terça-feira, 15 de junho de 2021

Os primogênitos: Deixa o meu ir, senão levo o seu - capítulo 1

O TRIO DE FERRO:

JACÓ, JOSÉ E MOISÉS 

A história de Israel remonta os áureos tempos da chamada de Abraão, ainda no Crescente Fértil[1], no meio de sua parentela. De antemão, o patriarca foi inteirado, através de uma mensagem vinda diretamente de Deus, sobre o período de quatrocentos e trinta anos de escravidão total, que seus descendentes enfrentariam em um futuro (Gn 15.13-16). Todo o processo entre a visão de Abraão e a posse da Terra Prometida não poderia ser evitado.

  

a) Missão de Jacó: apresentar o Egito

A primeira parte da promessa se cumpriu no momento em que Jacó aceitou o convite para morar no Egito, recebendo a melhor parte do território (Gn 47.6).

Toda a família fugiu da seca, fome e desolação. Canaã dependia muito das águas das chuvas e sofria com a falta. O Rio Nilo não deixava o Egito sentir os efeitos deste problema.

Motivos para a mudança rápida tiveram, pois o convite amigável do filho feito ao pai, as carroças para o transporte, a promissora carreira política de José e a permissão para levarem seus gados e pertences soaram naqueles corações como uma grande bênção vinda da parte de Deus para coroar toda a trajetória iniciada por Abraão. E de fato foi.

No inicio, os simples pastores viveram em um paraíso, tudo foi festa, mordomia, respeito, liberdade e privilégios. Talvez esta situação possa ser explicada pelo fato do Egito, na época, estar sob domínio dos hicsos[2], povo que soube demonstrar sua gratidão pelo trabalho e socorro de José, mas com o passar dos tempos, o ambiente se tornou desfavorável. Este povo tão grato perdeu espaço e os egípcios retomaram o poder. Tanta indiferença e ingratidão somente poderia vir de quem realmente abominava os hebreus desde o início.

Todos os que se mudaram com Jacó usufruíram das riquezas do Egito, pois conheceram a fartura naquelas terras, antes do período de fome e opressão conforme revelação entregue pelo então ainda prisioneiro José.

Jacó, ao levar sua família, apresentou o Egito aos hebreus. A intenção era atender ao pedido de seu filho José e também fugir do período de fome que ainda assolaria boa parte da Terra. Deus tinha um plano para unir aquela família, portanto não teria como o pai dizer não ao filho.

Cerca de setenta pessoas desceram ao Egito, com Jacó e se multiplicaram, a ponto daquela terra se encher deles (Ex 1.7). No momento da libertação com Moisés, este número subiria para mais de seiscentos mil varões sem contar mulheres e meninos.

Na época de José, os hebreus não se misturaram aos egípcios, pelo menos uma grande parte e por algum tempo. A astúcia do governador hebreu surtiu o resultado esperado, pois os havia orientado a dizerem que eram pastores, o que era abominação para os egípcios. Conscientemente implantou um abismo para impedir o contato e a mistura dos hebreus com a cultura egípcia. Isolados em Gósen puderam manter a identidade e seus costumes (Gn 46.31-34).

continua...



[1] Região conhecida como Mesopotâmia (entre rios), atual parte do território do Iraque.

[2] Hicsos, povo semita que invadiu o Egito, pelo Istmo de Suez, por volta de 1730 a.C., dominando por quase dois séculos. Eles possuíam cavalos e carros de combate, desconhecidos no Egito.  

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

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