segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Missiologia - aula 5

28) AVALIANDO O AVANÇO MISSIONÁRIO MUNDIAL

Nas três ultimas décadas, fomos positivamente bombardeados pela Missiologia do avanço final, na qual Ralph Winter defendia uma abordagem em massa em direção aos 13 mil povos não alcançados da Terra. Movimentos mundiais como o AD 2000 propuseram “uma igreja para cada povo e o evangelho para cada pessoa até o ano 2000”. Foram listados inicialmente mais de 10 mil grupos que não possuíam igrejas com pelo menos 100 membros. Logo depois, missiólogos como Patrick Johnston conseguiram fragmentar o estudo, identificando menos de 4 mil etnias totalmente não alcançadas, enquanto que a World Mission international, em uma avaliação mais recente, estimou que apenas 2.134 grupos étnicos não tenham hoje uma igreja entre eles. As estatísticas mostram que houve um incrível avanço missionário neste últimos 30 anos. 

Sem duvidas é inquestionável o avanço da igreja cristã, que entre 1999 e 2000, obteve um índice de 6,1% em termos de crescimento global, sendo este o maior crescimento entre as principais religiões mundiais, incluindo o Islã. Também não podemos desconsiderar o avanço das missões que se puserem a encontrar, estudar e catalogar os grupos ainda não alcançados pelo Evangelho, fazendo-nos saber quem são eles, onde estão, quantos são e quais as principais barreiras a vencer para alcança-los. 

É preciso, entender, compreender que enquanto antigas barreiras vão sendo derrubadas, mas outras novas vão se formado, pois não vivemos em um mundo estático. Precisamos de uma missiologia mais ágil do que a de dez anos atrás. Além disso, algumas antigas barreiras não têm dado o menor sinal de mudanças. Permite-se citar quatro novas fronteiras com as quais lidaremos nas próxima duas ou três décadas:

  • A redoma de resistência e entre os não alcançados: Os povos que foram alcançados dentre os 13 mil inicialmente proposto por Winter e MCGavran seguiram a regra de menor resistência, ou seja, em regiões onde havia três grupos não alcançados, havia penetração missionária nos dois que demonstravam menor resistência, seja geográfica, politico, religiosa, linguística, cultural ou espiritual. O mais resistente ficava para um segundo momento. Em linguagem simples, “coamos” esses 133 mil povos não alcançados. Portanto, o que temos em nossas mãos neste inicio de milênio não são simplesmente outros 2 mil PNAS (povos não alcançados), mas sim os 2 mil PNAS mais resistentes em toda a historia do cristianismo, por isso precisamos de maior preparo missiológico, cultural e linguístico do que precisaram os missionários de cinquenta anos atrás. Também precisamos de nova motivação e pioneirismo, e sobretudo de Graça de Deus poderíamos chamar esta primeira fronteira de redoma de resistência;
  • Quando analisamos o avanço missionário entre os grupos nômades, por exemplo, percebemos que 90% se deu entre os chamados siminômades, que apesentavam maior tolerância missionária. De acordo com Dr. David Philips, da WEC internacional (Missão AMEM), há ainda mais de 150 grupos nômades totalmente não alcançados no mundo. Menor resistência funciona em geral como uma lista de oportunidades no mundo missionário. Desta forma precisamos de mais Graça divina, energia humana, força missionária, apoio eclesiástico e tempo em potencial para alcançar esses 2 mil PNAS do que jamais foi existido no passado.
  • O desdobramento étnico entre os isolados: O desdobramento étnico é uma expectativa comum em boa parte da antropologia mundial, mesmo entre os não cristãos. Ele parte do pressuposto de que a maioria desses 2 mil grupos étnicos, não alcançados, nunca foram mapeados antropologicamente. Existe grande possibilidade de que cada nome neste lista corresponda a bem mais do que apenas uma etnia. Comumente encontramos uma nação étnica onde diversas tribos, falam dialetos similares, possuem coexistência cultural e dividem o mesmo território. Isso aconteceu com os Frafras no noroeste Africanos, pois descobriu-se que não formavam apenas um povo mas, sim, formavam dois grupos distintos linguística e culturalmente, o segundo se intitulava Kassena. Os natuis, da Papua Nova Guiné, tidos como um só grupo por pelo menos um século, na verdade constituíam sete diferentes etnias, vivendo em relativa harmonia e compartilhamento o mesmo território. Alcançar um não pressupõe alcançar todos. Esse fenômeno ocorreu em 705 dos grupos estudados cientificamente nos últimos 50 anos, atingindo uma media de desdobramento de 4,2 (de acordo com o departamento de antropologia da London University), ou seja, em 70% dos grupos isolados que sofreram uma abordagem antropológica nas ultimas cinco décadas, cada um escondia, em media, outro três grupos. É possível, portanto, que os nossos 2 mil PNAS se tornem cerca de 5 mil a 8 mil grupos éticos. Ainda há um bom caminho a andar.
  • A incapacidade de evangelização local por igreja  locais: Outra nova fronteira que lidaremos nas duas décadas é a da incapacidade de evangelização local por igreja locais. Nem todos os países do mundo experimentam um bom crescimento da Igreja Evangélica, como o Brasil a Coréia e a Nova Zelândia. Segundo David Barrett, há mais 4 mil grupos étnicos no mundo entre os quais a igreja local não se mostra forte o suficiente para alcançar seu próprio povo. É igualmente alarmante o número de pessoas nascidas em países não cristãos: 48 milhões por ano (Global Report Magazine). É preciso repassar esses 4 mil grupos por uma nova avaliação de avanço missionário. Caso contrario, terminamos as próximas duas décadas com um número expressivo de etnias nas quais o evangelho já foi exposto, mas permanece desconhecido pela maioria. Seriam eles alcançados?
  • A vasta diversidade linguística entre grupos minoritários: Entre as 6.528 línguas no mundo, somente 366 possuem a Bíblia completa. O Novo Testamento completo está presente em 928 e grandes porções da Bíblia em outras 918 línguas. A cultura cristã tem enfrentado dificuldades para arregimentar força missionaria para alcançar grupos étnicos minoritários. De acordo com o Ethnologue, 4 mil das 6.528 línguas existentes são faladas por apenas 6% da população mundial. Outro aspecto a ser lembrado é que 2 bilhões de pessoas no mundo não conseguem ler ou escrever, seja por falta de alfabetismo, seja por pertencerem a grupos ágrafos. Isso significa que não poderiam ler a palavra mesmo que a tivessem em sua própria língua. Consideramos que um número cada vez menor de missionário tem tido tempo e estrutura suficiente para trabalhar simultaneamente na tradução bíblica e na alfabetização, porém terminaremos as próximas três décadas com porções da Palavra traduzida para a maior das línguas mundiais, no entanto o índice de leitores nessas línguas tem diminuído sensivelmente. Assim, teríamos mais tradução da Bíblia e menos leitores em potencia.

 

29) JANELA 10/40

Nome dado a região que compreende 62 países, formando um retângulo aos graus 10 e 40 da linha do Equador, representando uma multidão de cerca de 3,2 bilhões de pessoas, não alcançados devido a resistência e proibições, mas que ainda estão nos planos missionário do povo de Deus:

  • África (norte): Benin, Burkina, Cabo Verde, Chade, Djibuti, Etiópia, Gâmbia, Guiné, Guiné-Bissau, Mali, Níger e Senegal;
  • Oriente Médio: Arábia Saudita, Argélia, Catar, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Irã, Iraque, Israel, Palestina, Jordânia, Kuweit, Líbano, Líbia, Marrocos, Mauritânia, Omã, Síria, Sudão, Tunísia e Turquia;
  • Ásia: Afeganistão, Bangladesh, Barein, Butão, Camboja, China, Coréia do Sul, Coréia do Norte, Filipinas, Índia, Japão, Laos, Malásia, Maldivas, Mongólia, Nepal, Paquistão, Sri Lanka, Tailândia, Taiwan (Formosa) e Vietnã;
  • Eurásia: Cazaquistão, Turcomênia e Tadjiquistão;
  • Europa: Albânia, Chipre, Gibraltar e Grécia.

 

30) DESAFIO

Nesta entrada de milênio, fomos mais vez bombardeados por um crescente número de proposta missiológicas visando apressar a conclusão do alcance do mundo que ainda desconhece o evangelho. Muitas foram novas ideias, novas propostas ou novas estratégias. David Hesselgrave nos alerta: “nem todo novo pensamento é dirigido pelo Espirito. Nem tido o que é novo é necessariamente bom. A Bíblia é antiga, o Evangelho é antigo e a Grande Comissão é antiga”. Ele defende que, neste imenso mar de necessidade no mundo não alcançado, precisamos entender que “o Evangelho dá a direção, pois a Palavra precede a nossa visão”.  

O desafio que temos pela frente estatisticamente pode ser descrito como 2 mil PNAs que poderão ser fragmentados em um número até três vezes maior. Mais de 4 mil línguas e dialetos sem porções da Palavra, cerca de 150 grupos nômades sem presença missionária, 118 tribos não alcançadas em nosso próprio país e 72% de todos os grupos intocados pelo Evangelho vivendo em países com fortes limitações politicas e religiosas. É portanto, parte da nossa missão conhecer tais barreiras, estuda-las e transpô-las, discernindo os tempos e as épocas para gloria de Deus.

 

31) DADOS SOBRE A RELIGIÃO

Diminui o número de católicos no mundo na ultima década do milênio e cresce o de protestante e islâmico. A expansão das religiões orientais, como o budismo o zen-budismo e o hinduísmo, no Ocidente também é uma tendência no final do século XX, de acordo com estudos do antropólogo Lísias Nogueira Negrão, da universidade de São Paulo. O avanço do islamismo se dá nos países onde já é dominante. O número de cristãos caiu 6,2% em 1998, segundo a Enciclopédia Britânica, e a igreja católica perdeu 1,3% de fiéis no mesmo ano. No decorrer da década de 90 os protestantes aumentam o número de adeptos em 120% e os muçulmanos, em 157%. Em termos absolutos, porém o catolicismo continua a ser a religião com o maior número de fiéis em todo o mundo. É a única também, que conta com uma liderança unificada na figura do papa. O pontificado de João Paulo II reforçou essa união apoiando-se no movimento de Renovação Carismática. Os grupos passam por contrapartida, subdivedem-se suas estruturas, adquirindo uma organização mais difusa, sem a centralização institucional ou exigência de vinculações formal a uma igreja.

 

32) AS RELIGIÕES NO MUNDO

  • Europa: O cristianismo é a principal religião  da Europa e  a maior do mundo em número de adeptos. Enquanto o catolicismo predomina nas porções meridional e ocidental do continente, a igreja Ortodoxa prevalece em alguns países da península Balcânica e da comunidade dos Estados independente (CEI). Já os protestantes são maioria na Alemanha, no Reino Unido, nas nações da península Escandinava e nas republicas bálticas;
  • América: a composição religiosa da América espelha a origem metropolitana: na América Latina, de colonização hispano-portuguesa, o catolicismo impera e é mais representativos que na Europa, sede da Igreja Católica. As estatística entretanto, ignoram fenômenos como o sincretismo religioso e a ligação com mais de uma religião. O espiritismo, praticamente restrito á América Latina e o protestantismo, que cresce em razão do avanço dos pentecostais, também merecem destaque na região. Na América do Norte, dominada pelos ingleses, os protestantes são maioria. Os católicos vivem basicamente na província de Québec, no Canadá, ocupada inicialmente pelos franceses, e nos Estados norte-americano que recebem grande quantidade de imigrantes latino, como Florida, Texas e Califórnia.
  • Oceania: A colonização britânica de boa parte de Oceania também deixa como herança a presença do protestantismo e catolicismo. As crenças tradicionais dos povos nativos estão em processo de extinção;
  • África: A diversidade religiosa do continente africano é determinada pela prática de crenças tribais, que dividem espaço com religiões estrangeira, sobretudo o islamismo, introduzido pelos árabes no norte da África a partir do século VII e o cristianismo, disseminado especialmente após o século XIX, quando se acentuou a colonização europeia. A existência das religiões asiáticas decorre da imigração de mão-de-obra no período colonial;
  • Ásia: Berço de antigas religiões de caráter ético e também de crenças universalista, cristianismo, islamismo e judaísmo, nascidas na região do Oriente Médio. O islamismo, segunda religião mais difundida no mundo, é majoritário no continente. Os muçulmanos se concentram no Oriente Médio, na Ásia Central, no Subcontinente Indiano e no Sudoeste Asiático. Já o judaísmo é quase exclusivo do Estado de Israel e o cristianismo tem influencia reduzida na Ásia. O hinduísmo, terceira maior religião, foi fundado na Índia e praticado pela maior parte de seus habitantes. O budismo, também originário da Índia, propaga-se, sobretudo, pela península da Indochina e pela Mongólia. O confucionismo e o taoísmo surgem na China, onde têm importância significativa, e se espalham para algumas nações próximas ao sudeste Asiático. O xintoísmo prevalece no Japão. 

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

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