Álvares Machado, SP -

Apresentação da lição em power point

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sexta-feira, 11 de março de 2011

Plano de aula e resumo - lição 11

A fé sem circuncisão é morta?
Evangelho ou a lei ?
Os legalistas ou os liberais?

INTRODUÇÃO
Logo nos primórdios da igreja cristã precisou lidar com controvérsias que colocaram em risco a sua unidade doutrinária. Surgiram aqueles que não foram cautelosos e cuidadosos, deixando-se levar pelo fermento dos fariseus, apesar das advertências de Jesus durante o ministério terreno (Mt 15:10-20; 16:1-12; Mc 8:15-21), querendo exigir a observância da lei como um requisito para a salvação (At 15:1,5).

Com o início da pregação aos gentios, em Antioquia, os segmentos judaizantes de Jerusalém, agindo por conta própria e sem a autorização do seu pastor, Tiago, o irmão do Senhor (At 15:24), foram ao encontro das igrejas gentílicas que se formavam, pregando a necessidade da prática da lei para que houvesse a salvação. O tumulto foi tão grande (At 15:2) que foi preciso reunir os apóstolos e os anciãos da Igreja em Jerusalém e sob a orientação do Espírito Santo, decidir a respeito.

A questão era apenas uma, mas levava a várias outras:
· Os gentios deveriam guardar a lei mosaica para serem salvos?
· Os gentios deveriam se igualar religiosamente aos judeus?
· Como vencer as dificuldades que pareciam impedir a formação de uma igreja única?
· Como unir os gentios religiosamente sem a obrigação de guardar a lei mosaica?
· Como uni-los socialmente como irmãos iguais na família de um pai comum?
· Como impedir que os judeus cristão se escandalizassem com as atitudes dos gentios?

Paulo evangelizou os gentios sem os judaizar, mas os radicais que permeavam a Igreja queriam que esses novos convertidos adotassem o costume judaico.

I – O QUE É UM CONCÍLIO
Definição: Reunião em que se trata de assuntos dogmáticos, doutrinários ou disciplinares, fé, costumes (moral) e disciplina eclesiástica. Do latim concilium (reunião, assembleia, concílio, entrevista), Assembléia do alto clero para tomar decisões disciplinares ou de fé; Cânones ou decisões conciliares; Congresso; assembléia. O vocábulo concílio foi substituído, na atualidade, pelo termo convenção. O importante é que estas reuniões, tanto ordinárias como extraordinárias, sejam assistidas pelo Espírito Santo.

2 – OS CONCÍLIOS DO ANTIGO TESTAMENTO
Ao longo da história de Israel ocorreram várias reuniões deliberativas entre os líderes para tratar das urgências nacionais e das crises que surgiram (II Cr 34:29; Ed 10:14; Ez 8:1).

A primeira ocasião em que surge a necessidade do povo de Deus reunir-se em assembléia para a tomada de uma importante decisão. YAHWEH ordena a Moisés que reúna os anciãos (literalmente os barbados), aqueles em idade avançada que, pela grande experiência e autoridade, eram os líderes do povo hebreu. Esses são os cabeças de famílias que representariam Israel.

3 – OS CONCÍLIOS DO NOVO TESTAMENTO
As questões de suma importância e que influenciariam o futuro da Igreja, foram tratadas e decididas em 3 reuniões promovidas pelos líderes, orientados pelo Espírito Santo:
· At 1.15 para elegerem Matias como substituto de Judas e para aguardarem a chegada do Espírito Santo;
· At 6.2 para tratarem acerca da assistência social, ocasião em que foi eleito sete homens para se dedicarem exclusivamente neste ministério;
· At 15:6-30) para tratarem de temas que estavam dividindo os primeiros cristãos: de um lado os judaizantes (judeus convertidos) e do outro os gentios (os convertidos não-judeus, que eram maioria).

II – A IMPORTÂNCIA DO CONCILIO DE JERUSALÉM
O Concílio de Jerusalém é citado como o primeiro e mais importante, talvez em virtude da importância de suas decisões para a expansão do Evangelho.

Este foi nome dado a esta reunião efetuada por delegados enviados pela igreja de Antioquia (liderados por Paulo e Barnabé) com os apóstolos e anciãos da igreja de Jerusalém, a fim de dirimir dúvidas e questões doutrinárias originadas pelo grande influxo de convertidos gentios na igreja (At 15:2-29).

Provavelmente no ano de 49 d.C. e se tornou o marco definitivo da ruptura do judaísmo com o cristianismo. A admissão de gentios (não-judeus) era um fato de difícil compreensão para os crentes-judeus, que ainda se encontravam em parte presos às velhas tradições e práticas antigas. Entre eles estabeleceu-se uma dúvida e uma polêmica: os gentios que se convertiam deveriam adotar algumas das práticas antigas da Lei Mosaica para serem salvos, inclusive a circuncisão.

Logo a princípio, Paulo percebeu que esse ensinamento era contrário à fé cristã, e que punha em risco o evangelho de Cristo, desconsiderando a Sua morte expiatória (Gl. 2.21; 5.1-6). Caso a igreja optasse pela doutrina dos judaizantes, a morte de Cristo perderia a razão de ser, e o cristianismo não passaria de uma facção de judaísmo (Gl. 3.1-3).

O posicionamento contundente de Paulo em relação aos judaizantes revelava o risco que o evangelho estava enfrentando e a necessidade de defender os princípios básicos da fé cristã e o futuro da igreja de Jesus Cristo.

Pedro lembrou do episódio de Cesaréia, na residência de Cornélio, como testemunho de aqueles foram salvos assim como eles.

Tiago, o meio-irmão do Senhor, líder da igreja em Jerusalém, também confirmou que Deus estava visitando os gentios, a fim de construir dentre eles um povo para o seu nome (At. 15.14). Para ele, aquela realidade confirmava as palavras dos profetas (At. 15.15).

Não eram algumas práticas cultuais judaicas que estavam em jogo, mas sim a verdade do evangelho e o futuro da Igreja. Se os apóstolos cedessem à pressão dos judaizantes, o cristianismo tinha-se transformado em mera seita judaica. Havia, portanto, o perigo de a igreja se dividir em facções teológicas rivais, cada apóstolo ensinando um evangelho diferente, destruindo a unidade da igreja.

A igreja de Antioquia percebeu o problema e adotou medidas práticas para resolver a questão. O Concílio de Jerusalém conseguiu uma dupla vitória, pois confirmou o evangelho da graça e o amor ao preservar a comunhão e a unidade através de concessões compassivas aos escrúpulos dos judeus conscienciosos.

1 - CONVOCAÇÃO
A visita dos judaizantes a Antioquia, para pregar à moda antiga (At 15.24), provocou o encontro de Jerusalém a fim de discutir este problema.

A convocação de um concílio pode ser extremamente valiosa, se o seu propósito for esclarecer alguma doutrina, acabar com controvérsias e promover a paz. E este era o propósito precípuo do Concílio de Jerusalém.

A igreja de Antioquia resolveu enviar Paulo e Barnabé e alguns outros dentre eles a Jerusalém. Assim que chegaram, Paulo se reuniu com os apóstolos e lhe deu um relatório completo acerca do evangelho que estava pregando aos gentios.

2. Presidência.
O presidente do conselho era o Espírito Santo. Jesus prometera que o Espírito Santo guiaria os fiéis em toda a verdade (João 16:13). Certamente, o Concílio foi liderado pelo apóstolo Tiago, que era o líder da Igreja de Jerusalém (Atos 21:18). Embora Pedro tenha iniciado a discussão não significa que ele tenh presidido o Concílio. Pedro iniciou o debate porque Deus o usou para instigar a quebra da barreira de comunicação e de relacionamento que havia entre os judeus e gentios (Atos 10).

3. Debates.
Os da circuncisão (cristãos judeus), principalmente da igreja de Jerusalém, que criam que o sinal da circuncisão do AT era necessário a todos os crentes da Nova Aliança, ensinavam que os crentes judaicos não deviam comer com crentes gentios não circuncidados e que não observassem os costumes e as restrições sobre os alimentos dos judeus.

A Igreja de Antioquia da Síria era unida e conservava-se em plena comunhão, mas essa tranquilidade foi quebrada com a chegada de um grupo que Paulo mais tarde chamou de perturbadores. Alguns indivíduos desceram da Judéia para Antioquia (15:1). Eles eram fariseus (15:5) e zelosos da lei (21:20).

A circuncisão dos gentios não era a única exigência deles. Eles iam além. Os convertidos gentios também eram instigados a observarem a lei de Moisés (15:5). Eles não se opunham à missão entre os gentios, mas estavam convictos de que ela devia acontecer sob a guarda da igreja judaica e que os crentes gentios precisavam se submeter não só ao batismo em nome de Jesus, mas também à circuncisão e à observância da lei, como os prosélitos do judaísmo. Esse ensino provocou da parte de Paulo e Barnabé, contenda e não pequena discussão com eles (15:2a).

Eles faziam circuncisão uma condição para a salvação. Diziam aos convertidos gentios que a fé em Jesus não era suficiente, não bastava para a salvação. Em outras palavras, eles precisavam permitir que Moisés completasse o que Jesus havia começado e permitir que a lei completasse o evangelho. O problema era imenso. O caminho da salvação estava em jogo. O evangelho estava sendo questionado. Os fundamentos básicos da fé cristã estavam sendo minados.

Evidentemente nenhuma palavra sobre a circuncisão foi dita a Cornélio e seus familiares, e quando Tito, um crente gentio, visitou Jerusalém em companhia de Paulo e Barnabé, em ocasião anterior, a questão de sua circuncisão nem ao menos foi abordada (Gl 2:3).

Na própria igreja de Antioquia tais judaizantes causaram tal controvérsia que os lideres da igreja finalmente resolveram que a questão inteira fosse ventilada e estabelecida pelas autoridades espirituais superiores - os apóstolos. Foi então efetuada aquela reunião que atualmente conhecemos como Concílio de Jerusalém.

O debate foi aberto pelo partido farisaico da igreja de Jerusalém, o qual insistia que os convertidos entre os gentios tinham de ser circuncidados e obrigados a guardarem a lei (Atos 15:5).

Apesar de estarem presentes também outras pessoas (15:12), os debates envolveram os três Pedro (15:7-11), Paulo apoiado por Barnabé (15:12); e Tiago (15:13-21).

a) Pedro
Pedro foi coerente com o que já vinha fazendo na prática e não poderia agir de outro modo. Na pratica ele também não concordava com a imposição de se fazer a circuncisão aos convertidos, apesar que os judaizantes tenham imaginado que ele defenderia a posição deles.

Ele havia sido o primeiro a evangelizar os pagãos e compreendeu que para Deus não havia distinção entre pagão e judeu (At. 10, 34, 44-47). Ele contemplou todos na casa de Cornélio recebendo o Espírito Santo. Para ele os costumes judaicos seriam um jugo, um elemento cultural que não deveria ser apresentado aos gentios, já que estavam pregando a salvação pela graça.

b) Paulo
Toda a assembléia ficou em silêncio para escutarem Barnabé e Paulo relatarem todos os sinais e prodígios que Deus tinha feito entre os pagãos por meio deles.

Eles relataram como Deus havia operado no meio dos gentios e autenticado a pregação do evangelho com sinais e prodígios, sem o ritualismo judaico e nem os seus encargos. Isso era a prova de que essas práticas não serviam para salvação. O testemunho esmagador de Paulo de Barnabé, somado ao discurso de Pedro, testificava contra os judaizantes.

c) Tiago
Tiago, o Justo, como se tornaria conhecido mais tarde devido à sua reputação como homem justo e piedoso, era um dos irmãos de Jesus, que provavelmente se converteu depois de ver Jesus ressuscitado (At 1:14; 1Co 15:7). Provavelmente contado entre os apóstolos (Gl 1:19) e já reconhecido como um líder da igreja de Jerusalém (Atos 12:17; Gl 2:9; Atos 21:18), evidentemente ele era o coordenador da assembléia.

Tiago esperou que os líderes missionários, Pedro, Paulo e Barnabé, terminassem seus discursos. Ele não atacou os legalistas e muito menos os liberais, pois o seu compromisso era com a Palavra de Deus. Ele resumiu seu testemunho com as seguintes palavras: Expôs Simão como Deus primeiro visitou os gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para o seu nome (15:14).

A afirmação de Tiago é consideravelmente mais importante do que parece à primeira vista, pois as expressões povo e para o seu nome são regularmente empregados no Antigo Testamento em relação a Israel. Tiago estava expressando sua crença de que os convertidos gentios agora faziam parte do Israel verdadeiro, chamados e escolhidos por Deus para pertencerem ao seu único povo e para glorificar o seu nome.

Assim, Tiago declarou que estava de pleno acordo com Pedro, Paulo e Barnabé. A inclusão dos gentios não era uma idéia posterior de Deus, mas algo predito pelos profetas. A citação de Amós 9:11,12 apenas indica uma das muitas passagens do Antigo Testamento que prevê a salvação dos gentios (Gn 22:18; Sl 22:27; Is 9:2; 42:4; 45:22; 49:6; 60:3; Dn 7:14, etc). As próprias Escrituras confirmavam os fatos experimentados pelos missionários.

d) Decisão do concílio
Tiago, depois de ouvir Pedro e a Paulo, toma posição favorável a não haver necessidade de circuncidar os convertidos. Mas, algumas exigências da Lei Mosaica ficaram ainda em vigor, entretanto não estavam relacionadas ao problema da circuncisão. Foram elas: abster da carne imolada dos ídolos, do uso do sangue e da carne de animais estrangulados e das uniões ilegais.

A opinião de Tiago acaba por ser a decisão final do Concílio, que para ficar bem registrada e para que todos pudessem cumprir a decisão tomada deu origem a uma carta que foi enviada aos convertidos do paganismo que moravam em Antioquia, na Síria e na Cilícia.

Os apóstolos, presbíteros e toda a assembléia resolveram então escolher entre eles alguns homens e enviá-los a Antioquia junto com Paulo e Barnabé (Atos 15, 22-29). Eram eles: Judas, Barsabás e Silas, homens de muito prestígio entre os irmãos. Por seu intermédio lhes foi enviada a seguinte carta:

III – A CARTA DE JERUSALÉM
O desejo comum e verdadeiro de conhecer a mente de Deus leva à unanimidade. A Igreja que possui o Espírito Santo tem a garantia de não estar desamparada. O Espírito Santo trouxe concordância harmoniosa aos líderes diante de uma não pequena discussão e grande contenda (At 15.22). Foram estabelecidos certos limites que possibilitariam a convivência harmoniosa entre os cristãos judaicos e os gentios. Os gentios deviam abster-se de certas práticas consideradas ofensivas aos judeus, o que foi resumido na primeira encíclica da Igreja da seguinte forma.

Os debates ocorridos naquele concílio resultaram na produção de uma Carta que deveria ser enviada às igrejas. O teor dessa missiva deixava explícito o repúdio dos cristãos aos postulados judaizantes, e os desautorizava a proclamar os falsos ensinamentos que comprometiam a verdade da fé cristã.

O objetivo primordial de tais recomendações era a preservação dos irmãos mais fracos, os judeus que não comiam carne se o sangue não tivesse sido tirado, nem a de animais estrangulados ou que morriam por doença. Por isso, era preciso que os gentios fizessem algumas concessões com respeito à alimentação. Assim fazendo, estavam seguindo a lei do amor, evitando o escândalo dos irmãos mais judeus mais fracos na fé (Rm. 14.21).

Encerrados os debates, decidem os apóstolos enviar uma carta às igrejas de Antioquia, Síria e Cilícia, por intermédio de Paulo, Barnabé, Judas e Silas, expondo as resoluções tomadas no Concílio de Jerusalém.

“Os apóstolos e presbíteros, vossos irmãos, aos irmãos que moram em Antioquia, na Síria e na Cilícia, provenientes do paganismo. Saudações. Fomos informados de que alguns dos nossos, sem nossa autorização, vos foram inquietar com certas afirmações, criando confusão em vossas mentes. Resolvemos por unanimidade escolher alguns representantes e enviá-los a vós, junto com nossos queridos irmãos Barnabé e Paulo. Estes dois têm dedicado suas vidas à causa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Enviamos, pois, Judas e Silas, para vos transmitir de viva voz as mesmas diretivas. Porque o Espírito Santo e nós mesmos decidimos não vos impor nenhum outro peso além do indispensável: abster-vos da carne imolada dos ídolos, do uso do sangue e da carne de animais estrangulados e das uniões ilegais. Fareis bem evitando isto tudo. Passai bem!” Atos 15:23-29.

1. Da salvação pela graça.
O cerne da conferência de Jerusalém era se a circuncisão e a obediência à lei Mosaica eram necessárias à salvação em Cristo. Os representantes que se reuniram ali chegaram à conclusão de que os gentios eram salvos pela graça do Senhor Jesus, que lhes perdoara os pecados e deles fizera novas criaturas. A graça é concedida à pessoa que se arrepende do pecado e crê em Cristo como Senhor e Salvador (At 2.38,39). Essa receptividade à graça de Deus capacita a pessoa a receber o poder de tornar-se filho de Deus (Jo 1.12). “Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8); em suas cartas, Paulo se refere à salvação ou como um acontecimento futuro (Rm 5.9,10) ou como um processo presente (1Co 1.18); 2Co 2.15). Em Rm 8.24, Paulo refere-se à salvação como fato consumado no passado, mas ainda por ser completada no retorno de Cristo: ‘Porque, na esperança, fomos salvos’.

2. Da comida sacrificada aos ídolos.
Esse preceito diz respeito às restrições que se referem aos alimentos sacrificados aos ídolos. Esse assunto foi aprofundado por Paulo em Rm14.13-16; 1Co 8.7-15 e 10.23-33. Paulo afirma que aqueles que, pelo seu exemplo, levam outros ao pecado e à ruína espiritual incorrem em pecado, não somente contra aquela pessoa, mas também contra o próprio Cristo.

Se os cristãos gentios continuassem consumindo os alimentos oferecidos a ídolos, seus irmãos judeus poderiam questionar se, de fato, os convertidos haviam abandonado a idolatria. Apesar de terem liberdade de consumi-los, seria errado os cristãos gentios lançarem mão dela, pois poderiam tornar-se pedra de tropeço para os irmãos judeus mais fracos. Essa matéria foi aprofundada posteriormente por Paulo(Rm 14:13-16; 1Co 8:7-15; 10:23-33).

3. Da ingestão de sangue e de carne sufocada.
A proibição de ingerir sangue está prevista em Lv 3.17, porém, os gentios desconheciam esse padrão divino e costumavam utilizar o sangue como alimento e bebida. Era muito comum entre os gentios o abate de animais sem derramar o sangue, o que era proibido a Israel (Gn 9.5; 17.10-16; Dt 12.16, 23-25). Os judeus sempre matavam os animais que iriam comer, degolando-os e deixando o sangue todo escorrer. Os outros povos muitas vezes matavam por sufocamento ou destroncando o pescoço do animal ou da ave. Assim, o sangue permanecia na carne e nós hoje sabemos que o sangue transmite doenças e, por isso, deve ser evitado.

Essa proibição faz parte da aliança de Deus com Noé após o dilúvio (Gn 9:4,5). Assim, é uma ordem que vigora para toda a raça humana, e não apenas para a nação de Israel. Uma vez que a aliança com Noé não foi abrogada, consideramos que suas prescrições continuam em vigor nos dias de hoje.

4. Das relações sexuais ilícitas.
O padrão moral dos gentios não se assemelhava ao judaico-cristão. Para quem nasceu numa cultura licenciosa, era fácil ter uma recaída e naufragarem nessas práticas licenciosas. O crente, antes de mais nada, precisa ser moral e sexualmente puro (2Co 11.2; Tt 2.5; 1Pe 3.2).

A palavra puro (gr. hagnos ou amiantos) significa livre de toda mácula da lascívia. O termo refere-se a abstenção de todos os atos e pensamentos que incitam desejos incompatíveis com a virgindade e a castidade ou com os votos matrimoniais da pessoa. Refere-se, também, ao domínio próprio e a abstenção de qualquer atividade sexual que contamina a pureza da pessoa diante de Deus. Isso abrange o controle do corpo “em santificação e honra” (1Ts 4.4) e não em concupiscência (4.5). Este ensino das Escrituras é tanto para os solteiros, como para os casados.

Tendo em vista este ser o pecado principal dos gentios, era essencial que fosse incluído entre as questões mencionadas. Nenhuma passagem da Bíblia revoga a ordem de abstenção das relações sexuais ilícitas. Trata-se de uma prescrição em vigor para todas as gerações.

A expressão destas coisas fazeis bem se vos guardardes (At 15:29) parece mais uma recomendação. Essas regras eram o mínimo que se pedia dos gentios, para não escandalizarem os judeus cristãos. Porém, mais por amor a eles, do que um meio de salvação. Com relação à salvação não haveria mais o que discutir, pois somos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo (At 15:11).

CONCLUSÃO
Ao retornar de sua primeira viagem missionária, Paulo defronta-se com um sério problema na Igreja judaica envolvendo os gentios convertidos que não guardavam os costumes judaicos. A conversão de gentios ao Evangelho não era questionado, o problema era judaização. Até Pedro se deixou levar por essa dissimulação fazendo vista grossa (Gl 2.11-13). A experiência do apóstolo dos gentios em sua viagem falava alto como Deus agiu poderosamente entre os novos convertidos sem o ritualismo judaico. Esse concílio trouxe as bases para a nova Igreja e se a decisão fosse outra, teríamos uma medíocre seita judaica. A decisão influenciada pelo Espírito Santo trouxe o marco definitivo da ruptura do judaísmo com o cristianismo.

As decisões da Igreja não devem ser tomadas pelo homem apenas. Este deve buscar a direção do Espírito, mediante oração e jejum e a fidelidade à Palavra de Deus até que a vontade divina seja claramente discernida (At 13:2-4).

No Concílio de Jerusalém, os apóstolos (Pedro, Barnabé, Paulo e Tiago), os presbitérios e toda a igreja, sob a direção do Espírito Santo, chegaram a uma decisão unânime (At 15:22,28). Assim, a unidade do evangelho preservou a unidade da Igreja.

fonte: Extraído dos subsidios - http://www.ebdweb.com.br/

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