sexta-feira, 16 de abril de 2021

Neemias: Como sair do anonimato - Capítulo 2

 A CONSCIENTIZAÇÃO DO LÍDER 

1. QUEM FOI NEEMIAS:

Realmente não foi nada fácil a vida dos que não foram deportados para Babilônia, o pior era que não fizeram nada para mudar aquele quadro caótico. Houve necessidade que Deus levantasse outro homem de fora, de longe, pois os poucos e desanimados moradores não perceberam o conformismo e o comodismo.

Neemias, servindo a corte persa, não tinha obrigação de demonstrar tanta preocupação por Jerusalém. Mesmo depois de conhecer a situação da cidade não haveria necessidade do desabafo com o rei Artaxerxes, a não ser que sentisse em seu coração um chamado muito forte.

Foi filho de Hacalias, irmão de Hanani (Ne 1.1; 7.2) e ardeu em seu coração o desejo de ajudar o povo que estava em grande desprezo e miséria. Mesmo diante de sua ocupação no palácio real reservou um tempo para ouvir de seu irmão um relato sobre a cidade, que sequer conhecia.

Serviu ao rei Artaxerxe I, na corte persa, como copeiro, em meio ao luxo, facilmente se iludiria com o sistema politeísta medo-persa, mas nunca se deixou corromper pelas ofertas ou práticas pagãs.

O ponto crucial de sua vida, o divisor de águas foi a sua empatia e preocupação com a cidade de Davi, outros em sua posição, jamais desprezariam suas funções na corte para viajar e auxiliar um povo, que não mexia um dedo, sequer para mudar a sua própria situação.

Não era um general, um engenheiro, construtor de grande porte, diplomata, mas possuía qualidades tais, pois no decorrer da obra enfrentou perigos, inimigos, dificuldades, oposição de estrangeiro e outras situações. Sentiu a chamada de Deus em sua vida quando ouviu o catastrófico diagnóstico da cidade. No seu entendimento ainda havia solução?

A distância entre Susã, a fortaleza (Et 1.2) e Jerusalém, cerca de 1600 km, não foi obstáculo. A alegria, vitória, dores e problemas do povo também seriam seus. Mesmo tendo pouco conhecimento sobre a cidade, seguiu viagem.

O único que poderia impedir sua viagem seria o próprio rei, pois seria difícil encontrar outro homem em que pudesse depositar tamanha confiança, mas foi o primeiro gentio que ouviu as lamentações de Neemias e desde o inicio o incentivou que fosse a realizar o que Deus havia colocado em seu coração. Em nenhum momento duvidou, imaginou ou insinuou que a viagem tivesse outro interesse que não o apresentado por Neemias. O rei permitiu a viagem e lhe deu as cartas necessárias.

A reconstrução da cidade poderia ser uma realidade distante e inatingível ou não, pois já estavam trabalhando neste intento, inclusive o Templo estava reerguido, mas o principal era atentarem para os muros ao redor, que deveriam ser reconstruídos imediatamente, pois de nada adiantaria investirem na cidade e esquecerem da proteção.  Era sabedor que a tradição, história, cultura, religiosidade dos judeus dependia daquela cidade.

  

a) Missão de Hanani: abalar a estrutura do líder:

Neemias esperava ouvir de Hanani boas notícias sobre a cidade, pois já era tempo da reconstrução estar a pleno vapor, mas o que ouviu o deixou triste e receoso pelo futuro da nação. Esta conversa selou o chamado daquele homem, a partir daquele momento nunca mais foi o mesmo. Era a oportunidade que fazer algo para Deus. Alguém poderia condenar Hanani por ter ido tão distante para entregar noticias tão ruins.

 

2. ORAÇÃO – CONFIRMAÇÃO DA CHAMADA: 

Neemias teria sucesso sem oração? A sua comoção pela situação da cidade foi o combustível que o impulsionou a clamar em favor da cidade e para receber de Deus a confirmação de sua chamada (1.4-11). Se não tivesse orado em favor da cidade certamente teria somente lamentado toda aquela situação e não teria ido a lugar algum.

Cerca de quatro meses de oração (1.1; 2.1 – quisleu à nisã do 20º ano do rei Artaxerxes) e então sentiu forças para solicitar ao rei a permissão para sua viagem. A obra da reconstrução do muro e das portas foi concluída em exatos cinquenta e dois dias, praticamente a metade do tempo em que ele ficou em oração (6.15)

Um líder, que negligencia o momento de oração, se torna presa fácil para o inimigo. Decisões erradas, precipitadas ou tendenciosas são consequências da falta de oração e vigilância.

 

3. INÍCIO DO MINISTÉRIO DE NEEMIAS: 

Neemias deixou sua função e o conforto no palácio e “pela fé, recusou a ser chamado copeiro do rei”, antes preferiu conhecer in loco a situação e sofrimento de seu povo, tal como aconteceu com Moisés. Jerusalém sem muro não tinha proteção contra os seus inimigos, contra falsos profetas, heresias, falsos ensinos. A preocupação era muito mais do que somente com a aparência e estética da cidade.

Quando Neemias ouviu o relato de que os muros estavam derribados e fendidos, o seu coração ardeu. Como o povo não atentava para esta situação? De que adiantava a reconstrução do Templo, o resgate da fé monoteísta e práticas agradáveis se estavam desprotegidos? O primeiro inimigo que se levantasse seria capaz de invadir e destruir tudo novamente. Haveria fé e animo suficientes para outros mutirões? E o que dizer de ladrões, salteadores, doenças, enganadores com livre trânsito?

 

a) Oração de um verdadeiro líder:

  • Reconheceu a autoridade de Deus (1.5);
  • Confessou os pecados e intercedeu pelo povo (1.6);
  • Lembrou de Moisés (promessas e advertências–1.7);
  • Mencionou o compromisso de Deus com Israel (1.9);
  • Se colocou em favor dos judeus;
  • Foi persistente, fervoroso, específico e direto.

 

b) A necessidade dos muros:

  • O que teria acontecido com os discípulos se a embarcação tivesse se rompido durante a clássica tempestade que Jesus acalmou? As ondas açoitavam o barco constantemente (Mc 4.37) e não atacava propriamente os homens a bordo. O ataque primeiro foi contra o barco. Certamente morreriam quando tudo fosse destruído. Povo no mar, sem proteção são presas fáceis e o mesmo se aplica a Jerusalém sem os muros?
  • E todos os dias Jesus acrescentava à igreja aqueles que se haviam de salvar (At 2.47). O intuito era reuni-los para protegê-los do mal e do ataque do inimigo.

Neemias, de princípio, não tinha autoridade e experiência para reunir grandes exércitos ou um número elevado de trabalhadores, tampouco condições para levantar e guiar os judeus de volta para Jerusalém, mas foi capacitado por Deus.

O primeiro sentimento que nasceu em seu coração foi o desejo de retorno para trabalhar e não o de se intitular salvador da pátria judaica, o grande general responsável pela reconstrução, mas isto somente aconteceu porque após ouvir as noticias a sua primeira atitude foi se colocar diante de Deus em oração. Que caminho seguir? Condições para sensibilizar o povo e reuni-los seria humanamente impossível? Se os que estavam morando na cidade não faziam nada imaginem então os que estavam em uma zona de conforto e tranqüilidade, mesmo servindo outro império? Prova disto é que muitos não voltaram quando foram autorizados.

Uma atitude simples (Ne 1.4), mas necessária, pois o primeiro passo seria receber de Deus a confirmação para que não agisse somente por emoção. Após esta oração apresentou diante do rei que percebeu a tristeza do seu servo e ouviu as suas lamentações sobre a cidade. Naquele momento Neemias transpassou a primeira barreira de sua nova carreira. Recebeu o aval, a confirmação para sua empreitada.

O início do ministério de Neemias foi baseado em uma das mais significativas orações registradas na Bíblia. Oração reverente, adorando a Deus, atribuindo-lhe todo o poder, reconhecendo a autoridade, fazendo menção do compromisso estabelecido com seu povo, confessando os pecados de todos os envolvidos na historia e intercedendo por todos.

Neemias intercedeu e se colocou em favor deles, mesmo que não conhecesse boa parte de sua linhagem. Desde o principio, quando ouviu os relatos de seu irmão, sentiu as dores e a aflição da cidade. Chorou, lamentou, orou e jejuou vários dias, persistente, fervoroso e foi bem específico e direto, pois não rodeou, já foi apresentando a Deus o pecado dele e do povo (Ne 1.7).

Neemias poderia até ter imaginado que não seria fácil o rei permitir sua viagem a Jerusalém, mas através de sua oração contemplou o trabalhar de Deus, viu cair por terra o medo, pois não somente teve o seu pedido atendido como também foi confortado (Sl 33.12).

Não tomou atitudes precipitadas. Precisava de confirmação e autorização do rei. Não abandonou o palácio, não solicitou autorização do rei antes da oração, pois não queria se adiantar ao processo. Em sua mente tudo seria direcionado conforme a vontade de Deus. Em nenhum momento acusou ou culpou o povo pelos seus pecados, simplesmente confessou.

 

4. COMENTÁRIOS ADICIONAIS:

  • Notícias de Hanani: povo caído, sacerdotes distantes de Deus, cidade em ruínas. É o fim de Jerusalém;
  • José acordou prisioneiro e dormiu governador, enquanto que Neemias acordou copeiro e dormiu como governador;
  • As lamentações de Neemias. Só um rei parou para ouvir;
  • Qual império, da época, desejava Jerusalém? Ninguém queria mais, nem mesmos os moradores;
  • Durante a viagem ele foi refletindo sobre as suas primeiras atitudes e como encontraria a cidade. Teria que apresentar a vitória, pois a derrota já era conhecida;
  • Dentre os moradores de Jerusalém havia muitos que possuíam as mesmas forças e ideias de Neemias, mas nenhum tomou atitude. O que faltou? Chamada, liderança, dom ministerial?
  • Hanani plantou a semente, a raiz cresceu (para baixo) e agora o crescimento seria com Deus;
  • Neemias conseguiu fazer com que o rei mudasse um decreto real, nem mesmo Daniel conseguiu. Teve que ir para a fornalha de fogo. A obra havia sido paralisada e foi retomada;
  • Tríplice função de Neemias: trabalhar, motivar o povo e vigiar. 

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

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