sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Prefiro murmurar no deserto. As dez murmurações do primogênito. Capítulo 1

O CLAMOR

Os egípcios ainda estavam assustados[1] com as manifestações de Deus, principalmente a última, na ocasião da morte dos primogênitos e agora contemplavam aterrorizados a coluna de nuvem e de fogo, que não se misturavam, não se encontravam, pois uma agia durante o dia e a outra executava suas funções à noite (Ex 13.21).

Deus mudava sua estrutura, sua forma de agir, ora nuvem ora fogo, mas não mudava o seu caráter. O clamor do povo foi ouvido, a decisão pela libertação foi tomada e não seria revogada (Ex 3.9). A saída do Egito era uma bênção incondicional[2], não dependeria[3] da fé, fidelidade ou vontade do povo, mas a entrada em Canaã teria sim suas condições.

  • Diante do mar eles tinham quatro alternativas:
  • Cruzarem os braços e esperarem as lanças do inimigo, que poderia tomar a parada como afronta;
  • Levantarem os braços e se renderem facilmente;
  • Prosseguirem avante, a nado, mesmo que fosse impossível devidos as condições físicas;
  • Ou se por um grande milagre atravessassem o mar a seco, que se abriria diante de seus olhos, o que para muitos era improvável, devido a falta de fé e perspectivas.

Naquela situação, Moisés estava com a vida no altar, mas o povo não. Um estado espiritual adquirido durante os quarenta anos em que esteve cuidando de ovelhas. Tudo que aprendera naquele curso seria colocado em prática.

 

“Moisés, porém disse ao povo: não temais; estais quietos, e vede o livramento do Senhor, que hoje vos fará; porque aos egípcios que hoje vistes, nunca mais vereis para sempre. O senhor pelejará por vós, e vós calareis. Então disse o Senhor à Moisés: Porque clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem” (Ex 14.13-15).

 

Por um poucochinho de tempo, os hebreus deixaram de olhar para a coluna de fogo, que trazia paz e sensação de segurança e olharam para o inimigo, por isto o medo invadiu os corações.

Moisés foi o único capaz de tranquilizar os desesperados, que exigiam solução ou autorização para se renderem. Como se manter calmo e integro diante de tanta cobrança? Como contagiá-los com sua fé, já que tinha certeza do livramento, enquanto que o povo não. Sua fortaleza foi estabelecida durante sua chamada[4] e durante as dez operações de maravilhas no Egito.

O grande líder enxergou a salvação tão perto dependendo somente de um ato seu, mas por pouco não desacreditou diante daquela situação tão delicada. Sabia que os problemas do povo eram também seus e logicamente a vitória seria da mesma forma, por isto levantou um grande clamor.

No pensamento de muitos o livramento seria tão simples, quem sabe um anjo para eliminar o inimigo (II Rs 19.35), uma doença ou outra praga, mas Deus queria usar os elementos da natureza para humilhar a potência da época.

continua...



[1] Israel foi expulso do Egito por Faraó (Ex 12.31).

[2] Deus não requereu fé dos hebreus para tirá-los do Egito. Foi uma decisão divina (Ex 3.7-8), mas para entrarem em Canaã havia necessidade da fidelidade.

[3] Dependeu somente da fé de Moisés para crer no momento de sua chamada (Ex 3.2).

[4] A visão da sarça em chamas sem ser consumida não era para muitos. Somente o foi para um, Moisés.

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

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