domingo, 29 de agosto de 2021

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 9

Quem é este homem que está assombrando o Egito?

Todos os sábios e estudiosos do Egito ficaram alvoroçados com a decisão de Faraó em recompensar um ex-prisioneiro pela interpretação e conselhos dados.

Em uma reunião administrativa, certamente o chão tremeu, o teto veio abaixo, quando Faraó disse que não havia nenhum com condições para administrar aquela crise. O pior foi quando ouviram que a única solução seria depositar[1] a confiança naquele homem que havia interpretado os seus sonhos. Rapidamente levantarem os dados sobre José e tiveram uma surpresa, pois a ficha era extensa, não pelos crimes, mas pela qualificação e experiência:

  • Hebreu, bisneto de Abraão, neto de Isaque filho de Jacó, uma linhagem de pastores, abominação, tal como Jesus, que fora filho de carpinteiro, profissão igualmente desprezada pelos senhores do mundo, os romanos;
  • Estava cumprindo uma pena, mas era inocente. Foi preso porque a mulher era mais importante. Acharam melhor manter o controle, a paz nos corredores palacianos e a honra de Potifar. Seria arriscado colocar em dúvida o caráter de algumas pessoas. O lado mais fraco pagou. Jesus morreu pela humanidade mesmo não tendo pecado, preferiram manter a ordem de Israel em vez de alvoroçarem toda a nação. Diferentemente, neste caso, o lado mais forte pagou a sentença;
  • Não tinha formação secular necessária para o cargo, isto seria um grande impedimento. Assim como todas as outras nações e impérios, o Egito não investia em seus prisioneiros, porém estava prestes a ser beneficiado por um deles. O mundo também não auxilia ou tampouco colabora para o crescimento da obra de Deus, no entanto a igreja faz muito para ajudar este mundo que jazz no Maligno. Jesus foi rejeitado, mas oferece salvação a todos aqueles que creem no seu Nome;
  • Foi traído pelos seus irmãos, jogado em uma cova, totalmente desacreditado de seus sonhos, vendido por vinte moedas de prata, tal como Jesus que agonizou no Getsemâni, mas encontrou forças para continuar sua missão. Foi traído e vendido por um de seus discípulos por trinta moedas de prata;
  • Perdeu sua túnica, que foi dividida, rasgada e manchada com sangue de um cabrito inocente. Foi desprezado pelos seus irmãos, serviu como escravo e se tornou prisioneiro. Jesus também se esvaziou de sua Glória, veio para os que eram seus, mas não foi recebido como devia. Se fez carne, habitou entre os homens, foi esquecido, desprezado, teve as suas vestes manchadas com seu sangue inocente e repartidas entre os soldados que o crucificaram;
  • José saiu da prisão, para trabalhar em prol do Egito. Aquilo não era uma vitória, uma exaltação, havia propósitos. Da mesma forma, Jesus, morreu e ressuscitou para nos proporcionar salvação e não somente para revelar todo seu poder.

A ficha de José, em tudo se assemelhava a de Jesus. A única diferença foi na profissão do pai, pois um era filho de pastor e o outro de carpinteiro, ambas igualmente desprezadas pelos impérios dominantes de suas respectivas épocas. Todos queriam saber como aquele homem havia adquirido tamanho conhecimento? Estavam assombrados. Era um escravo, um prisioneiro, mas como poderia ser tão sábio?

Certamente não foi o Egito que investiu em sua educação e formação, mas foram os que mudaram a sua vida, por intermédio da ação de Deus, pois naquela manhã, José acordou[2] na fria e solitária prisão e dormiu, a noite, no palácio tomando decisões.

Como confiar a administração daquela potência nas mãos de um hebreuzinho, um ex-presidiário? Teria estudo, formação, condições físicas, psicológicas para o cargo? E a sua sentença? Concederiam um alvará de soltura? Trocaria a pena pelos serviços que prestaria no Egito? O que aquela nação havia feito para merecer tamanha atenção por parte de José?

Os egípcios estudavam a história das nações vizinhas e sentiram na pele a especialidade do Deus dos hebreus que sempre foi de humilhar e confundir os fortes e sábios para exaltar os fracos.

Somente Deus poderia fazê-los entregar o controle de tudo para um jovem, inexperiente, sem conhecimentos técnicos ou diplomáticos para se relacionar com outras nações, libertando-o das profundezas das prisões para dar conselho a maior potência da época.

Como deve ter sido difícil para os sábios e capacitados egípcios aceitarem aquela afronta, mas não tiveram alternativas. Faraó já havia depositado a confiança e sabia que o Deus dos hebreus estava naquele negócio. Não adiantava a torcida contra, pois todo o Egito sofreria caso José falhasse em sua missão.

Eis que tudo se fez novo no Egito, começando pelo modo respeitoso como olhariam para os hebreus. Novos tempos, mudança radical de vida e cultura, pois a fartura vista até então não existiria mais, muito menos as injustiças sociais e banquetes desnecessários.

Como José trabalhou estas mudanças em sua vida? De uma hora para outra, a libertação, recompensa, um trabalho digno, bom salário e respeito. Imaginava ser aquela situação a resposta de suas orações e o resultado de sua fé?

Ao receber poder e autoridade das mãos de Farão qual terá sido o primeiro ato administrativo de José? A sua primeira decisão foi baseada no passado ou no futuro?

Decisões baseadas em lembranças passadas certamente trazem problemas ainda maiores, portanto José pensou somente no futuro do Egito e família, sua intenção foi oferecer algo de bom para todos. Se quisesse condenar seus irmãos bastava uma única ordem, sequer precisaria levantar do trono. Tinha motivos, poder e autoridade para tomar qualquer tipo de decisão.

Mesmo no poder, conseguiu permanecer isento da cultura religiosa egípcia, afinal quem o obrigaria a fazer algo que não aprovasse? Agora era uma autoridade.

Sua administração foi um sucesso[3] e por isto conseguiram a provisão antes do temido período de fome. O acumulado serviu, inclusive, para atenderem as nações vizinhas. Certamente a decisão pelo atendimento aos necessitados[4] não partiu dos egípcios, mas sim de José. Todas as nações que sofriam com a fome procuraram o Egito, na esperança de socorro e preços justos.

Mas será que José se preocupou com a situação de sua família em Canaã? Se no Egito havia fome, imagine nas nações vizinhas.

José ainda alimentava mágoas de seus irmãos? Ou havia esquecido? Tinha esperança de revê-los? E eles se arrependeram? Ou se afligiram durante o tempo em que guardaram aquele segredo? E Jacó como estava? Como reagiria quando fosse revelada toda a verdade? Perdoaria seus filhos?

Deus precisava resolver o passado daquela família, por isso arquitetou um plano, que envolveria boa parte da Terra. Muitos sofreriam, morreriam, mas as diferenças entre os filhos de Jacó seriam resolvidas, sem contar que tudo isto aconteceu para que se cumprissem as revelações de Deus dadas a José enquanto jovem. Seus irmãos reconheceriam a sua autoridade e se prostrariam.

continua...



[1] “Acharíamos um varão como este, em que haja o Espírito de Deus"? No Egito, em Canaã, na família de Jacó, no planeta Terra, certamente não achariam.

[2] Em menos de 24 horas Deus mudou a vida de José; da prisão para o palácio.

[3] Havia muito pão e trigo no Egito, mas também havia muita fome, até que apareceu um homem com sabedoria de Deus para vender e socorrer com justiça (Gn 41.55-57).

[4] As nações se alegraram com a administração de José e diziam: “José, o senhor é bom”. Ele respondia: “Bom é Deus que me colocou neste cargo”

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

Nenhum comentário:

Postar um comentário