Presidente Prudente (SP),

Apresentação da lição em power point

sábado, 20 de abril de 2013

Casamentos e relações fora da direção de Deus

1) O PRIMEIRO CASAMENTO – SANSÃO NÃO FOI PÁREO PARA A FORÇA DA PRIMEIRA MULHER.
Sobre quais bases estavam firmados o primeiro casamento e as posteriores relações amorosas de Sansão? A união com a filha dos filisteus, de Timna, estava totalmente alicerçado na desobediência aos conselhos de seus pais (Jz 14.2-3), que desesperados, não aprovaram, desde o inicio aquela audaciosa ideia. A Bíblia de estudo Aplicação Pessoal (BAP) em sua nota de rodapé (Jz 14.3), assim descreve os bastidores desta primeira união ilícita de Sansão:

“Os pais de Sansão opuseram-se a este casamento com a mulher filisteia por dois motivos: (1) era contra a Lei de Deus (Ex 34.15-17; Dt 7.1-4). [...] os filisteus eram os maiores inimigos de Israel. O casamento com uma odiada filistéia seria a desgraça da família de Manoá (o sentimento de ódio entre as nações era reciproco, grifo meu). Mas o pai de Sansão cedeu ao pedido do filho e permitiu o casamento, embora tivesse o direito de recusá-lo”. BAP (2003, p. 340).

Mas que sentimento foi este que arrebatou o coração do pobre jovem? Josefo também questionou a conduta de Sansão: “Amor à primeira vista! Será que era mesmo amor ou simples desejo carnal”? Bem explicou Wilts quando elegeu o sentimento responsável pela concretização do casamento fora da direção de Deus, contraído por Sansão: “O desejo é um substituto pobre e egoísta do amor verdadeiro e desinteressado, amor este que se preocupa apenas com a felicidade mútua”.

Os pais avisaram sobre os problemas que surgiriam daquela fatal união, mas com um jovem desmiolado, ele resolveu arriscar, investir em um casamento, que desde o inicio estava fadado ao fracasso. Não era da vontade de Deus e não precisaria de um gênio ou um grande profeta para que isto fosse atestado[1].

Eram dois povos que esperavam somente o “riscar do fosforo”. O confronto era inevitável e poderia acontecer a qualquer momento, bastava um dar o sinal ao outro (cf Jz 15.3). A tempestade no copo de água facilmente se formaria e seria fatal.

a) Até agora parece que tudo está correndo bem:
No começo tudo foi festa, o encontro, os preparativos, a aceitação[2] dos filisteus, parecia que houvera recebido a aprovação de Deus para a sua decisão. Ele matou um filhote de leão (Jz 14.5-6), aumentando ainda mais a sua confiança, na verdade sua ilusão. O fascínio pela filha dos filisteus foi tanto que seus olhos brilharam (Jz 14.7), conforme ele mesmo já havia declarado no momento em que pediu para os pais intercederem e prepararem o casamento. “Eu quero aquela mulher, pois ela agrada aos meus olhos”. O mesmo par de olhos que ele perdeu quando foi preso, sem forças e resistência, para ser zombado diante de Dagom, divindade pagã, dominante naquelas terras (Jz 16.13).

O casamento aconteceu como previsto e organizado. Ele recebeu a sua mulher, a mulher do “7º dia[3]”. Como o casamento não era da vontade de Deus, nada mais logico do que apresentarmos as consequências, que foram certeiras, trágicas e simultâneas à festa dos recém-casados
  • Fim brusco da festa, ao sétimo dia (Jz 14.18-19);
  • Matança de inocentes ou, que pelo menos, não tinham nada a ver com aquela história ou com os erros de Sansão. Os asquelonitas[4] foram sacrificados para que um compromisso[5] fosse cumprido;
  • Perda de sua esposa, que foi dada ao companheiro do furioso marido que saiu à procura de recursos para honrar sua aposta;
  • Passado alguns dias ele retornou na esperança de reencontrar sua esposa, mas foi impedido pelo ex-sogro, que lhe ofereceu outra filha no lugar da anterior. Este foi o estopim para o descontrole total. Matou trezentas raposas e ateou fogo na seara dos filisteus (Jz 15.4-5), para alimentar a sua vingança;

Sua ira foi em relação à negativa do ex-sogro, mas quem pagou a conta, novamente, foram os filisteus, que não perdoaram e se vingaram na mesma proporção. Eles cumpriram as ameaças feitas naqueles dias do casamento (Jz 14.15; 15.6).
Depois deste trágico acontecimento, Sansão resolveu cessar com suas “loucuras”, para assim não colocar mais em perigo a vida de pessoas simples e inocentes. Mas as consequências pelo seu erro não se findaram com esta sua decisão. Ele dera um tempo para pensar em seus atos, achou por bem, voltar às suas atividades em sua nação. Por algum tempo havia desprezado a máxima: “reflita antes de agir”. O sábio rei Salomão diria anos mais tarde: “melhor é o que domina o seu espírito do que o que toma uma cidade" (Pv 16.32), palavra bem propícia para a ocasião e para o protagonista.

2) AS RELAÇÕES POSTERIORES – “UM ABISMO CHAMA O OUTRO”. SANSÃO NÃO FOI PÁREO PARA A FORÇA DAS FILHAS DOS FILISTEUS.
As relações posteriores foram ainda mais danosas a ele próprio quanto para a tribo, a qual pertencia, Judá (Jz 15.10-13). O agravante maior foi o fato de Sansão não ter pedido conselhos ou aprovação dos pais para se relacionar com as outras duas filhas dos filisteus. O resultado não poderia ser outro que não as catástrofes. Wilts descreveu os encontros, sentimentos e ações decorrentes da proximidade de Sansão com o que não lhe era permitido (Ex 34.15-17; Dt 7.1-4):

“No capítulo 16, ele está em Gaza - outra cidade dos filisteus - passando a noite com uma prostituta. Aqui não se trata de casamento. 1 Coríntios 6:13 nos adverte da gravidade, aos olhos de Deus, do pecado de fornicação. Em seguida, Sansão apaixonou-se novamente por outra filistéia, chamada Dalila (Juizes 16:4). Outra vez surge diante de nós a pergunta: Que amor era esse? Essa relação durou mais tempo e lhe foi fatal. Ele revelou os segredos do seu nazireado. Perdeu, por isso, sua marca exterior, os cabelos longos, e constatou tarde demais que Deus Se havia afastado dele. Os filisteus furaram-lhe os olhos, ataram-no e o puseram preso (justamente o órgão do seu corpo que ele se gabava, pois através dele pode se entusiasmar com a beleza das filhas dos filisteus, GRIFO MEU).

a) Até agora parece que tudo está correndo bem:
Que prova poderia ter Sansão de que Deus ainda estava com ele, mesmo após ter se rendido “aos serviços[6] made in Gaza” (Jz 16.1)? Que demonstração de força, pois somente quem estivesse na presença de Deus poderia arrancar um portão, com suas trancas e umbreiras e carregá-los nos ombros até ao monte, para que todos vissem que a cidade, tão orgulhosa pela sua segurança, estava agora desprotegida. Ou ele fez isto confiando em suas próprias forças, ou porque já estava acostumado com tamanha pressão? Provavelmente já tinha confiança suficiente para se posicionar diante do perigo, conforme atestado por Josefo:

Desde aquele dia, ele passou a desprezar tanto os filisteus que não teve medo de ir até Gaza e hospedar-se num albergue à vista de todos. Logo que os magistrados o souberam, puseram guardas à porta da cidade, para que ele não pudesse escapar. Sansão veio a sabê-lo e levantou-se pela meia-noite, arrancou as portas, colocou-as às costas com os seus gonzos e ferrolhos e levou-as ao monte que está acima de Hebrom. Sansão, todavia, em vez de reconhecer os muitos favores que devia a Deus e observar as leis que Ele dera aos seus antepassados, abandonou-se aos excessos dos prazeres e costumes estrangeiros e foi assim ele mesmo a causa de sua infelicidade. Ele enamorou-se de uma cortesã filistina, de nome Dalila, e, logo que os maiorais da nação o souberam, foram ter com ela e a obrigaram, com grandes promessas, a procurar saber dele de onde provinha aquela força extraordinária”. JOSEFO (Livro quinto, capítulo 10).

Que correria! Pior foi o que aconteceu quando estava nos braços da terceira mulher estrangeira, momento em que descansava, sem perceber que aos poucos entrega a ela o segredo de sua força. Olhos vazados, trabalhos forçados e morte. Tudo isto porque não deu ouvidos aos pais no inicio da história: “não há, porventura, mulher entre as filhas de teus irmãos, nem ente todo o meu povo”? Porque resolveu buscar uma entre as filhas dos filisteus? As mulheres que Sansão se relacionou e confiou (Jz 14.17; 16.17) não eram dignas de confiança.

O primeiro casamento, sob desobediência, gerou alegria no inicio, choro de inocentes ao final da festa, separações e morte da esposa e família. As segundas e terceira relações provocaram correria, fuga, mortes, perdas, desilusões, desconfianças, traições e tristezas, pois que outro sentimento poderia ter invadido a mente de Sansão, enquanto “andava ele moendo no cárcere”?

3) EM QUE ESTAVAM ALICERÇADOS OS CASAMENTO DE JACÓ, JOSÉ, MOISÉS?
a) Jacó e Raquel
Jacó havia seguido à risca as ordens de seu pai Isaque, para que não tomasse mulheres entre as cananeias. Ele trabalhou conforme combinado com seu tio, em Padã-Arã, portanto poderia receber Raquel como esposa, mas ao final deste período foi surpreendido com a atitude de Labão, que lhe entregou Léia como esposa. Que decepção, ver seus sonhos e planos caírem por terra, sentiu na pele a dor do engano, pois o seu tio poderia ter contado sobre o costume, mas Labão viu a possibilidade de tirar proveito daquele jovem trabalhador. O amor por Raquel o encorajou para mais sete anos de trabalho.

Esaú, seu irmão, para mostrar toda sua indignação com a perda da benção resolveu por vontade própria descer à terra dos ismaelitas tomando diversas mulheres, todas abomináveis aos olhos do Senhor, dando origem a várias nações que no futuro bem próximo se tornariam sérias inimigas de Israel. Mas em que estava baseado o casamento e relação de Jacó com Raquel, a mulher que sempre amou? Engano do tio ou obediência do filho de Isaque e neto de Abraão?

b) José e Asenate
José, deu um valiosíssimo presente à seu pai, Jacó, quando toda a família se mudou para o Egito. No reencontro, o pai estendeu os braços para receber o filho, que há muito tempo julgava estar morto, mas que agora estava ali diante de seus olhos, não somente ele, como também sua esposa egípcia e seus dois, Manassés e Efraim (Gn 41.45, 50-52), os quais foram abençoados pelo patriarca (Gn 48.11-22) antes de sua morte e incluindos no seleto grupo que daria origem à grande nação de Deus, Israel (Ex 19.5), mesmo sendo filhos de uma estrangeira?

Em que estava alicerçado o casamento de José? Na possível fraqueza sua demonstrada quando aceitou a egípcia como esposa, uma filha de sacerdote egípcio? Ou na obediência, submissão, espera confiante em Deus, no uso correto da sabedoria que recebera? Ou ainda no perdão aos irmãos, quando poderia ter se vingado por todo o passado?

c) Moisés e Zípora. Moisés e a cuxita
Moisés, casado com Zípora (Ex 2.21), a filha de Jetro, o midianita, aquela que em determinado momento da história lembrou o grande legislador de sua obrigação[7], quando por conta própria circuncidou seu filho, diante de um breve esquecimento do marido. E olha que era uma estrangeira, desconhecedora das Leis de Deus. A mesma que foi trazida pelo pai e entregue ao marido, já no meio do deserto, nos primeiros dias de libertação (Ex 18.1-3).

Anos mais tarde, vemos Moisés diante de um problema originado devido a nacionalidade de sua esposa[8], momento em que nos surge a pergunta: “em que estiveram alicerçados os casamentos[9] de Moisés? Na desobediência? Ou na máxima: “Faça o que eu mando e não faça o que eu faço”. Ele era o líder, então poderia tomar qualquer mulher, de qualquer nacionalidade, enquanto o povo deveria se privar? Ou seu(s) casamento(s) foi(ram) alicerçado(s) na obediência e no cumprimento ao primeiro “ide de Jeová” (Ex 3.10)?

Bem diferente do que ocorreu com Sansão? Em nenhum momento ele foi enganado, traído, influenciado negativamente pela mãe como Jacó, antes de tomar a benção de Esaú. Tampouco ele foi vendido como escravo, esquecido na prisão como José. Muito menos fugiu ameaçado, largando para trás fortuna, conforto e um promissor futuro oferecido pelos egípcios. Não me lembro de ter visto Sansão andando errante longe de suas nações[10] por longos e exaustivos quarenta anos. Não vi menção de caminhada pelo mesmo período em busca da Terra Prometida, que ora ele estava pisando.

Portanto, não reunimos argumentos para comparar, julgar ou questionar os casamentos dos três grandes patriarcas de Israel, mas em se tratando de Sansão, temos muito que aprender com seus erros. Wilt citou o problema maior deste grande juiz:

“Um dos aspectos trágicos da vida de Sansão foi a falta de controle sobre suas paixões. E o que devemos pensar de Juizes 14:44? "Mas seu pai e sua mãe não sabiam que isto vinha do SENHOR , pois este [Sansão] procurava ocasião contra os filisteus". Sem dúvida, a intenção de Sansão era boa, e Deus o ajudou a alcançar seu propósito, o que não significa que Deus aprovava sua maneira de agir”.

Referências:
Bíblia de estudo aplicação pessoal. CPAD, 2003.

Bíblia Sagrada: Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000.

Bíblia Sagrada – Harpa Cristã. Baureri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2003.

JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. De Abraão a queda de Jerusalém. 8ª Ed. Traduzido por Vicente Pedroso. Rio de Janeiro. CPAD, 2004.

WILTS, Harms. Aprenda o que não se deve fazer com as decepções amorosas de Sansão. Digitalização: Pr. Nilson. http :// semeadoresdapalavra.queroumforum.com



[1] Aquela relação caracterizava o jugo desigual, pois tratava-se de “um boi e um burro na mesma junta”. Faltava somente nomear “o boi e o burro”.
[2] Na verdade os filisteus não aceitaram Sansão de bom grado, apenas receberam o grande peixe que havia mordido a isca. Eles estavam ao derredor bramando como leões procurando alguém para tragar e encontraram (cf 1 Pe 5.8).
[3] A mulher que ao sétimo dia da festa, em vez de gritar a todos que estava feliz como o marido, temeu as ameaças de seu povo (Jz 14.15).
[4] Moradores ao norte da terra dos Filisteus, às margens do Mar Grande (Mediterrâneo).
[5] Aposta é aposta. O perdedor deveria honrar (Jz 14.12).
[6] Prostituição (Jz 16.1), que não era exclusividade somente dos filisteus, diga-se de passagem.
[7] Por ter vivido 40 anos no Egito e 40 em Midiã é provável que Moisés tenha se esquecido de alguns de seus afazeres religiosos, conforme nota de rodapé da BAP (Ex  4.24-26).
[8] Provavelmente não era Zípora e sim outra. A cuxita era Etíope, conforme nota de rodapé da BAP (Nm 12.1).
[9] Partindo do principio que Zípora não era a mesma mulher citada como a cuxita (Nm 12.1).
[10] Israel por nascimento e Egito por criação.

Por: Ailton da Silva - Ano IV

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