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quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Plano de aula (Lição 4) - A estrutura da Bíblia

LIÇÃO 4 

INTRODUÇÃO

A Bíblia, livro autorizado por Deus, é a revelação dEle dada aos homens, tendo o próprio Deus como autor, o Espírito Santo como seu interprete e Jesus como tema principal. 


"A Bíblia, é Deus falando ao homem; é Deus falando através do homem; é Deus falando como homem; é Deus falando a favor do homem; mas é sempre Deus falando!" (anônimo).

 a) O caráter da Bíblia:

  • Um livro humano – de origem Divina;
  • Livro singular, o mais antigos do mundo;
  • O livro mais traduzido, mais citado e mais publicado;
  • O bestseller mundial por excelência;
  • Produto do mundo oriental antigo que moldou o mundo ocidental;
  • Queimada por muitos tiranos, mas reverenciada pelos crentes;
  • Tem exercido influência sobre a humanidade ao longo da história.


b) A mensagem da Bíblia

Deus fala através da Bíblia utilizando uma linguagem humana para que o homem possa entendê-lo, fazendo referência ao que é humano e terreno.

  • Povos: judeu, gentios e Igreja;
  • Tempo: passado, presente e futuro;
  • Lugar: céu, terra e inferno;
  • Sentido: figurado, literal;
  • Fonte das mensagens: Deus, homem e Maligno.

 

I – COMO A BÍBLIA ESTÁ ORGANIZADA

1. Definição do termo Bíblia

O termo Bíblia significa coleção de livros pequenos, pois se trata de pequenos livros que formam um volume maior, perfeitamente harmônicos entre si. A Bíblia, do grego Biblos (livro ou rolo), foi escrita durante um período de 1400 anos, sendo aproximadamente quarenta os seus autores, todos inspirados por Deus. Apesar da diversidade de autores, a mensagem é única e não possui contradições em seu conteúdo e contém mais verdade dos que todos os outros livros juntos.

O papiro, extraído de uma planta aquática do mesmo nome, mencionado na própria Bíblia (Jó 8.11; Is 18.2; II Jo 12) e o pergaminho, pele curtida de animais superior ao papiro, também mencionado na Bíblia (II Tm 4.13), foram os principais materiais utilizados pelos autores.

Ao longo da história prevaleceu a ideia ortodoxa de que a Bíblia é a Palavra de Deus. Com o advento do Modernismo, muito passaram a crer que a Bíblia meramente continha a Palavra de Deus. Com a influência do existencialismo contemporâneo, os pensadores neo-ortodoxos têm ensinado que a Bíblia torna-se a Palavra de Deus.

 

a) Línguas originais em que foi escrita a Bíblia

Quando nos propomos a conhecer a Palavra de Deus, precisamos conhecer as línguas originais, as versões iniciais e as traduções da Bíblia. Diante das inúmeras perseguições, ao longo da história, foi preciso intervenções de Deus para que a Palavra chegasse até nossas mãos.

  • Antigo Testamento: hebraico e aramaico (os trechos escritos em aramaico são: Ed 4.8 a 6.18; 7.12-26; Dn 2.4 a 7.28; Jr 10.11);
  • Novo Testamento: em grego.

 

2. O CÂNON DA BÍBLIA

Cânon, do grego kanõn (cana, régua), que se origina do hebraico kaneh, (vara ou cana de medir – Ez 40.3), anterior ao cristianismo era usada no sentido de padrão ou norma. Já no Novo Testamento é empregada no sentido figurado, referindo-se a padrão ou regra de conduta (Gl 6.16). 

Os livros que compõem a Bíblia não caíram do céu. Foram inspirados, escritos, guardados, preservados e estimados para que pudesse chegar a todos os homens. Portanto é a inspiração de Deus que determina a canonicidade de um livro. A canonicidade é determinada por Deus e acatada pelos homens. A autoridade dos livros foi reconhecida e não imposta.

 

“Portanto, nada pode ser acrescentado ou retirado das escrituras canônicas...Jesus chancelou a integridade e completude da Bíblia Sagrada.”  Baptista, 2021


3. Os dois Testamentos bíblicos

Para que os testamentos tenham sua eficácia, é necessário que haja a morte. No que tange aos dois Testamentos da Bíblia, o Antigo e o Novo, a regra também se aplica, pois no primeiro houve morte e derramamento de aninais e no segundo foi o próprio Filho de Deus que se entregou em sacrífico para dar força ao Novo Testamento. 

O Antigo Testamento começa com Deus (Gn 1.1), enquanto que o Novo Testamento com Jesus (Mt 1.1). No Antigo Testamento encontramos a a aliança da Lei, enquanto que no Novo Testamento encontramos a aliança da Graça, na verdade uma aponta e conduz o homem à outra.

 

II – O ANTIGO TESTAMENTO

1. Os livros do Antigo Testamento

O Antigo Testamento ou “Aliança anterior”, não perdeu o seu valor, pois assim como o Novo, contém doutrinas, ensinamentos e a confirmação da abertura do céu para todo aquele que nEle crê. 

Os 39 livros do Antigo Testamento estão divididos em:

  • Lei, Pentateuco ou Torá: contém a criação e a Lei (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio);
  • Livros históricos: Contém a história de Israel (Josué, Juízes, Rute, I e II Samuel, I e II Reis, I e II Crônicas, Esdras, Neemias, Ester);
  • Livros poéticos: conhecidos pelo conteúdo poético (Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cantares);
  • Proféticos: são divididos em profetas maiores (Isaias, Jeremias, Lamentações, Ezequiel, Daniel) e profetas menores (Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias).

 

2. Canonicidade do Antigo Testamento

Os livros do Antigo Testamento, inspirados e autorizados por Deus, foram recebidos e guardados, no entanto, não podemos afirmar ou explicar como esta convicção foi implantada nos corações daqueles que fizeram uso do Antigo Testamento. O certo é que tal autoridade, canonicidade e inspiração são atestadas pela própria Palavra (Mt 5.17; Lc 24.27; Rm 5.12; I Co 10.1-5).

 

3. Particularidade do Antigo Testamento

Jesus é o tema principal da Bíblia, pois tanto no Antigo, quanto no Novo Testamento foram várias suas manifestações, como revelações da parte do Pai, diretamente para o homem. Abraão viu um “Cordeiro” que substitui Isaque no sacrifício e se alegrou (Jo 8.56). Em cada figura do tabernáculo se podia ver entender a natureza divina e humana, a obra redentora, ressureição e ministério de Jesus e em todos os livros da Bíblia, Ele aparece como figura central:

  • Gênesis - é o Descendente da mulher; 
  • Êxodo - o Cordeiro Pascal;
  • Levítico – O Sacrifício perfeito; 
  • Números - Aquele que foi levantado para nossa cura e redenção e Rocha ferida; 
  • Deuteronômio - é o verdadeiro Profeta; 
  • Josué - é o Capitão de nossa salvação; 
  • Juízes - é o nosso Libertador; 
  • Rute - é o Parente Resgatador; 
  • Samuel - é o Rei esperado da nação;
  • Reis - é o Rei prometido; 
  • Crônicas - é o Descendente de Davi; 
  • Esdras - é o Ensinador divino; 
  • Neemias - é o Reconstrutor; 
  • Ester - é a Providência divina; 
  • Jó - é o nosso Redentor que vive; 
  • Salmos - é o nosso Socorro e Alegria; 
  • Provérbios - é a Sabedoria de Deus; 
  • Eclesiastes - é o Pregador perfeito; 
  • Cantares - é o nosso Amado;
  • Isaías - é o Servo do Senhor; 
  • Jeremias - é o Senhor dos Exércitos; 
  • Lamentações - é o Consolador de Israel; 
  • Ezequiel - é o Senhor que reinará; 
  • Daniel - o Ancião de dias;
  • Oséias - o Marido Fiel, o Orientador;
  • Joel - é o Juiz das nações; 
  • Amós - é o Deus do fogo;
  • Obadias - é o Salvador; 
  • Jonas - é a Salvação do Senhor; 
  • Miquéias - é o Ajuntador de Israel; 
  • Naum - é o Cavaleiro da Espada flamejante;
  • Habacuque - é o Puro de olhos; 
  • Sofonias - é o Pastor de Israel; 
  • Ageu - é O que faz tremer céus e terra;
  • Zacarias - é o Renovo;
  • Malaquias – o Sol da Justiça.

 

III – O NOVO TESTAMENTO

1. Os livros do Novo Testamento

Os 27 livros do Novo Testamento são divididos em quatro classes:

  • Biografia: Relatam a vida terrena de Jesus e o seu ministério. Os três primeiros são chamados sinóticos, devido ao paralelismo que apresentam entre si (Mateus, Marcos, Lucas, João);
  • Histórico: Registro da história e progresso da Igreja Primitiva (Atos dos apóstolos);
  • Doutrinários: também chamados de epístolas ou cartas. Umas são dirigidas a Igrejas, outras a indivíduos, etc. São vinte e uma cartas, sendo treze escritas por Paulo e oito por outros autores (Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II Tessalonicenses, I e II Timóteo, Tito, Filemon, Hebreus, Tiago, I e II Pedro, I, II e III João, Judas);
  • Profético: Este livro trata da consumação do mundo, vinda de Jesus, glorificação dos santos, e o destino eterno dos perdidos (Apocalipse).

 

2. A canonicidade do Novo Testamento

Os apóstolos alertaram a igreja primitiva para que não dessem créditos à fabulas, heresias, histórias e principalmente livros que não tivessem a chancela de Jesus para atestar a sua inspiração.

Os livros do Novo Testamento foram escritos em grego “coinê” (comum), língua que era falada na época em toda a extensão do Império Romano.

 

3. Particularidades do Novo Testamento

  • Jesus é apresentado no Novo Testamento:
  • Mateus - é o Rei e Messias; 
  • Marcos - é o Servo de Deus; 
  • Lucas - é o Filho do Homem;
  • João - é o Filho de Deus;
  • Atos - é o Cristo Ressurreto; 
  • Romanos - é a Justiça de Deus; 
  • I Coríntios - é o Cristo crucificado; 
  • II Coríntios - é a Imagem de Deus; 
  • Gálatas - é o Cristo que liberta; 
  • Efésios - é a Cabeça da Igreja; 
  • Filipenses - é o Viver; 
  • Colossenses - é o Homem perfeito; 
  • I e II Tessalonic. – é o Senhor que virá;
  • I Timóteo - é a Nossa Esperança; 
  • II Timóteo - é o Nosso General; 
  • Tito - é o Nosso Salvador; 
  • Filemom - é o Doador do bem; 
  • Hebreus - é o Sacerdote Eterno; 
  • Tiago - é o Legislador; 
  • I Pedro - é o Re; 
  • II Pedro - é o nosso Senhor; 
  • I João - é o Cristo; 
  • II João - é o Filho do pai;
  • III João - é a Verdade; 
  • Judas - é o Único Dominador e Senhor; 
  • Apocalipse - é o Alfa e o Ômega.

 

a) Possível ordem cronológica dos livros da Bíblia:

  • Gênesis;
  • Jó;
  • Êxodo;
  • Levítico;
  • Números;
  • Deuteronômio;
  • Josué;
  • Juízes;
  • Rute;
  • 1 Samuel;
  • 2 Samuel
  • Salmos;
  • 1 Reis;
  • 1 Crônicas;
  • Provérbios;
  • Cantares;
  • Eclesiastes;
  • 2 Reis;
  • 2 Crônicas;
  • Obadias;
  • Joel;
  • Jonas;
  • Amós;
  • Oséias;
  • Miquéias;
  • Isaías;
  • Naum;
  • Sofonias;
  • Jeremias;
  • Lamentações;
  • Habacuque;
  • Daniel;
  • Ezequiel;
  • Esdras;
  • Ester;
  • Neemias;
  • Ageu;
  • Zacarias;
  • Malaquias;
  • Gálatas;
  • Tiago;
  • 1 Tessalonicenses;
  • 2 Tessalonicenses;
  • 1 Coríntios;
  • 2 Corintios;
  • Marcos;
  • Romanos;
  • Lucas;
  • Mateus;
  • Efésios;
  • Filipenses;
  • Colossenses;
  • Filemom;
  • 1 Pedro;
  • Atos;
  • 1 Timóteo;
  • Tito;
  • 2 Timóteo;
  • 2 Pedro;
  • Hebreus;
  • Judas;
  • João;
  • 1 João;
  • 2 João
  • 3 João;
  • Apocalipse

REFERÊNCIAS

A Bíblia. A revelação de Deus a humanidade. Revista Cristão alerta. Subsídios bíblicos para a Escola Dominical. Ed. 8, 1º trimestre 2022

Baptista, Douglas. A supremacia das Escrituras. A Inspirada, Inerrante e Infalível Palavra de Deus. Casa Publicadora das Assembleia de Deus. Rio de Janeiro, 2021 

Bíblia de estudo aplicação pessoal. CPAD, 2003. 

Bíblia de Estudo Temas em Concordância. Nova Versão Internacional (NVI). Rio de Janeiro. Editora Central Gospel, 2008. 

Bíblia Sagrada. Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000. 

Bíblia Sagrada – Harpa Cristã. Barueri, SP. Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro. Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2003. 

 

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

3) Uma mulher duvidosa

Distancia, calor, fome, medo, inimigos ou falta de recursos? Opções não faltaram para Sara. Seria normal que criasse empecilhos para iniciar a viagem, no entanto ela ficou sem motivos para contestar o marido quando o viu dar os primeiros passos na fé.

Sara já confiava o bastante para suportar os problemas que se apresentariam à frente. A mudança em sua vida também já havia ocorrido.

 

4) Uma mulher crente

Sara acompanhou seu marido e o apoiou e logo nos primeiros dias aprendeu a colocar a fé em ação, mesmo porque não teria outro caminho a trilhar senão este. Ser tirada de Ur para morrer de fome no deserto ou no Egito não estava em seus planos e muito menos nos de Deus.

Sara confiou em Deus, pois sabia que havia muito mais ainda a ser revelado e entregue.

O que Deus havia preparado era muito mais do que seus olhos e mente poderiam contemplar ou imaginar.

continua...

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Missiologia - aula 5

28) AVALIANDO O AVANÇO MISSIONÁRIO MUNDIAL

Nas três ultimas décadas, fomos positivamente bombardeados pela Missiologia do avanço final, na qual Ralph Winter defendia uma abordagem em massa em direção aos 13 mil povos não alcançados da Terra. Movimentos mundiais como o AD 2000 propuseram “uma igreja para cada povo e o evangelho para cada pessoa até o ano 2000”. Foram listados inicialmente mais de 10 mil grupos que não possuíam igrejas com pelo menos 100 membros. Logo depois, missiólogos como Patrick Johnston conseguiram fragmentar o estudo, identificando menos de 4 mil etnias totalmente não alcançadas, enquanto que a World Mission international, em uma avaliação mais recente, estimou que apenas 2.134 grupos étnicos não tenham hoje uma igreja entre eles. As estatísticas mostram que houve um incrível avanço missionário neste últimos 30 anos. 

Sem duvidas é inquestionável o avanço da igreja cristã, que entre 1999 e 2000, obteve um índice de 6,1% em termos de crescimento global, sendo este o maior crescimento entre as principais religiões mundiais, incluindo o Islã. Também não podemos desconsiderar o avanço das missões que se puserem a encontrar, estudar e catalogar os grupos ainda não alcançados pelo Evangelho, fazendo-nos saber quem são eles, onde estão, quantos são e quais as principais barreiras a vencer para alcança-los. 

É preciso, entender, compreender que enquanto antigas barreiras vão sendo derrubadas, mas outras novas vão se formado, pois não vivemos em um mundo estático. Precisamos de uma missiologia mais ágil do que a de dez anos atrás. Além disso, algumas antigas barreiras não têm dado o menor sinal de mudanças. Permite-se citar quatro novas fronteiras com as quais lidaremos nas próxima duas ou três décadas:

  • A redoma de resistência e entre os não alcançados: Os povos que foram alcançados dentre os 13 mil inicialmente proposto por Winter e MCGavran seguiram a regra de menor resistência, ou seja, em regiões onde havia três grupos não alcançados, havia penetração missionária nos dois que demonstravam menor resistência, seja geográfica, politico, religiosa, linguística, cultural ou espiritual. O mais resistente ficava para um segundo momento. Em linguagem simples, “coamos” esses 133 mil povos não alcançados. Portanto, o que temos em nossas mãos neste inicio de milênio não são simplesmente outros 2 mil PNAS (povos não alcançados), mas sim os 2 mil PNAS mais resistentes em toda a historia do cristianismo, por isso precisamos de maior preparo missiológico, cultural e linguístico do que precisaram os missionários de cinquenta anos atrás. Também precisamos de nova motivação e pioneirismo, e sobretudo de Graça de Deus poderíamos chamar esta primeira fronteira de redoma de resistência;
  • Quando analisamos o avanço missionário entre os grupos nômades, por exemplo, percebemos que 90% se deu entre os chamados siminômades, que apesentavam maior tolerância missionária. De acordo com Dr. David Philips, da WEC internacional (Missão AMEM), há ainda mais de 150 grupos nômades totalmente não alcançados no mundo. Menor resistência funciona em geral como uma lista de oportunidades no mundo missionário. Desta forma precisamos de mais Graça divina, energia humana, força missionária, apoio eclesiástico e tempo em potencial para alcançar esses 2 mil PNAS do que jamais foi existido no passado.
  • O desdobramento étnico entre os isolados: O desdobramento étnico é uma expectativa comum em boa parte da antropologia mundial, mesmo entre os não cristãos. Ele parte do pressuposto de que a maioria desses 2 mil grupos étnicos, não alcançados, nunca foram mapeados antropologicamente. Existe grande possibilidade de que cada nome neste lista corresponda a bem mais do que apenas uma etnia. Comumente encontramos uma nação étnica onde diversas tribos, falam dialetos similares, possuem coexistência cultural e dividem o mesmo território. Isso aconteceu com os Frafras no noroeste Africanos, pois descobriu-se que não formavam apenas um povo mas, sim, formavam dois grupos distintos linguística e culturalmente, o segundo se intitulava Kassena. Os natuis, da Papua Nova Guiné, tidos como um só grupo por pelo menos um século, na verdade constituíam sete diferentes etnias, vivendo em relativa harmonia e compartilhamento o mesmo território. Alcançar um não pressupõe alcançar todos. Esse fenômeno ocorreu em 705 dos grupos estudados cientificamente nos últimos 50 anos, atingindo uma media de desdobramento de 4,2 (de acordo com o departamento de antropologia da London University), ou seja, em 70% dos grupos isolados que sofreram uma abordagem antropológica nas ultimas cinco décadas, cada um escondia, em media, outro três grupos. É possível, portanto, que os nossos 2 mil PNAS se tornem cerca de 5 mil a 8 mil grupos éticos. Ainda há um bom caminho a andar.
  • A incapacidade de evangelização local por igreja  locais: Outra nova fronteira que lidaremos nas duas décadas é a da incapacidade de evangelização local por igreja locais. Nem todos os países do mundo experimentam um bom crescimento da Igreja Evangélica, como o Brasil a Coréia e a Nova Zelândia. Segundo David Barrett, há mais 4 mil grupos étnicos no mundo entre os quais a igreja local não se mostra forte o suficiente para alcançar seu próprio povo. É igualmente alarmante o número de pessoas nascidas em países não cristãos: 48 milhões por ano (Global Report Magazine). É preciso repassar esses 4 mil grupos por uma nova avaliação de avanço missionário. Caso contrario, terminamos as próximas duas décadas com um número expressivo de etnias nas quais o evangelho já foi exposto, mas permanece desconhecido pela maioria. Seriam eles alcançados?
  • A vasta diversidade linguística entre grupos minoritários: Entre as 6.528 línguas no mundo, somente 366 possuem a Bíblia completa. O Novo Testamento completo está presente em 928 e grandes porções da Bíblia em outras 918 línguas. A cultura cristã tem enfrentado dificuldades para arregimentar força missionaria para alcançar grupos étnicos minoritários. De acordo com o Ethnologue, 4 mil das 6.528 línguas existentes são faladas por apenas 6% da população mundial. Outro aspecto a ser lembrado é que 2 bilhões de pessoas no mundo não conseguem ler ou escrever, seja por falta de alfabetismo, seja por pertencerem a grupos ágrafos. Isso significa que não poderiam ler a palavra mesmo que a tivessem em sua própria língua. Consideramos que um número cada vez menor de missionário tem tido tempo e estrutura suficiente para trabalhar simultaneamente na tradução bíblica e na alfabetização, porém terminaremos as próximas três décadas com porções da Palavra traduzida para a maior das línguas mundiais, no entanto o índice de leitores nessas línguas tem diminuído sensivelmente. Assim, teríamos mais tradução da Bíblia e menos leitores em potencia.

 

29) JANELA 10/40

Nome dado a região que compreende 62 países, formando um retângulo aos graus 10 e 40 da linha do Equador, representando uma multidão de cerca de 3,2 bilhões de pessoas, não alcançados devido a resistência e proibições, mas que ainda estão nos planos missionário do povo de Deus:

  • África (norte): Benin, Burkina, Cabo Verde, Chade, Djibuti, Etiópia, Gâmbia, Guiné, Guiné-Bissau, Mali, Níger e Senegal;
  • Oriente Médio: Arábia Saudita, Argélia, Catar, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Irã, Iraque, Israel, Palestina, Jordânia, Kuweit, Líbano, Líbia, Marrocos, Mauritânia, Omã, Síria, Sudão, Tunísia e Turquia;
  • Ásia: Afeganistão, Bangladesh, Barein, Butão, Camboja, China, Coréia do Sul, Coréia do Norte, Filipinas, Índia, Japão, Laos, Malásia, Maldivas, Mongólia, Nepal, Paquistão, Sri Lanka, Tailândia, Taiwan (Formosa) e Vietnã;
  • Eurásia: Cazaquistão, Turcomênia e Tadjiquistão;
  • Europa: Albânia, Chipre, Gibraltar e Grécia.

 

30) DESAFIO

Nesta entrada de milênio, fomos mais vez bombardeados por um crescente número de proposta missiológicas visando apressar a conclusão do alcance do mundo que ainda desconhece o evangelho. Muitas foram novas ideias, novas propostas ou novas estratégias. David Hesselgrave nos alerta: “nem todo novo pensamento é dirigido pelo Espirito. Nem tido o que é novo é necessariamente bom. A Bíblia é antiga, o Evangelho é antigo e a Grande Comissão é antiga”. Ele defende que, neste imenso mar de necessidade no mundo não alcançado, precisamos entender que “o Evangelho dá a direção, pois a Palavra precede a nossa visão”.  

O desafio que temos pela frente estatisticamente pode ser descrito como 2 mil PNAs que poderão ser fragmentados em um número até três vezes maior. Mais de 4 mil línguas e dialetos sem porções da Palavra, cerca de 150 grupos nômades sem presença missionária, 118 tribos não alcançadas em nosso próprio país e 72% de todos os grupos intocados pelo Evangelho vivendo em países com fortes limitações politicas e religiosas. É portanto, parte da nossa missão conhecer tais barreiras, estuda-las e transpô-las, discernindo os tempos e as épocas para gloria de Deus.

 

31) DADOS SOBRE A RELIGIÃO

Diminui o número de católicos no mundo na ultima década do milênio e cresce o de protestante e islâmico. A expansão das religiões orientais, como o budismo o zen-budismo e o hinduísmo, no Ocidente também é uma tendência no final do século XX, de acordo com estudos do antropólogo Lísias Nogueira Negrão, da universidade de São Paulo. O avanço do islamismo se dá nos países onde já é dominante. O número de cristãos caiu 6,2% em 1998, segundo a Enciclopédia Britânica, e a igreja católica perdeu 1,3% de fiéis no mesmo ano. No decorrer da década de 90 os protestantes aumentam o número de adeptos em 120% e os muçulmanos, em 157%. Em termos absolutos, porém o catolicismo continua a ser a religião com o maior número de fiéis em todo o mundo. É a única também, que conta com uma liderança unificada na figura do papa. O pontificado de João Paulo II reforçou essa união apoiando-se no movimento de Renovação Carismática. Os grupos passam por contrapartida, subdivedem-se suas estruturas, adquirindo uma organização mais difusa, sem a centralização institucional ou exigência de vinculações formal a uma igreja.

 

32) AS RELIGIÕES NO MUNDO

  • Europa: O cristianismo é a principal religião  da Europa e  a maior do mundo em número de adeptos. Enquanto o catolicismo predomina nas porções meridional e ocidental do continente, a igreja Ortodoxa prevalece em alguns países da península Balcânica e da comunidade dos Estados independente (CEI). Já os protestantes são maioria na Alemanha, no Reino Unido, nas nações da península Escandinava e nas republicas bálticas;
  • América: a composição religiosa da América espelha a origem metropolitana: na América Latina, de colonização hispano-portuguesa, o catolicismo impera e é mais representativos que na Europa, sede da Igreja Católica. As estatística entretanto, ignoram fenômenos como o sincretismo religioso e a ligação com mais de uma religião. O espiritismo, praticamente restrito á América Latina e o protestantismo, que cresce em razão do avanço dos pentecostais, também merecem destaque na região. Na América do Norte, dominada pelos ingleses, os protestantes são maioria. Os católicos vivem basicamente na província de Québec, no Canadá, ocupada inicialmente pelos franceses, e nos Estados norte-americano que recebem grande quantidade de imigrantes latino, como Florida, Texas e Califórnia.
  • Oceania: A colonização britânica de boa parte de Oceania também deixa como herança a presença do protestantismo e catolicismo. As crenças tradicionais dos povos nativos estão em processo de extinção;
  • África: A diversidade religiosa do continente africano é determinada pela prática de crenças tribais, que dividem espaço com religiões estrangeira, sobretudo o islamismo, introduzido pelos árabes no norte da África a partir do século VII e o cristianismo, disseminado especialmente após o século XIX, quando se acentuou a colonização europeia. A existência das religiões asiáticas decorre da imigração de mão-de-obra no período colonial;
  • Ásia: Berço de antigas religiões de caráter ético e também de crenças universalista, cristianismo, islamismo e judaísmo, nascidas na região do Oriente Médio. O islamismo, segunda religião mais difundida no mundo, é majoritário no continente. Os muçulmanos se concentram no Oriente Médio, na Ásia Central, no Subcontinente Indiano e no Sudoeste Asiático. Já o judaísmo é quase exclusivo do Estado de Israel e o cristianismo tem influencia reduzida na Ásia. O hinduísmo, terceira maior religião, foi fundado na Índia e praticado pela maior parte de seus habitantes. O budismo, também originário da Índia, propaga-se, sobretudo, pela península da Indochina e pela Mongólia. O confucionismo e o taoísmo surgem na China, onde têm importância significativa, e se espalham para algumas nações próximas ao sudeste Asiático. O xintoísmo prevalece no Japão. 

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

sábado, 15 de janeiro de 2022

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 17

O recolhimento dos patriarcas

Abraão:

Foi congregado ao seu povo aos cento e setenta e cinco anos, farto de dias. Foi sepultado pelos seus dois[1] filhos, Isaque, o unigênito e Ismael, o primogênito, que depois perdeu esta posição.

 

Isaque

Foi recolhido ao seu povo aos cento e oitenta anos, velho e farto de dias, após ver a reconciliação entre Jacó e Esaú. Foi sepultado pelos dois filhos.

 

Jacó

Foi congregado ao seu povo aos cento e quarenta e sete anos, farto de dias, alegre por ter reencontrado seu filho predileto e por estar usufruindo da estadia egípcia, uma recompensa de Deus para a sua família. Era também uma espécie de pagamento pelos serviços prestados por José. Seus filhos o sepultaram.

Antes de sua morte, fez José prometer que o sepultaria no mesmo lugar onde estavam Abraão, Sara, Isaque, Rebeca e Léia.

José que não havia descido para Canaã, para buscar seu pai, iria agora para levar o seu corpo para ser enterrado junto aos outros grandes patriarcas de Israel. Pediu autorização ao grato Faraó dizendo que se tratava de um juramento, por isto teria que ir até aquelas terras. “Vai em paz, bom homem e cumpra o seu juramento”, esta foi a resposta que ouviu.

Foi um enterro digno de chefe de Estado, pois envolveu três nações, os hebreus que sofriam com a dor da perda do pai, os egípcios que se lamentavam pela tristeza de José e os cananeus que observavam de longe, curiosos por saberem o que Jacó havia feito para comover tanto as duas nações. Porque tanta reverência?

continua...



[1] Para Deus, Isaque era o unigênito, mas Ismael não havia perdido contato com o pai.

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

Elias, o profeta da chuva e do fogo. Capítulo 3



c) A seca trouxe fome

O rei Acabe se irou com a seca e Deus orientou Elias a se refugiar por algum tempo, primeiro em sua terra no riacho de Querite, mesmo que fosse o primeiro lugar onde seria procurado, para depois se esconder na nação da rainha perseguidora, justamente o local onde jamais seria procurado.

A fome e desespero diante da estiagem. A situação era extrema, a ponto de abaterem, até mesmo os cavalos da montaria real (I Rs 18.5).

Isto provou que Baal era um deus impotente frente aos fenômenos naturais e a fome demonstrou à nação que somente o Senhor é a fonte de toda provisão. Sem Ele não haveria chuva e consequentemente não haveria alimentos.

A seca resultou em crise econômica e serviu para corrigir o povo, confirmando o propósito de Deus em abençoá-los.

Infelizmente coxearam entre dois pensamentos por muito tempo, situação que somente foi alterada após os acontecimentos no Monte Carmelo. Depois da vitória do Deus verdadeiro, então gritaram em alto e bom som para todos ouvirem que somente havia um Senhor em Israel.

 

d) A seca amoleceu e endureceu corações:

Para Acabe, Elias estava perturbando Israel (I Rs 18.17) e havia se tornado uma seria ameaça à sua administração, bem como o considerava como o único responsável[1] pela crise material e espiritual originada pela seca.

Porém a reação esperada de um rei, que estivesse realmente preocupado com o povo, era outra completamente diferente. Deveria rasgar suas vestes e usar panos de saco em sinal de humilhação[2], lamentação e arrependimento.

Estranho, que quando recebeu a mensagem que Deus colocaria um fim à seca, de principio, não deu crédito e ordenou a Obadias que fosse à procura de água e ervas para assim preservarem seus cavalos (I Rs 18.5), sem se preocupar com de fato merecia sua atenção, o povo que sofria.

O rei saiu correndo, ao ouvir de Elias sobre a proximidade das chuvas, mas fez isto não por alegria ou gratidão, mas sim para contar para sua rainha todos os fatos ocorridos no Monte Carmelo. Correu ao encontro do mal para fofocar com Jezabel. O rei ainda coxeava entre dois pensamentos.

Por outro lado, o povo que até então não havia dado resposta aos alertas do profeta Elias (I Rs 18.21), respondeu favoravelmente ante a ação soberana do Senhor no Monte Carmelo, pois em uma só voz gritaram em alto e bom som que “Só o Senhor é Deus” (I Rs 18.39).

A longa seca sobre o reino do Norte agiu como um instrumento de juízo e disciplina, muito embora o coração do rei não tenha dado uma resposta favorável. Israel então se voltou para Deus e o perigo da apostasia foi temporariamente afastado.

continua...



[1] O rei Acabe sabia muito bem que Elias havia profetizado a seca sobre Israel.

[2]  Rasgar as vestes e vestir panos de saco eram sinais de humilhação, lamentação e arrependimento (Gn 37.34; II Sm 3.31; II Rs 6.30; Lm 2.10; Jl 1.13).

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Prefiro murmurar no deserto. As dez murmurações do primogênito. Capítulo 8

O CLAMOR

Moisés se colocou na presença de Deus em favor daquele povo obstinado e de dura cerviz. 

“Perdoa, pois, a iniquidade deste povo, segundo a grandeza da tua misericórdia; e como também perdoaste a este povo desde a terra do Egito até aqui” (Nm 14.19). 

Moisés esperava que os espias voltassem com notícias animadoras, pois havia escolhido criteriosamente entre milhares, porém em contrário às suas expectativas, os mensageiros em vez de animarem provocaram rebelião.

 

O LIVRAMENTO

As outras nações já conheciam a história da libertação e do que havia ocorrido no deserto. Moisés usava isto como um trunfo para tocar o coração de Deus. 

“Neste deserto cairão os vossos cadáveres, como também todos os que de vós foram contados segundo toda a vossa conta, de vinte anos para cima, os que dentre vós contra mim murmurastes. Não entrareis na terra, pela qual levantei a minha mão que vos faria habitar nela, salvo Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num” (Nm 14.29-30). 

Receberam mais um livramento, porém perceberam aborrecimento de Deus. A ansiedade por chegarem as tão sonhadas terras era grande, porém todos se entristeceram ao ouvirem de Moisés que não entrariam e que nada mudaria esta decisão. Somente Josué e Calebe entrariam, pois foram os únicos que acreditaram na possibilidade de vitória.

Tirados do Egito, peregrinos pelo deserto para serem surpreendidos com aquela notícia tão desagradável, bem ali às portas de Canaã. Quantos não atribuíram a Deus o titulo de injusto? Se antes, por muito menos, disseram a Moisés que estavam sendo injustiçados e que preferiram voltar para o Egito, imagine então diante daquela revelação?

Na verdade até poderiam classificar esta decisão como injusta, porém teríamos que observar um pequeno detalhe, que fatalmente os faria mudar este conceito. 

“Assim partiram os filhos de Israel até Ramessés”. Porém, tão certamente como eu vivo, e como a glória do SENHOR encherá toda a terra. E que todos os homens que viram a minha glória e os meus sinais, que fiz no Egito e no deserto, e me tentaram estas dez vezes, e não obedeceram à minha voz, Não verão a terra de que a seus pais jurei, e nenhum daqueles que me provocaram a verá” (Ex 12.37; Nm 14.21-23). 

Saíram do Egito renovados e alegres com o fim do sofrimento e possível desfruto da bênção, mas aquele sentimento deu lugar a tristeza, pois jamais imaginavam que seriam sentenciados à morte, logo ali, tão próximo de Canaã. Isto não foi demonstração de injustiça, pelo contrário.

Se a Bíblia fosse composta por Gênesis e somente com os treze primeiros capítulos de Êxodo, sem Levíticos e com o livro de Números iniciando a partir do capitulo catorze, momento que os hebreus perderam o direito de entrar em Canaã, certamente enxergaríamos uma grande injustiça, pois veríamos os hebreus saindo do Egito, guiado pelo deserto, para depois serem proibidos de entrarem nas terras que mais desejavam. Uma grande injustiça aos olhos humanos. Por que então Deus não deixou todos no cárcere egípcio? Pelo menos ali nunca faltou o alimento racionado, a água rara e principalmente a terra para seus túmulos.

Os vinte e sete últimos capítulos do livro de Êxodo e os treze primeiros de Número trazem à tona toda a verdade e nos mostram o verdadeiro caráter dos hebreus e o motivo que fez Deus tirar do seu povo o direito à entrada em Canaã. 

“...e me tentaram estas dez vezes” (Nm 14.22). 

Somente Josué e Calebe reuniam condições para receberem a bênção, inclusive Moisés também estava na lista dos que não entrariam, por mais que tenha tentado mudar esta situação sem sucesso[1] (Dt 3.23-26).

Não perceberam que o passado deve servir de experiência, o presente deve ser vivido e o futuro deve ser aguardado. A lembrança do passado e a murmuração do presente interferiram na bênção do futuro.

Peregrinariam por mais longos quarenta anos, para simbolizar os dias em que os doze espias estiveram espiando Canaã e para que os de vinte anos para cima morressem.

Foram trinta e oito anos para que aquela geração de murmuradores fosse consumida (Dt 2.14). Deus sabia bem que eram os de vinte anos para cima que perderam a benção, não tinha como alguém mentir ou esconder sua idade.

continua...



[1] Este foi o dia em que Deus disse “basta” para Moisés e não quis mais falar sobre este assunto com ele (Dt 3.23-26).

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Plano de aula (Lição 3) - A inerrância da Bíblia


INTRODUÇÃO

Por várias vezes o comentarista frisou: “A nossa declaração de fé”, portanto fazem parte deste seleto grupo os que creem na inerrância e infalibilidade da Bíblia. 

“Nossa ortodoxia professa e ensina que a Bíblia é a inspirada Palavra de Deus, inerrante e infalível com plena autoridade naquilo que diz e ensina”. (Baptista, 2021) 

Obra de Flávio Josefo não é para ler, é para pesquisar, enquanto que a Bíblia não é para pesquisar, é para ler e meditar.

 

I – O QUE É A INERRÂNCIA DA BÍBLIA

1. O conceito de inerrância bíblica

A Bíblia não tem erros. Não foi DITADA por Deus. Foi INSPIRADA. Ditado é muito cansativo, repetitivo e neste caso Deus não ficava repetindo sua Palavra para os escritores. Uma única vez era suficiente (cfe Ap 1.11 – “o que vês escreve”. Não creio em um homem dizendo para Deus: “dá para o Senhor repetir a última parte ou mostrar de novo, eu não entendi”. 

“Se for admitida a existência de algum erro nas Sagradas Escrituras, estaremos alijando a veracidade divina, fazendo a certeza desaparecer” (Baptista, 2021) 

Além do mais se for encontrado um erro, poderão aparecer outros milhares. “Porteira que passa boi, passa boiada”. E com a Palavra de Deus não seria este o caso. 

A Bíblia é isenta de erros em todos os assuntos por ela apresentada, tais como os aspectos doutrinários, espirituais, éticos, morais, históricos, culturais, científicos, etc.

 

2. A Bíblia reivindica a sua inerrância

Pv 30.5 – “Toda Palavra de Deus é pura; Ele é escudo para os que nEle confiam”. Palavra pura, provada, justamente porque Deus é o fundamento. Algumas passagens que comprovam a inexistência de erros na Bíblia:

  • Gn 42.13 – “Eles disseram: Nós, teus servos, somos doze irmãos (VERDADE), filhos de um homem na terra de Canaã (VERDADE); o mais novo está hoje com nosso pai (VERDADE), outro já não existe (MENTIRA)”. A Bíblia apresenta histórias de homens que mentiram, mas que na ficaram impunes e que viram seus atos serem revelados. Se nesta passagem José tivesse concordado com os irmãos, ai poderíamos apontar erros na Bíblia;
  • Dt 3.23-26 – “Também eu, nesse tempo, implorei graça ao Senhor , dizendo: Ó Senhor Deus! Passaste a mostrar ao teu servo a tua grandeza e a tua poderosa mão; porque que deus há, nos céus ou na terra, que possa fazer segundo as tuas obras, segundo os teus poderosos feitos? Rogo-te que me deixes passar, para que eu veja esta boa terra que está dalém do Jordão, esta boa região montanhosa e o Líbano. Porém o Senhor indignou-se muito contra mim, por vossa causa, e não me ouviu; antes, me disse: Basta! Não me fales mais nisto”. Moisés foi claro em apontar a causa do não de Deus, “por vossa causa”, e todos sabemos que este foi o motivo que tirou de Moisés o direito de entrar na Terra Prometida, portanto a Bíblia reivindica a sua inerrância;
  • Ez 12 – “E o príncipe que está no meio deles levará aos ombros as mobílias, e às escuras sairá; farão uma abertura na parede para as tirarem por ela; o seu rosto cobrirá, para que com os seus olhos não veja a terra. Também estenderei a minha rede sobre ele, e será apanhado no meu laço; e o levarei à babilônia, à terra dos caldeus, e contudo não a verá, ainda que ali morrerá”. O Profeta Ezequiel já estava no exílio (Ez 1.1), junto ao rio Quebar, portanto a sua profecia poderia ser interpretada de forma equivocada, pois como poderia estar alertando o povo de algo que já havia acontecido? A resposta é simples, tanto a ida (Jr 52.28-30) quanto o retorno (com Esdras, Zorobabel e Neemias) da Babilônia se deu em três etapas. Nabucodonosor levou os intelectuais, os inteligentes, a nata, os que pudessem produzir em suas terras, na verdade não queria preguiçosos ou “encostados”. Em uma destas levas estava Ezequiel, que se preparava para o sacerdócio, mas que viu seu sonho ser interrompido, melhor para ele, pois o serviço levítico já estava falido, corrompido. De um possível sacerdote em Jerusalém se tornou um profeta no exílio. Sua profecia dizia respeito a última deportação (Jr 52.9-11). 

Isto prova que a Palavra de Deus foi também provada no fogo, colocada à prova, como os mais nobres dos metais. Ao final desta operação a Palavra se revelou fiel, eficaz, tal como prometido foi a respeito dela (Sl 18.30). 

Vejamos este clássico: 

“E disse-lhe Saul: De quem és filho, jovem? E disse Davi: “Filho de teu servo Jessé, belemita”. (I Sm 17.58) 

Davi respondeu a questão do rei Saul e não estendeu muito a conversa. Foi simples e direto. Sou filho de Jesse, o belemita e ponto final. Qualquer um de nós se estivéssemos na pele dele teríamos continuado. Fatalmente diríamos: “Sou fulano, filho de beltrano, o novo rei, o seu sucessor, o que tomará o seu lugar e fará um trabalho melhor que o seu, porque ando segundo o coração de Deus”. É melhorar paramos no ponto final. 

“...as Escrituras não podem ser anuladas, nem se pode introduzir nada a elas, nem se pode encontrar falhas nela” (Baptista, 2021)

 

3. A infalibilidade e inerrância da Bíblia

O plano da salvação é outro fator que pode atestar a infalibilidade da Bíblia, pois em nenhum momento da história da humanidade, este plano apresentou falhas, erros ou necessitou de alterações.

 

II – O ESPIRITO SANTO PRESERVOU AS ESCRITURAS

1. Os manuscritos autográfos

Foram obras das mãos do próprio autor, que ficaram sujeitas às ações do tempo, não sobrevivendo, no entanto, o Espirito Santo se encarregou de preservar a ideia original inspirada por Deus através das cópias, que se mantiveram fiéis aos originais. Sem esta ação do Espirito Santo a Bíblia não poderia ser considerada fonte de inspiração e autoridade Divina.

 

2. Os manuscritos apógrafos

Estas cópias, que se mantiveram fiéis, graças a ação do Espírito Santo, são chamadas de manuscritos apógrafos. Muitas delas foram obras dos escribas judeus que mantiveram uma precisão impressionante, no que diz respeito aos materiais usados e também na contagem de linhas e colunas nos escritos, justamente para impedir futuros acréscimos, retiradas ou alterações de textos. Isso jamais viria do homem, veio do céu. 

Isto prova que a inspiração Divina ocorreu na primeira redação dos textos sagrados, já na preservação através das copias, ocorreu a ação do Espirito Santo de Deus para que esta inspiração fosse mantida.

 

3. Os apócrifos e pseudoepígrafados

Os livros apócrifos são aceitos pelos católicos romanos e rejeitados pelos judeus e protestantes. Apócrifo, do grego apocrypha, que significa "oculto" ou "difícil de entender. São escritos judaicos não-canônicos originários do período intertestamentário. Os livros apócrifos são: Tobias, Judite, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico, Baruque, I e II Macabeus e há alguns trechos apócrifos acrescidos nos livros de Ester (capítulo 10,4-16,24), Daniel (capítulo 3.24-90 e a inclusão dos capítulos 13 e 14). 

Existem nestes livros muitos falsos ensinos e contradições, tipo justificação pelas obras (Ecl. 3.33; Tob. 4.7-11), mediação dos Santos (Tob. 12.12), oração pelos mortos (II Macabeus 12.44-46) e superstições diversas (Tb 6.7-19). A relação dos apócrifos que não foram reconhecidos é extensa e inclui outros livros além dos já citados:

  • Evangelho de Tomé; dos ebionitas; de Pedro; de Tiago; dos egípcios;
  • Evangelho arábico da infância; Evangelho de Nicodemos;
  • Evangelho do carpinteiro José; a história do carpinteiro José;
  • O passamento de Maria; O Evangelho da natividade de Maria;
  • Evangelho de um Pseudo-Mateus; Evangelho dos doze;
  • Os Atos de Pedro; de João; de André; de Tome; de Paulo; de Matias; de Filipe e de Tadeu;
  • A Carta perdida aos Coríntios; As seis Cartas de Paulo a Sêneca; A Carta de Paulo aos laodicenses;
  • Apocalipse de Pedro; Paulo; Tome; Estêvão; Tiago; Messos; Dositeu.

 

III – A VERDADE NAS ESCRITURAS

1. A Bíblia é a verdade plena

Nas Escrituras corresponde à realidade exata dos fatos em concordância com o pensamento de Deus, que é a verdade (Jo 14.6; Rm 3.4) e a sua Palavra também é a verdade (Jo 17.17) – O escritor aos Hebreus declara que é “ impossível que Deus minta ” (Hb 6.18). 

“...ainda que o FRUTO DA OLIVEIRA minta” Hc 3.17 (impossível o FRUTO da oliveira mentir)

 

2. A verdade espiritual e moral.

Nossa Declaração de Fé afirma que a Bíblia nos revela o conhecimento completo de Deus, não sendo necessário nenhum a nova revelação para a nossa salvação.

 

Segundo pastor Antônio Gilberto, Deus requer do homem tudo o que o homem precisa saber, mas queremos mais, desejamos descobrir todos os segredos. Um dos mais cativantes é o da vida, quando ela surge? Quando nos tornarmos almas viventes? Quando a alma é inserida no corpo do bebê no ventre? O que nos foi revelado na Palavra, em todos os aspectos nos conforta e nos prepara para esta vida, e para a futura.

 

3. A verdade histórica e científica.

A própria história secular comprova a veracidade de muitas profecias através justamente dos fatos históricos que se seguiram. Um dos mais importantes é o caso do governante Nabucodonosor que teve seu reinado iniciado em 604 a.C. e se tornou um dos principais soberanos de sua época.


Conquistou boa parte da Ásia e do Oriente Médio, inclusive Jerusalém, levando cativo os judeus para Babilônia em 606, 597 e 586 a.C., respectivamente. O profeta Daniel esteve frente a este desesperado governante que havia recebido uma das mais importantes revelações acerca do futuro da humanidade através de um sonho, interpretação confirmada depois em visão (Dn 7.1-7).

a) Cabeça de ouro – primeiro animal (Leão)

  • A cabeça de ouro simbolizava o poderoso império Babilônico, que passaria e daria lugar a outro (Atual território do Iraque);

 

b) Peito e braço de prata – segundo animal (Urso)

  • O peito e braços de prata representava o império Medo-Persa, que se levantaria após a Babilônia, através das conquistas do grande Imperador Ciro em 539 a.C. (atual território do Irã).

 

c) Ventre e coxas de bronze – terceiro animal (Leopardo)

  • Duzentos anos mais tarde, o imperador Alexandre, o Grande comandando o império grego derrotou o império Medo-Persa e se estabeleceu como potência mundial (cultura grega, helenização).

 

d) Pernas de ferro – quarto animal (Animal espantoso)

  • Em 168 a.C., o império grego sucumbiu diante da força de Roma, o mais extenso e poderoso império que já existiu (dominação pela força).

 

e) Pés em parte de ferro e em parte de barro

  • Isto não simbolizava o surgimento de um novo império, mas sim identificava a divisão do império romano em dez reinos, por volta de 476 d.C., conforme numeração dos dedos dos pés da estátua de Nabucodonosor.

 

CONCLUSÃO - Poema

“Bíblia, a Palavra que aos homens foi dada

Mas por eles foi rejeitada

Somente porque está escrita no papel

Mas o que diriam se estivesse escrita no céu“

 

REFERÊNCIAS

A preservação do texto bíblico. disponível em; https://biblia.sbb.org.br/a-preservacao-do-texto-biblico.. Acesso em 12/01/2022 

Baptista, Douglas. A supremacia das Escrituras. A Inspirada, Inerrante e Infalível Palavra de Deus. Casa Publicadora das Assembleia de Deus. Rio de Janeiro, 2021 

Bíblia de estudo aplicação pessoal. CPAD, 2003. 

Bíblia de Estudo Temas em Concordância. Nova Versão Internacional (NVI). Rio de Janeiro. Editora Central Gospel, 2008. 

Bíblia Sagrada. Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000. 

Bíblia Sagrada – Harpa Cristã. Barueri, SP. Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro. Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2003. 

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)