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segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

No mesmo dia, Deus permite frias prisões para revelar e te colocar em um palácio

Deus permite que você acorde em frias prisões, 

em um dia que parece 

que tudo continuará do mesmo jeito, dando errado.

Humilhações, perseguições, intolerância, injustiças,


mas certamente


neste mesmo dia, Ele te fará dormir em um palácio,

tomando decisões para o bem de muitos,

sendo respeitado e honrado por todos;

tudo isto no mesmo dia, tal como fez com José. 


Quer mais detalhes?

leia o livro: 

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história.

Por: Ailton da Silva - 13 anos (Ide por todo mundo)

domingo, 30 de janeiro de 2022

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 17

Moisés

Às portas de Canaã, Moisés contemplou a promessa feita a Abraão, Isaque, Jacó e José. Deus é justo, jamais permitira que a sua curiosidade descesse com ele ao túmulo.

Moisés obedeceu as ordens de Deus e subiu ao monte para ver a Terra prometida (Dt 32.48-50). Era o cumprimento da promessa. Que alegria sentiu por vê-la somente com os olhos. Foi a mesma visão que Abraão teve quando escolheu o lado oposto de Ló, no momento da separação dos dois. Não precisava tocar a planta dos pés[1], já estava satisfeito com o fruto da fé dos patriarcas anteriores.

Morreu naquele lugar aos cento e vinte anos, cheio de vigor. Havia recebido sua recompensa, mas se fosse preciso ainda teria condições para continuar.

Todos os outros patriarcas precisaram de ataúde ou foram, conforme o costume, preparados para serem sepultados, pelos filhos, mas no caso de Moisés foi diferente, pois o próprio Deus se encarregou dos preparativos e até hoje, desconhecemos o seu túmulo. Esta cerimônia encerrou a era patriarcal em Israel (Dt 34.6).

continua...



[1] Anos mais tarde, Moisés pisou na Terra Prometida, no monte da transfiguração (Mc 9.4)

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

domingo, 23 de janeiro de 2022

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 17

José

Morreu com cento e dez anos, mas certo que um dia aquele povo seria visitado por Deus para levá-los a terra que jurara a Abraão, Isaque e Jacó, seu pai.

José foi um profeta, pois antes de sua promoção, fez seus irmãos jurarem que levariam os seus ossos quando fossem visitados por Deus. Sabia que não demoraria muito e os egípcios esqueceriam os seus feitos, por isto se preocupou com o seu pós-morte.

Moisés cumpriu o juramento, no momento da saída do Egito, mas como não esqueceram? Havia passado tanto tempo? Promessa feita a um patriarca tinha um peso incalculável.

Sua recompensa maior foi na distribuição das tribos, pois seus dois filhos, Efraim e Manasses[1], receberam em seu lugar e de Levi o direito de serem representantes maiores de suas respectivas tribos. Foi promessa de Jacó, antes de ser congregado ao seu povo.

continua...


[1] Duas tribos de Israel tem um pouco de sangue egípcio? Manassés e Efraim.

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

sábado, 15 de janeiro de 2022

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 17

O recolhimento dos patriarcas

Abraão:

Foi congregado ao seu povo aos cento e setenta e cinco anos, farto de dias. Foi sepultado pelos seus dois[1] filhos, Isaque, o unigênito e Ismael, o primogênito, que depois perdeu esta posição.

 

Isaque

Foi recolhido ao seu povo aos cento e oitenta anos, velho e farto de dias, após ver a reconciliação entre Jacó e Esaú. Foi sepultado pelos dois filhos.

 

Jacó

Foi congregado ao seu povo aos cento e quarenta e sete anos, farto de dias, alegre por ter reencontrado seu filho predileto e por estar usufruindo da estadia egípcia, uma recompensa de Deus para a sua família. Era também uma espécie de pagamento pelos serviços prestados por José. Seus filhos o sepultaram.

Antes de sua morte, fez José prometer que o sepultaria no mesmo lugar onde estavam Abraão, Sara, Isaque, Rebeca e Léia.

José que não havia descido para Canaã, para buscar seu pai, iria agora para levar o seu corpo para ser enterrado junto aos outros grandes patriarcas de Israel. Pediu autorização ao grato Faraó dizendo que se tratava de um juramento, por isto teria que ir até aquelas terras. “Vai em paz, bom homem e cumpra o seu juramento”, esta foi a resposta que ouviu.

Foi um enterro digno de chefe de Estado, pois envolveu três nações, os hebreus que sofriam com a dor da perda do pai, os egípcios que se lamentavam pela tristeza de José e os cananeus que observavam de longe, curiosos por saberem o que Jacó havia feito para comover tanto as duas nações. Porque tanta reverência?

continua...



[1] Para Deus, Isaque era o unigênito, mas Ismael não havia perdido contato com o pai.

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

domingo, 9 de janeiro de 2022

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 17

Morte dos patriarcas. E o nascimento de Israel 

Todos os patriarcas enfrentaram dificuldades, ao longo de suas histórias, mas em nenhum momento duvidaram das chamadas ou promessas. Mesmo em circunstâncias nada favoráveis, permaneceram íntegros até serem promovidos às mansões celestiais.

Nenhum deles enfrentou longos períodos de enfermidades, ou morreram nas mãos de seus inimigos, pelo contrário, se fartaram em dias, vigorosos e felizes. Em alguns casos daria até para continuarem se fosse preciso. A sensação de dever cumprido foi evidente, pois a velhice deu oportunidade, a todos, para refletirem em tudo o que havia acontecido. Nada mais justo da parte de Deus. 

Continua...

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

domingo, 2 de janeiro de 2022

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 15

Quinto patriarca

Nasceu no momento de maior sofrimento dos hebreus. Por providência de Deus, o próprio algoz o criou e ensinou todas as táticas e ciências para vencê-los.

Moisés, mesmo diante de toda nobreza, foi capaz de dizer não à tentadora facilidade e mordomia. Uma intervenção de Deus provocou a sua fuga como assassino, fazendo o retornar anos mais tarde para depois sair vitorioso com os hebreus como um grande general, um respeitado legislador, um amoroso pastor.

O importante era descobrir o que Deus queria fazer em sua vida e onde? Seria no Egito, nos primeiros quarenta anos? Somente obteve o conhecimento necessário. Foi em Midiã nos outros quarenta? Ficou somente cuidando de ovelhas para “desoxigenar” o cérebro e esquecer as mazelas egípcias. A grande obra foi durante os quarenta anos em que esteve a frente do povo israelita guiando-os à Terra prometida.

Moisés não entrou em Canaã da mesma forma como José, para lá não retornou a fim de buscar seu pai e família, pois ficou esperando no meio do caminho. Um não entrou para receber a bênção maior, promessa feita aos patriarcas, enquanto que o outro não retornou quando poderia, ao menos para rever sua família e buscar seu pai. Mesmo nestas duas condições aquelas terras ainda representam o que há de melhor neste planeta e foram reservadas para Israel, não por autoridades terrenas, mas sim pelo Rei dos reis.

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

domingo, 26 de dezembro de 2021

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 16

Quarto patriarca

José ao perdoar seus irmãos deu também uma grande demonstração de amor, pois sabia que todo o seu sofrimento teve a participação deles, mas não se vingou tão logo os reconheceu. Entendeu que tudo o que havia acontecido, após a sua saída da cova, foi como uma preparação para o reencontro com sua família e necessário para continuidade do plano de Deus.

Depois daquela separação brusca e trágica foi preciso uni-los novamente, por isso Deus elaborou um plano, capacitando José e transformando os irmãos, que então reconheceram sua autoridade.

Isto fazia parte dos planos de Deus e deveria acontecer, mesmo que boa parte da humanidade pagasse com suas vidas, pois muitos sofreram e morreram. Se não houvesse ocorrido este período de fome, certamente José não teria sido nomeado governador, conhecido e respeitado naquela região e tampouco os seus irmãos se deslocariam ao Egito.

José, o homem certo na hora e no lugar certo. Apenas uma nação seria capaz de se preparar para enfrentar tamanha calamidade e somente um homem, temente, sério, digno, honesto e justo poderia administrar aquela situação. O certo é que entre os egípcios não havia nenhum com este perfil, por isso foi necessário que Deus elegesse outro, na verdade, foi uma recompensa, a forma correta de se exaltar um humilhado.

Deus precisava de José naquele lugar e naquele período de sua vida. Não havia outro capaz de desempenhar tal função, mas se mostrasse fraco ou infiel outro seria levantado em seu lugar, por isto Deus não permitiu que aquele patriarca voltasse para sua casa, pobre, escravo, sem perspectivas e com os mesmos problemas com os irmãos.

Após a morte do pai os irmãos temeram, pois seria o momento ideal para a vingança, mas novamente foram surpreendidos. Então viveram em paz e consolados.

continua...

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

domingo, 19 de dezembro de 2021

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 16

Terceiro patriarca

Jacó pensava que sua família estava em harmonia, mas foi surpreendido com a notícia que seu filho predileto estava morto, vítima de feras (feras humanas). Amou demais um e se esqueceu dos outros? Agora deveria repensar suas atitudes e refletir sobre as promessas feitas a Abraão e Isaque e continuar sua vida de sofrimentos e desilusões, frutos de seus próprios erros.

Ficou atordoado e confundido ao ouvir de seus filhos a notícia: “Pai, reencontramos nosso irmão José, que está vivo e governa todo o Egito”. Depois ficou de boca aberta ao ouvir um pedido: “Pai, perdoa-nos, nós mentimos e não entendíamos o que fizemos na época”.

Jacó abriu a boca e levantou as mãos para o alto, então os filhos se preparam para ouvirem a sentença e a correção, mas ouviram: “Deus de Abraão e Isaque e meu também, agora entendo o teu plano na minha família. Perdoa os meus filhos, pois não souberam o que fizeram, eu também perdoo. Prolongue os meus dias para que eu reveja o filho da mulher que sempre amei”. Não tinha como Deus não atender a oração do grande patriarca.

Jacó viu Deus trabalhando na vida de seus doze filhos, por isso não hesitou em promover o concerto coletivo para assim ver toda a família unida.

continua... 

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

domingo, 12 de dezembro de 2021

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 16

Segundo patriarca

Isaque recebeu Rebeca, a sua recompensa, pela fidelidade demonstrada na ocasião do sacrifício não consumado, pois poderia ter fugido no momento em que soube que seria o cordeiro. Muitos correriam e deixariam o pai diante do altar, na verdade, muitos correm e largam o Pai.

Foi perseverante quando despediu Jacó crendo que Deus guiaria e protegeria até Padã-Arã, ou que um dia promoveria a reconciliação entre seus filhos. Tinha a certeza que um deles veria o cumprimento da promessa, portanto um não mataria o outro. Por estas atitudes contemplamos o zelo que teve por sua descendência.

Após a reconciliação entre seus filhos, cada um seguiu o seu caminho para dar origem aos seus respectivos povos e nações[1].

continua...


[1] Descendentes de Ismael (Gn 25.12-18). Os descendentes de Isaque (Gn 25.19-26).

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

domingo, 5 de dezembro de 2021

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 15

Teoria do caos ou plano de Deus 

Três pais, Abraão, Isaque e Jacó e os três filhos, Isaque, Jacó e José, juntamente com Moisés, viveram momentos tristes em suas vidas, porém foram presenteados com grandes intervenções de Deus em suas vidas.

Esta foi a trajetória dos cinco grandes patriarcas de Israel, usados por Deus para inicio e prosseguimento de seu plano de eleição e reconhecimento da sua grande nação.

Em todos os momentos os patriarcas foram assistidos e cuidados por Deus para que atingissem os seus objetivos. Os acontecimentos não podem ser vistos como isolados, consequências dos erros ou destinos, pois todos os passos foram guiados e registrados para servirem de exemplo. 

Primeiro patriarca

Abraão creu nas promessas de Deus mesmo que parecessem absurdas, já que nunca havia passado por algo semelhante em sua vida espiritual, dando assim vazão à sua fé que não era baseada somente na emoção. Conforme as ordens, recebidas, largou tudo e seguiu para uma terra, que foi revelada bem depois.

O período compreendido entre a chamada, lá em suas terras, e a confirmação não foi capaz de desanimá-lo e tampouco tirou suas forças ou minou sua fé. Nascia então um dos patriarcas de Israel, o primeiro, de um grupo de cinco homens usados nas mãos de Deus para iniciar e continuar o plano de criação de uma nação santa.

O que dizer então do tempo entre a promessa feita a Abraão e o cumprimento nos dias de Moisés? Demora? Fortalecimento?

A maior prova de Abraão foi quando Deus pediu em sacrifício o seu unigênito[1]. Não queria outro filho em lugar de Isaque, sua fé estava firmada no livramento. A sua oração durante o caminho foi mais ou menos assim:

“Que Deus é este? Ló, meu sobrinho, está longe, Ismael, eu despedi há algum tempo, além do mais é filho da serva e não da promessa. Eu e Sara estamos avançados em idade, já rimos da primeira vez, imagine agora. Então como o seu plano, Deus Todo Poderoso, se cumprirá na minha semente, se Isaque for sacrificado? Como serão tantos como as estrelas do céu? Como herdarão as promessas”?

Não tinha como Deus não atender uma oração com tamanho quebrantamento. Abraão como o primeiro patriarca de Israel, o pai das multidões, creu e isto lhe foi imputado por justiça. Quem poderia desabonar a sua vida?

continua...



[1] Abraão teve Ismael aos oitenta e seis anos e Isaque aos cem anos. Deus considerou Isaque filho único de Abraão.

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

domingo, 28 de novembro de 2021

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 15

A situação era tão caótica no Egito que o próprio Faraó procurou Moisés e fez a sua última proposta: “Ide, servi ao Senhor; somente fiquem as ovelhas e vossas vacas”. A ovelha e a vaca eram animais cerimonialmente “limpos” para oferendas de sacrifícios a Deus na época da Lei. Sem as ovelhas e vacas não haveria sacrifícios. Não haveria entrega ao Senhor. Seria uma liberdade sem sacrifícios.

Sairiam sem provisão, sem rebanho e provavelmente sem as recompensas que foram prometidas a Abraão (G 15.13-16). Caso esta proposta fosse aceita, na primeira vez em que o estômago doesse, os hebreus voltariam famintos para o Egito. Uma verdadeira cilada, pois facilmente seriam abatidos quando retornassem para mendigarem o pão.

A intenção era que no início da caminhada, sofressem baixas ou deserções, haja vista a falta de alimento e os que resistissem ao retorno seriam facilmente vencidos pela fraqueza. Uma libertação sem sacrifícios. Moisés não aceitou esta proposta também.

Após as dez pragas, Faraó não suportando mais as consequências de sua teimosia, não somente permitiu a saída, como também expulsou aquele povo para adorarem no deserto, em liberdade. Durante todo o tempo em que ficaram escravizados se distanciaram de Deus e agora estavam se aproximando novamente. Levaram família, gado e tudo o que os egípcios lhe deram como recompensa pelos quatro séculos de trabalho. O último pedido do opressor foi: “abençoai-me também a mim”.

Uma alegria nunca vista na terra. Que satisfação! Os egípcios contemplaram o desfile dos vitoriosos, alguns rangeram os dentes de raiva, outros juraram vingança, muitos desejaram boa viagem: “vão com seu Deus e sumam daqui”.

Mas alguns temerosos pais e mães egípcios, que ainda choravam a morte de seus primogênitos, balançavam os lenços e toalhas brancos em suas janelas, como sinal de rendição. Estavam glorificando o verdadeiro e único Deus.

Os hebreus passaram pelas ruas e desafiaram os egípcios com seus olhares, agora altivos, se sentiram fortes. A conversa foi diferente. Gritaram em bom e alto som para todos ouvirem: “Quem mandou mexer com o nosso Deus”.

Saíram realizados, confortados, sarados espiritualmente, fortalecidos, renovados. Havia somente uma coisa maior que toda aquela alegria, a certeza de que a caminhada seria curta e que chegariam logo ao destino, a Terra Prometida.

Acreditavam que depois de tamanha demonstração de poder, seriam facilmente[1] direcionados à Terra Prometida.

Queriam ser transladados e ou arrebatados como Enoque (Gn 5.24)? Sairiam voando, criariam asas? Teriam à disposição, após a primeira duna, os carros de Israel e seus cavaleiros (2 Rs 2.12) para transportá-los? Seriam elevados às alturas como Jesus (At 1.9)? Encontrariam logo na saída uma comitiva de boas vindas ao deserto, composta por anjos, assim como encontrou Jacó (Gn 32.1-2)?

Os patriarcas anteriores pagaram o alto preço, por que então o filho (Ex 4.22) não pagaria? Por que desejaram o caminho mais curto? Mal sabiam que se margeassem o Mediterrâneo certamente encontrariam os avançadíssimos e temidos filisteus.

Quando saíram do Egito, cheios de vigor e alicerçados por grandes promessas, não imaginaram uma viagem tão longa e de fato não teria tal necessidade, mas o caminho foi prolongado ao máximo, para que revelassem seu verdadeiro caráter, para aprenderem a diferenciar o carnal do espiritual, para conhecerem (Dt 8.2-14) e se tornarem conhecidos de Deus (Os 13.5) e por fim para desenvolverem a dependência total dos recursos divinos.

A saída foi incondicional, mas a entrada em Canaã foi bem diferente. Durante o caminho, Israel conheceu as condições.

Deus por várias vezes afirmou que se tornariam uma grande nação, mas como poderiam crer com convicção diante daquela situação tão precária? Multidão de famintos, pobres, medrosos, alguns doentes, outros com intenções diferentes. Somente Deus poderia trabalhar em favor de pessoas nestas situações.

No deserto adquiririam forças, valentia e principalmente se mostrariam fiéis e dignos, desde que olhassem para alto, para os montes, pois de lá viria o socorro para todos.

Assim como os patriarcas anteriores que foram direcionados para o deserto a fim de buscarem suas respectivas bênçãos, estava agora Israel, prestes a percorrer os mesmos caminhos para tomar posse da promessa maior.


[1] Se entrassem facilmente em Canaã, certamente se considerariam pequenos deuses (cfe Sl 82.1-8)

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

domingo, 21 de novembro de 2021

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 15

Foram várias as gerações que se passaram após José e muitos deles não conheciam Deus ou tampouco tiveram conhecimento das promessas feitas aos patriarcas, o que dirá então do exercício da fé, algo que, na verdade, estava ainda nascendo em muitos.

Ainda no Egito, tinham a rara comida e bebida nas horas certas, habitação e principalmente tinham terras para os seus túmulos garantidos. Como poderiam largar esta certeza para acreditarem piamente nas palavras do recém-chegado Moisés. Como confiariam naquilo que não viam ou conheciam?

O sofrimento aumentou depois da manifestação de Deus e da primeira visita de Moisés como embaixador da Terra Prometida, mas não tanto quanto o temor que floresceu na vida dos hebreus, que experimentavam uma transformação, algo maravilhoso, nunca visto antes, porém nada acontecia no coração duro de Faraó.

Após a praga das moscas, Faraó se viu em condições de apresentar algumas propostas indecentes a Moisés. Foram quatro ao total. Em qualquer uma delas estava bem visível a liberdade para os hebreus, no entanto, alguns pontos obscuros impediam que o povo pudesse cantar o hino da vitória.

A primeira proposta autorizava os hebreus a sacrificarem a Deus, mas ali mesmo em terras egípcias, não muito longe deles, em meio aos falsos deuses. Faraó se imaginou no direito de escolher o local do sacrifício. Seriam libertos para sacrificarem, porém não poderiam sair do Egito. Moisés temeu por uma possível retaliação dos egípcios, que poderiam considerar aquilo como uma afronta.

Faraó não queria perder a mão de obra escrava e barata. Sua intenção era fazer com que os hebreus pensassem que estivessem agradando a Deus, mas na verdade estavam ainda ligados ao passado. A qualquer momento voltariam à condição anterior.

Caso a proposta fosse aceita, os hebreus viriam para os sacrifícios do jeito que estavam e não haveria transformação, talvez fosse isto o que realmente queriam. Moisés disse não.

Faraó então fez outra proposta a Moisés, pela qual autorizava a saída do povo para sacrificarem a Deus, porém não poderiam ir muito longe, deveriam sacrificar ali perto e caso desejassem poderiam retornar. Sairiam do Egito, mas o Egito não sairia deles.

Israel não poderia se afastar dos olhos e exército egípcio. Faraó queria vigiar e controlar os passos dos hebreus. Esta proposta era maligna, pois os hebreus sacrificariam ali nas imediações da sedutora nação e estariam com um olho em Deus e outro naquelas terras. Facilmente seriam seduzidos e retornariam. “Olhos nos sacrifícios no deserto e coração nos palácios do Egito”. Seria um interminável vai e vem de hebreus, ora lá, ora cá, sem rumo, sem identidade. Moisés também não aceitou.

Pela terceira proposta sairiam somente do Egito os chefes de família e demais adultos, sem as suas respectivas esposas e filhos. Moisés não aceitou, pois conhecia a importância da instituição familiar. Todo o conhecimento que possuía foi fruto da coragem e ações da mãe e irmã na ocasião do primeiro livramento.

Esta proposta foi um verdadeiro golpe de mestre, pois as esposas ficariam desprotegidas no Egito juntamente com os jovens e crianças, enquanto que os chefes de família e demais adultos seriam libertos.

Os hebreus viviam organizados em famílias e em casas paternas. A saída parcial do povo, como queria Faraó, resultaria no fracionamento e fragilização das famílias, dividindo-as. Neste caso veríamos um número elevado de viúvas de maridos vivos e de órfãos de pais vivos. A proposta de Faraó traria resultados nefastos para o povo de Deus. Vejamos:

  • Famílias sem o governo dos pais, sem provisão, sem proteção, sem direção;
  • Maridos sem as esposas; homens viajando no deserto e as crianças sem os pais no Egito;
  • Miscigenação devastadora. Os adultos solteiros sozinhos no deserto a caminho de Canaã se casariam com moças pagãs, idólatras. Por sua vez, as jovens deixadas no Egito se casariam com os incrédulos egípcios. Enfim, haveria uma total perda de identidade dos hebreus. 
Os jovens ficariam no Egito, pois Faraó enxergou o potencial deles e por outro lado viu a fragilidade, o que poderia facilitar no caso de um novo período de escravidão, ou seja, a opressão na mente das crianças e jovens produziria mão de obra escrava ou barata no futuro. Era uma espécie de liberdade provisória comemorada no presente, mas que se tornaria um sofrimento garantido no futuro.
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Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

domingo, 14 de novembro de 2021

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 15

Era conhecedor da história de seus antepassados, por isto decidiu confiar na vontade de Deus, mas antes temeu, como qualquer outro ser humano, pois duvidou:

  • Da sua capacidade – “quem sou eu”? Se fosse o Moisés dos primeiros quarenta anos, certamente diria: “Eis me aqui”;
  • Da credulidade do povo – “como saberão que foi o Senhor que me enviou”? O homem dos primeiros quarenta anos não teria dificuldade para ganhar a confiança do povo pela sua valentia;
  • Da sua eloquência – “sou pesado de boca e palavras”. O jovem dos primeiros quarenta anos saberia muito bem se expressar;
  • Da escolha de Deus – “envia outro que o Senhor escolher”. O Moisés dos primeiros quarenta anos não perderia a oportunidade de representar o próprio Deus na terra.

Diante de tal situação foi preciso que Deus confirmasse a chamada com algo grandioso, maravilhoso, assim como havia feito com os patriarcas anteriores. As promessas foram justamente para suprirem suas expectativas e coibirem qualquer variação ou sombra de dúvida.

  • Deus prometeu a Sua presença. “Eu serei contigo”, pois Moisés não se achou em condições de seguir (quem sou eu?);
  • Deus prometeu autoridade. “O Eu Sou me enviou a vós”, pois temeu a recepção dos egípcios e a incredulidade dos hebreus (como saberão que foi o Senhor que me enviou?);
  • Deus prometeu poder e ousadia. “Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar”, pois não se imaginava em condições de apresentar o plano divino e de convencer os hebreus pelas suas palavras (“Ah, meu Senhor! Eu não sou homem eloquente”);
  • Deus prometeu cooperador. “Não é Arão, o levita, teu irmão?”. Moisés não se imaginou com força suficiente para enfrentar a missão sozinho. “Envia pela mão daquele a quem tu hás de enviar”. Arão seria seu profeta, seu porta-voz e seu auxiliador.

Todas estas promessas foram capazes de animá-lo e fortalecê-lo para o retorno. A preocupação e o medo pelas represálias não seriam capazes de impedir sua volta, tampouco a dúvida quanto a prescrição do seu crime, na verdade, Moisés voltaria fazendo uso de um salvo-conduto, decretado e assinado por Deus. No início temeu, pois sabia que estava jurado, ou pelo menos imaginava que estivesse. Seria preso ou morto tão logo pisasse na fronteira.

Nenhuma autoridade egípcia foi autorizada a sentenciar ou colocar “as mãos” e muito menos condenar[1] Moisés, que poderia voltar tranquilo, pois estava amparado por uma lei maior do que qualquer outra que tivesse naquela época. Isto também aconteceu com o apóstolo Paulo que, após sua prisão, não foi condenado ou sentenciado pelos romanos e judeus. Ninguém foi autorizado a colocar as mãos nestes dois homens. O filho da filha de Faraó era inatingível, ninguém colocou as mãos nele, porém o mesmo não foi possível dizer do filho de Faraó (Ex 4.22-23; 12.29).

Enfim chegou o momento do reencontro de Moisés com seu povo, sua linhagem e com alguns de seus parentes. Jacó já havia experimentado este tipo de alegria, José também e agora o quinto patriarca que se alegraria com esta bênção.

Os filhos de Israel o receberam[2] de bom grado, pois estavam no sofrimento, enfermos, escravos, pobres e sem esperanças. Viram em Moisés a resposta para seus clamores que havia chegado aos ouvidos de Deus. Os mais jovens entusiastas já se imaginavam fazendo parte do grande exército que derrotaria os egípcios. Os idosos o viam como manifestação do resgate das tradições e fé monoteísta hebraica, esquecida com o passar dos anos.

Era o reavivamento da nação israelita, pois o clamor de alguns foi ouvido por Deus, mesmo sendo desconhecido por muitos (Ex 3.13), mas isto não foi impedimento para cumprimento do que houvera sido profetizado por Jacó e José (Gn 48.21, 50.25).

Certamente a recepção não seria tão festiva caso a situação dos hebreus no Egito fosse diferente, tal como estava alguns dos judeus durante o exilio em Babilônia[3], ocasião em que muitos preferiram a permanência em terras alheias, diante do pouco sofrimento e dos muitos privilégios que tinham.

Com o retorno de Moisés no Egito, uns estavam aprendendo, outros sonhando com grandes batalhas e, uma pequena parte estava se alegrando com a visita de Deus.

A mesma reação, porém, não foi demonstrada por Faraó que tão logo ouviu a solicitação de Moisés ordenou que dobrassem as aflições. Sequer procurou se inteirar por completo dos planos de Deus.

Mas com os hebreus a situação foi bem diferente, pois ouviram atentamente e entenderam o plano, que consistia na libertação total, para adorarem e celebrarem ao Senhor no deserto, porém desejaram algo mais, quem sabe não se imaginaram derrotando o opressor e se apoderando de seu território, mas haveria fé e força suficientes para isto?

continua...


[1] Havia registros sobre o crime de Moisés no passado, pois os egípcios jamais deixariam passar em branco, mas não houve condenação. Deus não permitiu.

[2] Os hebreus viram que Deus falava boca a boca e por vista com Moisés (Ex 33.17; Nm 12.8).

[3] A cultura babilônica fascinou e enganou a muitos judeus, que não retornaram para Jerusalém. Muitos foram deportados por Nabucodonosor, mas poucos voltaram com Zorobabel, Esdras e Neemias.

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

domingo, 7 de novembro de 2021

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 15

Moisés: O retorno e o salvo-conduto 

O tempo que Moisés ficou em Midiã foi suficiente para os egípcios esquecerem todo o ocorrido? Moisés esperava voltar para se humilhar ou pagar pelo erro? Ou imaginava que seu crime havia prescrito? Jacó também pensava o mesmo em relação ao tempo que ficou em Padã-Arã, certamente imaginava que Esaú tivesse esquecido o passado.

Exilado, sem autoridade, fama, prestigio e mordomias, imaginou ser o seu fim. Ou pior, com todo o conhecimento que possuía terminaria seus dias como um mero e desqualificado pastor de ovelhas como os seus antepassados. Deus teria condições de mudar a sua situação da mesma forma como fizera com os patriarcas[1] Abraão, Isaque, Jacó e José.

Casado[2], vida tranquila, sequer imaginava o retorno. Durante o tempo em que ficou em Midiã deixou de lado sua estúpida e desnecessária valentia e adquiriu outras qualidades que usaria por na presença de Faraó, durante as suas visitas para solicitar a saída dos hebreus do Egito.

Os primeiros quarenta anos de sua vida, no Egito, pensou ser alguém privilegiado, os outros quarenta, em Midiã, aprendeu que era um nada e estava prestes a descobrir o que Deus poderia fazer com um ninguém em pleno deserto.

Aos oitenta anos contemplou algo que poderia ser considerado como uma visão qualquer, mas se tornou especial a partir do momento que demonstrou interesse, pois ao se virar para enxergar melhor não se preocupou com as consequências, decisões, rebanho, riqueza, família, etc. Queria ver melhor tudo aquilo. Somente um líder nato seria capaz de entender, outros poderiam tê-la como uma miragem ou alucinação. Aquela visão selou a sua chamada e trouxe em sua mente a imagem do povo sofrido, clamando por socorro.

O sofrimento e escravidão dos hebreus não tiravam as prerrogativas de nação santa e escolhida, da mesma forma como a sarça continuava intacta, diante do fogo, assim aquele povo ainda permanecia vivo no coração de Deus.

Era uma simples árvore entre muitas que existiam ali, que ardia em chamas sem ser consumida. Deus se manifestava a Moisés de uma forma sublime para impressioná-lo na simplicidade, pois qualquer ser humano que desejasse impressionar alguém, usando a natureza e o fogo, certamente destruiria a sarça, os campos, a floresta, o próprio Moisés, a vida e o planeta, enfim tudo. Assim se deu o primeiro encontro do futuro libertador com o seu Deus[3].

Como aquele jovem, que tinha livre trânsito nos palácios egípcios, desejou ter visto esta sarça antes. Como poderia ter sido bem mais útil na sua mocidade, no auge de sua valentia.

A experiência é um requisito necessário para enfrentarmos as adversidades durante a nossa trajetória, justamente o que faltou para Joquebede e Moisés na borda do rio, dentro do cesto nos seus tenros três meses de idade, mesmo que quisessem não poderia fazer nada. Na sua juventude não demostrava maturidade suficiente para ser usado, alias neste período de sua vida ainda era uma criança perto da firmeza demonstrada no deserto, enquanto guiava os hebreus rumo a Terra Prometida.

Muitos poderiam ver aquela árvore tomada pelo fogo, mas vê-la intacta não era para qualquer um. Através da confirmação de sua chamada Moisés cometia outro assassinato, acabava de matar o seu eu interior, suas aspirações e objetivos pessoais, agora teria somente o desejo de realizar a obra de Deus.

continua...



[1] Deus honraria o quinto patriarca e mudaria sua vida tal como honrou e mudou a vida dos os quatro anteriores.

[2] Moisés casou-se com Zípora, midianita e José com uma egípcia.

[3] O próximo encontro, no mesmo monte aconteceria logo após a saída do Egito (Ex 3.12, caps 19-31) e foi muito especial, tanto quanto este. 

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

domingo, 31 de outubro de 2021

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 14

Moisés: O primeiro a sair do Egito 

Uma infância e juventude dignas de um rei, com todas as mordomias, riquezas e privilégios. Ninguém em sã consciência trocaria esta vida no palácio onde recebia do bom e do melhor para sofrer junto com os hebreus que não tinham mais esperanças. Alguém optaria pela sofrimento em detrimento ao luxo? Somente um servo de Deus rejeitaria o primeiro estado para conhecer e viver conforme os seus irmãos.

Aos poucos Deus foi trabalhando na vida de Moisés para que rejeitasse aquela forma de vida, pois o patriarca deveria ser o primeiro a sair do Egito para que o povo saísse depois.

Aquela cultura em nada se identificava com a sua futura missão, por isto a escolha[1] foi difícil. Quanto conhecimento deixaria de receber, quantos amigos e recursos financeiros? Quantas perdas? 

Os hebreus também perderam muito quando saíram do Egito, pois deixaram para trás as habitações, as raras comidas nas horas certas e o principal, a terra para enterrar seus corpos sem vida quando morressem na escravidão. Isto seria capaz de segurá-los?

O primeiro passo deveria ser a negação de sua filiação egípcia. O sofrimento do povo foi suficiente para que Moisés tomasse a decisão.

Pela fé, somente pela fé, recusou ser chamado de filho da filha de Faraó, um assombro, a realeza se surpreendeu, os servos e escravos não entenderam. Muitos deles se imaginavam na posição de Moisés para aproveitarem, mas recusou tudo aquilo.

Será que Deus permitiria que de príncipe fosse direto para a condição de presidiário? Como diria ao povo ser o escolhido para libertá-los daquele sofrimento? Acreditariam em um homem que havia perdido a mordomia do palácio? Como crer em uma pessoa rebaixada de uma hora para outra?

Deus não queria um príncipe, escravo, guerreiro, soldado ou general, mas sim um pastor. O plano para colocá-lo na posição desejada foi rápido, simples e direto. Bastava conhecer de perto a aflição do povo.

 

Quarto livramento. Coincidências ou repetições da história?

Certa ocasião, passeando entre seus irmãos hebreus, contemplou uma cena que o fez tomar uma decisão que marcaria sua vida para sempre.

Como era conhecedor de sua linhagem, não permitiu que um egípcio afligisse um irmão hebreu, mas por que demorou para agir? O que o impediu de sentir as dores de seu povo antes? Ou percebeu e não atentou, pois se julgava privilegiado pela situação diferenciada?

Moisés pensou que resolveria os problemas de Israel através da valentia, força e conhecimento, agindo de acordo com sua própria vontade, sem consultar ou se inteirar do plano de Deus para livrá-los do opressor. Mesmo sábio, instruído em toda ciência, lhe faltou entendimento para saber que não era o momento correto para agir, estava se adiantando ao tempo de Deus e quando isto acontece, o resultado final, sempre é o fracasso.

Neste episódio Deus oficializava a sua chamada e a resposta foi materializada em sua atitude, porém não imaginava que as consequências pudessem afetar o seu trânsito entre os dois povos, pois alguns dias depois esteve diante de uma cena idêntica e foi mal interpretado, incompreendido pelos seus irmãos e acusado de assassinato. A sua intenção era somente ajudar, como na ocasião anterior.

Esta ocorrência o fez tomar outra decisão radical, a fuga para o deserto[2], semelhante a Abraão, Isaque, Jacó e José, inclusive se deparando com os mesmos problemas em relação a mudança do padrão de vida enfrentado pelos patriarcas anteriores:

  • Do conforto e mordomia egípcia encarou a dureza do deserto, desabrigado e na solidão, como Abraão, quando largou sua parentela, posses e herança;
  • Saiu sem rumo, desconhecendo o futuro, sem a certeza da volta, na solidão de seus pensamentos, assim como Isaque quando caminhava para o seu sacrifício não consumado;
  • Atormentado pela incompreensão de seu próprio povo. Sua intenção foi ajudar, mas acabou rotulado de malfeitor, assassino. Fugiu para não ser morto por vingança, assim como Jacó, fugitivo incompreendido, acusado de matar os sonhos de seu irmão primogênito;
  • Possuía o conhecimento de toda ciência egípcia, mas não teve a sua autoridade reconhecida e acabou se tornando um pastor de ovelhas, abominação para os egípcios. Trajetória idêntica foi percorrida por José, que detentor de profundos conhecimentos recebidos de seu pai, também não teve a sua liderança reconhecida, pelos seus irmãos, se tornando um escravo e prisioneiro no Egito;
  • Peregrino em terras estranhas e afastado da família, como Abraão, Jacó e José que largaram tudo, mordomia, família, herança e peregrinaram guiados por Deus para alcançarem a vitória.

A fuga foi a única alternativa para Moisés, pois imaginava que jamais teria condições de mudar aquela situação. Sem esperança e perspectivas, jamais cogitou a possibilidade de retorno. 


Aprendendo desaprendendo

As confirmações das chamadas das esposas dos patriarcas se deram ao redor de poços de água, envolvendo rebanhos sedentos. Aconteceu desta forma com Rebeca, que deu de beber aos camelos do servo de Abraão, antes de ser levada para se casar com Isaque. Anos mais tarde Jacó repetia esta história quando matou a sede do rebanho de Raquel, tomando-a por esposa, depois de um longo período de trabalho. Agora Moisés fazia o mesmo com o rebanho de seu futuro sogro, Jetro.

Moisés estranhou a mudança de ambiente, pois diante de todo o seu conhecimento científico, estava desempenhando a função mais abominada pelos egípcios, pastor de ovelhas. O curso natural seria o crescimento, bem diferente da situação em que estava.

Em Midiã, sua nova morada, aprenderia algo bem mais útil do que havia aprendido no Egito. Com a mente esvaziada, perderia o seu ímpeto e valentia. Finalmente seria apresentado à mansidão e desta forma poderia entender os problemas de todos os necessitados que, um dia, Deus colocaria sob sua responsabilidade.

No Egito aprendeu com mestres, doutores e livros, mas não foi capaz de exercer sua autoridade com sabedoria sem utilizar a força física. Agora aprenderia com as ovelhas a ser manso, humilde e pequeno, para assim ser transformado em um verdadeiro líder. Afinal, a missão pedia um homem com este perfil.

Deus preparou José para levar o seu povo ao Egito e agora estava capacitando Moisés para retirá-los daquele território.

Havia tanto por aprender e muito mais para esquecer. Esta capacitação evitaria que pulasse etapas em sua vida e serviria de experiência no futuro, pois suportaria as provações, adquiriria a humildade, mansidão, se tornaria dependente de Deus e se sensibilizaria com os problemas de Israel.

José viveu entre seu povo, aprendeu com o pai, foi traído e incompreendido pelos irmãos, sofreu com a separação, para depois receber a bênção do reencontro com sua família para morarem nas melhores terras do território egípcio.

Moisés, incompreendido pelo seu povo, não teve sua autoridade reconhecida. Saiu daquelas terras sem nenhuma provisão, recursos e findou seu trajeto nas terras de Midiã, apascentando ovelhas. Anos mais tarde se apresentou diante de Faraó, não para ser recompensado, mas para entregar-lhe a mensagem de Deus, para afrontá-lo.

A autoridade de José foi reconhecida por seus irmãos quando pediram socorro diante da fome. Moisés foi visto como um líder quando se apresentou a Faraó para lhe entregar a mensagem de Deus. Nos dois casos os patriarcas foram reconhecidos justamente nos momentos de maiores aflições de Israel, fome e escravidão.



[1] Uma das escolhas mais difíceis já tomadas por um homem (Hb 11.24-27).

[2] Foi separado da família, mas o retorno foi tão festivo quanto dos patriarcas anteriores.

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)