José: O homem que assombrou o Egito.
O dia em que acordou na prisão e dormiu no palácio
Quantos pensamentos assolaram a mente de
José durante a sua caminhada até ao Egito. Que reviravolta em sua vida! O que
poderia fazer para mudar aquela situação? Jurar fidelidade a Deus, mudar sua
conduta? Era tarde demais para pensar em algo? Deveria aceitar a situação e
permanecer como uma bênção durante o trajeto, já que não temos notícias de
tentativa de fuga, rebelião, mesmo porque não teria condições físicas para tal.
Quando José chegou ao Egito como escravo,
foi comprado por Potifar para servi-lo em sua casa e com o passar dos dias
ganhou a confiança do seu senhor, até que este lhe permitiu transitar por todas
as dependências de sua casa.
Sua primeira impressão foi horrível, pois
encontrou uma cultura e tradições diferentes, um povo estranho e ensinamentos
baseados na idolatria e imoralidade, tudo isto contrário ao que havia aprendido
com seu pai, mas durante a adaptação naquele lugar, enfrentou de cabeça erguida
e nunca se deixou contaminar.
Uma luz no fim do túnel havia se
ascendido para José, para provar que não estava tudo perdido, mas ainda não era
um livramento. Deus queria testá-lo diante da riqueza e nobreza, já que na
pobreza e miséria, junto aos escravos na caminhada, havia se mostrado fiel.
Enquanto esteve com seu pai, durante a
caminhada como escravo e nos momentos em que serviu como empregado, José foi
uma benção, mas um dia foi preso, vítima da trama armada pela mulher[1] de
Potifar. Mesmo na prisão teve uma vida regrada aos bons costumes, por isso
ganhou a confiança do carcereiro, portanto não tinha como Deus não abençoá-lo
ou engrandecê-lo, mesmo naquele ambiente.
Todas as pessoas que passaram pela vida
de José ou os que o rodearam, perderam características essências, justamente as
que sempre manteve durante o tempo de sua luta:
- Seus irmãos perderam a sensibilidade que não faltou a José quando os reconheceu e soube que estavam necessitados e famintos;
- Potifar perdeu a visão a ponto de não enxergar a inocência de seu empregado favorito, a mesma visão que José teve ao orientar Faraó a pensar no seu povo durante os anos de fome;
- O copeiro perdeu a chance de demonstrar toda a sua gratidão a José, a mesma que José teve quando solicitou que os irmãos buscassem toda a família para morar no Egito;
- Faraó perdeu a confiança em seus deuses e a depositou no Deus de José, pois esteve diante de um pregador, mensageiro de boas novas e vitórias.
Quando o atormentado Faraó não encontrou
respostas para as suas aflições fruto de seu sonho, foi surpreendido com a
declaração do ingrato copeiro-mor, que então se lembrou de José, o intérprete
de seus sonhos da prisão. O homem esquecido pelo ingrato foi lembrado, diante
do tormento e calamidade que assolavam o Egito.
O certo é que sempre existe alguém por
perto para dar testemunho das ações de homens de Deus, prova disto foi o que
aconteceu com Naamã, chefe do exército da Síria, que recebeu a cura da lepra
devido ao crédito que deu a uma de suas criadas que testemunhou sobre o
trabalho do profeta que estava em Samaria[2].
Certamente Faraó deve ter se inteirado
sobre as condições físicas, psicológicas e morais de José, pois não teria
cabimento receber um maltrapilho, um prisioneiro, problemático ou alucinado,
pelo menos este era o protocolo da época. Rapidamente prepararam o jovem,
mudaram suas vestes e o apresentaram diante da maior autoridade daquela nação.
José entrou escoltado na prisão em
silêncio e foi jogado no esquecimento. Durante sua estadia naquele lugar, orava
a Deus pedindo sua liberdade e nada mais, pois é impensável que tenha
demonstrado fé suficiente para pedir uma audiência com Faraó ou muito menos o
segundo trono do Egito, sequer pensou em pedir roupas novas, corte de cabelo,
um quarto no palácio e o respeito dos egípcios e de outras nações. Certamente só
pediu a oportunidade para rever sua família e voltar para sua terra.
Mas na saída da prisão também esteve ao
lado de batedores e foi levado diretamente para a barbearia, cabeleireiro e deu
volta em uma lojinha de departamentos egípcia para dar uma renovada em seu
guarda roupa, antes do encontro com o desequilibrado Faraó, que certamente deve
ter orientado seus soldados a não trazerem José do jeito que estava[3].
Naquele dia José acordou na fria prisão
com o barulho de alguém batendo em sua cela, chamando-o pela última vez de
prisioneiro. Após o encontro com Faraó, foi tratado de outra forma, foi chamado
de senhor, de “vice Faraó”.
José levou um susto quando o soldado lhe
disse: “Tem alguém querendo lhe falar”. Quem poderia ser? Não tinha advogado,
os amigos de prisão eram ingratos, a família estava há quilômetros de
distância, quem estava ali para visitá-lo? O importante não era aquele que
falaria, mas sim aquele que estaria ouvindo o governante desesperado. Não seria
uma simples visita ou uma mera audiência concedida, na verdade era uma
convocação. Faraó desejava ardentemente pedir socorro ao homem de Deus.
A fama de interpretador de sonhos correu
rapidamente e agitou os corredores do palácio egípcio. Como em sã consciência
alguém poderia imaginar a grande e potente nação sendo abalada pelo temor de
uma crise? O pior era aceitarem que o salvador[4] da pátria, um simples
hebreu, sem qualquer qualificação ou formação, estava ali nas frias e
solitárias prisões, esperando o momento certo para cantar o hino da vitória.
José não somente interpretou os sonhos de
Faraó, como também lhe deu uma aula de administração através de sábios
conselhos:
- Faraó deveria prover-se de um varão inteligente e sábio[5] e nomear governadores;
- Este homem deveria ser respeitado como uma grande autoridade no Egito;
- A quinta parte de toda a produção egípcia deveria ser retida durante os anos de fartura;
- Deveriam ajuntar o máximo que pudessem de comida e trigo, pois a crise se aproximava.
A preocupação de Faraó era com o
presente, a de José era com o futuro, com os quatorze anos seguintes. Mas
porque tanta preocupação de um simples e desprezado hebreu, que estava prestes
a sair do anonimato?
continua...
[1] Uma
mulher ficou com as veste de José nas mãos para incriminá-lo, da mesma forma
que seus irmãos ficaram com a sua túnica colorida para provar que estava morto.
Nas duas situações se tornou vítima da mentira.
[2]
Conforme 2 Reis 5.3
[3] Faraó
jamais receberia José em seus trajes e aparência de prisioneiro, somente Jesus
aceita o homem e o deixa vir na situação em que se encontra.
[4] Havia muitos sábios
no Egito com condições para socorrerem a nação, mas somente um tinha sabedoria
divina para administrar a crise. Os inteligentes da época não se conformaram
por não terem pensado em algo semelhante.
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