Presidente Prudente (SP),

Apresentação da lição em power point

sábado, 15 de dezembro de 2012

Planos traçados no meio do caminho são diferentes das ações no ato da chegada


Ninguém poderia reclamar, pois a autorização, recursos, investimentos e encarregados para administrarem aquela tão grande obra já estava ali em Jerusalém.

A parte mais difícil havia ficado com Deus, que tocou no coração de um ímpio, para que se cumprisse a palavra dita por Jeremias (Jr 25.11; 29.10), o qual ordenou e destacou o primeiro pelotão de corajosos e ávidos pela reconstrução. A benção foi tão grande que até mesmo o que havia sido roubado por Nabucodonosor (2 Cr 36.18; Jr 52.18-19), um a um, foram restituídos segundo as ordens do satisfeito e admirado rei Ciro, que se alegrou por ter sido escolhido por Deus para tamanho feito.

“No primeiro ano do reinado de Ciro, rei dos persas, setenta anos depois que as tribos de Judá e de Benjamim foram levadas escravas para a Babilônia, Deus, tocado de compaixão pelo sofrimento delas, realizou o que havia predito pelo profeta Jeremias, antes mesmo da ruína de Jerusalém: que, passados setenta anos em dura escravidão, sob Nabucodonosor e seus descendentes, voltaríamos ao nosso país, reconstruiríamos o Templo e desfrutaríamos a nossa primeira felicidade. Assim, pôs Ele no coração de Ciro escrever uma carta e enviá-la por toda a Ásia. [...] Esse soberano falava assim porque lera nas profecias de Isaías, escritas duzentos e dez anos antes que ele tivesse nascido e cento e quarenta anos antes da destruição do Templo, que Deus lhe tinha feito saber que constituiria a Ciro rei sobre várias nações e inspirar-lhe-ia a resolução de fazer o povo voltar a Jerusalém para reconstruir o Templo. Essa profecia causou-lhe tal admiração que, desejando realizá-la, mandou reunir na Babilônia os principais dos judeus e anunciou que lhes permitia voltar ao seu país e reconstruir a cidade de Jerusalém e o Templo, que eles não deveriam duvidar de que Deus os auxiliaria nesse desígnio e que escreveria aos príncipes e governadores de suas províncias vizinhas da judéia para que lhes fornecessem o ouro e a prata de que iriam precisar e as vítimas para os sacrifícios” JOSEFO (livro décimo primeiro, capítulo 4).

Que alegria, que avivamento fora provocado entre os judeus. E o que dizer do temor provocado nas outras nações (Sl 126.1-2) ao contemplarem a comitiva dos vitoriosos retornando para Jerusalém? Todos cheios de planos! Planos? Que planos?
  • Resgatarem a economia judaica?
  • Incentivarem a construção civil com subsídios que certamente Zorobabel, o governante, ofereceria?
  • Elevarem a auto-estima dos judeus, que por muito estava por baixo, principalmente daqueles que foram “deixados para trás” (Ne 1.1-3; Lm 1.1-6)?
  • Aproveitarem a experiência política adquirida na Babilônia e Pérsia para provocarem uma revolução em Jerusalém? Talvez transformando a cidade do reino em uma grande cidade do império judeu.

O único plano traçado, ainda na Pérsia e revelado a Ciro, dava conta da reconstrução do Templo salomônico (2 Cr 36.23) e isto alegrou o coração deles durante a longa viagem, tanto que não cansavam de repetir. “Em nome de Jeová, quando chegarmos, iniciaremos rapidamente a reconstrução”.

Planos traçados no meio do caminho são bem diferentes das ações no ato da chegada. Este dilema também foi enfrentado por Neemias em seu retorno, pois a ousadia e coragem demonstrada por ele, no seu pedido ao rei Assuero (Ne 2.5) e durante a viagem, quase foram sufocados na sua chegada em Jerusalém. A principio, a recepção foi um tanto quanto calorosa (Ne 2.10), já que ele foi quase queimado vivo pelos olhares de Sambalate, Tobias e Gesém, mas os três dias de inspeção noturna, em silêncio, confortaram o seu coração e devolveram a confiança na vitória.

Neemias se deparou com a necessidade e urgência da obra, para a qual havia sido enviado, tal como os primeiros judeus que retornaram com Zorobabel e Josué, que encontraram uma cidade ainda em piores condições, portanto o trabalho deles seria maior e como já vieram com o plano em mente, logo colocaram em prática (Ed 3.1-3) iniciando pelo altar, vindo depois as bases do alicerce.

Certamente, alguns devem ter questionado acerca desta decisão, pois como priorizariam a reconstrução do Templo, a maior riqueza espiritual concreta, e o apresentariam aos seus vizinhos e inimigos todo aquele tesouro?

“Restituímos também, por meio de Mitredate e de Zorobabel, os vasos sagrados que o rei Nabucodonosor retirou do Templo, para que lá sejam recolocados. Seu número é de cinqüenta bacias de ouro e quatrocentas de prata; cinqüenta vasos de ouro e quatrocentos de prata; cinqüenta baldes de ouro e quinhentos de prata; trinta grandes pratos de ouro e trezentos de prata; trinta grandes taças de ouro e duas mil e quatrocentas de prata; e, além disso, mil outros grandes vasos”. JOSEFO (livro décimo primeiro, capítulo 4).

Estavam completamente desprotegidos, já que os muros da cidade ainda estavam queimados e reduzidos ao pó. Deveriam cuidar primeiramente do espiritual, das coisas de Deus, que certamente o material seria acrescentado (cfe Mt 6.33). Além do mais, esta tarefa seria de Neemias (Ne 6.15), que finalizaria todo processo de reconstrução da cidade e nação.

Mas os judeus não entenderam que era necessário iniciarem e concluírem a reconstrução, tanto que os planos traçados no caminho foram sufocados pelas adversidades encontradas. Facilmente foram intimidados pelos opositores, os mestiços samaritanos (2 Rs 17.24), que conseguiram paralisar a obra. A primeira tentativa foi através do engano, pois se infiltrariam, fingindo-se adoradores, para então sabotarem a reconstrução (Ed 4.1-2).

“Essa notícia chegou até Samaria, e os habitantes dessa cidade vieram indagar o que se passava. Ao saber que os judeus, regressando do cativeiro da Babilônia, haviam reconstruído o Templo, rogaram a Zorobabel, a Jesua, sumo sacerdote, e aos principais das tribos que lhes permitissem contribuir para aquelas despesas, dizendo que adoravam o mesmo Deus e que não tinham outra religião desde que Salmaneser, rei da Assíria, os trouxera da Chutéia e da Média para morar em Samaria. Todos de comum acordo responderam que não podiam fazer o que desejavam, porque Ciro e Dario haviam permitido que só eles, os judeus, reconstruíssem o Templo, mas que isso não impediria que eles e todos os de sua nação viessem adorar a Deus, o que podiam fazer com toda a liberdade” JOSEFO, (livro décimo primeiro, capítulo 4).

Judeu convicto, certos de sua missão, calejado e que havia aprendido com a rapidíssima aula na Babilônia, durante os setenta anos de exílio, certamente não cairia nesta conversinha ecumênica. Tal como Neemias (Ne cap. 4) que soube muito bem lidar com situação semelhante.

“Deixem-nos edificar convosco, porque como vós, buscaremos a vosso Deus, como também já lhe sacrificamos desde os dias de Esar-Hadom, rei da Assíria, que nos mandou vir para aqui”. Esdras 6.1-2.

Deixem-nos edificar convosco? Porque buscaremos a vosso Deus? Vosso? Porque não disseram o nosso Deus? E sacrificaremos como nos dias do assírio Esar-Hadom? Eles sacrificaram naqueles dias para fugirem dos leões. Aqueles estrangeiros (2 Rs 17.24-41) confessos fariam tudo aquilo de novo?

Zorobabel e Josué não caíram naquela cilada e não permitiram a mistura durante a obra. Estavam cumprindo as ordens do rei Ciro que foram bem taxativas: “reconstruam vocês”. Foi então que os samaritanos partiram para o plano B, as falsas acusações junto ao império persa.

Para desmotivarem o povo foi fácil, não precisaram de muito esforço ou sequer repetiram a dose. O tiro foi certeiro. O decreto de paralisação foi editado, publicado na imprensa oficial da época e a obra foi embargada (Ed 4.24).

Então os trabalhos de adoração e sacrifícios deveriam ser feito ali mesmo, nas bases do alicerce do antigo Templo ou entre as ruínas, enquanto isto os que não fossem nas reuniões ficariam em suas casas arejadas, grandiosas, bem acabadas, sofisticadas, arquitetadas, etc.

Ou alguns destes judeus ofereceram suas casas, suas garagens, seus quintais, para que todos se reunissem tal como fizeram nos duros anos na estadia babilônica? Ou quem sabe se reuniram embaixo dos salgueiros para salmodiarem e cantarem louvores a Jeová (Sl 137.1-4).

Havia júbilo quando eram chamados à casa do Senhor (Sl 122.1)? Não puderam cantar em terras estranhas (Sl 137.4), também não poderiam fazer o mesmo em condições estranhas tanto quanto a anterior. No exílio estavam sem o Templo, mas em Jerusalém também estavam!

Teríamos coragem de participarmos de reuniões expostos ao sol, vento, chuva escárnios e comentários, tipo: “eles não tem lugar para se reunirem? Não conseguem construir um templo próprio? Não tem recursos? Ou falta coragem?”

Faltam homens de mulheres que tomem a frente, que lancem desafios tal como Zorobabel e Josué (Ed 4.3). A mesma reação tiveram os mercadores, vizinhos e inimigos de Israel quando passavam por Jerusalém e a viam em ruínas, sem muros e portas. Eles exclamavam: não tem homens nesta cidade para a reconstruírem?”

A primeira etapa do plano de Deus para reconstruírem a cidade estava finalizado, restava agora Esdras retornar com o segundo grupo para resgatar o ensino da lei e Neemias para reerguer os muros e portas da cidade.

“Depois de no segundo mês do segundo ano lançarem os alicerces do Templo, começaram, no dia primeiro de dezembro, a construir a parte superior. Todos os levitas com vinte anos ou mais, e Jesua, com os seus três filhos e seus irmãos, e Cadmiel, irmão de Judá, filho de Aminadabe, com os seus filhos, que haviam sido encarregados da direção dessa obra, nela trabalharam com tanto empenho e solicitude que a concluíram muito antes do esperado. Então os sacerdotes, revestidos de seus vestes sacerdotais, marcharam ao som de trombetas, enquanto os levitas e os descendentes de Asafe cantavam em louvor a Deus hinos e salmos compostos pelo rei Davi. Os mais antigos do povo, que haviam contemplado a magnificência e a riqueza do primeiro templo, considerando o quanto esse estava longe de igualá-lo e julgando assim a grande diferença entre a sua prosperidade no passado e a presente, sentiram tão profunda dor que não puderam reter as lágrimas e soluços. O povo em geral, porém, ao qual somente o presente podia impressionar, não fazia tal comparação. Estava tão contente que as queixas de uns e os gritos de júbilo de outros impediam que se ouvisse o som das trombetas”. JOSEFO (livro décimo primeiro, capítulo 4)

Referências:
Bíblia de estudo aplicação pessoal. CPAD, 2003

Bíblia Sagrada: Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000

Bíblia Sagrada – Harpa Cristã. Baureri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 2003

JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. De Abraão a queda de Jerusalém. 8ª Ed. Traduzido por Vicente Pedroso. Rio de Janeiro. CPAD, 2004
  
Por: Ailton da Silva - (18) 8132-1510 - Ano III

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