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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Escola Dominical - Pr Eliel - Nova York



"A reconstrução começou pelo interior, pelo Templo, o negócio tem que ser de dentro para fora. O interior antes do exterior. Templo embargado, obra paralisada"

Por: Ailton da Silva - (18) 8132-1510 - Ano III

Proposta da lição 12

Por: Ailton da Silva - (18) 8132-1510 - Ano III

sábado, 15 de dezembro de 2012

Planos traçados no meio do caminho são diferentes das ações no ato da chegada


Ninguém poderia reclamar, pois a autorização, recursos, investimentos e encarregados para administrarem aquela tão grande obra já estava ali em Jerusalém.

A parte mais difícil havia ficado com Deus, que tocou no coração de um ímpio, para que se cumprisse a palavra dita por Jeremias (Jr 25.11; 29.10), o qual ordenou e destacou o primeiro pelotão de corajosos e ávidos pela reconstrução. A benção foi tão grande que até mesmo o que havia sido roubado por Nabucodonosor (2 Cr 36.18; Jr 52.18-19), um a um, foram restituídos segundo as ordens do satisfeito e admirado rei Ciro, que se alegrou por ter sido escolhido por Deus para tamanho feito.

“No primeiro ano do reinado de Ciro, rei dos persas, setenta anos depois que as tribos de Judá e de Benjamim foram levadas escravas para a Babilônia, Deus, tocado de compaixão pelo sofrimento delas, realizou o que havia predito pelo profeta Jeremias, antes mesmo da ruína de Jerusalém: que, passados setenta anos em dura escravidão, sob Nabucodonosor e seus descendentes, voltaríamos ao nosso país, reconstruiríamos o Templo e desfrutaríamos a nossa primeira felicidade. Assim, pôs Ele no coração de Ciro escrever uma carta e enviá-la por toda a Ásia. [...] Esse soberano falava assim porque lera nas profecias de Isaías, escritas duzentos e dez anos antes que ele tivesse nascido e cento e quarenta anos antes da destruição do Templo, que Deus lhe tinha feito saber que constituiria a Ciro rei sobre várias nações e inspirar-lhe-ia a resolução de fazer o povo voltar a Jerusalém para reconstruir o Templo. Essa profecia causou-lhe tal admiração que, desejando realizá-la, mandou reunir na Babilônia os principais dos judeus e anunciou que lhes permitia voltar ao seu país e reconstruir a cidade de Jerusalém e o Templo, que eles não deveriam duvidar de que Deus os auxiliaria nesse desígnio e que escreveria aos príncipes e governadores de suas províncias vizinhas da judéia para que lhes fornecessem o ouro e a prata de que iriam precisar e as vítimas para os sacrifícios” JOSEFO (livro décimo primeiro, capítulo 4).

Que alegria, que avivamento fora provocado entre os judeus. E o que dizer do temor provocado nas outras nações (Sl 126.1-2) ao contemplarem a comitiva dos vitoriosos retornando para Jerusalém? Todos cheios de planos! Planos? Que planos?
  • Resgatarem a economia judaica?
  • Incentivarem a construção civil com subsídios que certamente Zorobabel, o governante, ofereceria?
  • Elevarem a auto-estima dos judeus, que por muito estava por baixo, principalmente daqueles que foram “deixados para trás” (Ne 1.1-3; Lm 1.1-6)?
  • Aproveitarem a experiência política adquirida na Babilônia e Pérsia para provocarem uma revolução em Jerusalém? Talvez transformando a cidade do reino em uma grande cidade do império judeu.

O único plano traçado, ainda na Pérsia e revelado a Ciro, dava conta da reconstrução do Templo salomônico (2 Cr 36.23) e isto alegrou o coração deles durante a longa viagem, tanto que não cansavam de repetir. “Em nome de Jeová, quando chegarmos, iniciaremos rapidamente a reconstrução”.

Planos traçados no meio do caminho são bem diferentes das ações no ato da chegada. Este dilema também foi enfrentado por Neemias em seu retorno, pois a ousadia e coragem demonstrada por ele, no seu pedido ao rei Assuero (Ne 2.5) e durante a viagem, quase foram sufocados na sua chegada em Jerusalém. A principio, a recepção foi um tanto quanto calorosa (Ne 2.10), já que ele foi quase queimado vivo pelos olhares de Sambalate, Tobias e Gesém, mas os três dias de inspeção noturna, em silêncio, confortaram o seu coração e devolveram a confiança na vitória.

Neemias se deparou com a necessidade e urgência da obra, para a qual havia sido enviado, tal como os primeiros judeus que retornaram com Zorobabel e Josué, que encontraram uma cidade ainda em piores condições, portanto o trabalho deles seria maior e como já vieram com o plano em mente, logo colocaram em prática (Ed 3.1-3) iniciando pelo altar, vindo depois as bases do alicerce.

Certamente, alguns devem ter questionado acerca desta decisão, pois como priorizariam a reconstrução do Templo, a maior riqueza espiritual concreta, e o apresentariam aos seus vizinhos e inimigos todo aquele tesouro?

“Restituímos também, por meio de Mitredate e de Zorobabel, os vasos sagrados que o rei Nabucodonosor retirou do Templo, para que lá sejam recolocados. Seu número é de cinqüenta bacias de ouro e quatrocentas de prata; cinqüenta vasos de ouro e quatrocentos de prata; cinqüenta baldes de ouro e quinhentos de prata; trinta grandes pratos de ouro e trezentos de prata; trinta grandes taças de ouro e duas mil e quatrocentas de prata; e, além disso, mil outros grandes vasos”. JOSEFO (livro décimo primeiro, capítulo 4).

Estavam completamente desprotegidos, já que os muros da cidade ainda estavam queimados e reduzidos ao pó. Deveriam cuidar primeiramente do espiritual, das coisas de Deus, que certamente o material seria acrescentado (cfe Mt 6.33). Além do mais, esta tarefa seria de Neemias (Ne 6.15), que finalizaria todo processo de reconstrução da cidade e nação.

Mas os judeus não entenderam que era necessário iniciarem e concluírem a reconstrução, tanto que os planos traçados no caminho foram sufocados pelas adversidades encontradas. Facilmente foram intimidados pelos opositores, os mestiços samaritanos (2 Rs 17.24), que conseguiram paralisar a obra. A primeira tentativa foi através do engano, pois se infiltrariam, fingindo-se adoradores, para então sabotarem a reconstrução (Ed 4.1-2).

“Essa notícia chegou até Samaria, e os habitantes dessa cidade vieram indagar o que se passava. Ao saber que os judeus, regressando do cativeiro da Babilônia, haviam reconstruído o Templo, rogaram a Zorobabel, a Jesua, sumo sacerdote, e aos principais das tribos que lhes permitissem contribuir para aquelas despesas, dizendo que adoravam o mesmo Deus e que não tinham outra religião desde que Salmaneser, rei da Assíria, os trouxera da Chutéia e da Média para morar em Samaria. Todos de comum acordo responderam que não podiam fazer o que desejavam, porque Ciro e Dario haviam permitido que só eles, os judeus, reconstruíssem o Templo, mas que isso não impediria que eles e todos os de sua nação viessem adorar a Deus, o que podiam fazer com toda a liberdade” JOSEFO, (livro décimo primeiro, capítulo 4).

Judeu convicto, certos de sua missão, calejado e que havia aprendido com a rapidíssima aula na Babilônia, durante os setenta anos de exílio, certamente não cairia nesta conversinha ecumênica. Tal como Neemias (Ne cap. 4) que soube muito bem lidar com situação semelhante.

“Deixem-nos edificar convosco, porque como vós, buscaremos a vosso Deus, como também já lhe sacrificamos desde os dias de Esar-Hadom, rei da Assíria, que nos mandou vir para aqui”. Esdras 6.1-2.

Deixem-nos edificar convosco? Porque buscaremos a vosso Deus? Vosso? Porque não disseram o nosso Deus? E sacrificaremos como nos dias do assírio Esar-Hadom? Eles sacrificaram naqueles dias para fugirem dos leões. Aqueles estrangeiros (2 Rs 17.24-41) confessos fariam tudo aquilo de novo?

Zorobabel e Josué não caíram naquela cilada e não permitiram a mistura durante a obra. Estavam cumprindo as ordens do rei Ciro que foram bem taxativas: “reconstruam vocês”. Foi então que os samaritanos partiram para o plano B, as falsas acusações junto ao império persa.

Para desmotivarem o povo foi fácil, não precisaram de muito esforço ou sequer repetiram a dose. O tiro foi certeiro. O decreto de paralisação foi editado, publicado na imprensa oficial da época e a obra foi embargada (Ed 4.24).

Então os trabalhos de adoração e sacrifícios deveriam ser feito ali mesmo, nas bases do alicerce do antigo Templo ou entre as ruínas, enquanto isto os que não fossem nas reuniões ficariam em suas casas arejadas, grandiosas, bem acabadas, sofisticadas, arquitetadas, etc.

Ou alguns destes judeus ofereceram suas casas, suas garagens, seus quintais, para que todos se reunissem tal como fizeram nos duros anos na estadia babilônica? Ou quem sabe se reuniram embaixo dos salgueiros para salmodiarem e cantarem louvores a Jeová (Sl 137.1-4).

Havia júbilo quando eram chamados à casa do Senhor (Sl 122.1)? Não puderam cantar em terras estranhas (Sl 137.4), também não poderiam fazer o mesmo em condições estranhas tanto quanto a anterior. No exílio estavam sem o Templo, mas em Jerusalém também estavam!

Teríamos coragem de participarmos de reuniões expostos ao sol, vento, chuva escárnios e comentários, tipo: “eles não tem lugar para se reunirem? Não conseguem construir um templo próprio? Não tem recursos? Ou falta coragem?”

Faltam homens de mulheres que tomem a frente, que lancem desafios tal como Zorobabel e Josué (Ed 4.3). A mesma reação tiveram os mercadores, vizinhos e inimigos de Israel quando passavam por Jerusalém e a viam em ruínas, sem muros e portas. Eles exclamavam: não tem homens nesta cidade para a reconstruírem?”

A primeira etapa do plano de Deus para reconstruírem a cidade estava finalizado, restava agora Esdras retornar com o segundo grupo para resgatar o ensino da lei e Neemias para reerguer os muros e portas da cidade.

“Depois de no segundo mês do segundo ano lançarem os alicerces do Templo, começaram, no dia primeiro de dezembro, a construir a parte superior. Todos os levitas com vinte anos ou mais, e Jesua, com os seus três filhos e seus irmãos, e Cadmiel, irmão de Judá, filho de Aminadabe, com os seus filhos, que haviam sido encarregados da direção dessa obra, nela trabalharam com tanto empenho e solicitude que a concluíram muito antes do esperado. Então os sacerdotes, revestidos de seus vestes sacerdotais, marcharam ao som de trombetas, enquanto os levitas e os descendentes de Asafe cantavam em louvor a Deus hinos e salmos compostos pelo rei Davi. Os mais antigos do povo, que haviam contemplado a magnificência e a riqueza do primeiro templo, considerando o quanto esse estava longe de igualá-lo e julgando assim a grande diferença entre a sua prosperidade no passado e a presente, sentiram tão profunda dor que não puderam reter as lágrimas e soluços. O povo em geral, porém, ao qual somente o presente podia impressionar, não fazia tal comparação. Estava tão contente que as queixas de uns e os gritos de júbilo de outros impediam que se ouvisse o som das trombetas”. JOSEFO (livro décimo primeiro, capítulo 4)

Referências:
Bíblia de estudo aplicação pessoal. CPAD, 2003

Bíblia Sagrada: Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000

Bíblia Sagrada – Harpa Cristã. Baureri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 2003

JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. De Abraão a queda de Jerusalém. 8ª Ed. Traduzido por Vicente Pedroso. Rio de Janeiro. CPAD, 2004
  
Por: Ailton da Silva - (18) 8132-1510 - Ano III

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Ageu, o compromisso do povo da aliança. Plano de aula

TEXTO ÁUREO
 “Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33).

VERDADE PRÁTICA
A verdadeira profecia liberta o povo da indiferença e do comodismo espiritual.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Ageu 1.1-9.
1 - No ano segundo do rei Dario, no sexto mês, no primeiro dia do mês, veio a palavra do SENHOR, pelo ministério do profeta Ageu, a Zorobabel, filho de Sealtiel, príncipe de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, dizendo:
2 - Assim fala o SENHOR dos Exércitos, dizendo: Este povo diz: Não veio ainda o tempo, o tempo em que a Casa do SENHOR deve ser edificada.
3 - Veio, pois, a palavra do SENHOR, pelo ministério do profeta Ageu, dizendo:
4 - É para vós tempo de habitardes nas vossas casas estucadas, e esta casa há de ficar deserta?
5 - Ora, pois, assim diz o SENHOR dos Exércitos: Aplicai o vosso coração aos vossos caminhos.
6 - Semeais muito e recolheis pouco; comeis, mas não vos fartais; bebeis, mas não vos saciais; vestis-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário recebe salário num saquitel furado.
7 - Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Aplicai o vosso coração aos vossos caminhos.
8 - Subi o monte, e trazei madeira, e edificai a casa; e dela me agradarei e eu serei glorificado, diz o SENHOR.
9 - Olhastes para muito, mas eis que alcançastes pouco; e esse pouco, quando o trouxestes para casa, eu lhe assoprei. Por quê? — disse o SENHOR dos Exércitos. Por causa da minha casa, que está deserta, e cada um de vós corre à sua própria casa.

PROPOSTA DA LIÇÃO
          Ageu: primeiro profeta pós-exílio;
          Único que apresenta com precisão as data das mensagens;
          Tema do livro: reconstrução do Templo;
          “Não era tempo de construir”. Esta era a desculpa do povo;
          Povo em suas casas forradas e o Templo embargado;
          “Vossos corações [...] vossos caminhos” – para reflexão;
          Economia da nação: muita semeadura, baixa produção;
          Motivo: desleixo com o Templo;
          A solução para o problema foi a reconstrução do Templo.

INTRODUÇÃO
A hegemonia política e militar estava com os persas, pois os assírios e babilônios não existiam mais como impérios. Quanto ao pecado de Judá, este não era a idolatria, pois o cativeiro erradicara de vez essa prática, mas era outro, igualmente grave, a indiferença, a mornidão e o comodismo espiritual dos judeus em relação à obra de Deus.

Ageu foi o primeiro profeta, pós exílio e exerceu o seu ministério durante este período, que foi um dos piores de Israel, pois a acomodação, a mornidão demonstrados ao Templo foi escandaloso. Eles se preocuparam somente com suas casas, e não ofereceram o melhor para Deus, tal como fizera Davi (2 Sm 7.2). Recursos para reconstruírem o Templo eles tinham, faltava somente estabelecer esta obra como prioridade.

Este foi o cenário encontrado pelo profeta Ageu, o embaixador do Senhor (1.13), cujo nome significa “festivo ou minha festa”. Sua mensagem tinha por objetivo o encorajamento dos judeus para que reconstruíssem o Templo.

O retorno havia sido autorizado por Ciro, mas somente retornaram os que estavam em situação difícil no império persa, já que os abastados preferiam manter suas posses e comércio. Estes que voltaram com Zorobabel, o governador e Josué, o sumo sacerdote, se intimidaram com a oposição dos samaritanos e investiram somente em suas próprias casas, esquecendo-se completamente do Templo. “O povo da aliança, depois de retornar do cativeiro, também se esqueceu do seu compromisso com o Senhor”.

I. O LIVRO DE AGEU
1. CONTEXTO HISTÓRICO.
O rei Ciro, da Pérsia, pelo seu decreto, pôs fim ao cativeiro de Judá em 539 a.C. Pouco tempo depois, a primeira leva dos hebreus partiu da Babilônia de volta para Judá, a fim de reconstruírem Jerusalém e o Templo (2 Cr 36.22-23), em cumprimento o que houvera sido profetizado por Isaías e Jeremias (Is 45.1-3; Jr 25.11-12; 29.10-14). Zorobabel e Jesua ou Josué, lideraram esta primeira leva de judeus que tinham no coração o desejo de colocarem em prática o decreto real persa (Es 3.8-10).

Mas a alegria e o animo destes judeus duraram pouco, pois os inimigos se aliançaram e paralisaram a obra. Sobre isto o professor Luciano de Paula Lourenço escreveu:

“Todavia, os inimigos, da raça mista dos samaritanos, haviam-se colocado contra os judeus durante todo o reinado de Ciro, rei da Pérsia, até ao ano segundo do reinado de Dario, rei da Pérsia (Ed 4:24). A construção do Templo cessou pouco depois de ter começado, em 534 a.C. A letargia espiritual generalizou-se, induzindo o povo a voltar à reconstrução de suas próprias casas. Somente em 520 a.C, sob autorização de Dario (cf. Ed cap. 6) e, após este,  sob autorização de Artaxerxes (cf. Ed 6:14), Ageu, acompanhado pelo profeta Zacarias, conclama Zorababel e o povo a retomar a construção da casa de Deus. Em 516 a.C., vinte e um anos após lançados os alicerces (Ed 3:10), o Templo foi completado e dedicado ao Senhor (cf Ed 4-6). A arca da aliança, contendo as duas tábuas da lei, não fazia parte do Templo novo. Ela teria sido destruída numa ocasião anterior desconhecida, da história de Israel”.

a) Cambises. Ciro reinou até 530 a.C, ano em que faleceu. Cambises, identificado na Bíblia como Artaxerxes (Ed 4.7-23), reinou em seu lugar até 522 a.C. Este, por dar ouvidos a uma denúncia dos vizinhos invejosos e hostis a Judá, decidiu embargar a construção da Casa de Deus em Jerusalém (Ed 4.23).

b) Dario Histaspes. Após a morte de Cambises, assumiu o trono da Pérsia (reinando até 486 a.C), e autorizou a continuação da obra do Templo. Ele é citado nas Escrituras Sagradas simplesmente como “Dario” (Ed 6.1, 12, 13).

2. VIDA PESSOAL.
Ageu foi o primeiro profeta a atuar no pós-exílio. Atuou como um incentivador “dos trabalhos de restauração” do Templo. Seu chamado ocorreu cerca de dois meses antes de Zacarias receber o primeiro oráculo: “no ano segundo do rei Dario” em 520 a.C (1.1; Zc 1.1). O fato de Ageu apresentar-se como “profeta” (vv.1,3,12; 2.1,10) demonstra que os contemporâneos reconheciam-lhe o ofício sagrado. Além dele, apenas Habacuque e Zacarias mencionam o ofício profético em suas apresentações (Hc 1.1; Zc 1.1).

É bem provável que ele tenha tomado ciência das “glórias do templo salomonico, talvez tenha recebido tais informações de alguns profetas que exerceram seus ministérios durante o cativeiro babilônico.

3. ZOROBABEL.
A profecia de Ageu foi dirigida “a Zorobabel, filho de Sealtiel, príncipe de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote” (v.1). Sob a sua liderança e a do sacerdote Josué, ou Jesua, filho de Jozadaque, os remanescentes judeus retornaram da Babilônia para Jerusalém (Ed 2.2; Ne 7.6,7; 12.1). A promessa divina dirigida a Zorobabel é messiânica (2.21-23), sendo que a própria linhagem messiânica passa por ele (Mt 1.12; Lc 3.27). Dessa forma, Jesus é o “Filho de Davi”, mas também de Zorobabel.

4. ESTRUTURA E MENSAGEM.
O livro consiste de quatro curtos oráculos. O primeiro foi entregue “no sexto mês, no primeiro dia do mês” (v.1) [mês hebraico de elul, 29 de agosto]; o segundo, “no sétimo mês, ao vigésimo primeiro do mês” (2.1) [mês de tisrei, 17 de outubro]; o terceiro e o quarto oráculos vieram no mesmo dia, o “vigésimo quarto dia do mês nono” (2.10,20) [mês de quisleu, 18 de dezembro]. A revelação foi dada diretamente por Deus (vv.1,3). Apenas Ageu apresenta com tamanha precisão as datas do recebimento dos oráculos.

O tema do livro é reconstrução do Templo, tanto que dos trinta e oito versículos divididos em dois capítulos, dez falam da Casa de Deus, em Jerusalém (vv.2,4,8,9,14; 2.3,7,9,15,18). Em o Novo Testamento, Ageu é citado uma única vez (2.6; Hb 12.26,27).

Segundo o professor Luciano de Paula Lourenço escreveu, o livro de Ageu contém quatro grandes mensagens, sendo elas:

“Primeira mensagem. Ageu repreende os repatriados por estarem tão interessados em suas próprias casas, revestidas de cedro por dentro, enquanto a Casa de Deus permanecia em desolação (Ag 1:4). O profeta exorta-os por duas vezes a considerar seus caminhos (Ag 1:5,7), revelando-lhes ter o Senhor Deus retirado a bênção sobre eles em consequência de seus maus caminhos (Ag 1:6,9-11). Zorobabel e Josué, juntamente com o restante do povo, reagindo à palavra do profeta, demonstram reverência a Deus, e recomeçam a obra (Ag 1:12-15)”.

“Segunda mensagem. Poucas semanas depois, a reação dos repatriados, que haviam visto a glória do primeiro Templo e que consideravam como nada o segundo, começava a desanimar o povo (Ag 2:3). Ageu, então, exorta os lideres a se mostrarem corajosos, porque: (a) seus esforços faziam parte de um quadro profético mais amplo (Ag 2:4-7). (b) “a glória desta ultima casa será maior do que a da primeira” (Ag 2:9)”.

“Terceira mensagem. A terceira mensagem de Ageu conclama o povo a viver uma vida de santa obediência (Ag 2:10-19). Ageu afirma a inversão da sorte de Israel por causa da edificação do Templo”

“Quarta mensagem. A quarta mensagem traz uma promessa relativa a Zorobabel; ele representaria a continuação da linhagem e da promessa messiânica (Ag 2:20-23)”.

II. RESPONSABILIDADE E OBRIGAÇÕES
1. A DESCULPA DO POVO.
Ageu inicia a mensagem com a fórmula profética que aponta para a autoridade divina (v.2). O povo, em débito que estava com o Eterno (v.2b), em vez de reivindicar o decreto de Ciro para continuar a construção do Templo, usou a desculpa de que não era tempo de construir. Disseram que não era tempo ainda de ser edificada a casa do Senhor. A deles era!

Eles priorizaram o humano em detrimento ao espiritual. Eles “fizeram uma leitura errada quando interpretaram que a presença de dificuldades devia levá-los a desistir da obra”. Por isso, o Senhor evita chamar Judá de “meu povo”, referindo-se a eles como “este povo”. Em outras palavras, Deus não gostou da desculpa da nação (Jr 14.10,11).

2. INVERSÃO DE PRIORIDADES (VV.3,4).
O oráculo volta a dizer que a Palavra de Deus veio a Ageu (v.3). Ênfase que demonstra ser o discurso do profeta uma mensagem advinda diretamente do Senhor, que foram confirmadas com o cumprimento das profecias que diziam respeito ao retorno.

Mas o povo elegeu outras prioridades e preocuparam-se apenas em morar em casas forradas, enquanto que o Templo, cujo embargo havia ocorrido há 15 anos, continuava em total abandono (v.4). Era uma opção insensata. Os judeus negligenciaram uma responsabilidade que, através do rei Ciro, o Altíssimo lhes atribuíra (Ed 1.8-11; 5.14-16). O desprezo pela Casa do Altíssimo representa o gesto de ingratidão do povo judeu (veja o reverso em Davi: 2 Sm 7.2).

O plano dos samaritanos desmotivou e não houve necessidade da segunda dose ou um reforço. Na verdade era isto o que eles queriam, um pretexto. Sobre isto o professor Luciano de Paula Lourenço escreveu:

O povo tinha provas suficientes de que era da vontade de Deus que eles reconstruíssem o Templo. Deus já havia tocado o coração do rei Ciro para libertá-los e enviá-los a Jerusalém, provendo-lhes recursos com esse propósito (2Cr 36.22,23; Ed 1.1-4). Também os judeus conheciam a profecia de Isaías acerca de Ciro: "Ele é meu pastor e cumprirá tudo o que me apraz; que digo também de Jerusalém: Será reedificada; e do Templo: Será fundado" (Is 44:28). Apesar de estarem plenamente cônscios disso, o povo inverteu as prioridades: em vez de cuidar primeiro das coisas de Deus, estavam priorizando o seu progresso material: primeiro a minha vida, mais tarde a de Deus; primeiro cuidarei dos meus negócios, se tempo houver mais tarde cuidarei dos negócios de Deus; eu primeiro, depois Deus”.

3. UM CONVITE À REFLEXÃO.
No versículo cinco, vemos um apelo à consciência e ao bom senso, pois é o próprio Deus quem fala. Tal exemplo mostra que devemos parar e refletir, avaliando a situação à nossa volta, percebendo, inclusive, o agir do Senhor. Era grande o desprezo do povo em relação à obra de Deus. Era necessário um despertamento para que não praticassem os mesmos erros do passado. Sobre isto o professor Luciano de Paula Lourenço escreveu:

O desprezo em relação a Deus e o descaso para com sua obra tinham levado o povo de Israel a quebrar sua aliança com Deus. A violação do pacto trouxe o chicote da disciplina às suas costas, a fome às suas casas e a insatisfação aos seus corações. Por não terem aprendido com as lições do passado, o povo estava caindo nos mesmos erros”.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

HInos sugeridos para lição 11

Hinos sugeridos e exclusivos para lição 11
composição: Ailton Silva

basta acompanhar o play back abaixo:





Por: Ailton da Silva - (18) 8132-1510 - Ano III