Presidente Prudente (SP),

Apresentação da lição em power point

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Querubins – Bezerro – Serpente

Como isolar um versículo que já está isolado:

Dias atrás estava em um lugar e o rádio estava ligado. Em determinado momento o “pregador” alterou o tom de voz e disse: “Ei você, que está sendo bombardeado com as acusações de que somos todos idólatras, vejam o que está escrito na Bíblia”.

Neste momento eu parei para ouvir melhor. Era um padre (destes que estão na mídia e de alcance nacional). Eis a citação dele:

Ex 25.17-22 – o propiciatório de ouro. O foco da mensagem foi em relação aos dois querubins de ouro que Deus ordenou que fossem colocados na arca.

Ele insistiu na chamada: “Eis vocês que são bombardeados, vejam a prova de que Deus mandou e permitiu fazer imagens”.

Eu não acreditei, pois qualquer criança, das nossas EBDs, sabem como é catastrófico isolarmos versículos e desprezarmos o seu contexto e não precisamos ser exegetas para sabermos que o correto é extrairmos do texto exatamente o que o que ele quer nos dizer e não dizermos o que o texto não está falando.

a) O bezerro de ouro (Ex 32.1-35).
• Sobre os dois querubins de ouro – creio que serviria sim de lastro para adoção da idolatria se em vez dos dois querubins Deus ordenasse que fossem colocados ali duas figuras de ouro para representarem as duas sumidades e maiores homens de Israel naquele momento, Moisés e Arão. Seria mais ou menos assim: “Farás também duas imagens de ouro batido para que o povo sempre lembre de você e a seu irmão”. Que estranho seria (quase me deu ânsia de vomito ao digitar isto);

• Será que existe alguma diferença entre dois querubins e as imagens de dois homens? Desde o jardim do Éden vemos a função dos querubins, após expulsão do homem (Gn 3.24);

• Com a demora de Moisés, da mesma forma como Samuel também demorou alguns dias para o encontro com Saul (I Sm 12.8), todo Israel clamou por novos deuses. O primeiro da lista seria o bezerro (Ex 32.8b), mas porque não aproveitaram os dois querubins de ouro que já estavam prontos? Porque todo o trabalho de fazerem outro? Acho que foi por causa da festa que seria feita ao final. Alarido de vitoriosos ou canto de derrotados?

• Qual foi o prejuízo do povo? As mulheres, seus filhos e filhas perderam seus pendentes que estavam nas orelhas (grandes) e certamente perderam muito do que ganharam de presentes dos egípcios no momento da partida (Ex 12.35-36);

• Quase foram destruídos, mas Moisés clamou e não aceitou a proposta de Deus (Ex 32.10b), pois seria estranho ouvir Jesus dizer: “Vocês presumais de vós mesmo ter por pai a Moisés” (Mt 3.9). Como soa esquisito. Moisés sabendo clamou por aquele povo para que um dia pudessem dizer com todo gosto: “Nós tempos por pai a Abraão”;

• Foi preciso Moisés colocar sua vida em risco diante de Deus para que Israel não fosse consumido. Imaginem se ele ouvisse o “ok” para o seu pedido. Seria riscado do livro (Ex 32.32)?

• Assim o povo foi ferido por causa da imagem do bezerro que Arão havia feito (Ex 32.35), mas quando fizeram os querubins não tiveram problema. A finalidade naquele caso era outra (sombra de coisas futura);

• Será que havia diferença entre os dois querubins (ordenado por Deus) e o bezerro (ordenado pelo homem)? Muita diferença;

• Eu não me lembro dos israelitas dizendo: “Glória, os dois querubins estão entre nós, glória”, mas louvarem a Deus muitas vezes pela arca do concerto.

A serpente de metal (Nm 2.8-9; cfe Jo 3.14):
• Deus havia mandou serpentes entre o povo devido a murmuração (mais uma). Como resolver este problema? Clamor de Moisés em favor deles? Sim, e uma ordenança de Deus: “Faze uma serpente ardente e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo mordido que olhar para ela” (Nm 21.8);

• A região era infestada de serpentes traiçoeiras, que se escondiam na areia e atacavam sem prévio aviso (Bíblia de aplicação pessoal, nota de rodapé Nm 21.8-9) e para completar o povo de vez em quando facilitava as coisas para as tragédias, ou seja, faziam por onde merecerem;

• “E Moisés fez a serpente de metal; e pô-la sobre uma haste; e era que, mordendo alguma serpente a alguém, olhava para a serpente de metal e ficava vivo” (Nm 21.9). Esta seria a brecha para se provar a permissão de imagens? Afinal este seria o segundo caso de que era ordenado pelo próprio Deus a confecção de uma suposta imagem para representar algo (servia de sombra para coisas futuras);

• O que curava os mordidos por serpente, da congregação, era a fé em Deus e não propriamente o olhar para a serpente, vejamos: a ordem foi para olhar (uma vez?) e não para dobrar os joelhos, acender velas, clamar, passar horas e horas gritando, se retalhando (I Re 18.27-29). Serpentes não falam, não ouvem, mas viajam rastejando. Se confiassem nelas certamente não as encontrariam para atenderem os pedidos;

• Muitas curas aconteceram naqueles dias pela fé em Deus, quando olhavam para a serpente, porque então não adotaram a serpente como um futuro deus? E porque não a adotam hoje. Títulos não faltariam: Serpente das santas chagas; Serpente da restauração; da unificação; da cura eterna; do norte; de Portugal; do rio; da natividade, sei lá;

• A serpente é uma imagem muito feia, amedronta. Não teria comercio, as vendas seriam baixas, pois quem gostaria de ficar olhando para deuses com este tipo de aparência? Metade homem, metade serpente! Isto é coisa de romano. Egípcio, babilônico, assírio, cananeu, etc.

• Alias se fosse para se apoiarem em algumas passagens para autenticarem a idolatria porque então não utilizam esta?

Nas Escrituras Sagradas jamais encontrarão respaldo para tamanha torpeza, pelo contrário, e não precisa ser nenhum exegeta, estudioso da Bíblia para compreender que tal prática é uma afronta a santidade de Deus, que é o único digno de receber toda a Glória.

Por: Ailton da Silva

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