Presidente Prudente (SP),

Apresentação da lição em power point

sábado, 23 de março de 2013

A escola de nossos sonhos. "Tudo pelo educação RELIGIOSA"


1) ADMINSTRAÇÃO ESCOLAR – “ESCOLA DE PROFETAS”
Seria muito estranho se víssemos Samuel, Elias ou Eliseu desanimados, desiludidos ou administrando aquele grupo de alunos, conhecido como “escola de profetas”, de forma desleixada, desinteressados, ou não demonstrando zelo, temor e amor que aquele “rancho de profetas” (1 Sm 10.5) carecia e pedia.

Quem em sã consciência não gostaria de administrar aquele trabalho? Candidatos para tal teríamos aos montes. Quantos não desejariam aquela liderança na época? Tal como os discípulos de Jesus, que um dia ousaram a pedir algo semelhante, mesmo que tenham mencionado o porvir, a glória que haveria de se revelar, o interesse deles era no material, no momentâneo, na verdade queriam eleger líderes na terra entre eles, para depois serem ratificados no reino celestial, por isto que não conseguiram convencer o Mestre (Mc 9.10.37, cf Lc 9.46-48), pois uma vez confirmados na glória como superiores o que impediriam de exercerem as respectivas autoridades ainda em terra, em vida?

Talvez se não fosse o próprio Deus encarnado (Jo 1.14), se fosse um homem, um profeta qualquer, quem sabe não teria convencido? Eu disse um profeta qualquer, pois não teriam sucesso também com João Batista, o que veio na virtude e espírito de Elias, (Ml 4.5-6), aquele que não alisava, não mandava recados e não levada desaforos para sua casa, ou seja, para o deserto (Mt 3.1-12). Aquele que havia sido mais do que um simples profeta, o maior, entre os nascidos de mulheres[1] (Lc 7.26-28).

O interessante é que não foi visto entre os lideres destas escolas, nenhuma sentimento de inveja, orgulho ou principio de revolta. Na verdade Samuel não enfrentou problemas até o dia de seu falecimento (1 Sm 25.1). Elias foi outro administrador que, até o dia em que foi levado[2], não encontrou dificuldades ou tampouco esteve frente a conflitos. Eliseu também terminou em paz seu ministério sem enfrentar revoltas ou “puxadas de tapete” (2 Rs 13.20). Estes homens foram poupados de situações, as quais Moisés não houvera sido (Nm 12.2; 16.1-4). Ele enfrentou tudo isto e consegui vencer às duras penas.

Cada um deles assumiu o comando no momento certo. Não se adiantaram, não desejaram algo para a qual ainda não estivessem preparados, principalmente Eliseu (2 Rs 2.2,4,6). Mesmo na falta de algum deles, após suas mortes, o grupo não se dissolveu ou desviou-se por outros caminhos após outros deuses, como aconteceu com Israel, após a entrada na Terra Prometida, quando ficava visível a vacância no cargo de Juiz da nação (Jz 2.2.19). Somente Deus sabe o que aconteceria com os hebreus caso Moisés morresse no deserto? Voltariam todos para o Egito após o funeral.

Este grupo de homens fiéis e tementes estavam estruturados na Palavra, bem diferente de Israel, que somente mirava nos milagres, maravilhas e operações de Deus no deserto. Era uma verdadeira “manhã com Deus”, “tarde da benção” e “noite da vitória”, mas nada de ensino da Lei.

2) INTERDISCIPLINARIDADE
Não havia outro meio de Israel voltar às suas origens a não ser pela administração, apresentação e estudo da Lei, portanto a escola de profetas tinha por finalidade justamente isto, ou seja, incitava homens fiéis (1 Rs 19.18) a se inteirarem da Palavra e posteriormente transmiti-la ao povo que estava tomado e cegado pela apostasia (2 Co 4.4), haja vista o deus[3] daquele século e deste, ter tirado todo o entendimento deles.

Certamente histórias eram relembradas, os grande feitos de Deus no passado e no presente (1 Rs 18.22-45) eram resgatados e eram citadas as inúmeras intervenções de Deus para constituir para si um povo (Ex 19.5). Muitas destas lembranças remetiam os alunos a visão de um espaço geográfico muito bem conhecido por eles, o Crescente Fértil[4] e Israel.

Como era gratificante o resgate dos atos do patriarca Abraão, quando ainda estava em suas terras, em Ur dos Caldeus, na região entre os rios Eufrates e Tigre, na Mesopotâmia (Gn 24.10). Era muito edificante estudar a sua obediência, quando deixou tudo e todos para confiar nas promessas de Deus, que ainda seriam cumpridas em sua vida: “para a terra que eu te mostrarei” (Gn 12.1 p. final). Um Deus, que até então era desconhecido por ele (Gn 12.1-3; cf Js 24.2). Que demonstração de confiança quando iniciou sua trajetória desde Ur até Harã (Gn 11.31), depois descendo a Siquém, terras de Canaã, onde fincou suas raízes (Gn 12.5-6), a sua peregrinação ao Egito (Gn 12.10) fugindo da fome e por fim o retorno definitivo ao sul de Canaã (Gn 13.1).

Mas em relembrando isto, os professores das escolas de profetas envolveriam outras disciplinas, pois seria necessário acrescentar atos históricos, os quais mantinham vivo o monoteísmo hebreu, caso contrário seriam apresentados somente inertes elementos geográficos, tais como: um local, viagens, peregrinação, retorno, uma região, vários países, o Crescente Fértil, vales, montes, montanhas, rios, entre outros.

O pano de fundo, o cenário deveria ser descerrado. A história também influenciaria a fé dos alunos das escolas, por isto não poderia ser esquecida, pois todas as vezes que isto aconteceu a queda foi inevitável (Ex 3.13; Jz 2.10).

Havia também conceitos sociológicos visíveis em toda a história apresentada acima, que eram explorados pelos professores, tais como:
  • Povos e etnias descendidos dos filhos de Noé (Gn 10.1-32), entre os quais estavam os “amaldiçoados filhos de Cam” (Gn 10.25), cuja maldição foi quebrada pelo sacrifício vicário de Jesus, que se tornou maldito em lugar do homem (Is 53.1-12);
  • Idiomas, mesmo sendo a maioria de origem semita (Gn 10.21), há de considerar a presença da pluralidade de línguas (Gn 11.7), dialetos ou outras formas de comunicação. Apesar que devemos enaltecer a certa facilidade que apresentavam para aprenderem novos idiomas. Na verdade era outro o fator que contribuía para este rápido aprendizado: “ou vocês aprendem o nosso idioma ou morrem de fome, ficam sem trabalho e isolados em suas dificuldades ou em alguns casos sem possibilidades de defesa[5]” (cf At 22.1-2);
  • Diferentes culturas e crenças, as quais Abraão se deparou com elas, após iniciar sua viagem em direção ao cumprimento das promessas de Deus. Ele descendia e havia sido resgatado de uma família idólatra (Js 24.2-3) para peregrinar por Harã, Canaã e Egito e já de posse de uma nova e viva fé, em nenhum momento foi obrigado a RENUNCIAR aos seus conceitos e princípios para agradar a MINORIA ou MAIORIA, mesmo estando em TERRAS ESTRANHAS, muito menos COMUNGAR ATOS que feriam a educação recebida de seus pais.

O patriarca andou e conheceu todo Crescente fértil de ponta a ponta, contemplou boa parte daquilo que estava reservado como herança para sua semente, posse definitiva e inquestionável (Gn 15.13-16). Homem nenhum pode ir contra esta determinação de Deus.

Outro grande assunto estudado nas escolas de profetas que remetia os alunos ao contexto histórico, geográfico, sociológico, matemático, etc, e que fascinava os alunos foi a trajetória[6] de Moisés, que contemplou a mais extraordinária de todas as ações de Deus, que quebrou paradigmas, convenções humanas, ideologia e leis da física, química, enfim Deus revolucionou todos os conceitos até então conhecidos.

A ciência, no auxilio de suas inúmeras ferramentas e disciplinas nunca será capaz de explicar:
  • Como um povo escravo e oprimido pode ser temido pelo opressor (Ex 1.9, p. final)?
  • Como homens sem instruções e treinamentos poderiam vencer a potência da época, caso se aliassem com os seus inimigos (Ex 1.10, p. final)? E tampouco como os venceram no mar Vermelho (Ex 14.27-31);
  • O crescimento demográfico de Israel, que mesmo estando em terra estranha e alheio as condições mínimas para sobrevivência, quanto mais para multiplicação (Ex 1.7), não parava de crescer;
  • Como aquele pequeno clã, cerca de setenta pessoas, rapidamente se multiplicou em pouco mais de quatrocentos e trinta anos, pois foi uma multidão que saiu do Egito e caminhou no deserto em busca da Terra Prometida (Ex 12.37; Nm 26.1-51), fora os que ficaram no deserto em virtude das murmurações e erros (Ex 32.28; Nm 16.31-35; 25.9);
  • Como aumentavam mesmo diante dos flagelos e opressão dobrada. Eles não paravam de crescer em número (Ex 1.12). Que ciência explica isto?
  • Como aquele povo demonstrou tamanha fé e confiança no Deus revelado através da vida de Moisés, o foragido que retornou (Ex 2.15). Eles clamaram e foram ouvidos por Deus (Ex 2.23-25), mesmo não conhecendo a quem clamavam (Ex 3.13).
Sem sombra de dúvidas o crescimento numérico de Israel foi assustador para os padrões da época, tanto que foi percebido pelos egípcios.

Como era agradável estes estudos. A fé e a certeza da chamada, dos filhos dos profetas, a cada dia aumentava mais. Era notório que Deus mantinha a sarça intacta, mesmo que ela estivesse em chamas (Ex 3.2), sob o governo de Acabe e Jezabel (as chamas do inferno).

3) O INTERCÂMBIO PROFESSOR E ALUNO. A FACILITAÇÃO DO APRENDIZADO E A EFICÁCIA DO ENSINO
Aulas vagas? Paredões? Alto índice de faltas, reprovas ou abandonos? Baixas notas? Casos de indisciplinas? Constantes reuniões de professores e pais? Conflitos intermináveis? Ronda escolar fixa nas escolas?

Nada disto foi visto nas escolas de profetas, mas como tudo não é unanimidade e por não podermos estabelecer regras no tocante as ações de Deus e mesmo o ambiente sendo totalmente favorável, há de se considerar que havia entre os alunos um, Geazi (2 Rs 5.21-27), que em determinado momento deixou-se iludir e desviou-se como resultado de sua má conduta, tal como aconteceria com Iscariotes (Mt 26.14-16). Ele desaprendeu enquanto aprendia. Triste fim para um homem que tinha um promissor futuro.

Os professores dialogavam com os alunos, o ambiente era propício para a busca de conhecimento e para a audição das inúmeras experiências dos mestres, e eram muitas. Eles não reteram nada, transmitiram com gosto, talvez por isto não tenha ocorrido muitos outros casos de desvio de fé e conduta como o de Geazi.

O ensino foi eficaz, pois facilitou o aprendizado. Não eram meros aventureiros, contratados a peso de ouro, interesseiros.  Davam exemplos, iam à frente (2 Rs 6.3). Eram adeptos da abordagem humanista. Ouviam, atendiam, socorriam, entendiam e respeitavam suas limitações. Estavam atentos às condições dos filhos dos profetas (2 Rs 4.38-42) e sempre interviam diante do perigo. Diziam sim, mesmo sabendo que o resultado não seria o esperado (2 Rs 2.16-18). Por isto que o ensino foi satisfatório.

Isto explica o fato de terem se mantido fiéis ao chamado. Não foram explorados, desprezados ou marginalizados pela liderança. Esta foi a escola dos nossos sonhos. Estes foram os mestres desejados por muitos. Como seria bom que nossas escolas de profetas atuais, a Escola bíblica dominical, fossem de iguais modos administradas e frequentadas. Aulas semanais e não anuais. Frequência total e não esporádica ou devido as festividades.

Referências:
Bíblia de estudo aplicação pessoal. CPAD, 2003

Bíblia Sagrada: Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000

Bíblia Sagrada – Harpa Cristã. Baureri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2003



[1] Nem mesmo Jesus foi maior que João Batista, haja vista, Jesus não ter nascido de mulher. Sua encarnação é um mistério muito superior ao entendimento humano.
[2] Elias foi levado, tomado e não elevado aos céus, não foi assumpto como houvera sido Jesus (At 1.9; cf Ap 11.12). Elias ouviu e ouvirá o chamado; “venha cá”. Jesus não precisou ouvir isto, Ele mesmo foi.
[3] Como deus daquele século entenda-se também Jezabel, a sidônia, que não deveria estar naquelas terras, influenciando negativamente a propriedade particular do verdadeiro Deus (Ex 19.5)
[4] Desenho imaginário em forma de meia lua das regiões habitáveis e conhecidas da época, que se inicia nos arredores do Golfo Pérsico, antiga Mesopotâmia, entre os rios Eufrates e Tigre, passando por Harã e Monte Hermom, em Canaã, destacando o Mar Morto e os golfos de Acaba e Suez e terminando no entorno da delta do Nilo. 
[5] Paulo se defendeu em hebraico, sua língua e seus acusadores ficaram em silencio. Naquela época o grego era a língua universal e o latim era opção enquanto que o aramaico e seus dialetos tinham mais valor que o esquecido e morto hebraico.
[6] Hebreu de nascimento e egípcio de criação. Ele recusou o último titulo (Hb 11.24)

Por: Ailton da Silva - Ano IV

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