Presidente Prudente (SP),

Apresentação da lição em power point

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O perigo de querer barganhar com Deus. Plano de aula

LEI DA RECIPROCIDADE
BARGANHA – DIREITO DE TROCA
PEDIR OU EXIGIR. EIS A QUESTÃO
“VEM QUE TEM” – DESCONTO NO DÍZIMO
SATISFAÇÃO GARANTIDA? DINHEIRO DE VOLTA?
LIÇÃO 8 – 1º TRIMESTRE 2012

PROPOSTA DA LIÇÃO:
• Extra, extra! A velha prática da barganha voltou. Os amigos de Jó!
• Até o Maligno tentou barganhar com Deus (Mt 4.8-10);
• O que é barganhar? É tentar negociar o inegociável;
• DLC (Direito Legal dos crentes)–Deus não reconhece;
• Determinismo: fim das orações e bênçãos em abundância;
• Imanente e transcedente: Deus faz de acordo com a Sua vontade;
• Falsa prosperidade transforma acessórios em objetivos principais;
• Crentes tecnicistas (ações), copistas (orações) e interesseiros

INTRODUÇÃO
O nosso relacionamento com Deus não pode ser de caráter mercantil, mas deve ser fruto e movido por sua graça que nos alcançou, sem merecermos (Tt 2.11), contrário aos ensinamentos apresentados pela teologia da prosperidade, que leva o homem a obedecer a Deus confiando nas suas privações de sofrimentos e dificuldades (Jo 16.33), buscando uma glória que não lhe pertence (Jr 9.23; Jo 8.50). Isto foi defendido por Elifaz, amigo de Jó, que alegava que o justo não poderia sofrer, pois segundo o seu entendimento isto estava reservado somente ao ímpio. Esta é a chamada lei da reciprocidade (Jó 4.7-9).

A barganha com Deus (troca, venda, negociação) é algo totalmente reprovável, pois é fruto da introdução de heresias e modismos, que levam muitos a usarem a fé e a Palavra para obterem vantagens duvidosas. Isto é contrário aos princípios estabelecidos na Palavra de Deus. É tornar Deus devedor, em nosso lugar, pela entrega dos dízimos e oferta, ou por considerar as contribuições como um investimento, esperando algum retorno.

Isto acontece, pois o interesse maior não é a salvação, libertação, cura ou preparação para o céu, mas somente os milagres, curas e prosperidade material. Não muito diferente da realidade encontrada por Jesus durante seu ministério terreno.

A nossa salvação, que independe das obras (Ef 2.8-9) nos é concedida justamente porque Deus amou o mundo de tal maneira (Jo 3.16) e nos escolheu para darmos fruto (Jo 15.16) e não pelo nosso poder de persuasão ou barganha com Deus. Isto é justamente pregado pela teologia da prosperidade que apresenta ao homem a lei da causa e efeito, que possibilita ao ser humano o direito de troca com Deus.

A barganha condiciona Deus às atitudes humanas e inverte o poderio de um em detrimento a ganância do outro, um verdadeiro estelionato a graça de Deus, uma ofensa, pois nega o princípio maior da ética do evangelho. A solidariedade, princípio do cristianismo é sufocada pela competitividade.

Por este Brasil afora é comum encontrarmos pessoas animadas, engraçadas, visionárias e alguns palhaços por natureza. Estes dias em uma conversa fiquei sabendo de um que falava sem pensar e às vezes não tinha como não levar em consideração as suas pontuações. É aquele tipo de pessoas que dizemos: “como consegue ser tão criativo”? Vejam: “Vou abrir uma igreja com o nome de Igreja do vem que tem (bênçãos, curas, prosperidade e até vou oferecer descontos de 5% no dízimos”. Segundo ele teria uma boa aceitação. Seria engraçado se não fosse tão trágico.

I. A BARGANHA NA BÍBLIA
1. NO ANTIGO TESTAMENTO.
Jó é um bom exemplo de refutação a barganha, pois mesmo na situação precária e com o testemunho de sua queda antecipado pelo Maligno (1.6-12; 2.1-10), ele não fez uso deste instrumento de troca, ainda que influenciado pelos seus amigos (Jó 4.7-9). Sua fidelidade transcendia a alegria pela família e posses perdidas em pouquissimo tempo (Jó 1.13-22).

a) O voto de Jacó – barganha (muito pouco) ou fidelidade de Deus ao que foi prometido aos patriarcas anteriores:
Jacó votou ao Senhor (Gn 28.20-22) enquanto fugia da fúria de seu irmão, mas antes de concretizar este ato ele recebeu de Deus a confirmação do que havia sido prometido ao seu pai e avô. Certamente pela sua inexperiência não deve ter entendido a revelação. Ele condicionou sua fidelidade a Deus a proteção durante a viagem, ao retorno a casa de seu pai e a simplesmente pão e vestes. Era muito pouco para o futuro patriarca de Israel (Gn 28.14). Ele foi abençoado materialmente, não pelo voto, mas pela fidelidade de Deus demonstrada a Abraão e Isaque e posteriormente a ele próprio (Gn 28.13-15).

2. EM O NOVO TESTAMENTO.
O Maligno tentou barganhar com Jesus (Mt 4.8-10), quando ofereceu as glórias deste mundo, mas o que ele possuía para oferecer (Jo 8.44)?

Simão, o mago, ficou fascinado com o fato dos samaritanos serem cheios do Espírito Santo, após a imposição de mãos, feita por Pedro e João, a ponto de oferecer dinheiro para que também fosse concedido a ele o mesmo poder (At 8.14-24), para continuar em suas atividades mercantis. O dinheiro deveria ficar com ele, para perdição, pois o dom de Deus não é concedido pela barganha. Ele não tinha um coração reto, portanto não teria parte naquele ministério.

3. AS ESCRITURAS CONDENAM A BARGANHA.
Barganhar com Deus, segundo as Escrituras, nada mais é do que tentar negociar o inegociável, aquilo que não depende do homem, que não esta em suas mãos ou poder. Na verdade como poderíamos definir a simplicidade do Evangelho (II Co 11.3)? Como negarmos que Jesus é o autor e consumador da nossa fé (Hb 12.2)? Como não servirmos voluntariamente e espontaneamente, certos de que Ele tem cuidado de nós (I Pe 5.7)?

A intenção do homem, ao fazer uso da barganha, nada mais é do que obter vantagens terrenas, momentâneas, que podem ser roubadas ou minadas (Mt 6.19-21) em detrimento a servidão a Jesus e, por conseguinte, a vida eterna. Como se consideram ricos esperando somente nestas coisas (I Co 15.19)?

II. PRESSUPOSTOS DA “TEOLOGIA DA BARGANHA”
1. A FALSA DOUTRINA DO DIREITO LEGAL.
A teologia da barganha se escora na defesa da doutrina do direito legal do crente, que garante ao homem alguns direitos, conquistados por Jesus, na cruz, e oferecidos a alguns. Portanto, as bênçãos são um direito líquido e certo e que não dependem da vontade divina. O homem recebeu amplos poderes para usá-los como moeda de troca, desprezando em todas as instâncias a soberania de Deus.

a) D.L.C.:
Esta doutrina ensina que Deus colocou o homem por mordomo, dando-lhe direitos, que foram perdidos com a queda no paraíso, pois foram transferidos ao Maligno. Em suma, Deus tomaria de volta, o que está em mãos erradas, concedendo ao homem a liberdade do domínio maligno. Com isto os cristãos possuem o poder de exigirem, em vez de pedirem (Mt 7.7).

Refutação:
Quando Deus criou o homem, para que dominasse sobre as demais criaturas terrenas (Gn 1.26-28), ele foi colocado como um mordomo e como tal deveria se portar. Isto não diminuiu a Soberania ou poderio Divino e tampouco foi concedido direitos ao homem, pelo contrário, pois foi conscientizado de que deveria servir com fidelidade, apesar da liberdade apresentada (Gn 2.16-17). O sacríficio da cruz nos concedeu alguns direitos (Jo 1.12-13), mas por outro lado também nos apresentou alguns deveres (Ap 22.14).

2. A PRÁTICA DO DETERMINISMO.
É uma prática muito propagada que se apóia na determinação, humana, em detrimento a oração e a vontade de Deus (I João 5:14), transformando-O em um refém de leis, que por Ele foram criadas. Desta forma os homens estão livres das adversidades, sofrimentos e enfermidades, pura antecipação da redenção humana (Rm 8.19-23; Ap 21.4-5). Em suma, a oração e a vontade do homem prevalecem no céu, enquanto que a vontade de Deus é minada na terra (Lc 18.1-7).

a) Alguns homens de Deus que não foram atendidos por Deus:
• Por quantos dias Daniel ficou “exigindo” a resposta de suas orações (Dn 10.2-12)?
• Quantas vezes Elias ficou “exigindo” para que Deus mandasse chuva (I Rs 18.43-44)?
• Moisés “exigiu” de Deus o ingresso para a entrada na Terra prometida (Dt 3.25-26)?
• O que o apóstolo Paulo “exigiu” tanto de Deus e que não foi atendido (II Co 12:7).

III. O PERIGO DE BARGANHAR COM DEUS
1. O PERIGO DE SE TER UM DEUS IMANENTE, MAS NÃO TRANSCENDENTE.
Mesmo transcedente (Ex 24.9-18; Is 6.1-3; 40.12-26; 55.8,9), Deus se relaciona com a sua criação (II Co 6.16), não permanecendo alheio aos nossos problemas, dificuldades e atitudes pela quais revela a sua imanência.

A Teologia da Prosperidade ignora a soberania e a vontade de Deus, tornando-O em um marionete nas mãos do ser humano. Estes tais apresentam somente a imanência e ignoram a transcedência.

A imanência não interfere na transcendência de Deus, pois a presença Divina, o socorro, o olhar atento, e as inúmeras sondagens não são produtos somente de sua atuação nesta dimensão. Ele alcança o universo, é um Ser absoluto com domínio sobre tudo.

a) A força dos amuletos - imanência:
Israel não buscava a Deus no santo Tabernáculo, que estava instalado em Silo (I Sm 4.3-5), mas na hora da necessidade e aperto elegeram a arca como o amuleto que resolveria os seus problemas. Mandaram buscá-la e ordenaram a Deus que os protegessem contra os filisteus. Não viam Deus como criador e sustentador, mas somente como um marionete, pois quando saíssem vitoriosos, certamente virariam as costas para a arca, para o Tabernáculo e para o próprio Deus.

2. O PERIGO DE SE TRANSFORMAR O SUJEITO EM OBJETO
A teologia da barganha transforma acessório em objetivo, gente em mercadoria e a fé em um grande negócio! Muitos hoje possuem e mantém seus ministérios tão somente para atenderem caprichos e demanda do mercado.

O mercadejamento da fé tem trazido prejuízos enormes, tais como:
• Gama de obreiros fraudulentos, gananciosos, avarentos e enganadores, amantes de si mesmo, do dinheiro e seduzidos pelas riquezas;
• Homens divinizados;
• Pessoas amando coisas e odiando pessoas;
• Crentes abandonando a santidade e obediência para crerem em fabulas e fórmulas mágicas;
• Homens depositando fé em artefatos ou objetos e abandonando a fé em Deus (Hc 2.4; Rm 1.17).

Muitos tornaram-se materialistas, cheio de direitos, mas com poucos ou nenhum deveres a serem cumpridos diante de Deus, no entanto, existem alguns, ainda que obedecem e servem a Deus, independente do que possui ou que venha a possuir (Jó 19.25-27; Hc 3.17,18; Dn 3.17,18).

3. O PERIGO DA ESPIRITUALIDADE FUNDAMENTADA EM TÉCNICAS E NÃO EM RELACIONAMENTOS:
A teologia da prosperidade transforma o relacionamento com Deus em algo meramente técnico e interesseiro. A barganha produz tecnicistas, copistas e interesseiros, firmados nas inúmeras fórmulas da fé, e praticantes de um verdadeiro jogo de interesses onde se objetiva unicamente a aquisição de vantagens materiais e muitas vezes iníquas. A vida cristã torna-se superficial e vergonhosa.

CONCLUSÃO - OBJETIVOS DA LIÇÃO
O que poderíamos oferecer a Deus em troca de seus muitos benefícios (Sl 116.2)? Não caiamos na tentação de barganhar com Deus, pois nada temos de real valor para propor em troca e muito menos o direito de assim procedermos. Em nenhum momento Ele se nega a abençoar-nos, segundo a sua soberana e perfeita vontade (Mt 6.10).

1) Conscientizar-se de que as Escrituras condenam a barganha.
• Jó não barganhou, mas o Maligno e Simão, o mágico, barganharam;
• Barganhar é tentar negociar o inegociável.

2) Descrever alguns pressupostos da “Teologia da Barganha”.
• Doutrina do direito legal e prática do determinismo.

3) Explicar qual é o perigo de se tentar barganhar com Deus.
• Deus imanente e não transcedente. Um marionete, um amuleto;
• Abandono da fé, santidade, obediência e crença em fábulas.
• Vida cristã superficial e vergonhosa.

REFERÊNCIAS:
BARBOSA, José Roberto A. O perigo de querer barganhar com Deus. Disponível em: http://subsidioebd.blogspot.com/2012/02/licao-08.html. acesso em 13 de fev. 2012.

Bíblia de estudo aplicação pessoal. CPAD, 2003

Bíblia Sagrada: Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000

Bíblia Sagrada – Harpa Cristã. Baureri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 2003.

COSTA JUNIOR, José. O perigo de querer barganhar com Deus. Disponível em: http://rxisaias.blogspot.com/20120201_archive.html#2849017932270942131. acesso em 15 de fev. 2012.

LOURENÇO, Luciano de Paula. O perigo de querer barganhar com Deus. Disponível em: http://luloure.blogspot.com/2012/02/aula-08-o-perigo-de-querer-barganhar.html. Acesso em 13 de fev. 2012.

PAUDA, Osmir Moreira. Prosperidade, dízimos e ofertas. 13ª ed. Editora Associação religiosa Imprensa da fé. São Paulo, 2007.

REDE BRASIL DE COMUNICAÇÃO. O perigo de querer barganhar com Deus. Disponível em: http://www.redebrasildecomunicacao.com.br/licoes-biblicas/index/. Acesso em 15 de fev. 2012.

ROMEIRO, Paulo. Supercrentes. O Evangelho segundo Kenneth Hagin, Valnice Milhomens e os profetas da prosperidade. Editora Mundo Cristão, São Paulo, 1993.

Por: Ailton da Silva

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