sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Prefiro murmurar no deserto. As dez murmurações do primogênito. Capítulo 1

O LIVRAMENTO

Chegaram às margens do mar Vermelho e ficaram sem ação, tal como a mãe de Moisés quando o escondeu na tentativa de salvá-lo da morte certa, dentro de uma pequena arca (Ex 2.3). Joquebede chegou até a borda do rio e parou, pois estava diante da limitação entre o possível e o impossível. Dali para frente o negócio seria com Deus, não dependeria dela.

O mesmo acontecia agora com os hebreus, que estavam fugindo de Faraó, diante das águas, com o mesmo protagonista, faltava apenas a arca para transportá-lo e salvá-los. Daquele momento em diante estariam sob a responsabilidade e cuidados de Deus, assim como estivera o bebê Moisés. Na primeira vez o rio não se abriu para que fossem salvos mãe e filho, mas agora seria aberto para que toda uma nação recebesse o livramento. 

“Então Moisés estendeu sua mão sobre o mar, e o Senhor fez retirar por um forte vento oriental toda aquela noite, e o mar tornou-se seco e as águas foram partidas” (Ex 14.21). 

Não bastava somente libertá-los e guiá-los para um lugar pré-determinado, pois desde o princípio se mostraram incrédulos, de dura cerviz e necessitados de contemplarem o poder de Deus para se converterem de coração.

O fato de Faraó persegui-los não foi uma mera decisão humana, mas foi o que deu uma maior expressividade ao livramento que se seguiu. Teriam que passar pelo mar, pois a bênção estava do outro lado. 

“Repreendeu o mar Vermelho e este se secou, e os fez caminhar pelos abismos como pelo deserto” (Sl 106”9). 

Para executar seu plano Deus retirou do povo, pela primeira vez, a nuvem que servia de proteção contra o calor bem como o seu anjo que ia adiante deles, colocando-os logo atrás da multidão, confundindo os egípcios. 

“E o anjo de Deus, que ia diante do exercito de Israel, se retirou, ia atrás deles; também coluna de nuvem se retirou de diante deles, e se pôs atrás deles. E ia entre os campos dos egípcios e o campo de Israel; e a nuvem era escuridade para aqueles, e para este esclarecia a noite; de maneira que em toda a noite não chegou um ao outro. E viu Israel a grande mão que o Senhor mostrara aos egípcios; e temeu o povo ao Senhor, e creram no Senhor e em Moisés, seu servo” (Ex 14.19-20-31). 

Deus simplesmente inverteu as funções dos elementos da natureza que ora usava para proteger e guiar o seu povo. A nuvem, proteção contra o calor, desde a saída do Egito, agora confundia o inimigo, pois ficou como uma divisão entre as duas partes, escurecendo o caminho dos egípcios e clareando a noite para os hebreus seguirem a longa caminhada. Desta forma o caçador não alcançou a caça, mesmo com os seus mais modernos aparelhos, armas e carruagens. 

“Nunca tirou de diante da face do povo a coluna de nuvem de dia, nem a coluna de fogo a noite” (Ex 13.22). 

Deus havia prometido que jamais tiraria a nuvem e o anjo que protegia seu povo e cumpriu à risca esta promessa. Naquela ocasião, por se tratar do início de seu plano, houve um reposicionamento do anjo e da nuvem, dando a impressão de que o povo estivesse desprotegido.

Como suportariam o forte calor, caso a batalha se iniciasse e prolongasse por muito tempo? Como vigiariam para não serem pegos de surpresa por outro inimigo, que poderia aparecer após a passagem do mar? Os hebreus não sofreriam com o calor e tampouco sofreria um ataque de outro inimigo, pois o plano de Deus, dividido em três fases, já previa tudo isto e garantia a primeira grande vitória dos hebreus:

A primeira fase do plano divino dizia respeito aos anjos. Somos conhecedores que Deus possuiu uma infinidade de anjos sob sua ordens, sendo que um destes foi designado para ficar a frente dos hebreus o seu destino final. Quando foi posicionado à retaguarda do povo, certamente outros foram ordenados para se colocarem a frente da congregação para protegê-los de possíveis ataques. Cremos com toda convicção que jamais o povo seria livrado de um lado para ficar desprotegido de outro.

A segunda fase fazia menção aos elementos da natureza. A travessia do mar se iniciou logo de madrugada, somente tendo o seu desfecho pela vigília daquela manhã, momento em que a nuvem voltou a desempenhar as suas funções normais, já que durante a noite havia sido escuridade para os egípcios e claridade para os hebreus.

Todos os elementos da natureza estão sob as ordens de Deus e o sol não fugiria a esta regra, caso fosse preciso os raios solares seriam enfraquecidos para não fustigarem[1] o povo naquela manhã.

A terceira fase envolvia os egípcios e a outros inimigos. Os anjos deram conta de todos, pois enquanto um batalhava contra os egípcios, os outros protegeriam o povo de outros inimigos que pudessem aparecer. Quanto a Faraó e seu exercito, que por muito tempo oprimiram os hebreus, nunca mais seriam vistos na face da terra, isto tudo para confirmar a palavra de Deus entregue por Moisés momentos antes de iniciarem a travessia (Ex 14.13).

 

a) Os dois ventos (diurno e noturno). Mesma direção, mas com objetivos diferentes.

O primeiro vento foi trazido por Deus ainda no Egito, na ocasião da oitava praga (Ex 10.13), quando surgiram gafanhotos. Esta lembrança ainda assolava os egípcios e fatalmente o desespero tomou conta de todos quando ouviram os primeiros barulhos do vento ao leste.

Correria, gritaria diante da possibilidade de novas perdas e danos. Alguns céticos apenas olhavam e não imaginavam o que poderia acontecer de ruim, seria somente mais uma ventania. Os mais lúcidos devem ter dito: “chega de catástrofes. Diga que não virá o pior sobre nós novamente”.

O primeiro vento, da oitava praga, foi trazido ao Egito para correção, para colocar tudo em seu devido lugar e para mostrar realmente quem é o Verdadeiro e Único Deus na terra, céu e mares.

O segundo vento teve por objetivo a salvação (Ex 14.21). Moisés estendeu a mão sobre o mar, mas não o abriu com este gesto, foi somente para que os hebreus vissem que algo estava por acontecer.

Então Deus soprou um vento oriental toda aquela noite para que o mar se tornasse em terra seca. Não foram ouvidos gritos de desespero como no primeiro vento (Ex 10.13), pelo menos no lado dos hebreus, na verdade o que se ouviu foram júbilos diante de tal cena, nunca vista antes na história da humanidade.

Será que os soldados egípcios gritaram do outro lado: “De novo não, outro vento, chega, não aguento mais, eu entrego os pontos. Não mexo mais com o Deus dos hebreus”.

Este vento noturno trouxe ares refrescantes para os hebreus, gostinho de quero mais, representou uma doce vitória e arrancou suspiros de alívio.

O primeiro vento do Egito abriu as portas para a devastação, espanto e terror. O segundo abria a porta para salvação de toda uma nação. Dois ventos, mesma origem, mas com objetivos bem diferentes.

continua...

[1] Caso a nuvem não voltasse a proteger o povo, certamente os raios solares seriam enfraquecidos por Deus. 

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

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