sábado, 10 de abril de 2021

Terra. A preparada para homem - capítulo 1

OS PRIMEIROS DIAS DA TERRA

 A expressão “no princípio” foi usada para demonstrar a situação da Terra antes do início do plano de toda a criação[1] e também porque jamais houve condições para determinarmos a época ou tempo em que tais eventos tenham ocorrido. Esta lacuna existe justamente devido à fragilidade ou incapacidade do sistema temporal humano.

O limitado conhecimento humano também impede o estabelecimento de uma relação cronológica entre o que já existia e o que veio a ser criado depois, portanto, não existe outra expressão capaz de revelar com tamanha exatidão a real condição em que se encontrava este planeta, antes das intervenções de Deus em favor de sua criação.

Já a palavra criar tem um significado tão importante e profundo quanto à expressão no princípio, pois sempre trará a ideia de algo novo, maravilhoso, indica também a realização de uma obra sem que haja a necessidade de um esforço humano, consumo de energia corporal ou matéria prima, por isso sempre deve ser empregada aos atos de Deus, já que todo o poder de criação está concentrado em suas mãos. Ao homem basta contemplar e adorar ao seu Criador.

A ideia de Deus era criar e não propriamente em reconstruir, apesar de que as condições apresentadas pela Terra nos dão razão para pensarmos desta forma. O planeta não havia sido criado com aquela deformidade e tampouco estava sentenciado às trevas. Aquela situação foi fruto de uma grande catástrofe sobrenatural e espiritual que desencadeou toda uma reação.

 

“No princípio criou Deus os céus e a Terra. E a Terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas”. (Gn 1.1-2)

 

A Terra estava desolada, mas não abandonada por Deus, pois havia sido criada para ser habitada. Aquela situação não era o seu fim, pelo contrário, era a mais pura revelação da  perfeição e misericórdia Divina.

Um verdadeiro caos, Terra totalmente desfigurada, sem nenhuma forma de vida animal, vegetal e com nenhum atrativo capaz de despertar desejo ou interesse, pois Deus ainda não havia iniciado o seu grande plano de estruturação, modelação e decoração. Somente o Espírito de Deus se movia sobre a face do abismo, mas sem exercer especificamente sua maior função, que é de convencer sobre o pecado, justiça e juízo, mesmo porque os seres humanos ainda não existiam. Esta situação simbolizava a grandeza e força de Deus.

No entanto, por sermos conhecedores da eterna perfeição de Deus jamais aceitaríamos a sua obra de criação se resumindo à apenas aquele ato, ou seja, uma Terra disforme, sem vida, sem beleza, sem aparência, entregue a uma completa escuridão e desprovida de recursos.

Nunca seriamos colocados em condições tão precárias, pois Deus havia planejado muito mais do que poderíamos imaginar. Qual seria então o propósito?

O propósito de Deus foi revelar seu poder e divindade que ficaram explícitos em toda a sua criação, pois esta seria a única forma do homem conhecer e suportar tamanha glória.

 

“Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação o mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis”. (Rm 1.20)

 

Toda a criação de Deus, símbolos de seu poder e divindade, se perpetualizaram através dos séculos para serem consumidos pelo tempo, pelo homem ou pelo próprio Criador, no seu grande e terrível dia. Dentre estas criações podemos citar:

      Os animais, peixes, aves e os mares, com as suas forças que simbolizam a Grandeza de Deus;

      O sol, a lua e as estrelas, com os seus brilhos, simbolizando o Resplendor de Deus;

      A natureza representando a Beleza da Santidade de Deus;

 O homem, com a sua submissão, a princípio, simbolizando a imagem, semelhança e Glória de Deus e que é  considerado a coroa da glória de toda a criação.

No primeiro capítulo do livro de Gênesis, encontramos Deus agindo na Terra, como se estivesse estruturando, modelando, decorando e de forma amorosa deixou transparecer um sentimento, um objetivo, a materialização de um desejo, fruto de sua perfeição e misericórdia, mas por que e para quem Ele estava realizando tamanha obra?

     Queria oferecer aos seus anjos um lugar para descanso, passeio ou habitação?

     Oferecer aos anjos caídos um lugar para passarem à eternidade?

     Preparar um jardim de inverno para seu bel prazer ou para satisfação de seu ego, tal como o homem?

     Ou queria dignificar ou dar condições para que a rápida estadia de sua maior criação no planeta fosse o menos traumático possível?

Deus pensava somente no bem estar do homem e queria que habitasse em um lugar que lhe oferecesse ricas e variadas condições de vida, assim que fosse criado, pois sabia que jamais conseguiria sobreviver em situações adversas ou precárias.

Mas quais eram as condições da Terra antes das intervenções de Deus em nosso favor para nos garantir tais direitos e privilégios:

     Havia trevas sobre a face do abismo;

     A Terra possuía imperfeições em sua superfície;

     Não víamos nenhuma beleza;

     Não oferecia mínimas condições para sobrevivência;

     Estava totalmente ou parcialmente, entre a sua superfície e os céus, tomada por anjos rebeldes recém-caídos, destituídos da glória, condenados a permanecerem nestas condições até o dia do julgamento, tendo Deus e o próprio homem como inimigos[2], tão logo este fosse criado.

Seria humanamente impossível a permanência de algum ser vivo naquela superfície. Somente Deus teria condições de arquitetar e executar um plano tão perfeito, com tudo se encaixando perfeitamente, sem apresentar falhas no futuro.

O grande gigante esperava somente os seus futuros habitantes, que a princípio, viveriam em perfeita harmonia, um respeitando o outro. De um lado estaria a natureza, de outro o homem e acima deles o Criador protegendo-os.

A Terra nestas condições em tudo se assemelhava à situação da humanidade que, em trevas, é incapaz de compreender e aceitar a salvação através de Jesus. O desejo de Deus é que todos cheguem ao pleno conhecimento da verdade, que sejam transformados, para assim serem livres da perdição eterna. 

O planeta, sem forma e vazio, jamais ficaria naquelas condições. Deus havia iniciado sua obra e a terminaria. O seu plano, primeiramente, beneficiaria a Terra e contemplaria o homem na segunda fase.

A terceira fase seria revelada por Deus pouco tempo depois, que consistia na total restauração humana e posterior resgate, através da vinda de seu Filho amado que cumpriria na integra a sua missão na cruz do Calvário.

Realmente a Terra estava desolada, desfigurada e inabitável, mas não poderia e não permaneceu daquela forma, pois Deus a enriqueceu e a transformou em poucos dias.

Tanto a Terra quanto o homem foram criados para serem habitados, a primeira abrigaria a humanidade, que por sua vez, se tornaria a morada e templo do Espírito Santo.

A Terra e o homem careciam de mudança e isto foi possível graças aos decretos de Deus, pois a cada ordem diária ocorria uma mudança radical no planeta, tal como acontece com o pecador a partir do momento em que aceita Jesus como Salvador de sua vida. De glória em glória somos transformados e esta glória vai ficando cada vez mais brilhante para nos tornar cada vez mais parecidos com o Senhor (2 Co 3.18).

Toda a criação poderia ter se resumido a apenas alguns milésimos de segundos ou até menos, mas Deus fez questão de seguir seu plano à risca, cumprindo todas as etapas, dando vida as suas criações e estabelecendo limites e normas.

O plano foi tão perfeito que não houve brechas para especulações científicas, pois se a vida animal ou vegetal tivesse sido criados antes da luz, do sol, do calor, do sereno ou mesmo antes do surgimento da porção seca, certamente não faltariam os questionadores e céticos. Apesar de que algumas questões são levantadas pela ciência, justamente pelo fato de não se encontrar respostas para as perguntas que tanto incomodam.

Somente um Ser superior e poderoso, no pleno curso de sua vontade, poderia arquitetar um plano com tamanha perfeição. 

Não foi um acidente, acaso ou resultado de catástrofes ou evolução, mas sim um plano bem elaborado e colocado em prática por Deus.



[1] Fé em Deus ou fé no acaso? A criação foi um plano de Deus e não resultado de ações em cadeia.

[2] Este foi o motivo que levou o inimigo de nossas almas a arquitetar seu plano de tentação e queda humana. 

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

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