quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Neemias: como sair do anonimato - Capítulo 12

5) A FESTA DE DEDICAÇÃO:

Porque esta dedicação não ocorreu logo após o término da reconstrução? Não havia clima espiritual e não havia sido lido o livro da Lei, fatores imprescindíveis para valorização dos atos de Deus. Se tivessem comemorado antes certamente atribuíram a si mesmos o sucesso pela conquista.

Passaram pelo avivamento, conheceram a Lei, viveram o verdadeiro arrependimento, confessaram os pecados, cada qual revelou o seu coração contrito e renovaram o compromisso com Deus para então comemorarem a vitória.

A dedicação do povo na reconstrução do muro foi algo nunca visto em Jerusalém, o avivamento de igual modo e o concerto anunciaram a grandiosidade daquela festa.

Foram vários anos vivendo entre os escombros, mas agora a realidade era outra, sinal de vitória, alegria pelas reconstruções do altar, Templo e muro, por isto a alegria vista naqueles dias foi algo contagiante, ouvido de longe pelos seus vizinhos (Ne 12.43).

 

a) A participação dos levitas: 

Era imprescindível a participação dos levitas na condução e adoração no culto ao Senhor, por isto foi necessária a restauração de seus ministérios para participarem do culto de dedicação dos muros de Jerusalém.

 

b) A participação dos cantores: 

Era essencial a apresentação de cânticos de adoração e louvor a Deus durante a festa, para que o povo se alegrasse pelas vitórias e restaurações. Para tanto, Neemias reuniu os cento e quarenta e oito cantores que descendiam de Asafe (Ne 7.44) e mais duzentos e quarenta e cinco que procediam de outras famílias levíticas (Ne 7.67), para bendizerem ao Senhor, através da música, a linguagem da alma, que serve de instrumento para nos comunicarmos com Deus (Sl 40.3; Ef 5.19-20).

 

c) A liturgia correta e santa:

Foram dois grandes cortejos, um liderado por Neemias e o outro por Esdras, que mesmo tomando caminhos opostos, encontraram-se no Templo. Participaram os levitas, os cantores e os príncipes de Judá (Ne 12.27-43) e ali realizaram um grande culto em ação de graças a Deus. Aqueles cortejos não foram espetáculos e tampouco entretenimento, mas sim foi uma reunião de profunda reverência ao Senhor.

 

d) Os verdadeiros sacrifícios (v 43):

Ao chegarem no Templo, sacrificaram em meio aquela grande alegria, reconhecendo os benefícios recebidos da parte de Deus. Os sacrifícios foram sombras de acontecimentos futuros, que se cumpriram anos mais tarde, no ministério terreno de Jesus:

  • Aqueles sacrifícios não removiam os pecados do povo. O sacrifício de Jesus removeu de uma única vez (Hb 10.11)
  • Os sacerdotes ofereciam sacrifícios contínuos. Jesus ofereceu-se em sacrifício apenas uma vez;
  • Os sacerdotes ofereciam sacrifícios de animais. Jesus ofereceu-se a si mesmo;
  • Os sacrifícios cessaram. O sacrifício de Jesus tem eficácia eterna.

 

6) COMENTÁRIOS ADICIONAIS:

  • Após a reconstrução, muitos poderiam ter voltado para suas casas, satisfeitos por terem feito algo para Deus;
  • “Terminamos a construção”! Terminaram? A festa será somente após o avivamento e concerto;
  • Se a festa fosse após a reconstrução, certamente cunhariam moedas com as faces de Neemias e Esdras;
  • O povo rodeou os muros, um grupo de cada lado, para contemplarem a grande obra, que antes seria impossível;
  • A divisão em grupos foi para ganharem tempo? Ou terá sido por desavença entre os lideres (At 15.39-40). Paulo e Barnabé também tiverem problemas, mas o que pareceu divisão, na verdade foi multiplicação dos missionários;
  • Certamente os judeus estranhariam quando ouvissem algum de nós cantando: “Eu estou no altar do sacrifício. Eu estou no lugar santo. Eu estou no santo dos santos”. Era muito difícil os judeus se imaginarem nestes lugares;
  • Se o Templo estivesse intacto e se nos fosse permitido fazer um “tour”, entraríamos nestes lugares santos? Primeiro teríamos que passar pelos levitas, os matadores de idólatras (Ex 32.26), neste caso a parada seria indigesta;
  • Somente os chamados poderiam trabalhar no Templo, mas alguns poderiam dizer: “Eu sou da tribo tal e conheço o trabalho. Já convivi com levitas e tenho boa vontade”. Neemias não deixaria qualquer um trabalhar no Templo;
  • Após o exílio o cargo de sumo sacerdote teve características políticas, o que não víamos antes, pois se dedicavam totalmente aos cuidados religiosos;
  • A despedida de Neemias: Congregação erguida, povo avivado. Depois retornaria para ver como estavam, tal como fazia apostolo Paulo nas igrejas fundadas em suas viagens;
  • Alguns imaginavam que a reconstrução deveria começar pelo muro e portas para depois erguerem o Templo;
  • Em qual campo Jesus opera em nossa conversão? No campo material? Emocional? Ou no espiritual?
  • Jerusalém e o Templo não suportariam uma segunda destruição em tão curto espaço de tempo. Precisamos chegar a este ponto? Destruição total para recomeçarmos do zero novamente? Os judeus esqueceram tudo, língua, lei, parte da história, organização.

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

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