Presidente Prudente (SP),

Apresentação da lição em power point

sábado, 28 de julho de 2012

Casa do Pai ou Levirato


“CASA DO PAI” – SOCORRO DE DEUS?
LEVIRATO – SOCORRO HUMANO?

Realmente as viúvas eram as maiores vitimas da sociedade judaica. Por vezes esquecidas ou desprezadas, mesmo nesta situação contavam com o olhar de Deus sobre suas vidas, pois estas ações humanas foram todas previstas mesmo antes da lei mosaica entrar em vigor (Gn 38.8). Não seria novidade se tais mulheres ficassem a mercê de suas próprias sortes, esperando um milagre. Outras agiam conforme sua vontade para resolverem o problema, mas falhavam ou arrumavam confusões, piorando ainda mais a situação.

A) “CASA DO PAI”
Judá, o que havia optado pelo venda de José (Gn 37.26) e que pensara em extrair lucro da vida do próprio irmão, viu seus três filhos e nora protagonizarem uma das mais estranhas, audaciosas e intrigantes ações humanas na tentativa de impedir, melhorar ou resolver problemas familiares, uma situação calamitosa.

Seus filhos Er, Onã foram mortos por Deus (Gn 38.7, 10), o primeiro devido a maldade e o segundo por não querer suscitar a descendência do primeiro e a grande prejudicada em toda esta história foi Tamar, que após a morte de Er, se desposou de Onã, seu cunhado, para que desse continuidade na semente de seu marido. Então imaginou que sua vida pudesse melhorar ou que, pelo menos, não ficaria desprotegida no caso de outra perda.

Sua alegria durou pouco, pois seu novo marido não demonstrou intenção de lhe dar filhos (Gn 37.9; cfe Dt 25.6), proporcionando condições para que, na sua velhice ou no futuro, não viesse a sofrer, mesmo diante da segunda viuvez. Isto não agradou a Deus, pois ele estava impedindo, em parte, o cumprimento do levirato, que era apenas um costume bem antes da promulgação da legislação mosaica, portanto também morreu.

O terceiro filho de Judá era muito novo para que desse continuidade nesta atribulada família. A solução encontrada por Judá foi enviar sua nora para casa de seus pais (Gn 38.11) até que Selá atingisse a idade ideal para o casamento. Uma boa opção, haja vista que, não havia outra. Bastava ela esperar “no Senhor”, que um dia chegaria o momento de sua vitória. Se bem que durante este período ela estaria no melhor lugar, na “casa do pai”. Então não tinha muito por se afligir.

O lugar era o melhor, mas o período foi tenebroso. Dúvidas, choro, sofrimento, angustias, falta de noticias, desesperanças e solidão. O que passava pela sua mente? O sogro a esqueceu? O menino cresceu e casou com outra? Ou quem sabe ela o via todos os dias e não entendia o porquê não era permitido o novo casamento. Será que Judá esqueceu (Gn 38.26) a promessa?

Tamar esteve na casa de seu pai por tanto tempo, mas não aprendeu a se comportar como tal. Tentou resolver este problema usando sua astúcia, não soube esperar “no Senhor”, que certamente não havia esquecido dela. Armou um plano perfeito, sem falhas. Atraiu o sogro e jogou o laço. Uma mulher, que soube como “quebrar as pernas” de um homem, apesar de que Judá não foi nenhum exemplo de conduta e caráter. Escondeu seu erro, condenou a pobre Tamar, tudo isto pelo desejo de preservar sua descendência.

O plano de Judá deveria ter dado certo, era perfeito. Tamar ficaria na casa do pai e seu filho, Selá, atingiria a idade e dois se casariam e estava salva a família e descendência. O problema foi o período de espera. Como é difícil!

B) LEVIRATO
Uma verdadeira tragédia na família. Filhos e maridos mortos e sobraram apenas as viúvas, Noemi, Rute e Orfa. A situação pedia uma atitude urgente da parte da matriarca, que não deveria pensar somente em si mesma. O problema era o que fazer com suas noras. Nas terras de Moabe poderiam ser acolhidas por suas famílias ou pelo menos tinham a expectativa de um novo casamento.

Noemi, com certa idade (Rt 1.12), não alimentava esperança e mesmo que houvesse algum desejo certamente seu coração pendia para as terras de Judá, já que era conhecedora do levirato (Dt 25.5-9). Por isto despediu suas noras e resolveu seguir viagem para resgatar suas origens, mas elas a seguiram, até o momento em que ouviram dela que sua força para gerar novos filhos havia se esgotado e que a mão de Deus estava descarregada sobre sua vida (Rt 1.13b). Este foi o marco da separação das três, pois uma não suportou tamanha tristeza nesta declaração e voltou para sua família, a outra não.

Rute poderia ter voltado para seus afazeres, para casa de seu pai, mas rapidamente processou em sua mente o retrocesso que isto representaria. Estava “limpa” da idolatria moabita, havia aprendido muito com aquela família, presenciou todo o sofrimento de sua, agora pobre (Rt 1.21), sogra.

Então Rute decidiu “aceitar Jeová como Salvador de sua vida” (sic) e conscientemente, de livre e espontânea vontade, leu sua carta de conversão (Rt 1.16) para que todos os ouvidos moabitas ouvissem que a partir daquele momento ela tinha um outro Deus, o verdadeiro e único, Jeová.

E agora Noemi? A mulher está convertida, convicta e decidida, não há como impedi-la de conhecer a “casa do Pai”. Chegaram a Belém e toda a cidade se comoveu apenas com Noemi, não com Rute (Rt 1.19), pois sussurraram entre si dizendo: “... não é esta Noemi”, mas lá no fundo certamente disseram: “e esta moabita, quem é? O que esta adoradora do deus de barriga quente está fazendo aqui? Fora com os adoradores de Moloque”.

A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal em seu comentário de rodapé (Rt 2.2-3) descreve o momento da chegada, a recepção e atitudes daquela estrangeira:

“Rute foi para uma terra estranha. Ao invés de depender de Noemi ou esperar que algo de bom acontecesse, tomou a iniciativa e foi trabalhar. Não titubeou em admitir sua necessidade e buscou meios para supri-la. Quando saiu ao campo, Deus proveu-lhe todas as coisas”. BAP (página 358).

Noemi sempre desejou o bem para Rute, tanto que a orientou em um plano arriscado (Rt 3.1-7), mas de Deus, para que fosse abençoada com um novo casamento de acordo com a lei mosaica. Nada mais justo para uma nova convertida, que demonstrava zelo pelas coisas de Deus.

Mas o que parecia um socorro humano se tornou na verdade um socorro de Deus para a vida das duas viúvas, pois qual delas, em sã consciência imaginou, ainda em Moabe, que Deus tivesse um grande plano e que havia preparado uma grande bênção para as duas em Judá?

Aquela moabitinha, singela, simples, inteligente, que chegou  em Judá, assustada, confusa, com medo, entristecida pelo desprezo e situação financeira, fez uso do levirato e alcançou uma grande bênção, foi grata e agradou a Deus, tanto que foi incluída na genealogia messiânica (Mt 1.5), algo assustador para os moldes legalistas judaicos da época (cfe Dt 23.3).

Na “casa do pai” uma viúva não soube esperar “no Senhor” e complicou a sua situação, enquanto que a outra, no uso de um artigo mosaico, que tinha por finalidade apenas o material, preservação de nome e herança, alcançou a graça de Deus em sua vida, portanto podemos afirmar que para Deus não existem regras com exceções, mas sim existem exceções com regras e todas advindas Dele. Não tente entender o trabalhar de Deus!

Referências:
Bíblia de estudo aplicação pessoal. CPAD, 2003

Bíblia Sagrada: Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000

Bíblia Sagrada – Harpa Cristã. Baureri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro: Casa Publicadora 

Por: Ailton da Silva
(18) 8132-1510

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