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domingo, 6 de fevereiro de 2022

Os patriarcas. Coincidências ou repetições da história? – Capítulo 17

O surgimento de Israel

Todos estes fatos consolidaram o nascimento da nação de Israel, uma pátria sem território, hóspedes em terras estranhas, que se multiplicaram no Egito.

Os dez filhos de Jacó juntamente com os dois de José se constituiriam na espinha dorsal de Israel. Se desejavam tanto o reconhecimento e o respeito das outras nações deveriam se portar como tal e mostrar as suas forças, mesmo em território estranho.

Agora sim as promessas feitas a Abraão partiriam para o seu fiel cumprimento. Eis ai a grande nação saindo do anonimato. Faltavam apenas suas terras.

O reconhecimento veio primeiro do Egito, que contemplou o seu crescimento e temeu ser dominado, dentro de seu próprio território. Os egípcios cavaram suas próprias covas, pois Deus nunca permitiu que fossem prósperas as ferramentas contra Israel.

Por todo este período os hebreus ficaram privados de sua cultura, costumes e religião, sujeitos à contaminação e longe de Deus, porém um dia o clamor foi ouvido e receberam a mensagem entregue por Moisés, o último patriarca.

O primeiro patriarca foi tirado de uma terra distante, separado de seu povo para receber a mensagem que dava conta da promessa de uma nação e descendência. O último cumpriu sua missão e guiou os hebreus para o recebimento da herança. Nos seus últimos momentos de vida contemplou a terra e sentiu-se realizado pela vitória. O grande profeta de Israel, o legislador, o que falou com Deus face a face, ouviu a sua voz, foi sepultado e teve o seu corpo escondido.

Contemplem nações, o cumprimento da promessa feita, confirmada aos cinco grandes patriarcas de Israel. Suas trajetórias não foram meras coincidências ou simples repetições da história. Foram riquíssimas intervenções de Deus, pois foi necessário que todos passassem pelo mesmo crivo, o deserto. 

“E disse-lhe o Senhor: Esta é a terra de que jurei a Abraão, Isaque e Jacó, dizendo: À tua semente a darei [...]”. (Dt 34.4)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Geografia Bíblica. Rio de Janeiro. CPAD, 1987.

Bíblia de aplicação pessoal

Bíblia Sagrada: Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000.

Como deixar de ser filho da filha de Faraó. Disponível em: http://coraoquepulsa.blogspot.com/2011/08/como-deixar-de-ser-filho-da-filha-de.html. Acesso em 01 set. 2011.

COPE, Landa L. Modelo Social do Antigo Testamento: redescobrindo princípios de Deus para discipular as nações. Traduzido por: Andréa Aparício Ribeiro. Almirante Tamandaré JMÍ. Gráfica & Editora Jocum Brasil, 2007.

CRUZUÉ, João. As quatro propostas de Faraó.  Disponível em: http://olharcristao.blogspot.com/2008/11/quatro-propostas-farao.html. Acesso em 15 set. 2011.

GABY, Wagner. Porque o reino de Deus está entre vós. Lições Bíblicas. Faixa Jovens e Adultos. 3º trimestre de 2011. Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2011.

GILBERTO, Antonio. Uma jornada de fé. A formação do povo de Israel e sua herança espiritual. Lições Bíblicas. Faixa Jovens e Adultos. 1º trimestre de 2014. Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2014.

GRENZER, Matthias. Do clã de Jacó ao povo de Israel (Ex 1,1-7). Disponível em: http://revistas.pucsp.br/index.php/culturateo/article/view/15573. Acesso em 03 de agosto de 2014

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do Antigo Testamento - vol 1 - Gênesis a Neemias.

História do povo judeu. Faculdade de teologia Hokemah. São Luís, 2004.

JOSEFO, Flávio. A história dos hebreus de Abraão a queda de Jerusalém. Traduzido por Vicente Pedroso

MACEDO, Edir. A fé de Abraão. Rio de Janeiro. Editora Universal, 2001.

MACKINTOSH, C. H. Estudos sobre o livro de Êxodo.

MARTINS, Marcos José. Geografia Bíblica I. introdução à arqueologia bíblica. São Paulo. Editora Lucel, 2016.

OLIVEIRA, Admilson. Piedade e a fé de seus pais. Disponível em: http://ministerioemfoco.blogspot.com/2011/07/moises-piedade-e-fe-do-seus-pais.html. Acesso em: 01 de ago. 2011.

PAGANELLI, Magno. Conhecedores do bem e do mal – a saga interior do homem através dos séculos.

Schultz, Samuel J. A história de Israel no antigo testamento.

Silva, Antônio Gilberto da. A Bíblia através dos séculos: uma introdução. Rio de Janeiro. Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 1986.

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Os primogênitos: Deixa o meu ir, senão levo o seu. Capítulo 6

b) A despedida de Moisés

Moisés consciente do fim de seu ministério reuniu os hebreus e os instruiu a guardarem a Lei, pois não permitiria que ali mesmo, pertinho da vitória, pudessem se corromper. A sua preocupação com o futuro da nação era constante. Um líder nato, escolhido por Deus, honrou sua chamada e se deixou usar como um valiosíssimo instrumento.

Antes de morrer, Moisés abençoou cada uma das tribos de Israel (Dt 33.1-29). Até neste momento se mostrou obediente, pois sabia do encerramento do ciclo de sua vida (Dt 32.48-52), quem sabe não pensou em clamar a Deus para que esta decisão fosse mudada.

Moisés subiu ao monte Nebo e dali avistou toda a Terra Prometida, pois não seria possível imaginarmos Deus não permitindo que, pelo menos, pudesse contemplar o fruto de seu trabalho. Ali no monte, solitário, o grande legislador vai se encontrar com o seu Deus.

 

c) O presente para o primogênito de Deus

Que alegria entre os hebreus quando conquistaram definitivamente as terras de Canaã. Era a promessa de Deus se cumprindo na vida deles, mas o melhor viria com o tempo, pois receberam como brinde o descanso em relação aos inimigos, que foram surpreendidos e vencidos (Js 21.43-45).

Que visão maravilhosa quando contemplavam aquelas terras. O cumprimento das palavras recebidas por Abraão. Cada tribo recebendo sua herança, felizes da vida. Agora serviriam a Deus e cumpririam sua missão como povo e propriedade exclusiva de Deus (Ex 19.5).

Israel conheceu a verdadeira alegria justamente em pleno deserto, quando peregrinava, nas batalhas diárias com seus inimigos, quando viam a mão de Deus estendidas sobre todos. A cada vitória se sentiam propriedade exclusiva de Deus.

Em Canaã houve muita ilusão e engano, pois alguns de seus inimigos foram preservados. Era momento de vigilância e não de demonstrarem a alegria superficial. Os hebreus não entenderam desta forma e foram enganados. 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Geografia Bíblica. Rio de Janeiro . CPAD, 1987. 

Bíblia de aplicação pessoal 

Bíblia Sagrada: Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000. 

Como deixar de ser filho da filha de faraó. Disponível em: http://coraoquepulsa.blogspot.com/2011/08/como-deixar-de-ser-filho-da-filha-de.html. Acesso em 01 set. 2011. 

COPE, Landa L. Modelo Social do Antigo Testamento: redescobrindo princípios de Deus para discipular as nações. Traduzido por: Andréa Aparício Ribeiro. Almirante Tamandaré JMÍ. Gráfica & Editora Jocum Brasil, 2007. 

CRUZUÉ, João. As quatro propostas de Faraó.  Disponível em: http://olharcristao.blogspot.com/2008/11/quatro-propostas-farao.html. acesso em 15 set. 2011. 

GRENZER, Matthias. Do clã de Jacó ao povo de Israel (Ex 1,1-7). Disponível em: http://revistas.pucsp.br/index.php/culturateo/article/view/15573. Acesso em 03 de agosto de 2014. 

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do Antigo Testamento - vol 1 - Gênesis a Neemias. 

História do povo judeu. Faculdade de teologia Hokemah. São Luís, 2004. 

JOSEFO, Flávio. A história dos hebreus de Abraão a queda de Jerusalém. Traduzido por Vicente Pedroso 

MACEDO, Edir. A fé de Abraão. Rio de Janeiro. Editora Universal, 2001. 

MACKINTOSH, C. H. Estudos sobre o livro de Exodo. 

OLIVEIRA, Admilson. Piedade e a fé de seus pais. Disponível em: http://ministerioemfoco.blogspot.com/2011/07/moises-piedade-e-fe-do-seus-pais.html. Acesso em: 01 de ago. 2011. 

Schultz, Samuel J. A história de Israel no antigo testamento. 

Silva, Antônio Gilberto da. A Bíblia através dos séculos: uma introdução. Rio de Janeiro. Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 1986.

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

terça-feira, 12 de outubro de 2021

Os primogênitos: Deixa o meu ir, senão levo o seu. Capítulo 6

A CHEGADA à TERRA PROMETIDA 

Estava chegando ao fim o período de sofrimento, mas as lembranças vinham na mente dos hebreus. Mesmo em escravidão no Egito, tiveram algumas vezes, a água, teto, comida, à sua disposição, ou pelo menos foi isto que declararam a Moisés em pleno deserto em um de seus inúmeros momentos de devaneios.

Foi justamente nesta ocasião em que apresentaram ao mundo as suas três maiores mentiras:

  • Primeira mentira: “é melhor servirmos aos egípcios do que morrermos neste deserto” (Ex 14.12);
  • Segunda mentira: “no Egito tínhamos carne e pão até fartar” (Ex 16.3);
  • Terceira mentira: “no Egito comíamos peixe, pepinos, melões, cebolas e alhos” (Nm 11.5).

Não perderam pão ou carne e tampouco deixaram para trás os benefícios trabalhistas que tinham no Egito, na verdade não perderam nada. O pão, água, carne e trabalho eram tudo ilusórios, meros pagamentos pelos trabalhos forçados a que foram submetidos.

A única perda, sentida e irreversível, foi justamente a terra fértil que deixaram para trás, que serviria unicamente para cobrir seus corpos inertes quando tombassem sem vida, somente isto e nada mais. Eles perderam a terra para a própria sepultura.

Estavam perto de Canaã, ansiosos por tomarem posse, porém ficaram perplexos ao ouvirem que não entrariam naquelas terras e que a peregrinação continuaria naquele deserto até que toda a geração liberta do Egito fosse dizimada, exceto dois, Josué, filho de Num e Calebe, filho de Jefoné (Nm 14.29-30).

Após o episódio com os filhos de Ruben e Gade, Deus declarou que os maiores de vinte anos não entrariam na boa terra prometida (Nm 32.11).

E não adiantava mentir, esconder a idade, pois Deus sabia muito bem quem eram os de vinte anos para cima que havia perdido o direito à bênção. Ele estava no controle daquela situação.

A reação do povo ao ouvir esta mensagem foi um tanto quanto estranha, pois esperavam que não fosse definitiva. Acreditavam na possível reversão da sentença, por isto continuaram a jornada, certos de que, mais cedo ou mais tarde, seriam novamente agraciados. Não entenderam que foram sentenciados a morte no deserto e jamais entrariam em terras cananeias. Então conheceram a imutabilidade de Deus (Nm 23.19; Ml 3.6), um de seus atributos naturais.

Caso imaginassem que a peregrinação seria longa e que ao final não receberiam a bênção, certamente teriam voltado ou então permaneceriam onde pudessem tirar seus sustentos.

Realmente era um povo de coração duro e de dura cerviz. Lembraram do passado[1], reclamaram no presente e não perceberam que estavam se afastando da bênção do futuro. Foram anos angustiosos até que toda a geração de murmuradores fosse consumida no meio do deserto.

 O passado deve servir de experiência, o presente deve ser vivido e o futuro deve ser aguardado. Israel nos ensinou muito, com seus erros, pois fizeram tanta questão das lembranças do Egito (passado), que não viveram o deserto (presente) e não herdaram Canaã (futuro). Isto nos ensina que não podemos dizer que os nossos dias passados foram melhores que os atuais (Ec 7.10; Is 43.18) como Israel cansou de dizer a Moisés.

Na verdade, Israel havia perdido a noção do tempo, estava delirando em pleno deserto. Foram cerca de quatrocentos e trinta anos de sofrida escravidão (Ex 12.41 cfe Gn 46.5-6), incluídos a estes, depois mais quarenta anos de caminhada no deserto, que pareciam não ter fim (Nm 14.33-34; Dt 2.7; 8.2-4; 29.5; Js 5.6; At 7.36). As lembranças do passado atormentaram o presente e influenciaram o futuro da recém-criada nação.

Os hebreus não atentaram para o processo longo que facilitaria o crescimento gradativo que se daria em pleno deserto. Desejaram facilidades, nada mais que isto. Não aproveitaram as oportunidades, não buscaram e não deram lado para o desenvolvimento de algumas virtudes, presentes na vida dos salvos em Cristo. Humildade para reconhecerem os erros, limitação e obediência à vontade de Deus.

Foram tirados do Egito e guiados ao deserto para aprenderem a viverem pela fé, dependendo as promessas de Deus. Isto seria fundamental para a criação da nação forte, invencível e inabalável. Saíram sem mapa ou pistas, sem direção definida, um grande desafio.

continua...



[1] Estavam sentados junto às panelas, comiam carne, pão, peixes, legumes e frutas até se fartarem, à base da troca pelos serviços prestados. Uma verdade com gosto de mentira.

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Os primogênitos: Deixa o meu ir, senão levo o seu. Capítulo 5

b) Primeira geração: felizes com a liberdade

A primeira geração saiu às pressas depois de comemorarem a liberdade antecipadamente (Ex 12.1-11). Que alívio ao sentirem definitivamente livres do Egito, tanto que se esqueceram do verdadeiro propósito[1] da salvação.

Viram muito milagres, porém não herdaram a bênção. Fizeram muito durante a caminhada, lutaram, enfrentaram inimigos, foram valentes, mas faltou a genuína conversão. Saíram pensando somente na liberdade. Ganharam muito na saída, no entanto, perderam muito mais, logo no início do caminho (Nm 14.29-30, cfe Dt 2.14).

A saída foi incondicional, mas a entrada em Canaã foi bem diferente e durante o caminho, Israel conheceu as condições (Nm 14.29-30; Dt 2.14, Js 24).

 

c) Segunda geração: felizes com a salvação

A segunda geração pensou somente na salvação, na proximidade da bênção. Alguns nasceram no deserto e por não terem visto a maior parte das operações de Deus, pré e pós-saída, ouviram[2] de seus pais, todo o relato do acontecido. Os ensinamentos surtiram efeito, já que se mantiveram fiéis, por isto entraram em Canaã (Js 3.14-17).

A primeira geração se alegrou com pouco, apenas com a saída e a segunda se preocupou com a caminhada, se alegrou na salvação e mirou na possibilidade da chegada.



[1] Deus não estava libertando um povo somente para sentirem o gosto da liberdade. Ele estava libertando um povo para ser sua propriedade particular (Ex 19.5).

[2] Função primeira e primordial dos pais hebreus, ensinarem seus filhos (Ex 19.5-8).

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Os primogênitos: Deixa o meu ir, senão levo o seu. Capítulo 5

Indisciplinados, não estavam preparados para enfrentar inimigos poderosos como os filisteus que habitavam às margens do Mar Mediterrâneo, por isto foram desviados para o caminho mais longo (Ex 13.17-18), que em tese seria fácil e até mesmo seguro.

Esta rota, traçada por Deus, era o caminho mais longo, tanto para irem quanto para voltarem, caso tivesse esta ousadia e coragem. Se tivessem ido pelo caminho mais curto, certamente os revoltosos voltariam mais rápido para o Egito.

Em muitas oportunidades pediram autorização para o retorno ao Egito, mas no fundo sabiam o quanto seria difícil o retorno, mesmo porque como atravessariam o Mar Vermelho? A nado com suas próprias forças? Ou imaginavam que Deus pudesse separar as águas e tornar seco o caminho para os derrotados e indisciplinados?

Em condições normais seria possível percorrer este trajeto em pouco mais de trinta[1] dias, mesmo com toda aquela carga.

Seguiram o caminho mais longo, porém necessário, já que para ficar marcado na história das duas nações algo de extraordinário deveria acontecer e Deus ainda tinha muito por mostrar aos hebreus durante o trajeto.

Se tivessem seguido pelo caminho curto, de poucos dias, certamente não veriam as operações, misericórdias e milagres de Deus e não teriam a certeza da chamada.

Pelo caminho longo, os egípcios seriam eliminados, os filisteus, seus futuros inimigos, seriam evitados e quando chegassem em Canaã já teriam a experiência e estrutura para suportarem e reprovarem a conduta pecaminosa dos cananeus, sem contar que já teriam forças suficientes para lutarem pelas suas próprias terras. Além do mais, pela caminhada amariam mais a obra e passariam este sentimento às futuras gerações.

Mas antes de enfrentarem os cananeus, se depararam com outro grande inimigo, o deserto, que para alguns, era considerado o único obstáculo até Canaã. Todos tinham ciência, mas não queriam encará-lo, desejavam facilidades. Quem sabe não pensaram transladação até o destino final? Isto contrariava a vontade de Deus, que desejava a adoração e o serviço naquele lugar (Ex 5.1), para provarem dignos de na Terra Prometida.

Deus afirmou que se tornariam uma grande nação, mas como poderiam crer com convicção diante daquela precária situação? Famintos, pobres, medrosos, alguns doentes, outros com intenções[2] diferentes. Somente Deus poderia trabalhar em favor deles. O socorro viria do alto, a partir do momento em que para lá olhassem (Sl 121.1).

continua...



[1] Levando-se em conta que dentro da normalidade era possível andar algo entre vinte ou trinta quilômetros por dia, dependendo da carga e do número de pessoas.

[2] Alguns “estrangeiros” (Ex 12.38), assim como alguns hebreus não estavam totalmente convictos da bênção ou convertidos.

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Os primogênitos: Deixa o meu ir, senão levo o seu. Capítulo 4

Enfim após a nona praga, os egípcios respiraram aliviados: “Ufa, acabou”! Mal sabiam que o pior ainda estava por vir e o grande culpado seria o próprio Faraó.

Praga a praga, Faraó foi sendo enfraquecido até que na décima recebeu o golpe fatal. Naquela fatídica noite gritos foram ouvidos nos corredores do palácio e das casas egípcias: “É um pássaro? É um avião? Não! É o Anjo do Senhor, procurando sangue nos umbrais das portas”.

A noite mais estranha da humanidade, pois conseguiu produzir ao mesmo instante alegria e tristeza. Para os hebreus houve vida, sono tranquilo, bênção, luz, união entre os membros da família e uma festa memorável, a Páscoa.

Para os egípcios houve morte, insônia, tristeza, juízo, trevas, choro, divisão, lamentos e luto. O gigante acordou tarde. Deus havia avisado desde o início, mas Faraó não deu crédito. “Ou sai o meu primogênito ou mato o seu” (Ex 4.23).

Os hebreus seguiram todas as orientações para enfrentarem a última noite em solo egípcio. Prepararam o cordeiro, o pão sem fermento, pegaram seus cintos e cajados, colocaram as sandálias nos pés, comeram apressadamente e não saíram para fora durante aquela noite.

A comemoração da primeira Páscoa se deu no último dia de escravidão. Na verdade já estavam livres, faltava somente o alvará de soltura que viria através do grito de dor do próprio Faraó.

De todo, não tiveram corações assim tão duros antes da saída, pois acreditaram nas palavras de Moisés e comemoraram[1] bem antes a libertação. Era de se esperar que relutassem por ainda estarem em terras egípcias.

Enquanto comemoravam a Páscoa, felizes da vida, Faraó estava do outro lado refletindo sobre os últimos acontecimentos. Tanto no campo espiritual, quanto no material a vergonha estava impregnada em sua história e em suas divindades.

Até a nona praga, somente a nação, economia e divindades egípcias tinham sido atingidas, mas a décima praga atingiu em cheio ao filho de Rá, o supremo Faraó.

No “filho da filha de Faraó”, Moisés, ninguém tocou após o seu retorno ao Egito, tampouco se lembraram do seu erro do passado, mas o “filho do filho de Rá”, o primogênito, pagou pelo erro do pai.

Assustados e revoltados ficaram todos os egípcios, em especial Faraó, que parado diante do corpo inerte de seu primogênito ouviu uma voz: “Mas eu te disse: Deixe sair o meu primogênito”.

Então derrotado, Faraó permitiu[2] a saída do povo de seu território (Ex 12.31-36), levando família, gado e tudo o que os egípcios lhe deram como recompensas pelos quatro séculos de trabalho (cfe Gn 15.14). O último pedido[3] de Faraó foi: “abençoai-me também a mim”.

Faraó disse para Moisés no fervor de sua decisão: “Saia da minha presença e nunca mais apareça aqui! Pois, no dia em que tornar a me ver, você morrerá!” Nunca aquele governante havia dito uma verdade tão profunda. Estava certo, nunca mais os hebreus seriam vistos naquele território.

Que satisfação dos hebreus quando viram os egípcios temendo por mais atuações de Deus. Ergueram as cabeças, para transparecerem os semblantes desafiadores[4] (Nm 33.3).

Os egípcios ficaram nas janelas olhando o desfile dos vitoriosos hebreus. Uns rangiam os dentes de raiva, outros aceitaram a derrota, alguns ainda choravam pela morte de seus primogênitos e a maioria dizia: sumam do Egito e vão adorar o Deus de vossos pais lá no deserto. A saída se deu pela porta da frente, com um gostinho maravilhoso de vitória.



[1] A comemoração da Páscoa (Ex 12.1-18) foi bem antes da libertação (Ex 12.51).

[2] Faraó expulsou Israel. “Saiam imediatamente [...]” (Ex 12.31 NVI).

[3] Faraó não conhecia o Senhor, mas ouviu a voz de Deus e tremeu (Ex 12.31-32)

[4] Era como se dissessem pelo olhar: “Quem mandou mexer com o nosso Deus?”

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Os primogênitos: Deixa o meu ir, senão levo o seu. Capítulo 4

d) A quarta proposta indecente (Ex 10.7-11)

A situação estava tão caótica no Egito, que o próprio Faraó procurou Moisés para lhe apresentar sua última proposta. Permitiria somente a saída do povo, sem nenhuma provisão (Ex 10.24), recursos ou rebanhos. Uma verdadeira cilada, pois seriam abatidos ou fatalmente retornariam em busca de socorro ou para mendigarem o pão (cfe Sl 37.25).

O rebanho dos hebreus era constituído por animais cerimonialmente “limpos” para oferendas e sacrifícios a Deus na época da Lei (cfe 1 Pe 2.25; Hb 13.15,16). Sem as ovelhas e vacas não haveria sacrifícios. Não haveria entrega ao Senhor. Seria uma liberdade sem sacrifícios.

Sairiam sem provisão, sem rebanho e provavelmente sem as recompensas, o que fora prometido a Abraão (Gn 15.14). Caso esta proposta fosse aceita, na primeira dificuldade os hebreus voltariam famintos para o Egito.

Nenhuma das quatro propostas foi aceita e isto endureceu o coração de Faraó. Um dos lados teria que ceder. O tempo mostraria a fraqueza de um dos líderes.

continua...

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

terça-feira, 31 de agosto de 2021

Os primogênitos: Deixa o meu ir, senão levo o seu. Capítulo 4

c) A terceira proposta indecente (Ex 10.7-11)

Faraó permitiria a saída, somente dos pais de família e dos adultos solteiros, sem as suas respectivas famílias. Um ataque a esta instituição tão importante, tal como seu antecessor quando ordenou a matanças dos recém-nascidos dos hebreus no passado.

Indiretamente a sua ordem tentava anular ou impedir o crescimento das famílias hebreias, já que muitos pais temeram e não tiveram filhos. Moisés não aceitou a proposta, pois conhecia a importância deste primeiro grupo social.

Esta proposta foi um verdadeiro golpe de mestre, pois as esposas ficariam desprotegidas no Egito juntamente com os jovens e crianças, enquanto que os chefes de família e demais adultos seriam libertos e fatalmente contrariam novos casamentos no deserto com as mulheres de outras nações.

A saída parcial do povo, como queria Faraó, resultaria no fracionamento e fragilização das famílias, dividindo-as. Neste caso veríamos um número elevado de viúvas de maridos vivos e de órfãos de pais vivos. Esta proposta de Faraó traria resultados nefastos para o povo de Deus:

  • Famílias sem o governo dos pais, sem provisão, sem proteção e sem direção;
  • Maridos sem as esposas e viajando no deserto enquanto que as crianças e jovens estariam no Egito sendo preparadas para uma futura escravização;
  • Uma miscigenação devastadora, pois os pais de família e demais adultos estariam sozinhos no deserto, supostamente a caminho de Canaã, mas não resistiriam aos enganos das mulheres pagãs e idólatras. Por sua vez, as jovens deixadas no Egito se casariam com os incrédulos egípcios. Enfim, haveria a total perda de identidade espiritual.

Faraó enxergou o potencial dos jovens hebreus, mas também por outro lado viu a fragilidade, o que poderia facilitar no caso de um novo período de escravidão, ou seja, a opressão na mente das crianças e jovens produziria uma mão de obra escrava ou barata no futuro. Era uma espécie de liberdade provisória comemorada no presente que se tornaria uma escravidão garantida no futuro.

continua...

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Os primogênitos: Deixa o meu ir, senão levo o seu. Capítulo 4

b) A segunda proposta indecente (Ex 8.28)

Os hebreus seriam libertos para adorarem a Deus, mas não poderiam ir muito longe, deveriam ficar visível aos olhos do exército egípcio. Inclusive Faraó pediu até que orassem por ele. Esta proposta era maligna, pois sacrificariam ali nas imediações da sedutora nação e estariam com um olho em Deus e outro nas velhas terras egípcias.

Ofereceriam sacrifícios no deserto, mas estariam com os pensamentos ainda no passado, uma vez que o Egito não sairia do coração por completo[1]. As consequências seriam inevitáveis e não tardariam para aparecer.

Esta proposta tinha por pano de fundo o laço caracterizado pelo intenso transito que seria visto entre o deserto e o sedutor Egito. Um interminável vai e vem de hebreus, ora lá, ora cá, sem rumo e identidade, imaginando que estivessem servindo a Deus.

O pedido para que não fossem longe, na verdade, significava um rompimento parcial com passado, uma vida superficial, sem consagração, sem profundidade, sem expressão e sem compromisso. Moisés disse não.

continua...



[1] Ló e sua família saíram de Sodoma, mas sua esposa não foi capaz de tirar a sedução e encantos da cidade de seu coração (Gn 19.26).

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Os primogênitos: Deixa o meu ir, senão levo o seu. Capítulo 4

AS QUATRO PROPOSTAS INDECENTES. MORTE DO PRIMOGÊNITO DE FARAÓ 

Após a quarta praga Faraó propôs algumas condições para libertar os hebreus. Foram quatro propostas indecentes que não garantia a liberdade definitiva, pois tinha alguns pontos obscuros. Estas propostas seriam capazes de seduzir até mesmo os mais angustiados e os ávidos pela mudança, mas não Moisés e Arão.

 

a) A primeira proposta indecente (Ex 8.25)

Os hebreus seriam libertos, porém não poderiam sair do território egípcio. Moisés temeu por retaliações dos egípcios, que poderiam considerar como uma afronta (Ex 8.25).

Faraó não queria perder a mão de obra escrava e barata. Sua intenção era fazer com que pensassem que estivessem agradando a Deus, mas na verdade estavam ainda ligados ao passado. A qualquer momento voltariam à condição anterior, bastaria a primeira oferta ou dificuldades.

Esta proposta exigia que os hebreus cultuassem a Deus no próprio Egito, em meio aos falsos deuses. Faraó se imaginou no direito de escolher o lugar para o sacrifício, mal sabia que tudo já estava determinado.

Os hebreus seriam libertos para sacrificarem, porém não poderiam sair do ambiente inóspito e degradante de imoralidade e pecado daquela velha nação. Um velho truque do Maligno que foi posto em ação na tentativa de enganar.

Caso Moisés aceitasse esta proposta, os hebreus ofereceriam sacrifícios do jeito que estavam e não haveria transformação. A adoração seria banalizada e acompanhada de uma fatal perda de identidade[1] espiritual.

A intenção de Faraó era ver os hebreus servindo a Deus sem qualquer separação do mal. Estariam o tempo todo misturado aos ímpios egípcios, uma verdadeira abominação ao Senhor. A iniquidade aumentaria e o amor esfriaria.

continua...



[1] Mesmo no Egito, muitos hebreus se mantinham alheios a cultura idólatra egípcia.

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Os primogênitos: Deixa o meu ir, senão levo o seu. Capítulo 3

  • Sexta praga: As cinzas que antes eram usadas para rituais religiosos, principalmente para curas de enfermidades, causaram úlceras dolorosas. Esta foi uma afronta a deusa Isis, senhora da medicina e supostamente responsável pelos remédios e cura de enfermidades;
  • Sétima praga: “Tempestade de trovões, raios e saraiva” atingiu o Egito, afetando as colheitas e matando animais. Esta praga afrontou Reshpu, deus que controlava chuvas, ventos e trovões e Íris e Osíris, deuses da água e fogo, respectivamente;
  • Oitava praga: O que sobrou da tempestade foi consumido pela praga de gafanhotos. Os deuses Isís, Serpafis, Min, Xu e Sebeque, o deus inseto ficaram impotentes diante da cena;
  • Nona praga: “Foram três dias de densas trevas”, que caíram sobre o Egito. Um golpe contra os deuses Rá (deus sol) e Hórus (deus solar). A luz do sol, astro adorado no Egito ficou incapaz de penetrar as trevas;
  • Décima praga: Aquele que estava escravizando o primogênito de Deus (Ex 4.22) veria o seu primogênito pagar pelo seu erro. Faraó viu os primeiros filhos de seus súditos e o seu serem mortos sem poder fazer nada. Esta foi a maior humilhação para governante egípcio, o que se intitulava filho de Rá ou Amom-Rá.

Caso estas pragas fossem nos dias atuais, as consequências seriam inevitáveis e os prejuízos seriam sentidos tanto na esfera natural quanto na material.

Logo na primeira praga os prejuízos seriam enormes para os pescadores e consumidores, pois o preço do pescado sofreria uma alta. Outro fator que cooperaria para o caos econômico seria os recursos que deveriam ser destinado para a descontaminação de rios.

Nas pragas seguintes o golpe seria ainda mais duro. A cadeia alimentar seria afetada. Haveria queda no preço da carne de rã e alta na de outros animais. Faltariam produtos para controle de pragas e insetos. O desabastecimento seria geral e catastrófico.

Doenças se proliferariam. O sistema de saúde seria abalado. Os medicamentos se tornariam raros e caros. As atividades no campo e cidades seriam paralisadas. Muitos seriam desabrigados e sofreriam com os danos materiais. As seguradoras não conseguiriam honrar as indenizações por perdas de veículos e imóveis. Plantações e colheitas seriam afetadas.  Haveria um colapso no sistema de iluminação pública das cidades. Comércio e indústria sofreriam com o caos. E por fim seria constatada uma superlotação nos cemitérios e ineficiência dos serviços funerários. 

Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Os primogênitos: Deixa o meu ir, senão levo o seu! Capítulo 3

continuação...

As ordens de Deus a Moisés e Arão foram especificas e diretas e dizia respeito à liberdade incondicional de todos os hebreus. Faraó, uma espécie de deus humano, deveria ser confrontado, mas não com artifícios humanos, pois não seria convencido facilmente, por isto foi necessário que Moisés se apresentasse diante dele com sinais e maravilhas.

As dez pragas foram a resposta de Deus para Faraó, pois a sua primeira pergunta ao receber os embaixadores foi: “Quem é o Senhor, cuja voz eu ouvirei?”. O Egito foi duramente castigado devido ao coração endurecido de Faraó.

As duas primeiras pragas foram prontamente copiadas pelos magos e encantadores do Egito, que ficaram felizes e se sentiram realizados por imitarem as ações de Deus, porém da terceira em diante não foram capazes e se desesperaram diante da situação que fugia ao controle. Então declararam a inferioridade das divindades egípcias (Ex 8.18-19) e de mãos atadas, apenas presenciaram a sequência dos fatos e se tornaram vítimas da sexta praga (Ex 9.11)

Cada uma das pragas teve o propósito de afrontar os muitos dos deuses egípcios em seus respectivos campos de atuação, ou pelo menos no que acreditavam atuar:

  • Primeira praga: A água do rio Nilo converteu-se em sangue e provocou um mau cheiro. Esta praga afrontou Hápi (deus da prosperidade), como também o sagrado rio. A morte dos peixes também foi um duro golpe contra os preceitos religiosos dos egípcios, uma vez que algumas espécies eram até mesmo veneradas;
  • Segunda praga: As rãs que invadiram o Egito eram associadas ao deus Hapi (deus do Nilo) e Hegt (deusa da fecundidade). As rãs representavam a fartura, bênçãos e certeza de boa colheita, talvez por isto Faraó tenha solicitado a Moisés que as retirasse somente no dia seguinte (Ex 8.10). Pode ser que a quantidade de rãs tenha assustado ao governante egípcio, no entanto, não foi capaz de se desvencilhar da velha superstição;
  • Terceira praga: O pó da terra, considerado sagrado, converteu-se em piolhos, afligindo todos os egípcios e desonrando Tot, o deus inventor da magia e artes secretas;
  • Quarta praga: O enxame de moscas que invadiu o Egito serviu de limitação entre os egípcios e os hebreus. Ptah, o criador do universo, Tot o deus da magia e Kheper, que tinha a forma de um besouro nada puderam fazer;
  • Quinta praga: Todo o gado egípcio foi atingido por esta praga. Esta foi uma afronta as divindades Amom (cabeça de carneiro), Hator e Ápis (deus-touro e deusa-vaca, respectivamente), responsáveis pela guarda e proteção dos animais;

continua...
Por: Ailton da Silva - 11 anos (Ide por todo mundo)