segunda-feira, 10 de maio de 2021

Teologia Sistemática - aula 4

11) A MORTE DE JESUS

É simplesmente natural que, quando falamos da morte de Cristo temos que mencionar a morte física, isto é, a separação de corpo e alma. Ao mesmo tempo, devemos lembrar que isto não esgota a ideia da morte apresentada na Escritura. Jesus esteve sujeito à morte, era um homem de dores e sabia o que é padecer. Quando o juiz condenou o inocente, impôs sentença ao representante do mais elevado poder judicial do mundo, exercendo as suas funções pela graça de Deus e ministrando a justiça em nome de Deus. A sentença de Pilatos foi também sentença de Deus, embora sobre bases inteiramente diferentes. É também significativo que Jesus não foi decapitado, nem mortalmente apedrejado. A crucificação não era uma forma judaica de castigo, mas, sim, romana. Era considerada tão infame e ignominiosa, que não podia ser aplicada a cidadãos romanos.

 

12) O SEPULTAMENTO DO SALVADOR 

Pareceu que a morte de Cristo foi o derradeiro estágio de Sua humilhação, principalmente em vista de uma das suas últimas palavras na cruz: “Está consumado”. Mas, com toda a probabilidade, esse pronunciamento se refere ao Seu sofrimento ativo, isto é, ao sofrimento no qual Ele teve parte ativa. Este de fato se consumou quando Ele morreu. É evidente que o Seu sepultamento também fez parte de Sua humilhação. O sepultamento de Jesus não serve apenas para provar que Jesus estava realmente morto, mas também para remover os terrores do sepulcro para os remidos.

O sepultamento de Jesus foi um ato público, de conhecimento dos romanos, aprovado por Pilatos, num sepulcro novo, de uma pessoa importante com ajuda de José de Arimatéia e Nicodemos, aberto em uma rocha, fechado e selado com uma grande pedra, que era um costume da época.

 

13) A RESSURREIÇÃO 

A ressurreição de Cristo não constituiu no mero fato de que Ele retornou à vida, dando-se a reunião do corpo e a alma. Se isso fosse tudo que ela envolveu, Cristo não poderia ser chamado “as primícias dos que dormem”, (1 Co 15.20), nem “o primogênito de entre os mortos” (Cl 1.18; Ap 1.5).  O corpo de Jesus passou por notável mudança, de modo que Ele não podia ser facilmente reconhecido e podia aparecer e desaparecer de repente, de maneira surpreendente (Lc 24.31; 36; Jo 20.13, 19; 21.7), mas ainda era um corpo material e muito real (Lc 24.39). A ressurreição de Cristo tem significação tríplice:

  • É a declaração do Pai de que o último inimigo tinha sido vencido, a pena tinha sido cumprida, e tinha sido satisfeita a condição em que a vida fora prometida;
  • É o símbolo daquilo que estava destinado a suceder aos membros do corpo místico de Cristo em sua justificação, em seu nascimento espiritual e em sua bendita ressurreição futura (Rm 6.4, 5, 9; 8.11; 1 Co 6.14; 15.20-22; 2 Co 4.10, 11, 14; Cl 2.12; 1 Ts 4.14);
  • Relacionou-se também instrumentalmente com a justificação, a regeneração e a ressurreição final dos crentes, Rm 4.25; 5.10; Ef 1.20; Fp 3.10; 1 Pe 1.3.

A ressurreição é o ressurgimento, reanimação, um recomeço, o retorno da morte para a vida. A ressurreição de Jesus é o combustível que move o cristianismo e que dá sentido a fé cristã e a distingue das outras religiões. Este foi o primeiro e o ultimo caso de autorressurreição da história. Algumas civilizações antigas associavam à ressurreição as estações do ano, pois no outono e inverno as vegetações desapareciam e boa parte dos animas hibernavam, dando ideia de fim do ciclo da vida, mas na primavera e verão tudo voltava ao normal. Como a maioria destas civilizações era idolatras alimentavam a ideia da ressurreição como mito, como uma sequência da morte e ressurgimento dos seus deuses. A ressurreição advertiu o pecador e selou a condenação do maligno.

 

14) O AUTOR DA RESSURREIÇÃO

Em distinção dos outros que ressuscitaram dos mortos, Cristo ressurgiu por Seu próprio poder. Ele falou de Si mesmo como a ressurreição e a vida (Jo 11.25), declarou que tinha o poder de entregar a Sua vida e de retoma-la, (Jo 10.18) e até predisse que reedificaria o templo do Seu corpo (Jo 2.19-21). Mas a ressurreição não foi uma realização unicamente de Cristo; frequentemente é atribuída, na escritura, ao poder de Deus em geral (At 2.24; 32; 3.26; 5.30; 1 Co 6.14; Ef 1.20), ou mais particularmente, ao Pai (Rm 6.4; Gl 1.1; 1 Pe 1.3). E se a ressurreição pode ser chamada obra de Deus, segue-se que o Espírito Santo também agiu nela.

 

15) TEORIAS FALSAS SOBRE A RESSURREIÇÃO

  • Teoria da falsidade: Afirmam que os discípulos praticaram fraude deliberada, roubando o corpo do túmulo e depois declarando que o Senhor ressuscitara. Os soldados que vigiavam o sepulcro foram instruídos para fazer circular aquela história. É claro que esta teoria impugna a veracidade das primeiras testemunhas, os apóstolos, as mulheres, os quinhentos irmãos, e outros, mas é extremamente improvável que os desanimados discípulos tivesses a coragem de impingir tal falsidade ao mundo hostil;
  • Teoria do desmaio: Segundo essa teoria, Jesus não morreu de fato, mas apenas desfaleceu, conquanto se pensasse que Ele estava realmente morto. Mas como Jesus, em Seu estado de exaustão, rolou a pedra que tapava o túmulo e depois ir de Jerusalém a Emaús e voltar?
  • Teoria da visão: Na excitação do seu estado mental, os discípulos se fixavam tanto no Salvador e na possibilidade do Seu retorno a eles, que por fim pensaram realmente que O viram. A faísca foi lançada pela temperamental e excitável Maria Madalena, e logo a chama se acendeu e se espalhou;
  • Teoria do erro (15.47): as mulheres observaram de longe onde eles o sepultaram e pelas descrições do túmulo seria muito difícil elas errarem o local. Então porque os romanos e judeus não mostraram o “verdadeiro túmulo”. No caso da teoria do erro bastava apresentar o tumulo correto e com isso provariam que aquelas mulheres haviam errado o tumulo. Defendiam com tanta veemência estas teorias que se esqueceram de prová-las;
  • Teoria da Caxemira ou do resgate: Mesmo se Jesus tivesse se recuperado fisicamente de todo o sofrimento como conseguiria abrir o túmulo sozinho? Ou como os discípulos removeriam a pedra por fora sem serem notados pela guarda romana? E se realmente os discípulos tivessem resgatado Jesus como manteria uma mentira por tanto tempo sem caírem em contradição, pois em todas as suas pregações, em locais públicos, eles atestavam à ressurreição (At 2”32; 3”15; 4”10; 10”40; 13”30-37).

 

16) TESTEMUNHAS DA RESSURREIÇÃO

  • Maria Madalena (Jo 20.11-17);
  • As mulheres (Mt 28.9-10);
  • Pedro (1 Co 15.5);
  • Discípulos no caminho de Emaús (Lc 24.13-35);
  • Dez discípulos (Lc 24.36-43);
  • Onze discípulos (Jo 20.26-29);
  • Sete discípulos junto ao mar da Galileia (Jo 21.1-23).
  • Mais de 500 pessoas (1 Co 15.6);
  • Durante sua ascensão (Mt 28.16-20);
  • Paulo (1 Co 15.8).

 

17) NATUREZA DO CORPO RESSURRETO

  • Era um corpo real (Jo 20.20);
  • Não era uma ressurreição como a de Lázaro (Jo 11);
  • Cristo se tornou as primícias de um novo tipo de vida humana (1 Co 15.20-23);
  • Foi transformado de modo a nunca mais ser sujeito à morte e a limitações (Rm 6.9).

 

18) SUA ASCENSÃO

A transição de Cristo para a vida superior na glória começou na ressurreição e foi aperfeiçoada na ascensão. Não significa que a ascensão é destituída de significado independente. Mas, embora as provas bíblicas da ascensão não sejam tão abundantes como as da ressurreição, são mais que suficientes (Lc 24.50-53; At 1.6-11; Jo 6.62; 14.2, 12; 16.5, 10, 17, 28; 17.5; 20.17; Ef 1.20; 4.8-10; 1 Tm 3.16).

 

19) SIGNIFICADO DA ASCENSÃO

  • Fim do período de limitação que Cristo se sujeitou;
  • Exaltação (Ef 1.20-23; 1 Pe 3.22; Fp 2.9);
  • Precursor (Hb 6.20);
  • Início de Seu ministério sumo sacerdotal (Hb 4.14-16);
  • Preparação de um lugar para Seu povo (Jo 4.2);
  • Senhorio sobre a Igreja (Cl 1.18).

 

20) A VISÃO DO CRISTO GLORIFICADO

Após a ressurreição e ascensão, o corpo de Jesus foi glorificado, bem diferente da visão de Isaías:

  • Raiz de uma terra seca, sem formosura e beleza;
  • Os homens escondiam seus rostos;
  • Não havia beleza para que o desejássemos;
  • Desprezado, rejeitado, homem de dores;
  • Tomou sobre si nossas enfermidades, dores e aflições. O ferido de Deus, oprimido;
  • Não fizemos caso dele;
  • Moído pelas nossas transgressões, foi oprimido e afligido, mas não abriu a boca;
  • Como um cordeiro mudo foi levado ao matadouro;
  • Foi cortado da terra dos viventes (mas não da glória).

 

A visão de João:

  • Vestes longas e peito cingido com cinto de ouro (justiça e fidelidade);
  • Cabelos alvos, o Ancião de Dias, eterno (Dn 7.9), sábio e puro em suas sentenças. Não estavam manchados pelo sangue da cruz;
  • Olhos como chama de fogo (Ap 1.14), conhecimento, discernimento infalível. Não estavam inchados como na cruz;
  • Pés semelhantes ao latão ou bronze reluzente (Ap 1.15), como que refinados em uma fornalha, representando a sua retidão no cumprimento de sua função judicial, o justo juiz. Não estavam marcados pelos pregos ou manchados pelo sangue;
  • Voz como de muitas águas, limpa, nítida, suave, afinada como uma trombeta. Não era uma voz rouca, como na cruz quando estava sedento;
  • Em sua mão direita tinha sete estrelas (poder, controle e honra), Mãos fortes, que todo este tempo seguraram a Igreja e não mais aquelas furadas e manchadas pelo sangue;
  • De sua boca saia uma espada afiada de dois gumes (Ap 1.16), sua própria Palavra (Hb 4.12);
  • Seu rosto brilhava como o sol no auge de sua força (Ap 1.16). Seu rosto não estava desfigurado como na cruz.


21) MINISTÉRIO ATUAL

  • O último Adão e a Nova Criação (1 Co 15.45; 2 Co 5.17).  Significado: Cristo como o doador da vida, aquele que pagou o preço do pecado original e deu início a nova raça humana;
  • Cristo, Cabeça e a Igreja. Significado: Direção, sustento, concessão de dons espirituais;
  • Pastor e ovelhas (Jo 10.10).  Significado: Direção e cuidado.
  • Videira e ramos (Jo 15).  Significado: Produção de fruto espiritual.
  • Pedra angular e pedras do edifício (1 Co 3.11; 1 Pe 2.4-8). Significado: Fundamento de nossa existência, vida e segurança.
  • Sumo sacerdote e sacerdócio real (1 Pe 2.5-9). Significado: Sacrifício e intercessão;
  • Noivo e noiva (Ef 5.25-27). Significado: prontidão e santidade.

 

22) A SEGUNDA VINDA DE JESUS

Dividida em duas fases, a primeira para arrebatar a Igreja (1 Ts 4.17) e a segunda será em sua manifestação visível para julgar as nações e prender a Satanás (Ap 1.7).

 

23) OS OFÍCIOS DE JESUS

É costume falar de três ofícios com relação à obra de Cristo, a saber, os ofícios profético, sacerdotal e real. Jesus foi Profeta (passado – Dt 18.18-19), Sacerdote (presente – Hb 2.16; 4.15) e Rei (futuro – Gn 49.10; 2 Sm 7.8). Jesus foi o único que conseguiu cumprir o tríplice ministério. É Rei, Profeta e Sacerdote. Saul foi rei, profeta e tentou ser sacerdote. Samuel foi profeta, sacerdote, mas não foi rei.

 

24) FALSAS TEORIAS SOBRE JESUS

  • Gnosticismo: matéria má, enquanto que o espirito era a parte boa;
  • Apolinarismo: Jesus não tinha espírito humano;
  • Monofisismo: atribuía uma natureza híbrida a Jesus;
  • Ebionismo: Jesus era profeta, mas não era Deus;
  • Nestorianismo: dormindo era homem e acordado era Deus;
  • Kenoticismo: Jesus não era Deus, pois havia se esvaziado da glória.

 

“Não foi o Cristo que veio para a carne de Jesus, foi o próprio Cristo que veio em carne”. Quem negar isto, tal não é de Deus.

 

25) DIFERENTES ÊNFASES SEGUNDO OS QUATRO EVANGELISTAS

a) Mateus:

  • Apresentou Jesus como: o rei, o Forte, o Leão da tribo de Judá;
  • Público alvo: os judeus
  • Como Jesus se portou: o Renovo, o Justo. O trono não estava vazio;
  • Linha do tempo: tempo profético cumprido;
  • Característica marcante da época: os judeus não queriam dar a outra face, Jesus deu.

 

b) Marcos:

  • Apresentou Jesus como: o Servo, o Trabalhador obediente (até a morte);
  • Público alvo: os romanos;
  • Como Jesus se portou: o Renovo, o Exemplo, o Fiel;
  • Linha do tempo: tempo prático (o começo do trabalho de evangelização)
  • Característica marcante da época: os romanos queriam que Jesus reagisse durante o flagelo.

 

c) Lucas:

  • Apresentou Jesus como: o Homem Perfeito;
  • Público alvo: os gregos;
  • Como Jesus se portou: o Homem Perfeito, o Renovo. De onde não se esperava é que veio a salvação.
  • Linha do tempo: início do registro da história;
  • Característica marcante da época: os gregos não entendiam como um Deus poderia se encarnar, amar e morrer pela humanidade.

 

d) João:

  • Apresentou Jesus como: o Deus Forte, o Verbo de Deus, que veio para os seus;
  • Público alvo: o mundo todo;
  • Como Jesus se portou: o Renovo do Senhor;
  • Linha do tempo: tempo espiritual, de evangelização;
  • Característica marcante da época: Deus encarnou, amou e habitou entre os homens.

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

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