sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Prefiro murmurar no deserto. As dez murmurações do primogênito. Capítulo 2

2ª MURMURAÇÃO - MOTIVO: FALTA DE ÁGUA DOCE 

Estavam de uma vez por todas engajados naquela caminhada, cansados, mas não poderiam parar, pois não tinham autorização para fixarem moradas naquelas regiões.

Mesmo não visualizando a Terra Prometida e não conseguindo imaginar a distância[1] que ainda faltava, deveriam prosseguir. Se passasse pela cabeça dos revoltosos, murmuradores ou descontentes o tempo em que ainda peregrinariam, certamente tentariam se adaptar às precárias condições de vida que aquele deserto proporcionava.

A esperança era a visão da Terra Prometida após algum monte, porém era grande a desilusão, pois avistavam somente areia, deserto, novos inimigos[2] e intermináveis problemas.

O sobe e desce do nível espiritual dos hebreus nunca ficou tão evidente quanto nos dias que antecederam e os posteriores à saída. Ficaram tão alegres e temerosos com as pragas e saída e se entristeceram logo quando deram de cara com o mar Vermelho.

A alegria demonstrada na abertura do gigante mar Vermelho e posterior morte dos inimigos deu lugar ao choro diante das águas amargas. Na verdade, não estavam reclamando de Moisés, o líder, mas de Deus (Ex 16.7,8), assim como muitos pensam e fazem hoje. Reclamar e cobrar de Moisés não era a solução para aquele problema.

Não imaginavam, mas estavam sendo vigiados. Cada passo, ação, conversa e planos. Enquanto caminhavam, as outras nações se preparavam para o temido encontro com os hebreus. A fama corria muito à frente deles (Js 2.10-11).

O retorno para o Egito até poderia ser cogitado, mas como atravessariam novamente o mar Vermelho? Será que Deus abriria novamente para passarem a seco? E os egípcios, que não foram com Faraó, na frustrada tentativa de recaptura, como recepcionaria os desiludidos hebreus quando adentrassem os portões daquela potência? Recepção calorosa ou vingança pelos muitos mortos no mar Vermelho e pelas pragas.

A primeira abertura do mar havia sido para os vitoriosos e jamais o milagre seria repetido para os derrotados. Quem sabe os egípcios os ajudariam na travessia, à base de muitas chicotadas e lhes concederia pão e água em troca dos trabalhos forçados ao extremo. Portanto, se a caminhada estava difícil, longa, dolorosa, muito mais seria o retorno.

A certeza de que Deus estava vigiando e guiando era grande, mas consideravam desnecessária aquela caminhada e não a viam como aprendizado. Durante o trajeto conheceram todo o tipo de mal que as outras nações praticavam e deveriam cuidar para não repetir quando tomassem posse da Terra Prometida.

Pela experiência adquirida no deserto, certamente não teriam dificuldades em cumprir as ordens de Deus, tão logo chegassem à Canaã. A longa viagem serviu para provarem que eram realmente dignos da Terra Prometida.

continua...

[1] A distância seria medida em anos e não em quilômetros.

[2] Até então, consideravam somente o Egito como inimigo. Não demorou muito para os amalequitas aparecerem para impedi-los (Ex 17.8-16; Nm 24.20).

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

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