segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Eclesiologia - aula 1



I – ECLESIOLOGIA

1) DEFINIÇÃO

Eclesiologia (ekklesia – assembleia) é a disciplina que estuda a origem da Igreja como organismo e organização viva, desvendando seu papel no processo da salvação, sua forma de relacionar com o mundo material e espiritual, bem como estuda os avanços, mudanças e crises enfrentadas ao longo de sua história, proporcionando uma visão de si mesma.

 

Entendemos por Ekklesia (assembleia) a reunião, a totalidade dos salvos em Cristo compromissados com a obra do Senhor. Estes são os que foram separados, tirados de fora e colocados para dentro, ou seja, tirados do mundo e inseridos na igreja visível (legalmente institucionalizada na Terra entre os homens) e na Igreja invisível (igreja que será arrebatada).

 

2) O MISTÉRIO DE DEUS REVELADO

O projeto, Igreja, sempre existiu no coração de Deus, mesmo antes da fundação do mundo, o plano de salvação. Deus fundou, Jesus formou e o Espírito Santo confirmou a Igreja. O projeto que sempre esteve no coração de Deus foi revelado no dia de Pentecostes, pelo poderoso derramamento do Espírito Santo. A Igreja, antes era “oculta em Deus”, mas foi revelada em Cristo e assim o “segredo de Deus” tornou se conhecido pelos homens. A igreja foi estabelecida no mundo espiritual, faltava apenas o homem encontrar uma forma de cultivar uma comunhão vertical (com Deus) e horizontal (com seus semelhantes) em um local escolhido para esse fim.

 

3) A FUNDAÇÃO DA IGREJA

A Igreja de Cristo iniciou sua história com um movimento de âmbito mundial, no dia de Pentecostes. Estavam todos reunidos quando línguas de fogo desceram sobre eles e falaram em outras línguas. A partir de então, entenderam que o Reino de Deus não era politico e que deveriam permanecer totalmente na dependência do Espírito Santo. Deus concedeu unção e autoridade necessárias para que a igreja agisse nesse mundo, tornando-se necessária.

 

4) LOCALIZAÇÃO DA IGREJA

A Igreja foi estabelecida no plano físico, porém suas implicações vão muito além deste mundo visível, na verdade, a Igreja está atrelada ao mundo espiritual. Deus posicionou a Igreja em um lugar estratégico, de forma a atender as necessidades materiais e espirituais da humanidade, para assim combater o poder das trevas, com o auxilio de armas e recursos espirituais.

 

5) IGREJA – REPRESENTANTE DO REINO DE DEUS

A Igreja não é o reino de Deus, mas é uma partícula e existe justamente para que este reino opere no mundo. Sua preocupação não é somente com o bem estar de seus membros, mas sim com os que estão destituídos da Glória de Deus. Esta é a posição da Igreja diante do reino de Deus, que não deve se furtar a sua principal missão. A Igreja, enquanto reunião solene dos que creem em Jesus ligados por uma fé comum, foi autorizada a representá-lo neste mundo (I Pe 2.9), para defender seus interesses, como verdadeira embaixadora do reino de Deus. Mesmo possuindo limites claros, formas institucionais e regidas por lideres humanamente falíveis. 

A Igreja, como mistério de Deus revelado, assumiu o compromisso de viver regida pelo governo Divino, cumprindo as ordens, executando tarefas, tendo como missão principal a divulgação do Evangelho alcançando o homem em sua integralidade, ou seja, corpo, alma e espírito. A Igreja é, portanto, a agente do reino de Deus. 

6) IGREJA LOCAL

  • Ela é geográfica, temporal e física (1 Co 1.2; 1 Ts 1.1);
  • Trata-se da reunião de cristãos convertidos, regenerados, batizados que professam a mesma fé (Mt 28.18-20; Jo 3.5; At 2.41; 4.32);
  • É autônoma, submissa a Cristo;
  • Possuem seus oficiais (Pastores, Presbíteros, Evangelistas, Missionários, Diáconos, Cooperadores, etc);
  • Formada por cidadãos de determinados locais (1 Co 1.2).

7) IGREJA UNIVERSAL

  • É espiritual, atemporal e mística (Ef 5.22ss; Ap 21-22)
  • É a Igreja dos primogênitos (Hb 12.23);
  • A esposa de Cristo (2 Co 11.2; Ef 5.31-32; Ap 19.7);
  • A Igreja do Senhor (At 8.3; 1 Co 15.9; Gl 1.13);
  • Santuário do Espírito Santo (1 Co 3.16-17).

8) SÍMBOLOS E FIGURAS DA IGREJA

  • Povo de Deus (2 Co 6.16);
  • Corpo de Cristo (Cl 1.15-18; 2.9,10,19);
  • Templo do Espírito Santo (1 Co 3.16-17);
  • Edifício de Deus (1 Co 3.9-11);
  • Noiva do Cordeiro (Tg 4.4; Ap 19.7-8). 

9) O CRESCIMENTO EXPANSÃO DA IGREJA

A Igreja primitiva cresceu demasiadamente, pregando a Palavra e fazendo uso dos testemunhos de seus membros, que dia a dia aumentava. Os motivos desse crescimento foram:

  • Perseverança na doutrina dos apóstolos, comunhão e partir do pão e na oração e havia temor;
  • Muitos sinais e maravilhas se faziam. Havia alegria e sinceridade. 

Com a perseguição, a Igreja em Jerusalém dispersou-se por toda a terra. O vento da perseguição, que pretendia apagar a chama do Espírito, serviu justamente para propagar de forma rápida a mensagem do Evangelho. A igreja saiu dos limites territoriais de Israel e alcançou Damasco, Antioquia (At 8.4) e os confins da Terra.

 

 

II – A PERSEGUIÇÃO

1) ERA SOMBRIA

O período compreendido entre os anos 60 ao 100 d.C., é conhecido como a “Era sombria”, devido as perseguições que se levantaram contra a Igreja. Nero, o imperador de Roma, chegou ao poder em 54 d.C., e todos os seus opositores eram condenados à morte ou recebiam ordem para se suicidarem.

 

No ano 81 d.C., Domiciano sucedeu ao imperador Tito que havia invadido Jerusalém no ano 70 e ordenou aos judeus que enviassem à Roma ofertas anuais. Devido à desobediência, teve inicio a segunda perseguição, não somente sobre os judeus, mas também sobre os cristãos.

 

2) AS PERSEGUIÇÕES IMPERIAIS

As perseguições realizadas pelos imperadores romanos duraram até o Edito de Constantino no ano 313 d.C., quando foram cessados todos os propósitos de destruir a Igreja. O imperador Constantino, um impositor e impostor, se fingiu de cristão convertido somente para impor à igreja inovações, modismo e idolatria. A igreja recebeu com alegria esta decisão, sem saber que estava se abrigando no lugar mais escuro da sua história.

 

Outros imperadores também perseguiram a Igreja, entre eles, Trajano (98 a 117 d.C), Adriano (117 a 138 d.C.), Marco Aurélio (161 a 180 d.C.), Severo (193 a 211 d.C.), Décio (249 a 251 d.C) e Diocleciano (305 a 310 d.C.).

 

3) OS MOTIVOS DAS PERSEGUIÇÕES

O Cristianismo rejeitava toda forma de adoração, enquanto que o paganismo aceitava, inclusive a adoração aos imperadores como forma de lealdade, rejeitada pelos cristãos, que recusavam ofertar qualquer tipo de adoração a imperadores. Outro fator que motivou as perseguições foram as reuniões secretas dos cristãos que despertaram suspeitas, pois foram acusados de praticarem atos imorais e criminosos, principalmente durante a celebração da Santa Ceia. Também foram acusados de perturbadores da ordem social, anarquistas e niveladores da sociedade, já que consideravam todos iguais.

 

4) OS PRINCIPAIS MÁRTIRES

  • Inácio, bispo em Antioquia, foi condenado no ano 107 d.C., por não adorar a outros deuses. Foi lançado para feras no anfiteatro romano;
  • Policarpo, Bispo em Esmirna, na Ásia Menor, morreu no ano 155 d.C., pois negou-se a abandonar sua fé;
  • Justino Mártir, um dos principais defensores da fé. Foi martirizado no ano 166 d.C.

 

5) SEITAS E HERESIAS QUE ATACAVAM A IGREJA

  • Gnósticismo, do grego Gnósis (sabedoria, conhecimento): conjunto de ensinamentos complexos, mistura de filosofia religiosa, orientais e de ensinamentos cristão. Acreditavam em Deus como a causa de todo bem e na matéria como má e inferior;
  • Ebionismo: ramificações do cristianismo que insistia na observância da Lei e dos costumes judaicos;
  • Nicolaísmo: seita gnóstico-libertina que surgiu em Pérgamo e Éfeso (Ap 2.6,15), fundada por Nicolau, diácono da Igreja. Eram falsos mestres que deturpavam a pureza da doutrina de Cristo;
  • Maniques: de origem persa, acreditavam que o universo era composto pelo reino das trevas e da luz e que ambos os reinos lutavam pelo domínio do homem, rejeitavam Jesus e seus ensinos.

continua...

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

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