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quinta-feira, 22 de abril de 2021

Neemias. como sair do anonimato - Capítulo 3

PRIMEIRO OBSTÁCULO E A PRIMEIRA IMPRESSÃO 

1. PRIMEIRO OBSTÁCULO – NÃO SE ANTECIPOU:

Neemias, abnegado e fiel servo de Deus, um articulador, um verdadeiro líder, destacou-se pelo seu elevado senso de organização, humildade e coragem. Chegou em Jerusalém, uma terra de ninguém e ficou sem silêncio, apenas observando com muita prudência (2.12,16). Como havia sido enviado pelo rei e estava de posses das cartas, para comprovação, poderia ter revelado a todos a sua missão, fazendo prevalecer a autoridade que lhe fora concedida. Mas em quem confiar? Aquele ambiente era tão hostil.

Era uma crise sem precedentes, que para muitos não teria fim. Pobreza interna e zombaria externa e ainda para ajudar, os repatriados, das duas primeiras turmas, ainda estavam desmotivados e não encontravam forçar para mudar aquela situação. Nos dois primeiros retornos até estavam animados, mas foram obrigados a paralisarem as obras por um decreto real (Ed 4.21). Portanto a luta não seria contra a carne ou sangue, mas sim contra a apatia do povo.

A crise atingiu os campos estrutural, político, social e espiritual. Era essencial e urgente a presença de um líder autêntico, que fosse capaz de reverter aquele trágico quadro. Este era o momento ideal para que um homem fosse levantado, de um longínquo e inesperado local, com alguns recursos materiais e provido da capacitação de Deus.

 

2. UM LÍDER CORAJOSO:

Quem dentre os homens da terra poderia demonstrar tamanha preocupação e amor por Jerusalém? Quantos foram informados da situação e não tomaram nenhuma atitude? Justificativas para isto tiveram, pois estavam no seguro, confortável e aprazível território persa. Para que olhar para trás? Enxergariam somente a miséria e destruição. Aos olhos de muitos, Jerusalém estava condenada a ruínas.

Neemias, pela sua posição e condição de servo, talvez tenha receado contar ao rei todo o motivo de sua tristeza, ou pelo menos deveria. Mesmo que fosse o mais otimista dos homens, jamais se imaginaria usufruindo de alguns minutos de uma audiência real, muito menos a possibilidade de expressar sua dor e lamento pela cidade de seus pais.

Receber a permissão para viajar a Jerusalém com cartas de apresentação, salvo conduto e pedido de materiais, uma espécie de patrocínio, seria loucura de sua parte esperar, mas se confiasse inteiramente e unicamente em Deus, tudo isto seria possível. Neste momento o mundo contemplou o nascimento do grande líder que conseguiu encorajar os judeus a fazerem a obra de Deus (2.18).

A maior ousadia, a marca registrada no ministério de Neemias, foi o fato de ter conseguido fazer com que o rei Artaxerxes mudasse a sua visão política em relação a Jerusalém, pois reavaliou uma decisão antiga que paralisava a reconstrução do Templo (Ed 4.21). Somente um grande milagre de Deus para motivar tamanha reversão de decisão.


a) Característica de Neemias, o líder completo:

  • Corajoso, destemido, determinado, perseverante;
  • Humilde, prudente, probo, cauteloso;
  • Comunicativo, empático, motivador, participativo;
  • Sábio, responsável, organizado, estrategista;
  • Motivador, participativo, prospectivo;
  • Discernente, homem de oração e temente a Deus.

 

 3. O MINISTÉRIO OUSADO DE NEEMIAS:

  • Pediu para ser enviado com a missão de reconstruir Jerusalém (2.5). Neemias recebeu o chamado de Deus, mas precisa ser enviado pelo rei;
  • Pediu cartas de recomendação (2.7). Estava prevendo transtornos e problemas;
  • Pediu provisão para a viagem (2.8);
  • Pediu proteção para a viagem (2.9) e não dispensou os oficiais do exército, tampouco os cavaleiros.

 

4. PRIMEIRA IMPRESSÃO – DESTRUIÇÃO E POBREZA:

Hanani, não havia mentido. Realmente a situação de Jerusalém era desesperadora. Em suas observações noturnas Neemias constatou a veracidade das informações. Insegurança, injustiça social, miséria, pobreza e zombaria. Tudo levava a crer que não haveria solução. Para alguns era cômodo permanecerem naquelas condições, pois imaginavam perigoso e desgastante remexerem nos escombros e poeiras deixado pelos babilônicos.

Muitos contemplaram aquela situação, mas não tiveram coragem e liderança para a reconstrução. Neemias entendeu que bastava de choro e lamentações. Era preciso agir e rápido. A cidade estava desprotegida e havia se tornado uma terra de ninguém.

 

5. UM LÍDER PRUDENTE:

Neemias sabia como agir e já havia traçado o seu plano. Como era sabedor da provável oposição e como não queria chamar a atenção, manteve-se em silêncio, somente observando com muita discrição e prudência. As suas observações noturnas revelaram algo bem mais assustador do que era visto durante o dia. Como era urgente e necessária aquela obra. Se não havia segurança naquela cidade a luz do dia muito menos nas trevas.

Mesmo discreto, em suas observações (2.16), os burburinhos já corriam entre os moradores. Talvez estivessem curiosos pela sua presença, mas em nenhum momento revelou o que Deus havia colocado em seu coração, somente o fez no momento oportuno (2.18).

Neemias não queria alarmar a cidade e os desmotivados judeus ou tampouco antecipar o seu plano aos inimigos. Certamente foi lembrado, por alguns, do fracasso dos anteriores, que tentaram em vão, reconstruir os muros. Mesmo com sua coragem, ousadia e certeza poderia ser desmotivado com estes comentários maldosos.

 

        6. COMENTÁRIOS ADICIONAIS:

  • Sem oposição o trabalho não cresce, assim como a luz é produzida pela ação do positivo com o negativo (fase e neutro). Prova disto foi a igreja primitiva (fase) e a perseguição (neutro). "O vento espalhou a chama";
  • É fácil encontrar valentes e corajosos durante a luz do dia, pois o inimigo é visível, mas o difícil é nas trevas. Como os judeus enfrentariam seus inimigos na escuridão? Todos em suas casas, enquanto a cidade estava totalmente desprotegida;
  • Quantos abandonam a obra porque outros chegam de longe para trabalhar? “Quem é este copeirozinho ai”? Este copeirozinho era um servo de Deus enviado e quem tem ouvidos ouça o que ele disser;
  • Neemias nas suas observações noturnas disse que não havia nenhum animal exceto o que estava montando. Também não viu nenhum animal racional vigiando a cidade;
  • Porque Jerusalém estava na pobreza? Porque não havia sequer ferreiros para fazer enxadas. Foram todos levados para a Babilônia para produzirem armas?
  • Neemias não enxugou a máquina, primeiro observou o que poderia ser aproveitado.

 Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

quarta-feira, 21 de abril de 2021

Grandes verdades em poucas palavras - 0014

“Deus não pode morrer nem mentir’. Thomas Brooks

‘Deus é sua própria eternidade”. Stephen Charnock

A eternidade de Deus não é outra coisa senão a duração de Deus, e a duração de Deus não é outra coisa senão sua existência permanente”. Stephen Charnock

Não há mistério maior do que a eternidade de Deus”. William S. Plumer

“Deus é a melhor prova de si mesmo”. Anônimo

Aquele que deixa Deus fora de seu raciocínio não sabe raciocinar”. Anônimo

Nenhuma palavra da Bíblia procura explicar Deus; Ele é tido como certo”. J. Blanchard

Deus não deve ser provado, mas proclamado; não discutido, mas aceito”. Robert Horn

Enquanto não encontra Deus, o homem começa sem princípio e acaba sem fim”. H. G. Wells

Deus é sempre igual a si mesmo”. João Calvino

“Da mesma forma como não pode existir nenhum lugar sem Deus, nenhum lugar pode abranger e conter a Deus”. Stephen Charnock

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

terça-feira, 20 de abril de 2021

Dispensação - Consciência

DISPENSAÇÃO: CONSCIÊNCIA

ALIANÇA: ADÂMICA

OBJETIVO: OBEDECER DETERMINAÇÕES DA PRÓPRIA CONSCIÊNCIA

 

1) DESTAQUES:

  • Adão (negativo);
  • Eva (negativo);
  • Caim (negativo);
  • Abel (positivo);
  • Sete (positivo);
  • Enos (positivo);
  • Enoque (positivo).

 

2) PROPÓSITOS:

  • Obedecer e oferecer sacrifícios de sangue (Gn 3.21-22).

 

3) CIRCUNSTÂNCIAS FAVORÁVEIS:

  • O homem tinha a promessa da redenção de Deus. (A semente da mulher o livraria);
  • Adão mostrou sua fé na promessa ao colocar o nome de Eva" na mulher. Eva significa "vida" ou " a mãe de vida ";
  • Adão adorava a Deus e oferecia holocaustos por seu pecado. Certamente Deus lhe ensinou isso quando matou os animais para sua primeira roupa.

 

4) INÍCIO, TÉRMINO E DURAÇÃO:

  • Começa com a queda do homem e vai até ao dilúvio (Gn 4.1 a 7.23). Durou 1656 anos.

 

5) ELEMENTO ESTRANHO:

  • Coração aberto para a corrupção.
  • Maldade

 

6) FRACASSO:

  • Caim fracassou, primeiro por não trazer uma oferta de sangue no altar de Deus (Gênesis 4.3-7);
  • Caim fracassou, em segundo lugar, por matar a seu irmão, Abel (v.8). Certamente Adão havia ensinado a seus filhos sobre a necessidade de trazer e oferecer sacrifícios de sangue para a remissão de seus pecados. Um aceitou, o outro recusou. Abel sabia que sua oferta foi aceita por Deus, pois o fogo veio sobre a oferta e a consumiu. Porém nenhum fogo havia descido sobre a oferta (sem sangue) de Caím.

 

7) JUÍZO:

  • Dilúvio universal (Gn 6.7);
  • Caim e os homens semelhantes a ele perderam a vida eterna.
  • A descendência de Caim terminou com o dilúvio.

 

8) SITUAÇÃO DO HOMEM APÓS O FRACASSO

  • Diminuição do tempo de vida (Adão, 930 anos; Sete, 912 anos; Enos, 905 anos; Cainã, 910 anos; Maalelel, 895 anos; Jerede, 962 anos, Enoque, 365 anos; Metusalém, 969 anos; Lameque, 777 anos; Noé, 950 anos);
  • Ao final da Dispensação da Consciência, os homens estavam em um estado de iniquidade desenfreada, soltando as rédeas às práticas carnais, isto com exemplos vividos pela geração passada, resultando em costumes e corrupção do povo antediluviano. 

 

9) CURIOSIDADES DA DISPENSAÇÃO

  • A redenção prevista por Deus foi a arca de Noé. Enoque escapou por ser arrebatado por Deus;
  • Pelo pecado na primeira dispensação o homem perdeu a "Consciência de Deus" e ganhou a "consciência de si mesmo". Isso quer dizer que em vez da conhecer e ver os atos, estado e caráter de Deus, que ele começou a prestar conta a seus próprios atos, estado e caráter, quer fossem justos ou injustos.

 

10) ALIANÇA

  • A Aliança Adâmica (Gn 3.15) condiciona a vida do homem caído e dá a promessa de um Redentor. Esta aliança determinou a vida do homem decaído;
  • A Aliança Adâmica incluía as maldições proferidas contra a humanidade por causa do pecado de Adão e Eva, assim como a provisão de Deus para esse pecado (Gênesis 3:15);
  • Esta dispensação termina com um saldo negativo por parte do homem, e com um desejo de Deus em reatar sua relação com o homem. Isso se pode ver na promessa de Gênesis 3.15. Ao terminar essa dispensação, Deus faz seu segundo pacto com o homem. O Pacto Adâmico, feito com Adão depois da desobediência (Gen. 3.14-19).

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Teologia Sistemática - aula 1

I – DOUTRINA DA TRINDADE

1) A TRINDADE

Embora a palavra “Trindade” não apareça nenhuma vez nas Escrituras, são abundantes as vezes em que ela nos apresenta Deus como uma pluralidade de pessoas, mesmo sendo uma só essência divina.

 

2) A TRINDADE NO ANTIGO TESTAMENTO.

O termo plural “Elohim”  é usado muitas vezes no Antigo Testamento como designativo de Deus e é um forte argumento a favor da Trindade (Gn 14.19-20, Nm 24.16, Is 14.14). Deus fala de si mesmo no plural (Gn 1.26, 11.7). Na criação também há a presença das três pessoas na criação (Gn 1.1, 1.2, Jo 1.1-2). O anjo de Jeová (Jesus), ora é citado como o próprio Deus, ora é distinto dele (Gn 16.7,9,13, Ml 3.1).

 

3) A TRINDADE EM O NOVO TESTAMENTO.

Se no Antigo Testamento Jeová é apresentado como o Redentor e Salvador de seu povo (Jó 19.25, Sl 19.14), no Novo Testamento o filho é que tem essa capacidade (Mt 1.21). Se no Antigo Testamento é Jeová quem habita em Israel (Sl 74.2, Zc 2.10-11), no Novo Testamento é o Espírito Santo quem habita na Igreja (Rm 8.9). O Novo Testamento revela Deus enviando seu Filho ao mundo (Jo 3.16) e o Pai e o Filho enviando o Espírito Santo (Jo 14.26, 15.26). O Novo Testamento mostra o Pai dirigindo-se ao Filho (Mc 1.11), o Filho ao Pai (Mt 11.25), o Espírito Santo ao Pai (Rm 8.36). No batismo de Jesus o Pai fala e o Espírito desce em forma de pomba (Mt 3.16,17). A única passagem que fala explicitamente da tri-unidade de Deus está em I João 5.7.

 

4) COMO ENTENDER A TRINDADE?

Há no Ser divino apenas uma essência indivisível. Deus é Um em seu ser essencial, ou seja, em sua natureza constitucional. (Dt 6.4; Tg 2.19). Em Deus não temos três indivíduos separados uns dos outros, mas somente auto-distinções pessoais dentro da única essência divina. As três subsistências são relacionadas umas com as outras e distintas entre elas por suas propriedades incomunicáveis (Mt 3.16; 4.1; Jo 1.18; 5.20-22). O Pai é a primeira pessoa, o Filho é a segunda pessoa e o Espirito Santo é a terceira. Esta ordem não significa prioridade de tempo ou de dignidade.

 

II – ANTROPOLOGIA (ESTUDO DO HOMEM)

1) CONCEITO.

Antropologia, deriva do grego “antropos” (homem) e “logos” (ensino, estudo, doutrina). Em um sentido “lato senso”, significa “o que olha pra cima”, sendo a primeira indicação de adoração do homem a Deus.

 

2) A ORIGEM DO HOMEM.

O homem é um ser que se distingue de todos os outros seres criados, pela maneira como foi planejado e formado. O fato de ter sido formado à imagem e semelhança do Criador, revela que como é amado.

 

3) O HOMEM COMO IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS.

As palavras “imagem” e “semelhança” são empregadas como sinônimas e uma pela outra, não se tratando de coisas diferentes. Deus criou o homem com “justiça original”, verdadeiro conhecimento, justiça e santidade (Gn 1.31, Ec 7.29), mas não são apenas os atributos morais que fazem do homem imagem e semelhança de Deus, pois também devem ser considerados as faculdades intelectuais, os sentimentos e a liberdade. Em Gênesis elas são mencionadas na seguinte ordem: as duas palavras juntas (1.26), somente a primeira (1.27; 9.6), somente a segunda (5.1).

 

4) A NATUREZA DO HOMEM.

Existem duas correntes de opiniões sobre os elementos constitutivos da natureza humana:

  • Dicotomista, que defende que o homem tem dois elementos (corpo e alma, que é sinônimo de espírito);
  • Tricotomista, que defende que o homem tem três elementos (corpo, alma e espírito).

 

O homem deve ser considerado como uma unidade e não como dois ou três elementos movendo-se paralelamente. Esta unidade está clara desde o momento da formação do homem (Gn 2.4). Vale ressaltar que não é a alma e, sim, o homem que peca (Mt 5.28), assim como não é o corpo e, sim, o homem que morre (Ec 12.7) e que não é o espírito e, sim, o homem no todo que adora a Deus (Rm 10.9).

 

5) ALMA E ESPIRITO

O contexto bíblico apresenta os termos “alma” e “espírito” como sinônimos. Esses termos, traduzidos dos hebraicos “nephesh” e “ruach” e dos gregos “psyque” e “pneuma”. Um cuidadoso estudo das escrituras mostra claramente que ela emprega abundantemente essas palavras umas pelas outras. Ambos os termos indicam o elemento espiritual do homem, apenas sob diferentes pontos de vista:

  • Ora é a alma, ora é o espírito que louvam a Deus (Lc 1.46, 47);
  • Ora é a alma que se entristece (Mt 26.38), ora é o espírito (Sl 143.4);
  • Ora o homem é designado corpo e alma (Mt 10.28), ora corpo e espírito (Ec 12.7);
  • Ora a morte é descrita como a entrega da alma (Gn 35.18), ora como a entrega do espírito (Lc 23.46);
  • Ora os que estão no céu são tratados por almas (Ap 6.9), ora como espíritos (Hb 12.23);
  • Ora os que estão no inferno são chamados de almas (Mt 10.28), ora de espíritos (I Pe 3.19).

Fonte: Apostila Curso Básico de Teologia do SETEM – Seminário Teológico Manancial. Elaboração: Pb. Ailton da Silva  


Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

sábado, 17 de abril de 2021

Terra. A preparada para o homem - capítulo 2

CAPÍTULO 2

OS PRIMEIROS DIAS DA CRIAÇÃO

 Qual seria a reação do homem caso fosse criado e colocado para viver em uma completa escuridão? Como seria horrível, o medo, angústia e o sentimento de falsa proteção.

Deus já prevendo esta reação deu um de seus maiores presentes à humanidade, a luz, tornando tudo mais fácil, privando assim das dificuldades que seriam encontradas em um ambiente tomado pelas trevas. Mesmo neste caos a Terra não estava abandonada, pois o Espírito[1] de Deus paraiva sobre a face do abismo.

 

1º dia – Terra sem forma e o homem sem glória

Deus demonstrou perfeição, inteligência e brilhantismo quando ordenou à luz para que clareasse toda aquele inóspito ambiente, independente de haver ou não um astro para produzi-la, tornando esta uma das grandes interrogações[2] que que intrigam a ciência humana.

Como seria possível o surgimento de algo sem que houvesse a matéria prima ou fonte para criá-la ou mantê-la? Teria Deus iniciado o plano de criação pelo meio? O sol foi criado somente no quarto dia e com suas atribuições bem definidas, pois deveria determinar anos, estações e produzir calor. A Terra toda estava em trevas, a ordem no caos precisava ser estabelecida.

Esta luz, natural e diferente, possui uma fonte de energia que não está ao alcance do nosso entendimento. Também não depende do sol para existir, pois mesmo na mais completa escuridão ainda é possível enxergarmos.

A luminosidade e o calor produzidos pelo sol, lua ou estrelas não podem ser comparadas com a luz criada no primeiro dia. Exemplo disto são os dias nublados[3], onde a falta da manifestação destes astros não impedem a luminosidade.

Aquela luz era o próprio Deus se revelando, pois trouxe à existência às coisas que não podiam ser vistas. As trevas foram dissipadas e vencidas pela luz. Este foi o ponto inicial de todas as benfeitorias[4].

Deus absorveu toda a obrigação em melhorar a vida na Terra, pois o seu plano tinha somente um objetivo, facilitar ao máximo a nossa rápida estadia neste lugar. Ao ordenar o surgimento da luz no primeiro dia deixou bem claro todo seu amor e preocupação com o homem, já que as melhorias ou acréscimos de itens na estrutura deste planeta não caberiam à limitada raça humana operar.

 

“E disse Deus: Haja luz e houve luz”. (Gn 1.3)

 

Esta luz representa a revelação da verdade ao homem caído, que ora destituído da glória de Deus, sem salvação, sem esperança, se torna uma simples criatura que necessita urgentemente de salvação, pois vive em condições precárias. Deus vê o homem em trevas, sem forma, vazio e lhe oferece, sem merecer, a luz, através de seu Filho Unigênito.

Deus achou boa a luz e a considerou sua obra prima. Sentimento que pode ser comparado ao da satisfação do dever cumprido que proporcionarmos a Ele quando enxergarmos a luz e aceitamos Jesus como Salvador.

 

2º dia – Águas da Terra e águas do Céu[5]

No segundo dia Deus ordenou a separação[6] entre águas da Terra e as águas do alto. Deus criou um espaço para dar à Terra uma sensação de liberdade e o nomeou de firmamento, colocando-o na região mais nobre que existia, o alto. Este cenário foi dotado de umidade própria para formar as chuvas que regariam o planeta. As águas de cima foram contidas pelo firmamento para que não devastassem o planeta.

O sol seria criado somente no quarto dia, mas Deus sabia que o homem não suportaria toda a sua carga, por isso instalou também uma proteção capaz de absorver os raios solares nocivos a nossa saúde, sendo esta camada de vital importância para a nossa sobrevivência.

 

“E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas”. (Gn 1.6)

 

Outra finalidade desta camada, além de filtrar os raios solares, seria a de purificar o ambiente para retirar as impurezas do ar, apesar de que até aquele momento Deus havia criado apenas a luz, não vimos nenhuma menção de sua parte, em relação ao oxigênio, item importantíssimo para as reações químicas que se resultariam após todo o processo de criação, uma vez que o homem, os animais e a natureza, todos dependeriam e contribuiriam para a renovação deste ar.

Talvez por isto Deus tenha se preocupado tanto com a natureza, criando as grandes árvores frutíferas e dando a elas a função de purificarem o ambiente antes de dar vida a sua maior criação.

O plano de Deus era criar o homem e colocá-lo na Terra, mas tinha em seu coração o desejo de proporcionar condições dignas de vida, ou seja, não era tão somente despejá-lo[7] em um ambiente e dizer “se vira”, deixando-o a mercê de sua própria sorte.

Seria necessário algo mais, uma ajuda, um dom para distinguir o material do espiritual e o Divino do Maligno. Este discernimento é o instrumento que nos torna capazes de atribuirmos a Deus ou ao inimigo de nossas almas, os fatos sobrenaturais ocorridos em nosso meio. Por este dom também é possível distinguirmos, ouvirmos e entendermos a voz do Espírito Santo.

No momento da conversão, o homem se vê diante da luz que se manifesta à sua frente, mas é necessário que aceite e compreenda a vontade de Deus para a sua vida e que faça uso desta camada protetora contra os ataques do Maligno, sempre atribuindo a Deus as obras boas e logicamente ao Maligno os atos que tentem contra sua vida espiritual e carnal.

Assim foi encerrado o segundo dia da criação, ficando bem claro que a separação das águas tipificava a distinção entre as coisas espirituais e materiais, pois o espiritual ficaria na região nobre, o céu, enquanto que o material estaria na Terra. Estas duas dimensões ficavam bem separadas.

 

3º dia – porção seca (estrutura do homem)

No terceiro dia olhando para a Terra Deus viu que as águas estavam espalhadas sobre toda a sua superfície, então Ele ordenou que se ajuntassem[8] debaixo do céu para aparecerem à porção seca, que foram fixadas e condensadas, revelando assim o lado oposto, ou seja, de um lado estava às águas agitadas nos mares e oceanos bravios e do outro a solidez da terra firme, o nosso socorro bem presente na hora da angústia, o nosso porto seguro. Desde então estas duas grandezas respeitam os limites estabelecidos por Deus e procuram não invadir o espaço um do outro.

 

“E disse Deus: Ajuntem as águas debaixo dos céus num só lugar, e apareça a porção seca. E assim foi”. (Gn 1.9)

 

Deus ordenou o aparecimento[9] das ervas, sementes e árvores frutíferas, dando vida à natureza, sua oficina, seu local de trabalho. Desta forma criou um ciclo e um vínculo, pois a natureza produziria alimentos para o homem, após a sua criação e este por sua vez a tentaria preservar, em outras palavras, um dependeria do outro para existir.  Agora sim a Terra começava a dar condições de vida.

As duas forças que dominariam a Terra ficariam frente a frente, de um lado o homem, com a sua impiedade, sem medir as consequências de seus atos e do outro a natureza, frágil e forte, lutando contra o descaso destruidor humano.

Estava formada então a natureza, símbolo da Beleza e Santidade de Deus, a única que permanece fiel às suas ordens, produzindo alimentos e vida. A sua lentidão, precisa e perfeita provoca no homem o ímpeto para destruir, em pouco tempo, o que levou anos para ser formado.

Ajuntando as águas e revelando a porção seca Deus permitiu ao homem pisar em terra firme, manifestando assim o seu desejo de vê-lo tranquilo, salvo, transformado, seguro, convicto em sua crença.

No entanto, o ajuntamento[10] das águas não coibia as suas agitações, turbulências ou ondas, por isso esta separação foi necessária para garantir ao homem um abrigo, um local de descanso e refrigério. Na verdade, a porção seca tipificava as regiões celestiais em Cristo Jesus, lugares nunca antes pisados pelo homem e que continuariam sendo um mistério, se Deus não tivesse intervido. Assim foi encerrado o terceiro dia da criação.

 

4º dia – tempo de Deus e o tempo do homem

Deus criou, no quarto dia, dois grandes astros[11] e as estrelas, em grande número e as nomeando (Sl 147.3). Eles foram colocados no céu como ornamentos e tiveram seus movimentos regulados, para determinarem estações e anos.

Foi algo grandioso, magnífico, para auxiliar a humanidade no planejamento, controle de todos os acontecimentos do passado ajudando com isto a História.

 

“E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos”. (Gn 1.14)

 

Deus já havia ordenado o surgimento da luz[12], porque então criar o sol? A Terra já possuía uma fonte de claridade, mas ainda os anos e estações não estavam sendo determinados e não havia produção de calor em grande escala, tão necessário para o homem quanto para a natureza. Deus era sabedor que o homem teria necessidade de trabalhar durante um período e descansar no outro, prova física e clara de nossa limitação corporal.

E no ponto de vista histórico como estaria à humanidade se não existisse o sol para determinar dias e anos? A nossa história seria vaga, não existiriam registros ou provas, cada um defenderia suas ideias, deixando-nos envolvidos em uma verdadeira guerra de conhecimentos próprios, ideologias ultrapassadas, cercados de uma eterna escassez de memória histórica, totalmente perdidos, mas graças a esta criação foi possibilitado ao homem ter o controle cronológico de alguns fatos, universalizando assim teses. Deus viu que isto foi de grande valia para a humanidade.

Toda a importância dada a estes grandes astros foram suficientes para motivarem os únicos e maiores beneficiários, a adotarem-nos como deuses, esquecendo-se que nada mais são do que criações de Deus para facilitarem a vida. O homem deveria adorar ao Criador e não as suas criações que são inferiores a Ele e não são merecedoras de qualquer tipo de adoração. Sol, lua e estrelas determinam estações e dividem o tempo, somente isto. A eles não foram atribuídas forças ou poderes sobrenaturais.

A partir daquele momento, o homem conheceria e entraria na vontade de Deus. Teria ciência de que existiria um tempo determinado para todas as coisas, ou seja, nada aconteceria conforme o seu desejo, prazer ou necessidade, mas sim de acordo com o estabelecido por Deus, que não se submete as grandezas terrenas representadas através dos milênios, séculos, anos, dias, horas, minutos ou segundos.

Nenhum dos elementos de medição humana interferem no grande relógio de Deus, pois não atrasa, não adianta, não necessita de cordas, baterias ou qualquer outro tipo de energia. Possui somente um ponteiro, que aponta para a eternidade. Por isso, ao homem, não compete parar ou correr para adiantar-se ao tempo de Deus, pois o relógio permanecerá na mesma cadência.

 

5º dia – aves e animais (homem por cabeça)

Durante o passar dos anos o homem desbravou terra e mares[13] descobrindo, estudando, catalogando espécies de peixes, animais marinhos, aves e também inúmeras formas de vida, muitas delas minúsculas, quase invisíveis.

Esta riqueza surgiu na Terra exatamente no quinto dia, quando Deus, ordenou que as águas e os céus produzissem répteis, peixes de todas as espécies e aves, respectivamente, ordenando que enchessem os mares e povoassem os céus.


“E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente e voem as aves sobre a expansão dos céus”. (Gn 1.20)

 

A criação das aves do céu representava a liberdade do homem para alçar voos em direção ao celeste, ao espiritual. Do alto é possível contemplar as maravilhas de Deus, obras de suas mãos, bem como visualizar a diferença entre aqueles que estão e os que não estão na presença do Criador.

Voar, como os pássaros, estar por cima, por cabeça e não por cauda, com visão aguçada para enxergar o necessário, contemplando as grandezas de Deus, para depois mergulhar nas águas do Espírito.

A criação dos animais nos mares é prova de que o poder e as grandezas de Deus não são vistas somente de cima, pois podem ser contemplados quando o homem estiver por baixo, no escuro, escombros, monturos, solidão e nos momentos que antecedem decisões importantes. 

Poder e grandeza que também podem ser contemplados no mais estranho comportamento, na inaceitável atitude de um ser humano, nas mais humildes coisas, nos fracos, nas minúsculas criaturas, que às vezes não enxergamos ou valorizamos. O certo é que até mesmo nas profundezas dos mares pode ser refletida uma luz, através dos minerais ou dos próprios peixes.

Estes foram os primeiros dias da terra, momentos que Deus demonstrou toda a sua preocupação com o homem. Cada ato era uma preparação para o advento da coroa da glória da sua criação.


[1] O Espírito de Deus atuava como agente de equilíbrio na Terra sem forma e vazia.

[2] Como Deus pode criar luz sendo que ainda não havia o sol para produzi-la?

[3] Em dias nublados sentimos falta do calor produzido pelo sol, mas não da claridade, portanto o sol é fonte de calor e não de luz.

[4] Ao criar a luz no primeiro dia, Deus limitou a ação das trevas, criando algo oposto.

[5] Águas da terra (material), águas do céu (espiritual).

[6] Espaço existente entre as nuvens e os mares, conhecido como atmosfera, que deu à Terra uma sensação de liberdade.

[7] Como se estivesse sendo criado sem nenhum propósito.

[8] Não existia o sol, portanto não foi pelo processo de evaporação que ocorreu este ajuntamento.

[9] Deus originou a vida vegetal em sua forma mais baixa, sementes, ervas e frutos.

[10] Tanto o ajuntamento das águas quanto o dos homens não são sinal de tranquilidade.

[11] Deus criou dois grandes astros e estrelas para serem úteis à Terra, eles separariam dia e noite e determinariam dias, anos e estações do ano.

[12] A luz criada no primeiro dia era fonte de claridade e não de calor

[13] A maioria da vida está nos mares e rios. A fecundidade dos peixes é algo grandioso e espantoso para o ser humano.

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Neemias: Como sair do anonimato - Capítulo 2

 A CONSCIENTIZAÇÃO DO LÍDER 

1. QUEM FOI NEEMIAS:

Realmente não foi nada fácil a vida dos que não foram deportados para Babilônia, o pior era que não fizeram nada para mudar aquele quadro caótico. Houve necessidade que Deus levantasse outro homem de fora, de longe, pois os poucos e desanimados moradores não perceberam o conformismo e o comodismo.

Neemias, servindo a corte persa, não tinha obrigação de demonstrar tanta preocupação por Jerusalém. Mesmo depois de conhecer a situação da cidade não haveria necessidade do desabafo com o rei Artaxerxes, a não ser que sentisse em seu coração um chamado muito forte.

Foi filho de Hacalias, irmão de Hanani (Ne 1.1; 7.2) e ardeu em seu coração o desejo de ajudar o povo que estava em grande desprezo e miséria. Mesmo diante de sua ocupação no palácio real reservou um tempo para ouvir de seu irmão um relato sobre a cidade, que sequer conhecia.

Serviu ao rei Artaxerxe I, na corte persa, como copeiro, em meio ao luxo, facilmente se iludiria com o sistema politeísta medo-persa, mas nunca se deixou corromper pelas ofertas ou práticas pagãs.

O ponto crucial de sua vida, o divisor de águas foi a sua empatia e preocupação com a cidade de Davi, outros em sua posição, jamais desprezariam suas funções na corte para viajar e auxiliar um povo, que não mexia um dedo, sequer para mudar a sua própria situação.

Não era um general, um engenheiro, construtor de grande porte, diplomata, mas possuía qualidades tais, pois no decorrer da obra enfrentou perigos, inimigos, dificuldades, oposição de estrangeiro e outras situações. Sentiu a chamada de Deus em sua vida quando ouviu o catastrófico diagnóstico da cidade. No seu entendimento ainda havia solução?

A distância entre Susã, a fortaleza (Et 1.2) e Jerusalém, cerca de 1600 km, não foi obstáculo. A alegria, vitória, dores e problemas do povo também seriam seus. Mesmo tendo pouco conhecimento sobre a cidade, seguiu viagem.

O único que poderia impedir sua viagem seria o próprio rei, pois seria difícil encontrar outro homem em que pudesse depositar tamanha confiança, mas foi o primeiro gentio que ouviu as lamentações de Neemias e desde o inicio o incentivou que fosse a realizar o que Deus havia colocado em seu coração. Em nenhum momento duvidou, imaginou ou insinuou que a viagem tivesse outro interesse que não o apresentado por Neemias. O rei permitiu a viagem e lhe deu as cartas necessárias.

A reconstrução da cidade poderia ser uma realidade distante e inatingível ou não, pois já estavam trabalhando neste intento, inclusive o Templo estava reerguido, mas o principal era atentarem para os muros ao redor, que deveriam ser reconstruídos imediatamente, pois de nada adiantaria investirem na cidade e esquecerem da proteção.  Era sabedor que a tradição, história, cultura, religiosidade dos judeus dependia daquela cidade.

  

a) Missão de Hanani: abalar a estrutura do líder:

Neemias esperava ouvir de Hanani boas notícias sobre a cidade, pois já era tempo da reconstrução estar a pleno vapor, mas o que ouviu o deixou triste e receoso pelo futuro da nação. Esta conversa selou o chamado daquele homem, a partir daquele momento nunca mais foi o mesmo. Era a oportunidade que fazer algo para Deus. Alguém poderia condenar Hanani por ter ido tão distante para entregar noticias tão ruins.

 

2. ORAÇÃO – CONFIRMAÇÃO DA CHAMADA: 

Neemias teria sucesso sem oração? A sua comoção pela situação da cidade foi o combustível que o impulsionou a clamar em favor da cidade e para receber de Deus a confirmação de sua chamada (1.4-11). Se não tivesse orado em favor da cidade certamente teria somente lamentado toda aquela situação e não teria ido a lugar algum.

Cerca de quatro meses de oração (1.1; 2.1 – quisleu à nisã do 20º ano do rei Artaxerxes) e então sentiu forças para solicitar ao rei a permissão para sua viagem. A obra da reconstrução do muro e das portas foi concluída em exatos cinquenta e dois dias, praticamente a metade do tempo em que ele ficou em oração (6.15)

Um líder, que negligencia o momento de oração, se torna presa fácil para o inimigo. Decisões erradas, precipitadas ou tendenciosas são consequências da falta de oração e vigilância.

 

3. INÍCIO DO MINISTÉRIO DE NEEMIAS: 

Neemias deixou sua função e o conforto no palácio e “pela fé, recusou a ser chamado copeiro do rei”, antes preferiu conhecer in loco a situação e sofrimento de seu povo, tal como aconteceu com Moisés. Jerusalém sem muro não tinha proteção contra os seus inimigos, contra falsos profetas, heresias, falsos ensinos. A preocupação era muito mais do que somente com a aparência e estética da cidade.

Quando Neemias ouviu o relato de que os muros estavam derribados e fendidos, o seu coração ardeu. Como o povo não atentava para esta situação? De que adiantava a reconstrução do Templo, o resgate da fé monoteísta e práticas agradáveis se estavam desprotegidos? O primeiro inimigo que se levantasse seria capaz de invadir e destruir tudo novamente. Haveria fé e animo suficientes para outros mutirões? E o que dizer de ladrões, salteadores, doenças, enganadores com livre trânsito?

 

a) Oração de um verdadeiro líder:

  • Reconheceu a autoridade de Deus (1.5);
  • Confessou os pecados e intercedeu pelo povo (1.6);
  • Lembrou de Moisés (promessas e advertências–1.7);
  • Mencionou o compromisso de Deus com Israel (1.9);
  • Se colocou em favor dos judeus;
  • Foi persistente, fervoroso, específico e direto.

 

b) A necessidade dos muros:

  • O que teria acontecido com os discípulos se a embarcação tivesse se rompido durante a clássica tempestade que Jesus acalmou? As ondas açoitavam o barco constantemente (Mc 4.37) e não atacava propriamente os homens a bordo. O ataque primeiro foi contra o barco. Certamente morreriam quando tudo fosse destruído. Povo no mar, sem proteção são presas fáceis e o mesmo se aplica a Jerusalém sem os muros?
  • E todos os dias Jesus acrescentava à igreja aqueles que se haviam de salvar (At 2.47). O intuito era reuni-los para protegê-los do mal e do ataque do inimigo.

Neemias, de princípio, não tinha autoridade e experiência para reunir grandes exércitos ou um número elevado de trabalhadores, tampouco condições para levantar e guiar os judeus de volta para Jerusalém, mas foi capacitado por Deus.

O primeiro sentimento que nasceu em seu coração foi o desejo de retorno para trabalhar e não o de se intitular salvador da pátria judaica, o grande general responsável pela reconstrução, mas isto somente aconteceu porque após ouvir as noticias a sua primeira atitude foi se colocar diante de Deus em oração. Que caminho seguir? Condições para sensibilizar o povo e reuni-los seria humanamente impossível? Se os que estavam morando na cidade não faziam nada imaginem então os que estavam em uma zona de conforto e tranqüilidade, mesmo servindo outro império? Prova disto é que muitos não voltaram quando foram autorizados.

Uma atitude simples (Ne 1.4), mas necessária, pois o primeiro passo seria receber de Deus a confirmação para que não agisse somente por emoção. Após esta oração apresentou diante do rei que percebeu a tristeza do seu servo e ouviu as suas lamentações sobre a cidade. Naquele momento Neemias transpassou a primeira barreira de sua nova carreira. Recebeu o aval, a confirmação para sua empreitada.

O início do ministério de Neemias foi baseado em uma das mais significativas orações registradas na Bíblia. Oração reverente, adorando a Deus, atribuindo-lhe todo o poder, reconhecendo a autoridade, fazendo menção do compromisso estabelecido com seu povo, confessando os pecados de todos os envolvidos na historia e intercedendo por todos.

Neemias intercedeu e se colocou em favor deles, mesmo que não conhecesse boa parte de sua linhagem. Desde o principio, quando ouviu os relatos de seu irmão, sentiu as dores e a aflição da cidade. Chorou, lamentou, orou e jejuou vários dias, persistente, fervoroso e foi bem específico e direto, pois não rodeou, já foi apresentando a Deus o pecado dele e do povo (Ne 1.7).

Neemias poderia até ter imaginado que não seria fácil o rei permitir sua viagem a Jerusalém, mas através de sua oração contemplou o trabalhar de Deus, viu cair por terra o medo, pois não somente teve o seu pedido atendido como também foi confortado (Sl 33.12).

Não tomou atitudes precipitadas. Precisava de confirmação e autorização do rei. Não abandonou o palácio, não solicitou autorização do rei antes da oração, pois não queria se adiantar ao processo. Em sua mente tudo seria direcionado conforme a vontade de Deus. Em nenhum momento acusou ou culpou o povo pelos seus pecados, simplesmente confessou.

 

4. COMENTÁRIOS ADICIONAIS:

  • Notícias de Hanani: povo caído, sacerdotes distantes de Deus, cidade em ruínas. É o fim de Jerusalém;
  • José acordou prisioneiro e dormiu governador, enquanto que Neemias acordou copeiro e dormiu como governador;
  • As lamentações de Neemias. Só um rei parou para ouvir;
  • Qual império, da época, desejava Jerusalém? Ninguém queria mais, nem mesmos os moradores;
  • Durante a viagem ele foi refletindo sobre as suas primeiras atitudes e como encontraria a cidade. Teria que apresentar a vitória, pois a derrota já era conhecida;
  • Dentre os moradores de Jerusalém havia muitos que possuíam as mesmas forças e ideias de Neemias, mas nenhum tomou atitude. O que faltou? Chamada, liderança, dom ministerial?
  • Hanani plantou a semente, a raiz cresceu (para baixo) e agora o crescimento seria com Deus;
  • Neemias conseguiu fazer com que o rei mudasse um decreto real, nem mesmo Daniel conseguiu. Teve que ir para a fornalha de fogo. A obra havia sido paralisada e foi retomada;
  • Tríplice função de Neemias: trabalhar, motivar o povo e vigiar. 

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)