Presidente Prudente (SP),

Apresentação da lição em power point

sexta-feira, 6 de junho de 2014

O ministério de mestre ou doutor. Plano de aula


TEXTO ÁUREO

De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada: [...] se é ensinar, haja dedicação ao ensino (Rm 12.6,7).


VERDADE PRÁTICA
Os vocacionados por Deus para o ministério do ensino são por Ele chamados para edificar a Igreja de Cristo.

LEITURA BIBLICA EM CLASSE - Mt 7.28,29; At 13.1; Rm 12.6,7; Tg 3.1.
Mt 7.28 - E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina,
Mt 7.29 - porquanto os ensinava com autoridade e não como os escribas.
At 13.1 - Na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé, e Simeão, chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo.
Rm 12.6 - De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada: se é profecia, seja ela segundo a medida da fé;
Rm 12.7 - se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino;
Tg 3.1 - Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo.

PROPOSTA
         Jesus transforma a consciência do acomodado;
         E aquieta o coração do perturbado;
         O “Deus conosco” encurvou-se diante dos homens;
         Atos: registro da obediência dos primeiros apóstolos;
         Doutrina dos apóstolos: conjunto de ensinos de Cristo;
         A igreja começou nas casas. Ensino para poucos;
         Ministério eficaz: é preciso pessoas vocacionadas;
         O discipulado não termina no batismo;
         Existem pessoas que não creem no que ensinam?

INTRODUÇÃO
O ministério do ensino da Palavra é primordial para a igreja exercer o discernimento no que tange ao tempo em que vive (culturas, teologia, filosofias etc.). Se torna um grande desafio colocar em prática este dom diante das urgências existências dos dias contemporâneos. A tarefa do educador cristão é levar os alunos a pensarem as demandas da existência à luz do Evangelho e segundo os aspectos positivos e negativos do Reino de Deus (Mt 5-7).

Tão importante é a função do mestre na igreja que as Escrituras declaram o quanto ele deve esforçar-se intelectualmente para exercer tão nobre tarefa (Rm 12.7; 1 Tm 4.13). É uma tarefa importante e indispensável que exige muito de quem a desempenha. Jesus é o grande exemplo a ser seguido no tocante ao assunto, pois durante seu ministério terreno observou a situação e se esmerou em ensinar com propriedade acerca da política e contra o materialismo e mostrou aos discípulos o verdadeiro sentido da vida humana, segundo a perspectiva do Reino de Deus.

O dom ministerial de Mestre é concedido por Deus para que os portadores trabalhem a fim de instruírem o rebanho do Senhor durante os ataques do Maligno. É portanto um dom que vem do alto e não de baixo, vem de Deus e não dos homens. É uma capacitação espiritual e não terrena.

Nunca foi tão atual e necessário a figura do mestre cristão na igreja, pois os crentes devem ser ensinados e levados a estudarem a Bíblia para compreenderem o mundo e a cultura bíblica e relacioná-la com o mundo do século XXI, aplicando-a de maneira coerente para não sofrerem com as conseqüências dos ataques maléficos ou para serem amenizados seus efeitos.

I. JESUS, O MESTRE POR EXCELÊNCIA
1. O MESTRE DA GALILEIA. 
Doutor incomparável, “percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, e pregando o evangelho do Reino [...]” (Mt 4.23). Ele nunca recusou ser chamado de Mestre (Jo 13.13), haja vista ser o ensino um dos pilares de seu ministério terreno.

Sua missão foi apresentar a si mesmo e o Pai aos judeus. Materializou na terra o amor do que veio do céu, por isto seus sermões, ensinos e discursos foram inflamados pelo amor às pessoas. Diferente dos escribas, Ele ensinava como quem tinha autoridade (Mt 7.28,29). A verdade emanava da pessoa de Jesus! Os que o ouviam só tinham duas opções: amá-lo ou odiá-lo. Era impossível ouvi-lo e ficar indiferente. Jesus transtornava a consciência do acomodado e aquietava o coração do perturbado.

A inteligência espiritual de Jesus estava muito além do que se via na época, mas Ele também esteve no exercício da inteligência múltipla:
  • Lógica: Efetuou cálculos rápidos, 1+1=1. “Eu e o Pai somo um” (Jo 10.30);
  • Linguística: O pregador por natureza se comunicou com os judeus e gentios. Entendeu, na época, todos os idiomas, conhecia a cultura de cada um deles. Ele foi a luz para os gentios (cf Is 49.6);
  • Corporal: Jesus expressou todo o seu amor com o seu corpo na cruz do Calvário;
  • Naturalista: soube andar sobre as águas e soube lidar com o vento e o mar que lhes obedeciam (Mc 4.41);
  • Intrapessoal: Jesus tomou a atitude correta. “[...] afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres” (Mc 14.36);
  • Interpessoal: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundancia” (Jo 10.10);
  • Espacial: Jesus sabia muito bem onde posicionar a cruz – em um monte fora de Jerusalem;
  • Musical: “e, tendo cantado o hino, sairam para o monte das Oliveiras” (Mt 26.30).


2. O MESTRE DIVINO. 
Em visita a Jesus, um mestre da Lei chamado Nicodemos, educado nas melhores escolas religiosas de Israel e grande conhecedor das Escrituras hebraicas, reconheceu em Jesus um personagem incomum de seu tempo (Jo 3.1,2), isto prova que a inteligência espiritual de Jesus era muito superior a dos homens. Esse mesmo fariseu, que era príncipe dos judeus, afirmou que o Nazareno não poderia fazer o que fazia se Deus não fosse com Ele. Jesus é chamado Mestre cerca de quarenta e cinco vezes ao longo do Novo Testamento. Augusto Cury em seu livro O Mestre da Sensibilidade falou acerca da inteligência de Jesus:

“Todo radicalismo intelectual engessa a inteligência e fere o bom senso”. (p. 12).

“Se quisermos observar a inteligência e a maturidade de alguém, não devemos analisá-las nas primaveras, mas nos invernos de sua existência” (p. 14).

“Na escola da vida, o melhor aluno não é aquele que tem consciência de quanto sabe, mas de quanto não sabe, não é aquele que proclama sua perfeição, mas o que reconhece suas limitações. Não é aquele que proclama sua força, mas o que educa a sua sensibilidade”. (p. 15).

“Dialogava afavelmente com as prostitutas, jantava na casa de leprosos e era amigos dos publicanos”. (p. 26).

“O mestre dos mestres “conseguia ouvir o que as palavras não diziam”. (p. 28).

“O mestre dos mestres os colocou numa escola sem muros, ao ar livre. E por estranho que pareça, nunca dizia onde estaria no dia seguinte, onde seria o próximo encontro, se na praia, no mar, no deserto, na montanha, no pórtico de Salomão ou no Templo. O que indica que ele não pressionava as pessoas a segui-lo, mas desejava que elas os procurasse espontaneamente: Quem tem sede venha a mim e beba” (p. 31).

“Os seus seguidores entraram numa academia de sábios, numa escola de vencedores. As primeiras lições dadas àqueles que almejavam ser vencedores eram: aprender a perder, reconhecer seus limites, não querer que o mundo gravite  em torno de si, romper o egoísmo e amar o próximo como a si mesmo” (p. 31).

Jesus ensinou com autoridade (Mt 7.29) e o seu ensino era fácil de ser assimilado, pois usava uma linguagem universal, conhecida, usava figuras e temas do cotidiano (semeador, semente, pastor, ovelha, filho e pai, moeda perdida, vestido velho e remendo novo, pescador, rede, casas construídas na rocha e areia), mas Ele também ensinou através do seu exemplo (ortodoxia – saber fazer o certo. Ortopraxia – viver o que sabemos ser o certo). Um dos pontos fortes de seu ensino foi justamente o fato de não ser preciso acrescentar mais nada, Ele revelou e nos ensinou tudo.

3. O MESTRE DA HUMILDADE. 
A fim de ensinar os discípulos acerca da humildade, Jesus “levantou-se da ceia, tirou as vestes e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois, pôs água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido” (Jo 13.4,5). Que cena chocante para os judeus! Eles ficaram assombrados. A pergunta de Pedro descreve essa perplexidade (v.6). Era inimaginável um mestre encurvar-se para lavar os pés de pessoas leigas. Jesus era um mestre e deu o exemplo aos discípulos. O Emanuel, “Deus conosco”, encurvou-se diante dos homens! Isso se deu porque o ensino de Jesus não era mero discurso, mas “espírito e vida” (Jo 6.63), era ortodoxia seguida de ortopraxia. Ele nos convida a fazer o mesmo: “Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (Jo 13.13-15).

II. O ENSINO DAS ESCRITURAS NA IGREJA DO PRIMEIRO SÉCULO
1. UMA ORDEM DE JESUS. 
Antes de ascender aos céus, de modo solene Jesus determinou aos seus discípulos que ensinassem “todas as nações [...] a guardar todas as coisas” que Ele tinha ordenado (cf. Mt 28.19,20). O livro de Atos registra a obediência dos primeiros apóstolos no cuidado de cumprir a determinação de Jesus. Após a descida do Espírito Santo (At 2.1-6), o discurso de Pedro foi um verdadeiro ensino proferido no poder do Espírito Santo (At 2.14-40), seguido de uma defesa daqueles que estavam experimentando o poder de Deus, os quais haviam sido taxados de embriagados ainda durante o dia. O pregador expôs a Palavra e defendeu a sua fé e de seus companheiros.

Tendo em vista a plena edificação da Igreja na Palavra, o Senhor Jesus, através do Espírito Santo, dotou alguns de seus servos com o dom ministerial de mestre ou doutor (Ef 4.11). Esse dom é uma capacitação sobrenatural do Espírito. Isso não significa, porém, que devemos descuidar de nossa formação intelectual, pois o preparo para o ensino passa pela capacidade de aprender para posteriormente ensinar.

2. A DOUTRINA DOS APÓSTOLOS. 
O texto de Atos 2.42 informa-nos que os primeiros convertidos “perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações”. Além disso, acrescenta que em “cada alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos” (v.43). A “doutrina dos apóstolos” aqui referida trata-se do conjunto de ensinos de Cristo ministrados por eles de forma constante e eficaz para o crescimento integral dos novos crentes.

A igreja primitiva sentia gosto em sentar para ouvir a pregação, ensino e testemunho dos apóstolos, afinal não era todo dia que se podia ouvir o relato de alguém que tivesse andado lado a lado com Jesus durante seu ministério terreno. Certamente os olhos dos ouvintes e crentes primitivos enchiam de lágrimas quando ouviam os apóstolos, bem diferente da igreja moderna que não demonstra o mesmo sentimento e atenção, pois enquanto a Palavra está sendo ministrada, muitos estão conversando, transitando no templo, descendo e subindo dos altares em uma total demonstração de falta de respeito e apreço.

3. ENSINAMENTO PERSISTENTE. 
Os primeiros mestres das Escrituras foram os integrantes do Colégio Apostólico (At 5.42, cf. vv.40,41). A Igreja começou nas casas, onde o ensino era ministrado a pequenos grupos nos lares. O interesse era demonstrados pelos ouvintes e crentes primitivos e a motivação dos apóstolos crescia cada vez mais.

Falando aos anciãos de Éfeso, o apóstolo Paulo mostrou-se como um verdadeiro mestre que ensinava “publicamente e pelas casas, testificando, tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo” (At 20.20,21). Deus havia preparado homens para ensinar e levantado “doutores” na igreja em Antioquia (At 13.1). O Pai Celestial igualmente deseja levantar mestres em sua igreja. Vivemos dias em que este ministério nunca foi tão necessário.

III. A IMPORTÂNCIA DO DOM MINISTERIAL DE MESTRE
1. UMA NECESSIDADE URGENTE DA IGREJA. 
Para o ministério de ensino ser eficaz na igreja local é preciso haver pessoas vocacionadas. Não são todas que reúnem informações exegéticas, históricas e literárias da Bíblia, aplicando-as como é necessário. Deus concedeu à sua igreja mestres, e é preciso que ela invista neles também.

Muitas vezes, por absoluta falta de preparo dos obreiros, predomina a superficialidade bíblica, a infantilidade “espiritual” e o aumento do engano promovido pelas astúcias dos falsos mestres (2 Pe 2.1). Esse dom do Senhor é para a igreja amadurecer em todas as dimensões da vida cristã, ao mesmo tempo em que desmascara os falsos ensinos (Ef 4.14; Os 4.6), livrando assim os crentes da apostasia e da falta de conhecimento.

2. A RESPONSABILIDADE DE UM DISCIPULADO CONTÍNUO. 
Estamos acostumados a pensar que o discipulado termina quando o novo convertido é batizado. Não há nada mais equivocado! O Senhor Jesus chamou-nos para ser os seus discípulos por toda a vida. Por isso, quem ensina instrui os crentes para a maturidade da fé. É um aprendizado diário, permanente e contínuo, tanto para quem é discipulado quanto para quem está discipulando! Devemos agir como os evangelizadores, discipuladores e pregadores da igreja primitiva, pois eles não se cansavam de tanto ensina todos os dias em todas as casas (At 5.42).

3. REQUISITOS NECESSÁRIOS AO MESTRE. 
Apresentaremos alguns requisitos importantes para a igreja reconhecer pessoas com o dom ministerial de mestre em nossa época:
a) Um salvo em Cristo. Não pode haver dúvidas quanto à própria experiência salvífica por parte do vocacionado para o ministério do ensino (2Tm 2.10-13). Infelizmente há pessoas que não creem naquilo que ensinam. Assim, não há verdade nem firmeza nelas.

b) O hábito de ler. Em nosso país, a leitura é um problema cultural. Se as pessoas leem pouco, a igreja pouco lerá. Entretanto, como ensinaremos se não lermos? O hábito da leitura era levado a sério no ministério do apóstolo Paulo (1Tm 4.13; 2Tm 4.13).

c) Preparo intelectual. A Bíblia é o instrumento de trabalho do ensinador cristão. Considerando este livro milenar, veremos que a cultura e o mundo da Bíblia são diferentes do nosso. Por isso, o mestre deve compreender o mundo da Bíblia (suas questões culturais, linguísticas, exegéticas etc.) para não fazer apelações fantasiosas, apresentando-as como exposição da Palavra de Deus.

d) Um coração em chamas. Martin Loyd-Jones dizia que a verdadeira pregação era teologia em fogo. É vontade de Deus que o vocacionado ao ensino utilize os avanços das ciências bíblicas para pregar a Palavra de Deus na força do Espírito Santo. Precisamos alcançar as mentes e os corações dos nossos dias, e isto apenas será possível quando tivermos obreiros com uma mente bem preparada e conectada a um “coração em chamas” e apaixonado por Jesus (At 3.12-26).

Mas também é imprescendível que aquele que deseje este dom sente-se, um dia, para aprender, tal como fizeram os discípulos, para que depois possam ser levantados para ensinar a igreja. Deve demonstrar interesse em aprender, dando exemplo para os seus futuros alunos.

CONCLUSÃO
É preciso desfazer a ideia propagada ao longo de décadas acerca do preparo intelectual do crente. Não é verdade que necessariamente ele esfriará na fé se estudar. Se fosse assim Paulo seria o mais frio dos apóstolos do Novo Testamento, pois não havia obreiro mais bem preparado que ele (At 17.15-34; Tt 1.12). Este, no entanto, soube conjugar preparo intelectual e poder do alto. É disso que as nossas igrejas precisam: homens cheios do Espírito, mas do mesmo modo, com a mente iluminada para responder, com mansidão e temor, a razão da nossa esperança (1Pe 3.15).

OBJETIVOS DA LIÇÃO – FORAM ALCANÇADOS?
1.   A inteligência de Jesus é muito superior à nossa;
2.   A ordem de Jesus foi direta e clara: Ensinem a todos;
3.   Dom ministerial de ensinador: necessário para a igreja.

REFERÊNCIAS
Bíblia de estudo aplicação pessoal. CPAD, 2003.

Bíblia de Estudo Temas em Concordância. Nova Versão Internacional (NVI). Rio de Janeiro. Editora Central Gospel, 2008.

Bíblia Sagrada. Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000.

Bíblia Sagrada – Harpa Cristã. Barueri, SP. Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro. Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2003.

CURY, Augusto. O Mestre da Sensibilidade. Editora Sextante. Rio de Janeiro, 2012


LOURENÇO, Luciano de Paula. O ministério de Pastor. Disponível em:http://luloure.blogspot.com.br/2014/06/aula-10-o-ministerio-de-mestre.html. Acesso em 05 de junho de 2014.

Por: Ailton da Silva - Ano VI (desde 2009)

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