Presidente Prudente (SP),

Apresentação da lição em power point

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Teologia do "Detentor" - II Ts 2.7

I. A Identidade do "Detentor"
A relação entre o Espírito e a tribulação é em grande parte apurada pela interpretação de 2 Tessalonicenses 2.7,8. Alguém afirmara erroneamente que os tessalonicenses já estavam no dia do Senhor. Para corrigir essa interpretação equivocada, Paulo afirma que eles não podiam estar no dia do Senhor, pois aquele dia não viria até que o iníquo fosse revelado. Sua manifestação era impedida pela obra de detenção dAquele cujo ministério permaneceria. Apenas após a retirada desse detentor é que o iníquo seria revelado e o dia do Senhor começaria.

Chafer escreve: A verdade central da passagem em discussão é que, embora de há muito Satanás quisesse ter consumado seu plano maligno para o cosmo e ter introduzido seu último governante humano, há um Detentor que impede essa manifestação para que esse plano de Satanás seja desenvolvido e completado somente na hora designada por Deus. (Lewis Sperry CHAFER, Systematic theology,IV, p. 372).

João testemunha que o plano de introduzir o iníquo havia começado a operar em sua época (l Jo 4.3). Esse plano satânico continuou ao longo dos séculos, mas foi controlado pelo Detentor.

A. Quem é o Detentor? Várias respostas já foram dadas quanto à identidade desse agente de detenção.
1. Alguns acreditam que o detentor fosse o Império Romano, sob o qual Paulo viveu. Reese diz:
A interpretação melhor e mais antiga é que Paulo hesitou em descrever com palavras o que queria dizer, porque tinha em mente o Império Romano. A influência impessoal era o sistema magnífico de lei e de justiça em todo o mundo romano; isso controlava a iniqüidade e o iníquo. Então a linhagem de imperadores, a despeito de seus indivíduos ímpios, tinha a mesma influência. (Alexander REESE, The approaching advent of Christ, p. 246.)

2. Uma segunda opinião, intimamente associada à anterior, é a de Hogg e de Vine, segundo os quais o detentor era o governo e a lei humana. Eles escrevem:
No devido tempo o império babilônico, a cujo rei as palavras foram ditas, foi substituído pelo persa, este pelo grego, e este, por sua vez, pelo romano, que floresceu na época do apóstolo [...] As leis sob as quais esses estados subsistem foram herdadas de Roma, da mesma forma que Roma as herdou dos impérios que a precederam. Assim, as autoridade existentes são instituídas por Deus [...] a autoridade constituída deve agir para deter a iniqüidade. (C. F. HOGG & W. E. VINE, The Epistles of Paul the Apostle to the Thessalonians, p. 259-60).

Vemos nitidamente que "as autoridades que existem foram por ele instituídas" (Rm 13.1). No entanto, o poder humano não parece ser uma resposta satisfatória à identidade do detentor. Walvoord escreve:
O governo humano, no entanto, continua durante o período tribulacional no qual o iníquo é revelado. Embora todas as forças de lei e ordem tendam a deter o pecado, elas não o fazem por seu próprio caráter, mas à medida que são usadas para alcançar esse fim por Deus. Parece uma interpretação preferível entender que toda a detenção do pecado, independentemente dos meios, procede de Deus como ministério do Espírito Santo. Como Thiessen escreve: "Mas quem é o detentor? Denney, Findlay, Alford, Moffatt afirmam que isso se refere à lei e à ordem, especialmente como incorporadas no Império Romano. Mas, conquanto governos humanos possam ser agentes no trabalho de detenção do Espírito, cremos que eles, por sua vez, são influenciados pela igreja. E, ainda, atrás do governo humano está Deus, que o instituiu (Gn 9.5,6; Rm 13.1-7) e o controla (Sl 75.5-7). Então é Deus, pelo Seu Espírito, que detém o desenvolvimento da iniqüidade". (John F. WALVOORD, The Holy Spirit, p. 115)

3. Um terceira opinião é que Satanás é o detentor. Um defensor dessa opinião escreve:
Por que todo o mundo deveria concluir que esse detentor deve ser algo bom? Esse poder de detenção não poderia ser o próprio Satanás? Ele não tem um plano para a manifestação do filho da perdição, assim como Deus tinha uma hora designada para a encarnação de Seu Filho divino? (MRS. George C. NEEDHAM, The Anti-Christ, p. 94).

A resposta óbvia a essa alegação seria a resposta do Senhor aos que O acusaram de fazer Seus sinais por poder satânico: "Se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não poderá subsistir" (Mc 3.25). Além disso, a retirada desse detentor não liberta o mundo da atividade satânica, como ocorreria se Satanás fosse o detentor, mas o lança no mundo com uma fúria descontrolada (Ap 12.12). Walvoord diz:
Essa idéia dificilmente é compatível com a revelação de Satanás nas Escrituras. Satanás jamais recebe poder universal sobre o mundo, apesar de sua influência ser incalculável. Um estudo de 2Tessalonicenses 2.3-10 mostra que aquele que detém sai de cena antes que o iníquo seja revelado. Isso não poderia ser dito sobre Satanás. Pelo contrário, é no período tribulacional que o trabalho de Satanás é mais evidente. As Escrituras o apresentam lançado na terra e liberando sua fúria nesses dias trágicos (Ap 12.9). A teoria de que Satanás é o grande detentor da iniqüidade é, conseqüentemente, impossível. (WALVOORD, op. cit., p. 116)

4. Uma quarta interpretação é a de que o detentor é a igreja. Reconhece-se que os crentes são comparados a sal, um conservante, e à luz, agente purificador, dissipador de trevas. Concorda-se que a igreja poderia ser um dos meios pelos quais a detenção é sentida, mas o canal não poderia agir ao mesmo tempo como agente. Stanton escreve: . .. a igreja é, no máximo, um organismo imperfeito, perfeito em posição diante de Deus, com certeza, mas experimentalmente, diante dos homens, nem sempre pura e livre de acusação. Como o governo humano, a igreja é usada por Deus para impedir a manifestação total do iníquo no presente século, mas o que detém efetivamente não é o crente, mas Aquele que dá poder ao crente, o Espírito Santo que vive nele (Jo 16.7; I Co 6.19). Sem Sua presença, nem a igreja nem o governo teriam a habilidade de impedir o plano e o poder de Satanás. (Gerald STANTON, Kept from the hour, p. 110.).

5. A quinta interpretação é a que afirma que o detentor é o Espírito Santo. O autor mencionado acima dá razões para apoiar essa conclusão.
a) Por mera eliminação, o Espírito Santo deve ser o detentor. Qualquer outra hipótese deixa de preencher as exigências [...]

b) O iníquo é uma pessoa, e suas operações abrangem o reino espiritual. O detentor deve, da mesma forma, ser uma pessoa e um ser espiritual [...] para deter o Anticristo até a hora de sua revelação. Meros agentes ou forças espirituais impessoais seriam insatisfatórios.

c) Para alcançar tudo o que deve ser realizado, o detentor deve ser um membro da Trindade. Deve ser mais forte que o iníquo e mais forte que Satanás, que energiza o iníquo. Para deter o mal no decorrer dos séculos, o detentor deve ser eterno [...] O campo de ação do pecado é o mundo inteiro: logo, é imperativo que o detentor seja alguém não limitado pelo tempo e espaço [...]

d) Essa era é de certa forma a "dispensação do Espírito", pois Ele trabalha agora de maneira diferente de outros séculos como uma Presença residente nos filhos de Deus [...] A era da igreja começou com o advento do Espírito no Pentecostes e terminará com o inverso do Pentecostes, a retirada do Espírito. Isso não significa que Ele não estará operando — apenas que não
será mais residente.

e) O trabalho do Espírito desde Seu advento incluiu a detenção do mal [...] João 16.7-11 [...] l João 4.4. Como será diferente na tribulação [...]

f) [...] apesar de o Espírito não ter residido na terra durante os dias do Antigo Testamento, assim mesmo exerceu influência detentora [...] Isaías 59.19b... (Ibid., p. 111-5)

O trabalho do Espírito Santo com os crentes na tribulação.
O fato de que o Espírito Santo é o detentor, a ser retirado da terra antes do início da tribulação, não deve ser interpretado como uma negação de que o Espírito Santo seja onipresente, ou de que continue a operar no final desta era.

O Espírito trabalhará dentro e por meio de homens. Só se insiste em que os ministérios exclusivos do Espírito Santo ao crente neste presente século (batismo, I Co 12.12,13; habitação, I Co 6.19,20; selo, Ef 1.13; 4.30 e enchimento, Ef 5.18) terminarão. Sobre essa questão Walvoord escreve:
Há pouca evidência de que os crentes serão habitados pelo Espírito durante a tribulação [...] O período tribulacional [...] parece voltar às condições do Antigo Testamento de várias maneiras; e, no período do Antigo Testamento, os santos jamais foram habitados permanentemente exceto em casos isolados, apesar de serem encontrados vários casos de plenitude do Espírito de capacitação para serviço. Considerando todos os fatores, não há evidência da presença habitadora do Espírito Santo nos crentes durante a tribulação. Se o Espírito residir no crente durante a tribulação, no entanto, segue-se que serão selados pelo Espírito, pois o selo é a Sua própria presença neles. (WALVOORD, op. cit., p. 230).

Trecho extraído do livro: Manual de Escatologia. Uma análise detalhada dos eventos futuros. J. Dwight Pentecost, Th.D. Editora Vida. Tradução: Carlos Osvaldo Cardoso Pinto, Th.M.
  
Por: Ailton da Silva

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