Páginas

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Escatologia - aula 1

1) CONCEITO

Escatologia, do grego “eschatós” (último ou fim), e “logos” (estudo, razão, tratado ou conjunto de ideias) é definida como o estudo das coisas ou eventos que hão de acontecer na história da humanidade. Também diz respeito aos eventos que já aconteceram ou que estão acontecendo, mas que estão intimamente ligados entre si, pois fazem parte do plano de Deus para restauração da humanidade.

Portanto, Escatologia, diz respeito a doutrina dos acontecimentos finais (Ap 1.19), previstos na Palavra (Ef 3.11; Is 46.10; Ap 1.1), através de profecias especificas de homens inspirados por Deus e por intermédio de Jesus. 

“O homem fala com Deus por intermédio da oração

e Deus fala com os homens através da revelação.” 

A Escatologia é gradativa, começa antes da fundação do mundo, é citada em Gênesis com a criação e termina em Apocalipse com a consumação dos séculos (Is 46.10; Ap 22.13). Nada acontece no mundo sem Deus notificar sua vontade aos homens (Gn 18.17; Jó 33.13-18; Sl 25.14; Is 44.6-8).

 

2) IMPORTÂNCIA

O estudo sobre a Escatologia é tão importante e necessário quantos as outras disciplinas, pois trata-se de revelações vindas de Deus diretamente para a humanidade e que estão contidas somente na Bíblia. Outro fator que comprova a importância da Escatologia é a expressividade do assunto nos dias atuais, já que é comumente abordado em mensagens e diante das várias interpretações, conceitos, filosofias, esoterismo e pontos de vista, torna-se necessário o ensino para a Igreja e os desavisados.

 

3) FINALIDADE

O estudo escatológico prima pelo esclarecimento a respeitos dos acontecimentos futuros, bem como sobre os que já aconteceram e que fazem parte do plano de Deus, porém todos os estudos, por mais profundos que sejam, jamais encerrarão o assunto.


4) ATUALIDADE DA ESCATOLOGIA

Na atualidade é quase impossível alguém afirmar que não tem conhecimento, acesso ou nunca foi esclarecido sobre o assunto. Os eventos escatológicos provocam fascínio na humanidade, pois são confundidos com previsões futurísticas ou “coisas ocultas” que somente alguns possuem o poder para decifrá-los e revela-las. Estes conceitos errados são facilmente jogados por terra, quando confrontados com o que está revelado na Palavra de Deus em relação ao estado dos mortos, vinda de Jesus, arrebatamento, Bodas do Cordeiro, Grande Tribulação, atuação do Anticristo, governo de Cristo na Terra, Juízo Final e sobre a Nova Jerusalém.

 

5) ENSINAMENTOS ERRADOS SOBRE A ESCATOLOGIA

Um dos maiores problemas da humanidade na atualidade, em relação ao entendimento e compreensão dos eventos escatológicos é justamente a falta de afinidade com o Espírito Santo (I Co 2) de muitos lideres e aventureiros religiosos, além da falsa aplicação da Palavra em relação aos eventos futuros, que juntamente com incorreta interpretação histórica dos acontecimentos do passado, envolvendo tempo, espaço e local, acabam deturpando a verdade. Deus, em sua infinita sabedoria, permitiu que muitos pontos fossem de difícil interpretação (II Pe 3.15), justamente para que a humanidade ficasse refém destes aventureiros religiosos que miram somente a promoção midiática ou recursos financeiros.

 

6) AUTENTICIDADE ESCATOLÓGICA

Os temas escatológicos são encontrados nos livros de Mateus, I e II carta aos Tessalonicenses, Joel, Zacarias, Ezequiel, Daniel e Apocalipse, sendo que estes dois últimos são considerados livros de revelação sobre os acontecimentos finais. Daniel é o livro do Antigo Testamento sobre o assunto, e Apocalipse o livro do Novo Testamento, estando ligados e combinados entre si. A realidade escatológica destes dois livros foram  atestados por Jesus durante seu ministério terreno (Mt. 24.15; Ap. 22.16). 

continua...

Fonte: Apostila Curso Básico de Teologia do SETEM – Seminário Teológico Manancial. Elaboração: Pb. Ailton da Silva

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

domingo, 19 de setembro de 2021

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 10

A revelação do século

Antes de se revelar José ordenou que todos os egípcios saíssem, pois somente os filhos de Abraão poderiam presenciar os fatos que se seguiriam. Os irmãos ficaram assustados, imaginando que talvez conhecesse a história de seus antepassados hebreus, ou que fosse algum descendente dos filhos de Abraão com Quetura, de Ismael, Esaú ou um dos hicsos[1].

O espanto seria maior caso José ordenasse que ficasse na sala somente os filhos de Jacó. Certamente olhariam para os lados na esperança de verem o irmão vendido como escravo aparecer maltrapilho, sujo, doente ou imundo. Poderiam pensar que aquele autoridade egípcia julgaria os erros do passado.

Joelhos tremendo, dentes batendo, ossos desconjuntados, corações acelerados, adrenalina a mil, espanto geral, vestes rasgadas, prantos no último volume, gritos de desespero, homens caindo ao chão clamando por misericórdia e perdão. O passado foi remexido para que houvesse a reconciliação entre os filhos de Jacó.

José se revelou[2] diante de um silencio. Todos pasmados sem forças para interrompê-lo. Seus irmãos esperavam a sentença, mas novamente foram surpreendidos ao ouvirem o testemunho das bênçãos e providências recebidas de Deus naquele lugar. Nada de vingança.

Como é difícil imaginarmos o desabafo e a emoção daqueles homens que por tantos anos guardaram um segredo, enganando o próprio pai.

Foram necessários quinze versículos, do capítulo quarenta e cinco do livro de Gênesis, para que José contasse toda a sua trajetória. Da cova, sua primeira morada e primeiro estágio, até o trono, para receber o reconhecimento no Egito:

  • 1 – Somente os da linhagem abraâmica presenciaram aquela cena;
  • 2 – Os gritos que para os egípcios pareciam choro, para José foi a sensação de vitória, alegria e voz de júbilo, libertação do passado;
  • 3 – José revelou sua identidade, mas a voz quase não saiu quando perguntou do pai;
  • 4 – Chamou-os para perto. Foram com medo, pasmados e boquiabertos;
  • 5 – Alegria, por fora, mas no interior, angústia, medo e temor pela reação do irmão. O pior foi ouvirem que tudo o que havia sido permissão de Deus, para que a sua vida fosse preservada;
  • 6 – Sua missão foi administrar todos os mantimentos do Egito durante o período de fome.
  • 7 – José resguardou a nação egípcia e seus vizinhos da fome e foi importante na conservação de sua linhagem e história;
  • 8 – Se tornou pai de Faraó, senhor de toda a sua casa, regente de toda a terra do Egito. Isto era para deixar qualquer um de boca aberta e com inveja[3];
  • 9 – Eles reverenciariam o irmão e seriam os agentes que comunicariam as boas novas ao pai;
  • 10 – Deveriam buscar o pai para contemplar a vitória da família;
  • 11 – Seriam sustentados por José durante os anos que ainda restavam de fome;
  • 12 – Para que não duvidassem de sua história, José usou Benjamim como testemunho;
  • 13 – Deveriam contar a Jacó toda a glória alcançada por José no Egito;
  • 14 – Benjamim olhou e viu ali um exemplo a seguir. Como foi bom ver seu irmão trabalhando, que visão maravilhosa, bem diferente daquela que José teve quando viu seus irmãos pastoreando, quando cumpriu a última ordem do pai;
  • 15 – Acabaram as palavras, as lágrimas não. Se abraçaram e choraram.

José primeiramente abraçou Benjamim e depois aos outros. A reação do jovem foi instantânea: “É você o José que nosso pai Jacó sempre falou”? Depois olhou para os outros e disse: “Ele não é nada daquilo que vocês me falaram. O nosso pai estava certo. Quando eu crescer quero ser igual a ele. Um grande exemplo para mim”.

O problema que anteriormente era de José, foi transferido com sabedoria, para os seus irmãos, pois como contariam ao pai toda a história? Não era somente chegar e anunciar que José estava vivo, antes teriam que revelar a farsa da morte, deveriam pedir perdão ao pai para depois se alegrarem todos juntos.

José ordenou que seus voltassem a Canaã para trazerem todos para o Egito. Os irmãos refletiram no caminho e encontrariam uma forma de repararem o erro[4].

Com o passar do tempo se sentiram culpados pela tristeza do pai, mas agora estavam livres daquela tenebrosa angústia. Verdadeiramente estavam libertos.



[1] Povos semitas que dominaram por um bom período o Egito antigo, que foram favoráveis e gratos à administração de José.

[2] A revelação do século: “Eu sou José, o vosso irmão”.

[3] Não invejaram o trono de José, pois aquilo era obra de Deus, mas tiveram inveja de uma túnica, obra humana.

[4] Os irmãos iniciaram a historia com uma mentira e deveriam termina-la com uma verdade. Eles deveriam matar o que estava matando eles para que sentissem o tempo de cura na vida deles (Ec 3.3)Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

sábado, 18 de setembro de 2021

Anticristo. A solução material com implicações espirituais! Capítulo 9

 

E) A IDENTIDADE DOS 144 MIL:

Além dos mártires oriundos de todos os povos e nações, haverá um grupo de 144 mil judeus que proclamarão o Evangelho do Reino durante o governo do Anticristo, não temendo pelas próprias vidas.

Estes serão israelitas, conversos a Cristo logo após o arrebatamento da Igreja (Ap 7.1-8; 14.1-5), que farão parte de uma grande colheita de almas, precedendo a conversão nacional de Israel, que se dará no final da Grande Tribulação (Zc 12.10-14).

Este remanescente de judeus fiéis será necessário para que as alianças feitas com Abraão (Gn 12.1), com os libertos do Egito no deserto (Dt 30.1-10), com Davi (2 Sm 7.12-16) e com os profetas não sejam anuladas ou esquecidas. Foram estas alianças que deixaram explícita a posse de Canaã, a perpetuidade da nação, o reinado dos descendentes de Davi e o envio do Messias.

Este grupo de fiéis pregadores anônimos, assim como foram os sete mil fieis em Israel (I Rs 19.18) e os crentes de Chipre e Cirene (At 11.20-21), se manterá fiel e não se contaminará com o mundo (Ap 14.3-5) e em suas bocas não se achará engano. Serão chamados de “virgens” e serão considerados as primícias de Deus, os primeiros da grande colheita (Ap 7.1-8).

Os 144.000 receberão uma recompensa grandiosa, pois serão tomados pelo próprio Deus. Receberão um selo em suas testas, bem visível (Ap 7.3), para indicar a consagração a Deus e para provar que pertencem a Ele (cf Ap 7.3; 9.4; Ez 9.1-6).

Este sinal os identificará como servos do Deus Altíssimo, mas não os isentará das perseguições e do martírio (Ap 7.3, 14) promovidos pelo Anticristo. Terão o privilegio de aprenderem e não somente cantarem, o cântico novo que será entoado diante do trono (Ap 14.3-5).

continua...

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Prefiro murmurar no deserto. As dez murmurações do primogênito. Capítulo 2

A MURMURAÇÃO

Os hebreus partiram em direção à Terra Prometida, cada vez mais confiante nas intervenções de Deus. A certeza era que sempre seriam socorridos, quando estivessem com problemas, nada mais justo, para um povo, que até então, não havia levantado um dedo sequer para se defender ou para mudar o caos.

Muita confiança e pouca demonstração de conversão. Era esta a situação espiritual dos hebreus. Seria inadmissível imaginarem que o tão sonhado território seria avistado e pisado logo aos primeiros dias da caminhada. Até poderia ter sido, caso Deus tivesse permitido que repetissem o caminho feito por José, quando da sua ida como escravo ao Egito. Seriam poucos dias, mas por outro lado estariam vulneráveis aos ataques dos avançados, temidos e bem aparelhados filisteus. O caminho mais curto seria também o mais perigoso.

Israel ainda não estava preparado para enfrentar um inimigo deste porte. Seria melhor dar a volta e enfrentar opositores não tão poderosos, assim ganhariam experiência, que seria útil, quando adentrasse Canaã, já que ali a luta seria ferrenha.

Para quem havia visto a maior potência da época sucumbir diante de seus olhos, que fim imaginavam para estas pequenas nações que se atreveram a barrar a caminhada em direção à Terra Prometida.

Já refeitos do grande susto, após o desfecho no Mar Vermelho, os hebreus seguiram viagem em direção ao deserto de Sur, lugar hostil, onde avistavam somente pedras e areia.

Andaram por três dias e não encontraram água. Outro grave problema a vista, mas estavam tão confiantes nas providências de Deus que se imaginaram vencendo toda e qualquer dificuldade. A qualquer momento o extraordinário aconteceria em favor deles, seria questão de tempo, no entanto, pela primeira vez foram vencidos por um pequeno detalhe, insignificante e de grandes proporções, ao mesmo tempo, algo de vital importância para a sobrevivência naquele deserto, a falta água doce.

Um alívio parece ter assaltado o coração deles quando avistaram águas, mas a decepção veio na mesma velocidade da alegria. Faltou coragem como no mar Vermelho, pois tanto ali quanto lá, não apareceram os corajosos, os valentes para serem os primeiros a entrarem no mar seco ou para tomarem aquelas amargas águas.

Foi muito fácil cantar depois de verem os egípcios mortos na praia ou foi ainda muito prazeroso descansar sob as sombras da palmeiras de Elim com fartura de água doce, mas o difícil foi enfrentar as duas situações anteriores.

Praticamente seriam obrigados a tomarem águas amargas, portanto não estavam errados em reclamarem, estariam sim, caso a água fosse boa para o consumo ou se tudo estivesse correndo bem, mas naquelas condições não aceitaram o que estava sendo oferecido. A visão deles contrastava com o desejo de Deus.

Teria sido esta a primeira murmuração com fundamento? Foram corretos em transparecer a insatisfação? Quem poderia questioná-los? O que mais se ouvia no meio do povo era: “Que Deus é este? O que Ele está querendo de nós? Por que nos tirou do Egito para morrermos no deserto”?

Onde encontrar água para saciar a sede de todos? De onde e como apareceria água potável? Mesmo que todas as janelas do céu fossem abertas, ou que águas brotassem[1] da terra, jamais seria suficiente. Como crer no impossível? Por isto foram impelidos ao deserto, por Deus. Naquele lugar conheceriam quem era o “Eu Sou”, o Único e verdadeiro. 

“Então chegaram a Mara; Mas não puderam beber as águas de Mara, porque eram amargas: por isso chamou o seu nome Mara. E o povo murmurou contra Moisés dizendo: Que havemos de beber?” (Ex 15.23-24). 

Bateram na porta e nada, buscaram e nada encontraram. Pediram e não receberam. Então que tipo de reação poderia vir de todos aqueles desesperados?

O fato de somente encontrarem águas amargas provocou um princípio de revolta, dando origem a mais uma murmuração, já que naquela fração de segundo se esqueceram que aquela situação era nada se comparada ao que já tinham passado.

Se esqueceram das operações no Egito ou da abertura do mar Vermelho? Para quem havia visto obras maiores e agora diante de uma situação, até certo ponto em relação às anteriores, de menores proporções, duvidar que Deus pudesse transformar aquelas águas amargas em doce, é realmente inadmissível. Somente uma palavra seria suficiente para mudar aquele caos.

Os hebreus se deparavam novamente com uma dúvida cruel, a fidelidade seguida da bênção ou a incredulidade e desaprovação por parte de Deus? Se conseguissem suportar e mostrar-se-iam fiéis, seriam livres das enfermidades[2], caso contrário sofreriam, tal como Egito sofreu.

Esta foi uma murmuração que poderíamos considerar justa, pois além da água ser de essencial importância para vida humana, teríamos que levar em conta outra questão. As águas sendo amargas não era de todo o maior problema, mas sim o fato ser a única opção e para piorar a situação, estavam sendo empurrada goela abaixo, caso quisessem viver deveriam saciar a sede com aquilo que tinham.

Os hebreus não aceitaram e murmuraram. Se era difícil se comportarem quando tudo corria bem, imaginem tendo naquela situação caótica?

continua...



[1] Como ocorreu no dilúvio, com Moisés e o capitão em Samaria (Gn 7.11, cf Nm 11.22; 2 Rs 7.2).

[2] Nunca seriam vitimados pelas mesmas enfermidades (Ex 26.26). 

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Neemias: como sair do anonimato - Capítulo 14

2) A CONTAMINAÇÃO DO MINISTÉRIO:

Mesmo com todos os fatos ocorridos, pós avivamento, o povo permitiu que o Templo fosse profanado, através de aparentamentos ilícitos e por concessões a homens que não deveriam se imaginar em tais condições.

Talvez durante a primeira administração de Neemias tenha havido este tipo de pensamento entre autoridades religiosas, mas a presença forte do líder inibiu qualquer tentativa de mistura e contaminação.

Mas tão logo Neemias voltou para Susã, Eliasibe, o sacerdote, não somente concordou com o parentesco como também introduziu Tobias no Templo e o acomodou confortavelmente, tirando de uma das dependências o azeite, ofertas, dízimos, incenso, utensílios e consequentemente, a santidade, reverência e espiritualidade tiveram que dar lugar ao declarado inimigo da reconstrução. Agora o segundo estado da cidade era pior que o primeiro.

Eliasibe, em vez de usar sua influência como benção, a usou justamente para desestruturar a fé do povo. A parcialidade, o aparentamento ilícito, o favorecimento se tornaram falhas graves, uma verdadeira apostasia, pois não somente se aliou ao inimigo como também o levou para dentro do Templo, dando-lhe condições para tirar as forças como também para minar a espiritualidade do povo.

 

3) O RETORNO E A INDIGNAÇÃO DE NEEMIAS:

A irritação de Neemias foi pelo fato do sacerdote ter cedido um cômodo do Templo para uma pessoa que antes havia levantado barreiras para a reconstrução da cidade, injuriado, zombado, armado ciladas e até mesmo ameaçado de morte, além do mais, pela Lei, Tobias era proibido até mesmo de se aproximar (Dt 23.3). Este erro do sacerdote afungentou os levitas e cantores, que preferiram a vida dura do campo. 

a) Verdadeira intenção de Neemias:

Tobias, provavelmente com o passar dos tempos poderia subtrair bens ou alguns dos tesouros do Templo. A grande preocupação de Neemias era com o livre transito daquele incircunciso. Certamente se enriqueceria a custa das ofertas e dízimos da casa de Deus e faria uso conforme o seu bel prazer.

Neemias não toleraria a corrupção e o abuso de autoridade por parte dos sacerdotes. Os recursos que entravam no Templo deveriam ser administrados de forma transparente e longe dos olhares de incircuncisos, tal como ocorria na igreja primitiva que sempre usou os recursos financeiros com zelo, transparência e sabedoria para expansão do reino de Deus (At 4.32-37; 6.1-4). 

continua...

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Grandes verdades em poucas palavras - 0035

"Em nosso primeiro paraíso, o Éden, havia um caminho de saída, mas não havia forma de entrar de novo. Mas, quanto ao paraíso celestial, há um caminho de entrada, mas não há forma de sair de novo". Richard Baxter

“Cristo é o Rei de sua igreja, e a igreja é a maior rainha do mundo”. Richard Sibbes

“A igreja é um hospital para pecadores, não um museu de santos”. Anônimo

“Só um perito em subterfúgios exegéticos ousaria negar que a missão da igreja é fazer discípulos”. Mariano di Gangi

“As reuniões de oração medem a pulsação da igreja”. C. H. Spurgeon

“’Não se afaste da igreja porque nela há muitos hipócritas. Sempre há lugar para mais um”. A. R. Adams

Não pode ter Deus como seu Pai aquele que se recusa a ter a igreja como sua mãe”. Agostinho

“A ausência voluntária à igreja é evidência infalível de declínio espiritual”. Frances Ridley Havergal

Creio em lealdade à igreja local. Não creio na teoria da igreja invisível que nos torna invisíveis na igreja”. Vance Havner

O que você vê na igreja nas manhãs de domingo não é nada menos do que você vê em um exército com farda de gala”. Bill Popejoy

Não vamos à igreja; somos a igreja”. Ernest Southcoot

Ir à igreja não faz de você um cristão, assim como ir à garagem não faz de você um automóvel”. Billy Sunday

“Procurei a igreja e encontrei-a no mundo; procurei o mundo e encontrei-o na igreja”. Horatius Bonar

 “Muitos membros de igreja são engomados e passados sem ser lavados”. Vance Havner

Conheço algumas igrejas que ficariam ainda mais vazias se o evangelho fosse nelas pregado”. William R. Inge

“A igreja tem muitos críticos, mas nenhum rival”. Anônimo

 “A igreja que não opera milagres está morta e deve ser enterrada”. Samuel Chadwick

A igreja não é uma democracia na qual escolhemos a Deus, mas uma teocracia na qual ele nos escolheu”.

“A igreja é a única sociedade no mundo que nunca perde nenhum de seus membros, nem mesmo pela morte”. J. Blanchard

“Não há dúvida de que, se há um só Deus, um só Cristo, uma só cruz, um só Espírito Santo, há somente uma igreja”. A. A. Hodge

“A divisão é melhor do que a concordância no erro”. George Hutcheson

“A verdadeira unidade da igreja não pode ser organizada, mas exercitada”. Johannes Lilje

“O fato de colocar todos os cadáveres eclesiásticos em um só cemitério não provoca uma ressurreição”. D. Martyn Lloyd-Jones

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Os primogênitos: Deixa o meu ir, senão levo o seu. Capítulo 4

Enfim após a nona praga, os egípcios respiraram aliviados: “Ufa, acabou”! Mal sabiam que o pior ainda estava por vir e o grande culpado seria o próprio Faraó.

Praga a praga, Faraó foi sendo enfraquecido até que na décima recebeu o golpe fatal. Naquela fatídica noite gritos foram ouvidos nos corredores do palácio e das casas egípcias: “É um pássaro? É um avião? Não! É o Anjo do Senhor, procurando sangue nos umbrais das portas”.

A noite mais estranha da humanidade, pois conseguiu produzir ao mesmo instante alegria e tristeza. Para os hebreus houve vida, sono tranquilo, bênção, luz, união entre os membros da família e uma festa memorável, a Páscoa.

Para os egípcios houve morte, insônia, tristeza, juízo, trevas, choro, divisão, lamentos e luto. O gigante acordou tarde. Deus havia avisado desde o início, mas Faraó não deu crédito. “Ou sai o meu primogênito ou mato o seu” (Ex 4.23).

Os hebreus seguiram todas as orientações para enfrentarem a última noite em solo egípcio. Prepararam o cordeiro, o pão sem fermento, pegaram seus cintos e cajados, colocaram as sandálias nos pés, comeram apressadamente e não saíram para fora durante aquela noite.

A comemoração da primeira Páscoa se deu no último dia de escravidão. Na verdade já estavam livres, faltava somente o alvará de soltura que viria através do grito de dor do próprio Faraó.

De todo, não tiveram corações assim tão duros antes da saída, pois acreditaram nas palavras de Moisés e comemoraram[1] bem antes a libertação. Era de se esperar que relutassem por ainda estarem em terras egípcias.

Enquanto comemoravam a Páscoa, felizes da vida, Faraó estava do outro lado refletindo sobre os últimos acontecimentos. Tanto no campo espiritual, quanto no material a vergonha estava impregnada em sua história e em suas divindades.

Até a nona praga, somente a nação, economia e divindades egípcias tinham sido atingidas, mas a décima praga atingiu em cheio ao filho de Rá, o supremo Faraó.

No “filho da filha de Faraó”, Moisés, ninguém tocou após o seu retorno ao Egito, tampouco se lembraram do seu erro do passado, mas o “filho do filho de Rá”, o primogênito, pagou pelo erro do pai.

Assustados e revoltados ficaram todos os egípcios, em especial Faraó, que parado diante do corpo inerte de seu primogênito ouviu uma voz: “Mas eu te disse: Deixe sair o meu primogênito”.

Então derrotado, Faraó permitiu[2] a saída do povo de seu território (Ex 12.31-36), levando família, gado e tudo o que os egípcios lhe deram como recompensas pelos quatro séculos de trabalho (cfe Gn 15.14). O último pedido[3] de Faraó foi: “abençoai-me também a mim”.

Faraó disse para Moisés no fervor de sua decisão: “Saia da minha presença e nunca mais apareça aqui! Pois, no dia em que tornar a me ver, você morrerá!” Nunca aquele governante havia dito uma verdade tão profunda. Estava certo, nunca mais os hebreus seriam vistos naquele território.

Que satisfação dos hebreus quando viram os egípcios temendo por mais atuações de Deus. Ergueram as cabeças, para transparecerem os semblantes desafiadores[4] (Nm 33.3).

Os egípcios ficaram nas janelas olhando o desfile dos vitoriosos hebreus. Uns rangiam os dentes de raiva, outros aceitaram a derrota, alguns ainda choravam pela morte de seus primogênitos e a maioria dizia: sumam do Egito e vão adorar o Deus de vossos pais lá no deserto. A saída se deu pela porta da frente, com um gostinho maravilhoso de vitória.



[1] A comemoração da Páscoa (Ex 12.1-18) foi bem antes da libertação (Ex 12.51).

[2] Faraó expulsou Israel. “Saiam imediatamente [...]” (Ex 12.31 NVI).

[3] Faraó não conhecia o Senhor, mas ouviu a voz de Deus e tremeu (Ex 12.31-32)

[4] Era como se dissessem pelo olhar: “Quem mandou mexer com o nosso Deus?”

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)