domingo, 24 de outubro de 2021

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 13



Moisés: Abriria um mar, mas não abriu um rio 

A mãe de Moisés não poderia perder tempo, então construiu um pequeno cesto de junco betumado e lançou o menino no rio, cumprindo, em parte, o que fora ordenado por Faraó.

Joquebede conhecia muito bem a matéria-prima que estava utilizando. Confiou em sua habilidade e parou na borda do rio, pois dali para frente não poderia prosseguir.

A borda do rio era a fronteira entre o possível e o impossível. Ali se esgotavam suas forças e recursos para entrar em ação a fé[1].

A mãe entregou o menino para que Deus cuidasse rio abaixo. Se fosse uma exímia nadadora poderia atravessá-los juntos e fugiriam para outras localidades. Dentro do cesto, desprotegido e entregue a morte, era esta a posição que o inimigo desejava vê-lo, seria o seu fim? A sua mãe não pensava desta forma.

Na borda do rio, a mãe sentiu que o livramento não dependeria dela. Dali para frente seria com Deus, que faria além do imaginado e esperado[2]. A sua esperança era de livramento, bem longe de Faraó e sua família, porém Deus guiou o menino para outro caminho. O que parecia ser ruim, poderia ser muito útil no futuro. Não iria somente preservá-lo, mas sim, prepará-lo para uma grande obra, com uma grande contribuição dos egípcios.

Esta foi a primeira experiência de Moisés com as águas, devido a sua tenra idade não teria condições de ordenar que aquele rio se abrisse em duas colunas para atravessar juntamente com sua mãe, como aconteceria dentro de alguns anos. Era necessário que Joquebede enfrentasse o perigo, desespero e a angústia, pois a fuga não fazia parte dos planos de Deus. A abertura das águas, na vida de Moisés, não seria antecipada[3] antes para os dois atravessarem a salvos para o outro lado.

Por que Deus não antecipou a divisão das águas do rio para tornar seco o caminho da mãe e filho? Justamente porque o ministério de liderança de Moisés não seria antecipado.

 

Terceiro livramento – a filha de Faraó

Qual era a esperança de Joquebede? Outra família hebréia em melhores condições o encontraria ou alguém mais corajoso poderia aparecer para resgatá-lo?

Ou esperava que as águas levassem Moisés para bem longe da dominação egípcia? Ou um milagre ainda maior? Será que tinha conhecimento da rotina da filha de Faraó?

Miriã, irmã de Moisés, margeou[4] o rio, para acompanhar o trajeto do barquinho por três motivos:

  • Queria ter a certeza de que alguém o encontraria;
  • Sua fé, talvez, não fosse suficiente para confiar nas providências de Deus;
  • Ou queria ser a primeira a dar a notícia do milagre de Deus para sua mãe.

Deus fez muito mais do que esperava, pois o bebê foi encontrado pela filha de Faraó, que preferiu livrá-lo da morte certa, mesmo contrariando as ordens de seu pai. O choro da criança amoleceu o coração dela.

Miriã vendo isto correu ao encontro dela e se ofereceu para encontrar uma pessoa para cuidar da criança. Foi tão convincente que não despertou nenhuma suspeita quanto a sua estreita ligação familiar com aquele bebê. O desfecho desta história se deu com chave de ouro, pois a sua própria mãe foi remunerada para criá-lo.

O milagre de Deus foi simples, três livramentos de morte para Moisés, uma porta aberta de emprego e um passeio em sua arca de junco rio abaixo. Aquilo que parecia ser o fim foi, na verdade, o começo de uma nova vida, pois atracou com seu barquinho na realeza egípcia a fim de usufruir de todos os recursos disponíveis e ao mesmo tempo ser criado, pela mãe, no temor de Deus.

Ser tirado das águas foi uma providência divina para prepará-lo fisicamente e espiritualmente para a árdua missão. Além do vigor físico, seria necessário o conhecimento histórico e geográfico do Egito.

Aprenderia táticas de guerra, organização, comando e defesa pessoal, matemática[5], geografia, astronomia e outras ciências egípcias, que lhes seriam úteis durante a caminhada em direção a Canaã. Estava no lugar certo, onde seria possível obter todos estes conhecimentos.

Moisés foi adotado pela filha de Faraó e ganhou esta bolsa de estudo, que muito o ajudou para derrotar o próprio Egito. Aproveitou a oportunidade, adquiriu conhecimento necessário e teve acesso a mordomia do sistema.

Mais uma vez o Egito entrou na história dos hebreus como coadjuvante a fim de fornecê-los o que precisavam, da mesma forma como fizeram com Jacó e seus filhos quando os sustentaram no período de fome durante a administração de José e quando deram guarida e socorro para Abraão (Gn 12.10).

Moisés, criança incomum, formoso, educado e instruído em toda ciência, poderoso em palavras, realmente foi uma vida privilegiada, para quem sequer esperava sobreviver após o nascimento.

Sua mãe teve a oportunidade de criá-lo segundo os costumes e tradições hebraicas, certamente, por isto, deve ter lhe falado acerca das promessas feitas a Abraão, Isaque, Jacó e José. Aos poucos conseguiu convencê-lo de que tinha linhagem semita e que em suas veias corria sangue hebraico e não egípcio.

Moisés recebeu estes ensinamentos justamente no momento em que estava sendo formado o seu caráter. O pouco que recebeu de sua mãe foi o suficiente para que sentisse as dores do seu povo quando as conheceu de perto.

Estava diante da nobreza, riqueza e do pseudos poderosos, por isso deveria ser realmente criado no temor de Deus para que jamais fosse contaminado pelas ofertas egípcias.

A fé de sua mãe foi recompensada pelo livramento, que jamais poderia ser previsto, tamanha misericórdia de Deus revelada, pois como em sã consciência, Faraó poderia imaginar que um sobrevivente da matança pudesse ser criado em seu próprio palácio? Qual seria a sua reação caso visualizasse os sólidos fundamentos daquele império sendo abalados por Moisés no futuro?

Quando a filha de Faraó recolheu[6] aquele bebê jamais imaginou que estivesse sendo usada como um instrumento para o cumprimento do plano de Deus.

Quantas notícias[7] boas a sua mãe recebeu naquele dia. Julgava que seu bebê não suportaria ficar por muito tempo exposto no rio e sol. Imaginou o filho morto, mas de uma hora para outra, sua filha lhe deu ótimas notícias:

  • Moisés foi resgatado;
  • Tem um trabalho lhe esperando com a promessa de um bom salário;
  • Moisés será criado por nós, por algum tempo, no temor de Deus e conhecerá parte de nossa história;
  • E quando atingir uma idade, certamente, pela fé e conhecendo Deus, se recusará ser chamado de filho da filha de Faraó. A maior esperança das duas se tornaria a maior decepção[8] da filha de Faraó.

Onde estavam os sábios e estudiosos do Egito que não alertaram Faraó sobre o risco que estava correndo ao amparar Moisés? No passado um encarcerado hebreu livrou o império da crise e o levou a um período próspero, mas trouxe consigo os que mais tarde assustaram os governantes egípcios.

A diferença foi que José esteve muito tempo como um escravo e encarcerado, para depois ser exaltado entre a nobreza, enquanto que Moisés foi, desde criança, instruído em toda ciência egípcia, para depois de alguns anos, afrontar o império egípcio. Um dia usaria todo o conhecimento adquirido.



[1] Na borda do rio ocorreu uma das maiores guerras espirituais. A maior de todas aconteceu na crucificação de Jesus, por isso foi permitido que alguns ficassem aos pés da cruz, dali para frente era entre Jesus e Maligno (Jo 19.25)

[2] Tal como Jacó que havia recebido o “algo mais de Deus”. O patriarca anterior orou pedindo somente alimentos e foi abençoado. A mãe pedia somente a preservação da vida e recebeu muito mais.

[3] As águas se dividiram na vida de Moisés na hora determinada por Deus, tal como o deserto se apresentou na vida dele no momento correto, quando fugiu para Midiã. Deus não antecipa a sua obra na nossa vida. É no momento certo.

[4] Miriã, a jovem que correu atrás do milagre. Queria ver o bem do irmão. Atuou como uma verdadeira pastora acompanhando sua ovelha de perto. Se machucou, arranhou, caiu, enroscou em galhos e árvores, mas foi até ao final.

[5] Moisés, exímio matemático, foi capaz de calcular a quantidade de carne necessária para saciar os hebreus em pleno deserto por trinta dias (Nm 11.22). Seria necessário todas as vacas, ovelhas e peixes do mar. Foi muito infeliz em seu comentário.

[6] A solução para Moisés estava dentro do palácio. Deus reservou o melhor lugar para ele.

[7] Tal como Jacó, quando ouviu de seus filhos que José estava vivo, que era governante, rico e que os aguardavam com muitas outras bênçãos no Egito.

[8] Primeira decepção: Moisés não quis ser chamado de filho da filha. Segunda decepção: ela sabia que não era a verdadeira mãe, pois não havia dado a luz, criado ou educado.

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

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