domingo, 27 de junho de 2021

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 5


Isaque: Não conheça a parentela de seu pai

“Fique em sua terra, entre sua parentela” 

Deus trabalhou na vida de Isaque, de forma a prepará-lo espiritualmente para que assumisse a posição de patriarca a que seria elevado, tão logo seu pai fosse recolhido.

Este processo de capacitação teve inicio após a anulação da condição de primogenitura de Ismael. A partir daquele momento, o mundo ficou ciente de que Abraão tinha somente um filho e seria o único que Deus usaria para continuidade de seu plano.

Isaque era o filho unigênito e teve todas as atenções de seu pai voltadas em seu favor. Todos deveriam esperar o momento certo para então contemplarem o cumprimento das promessas, mesmo que demorassem.

Estes fatos comprovaram que Deus realmente estava trabalhando na vida de Isaque e de sua família, mas o sucesso somente foi alcançado devido a sua obediência, tal como seu pai, pois da mesma forma soube esperar o momento certo para agir e receber as bênçãos de Deus.

Todo este cenário glorioso foi fruto da lealdade, obediência e fidelidade de Isaque, presenciadas em sua vida no momento em que ficou aguardando o retorno do servo de seu pai com sua futura esposa. Não reclamou, muito menos se desesperou pela demora. Soube aguardar e receber a bênçãos como ninguém.

Abraão, pensando no futuro e descendência da família, ordenou a um de seus servos que fosse buscar, em sua terra natal, uma moça para se casar com seu filho, porém não poderia ser a primeira que visse, ou a mais bela, a mais rica, pois entre os cananeus havia muitas nestas condições, se fosse assim não haveria necessidade de tamanho sacrifício e não precisaria ir tão longe. A escolha tinha que ser cautelosa e não poderia ter erros.

A noiva deveria ser uma especial, escolhida, apontada entre muitas e o servo haveria de respeitar as únicas duas condições impostas por Abraão para proceder a escolha.

Primeiramente a moça teria que ser da família do patriarca, que já era conhecedor da intenção de Deus em criar para si um povo santo, zeloso e de boas obras.

Abraão não queria presenciar a união de seu filho com as filhas dos cananeus, pois temia que pudesse se contaminar com a imoralidade, idolatria, pecado e maldade que reinavam entre aquele povo. A moça sendo parente deixava claro o grande plano Divino na sua linhagem.

Em segundo lugar Isaque não poderia retornar para as terras de seu pai, para buscar a sua própria esposa, teria que confiar na fidelidade e no gosto do servo. Abraão entendia que a sua ida para aquele lugar representaria um retrocesso em sua vida, podendo até mesmo afetar a sua espiritualidade ou desviá-lo do caminho de Deus.

Mas Rebeca era da mesma família[1] idólatra que Abraão havia deixado para trás, após a sua chamada, como agora ordenava a mistura novamente?

Abraão disse para o seu servo: “Vá e traga uma esposa para meu filho entre a minha parentela, pois no meio do caminho, Deus irá tratar com ela”.

Abraão pensou muito para chegar a esta conclusão, pois no seu entendimento seria possível que a nova geração de sua família estivesse livre da idolatria, ou bem menos influenciada negativamente, em todos os casos era melhor o casamento de seu filho com uma mulher de sua linhagem do que a mistura com os cananeus. Esta decisão teve o aval e a total aprovação de Deus.

Isaque até poderia ter ido a cidade natal de seu pai para buscar a sua própria esposa, ou então ter escolhido uma que lhe agradasse aos seus olhos, como prova da existência do seu livre arbítrio, mas como submisso, jamais tomaria esta decisão, desobedecendo a ordem de seu pai que na verdade era a própria vontade de Deus para que a reputação dos patriarcas não fosse manchada.

Isaque, um tipo de Jesus por ter sido alçado à condição de filho unigênito e pedido em sacrifício por Deus, soube esperar sossegado o retorno do servo que traria a sua noiva, assim como o Espírito Santo, um dia, levará a Igreja, como um servo fiel, ao encontro do Noivo nos ares.

O plano de Deus, naquele momento, era eleger uma nação santa, zelosa e de boas obras, querendo com isso perpetuar o seu nome e, naquele momento, o casamento de Isaque com uma cananéia resultaria em uma mistura de idólatras, maldosos, imorais e amorais, uma verdadeira abominação.

Realmente seria difícil a convivência do povo originado pela união entre os hebreus, cananeus, jebuseus, girgaseus, heveus, heteus e etc. O plano de Deus era criar e manter Israel, a sua nação e neste contexto histórico, o restante da humanidade não estava inserido, até então[2].

A união dos filhos, de qualquer um dos patriarcas dos hebreus, com uma cananéia representaria o retorno[3], jamais isto seria permitido e a qualquer momento, se fosse preciso devido a desobediência ou rebelião, Deus trocaria Abraão, Isaque ou Jacó e outros daquela linhagem. O certo é que aquela aberração e afronta não seria permitida.

O mesmo acontece com o homem que se entrega a Deus deixando de lado a sua vida pecaminosa para se tornar um verdadeiro cidadão dos céus, não tendo mais, por isso, nenhum motivo para voltar, ao seu passado idólatra, em busca de algum benefício carnal, material ou espiritual.

Então aquele servo obediente tomou direção à terra natal de Abraão, para cumprir sua missão. Deveria escolher a moça certa, a única, a que serviria para o filho unigênito de seu senhor.

Tarefa nada fácil, pois veria inúmeras que certamente poderia vislumbrar seus olhos, mas não estava atrás disto. O que fazer então? Havia somente uma atitude a tomar, buscar a resposta em oração. Sem muito esforço, de sua parte, apenas orando, encontrou Rebeca.

O problema seria convencer o pai de Rebeca a permitir que a levasse para Canaã. O plano do servo consistia em revelar a todos a forma como Abraão, havia sido tirado de suas terras e como provara sua fidelidade através da vida de seu filho, o futuro esposo daquela moça. Somente assim os pais entenderiam que aquela união fazia parte do plano de Deus. Nenhum argumento poderia ser colocado como obstáculo para que Isaque recebesse sua bênção.

Naquela tarde não tinha como Isaque disfarçar as suas preocupações, por isto a sua oração foi diferente, teve propósitos, pedidos inusitados, coração ofegante, medo e ansiedade. A novidade de vida se aproximava.

O servo do pai não estava demorando com sua noiva. A bênção chegaria em suas mãos no momento certo. Mas como a recepcionaria? Teria o servo acertado em sua escolha? A moça alegraria os seus olhos? E ela se agradaria de Isaque? Três pares de olhos que estavam sob a direção de Deus, os do noivo, da noiva e do servo foram os principais motivos da oração de Isaque naquele dia.

Como de costume, voltava de seu costumeiro momento devocional, quando encontrou Rebeca, pelo caminho. Prontamente a recebeu[4] como esposa. Ela desceu do camelo, cobriu o rosto e aceitou Isaque como esposo. Esta foi a maior alegria do velho pai Abraão.

Desta união[5] nasceram dois filhos, que desde o ventre já se mostravam rivais, devido as afeições diferentes com que foram criados, pois, enquanto o pai amava mais Esaú, que era caçador, a mãe amava mais a Jacó, esta atitude foi o princípio das dores para os pais.


continua...



[1] Ainda havia resquícios de idolatria na família de Abraão (Gn 35.1-5; Js 24.2), ou provavelmente as novas gerações não fossem tão idolatras quanto a parentela do passado.

[2] As outras nações da Terra teria a oportunidade de serem inseridas no plano de Deus através da pregação do Evangelho.

[3] Abraão foi tirado do meio dos idolatras (Js 24.2), portanto não permitiria que seu filho retornasse às suas origens.

[4] Rebeca se constitui no segundo sacrifício de Isaque e novamente não tinha como dizer não para Deus.

[5] O encontro de Isaque com Rebeca tipifica glorioso o encontro de Jesus com sua igreja. O pai Abraão é um tipo de Deus. O servo é um tipo do Espirito Santo. Rebeca é um tipo da igreja e Isaque é um tipo do Noivo.

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

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