domingo, 12 de setembro de 2021

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 10

José: “Irmão conte as bênçãos” 

A viagem para o Egito foi em clima de tristeza, pois foram assolados pelos pensamentos e cobranças. Vieram a tona os gritos e os clamores, do irmão para que lhe tirassem daquela cova ou para que não lhe vendessem como escravo.

Não havia mais nada por fazer, apenas a caminhada para comprarem os mantimentos que durariam alguns dias. Como desejaram que tudo aquilo acabasse rápido para retornarem, mas foram várias as preocupações durante a viagem, que os atormentaram:

  • Doenças, confusões, prisões ou morte, de alguns;
  • O aparecimento de ladrões e salteadores;
  • Encantamento com a bonança ou condições melhores de vida que encontrariam no Egito, bem diferentes de Canaã;
  • O receio de se perderem durante o trajeto;
  • Esperavam, até mesmo, reencontrarem José, no caminho mendigando, doente ou o seu túmulo;
  • Ou poderia acontecer algo com o pai Jacó, que havia ficado desprotegido em Canaã.

Imaginaram tudo, exceto serem interrogados por uma grande autoridade egípcia, que falava e entendia o idioma deles. O intérprete[1] que estava na sala, a serviço de José, não tinha função nenhuma.

A alegria de José por revê-los foi grande e nada podia ser comparado à sensação de ouvir alguém falando a sua língua. Entre os escravos e na prisão, deve ter ouvido também, pois eram de várias nações, mas certamente foram somente reclamações, murmurações e incitações à revoltas. Naquele dia ouviu, em seu próprio idioma, um pedido de socorro, vindo de seus irmãos, não tinha como segurar as lágrimas.

Seria loucura imaginarem que aquele homem tivesse a mesma linhagem semita. O sobrenome, então, não poderia sequer ser cogitado, seria uma afronta ao Egito. Se estivessem em pleno curso de suas faculdades mentais jamais pensariam em tamanho ultraje. Havia um grande abismo entre eles, mas ao mesmo tempo, era possível enxergar uma ligação, muito forte. Era algo que tinham em comum, o lastro familiar, pois todos eram filhos do mesmo pai, netos do mesmo avô e bisnetos do mesmo bisavô.

José foi amável com seus irmãos, mesmo podendo ter aproveitado a oportunidade para se vingar, mandando-os para a prisão, para que sentissem a dor que havia sentido, mas preferiu aguardar antes de tomar qualquer decisão.

A sua mente foi bombardeada, pois estava diante do possível cumprimento de seus sonhos, bastava uma ordem e seus irmãos dobrariam os joelhos e o reverenciariam, mas ouviu uma voz mansa e suave dizendo ao seu coração: “porque judiar deles? Você está no trono, eles na lona. Estão fracos, famintos e esta dor você conhece muito bem, pense no futuro e esqueça o passado”.

continua...



[1] Não havia necessidade interprete, pois José conhecia muito bem a língua que seus irmãos falavam.

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

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