Presidente Prudente (SP),

Apresentação da lição em power point

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Qual era a missão de Neemias?

1ª FASE – RECONSTRUÇÃO DO MURO E PORTAS
Tudo começou com aquela simples pergunta (1.2). Porque demonstrou tanta preocupação com os judeus e Jerusalém?

Distante cerca de 1600 km, alheio aos problemas da cidade e do povo, até então, não teria necessidade de flagelo pela situação deles. Afinal, deveria existir homens naquela cidade? Autoridades? Crentes? Fieis?

Sempre teve boas intenções e demonstrou querer bem aos judeus, por isto logo de início foi sabatinado pela comissão de boas vindas (2.10). Este foi o empurrão que precisava. Resolveu de vez colocar em prática o que Deus havia colocado em seu coração ainda em Susã.

Foi acusado de rebelião (2.19), mas naquele momento ele nos ensinou como nos portar diante da oposição (2.20). Declarou em alta voz a sua vitória e proferiu a sentença de seus, já declarados publicamente, inimigos. Eles não teriam memória em Jerusalém e realmente não tiveram, pois em nenhum momento, tanto ele quanto Esdras, se preocuparam em relacionar o nome dos três em algumas de suas inúmeras relações, a não ser que tivessem algo mais ou menos parecido com isto: “relação dos inimigos que perturbaram a ordem de Jerusalém durante a reconstrução, a saber: Tobias, Sambalate e Gésem”.

Quando Neemias contemplou a reconstrução a pleno vapor, iniciando-se pela porta das ovelhas (3.1), talvez ele tenha se imaginado um verdadeiro líder, influente, quem sabe neste momento ele não tenha entendido que a sua missão era somente aquela, ser um mestre de obras e pronto.

Mas durante a trajetória da reconstrução foi se revelando um verdadeiro pastor, zeloso pelas ovelhas e pela cidade e que acima de tudo não fazia nada para a sua promoção ou bel prazer:
• Respondeu a alturas as provocações dos inimigos (4.4-5);
• Resolveu a problemática do povo com sabedoria e lisura (5.14-16);
• Disse não as ofertas e convocações dos opositores (6.1-5);
• Não deixou nascer no coração a semente que foi semeada pelos inimigos, quando lhe acusaram do desejo de se tornar rei (6.6). aquilo foi invenção do coração dos inimigos e não estava no dele;
• Com sabedoria recusou a refugiar-se no Templo. Tinha autoridade para a reconstrução, mas não tinha para aquilo a que estava sendo forçado (6.12).

Com tudo isto Neemias ganhou a confiança do povo e terminaram a obra após longos 52 dias de trabalhos (6.15). Aquela visão atemorizou os inimigos, que reconheceram que tudo havia sido obra das mãos de Deus. Ora quem mais poderia ter feito tudo aquilo nos corações dos judeus?

Talvez Neemias tenha recebido uma pequena carta para marcar a sua despedida:

“Neemias, já providenciamos a baixa de sua CTPS, pois a sua missão foi cumprida. Você é um homem de palavra e se portou como um digno servo de Deus. Retorne em paz para Susã. Toda Jerusalém lhe é grata”. Assinado: povo de Jerusalém.

2ª FASE – RESGATE DO MINISTÉRIO
Após o termino daquela grande obra, Neemias estava livre de qualquer obrigação, poderia ir embora, mas resolveu ficar por alguns dias, por quê? Diante do muro ele olhou para trás e viu um povo, desgarrado, sem pastor, distante de Deus, totalmente descrentes e entendeu que sua missão não era somente material, tinha mais por fazer naquela cidade. E diga-se, de passagem, ele tinha condições para dar continuidade.

Ele estabeleceu porteiros, cantores e levitas, pois já estava preocupado com o ministério deles (7.1). Orientou quanto ao fechamento das portas durante a noite e a abertura ao amanhecer, daqui para frente teriam regras (7.3).

Fez uma justa homenagem genealógica aos que subiram ao cativeiro e aos que retornaram. Foram 42.360 mais servos e servas, quase 50.000, abnegados e vitoriosos, que acataram a ordem do retorno e que acreditaram na proposta de Neemias (7.66). Esta foi uma forma bonita e singela de demonstrar sua gratidão.

Quando o povo implorou pela leitura da Lei (8.1), muitos obreiros foram resgatados e colocados a retaguarda de Esdras (8.4) e todos os levitas se misturaram ao povo para ensinarem e explicarem o sentido daquelas palavras que estavam ouvindo.

Ao final desta grande festa, Neemias deve ter recebido um bilhete no qual leu:

“Neemias, o muro e Templo estão reconstruídos, as portas levantadas, os obreiros resgatados e encaminhados para os seus setores de trabalhos. Retorne em paz para Susã, para os seus afazeres. Obrigado, bom homem de Deus”. Assinado: ministério local.

3ª FASE – RESGATE DO FERVOR RELIGIOSO DO POVO:
Realmente Neemias poderia ter ido embora ao final da 1ª fase, mas ele entendeu que não era somente o muro o grande problema de Jerusalém. Ao final da 2ª fase, aconteceu o mesmo, pois de que adiantaria a cidade cercada, em segurança, os obreiros animados a seus postos, mas se o povo continuava dispersos, desatentos, desinteressados e incrédulos.

O resgate do fervor religioso do povo, na verdade, foi a mola propulsora para que os sacerdotes e levitas recobrassem os seus ânimos, pois no momento em que imploraram pela leitura da Lei, alguns dos responsáveis por este trabalho se apresentaram para atenderem ao pedido dos judeus (8.4). Isto reavivou os dois lados naquele dia, tanto o povo quanto os sacerdotes e levitas (8.9-12).

Hoje, não seria necessário todo este desprendimento, pois todos possuem as suas Bíblias, seja qual modelo e versão for, e todos conhecem o seu próprio idioma, o velho e bom português, mas a diferença é gritante quando observamos a sede demonstrada, naquele dias, pelos judeus, justamente o que não é visto nos dias de hoje.

Após o momento de exposição da Palavra (leitura, ensino, explicação, entendimento e aplicação) restava somente ao povo um caminho a trilhar, o concerto, é claro, antecedido pelo arrependimento e confissão dos pecados (9.1-2).

A assinatura ao final, de todos (9.38), dava a Neemias a garantia de que permaneceriam na obediência e temor. Então ele poderia ir embora, pois realmente a sua missão havia chegado ao fim. Talvez ele tenha recebido um outro bilhete:

“Obrigado, Neemias por tudo! Você nos ajudou muito e Deus seja louvado pela sua vida. Daqui para frente nos estaremos constantemente nos dedicando as coisas de Deus no temor e tremor”. Assinado: crentes de Jerusalém.

4ª FASE – A GRANDE FESTA PARA COMEMORAREM A OBRA DE DEUS
Neemias poderia ter ido embora ao final da 3ª fase, pois os sacerdotes e levitas, reintegrados cada um ao seu posto, dariam continuidade a obra, mas creio que ele deve ter visto tudo aquilo e imaginado que faltava algo para marcar definitivamente, não somente eles, mas todas as gerações que se seguiriam após.

Uma grande comoção na cidade, santa convocação, todos foram reunidos, povo, sacerdotes e principalmente os levitas (12.27), pois seriam os responsáveis pela administração da festa.

Que grande alegria (12.43), que foi ouvida ao longe, os vizinhos idólatras admirando e os inimigos temendo. A fortaleza foi reerguida, contemplem a nossa riqueza reconstruída (Ed 6.15 e Ne 6.15), ai mesmo do lado de fora, pois agora estamos protegidos. Pelo muro e portas? Não, pela nossa fé em Deus que foi restaurada.

Todos participaram, ninguém ficou em suas casas, também como poderiam diante de tanta alegria. Se fosse hoje, certamente alguns assistiriam confortavelmente em suas residências, por transmissão via satélite, tv paga, internet, 3G, Wi-fi, ou por telões, data-show. Certamente o público alcançado seria maior e todos os judeus espalhados pelo mundo se regozijariam. Quantas caravanas não chegariam à cidade nos dias posteriores. O próximo resgate poderia ser o comercial e turístico.

Que festa grandiosa e inesquecível, com frutos duradouros. O que poderia abalar a estrutura do povo?

O serviço no Templo restaurado, sacerdotes e levitas trabalhando com alegria e o povo servindo a Deus no temor. Não tinha mais o que ser feito naquela cidade. Neemias não era um conquistador como Davi (II Sm 7.9), tampouco diplomata como Salomão (I Re 3.1; 5.1; 10.1), então a sua missão terminava naquele momento. A festa de dedicação dos muros serviu também como despedida para aquele bom homem. Quem sabe ao final da comemoração ele tenha recebido uma placa comemorativa:

“Neemias, servo do Deus altíssimo. Toda Jerusalém é grata pelos seus serviços. Deus seja louvado e lhe guarde na volta para Susã”. Assinado: todos de Jerusalém.

5ª FASE – O RETORNO: A MISSÃO - PARTE 2
Depois de alguns dias em Susã, Neemias renovou sua licença e retornou a Jerusalém, mas por qual motivo? Será que novamente foi avisado da situação da cidade? Outra vez recebeu a notícia de que estavam em miséria e desprezo? Pelo menos não tinha diferença entre o primeiro estado e o atual. Ou simplesmente os 12 anos de serviços lhe bateram no coração como saudade. O desejo de rever a cidade de seus antepassados.

O que imaginava durante a volta? A cidade ainda estaria respirando os ares do avivamento? Estariam ainda se deliciando com o fruto do concerto? Ou a corrupção já teria batido nas portas de Jerusalém?

Primeira impressão é a que NÃO fica, prova disto foi a situação em que ele encontrou a cidade antes da reconstrução, mudou completamente. Agora não seria diferente.

Logo de início contemplou o mal no aparentamento do sacerdote Eliasibe a Tobias (13.4) e do neto do sumo sacerdote a Sambalate (13.28). Mais uma volta pela cidade e descobriu que Tobias fora agraciado com uma câmara no Templo (13.7). Esta foi a gota d’água. Entraria em ação o velho e bom Neemias do passado. A sua indignação com tal permissão foi pública e notória e de propósito (13.8), pois todos deveriam compreender o mal que fizeram em Jerusalém. A ele pouco importava a reação do interessado e muito menos de seus aliados.

Ordenou a purificação da câmara para o restabelecimento de suas funções anteriores (13.9), pois era o local destinado a guarda dos utensílios, ofertas de manjares e incenso.

Chamou de volta os levitas e lhes assegurou o sustento, pois com a presença do intruso no Templo as ofertas e arrecadação caíram e desta forma o sustento dos levitas foi prejudicado, por isto voltaram para as terra, roças (o lugar deles não era este). Neemias organizou novamente aquela câmara, nomeou tesoureiros, pois a os dízimos e ofertas voltaram (13.12).

O Templo já estava purificado, então Neemias resolveu dar outra volta na cidade e contemplou o trabalho e o comércio no dia em que deveriam estar na presença de Deus (13.17). Ao contender com os magistrados sobre esta permissão ele revelou aquele que foi um dos motivos do exílio. Corriam perigo novamente.

Com os mercadores bastou apenas uma atitude e uma palavra. Fechou as portas no por do sol do dia sagrado e deu o ultimato a eles (13.21). Depois disto nunca mais vieram ao sábado.

Mas agora vem a parte cruel, quando contemplou algumas mulheres diferentes, com seus filhos falando outra língua (a língua da mistura), que decepção (13.23-24). Contender com eles seria pouco, por isto, amaldiçoou, espancou alguns, talvez os que resistiram as suas palavras, arrancou alguns cabelos, deles, e os fez jurar que não mais cometeriam tal torpeza. Ai de quem não jurasse.

Teve um que chegou depois, bem quietinho, afinal era o neto do sumo sacerdote, vamos respeitar ele? A esposa dele era uma horonita, filha de Sambalate, o mesmo que fez de tudo para impedir a reconstrução dos judeus. A este jovem, neto do sumo sacerdote, Neemias disse apenas: “Suma da minha frente” (13.28).

Quando as duas autoridade de Jerusalém souberam da mistura, tiveram reações bem diferentes (Ed 9.3-8; 10.2), mas todas foram necessárias.

Assim terminou Neemias, enfim, a sua missão, que não foi apenas material, tampouco se limitava ao resgate do povo, do ministério, dos serviços no Templo, mas sim foi bem mais profunda e serve de reflexão e lição para a igreja atual. A vigilância, o cuidado com o rebanho com as coisas de Deus e o zelo pela obra são importantíssimos no tocante ao progresso da obra.

Ao final do capítulo 13, Neemias então respirando o ar de satisfação, pois agora terminava sim a sua missão, ele não contemplou, pois não tinha placa alguma, mas um dia ele ouvirá, assim como muitos:

“Vinde, bendito de meu Pai e possui por herança o reino” (Mt 25.34).
“Sobre o pouco foste fiel, então sobre o muito te colocarei" (cfe Lc 19.17).

Por: Ailton da Silva

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