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quinta-feira, 29 de abril de 2021

Neemias. Como sair do anonimato - Capítulo 4

A ASTÚCIA DOS ADVERSÁRIOS 

1. UM LÍDER QUE SOUBE LIDAR COM A OPOSIÇÃO:

Os que fazem a obra de Deus sempre estarão sujeitos à oposição, pois são muitos os que, guiados pelo inimigo e fazendo uso de suas conhecidas artimanhas, se levantam para atrapalhar.

Neemias sabia que teria muita dificuldade para realizar o que Deus havia colocado em seu coração, mas será que imaginou que a oposição, em Jerusalém, seria tão ferrenha? Aqueles que poderiam somar, juntamente com o povo, foram os que mais atrapalharam o seu projeto.

Como se já não bastasse o desanimo do povo diante da calamitosa cena, apareceram os opositores. Sambalate, Tobias (nobre amonita) e Gesém (o árabe) para atrapalharem o andamento das obras. Os amonitas e os asdoditas (4.7) também se uniram contra Neemias.

Porque queriam prejudicar? Imaginavam ser obra de Deus ou porque temiam que todo aquele trabalho pudesse ser usado como um trampolim e palanque político? Na verdade muitos opositores confundem o agir do homem e o de Deus ou associam um ao outro.

O primeiro momento após o recebimento da noticia, o pedido ao rei, a viagem cansativa e longa não foram tão cruéis quanto o falatório e o levante liderado por Sambalate e seus companheiros. A partir de chegada na cidade, Neemias entendeu que seria impossível realizar a obra de Deus sem se deparar com os opositores.

Se tivesse permanecido em silêncio ou se conformasse como os demais, certamente Sambalate, Tobias e Gesém não teriam se levantado como ferrenhos opositores. Estes três perceberam que toda aquela preocupação do líder era porque, desde o início, sempre desejou o melhor para os habitantes daquela cidade (2.10). Este foi o estopim de toda a oposição. Se não houvesse uma atitude sabia por parte de Neemias, certamente todo o seu plano seria condenado ao fracasso.

Sambalate, o governador de Samaria e líder daquela oposição se irou, indignou (4.1) e usou de várias artimanhas para intimidar. Esta tática maligna funcionou da primeira vez, com Esdras (Ed 4.21), pois o rei acreditou na falácia dos inimigos e determinou a paralisação da obra, mas naquela oportunidade não surtiu efeito. Neemias percebeu a ação do inimigo e entendeu que a sua luta não seria contra a carne ou o sangue (dos opositores), mas sim seria espiritual.

Estes inimigos tinham por objetivo impedir a reconstrução do muro, o animo dos judeus e queiram evitar a prosperidade da cidade. Enquanto estavam na miséria e condenados ao fracasso ninguém se manifestava, mas foi tão somente aparecer o líder e demonstrar algum interesse para despertá-los. O inimigo sempre se levanta quando alguém busca o verdadeiro avivamento.

 

2. OS ARTIFÍCIOS DOS ADVERSÁRIOS:

  • O primeiro obstáculo para Neemias transpor foi receber a autorização do rei para que partisse em direção a Jerusalém. Este foi vencido à base de muita oração;
  • Na chegada em Jerusalém, enquanto esteve em silêncio, a oposição manteve-se a certa distância, mas foi somente apresentar o plano da reconstrução e todos os inimigos se alvoroçaram. Zombaria (4.2), acusação de traição e crítica (2.19) foram as armas utilizadas;
  • A oposição se ardeu em ira, se indignou e escarneceu dos judeus (4.1) no inicio dos trabalhos;
  • Conspiraram, se infiltraram e espalharam confusão, mas não tiveram sucesso (4.7-11);
  • Tentaram enganar Neemias com convites para tirar-lhe o foco dos trabalhos (6.1-5);
  • Acusaram os judeus de traidores e Neemias de desejar ascender ao trono (6.7).

Sambalate, Tobias e Gesém tentaram de todas as formas impedirem Neemias de concluir o seu projeto. A intenção era paralisar a reconstrução, mas sempre ouviram do grande líder que Deus estava naquele negócio e que a obra não poderia parar. Aquela oposição não era motivada por razões políticas, como aparentava, mas sim religiosa.

 

a) Oposição antes, durante e ao término:

  • Perturbaram-se com a autorização, com os recursos recebidos e quando Neemias declarou seu objetivo (2.9,10);
  • Zombaram e desprezaram quando declarou a sua intenção de reconstruir os muros (2.18,19);
  • Iraram-se e escarneceram dos judeus quando iniciaram a reconstrução (4.1);
  • Durante a construção armaram ciladas, iraram-se, conspiraram para confundir os judeus (4.7-8);
  • Fingiram-se aceitando a conclusão, mas a intenção ainda era prejudicar (6.1-9).

 

3. O PERIGO DE DENTRO PARA FORA. O SUBORNO:

O profeta Semaías, subornado pelos inimigos (6.10), participou de um plano maligno com sua falsa profecia entregue a Neemias, que logo foi discernida. A intenção era levá-lo ao meio do Templo, mesmo não sendo sacerdote ou levita. O perigo estava agora do lado de dentro do muro e não mais fora e não tinha a aparência de mal, apenas era um profeta mal intencionado.

a) Profecia que infringia a Lei:

Como os inimigos não conseguiram tirar Neemias de dentro de Jerusalém, então investiram em outro plano. A intenção era prendê-lo no Templo e matá-lo, mas a mensagem do profeta não condizia com as Escrituras (Nm 18.7). A intenção deste plano era a profanação do Templo (II Cr 26.16). Se a intenção era proteger então deveria ter oferecido os átrios para segurança de Neemias e não o interior do Templo.

 

b) Profecia para impressionar:

Segundo o falso profeta, Neemias corria perigo, por isto era necessário que se escondesse rapidamente conforme suas instruções. Foram ameaças assustadoras, com tom de gravidade e pressa (6.10). Se fosse só um pouco descompromissado com a obra certamente teria acreditado.

 

c) O pagamento do falso profeta:

O profeta de Deus virou mensageiro do inimigo, prostituiu o seu ministério e se deixou enganar. Recebeu algo por isto? Quantas moedas? Sabia do desejo final do inimigo de matar Neemias? Se arrependeu depois? Judas Iscariotes e Semaias estiveram tão pertos de seus líderes e contemplaram as obra de cada um deles.

Que coragem foi demonstrada por Semaias? Sabia da autorização recebida por Neemias, desde o inicio contemplou o progresso da obra e a transformação no coração dos fracos e desanimados judeus, por que então não colaborou? Porque se rendeu as ofertas do inimigo?

 

4. COMENTÁRIOS ADICIONAIS:

  • O inimigo ainda continua usando as mesmas astúcias, não muda. Conseguiu fazer com que o rei paralisasse as obras (Ed 4.21), porque a oposição acusou os judeus de traição. Tentou novamente, mas Neemias estava vacinado. Reflexão: “o inimigo pode ter conseguido iludir outros, mas eu não caio nesta”;
  • Quantas nações zombaram da situação de Jerusalém? Onde está Israel? Onde está o Deus deles? As mesmas nações que zombaram foram aquelas que disseram “grandes coisas fez o Senhor por estes”;
  • Quantos tentaram reconstruir Jerusalém? Erraram porque não tiveram a visão de Neemias? Quem sabe chegaram já ordenando, levantando recursos e desanimaram na primeira manifestação de oposição;
  • A luta de Neemias não foi contra os opositores, mas sim contra o desanimo e descaso dos próprios judeus;
  • A cidade sem muros permitia a entrada de toda sorte de pessoas, exceto os valentes;
  • Neemias estava lidando com novos convertidos, se levarmos em conta a alegria e a disposição com que estavam trabalhando, de coração, para o sucesso da obra;
  • É possível que Neemias tenha visto muitos judeus carregando pedras que eram mais pesadas que seus próprios corpos;
  • A ordem para o retorno foi direcionada para todas as tribos, mas o envolvimento com a Assíria e os temores impediram que as outras dez voltassem, somente Judá e Benjamim ouviram o toque da trombeta (Bíblia de Aplicação pessoal comentário de Ed 1.5)
  • A igreja deveria submeter a profecia ao crivo da Palavra, assim como fez Neemias quando recebeu a mensagem do falso profeta, ele disse: “e quem há, como eu, que entre no templo e viva? Foi neste momento que percebeu a origem da profecia. O profeta ficou calado, não respondeu, pois contra a Lei não havia argumentos;
  • Caso Neemias se refugiasse no templo, profanando-o, certamente os opositores reuniriam o povo para presenciarem a cena, então desta forma todo o trabalho estaria comprometido. Eles diriam: “Este é o líder que nos encorajou? E agora está ai infringindo a Lei e profanando o Templo somente para preservar a sua vida;
  • Quando Saul resolveu se antecipar (I Sm 13), será que pensava que o Samuel havia esquecido de suas atribuições? Quem esqueceu foi Saul, pois era rei e não sacerdote ou profeta.

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

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