Apresentação da lição em power point

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Caso realengo

Não sou muito fã de desenterrar assuntos, mas faz algum tempo escrevi isto e estava esperando o momento certo. Sei que muitos podem não concordar, mas penso desta forma. Não condeno e tampouco absolvo (quem pode fazer isto), mas sei que teve muitos culpados, muitos.

AÇÃO E REAÇÃO – QUEM SÃO OS VERDADEIROS CULPADOS
Minha intenção não é defender ou justificar atos, mas sim mostrar que foram muitos os culpados. Uma lei que conhecemos muito bem e certamente muitas vezes vigiamos para que ela não venha se cumprir em nossas vidas, porém em muitas outras tanta situações, creio, não fizemos nada para evitá-la, ou sequer pensamos em suas conseqüências. A antiga lei que determina uma reação, igual ou de maior peso, para toda ação.

Por estes dias, muitos, refletiram sobre as tragédias, acontecimentos inexplicáveis, atitudes animalescas, verdadeiras aberrações aos nossos padrões humanos. Muitos pasmaram diante das cenas e testemunhos, mas pergunto: quais cenas, quais atitudes são capazes de abalar uma sociedade a ponto de haver abatimento, descrédito e reflexões mil, quais? As que caracterizaram as ações ou as que fomentaram a reação?

É cômodo sermos engenheiros de obras prontas.
É cômodo apontarmos os erros, os pecados.
É cômodo perguntarmos a Deus a origem de tal pecado. Foram os pais ou os filhos (João 9:2).
É cômodo nos auto-isentarmos dos erros e atribuirmos a culpa aos próprios autores.

A bem da verdade os fatos não nos permite quaisquer argumentos. Agora que a poeira baixou e que os fatos vieram a tona e ao conhecimento de todos, entre eles cito: infância, adolescência, amigos, contatos, vizinhos, família e principalmente os pseudos zombadores, podemos avaliar com calma os acontecimentos e teremos condições de expressar as nossas repudias, aos dois lados, ao opressor e aos oprimidos.

Recentemente tivemos em nossa igreja sede, em Presidente Prudente-SP, o Pastor Élson de Assis, vindo da capital fluminense, o qual pregou nos dois últimos dias do congresso geral de jovens, durante o período da festa do Momo.

A mensagem do último dia tratava a respeito de um conhecidíssimo personagem bíblico, Zaqueu (Lc 19), o publicano, o ladrão, o traidor, o que não era mais considerado pela sociedade judaica como um herdeiro do reino dos céus, como um filho de Abraão. O que não era digno que Jesus sequer passasse pela sua rua.

Durante a mensagem, diante de uma revelação tremenda da parte de Deus, o pastor discorreu acerca do interesse de Jesus em Zaqueu e vice versa. Todo o trabalho que teve para se alocar em uma figueira a fim de ver o Mestre bem ao longe entre a multidão.

O bonito da mensagem foi que ao subir na árvore Zaqueu sequer imaginava o que lhe aconteceria logo depois. Jesus o viu e a multidão também, antes ninguém o via. O olhar de Jesus despertou o interesse da multidão naquele homem.

Mas ele era um publicano, todos sabiam, inclusive Jesus, que ao contemplar a indignação da multidão, segundo a revelação recebida pelo Pastor Élson de Assis, desconcertou a todos com apenas uma pergunta:

- Quem é o verdadeiro ladrão nesta história toda? Zaqueu, porque é um funcionário público que decidiu trabalhar para a organização romana e que de vez em quando, vocês dizem que subtrai o valor coletado? Ninguém tem prova suficientes para acusá-lo. Ele mesmo disse que ressarciria quadriplicado caso fosse algo provado. Ou o ladrão são vocês, muitos da multidão, que subtraíram dele um direito adquirido no nascimento, a paternidade abraamica, que não o consideram mais como um filho de Abraão, o que ele ainda é mesmo diante do seu erro? Quem era o ladrão nesta história toda?

Voltando ao ocorrido, de maneira nenhuma nada justifica os fatos já conhecidos por todos, mas a reflexão é necessária, não somente dos atores envolvidos, que são muitos, entre eles os colegas, funcionários, amigos, alunos, família, vizinhos etc, mas de todos nós. Não foi a toa as recomendações de Jesus no que tange a vigilância, não somente para não pecarmos, mas sim e tão somente para não pecarmos mesmo, para não provocarmos a ira, para não fomentarmos a revolta e por fim para não contemplarmos uma reação igual ou pior do que a ação. Eu vos pergunto, quem é a culpada, a ação ou a reação? Quem tem a maior parcela de culpa?

Zombaria, agressão moral verbalizada e direcionada para uma pessoa que já enfrentava uma serie de problemas familiares e comportamentais e quem sabe outros. Independente de suas ideologias, pensamento religioso ou fraqueza de caráter cabe aqui uma avaliação destes pormenores que provocaram a ira do pseudo, agora chamado por muitos, animal.

Havia fraqueza em seu raciocínio, sim. Houve intolerância por parte de muitos em relação a sua pessoa, sim. Muitas coisas poderiam ser evitadas, sim. Precipitações, desquilibrio emocional, espiritual, também. Tudo isto não é motivo para tal barbárie, sim. Concordamos com tudo, porém, agora serei direto.

Tudo poderia ter sido evitado, não somente por ele, mas pelos seus colegas, alunos e alunas, amigos, vizinhos, família, companheiros de ideologia, etc, mas como?

1º) aquela reação não foi dele, os espirituais sabem a quem credito a autoria dos pensamentos e atitudes malignas do jovem;

2º) os pais jamais ensinam ou induzem os filhos a agirem agressivos diante de uma situação, seja ela qual for;

3º) que conselhos um pai daria a um filho que contemplasse sua namorada ou esposa nos braços de outro homem?

4º) que conselhos uma mãe daria a uma filha que fosse confundida ou maldosamente comparada a uma mulher sem escrúpulos ou pudor?

5º) como os pais se portariam caso o filho informasse que estivesse sendo vitima de zombaria, na escola, devido sua opção religiosa, sexual ou outra preferência?

Em todos estes casos acredito que os pais aconselhariam ao filho ignorar, relevar ou a entregar e deixar nas mãos de Deus. Jamais incitariam a violência, o que certamente aumentariam ainda mais a revolta, dos dois lados.

Por isto se houvesse por parte dos pais, dos zombadores e ate mesmo do zombado, uma atitude mais enérgica para que não fosse fomentado a ira em sua mente, creio que algumas partes do acontecimento poderia ser evitada. APESAR QUE FRISO QUE NADA JUSTIFICA. Mas estamos, hoje, diante de uma gama enorme de comportamentos que são constantemente alterados pelo stress, a intolerância, zombaria entre outras mazelas humanas. Como nos controlarmos diante de tantos acontecimentos?

O certo é que um tipo de reação demonstrada há 30, 40 ou 50 anos jamais será vista na atualidade. É uma carga muito pesada sobre os ombros da humanidade, provocada pelo próprio homem.

A intenção deste artigo é mostrar que muitos tiveram participação neste assunto, inocentemente ou conscientemente, contribuiriam para tudo aquilo. Como? Provocando a ira do rapaz, que anos atrás, era tido como lixo, escoria, motivo maior de zombaria em seu meio. Ele cresceu, leu, conheceu, criou ideais, externou sua revolta e antes a tivesse verbalizado tão somente, seria menos trágico, mas ele deu vida a um monstro.

Vamos batalhar para que isto não venha se repetir, vigiando, respeitando os problemas, as dificuldades, as deficiências, externas e internas, todos temos.

Quando nos depararmos com tais situações não devemos esperar que as pessoas nos implorem, de joelhos ou pelo olhar, para não zombarmos, para colocarmos um ponto final nas risadas e nos deboches. Que Deus nos ilumine para que não seja preciso a repetição desta história. Dependerá de cada um de nós, percebermos quando estes tipos de pessoas estão pedindo um basta, um por favor, chega de zombaria, me deixem em paz com os meus problemas, com a meus complexos. Deixe-me sozinho no meu mundo.

Seremos capazes de perceber este apelo?

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