Presidente Prudente (SP),

Apresentação da lição em power point

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Mais um trecho do meu livro - capítulo 2

OBEDECER SEM QUESTIONAR – EIS QUE AQUI:
Jacó enviou José para verificar a situação de seus irmãos, pois estavam distantes. O certo é que não precisariam pastorear tão longe, o que motivou esta repentina retirada de seus irmãos? Falta de pasto ou para ficarem longe devido aos ciúmes e inveja?

A preocupação de Jacó era a mesma com todos os filhos, apesar de deixar bem evidente a sua preferência.

José foi enviado para o lugar onde, supostamente, estavam os seus irmãos, se ele não havia ido antes para ajudar no trabalho iria agora com outra missão, ver como estavam e voltaria para dar as noticias ao seu pai.

Ver seus irmãos trabalhando seria uma forma de José aprender com eles, ou seja, ele veria como não deveria se portar, pois a visão que teve foi deplorável, assustadora, medonha, viu dez homens sentados, murmurando, reclamando da vida, arquitetando o mal. O fato de ter ido ao encontro deles foi justamente para ver, aprender e para ser diferente.

Mas se fosse ao contrário, se José estivesse pastoreando sozinho (como estava Davi antes de ser ungido rei por Samuel, pois cuidava do rebanho enquanto seus irmãos esperavam pela suposta unção) e se fosse seus irmãos enviados por seu pai, será que iriam? Ou na metade do caminho voltariam com noticias falsas para Jacó? Ou não mexeriam uma única palha para mudarem a situação de José caso fosse preciso?

Isto prova que não são todos os que respondem “eis me aqui” quando são incumbidos de uma missão, por isso que restava somente a José dar esta resposta a seu pai. Os que respondem prontamente são aqueles que:
• estão constantemente na presença do pai;
• gostam de seus irmãos;
• tem interesses;
• objetivos;
• metas;
• não temem o perigo, as distâncias ou dificuldades.

José estava sendo enviado como um cordeiro inocente para encontrar lobos famintos. Esta era a chance que eles estavam esperando para resolverem os seus problemas.

Jacó era conhecedor do plano que Deus tinha com sua família, por isso, zeloso, ordenou ao seu filho que fosse averiguar, espiar a situação de seus irmãos, mas não imaginava que ao pedir que voltasse logo, estava na verdade se despedindo de seu filho, não era um até logo, mas sim um até daqui uns anos.

REPETIÇÃO DA HISTÓRIA
Abraão, havia feito o mesmo com Isaque, quando o levou como um cordeiro para o sacrifício, acreditando que os dois voltariam sãos e salvos, da mesma forma, Jacó esperava o seu breve retorno. No seu entender Deus daria mais um livramento para seu filho, durante o cumprimento desta missão. Somente não esperava que fosse demorar alguns anos.

José obedeceu prontamente as ordens do pai e foi ao encontro de seus irmãos, porém no meio do caminho se perdeu, mas como sempre acontece, nestas circunstâncias, ele foi auxiliado por um varão que lhe indicou o caminho correto.

A juventude e a inexperiência foram obstáculos que impediram José de contemplar a intervenção Divina em sua vida. Aquele varão não era um qualquer, por isso ele creu em suas palavras e tomou a direção indicada. Em circunstâncias semelhantes aconselhamos alguém a agir desta forma? Orientamos a acreditarem no primeiro que aparece? Somos ensinados pela Palavra a vigiarmos, a sermos prudentes, oramos e buscarmos em Deus.

Aquele varão conhecia a intenção de José, sabia o seu destino e o desejo do teu coração e demonstrou toda sua preocupação com ele. Jamais o deixaria perdido e fora do rumo.

Ele não precisava ter perguntado o motivo que levara José aquelas terras, mas era necessário que ele mesmo declarasse que ainda não havia desistido da sua missão, mesmo estando em dificuldades.

O varão lhe indicou o caminho correto, mas ao dizer que havia ouvido os seus irmão dizerem que iriam para Dotã, ele estava revelando a sua onisciência, onipresença e onipotência, ou seja, ele não disse que estava ao lado dos irmãos, disse simplesmente que ouviu. Não restava duvida quanto a identidade do varão.

Da mesma forma como acontecera com seu pai, que um dia teve que optar por um destino para fugir de seu irmão Esaú, agora ele decidia acreditar para encontrar os seus futuros algozes.

O seu bisavô Abraão também enfrentou o mesmo dilema ao se deparar com uma situação onde teve que escolher um caminho para se separar de seu sobrinho. Pelos seus olhos escolheu o lado que lhe podia oferecer a vitória, pois ele não estava preocupado com a continuidade de seu rebanho, mas sim da sua descendência. José acreditou no varão, não duvidou e seguiu o caminho indicado. Ora se Deus houvera visitado os teus ascendentes no passado não teria o porque de não visitá-lo também.

Seus irmãos o viram de longe e a princípio, pensaram em matá-lo, mas resolveram somente vendê-lo como escravo aos midianitas (descendentes do filho de Abraão e Quetura).

Mas antes de concretizarem a venda jogaram José numa cova e deixaram-no, sem água, sem comida, humilhado, tiraram-lhe tudo, exceto a vida. Para completar a crueldade comeram ao lado da cova sem ao menos demonstrarem preocupação com ele. Cada um pegou as suas duas moedas de prata e livres de qualquer tipo de culpa continuaram seus trabalhos, mas como usaram este dinheiro? Esconderam de Jacó? Rendeu algo? Prosperaram? Resolveram o problema ou criaram outro pior?

Uma história semelhante a de Jó, inclusive no desfecho final, pois os dois alcançaram a vitória a partir do momento em que desviaram a atenção de suas respectivas situações e focaram nos problemas de outros e não propriamente nos seus. O primeiro poderia ter se recusado a orar pelos seus amigos, enquanto que o segundo, um dia teve o poder e os todos os motivos do mundo para se vingar de seus irmãos, porém os dois agiram de forma diferente da lógica humana.

Esta situação não somente igualou José aos seus irmãos, mas também o desqualificou, tirou-lhe o valor, cultura, família, as prerrogativas de filho predileto e conforto que até então havia experimentado.

Assim ficou caracterizado a chamada de José e da mesma forma como seu bisavô, Abraão, ele também teve perdas materiais no momento em que disse sim ao chamado:
• perdeu a sua túnica, presente de seu pai;
• perdeu a liberdade, pois foi jogado numa cova e vendido como escravo;
• perdeu sua dignidade, honra, nome, família, cultura, passado e sonhos;
• foi acusado, sendo inocente, preso sem julgamento e ficou refém da ingratidão.

Este foi o momento de maior tristeza da vida de Jacó, pois ao ver as vestes ensangüentadas de seu filho julgava que nunca mais tornaria a vê-lo. Estava passando pela mesma situação que seu pai enfrentou quando, jurado de morte, fugiu para Padã-Arã, ficando por muito tempo sem dar notícias, porém entre estes episódios havia uma grande diferença, Isaque ainda tinha esperança de reencontrar um dia seu filho, enquanto que Jacó estava diante da constatação da morte de José, que tanto amou.

Jacó, mesmo depois daquela trágica notícia, sabia que a história não terminava ali, poderia até mesmo demorar, mas Deus honraria as promessas feitas ao teus antepassados. Não poderia ser aquilo um pagamento pelos seus erros e mentiras do passado? A sua consciência o acusava dia e noite. Assim como enganara seu pai, estava ele, agora, sendo enganado pelos seus próprios filhos.

Mas será que Jacó creu em toda a história contada pelos seus filhos? Será que sabia distinguir sangue animal de humano? Era homem de oração, por isso deve ter buscado um refrigério para sua alma.

Imaginemos que ele não tivesse acreditado na história e começasse a interceder pelo filho todos os dias, pedindo a Deus que guardasse ou trouxesse ele de volta. Deus teria um argumento para sossegar o seu coração de pai. Porque antecipar o reencontro com José, ou permitir o seu retorno, sendo que voltaria pobre, doente, sujo, sem autoridade nenhuma, os conflitos na família continuaria e até mesmo aumentaria. Não seria melhor agüentar mais um pouco, esperar mais uns anos, para que ele voltasse rico, com poder e autoridade, cheio de vida e saúde?

Mas não foi isto que aconteceu durante o desenrolar da história, somente o desfecho ocorreu, mas demorou muito.

Extraído do livro: Criado, eleito, perdido e resgatado. Autor: Ailton Silva (em fase de revisão)

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