Páginas

Mostrando postagens com marcador meus textos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador meus textos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Teoria da inversão da primogenitura



Segue teoria desenvolvida sobre a inversão da primogenitura, executada por Deus nas famílias dos patriarcas. Este texto faz parte do livro: Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história (Ailton Silva).

Ismael foi o filho de Abraão com Agar, o primeiro, enquanto que Isaque foi o único com Sara, por isto, foi chamado de filho da promessa, o unigênito. Aos nossos olhos os dois teriam direito a participação e reconhecimento nas mesmas proporções no grande plano de Deus, respeitando-se a ordem de nascimento, primogênito e o outro, porém na ótica Divina a história foi diferente, somente um poderia ser incluído neste contexto e caberia a quem decidir? O mais novo deveria respeitar o primogênito?

“E disse Deus: Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque; e com ele estabelecerei o meu concerto; por concerto perpétuo para a sua semente depois dele”. (Gn 17.19)

A promessa era grandiosa, mas para o cumprimento seria necessário apenas um filho. Neste episódio não haveria espaços para o “filho da serva”, por isto era preciso uma intervenção Divina para inverter esta situação.

Em quase todas as gerações dos patriarcas, as mulheres tiveram dificuldades para gerarem seus respectivos filhos, e ao primeiro sinal de sucesso, devido a intervenção Divina, eles se deparavam com outro grande problema, que deveria ser resolvido, não pelo homem, que não reunia condições para tal, mas por Deus:
  • Ismael[1] foi o primeiro filho de Abraão, mas não estava nos planos de Deus, por isto foi despedido juntamente com sua mãe. Isaque[2] foi então promovido à condição de unigênito e este seu título anulou todos os privilégios do seu irmão primogênito;
  • Esaú foi o primogênito, mas Jacó foi o escolhido para dar continuidade aos planos de Deus, por isto, as duras penas, recuperou o que deveria ser seu, se não fosse assim ele não teria alcançado inúmeras vitórias em sua vida;
  • José foi o décimo primeiro filho de Jacó, mas precisava receber atenção e status de primogênito, pois foi o primeiro filho da mulher que seu pai realmente amou desde o princípio. O problema seria a reação de seus irmãos e caso a Lei mosaica estivesse em vigor, certamente Jacó teria problemas[3];
  • Ruben, primogênito de Jacó, caráter vingativo, inconstante e duvidoso, por isto não herdou a maior de todas as bênçãos já direcionadas a um homem, não foi o ascendente do Rei dos reis, o Messias. Este privilégio foi repassado para seu irmão Judá, mesmo tendo cometido, da mesma forma, erros durante sua vida;
  • Manassés, o primogênito, teve que aceitar seu avô, Jacó, abençoar seu irmão, mais novo, Efraim, com as suas bênçãos de direito, mesmo José tendo preparado a ordem dos dois, antes de adentrarem no quarto do velho patriarca.
Bem antes da geração patriarcal, Deus já havia trabalhado na primeira família a fim de inverter a ordem dos filhos de Adão, pois Caim, o primogênito, não havia alcançado graça no seu sacrifício, enquanto Abel, o segundo filho, se tornou o primeiro homem a agradar a Deus, por isso recebeu o direito de contemplar a aceitação de seu sacrifício.

A falta de comunhão com Deus impediu a geração adâmica de perceber que não se tratava da única ou última chance para oferecerem sacrifícios. Mesmo que a freqüência fosse anual, teriam outras oportunidades no futuro. A falta deste discernimento contribuiu para aquela tragédia familiar.

Todas estas inversões foram administradas por Deus, para corrigir situações constrangedoras, fruto das rivalidades, disputas, privilégios dado a um filho em detrimento dos outros, falhas de caráter, condutas repreensíveis ou para mostrar que o controle de tudo sempre esteve em suas mãos.

O mais importante e bonito destas inversões é que elas não foram simples troca de posições, pelo contrário, pois tiveram um significado bem mais profundo, uma vez que representaram a escolha de homens e a eleição de uma nação.

No primeiro caso a intervenção de Deus foi para consertar o erro de Sara, que não soube esperar e tentou resolver o problema utilizando uma terceira pessoa.

A inversão ocorreu logo após Isaque ser desmamado, quando Agar e Ismael foram despedidos, pois preferiram criar problemas, em vez de apresentarem soluções. Mãe e filho zombaram, quando perceberam que o pai dispensava toda sua atenção ao seu legitimo herdeiro. Abraão, a princípio, foi contrário a expulsão, mas depois recebeu a confirmação de que era necessária.

Isto foi antes do sacrifício não consumado de Isaque, fato este que amargurou ainda mais os corações do casal, pois poderiam pensar que Deus estivesse cobrando deles, o fato de terem despedido mãe e filho.

No caso de Jacó e Esaú, os problemas foram motivados pelas disputas entre dois irmãos, que desde o ventre, já se mostravam rivais. Gêmeos separados por fração de segundos no nascimento, deram valores diferentes a primogenitura, um desejava demais e o outro desprezava.

No terceiro caso o problema de Jacó foi a incapacidade demonstrada para criar seus filhos em condições iguais, talvez este tenha sido o motivo pelo qual Deus, primeiramente exaltou José entre seus irmãos, para depois retirá-lo a fim de confirmar sua chamada e prosperar sua vida.

No quarto caso foi necessária a inversão, pois o primogênito, Ruben, profanou a casa de seu pai, por isto não reunia condições morais e psicológicas para herdar a maior de todas as bênçãos. Seu irmão Judá herdou este direito, mesmo se envolvendo com a sua nora, Tamar, imaginando ser ela uma prostituta. O plano dela consistia em prover para a família um herdeiro legítimo, já que não havia gerado filhos com os irmãos Er e Onã, seus maridos anteriores. O resultado foi a inclusão de Perez, seu filho, na genealogia de Jesus.

No quinto caso houve a necessidade da inversão, pois Deus queria mostrar que as nossas grandezas de tempo, espaço, convenções, determinações, escolhas, valores e esquemas não afetam a sua soberania, o seu caráter e, tampouco influenciam em suas decisões.

José, sabendo da limitação física de seu pai, preparou todo o esquema antes, para que quando seus filhos entrassem no quarto do avô, recebessem as suas respectivas bênçãos. O primogênito ficaria a direita e o mais novo à esquerda, porém na hora de abençoar Deus permitiu que Jacó cruzasse seus braços e invertesse as bênçãos, para mostrar que não se sujeita à esquemas humanos, e desta forma, Efraim recebeu as bênçãos reservadas ao primogênito.

Todas as inversões foram necessárias e nenhuma delas surtiu efeito contrário ao que Deus desejava, pois todos os objetivos foram alcançados.

A intenção de Deus era revolucionar este conceito, pois a humanidade, desde o início, não entendeu o seu real significado, fizeram uma ideia errada. Uma valorização, desnecessária, para o primeiro filho em detrimento dos outros e um sentimento de inferioridade diante de uma situação irreversível, pelo menos para o homem.

Deus sempre primou pela igualdade entre os homens, tanto que sua intenção foi mostrar que o direito da primogenitura seria algo bem mais sério do que somente a ordem de nascimento.

Logo na primeira família isto ficou evidente, pois Caim, o primogênito, o qual seus pais pensaram ser o cumprimento da promessa[4] que receberam ainda no paraíso, decepcionou a todos, bem diferente de seu irmão, o segundo, que acabou se tornando o primeiro homem a ter o seu sacrifico aceito.

A ordem de nascimento não era o que mais importava, o que Deus desejava era encontrar o primeiro e verdadeiro adorador, um para agradá-lo.



[1] Ismael foi circuncidado aos treze anos de idade (Gn 17.25).
[2] Isaque foi circuncidado aos oito dias de idade (Gn 21.4).
[3] Conforme a Lei, quando o homem tivesse duas mulheres, o primogênito seria o primeiro filho, independente do amor ou não que o pai sentisse pela mãe (Dt 21.15-17).
[4] A semente, descendente da mulher ferirá a cabeça da serpente (Gn 3.15 - ARA). 

Por: Ailton da Silva - 6 anos (Ide por todo mundo)

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

A arca dos BIG BROTHERS - a arca mais vigiada do mundo


1) A ENTRADA DOS BROTHERs NA ARCA MAIS VIGIADA DO MUNDO
Há muito tempo atrás dentro de uma arca, sem instrumentos de navegação, sem câmeras e expectadores, mas diante dos olhos do grande “EU SOU”, estava reunida uma família, que não foi escolhida aleatoriamente ou tampouco por concursos ou ainda por criteriosa comissão mal intencionada e tendenciosa, antes pelo contrario, foram escolhidos, selecionados e separados do restante da humanidade por Deus. Não mandaram vídeos, não expuseram seus corpos, seus pensamentos e preconceitos, na verdade não sabiam até ser revelado a Noé.

2) A PROVA DO PRIMEIRO LÍDER
A prova do primeiro líder aconteceu bem antes da entrada na arca mais vigiada do mundo. Ela se deu justamente no inicio da construção, na preparação e durante a pregação. A arca mais vigiada do mundo teve somente um líder e ele agiu corretamente durante o seu “reinado”.

3) A PROVA DO ANJO
Na arca mais vigiada do mundo não teve prova do anjo, mas da pomba. Ela foi o sinal de que estavam todos salvos. Foi somente uma prova e suficiente.

3) O PRIMEIRO PAREDÃO
A entrada na arca mais vigiada do mundo se tornou o primeiro paredão da humanidade. Foram escolhidas oito pessoas, que adentraram e permaneceram todo o tempo naquele lugar. Iniciaram uma nova forma de vida, bem diferente da anterior. Lá dentro o comportamento deveria ser outro. Não poderiam pensar somente em si. O objetivo era o coletivo e não havia espaço para o individualismo.

4) A PRIMEIRA ELIMINAÇÃO
O pior momento não foi o espaço de tempo em que ficaram construindo a arca mais vigiada do mundo, mas sim o tempo em que ficaram dentro dela esperando o início do dilúvio. Alguns expectadores, conhecidos, amigos e familiares ficaram do lado de fora esperando a suposta eliminação prometida por eles.

5) A SAÍDA DA ARCA MAIS VIGIADA DO MUNDO E SEUS VENCEDORES
Após os assustadores 40 dias de chuvas e os outros que demoraram para as águas se minguarem, os borthers saíram da arca e contemplaram o premio deles. Não foram 500 mil ou 1 milhão de reais, foi muito mais. Toda a terra estava a disposição deles. Eram os únicos donos de tudo. Se tornaram grandes fazendeiros.

6) CURIOSIDADES SOBRE A ARCA MAIS VIGIADA DO MUNDO
  • Não teve paredões dentro da arca;
  • A prova do anjo foi somente uma, na verdade foi a prova da pomba;
  • Teve somente uma eliminação;
  • Não teve tempo para baladas. Não houve shows, mesmo porque não havia artistas para tal;
  • As provas para conseguirem algo para comerem eram diárias;
  • Dentro da arca mais vigiada do mundo não teve conchavos, “disse-me-disse”;
  • Os problemas apareceram somente depois que saíram da arca, pois enquanto estavam dentro não houve tempo ou espaço para que o Maligno trabalhasse;
  • Os problemas entre os irmãos foram resolvidos fora da arca mais vigiada do mundo.
Por: Ailton da Silva - 6 anos (Ide por todo mundo)

A simplicidade de uma grande obra


Noé foi chamado para construir a arca. Foi um homem obediente, pois seguiu a risca todas as instruções recebidas e não a construiu conforme seu gosto. Recebeu ajuda somente de sua família e enquanto trabalhava, o povo zombava. A construção se deu justamente em um momento de crise mundial (destruição da raça humana) devido aos seus pecados.

Não tinha noção nenhuma de engenharia naútica, mas foi capacitado para aquela obra. Não possuia modelos anteriores de homens que andaram na presença de Deus para se espelhar.

A arca não foi construída para alcançar grande velocidade, apenas para abrigar aqueles que estavam no seu interior.

Noé não tinha experiência para administrar conflitos pessoais e familiares. Na arca estavam pai e filhos, mãe e filhos, filhos e os pais, sogra e as noras, sogro e as noras e as noras com os sogros, provavelmente houve conflitos, mas também tiveram tempo para colocarem em práticas muitos valores morais e familiares. Entraram na arca e trabalharam e não ficaram somente espiando os mortos.

Foi encarregado de reunir os animais para entrarem na arca, uns vieram de bom grado outros possivelmente amarrados, laçados, carregados, empurrados ou nas costas. Noé também recebeu conhecimento da parte de Deus para entender a natureza dos animais. 

Os homens não tiveram provas físicas para acreditarem no que Noé falava, mas prova física maior que o movimento dos animais para dentro da arca não poderia ter existido.

Se não acreditaram na grandiosidade da construção da arca ao menos deveriam acreditar na obra espiritual que estava sendo realizado, pelo menos poderiam ter percebido a sensibilidade e fidelidade dos animais vistos na obediência à voz de Deus.

Noé e sua família trabalharam durante o tempo em que permaneceram na arca, ora na alimentação dos animais ora na limpeza. Todo o estrume era jogado para fora, pois Noé primava pela limpeza

Noé soltou um corvo (esperto), pois se o corvo não voltasse saberia que a terra já estava seca. Outro problema seria se o corvo voltasse com restos de carniça ou cheirando mal, desta forma, sujaria a arca e infestaria com o cheiro desagradável.

Noé abriu a janela na hora certa de soltar os animais, não ficava abrindo e fechando toda hora, por curiosidade ou para ver os mortos. Quando saiu da arca erigiu um altar para adorar a Deus e não foi diretamente comemorar a sua salvação.


Por: Ailton da Silva - 6 anos (Ide por todo mundo)

domingo, 1 de novembro de 2015

Em tempo: "E se estivessemos lá. teríamos ajudado ou seríamos também vítimas do erro"?


Quem sabe, um dia Adão teria reunido seus filhos, Caim e Abel, os primeiros de muitos que teve durante os seus novecentos e trinta anos de vida (Gn 5.5), para contar-lhes algumas histórias sobre o seu passado. A sua criação, a posterior e rápida estadia no Éden, bem como a dolorosa mudança, comumente conhecida como expulsão, formavam um enredo fascinante capaz de reunir multidões para ouvirem seus relatos. Josefo descreveu, meio que subliminarmente, a origem de uma pequena parcela destes possíveis ouvintes:

“Adão ainda vivia e tinha cento e trinta anos. A morte de Abel e a fuga de Caim fizeram-no desejar ardentemente outros filhos. E teve mesmo vários: depois de viver ainda oitocentos anos, morreu na idade de novecentos e trinta anos. Seria demasiado longo discorrer sobre todos os filhos de Adão”. JOSEFO (Livro primeiro, capítulo 2).

No inicio das narrações, tudo era “motivo de muita alegria”, pois se tratava de algo inédito, fascinante. Como estaria, parte da humanidade, diante do primeiro homem? Como encarariam a obra das mãos de Deus? Aliás, a questão primária era acreditarem com veemência em toda aquelas histórias. Acreditaríamos ou menearíamos a cabeça negativamente? Ou ceticamente diríamos, guardando as devidas proporções: “As muitas letras o fazem delirar”, Adão (cf At 26.24).

Mas que prazer seria a audição daquelas narrações, da mesma forma Josefo e Van Groninge, respectivamente, descreveram algumas das partes encantadoras e fascinantes das histórias adâmicas:

“Deus, vendo que Adão estava sozinho, enquanto os outros animais tinham cada qual uma companheira, quis também dar-lhe uma consorte. Para isso, quando ele estava adormecido, tirou-lhe uma das costelas, da qual formou a mulher. E, logo que Adão a viu, percebeu que ela havia sido tirada dele e que era parte dele mesmo". JOSEFO (Livro primeiro, capítulo 1).

 “Resumindo: Yahweh Deus revelou que no ambiente que ele tinha preparado, o ser humano tinha de ter sua casa, executar as suas responsabilidades, e desfrutar de seus privilégios. A maior bênção dos homens era que foram feitos à imagem de Deus e foram unidos a ele em amor por toda a vida. As imagens, isto é, o homem e a mulher, também tinham de refletir todas as virtudes que Yahweh Deus revelou em relação a ele”. VAN GRONINGE (2006, p. 25).

A expulsão do paraíso não afetou a memória do casal, pois ainda estavam sublinhados aqueles momentos, poucos ou muitos, em que estiveram no Éden, na presença do Criador. Particularmente creio que Deus não sacrificou as lembranças daqueles dois desobedientes, mesmo porque há de se levar em conta que se tratava de algo muito particular, a vida deles antes e depois do erro. Os acontecimentos pré e pós queda estavam mentalizados[1] e guardados na mente do primeiro casal para todo o sempre.

A princípio, seus filhos ouviriam atentamente os relatos do pai e ficariam admirados com tamanhos privilégios que seus genitores tiveram, ou acreditaram para não entristecê-lo, haja vista a insuficiência[2] de provas ou maneiras de se constatar a veracidade dos fatos.

Mas com o passar dos tempos o fascínio foi se esvaindo dando lugar a um pequeno princípio de murmuração e porque não dizer de revolta. Não seria nada de espantoso se Adão ouvisse de seus filhos:
  • Como isto foi acontecer, pai?
  • Como vocês perderam tamanha benção?
  • O que vocês fizeram de tão graves que aborreceu tanto ao Criador?
  • E porque Ele não foi misericordioso?
  • Porque não puniu somente o verdadeiro culpado?
Certamente Adão olharia para os filhos questionadores e responderia uma a uma, todas as perguntas:
  • Foi um momento de fraqueza de minha parte e de sua mãe;
  • Fomos enganados por um inimigo feroz, que nos odiou desde o inicio;
  • Fomos desobedientes às ordens tão simples. O agravante foi quando, enganados, pensamos na possibilidade de sermos iguais ao Criador (Gn 3.5, p. final);
  • Deus foi misericordioso, tanto que somente nos expulsou do jardim, ainda bem que ele não requereu para Si o fôlego de vida que havia me dado (Gn 2.7), sem o qual não seriamos mais almas viventes. E quanto a sua mãe, glorifico a Ele, por não ter voltado ao seu estado original, osso (Gn 2.21) e por ter permanecido ao meu lado com vida e submissa, conforme sentença descrita por Ele ante ao seu juízo (Gn 3.16). Ela poderia ter se revoltado comigo, por tê-la acusado[3] primeiramente do erro, e sumiria nesta terra sem dono, mas pelo contrário resolveu permanecer comigo, honrando o matrimônio realizado pelo próprio Deus;
  • Quanto ao culpado, ele foi punido, aliás já estava cumprindo parte de sua pena pelo seu erro (Ap 20.10).
Um dos filhos, ainda mais fascinado pela história perguntaria: “E para onde foi o tentador? Foi aniquilado? Nunca mais o veremos? Estamos livres de suas atuações? Ou ele virá novamente nos atacar também? E porque ele nos odeia tanto?

“Filho, eu e sua mãe fomos considerados a coroa da glória de toda a criação e através de nós, Deus apresentou ao universo a família, a maior de todas as instituições terrenas, uma vez que ela não terá sua funcionalidade nas mansões celestiais (Mt 22.23-33). Vocês são herança do Senhor (Sl 127.3), este é o motivo de tamanho ódio. Ele está ao nosso derredor, bramando como leão, procurando alguém para tragar (1 Pe 5.8), provavelmente ele virá sobre vós, mas não temais: resista, que ele fugirá de vós” (Tg 4.7).

a) Se estivéssemos lá, ajudaríamos ou atrapalharíamos?
Se já existíssemos, certamente teríamos lhe avisado sobre o perigo ou imploraríamos para que não desobedecessem a Deus. Talvez o nosso choro chamaria as vossas atenções e não dariam crédito à “conversa fiada e mole” do tentador. Certamente impediríamos que comessem do fruto da árvore da ciência do bem e do mal (Gn 2.17). Se tivéssemos nascidos antes, vocês não teriam errado!

Adão, conhecedor do mal que praticara, facilmente teria resposta para este apontamento do filho. “Filho, não é o homem, a mulher, filhos, ambiente ou situações favoráveis que podem favorecer ou impedir o pecado. O coração do homem é bifurcado, enganoso e tendencioso. Se vocês estivessem lá, fatalmente seriam envolvidos na tragédia. Também seriam enganados e sofreriam com a perda e, sem sombra de dúvidas, se revoltariam conosco e com o Criador. Deus sabe todas as coisas”, conforme descrito por Ellissen:

“Sem esse registro seria difícil determinar a origem do pecado ou do mal. Gênesis demonstra claramente que o Criador não criou o pecado ou o mal. Ele surgiu de dentro do coração de Adão e Eva. A sua causa não foi um mau ambiente, nem a serpente, ou o fruto da árvore do bem e do mal. Essas não foram as causas, mas a ocasião. A causa estava no uso egoísta da vontade humana de rejeitar a vontade soberana de Deus, desobedecendo-lhe. Ao entrar no mundo, o pecado começou a multiplicar-se imediatamente. Isso é descrito em Gênesis 4-6. Do coração do primeiro homem passou ao lar e depois a toda a sociedade. O resultado é descrito em Gênesis 6:11-12: “a terra estava ... cheia de violência” e “todo ser vivente havia corrompido o seu caminho”. ELLISEN (p. 21).

b) Caim, se estivéssemos ao seu lado, você teria poupado seu irmão?
Em algum momento da história, o pai perguntaria ao filho assassino o motivo de tamanha brutalidade. Da mesma forma como poderia ser questionado, ou se foi, ele poderia reverter ao filho a mesma pergunta: “Se eu e sua mãe estivéssemos com você, naquele fatídico e trágico dia, você teria poupado seu irmão da morte”? Eis a prova de que homem, ambiente ou situações favoráveis não impedem homens de pecarem e desagradarem a Deus, vejamos:
  • O pecado original foi praticado ainda no Éden, um lugar favorável a obediência, mas que não tinha por função bloquear a entrada ou coibir a atuação do inimigo, bem como seu posterior lançamento de sua seta (sereis iguais a Deus). Isto era e é atribuição humana (resisti e ele fugirá de vós);
  • O primeiro homicídio (Gn 4.1-8) se deu na terra, fora do paraíso, mas em um ambiente favorável à adoração e obediência. Partindo do principio que cada qual entregou seu sacrifício e que retornaram às suas atividades, pastoreio de animais e cultivo da terra, há de se enfatizar que os momentos de alegria[4] ainda fluíam em seus interiores, motivo pelo qual não caberia a brutal reação de Caim ao ver a rejeição pela sua oferta.

Pela decepção e mudança de semblante de Caim, creio que mataria seu irmão, pai, mãe e todo aquele que se intrometesse em seu caminho. Por todo este relato, o certo é que homens, mulheres, ambientes ou condições favoráveis não nos impedem de pecar.

O mesmo se aplica a primeira família constituída na terra, pós Éden, uma vez que tanto os filhos quantos os pais não poderiam e não podem trabalhar e mudar corações que já estão setados pelo inimigo de nossas almas. A presença dos filhos, no jardim do Éden, em nada contribuiria para o sucesso da obediência dos pais, pelo contrario, pois fatalmente seriam atingidos, da mesma forma como acontece nos dias hodiernos.

O ambiente favorável contribuiu para o crescimento e formação do caráter dos filhos, bem como é parte integrante na instrução (Pv 22.6), ou não, mas em nenhum momento se transforma em escudo ou garantia da imutabilidade da nossa santidade, pelo contrário, pode corromper os corações e desviá-los da direção divina.

Adão poderia garantir aos filhos, que jamais tornaria a repetir o erro? na primeira ocasião, foram expulsos do paraíso, em um segundo deslize para onde seriam mandados? Existiria ou existe lugar “pior’ que esta terra? O primeiro erro foi suprimido pela misericórdia de Deus, mas o segundo.... “apartai-vos de mim” (Mt 25.41).

“Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte [...] assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação da vida”. (Rm 5.12, 18)

Referências:
Bíblia de estudo aplicação pessoal. CPAD, 2003.

Bíblia Sagrada: Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000.

Bíblia Sagrada – Harpa Cristã. Baureri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2003.

ELLISEN, Stanley A. Conheça melhor o Antigo Testamento. Traduzido por Emma Anders de Souza Lima. Editora Vida.

JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. De Abraão a queda de Jerusalém. 8ª Ed. Traduzido por Vicente Pedroso. Rio de Janeiro. CPAD, 2004.

VAN GRONINGE, Gerard. O progresso da revelação no Antigo Testamento. Tradução Sachudeo Perdsaud. São Paulo. Cultura Cristã, 2006.



[1] Disponíveis para futuras narrações, aprendizado e conscientização das futuras gerações..
[2] O que poderia ser usado para autenticar os relatos adâmicos? Fé era a única ferramenta disponível, pois não havia profetas, escritos, testemunhas além dos pais.
[3] Algumas lágrimas cairiam do rosto de Adão ao dizer isto na presença da mulher.
[4] Alegria sentida pelos dois irmãos no inicio dos trabalhos de adoração e posterior decepção de Caim (Gn 4.4-5)

Por: Ailton da Silva - 6 anos (Ide por todo mundo)

Em tempo - "O medo da solidão é menor que o desejo de ser o maior"


Qual a origem da violência? Após a expulsão? Nos primeiros dias de convívio em grupo? No seio da primeira família? Entre dois irmãos? Os únicos amigos da época (?).

O medo da solidão não foi maior que o desejo de ser o maior. Então a expulsão do paraíso não foi capaz de resolver os problemas da humanidade, recém formada? A convivência fora do paraíso serviu para grifar ainda mais os erros do homem.

Imagino os pais diante de um corpo inerte na terra, algo inédito para eles, sem atitude e um pouco mais atrás estava o irmão imaginando que Abel estivesse simulando aquela situação. Ou estava arrependido? Triste? Talvez naquele momento de reflexão, ele tenha feito propósitos com Deus ou exposto o desejo de mudança, pois é assim que acontece quando estamos diante dos “inertes” parentes, amigos ou conhecidos.

Para quem já havia respondido de forma insolente ao próprio Deus, como estaria arrependido ou demonstrando algum outro sentimento humanitário? Ele não via a hora de tudo aquilo terminar para dar continuidade a sua vida.

“E disse o SENHOR a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão”? (Gn 4.9)

Pelo menos poderia ter demonstrado uma dor pela perda do grande amigo, do irmão ou então porque não buscou o perdão de Deus? Certamente conheceria uma parcela da misericórdia Divina.

A fuga foi a solução encontrada por Caim, que para trás deixou os pais sem filhos[1], preocupados com a atitude do então “único filho”, até ao nascimento de Sete (Gn 4.25), o percussor de uma geração que começou a buscar a Deus (Gn 4.26). Esperança para o caído homem?

Então, a grossos olhos, poderíamos dizer que a partir deste momento o grande problema da humanidade, até então, estava com os seus dias contados? O homem voltou a se aproximar de Deus, certamente reconheceria seus erros e voltaria à comunhão perdida no Éden, pelo menos esta seria a lógica.

Segundo Josefo, havia na terra, duas raças, dois grupos de pessoas, assim como frisamos acima, a geração de Sete, os filhos de Deus (conforme Gn 6.2) e a geração marcada de Caim (Gn 4.15), os filhos do homem (conforme Gn 6.2), mas um dia, estas duas gerações se encontraram e se misturaram. A mistura gerou a multiplicação da espécie e da violência.

“Nessa época, havia duas raças distintas: a descendência de Sete e a de Caim. Os expositores modernos, em sua maioria, concordam que os "filhos de Deus", citados em Gênesis 6.2, constituíam a descendência de Sete, e os "filhos dos homens", a descendência de Caim”. JOSEFO (Livro primeiro, capítulo 2).

Então a fuga e o isolamento do primeiro homicida não resolveram o maior problema da humanidade? Pelo contrário, parece que aumentava ainda mais o fascínio humano pela maldade. Os lugares por onde, ele disseminou o mal que havia em seu coração. A sua história não era segredo para ninguém.

“Depois de haver atravessado diversos países, Caim estabeleceu residência em um lugar chamado Node, onde teve vários filhos. No entanto o castigo, em vez de torná-lo melhor, fê-lo, ao contrário, muito pior. Abandonou-se a toda sorte de prazeres e até usou de violência, apoderando-se de bens alheios para enriquecer-se. Reuniu homens maus e celerados, dos quais se tornou o chefe, e ensinou-os a cometer toda espécie de crimes e de ações ímpias”.

“Eis como a posteridade de Caim chafurdou-se em toda espécie de crimes. Não se contentaram em imitar os de seus pais, mas inventaram outros. Entre eles, havia assassínios e latrocínios, e os que não mergulhavam as mãos em sangue estavam cheios de orgulho e de avareza. JOSEFO, (Livro primeiro, capítulo 2).

Quem sabe o extermínio da raça humana pudesse resolver o problema da maldade? Deus não via mais com bons “olhos” a sua criação, por isto resolveu por fim a tudo (Gn 6.5), mas era preciso conservar uma semente, para que a partir desta aparecesse uma nova geração, diferente daquela corrompida e maldosa.

A semente escolhida foi boa (Gn 6.9), pois Noé havia achado graça aos olhos de Deus, algo extremamente difícil para os moldes sociais da época. Diante de toda aquela corrupção existia ainda um fiel, um que buscava a Deus e que se apartava do mal, aliás sempre houve e sempre haverá, pois Deus nunca ficou ou nunca ficará sem testemunho na Terra (I Rs 19.18; Ap 7.1-9; 11.1-3).
  • Após a saída da arca, aquela família voltou a sua rotina e não demorou para que voltassem a tona os velhos e conhecidos problemas da raça, a violência e maldade, mas com uma nova roupagem, uma nova conotação, que muitos poderiam até classificar como normal, aceitável ou insignificante:
  • Uma falta de respeito por um grande patriarca. Isto fundamentou a origem semita e a posição elevada de Israel (Gn 9.26) e por outro lado consolidou a constante presença ao seu redor de seus “inimigos” (Gn 4.25);
  • Uma afronta a um trabalhador, que se alegrou pela colheita (Gn 9.20). O trabalho, sucesso e prosperidade eram somente seus ou também de seus filhos? Porque então também não se reuniram a ele para juntos comemorarem o fruto da terra?
  • Uma violência moral contra o próprio pai (Gn 9.22). Três filhos, com atitudes diferentes, que agiram como aqueles dois grupos de pessoas que havia na terra, antes do dilúvio (os filhos de Deus e os filhos do homem), pois um não honrou o pai (Gn 9.22), enquanto que os outros dois não permitiram a desonra, a chacota, os risos, a vergonha, o rótulo, a discriminação e qualquer outra consequência que este tipo de violência provoca no homem.
Naquele dia todos estavam reunidos e contemplaram a alegria de Noé, mas também conheceram um novo tipo de violência, a moral, que em muitos casos é pior que a física, pois traumatiza, tanto quanto, causa ferimentos profundos, consequências que somente são sentidas no futuro, por outras gerações.

O Maligno conseguiu entender desta forma e por isto mudou os seus planos. A violência física é fácil de se identificar e evitar, mas a moral, a cruel, a violência branca é muito pior e maléfica.

Portanto o dilúvio também não resolveu o velho problema da humanidade, pois a maldade ainda imperava e até piorou. Somente o Sacrifício vicário de Jesus, pode resolver os traumas causados pela violência social, que tão de perto nos rodeia.

Referências:
Bíblia de estudo aplicação pessoal. CPAD, 2003

Bíblia Sagrada: Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000

Bíblia Sagrada – Harpa Cristã. Baureri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 2003

JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. De Abraão a queda de Jerusalém. 8ª Ed. Traduzido por Vicente Pedroso. Rio de Janeiro. CPAD, 2004




[1] Partindo do princípio da primeira família ser constituída por 4 pessoas.

Por: Ailton da Silva - 6 anos (Ide por todo mundo)

sábado, 24 de outubro de 2015

A última visita de Deus e as sentenças


A criação pecou, mas não foi desamparada pelo seu Criador, porém o medo e as incertezas tomaram conta deles. O que fazer então? Como reagir diante daquela situação? Deveriam esperar que Deus lhes apresentasse o salário do pecado e o plano para restauração.

As visitas diárias foram interrompidas, aquela foi a última. Os encontros anteriores foram prazerosos, mas aquele, em especial, estava acontecendo algo diferente, pois o sentimento que brotou nos coração não foi a expectativa saudável, a alegria, o regozijo, muito pelo contrário, foi o pavor, medo e remorso. O único sentimento inexistente, justamente, foi o arrependimento, que também não seria visto fora do paraíso, no episódio do assassinato de Abel.

Naquela última visita o universo presenciaria a instalação da misericórdia. Seria possível Deus ainda visitar a sua criação, mesmo depois do ocorrido? Ele já sabia de tudo, mas fez questão que o próprio homem declarasse seu erro, para então lhe apresentar e instalar o seu plano de restauração. O inimigo ficou ao lado, não acreditando em sua falha.

Quando ouviram a voz de Deus, temeram por dois motivos, primeiro pela situação em que se encontravam e depois pelo medo, que aumentou em virtude da perda de identidade. Até então eles tinham uma visão diferente do Criador, havia sido somente bênçãos, mas agora estava prestes a presenciarem uma ação diferente de Deus. O que poderia ser feito?

Quem sabe não pensaram rápido em um plano para tentarem enganar a Deus. Quem sabe não planejaram esconder tudo? Não teria jeito, pois Ele conhece o passado.

Ou talvez tenham pensado em esconder o sentimento de frustração que havia invadido o interior deles, mas também não haveria jeito, pois Deus conhece o presente.

No mínimo, devem ter pensado em uma forma de esconder o medo que sentiam pelas consequências que recairiam sobre eles, mas não havia jeito, pois Deus conhece o futuro e mesmo porque os corações e pensamentos são sondados pelo Criador, que chega na região onde está estabelecida a divisão entre a carne, alma e espírito.

O inimigo ao final desta empreitada, imaginou ter feito o trabalho com sucesso. O homem caído, Deus decepcionado com a sua criação. Agora não restava mais nada por fazer. Sua obra estava completa, faltava apenas o Criador boicotar e não visitar a sua criatura nos diários encontros na viração daquele fatídico dia.

O maligno amargou uma grande derrota, pois Deus, sempre fiel, se fez presente, como se nada tivesse acontecido. Pela onisciência, Ele sabia de todo o ocorrido, mas desejava revelar a sua misericórdia para a raça humana, que momento ideal.

A expectativa por aquela visita de Deus estava causando um terror na mente do casal. Como de costume Adão foi chamado pelo nome e logo de início culpou a mulher pelo seu erro, mas audácia maior foi quando ele acusou o próprio Deus de ter lhe dado uma companheira para levá-lo a perdição. Já a mulher somente apontou para a serpente.

Esta foi a seqüência dos acontecimentos:
  • Engano: partiu da serpente, depois atingiu a mulher e seduziu ao homem;
  • Pecado: alcançou a mulher e depois o homem;
  • Depoimento: o primeiro a depor foi o homem, depois a mulher e por fim a serpente ouviu a sua sentença sem demonstrar nenhum poder de reação;
  • Sentença: a primeira a receber a sentença foi a serpente, depois a mulher e por fim o homem.

As sentenças foram dirigidas aos três, atribuindo-lhes dores, sofrimentos, perdas, deveres, novas rotinas, certeza da perdição e limitação do corpo humano:
  • Serpente: sentença sobre o seu presente e futuro[1];
  • Mulher: submissão ao homem e acréscimo de dores em sua gestação;
  • Homem: sustento através de seu suor, até que voltasse ao seu estado original (pó).

As consequências do erro, do homem, também foram sentidas por outra grandeza de Deus, a natureza, pois ao perceberam a nudez, desfolharam uma figueira e coseram túnicas provisórias, mas como se deteriorariam rapidamente, representando a superficial providência humana diante dos problemas, foi preciso que Deus cozesse túnicas de peles dos primeiros animais sacrificados no paraíso. A partir daquele momento nasceriam toda espécie de espinhos e cardos.

Mesmo diante de todo este cenário, a princípio, catastrófico, Deus reservou uma promessa especial[2] à mulher, talvez por ela não ter culpado o homem ou ao próprio Criador, pelo seu erro. Ela foi a pessoa que saiu mais fortalecida de toda aquela história.

O inimigo esperava que o homem fosse desmoralizado por Deus. Os acontecimentos que se seguiram o decepcionaram sobremaneira. A expulsão do paraíso foi confirmada, pois a desobediência teria o seu ônus, mas ele desejava a condenação eterna.

Em nenhum momento, mesmo apresentando a sentença, Deus desmoralizou ou desesperançou totalmente a coroa da glória de sua criação, pelo contrário, lhe fez promessas grandiosas.

A situação pecaminosa do homem e a sua nudez, antes da sentença, foram reveladas, mas por quem? Pelo inimigo? Pela companheira? Ele mesmo percebeu? Ou foi a sua consciência que rapidamente traçou um paralelo entre a forma anterior e a atual e apontou a gritante diferença.

A túnica de figueira que coseram rapidamente, ao perceberem que estavam nus, era fraca, não resistiria por muito tempo, fora do paraíso. Precisavam de algo mais resistente, além do mais para encobrir tamanho pecado deveria ser muito mais do que simples folhas.

Quando Israel saiu do Egito coseram rapidamente bolos, que não duraram muito tempo, por isto Deus operou de forma a providenciar alimentação para toda aquela multidão, durante longos quarenta anos. Mesmo com toda a preparação do primeiro casal, eles não se cobririam por muito tempo, assim como o povo no deserto não conseguiram se alimentar com apenas aqueles poucos bolos.

Talvez o inimigo tenha pensado em interferir pela última vez, antes que o homem fosse expulso do paraíso. Será que tentou colocar no coração do casal o desejo de rejeitarem aquela ajuda de Deus? Adão não seria capaz, agora, de criar algo para si mesmo? O certo é que já não tinha mais aquela sensação de dependência total, quem sabe não se imaginava auto suficiente, pelo menos para coser suas próprias roupas.

Mesmo assim Deus deu este presente a eles. Animais[3] foram sacrificados para que o pecado fosse encoberto. Que animais? Os recém criados? Do paraíso ou de fora? Foram extintos? Isto abalaria a cadeia alimentar? Não interessa quais animais foram e o local onde estavam, o importante é que o amor e o plano de redenção da humanidade foram revelados.

O pecado provocou uma grande reviravolta na vida espiritual do homem, tornando-o vazio, portanto era preciso outra intervenção de Deus, a terceira, pois a primeira foi na sua criação, a segunda na formação da mulher e agora tornava-se necessário a restauração de sua obra prima para que ela tivesse condições de se tornar habitação e morada do Espírito Santo.



[1] O maligno foi preparado para sua terceira sentença (Gn 3.15).
[2] Da semente da mulher, não do homem, nasceria o que feriria a cabeça da serpente.
[3] Animais inocentes, pegos de surpresa ou que já foram criados para esta finalidade?

Por: Ailton da Silva - 6 anos (Ide por todo mundo)

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

A companheira



A perfeição estava revelada naquela grande obra, não havia, portanto, motivos para preocupações ou algo por fazer, porém Deus olhou para o homem e o viu solitário. Foi surpreendente esta conclusão, pois Ele sempre esteve ao seu lado, mas na opinião do Criador era evidente o estado de solidão. Isto não era bom.

Deus criou os animais e os colocou, um a um, formando os seus respectivos grupos, direcionando-os para os seus habitats, mas com Adão a história foi diferente, pois ele foi uma criação única, solitária. Não era bom que ele permanecesse naquelas condições.

Na verdade, o homem possuía alguém acima dele, Deus, e também abaixo, os animais, porém não via ninguém ao seu lado, então realmente ele estava sozinho.

O próprio homem tentou procurar companhia, mas não a encontrou entre os animais irracionais, foi preciso que Deus a preparasse, pois as relações pessoais são indispensáveis e esta necessidade também era evidente na vida de Adão.

Para criar a mulher, a companheira, não seria necessário um novo processo criacional. O plano de Deus consistia em vincular um ao outro, tornar a mulher dependente, submissa e auxiliadora. Ela recebeu a vida, de uma das costelas[1] de Adão, que não sentiu dores, pois estava dormindo profundamente. Somente desta forma os dois se tornariam uma só carne, uma unidade.

Então o homem, agradavelmente surpreso, foi apresentado a sua companheira, pois visualizou o desejo do seu coração, este foi o seu segundo amor. Ele a chamou de Eva, isto é, vida.

A sua reação deveria ser diferente mesmo, pois até agora somente havia se relacionado com animais irracionais, incapazes de demonstrarem e desenvolverem comunhão, mas agora estava diante de uma criatura semelhante a ele, capaz de reagir às suas emoções. Ele viu nela um pedaço de sua carne, inseparável, haja vista estar ali uma parte de sua costela.

Estavam nus, descobertos, mas não se envergonhavam e tampouco sofriam com o clima ou com a temperatura do Jardim do Éden. Eles estavam isentos do frio, calor, umidade alta, baixa ou qualquer outra intempérie da vida.

O relacionamento deste primeiro casal foi extremamente edificante, para ambos, pois não conheceram, ali naquele ambiente santo, qualquer um dos sentimentos ou atitudes capazes de abalarem aquela relação.

E todos os dias, por direito, na viração do dia recebiam a visita de Deus, que passeava na intenção de ver como se portavam. Era uma preocupação evidente.

Desta forma foi tudo facilitado para viverem no paraíso, pois não havia complicadores, empecilhos, obrigações, as quais não poderiam ser cumpridas pelo homem. Toda a obra contribuiu para que o homem atingisse a perfeição moral.

Que perigo poderia afetar aquela tranqüilidade? Alguma fera? Seria impossível, pois ainda não havia este tipo de inimizade entre o homem e os animais. Que tipo de ataque poderia ser capaz de abalar a estrutura humana? O pecado?

Nestas condições seria impossível não atribuirmos ao homem estas natas características:
  • Eterno, santo, perfeito, alegre, em paz, sem pecado ou inimigos;
  • Privilegiado e com direito a ver Deus na viração dos dias;
  • Considerado a coroa da glória da criação de Deus, sua imagem e semelhança;
  • Com domínio carnal sobre todos os animais e etc.
Que dificuldade haveria em cultivar a terra, cuidar dos animais e comer dos frutos e ervas? Esta era cultura estabelecida por Deus para que usufruíssem daquele lugar. Sossego, paz, tranquilidade e sequer precisavam se esforçar para obter o alimento. Era um ambiente santo, puro e tranqüilo. O que poderia dar errado?




[1] Se fosse da cabeça poderia se sentir superior e se fosse dos pés se sentiria inferior.

Por: Ailton da Silva - 6 anos (Ide por todo mundo)