domingo, 7 de novembro de 2021

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 15

Moisés: O retorno e o salvo-conduto 

O tempo que Moisés ficou em Midiã foi suficiente para os egípcios esquecerem todo o ocorrido? Moisés esperava voltar para se humilhar ou pagar pelo erro? Ou imaginava que seu crime havia prescrito? Jacó também pensava o mesmo em relação ao tempo que ficou em Padã-Arã, certamente imaginava que Esaú tivesse esquecido o passado.

Exilado, sem autoridade, fama, prestigio e mordomias, imaginou ser o seu fim. Ou pior, com todo o conhecimento que possuía terminaria seus dias como um mero e desqualificado pastor de ovelhas como os seus antepassados. Deus teria condições de mudar a sua situação da mesma forma como fizera com os patriarcas[1] Abraão, Isaque, Jacó e José.

Casado[2], vida tranquila, sequer imaginava o retorno. Durante o tempo em que ficou em Midiã deixou de lado sua estúpida e desnecessária valentia e adquiriu outras qualidades que usaria por na presença de Faraó, durante as suas visitas para solicitar a saída dos hebreus do Egito.

Os primeiros quarenta anos de sua vida, no Egito, pensou ser alguém privilegiado, os outros quarenta, em Midiã, aprendeu que era um nada e estava prestes a descobrir o que Deus poderia fazer com um ninguém em pleno deserto.

Aos oitenta anos contemplou algo que poderia ser considerado como uma visão qualquer, mas se tornou especial a partir do momento que demonstrou interesse, pois ao se virar para enxergar melhor não se preocupou com as consequências, decisões, rebanho, riqueza, família, etc. Queria ver melhor tudo aquilo. Somente um líder nato seria capaz de entender, outros poderiam tê-la como uma miragem ou alucinação. Aquela visão selou a sua chamada e trouxe em sua mente a imagem do povo sofrido, clamando por socorro.

O sofrimento e escravidão dos hebreus não tiravam as prerrogativas de nação santa e escolhida, da mesma forma como a sarça continuava intacta, diante do fogo, assim aquele povo ainda permanecia vivo no coração de Deus.

Era uma simples árvore entre muitas que existiam ali, que ardia em chamas sem ser consumida. Deus se manifestava a Moisés de uma forma sublime para impressioná-lo na simplicidade, pois qualquer ser humano que desejasse impressionar alguém, usando a natureza e o fogo, certamente destruiria a sarça, os campos, a floresta, o próprio Moisés, a vida e o planeta, enfim tudo. Assim se deu o primeiro encontro do futuro libertador com o seu Deus[3].

Como aquele jovem, que tinha livre trânsito nos palácios egípcios, desejou ter visto esta sarça antes. Como poderia ter sido bem mais útil na sua mocidade, no auge de sua valentia.

A experiência é um requisito necessário para enfrentarmos as adversidades durante a nossa trajetória, justamente o que faltou para Joquebede e Moisés na borda do rio, dentro do cesto nos seus tenros três meses de idade, mesmo que quisessem não poderia fazer nada. Na sua juventude não demostrava maturidade suficiente para ser usado, alias neste período de sua vida ainda era uma criança perto da firmeza demonstrada no deserto, enquanto guiava os hebreus rumo a Terra Prometida.

Muitos poderiam ver aquela árvore tomada pelo fogo, mas vê-la intacta não era para qualquer um. Através da confirmação de sua chamada Moisés cometia outro assassinato, acabava de matar o seu eu interior, suas aspirações e objetivos pessoais, agora teria somente o desejo de realizar a obra de Deus.

continua...



[1] Deus honraria o quinto patriarca e mudaria sua vida tal como honrou e mudou a vida dos os quatro anteriores.

[2] Moisés casou-se com Zípora, midianita e José com uma egípcia.

[3] O próximo encontro, no mesmo monte aconteceria logo após a saída do Egito (Ex 3.12, caps 19-31) e foi muito especial, tanto quanto este. 

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

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