, através, um lenho mostrado por Deus e visto por Moisés que sem hesitar o lançou nas águas, fazendo com que se tornassem aptas para o consumo.

Qualquer tentativa de rebelião foi coibida com esta ação de Deus, que fez questão de usar seu servo como instrumento, aos olhos de todos, para a realização de mais uma maravilha, pois aquelas águas poderiam ser transformadas sem a necessidade da atuação de Moisés, mas para manter a ordem e o controle Deus assim o fez, de uma forma tão simples e eficaz.

Aquele livramento era uma demonstração de que Israel não estava só naquela caminhada, uma prova espetacular de que era propriedade exclusiva e particular de Deus, que ainda se mostrava misericordioso com aquele povo, mesmo depois desta murmuração.

O livramento foi recebido com festa por todos, que de tão satisfeitos que estavam não perceberam a nova forma de comunicação que acabara de ser instituída por Deus. Estatutos, ordenanças e provações serviriam para revelar a vontade Divina, daquele momento em diante, por isto fascinados[3] com todos os acontecimento, juraram fidelidade até a morte, mas não conseguiram manter este juramento devido a duas circunstâncias, vejamos:

  • Natureza má: A natureza má dos hebreus era capaz de fazê-los quebrar os vários propósitos firmados com Deus, mesmo que presenciassem grandes milagres não se desvencilhavam[4] do velho homem, fato este comprovado pelas murmurações. Mesmo depois dos livramentos recebidos não permitiam que estes momentos aumentassem o temor e a confiança, pelo contrário continuavam incrédulos tal como quando ainda estavam no Egito, quando não conheciam a Deus (Ex 3.13);
  • Emoção: Quando se viam em dificuldades procuravam Moisés, pois consideravam-no uma espécie de porta voz, já que Deus sempre o ouvia. Esperavam que intercedesse por suas vidas e quando recebiam o livramento se mostravam confiantes, até mesmo passavam uma imagem de fiéis, porém quando a poeira baixava e ao primeiro sinal de normalidade esqueciam-se de tudo. O fascínio e temor pelo agir de Deus acabava rapidamente.

Caso estivessem ali bem supridos de mantimentos ou com abundância de água se manteriam fiéis? Ou seriam como muitos que somente se lembram de buscarem a Deus durante a necessidade e que tão logo alcançam a vitória se esquecem e voltam a praticar os mesmo erros?

Deus usou este episódio para deixar bem claro que todos estavam sendo provados. Durante a caminhada no deserto se mostraram fracos e foram infiéis, pois murmuraram facilmente e muitas vezes desejaram o retorno ao Egito, sempre que a situação não se mostrava favorável.

Do sofrimento e dores foram diretamente para a sombra e água fresca. Em Mara, encontraram somente derrotas e nada de água boa, mas em Elim, um lugar para os vitoriosos descansarem, a história foi diferente. Momento ideal para comemorarem mais um livramento, porém mesmo diante de um cenário perfeito não poderiam demorar, já que havia um lugar melhor para ser conquistado.



[1] A primeira foi a visão da sarça em chamas e permanecendo intacta (Ex 3.2).

[2] Poderiam ter guardado aquele pedaço de lenho, assim como guardaram a vara de Arão e a pequena porção de maná (Dt 10.1-5; 1 Rs 8.9; 2 Cr 5.10 cf Hb 9.4).

[3] A cada operação de Deus, o fascínio do povo aumentava, porém não havia manifestação da genuína conversão.

[4] Por várias vezes olharam com bons olhos um possível retorno ao Egito (Ex 14.12; 16.3; 17.3; Nm 14.3), então por lembrarem tanto do passado não entrariam nas terras do futuro, a Terra Prometida (Nm 14.32-33).

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Neemias: como sair do anonimato - Capítulo 14

4) ATITUDE DE NEEMIAS:

De que maneira Neemias poderia ter reagido? Aparentar-se também ao inimigo? Ser conivente com Eliasibe e aceitar novamente os casamentos mistos? Corajosamente tomou os móveis de Tobias e os lançou para fora do cômodo (Ne 13.7,8). Jesus também teve a mesma reação quando se deparou com os vendilhões no Templo (Jo 2.11-13). Os interesses pessoais devem estar às margens do centro da obra de Deus.

Novamente Neemias conseguiu incentivar o povo para que tomassem uma atitude para mudar aquela situação. Ordenou a purificação das câmaras, para recolocarem os utensílios e ofertas em seus devidos lugares.

Neemias jogou fora todos os pertences de Tobias. Alguns judeus até poderiam estranhar esta atitude, mas tão estranho quanto a reação foi a permissão.

 

a) O povo apoiou Neemias: 

A decisão enérgica de Neemias despertou o povo e trouxe de volta para o Templo as contribuições e riquezas que a presença de Tobias havia tirado (Ne 13.12). Tesoureiros foram nomeados e os levitas foram convocados para desempenharem suas funções.

A transparência da administração alegrou os sacerdotes, os levitas, o povo e os trabalhos prosseguiram (Ne 12.44).

 

5. COMENTÁRIOS ADICIONAIS:

  • Os moabitas não poderiam entrar na congregação de Israel, mas não eram impedidos de adorarem ao Deus verdadeiro onde estivessem (Rt 1.16);
  • Os sacerdotes na rua, levitas na roça e o “bandido” no Templo. Greve e revolta do ministério no Templo?
  • Neemias imaginava Jerusalém em festa no seu retorno. Que decepção;
  • Moabita e amonita não poderiam sequer passar pela rua do Templo;
  • Gesém após a reconstrução despareceu, mas Tobias e Sambalate ficaram rodeando, esperando uma brecha;
  • Se Neemias não tomasse uma decisão, certamente Tobias levaria seus parentes e amigos para o Templo para se juntarem a ele;
  • O único lugar onde Tobias poderia circular livremente seria pelos canos de esgoto do Templo;
  • Pela segunda vez Neemias dirigia aquela congregação;
  • Será que Neemias temeu que o povo tomasse as dores do sumo sacerdote e seu nobre parente (At 23.1-5)? Não se preocupou com a reação do povo, tampouco temeu ser levado a juízo. O importante era limpar a sujeira do Templo;
  • Os judeus conheciam aquele homem, afinal havia sido o pastor deles;
  • Tem casta de demônios que não resistem ao jejum e oração (Mt 17.21), foi isto que Neemias fez ao expulsar o inimigo do interior do Templo;
  • Porque Deus permitiu que aquele amonita entrasse no Templo?
  • Neemias não se sentiu em condições e não tinha autoridade para se esconder no interior do Templo, porque então Deus permitiu que Tobias adentrasse?
  • Quanto tempo demorou para os impérios egípcio, babilônico, persa, grego, romano caírem definitivamente para nunca mais serem levantados? E foram justamente alguns destes que profanaram o Templo e os objetos sagrados dos judeus. E o que dizer dos povos que rodeavam Israel, sumiram todos. Sequer existem vestígios do sangue, língua ou história de alguns deles. Foram apagados pelo tempo;
  • Os levitas eram sossegados, tranquilos, tão bonzinhos, somente até receberem ordens, tipo: voltem para seus postos. O duro era quando a ordem era: “Quem é de Deus", (Nm 8.14), "matem os idólatras" (Ex 32.26-28). Eles não pensavam duas vezes;
  • Quantas vezes ouvimos: “o pastor é muito parado, muito tranquilo, os obreiros idem, os dirigentes de departamentos não fazem nada”. Quando eles recebem ordens de Deus, sai de baixo;
  • Houve um pastor nosso (primitivo) que um dia desejou conhecer os irmãos de Roma, mas a igreja local não tinha condições de fornecer a passagem. Então ele orou a Deus e foi lhe provido as condições para a sua viagem. Partiu como prisioneiro, durante a viagem virou conselheiro, teve regalias, fizeram algumas paradas para que se despedisse dos irmãos e celebrou até uma ceia parcial no navio (At 27.35-36). Não se entristeceu pela prisão domiciliar (privilégio e segurança domiciliar) e aproveitou para doutrinar a igreja com os seus ensinamentos;
  • Os apóstolos faziam grandes cruzadas e não gastavam nada e ganhavam muitas almas;
  • A Igreja primitiva necessitava de recursos financeiros (At 6.1), pois crescia o número de discípulos para aprenderem a Palavra (e não o de apóstolos para ensinarem), portanto, se este povo se reunia para ouvir e aprender era evidente que largavam todos seus afazeres. Era altíssimo o custo para manterem a obra.

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Grandes verdades em poucas palavras - 0037


“Indiferença doutrinária não é solução para as diferenças doutrinárias”. J. Blanchard

“Os homens orgulham-se de sua tolerância, mas deveriam envergonhar-se de sua indiferença”. Will H. Houghton

“O maior problema de Deus com os trabalhadores de sua vinha é a constante falta ao trabalho”. Anônimo

“Nossos dias de ociosidade são os dias de atividade de Satanás”. Anônimo

“A inércia fala mais alto do que as palavras”.

“É melhor desgastar-se do que enferrujar”. Richard Cumberland

A salvação é um capacete, não uma touca de dormir”. Vance Havner

A ociosidade é o sepultamento de um homem vivo”. Jeremy Taylor

“Jesus nunca dormiu por uma hora enquanto um de seus discípulos vigiava e orava em agonia”. H. Clay Trumbull

‘A ociosidade tenta o diabo a tentar”. Thomas Watson

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Os primogênitos: Deixa o meu ir, senão levo o seu. Capítulo 5

Indisciplinados, não estavam preparados para enfrentar inimigos poderosos como os filisteus que habitavam às margens do Mar Mediterrâneo, por isto foram desviados para o caminho mais longo (Ex 13.17-18), que em tese seria fácil e até mesmo seguro.

Esta rota, traçada por Deus, era o caminho mais longo, tanto para irem quanto para voltarem, caso tivesse esta ousadia e coragem. Se tivessem ido pelo caminho mais curto, certamente os revoltosos voltariam mais rápido para o Egito.

Em muitas oportunidades pediram autorização para o retorno ao Egito, mas no fundo sabiam o quanto seria difícil o retorno, mesmo porque como atravessariam o Mar Vermelho? A nado com suas próprias forças? Ou imaginavam que Deus pudesse separar as águas e tornar seco o caminho para os derrotados e indisciplinados?

Em condições normais seria possível percorrer este trajeto em pouco mais de trinta[1] dias, mesmo com toda aquela carga.

Seguiram o caminho mais longo, porém necessário, já que para ficar marcado na história das duas nações algo de extraordinário deveria acontecer e Deus ainda tinha muito por mostrar aos hebreus durante o trajeto.

Se tivessem seguido pelo caminho curto, de poucos dias, certamente não veriam as operações, misericórdias e milagres de Deus e não teriam a certeza da chamada.

Pelo caminho longo, os egípcios seriam eliminados, os filisteus, seus futuros inimigos, seriam evitados e quando chegassem em Canaã já teriam a experiência e estrutura para suportarem e reprovarem a conduta pecaminosa dos cananeus, sem contar que já teriam forças suficientes para lutarem pelas suas próprias terras. Além do mais, pela caminhada amariam mais a obra e passariam este sentimento às futuras gerações.

Mas antes de enfrentarem os cananeus, se depararam com outro grande inimigo, o deserto, que para alguns, era considerado o único obstáculo até Canaã. Todos tinham ciência, mas não queriam encará-lo, desejavam facilidades. Quem sabe não pensaram transladação até o destino final? Isto contrariava a vontade de Deus, que desejava a adoração e o serviço naquele lugar (Ex 5.1), para provarem dignos de na Terra Prometida.

Deus afirmou que se tornariam uma grande nação, mas como poderiam crer com convicção diante daquela precária situação? Famintos, pobres, medrosos, alguns doentes, outros com intenções[2] diferentes. Somente Deus poderia trabalhar em favor deles. O socorro viria do alto, a partir do momento em que para lá olhassem (Sl 121.1).

continua...



[1] Levando-se em conta que dentro da normalidade era possível andar algo entre vinte ou trinta quilômetros por dia, dependendo da carga e do número de pessoas.

[2] Alguns “estrangeiros” (Ex 12.38), assim como alguns hebreus não estavam totalmente convictos da bênção ou convertidos.

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)