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sexta-feira, 8 de abril de 2022

Sal da Terra, Luz do mundo - Plano de aula (lição 2)

INTRODUÇÃO

O cristão deve se portar com um discípulo do reino ou somente deveria ser? O problema não é estarmos nesse mundo, mas sim o deixarmos a corrupção moral e espiritual tomar conta de nossas vidas novamente. Já fomos limpos uma vez, pela Palavra e tivemos nossa vida transformada, regenerada e todos que passaram por este processo jamais irá adotar o estilo de vida pecaminoso ofertado por esse mundo.

Tanto no caso dos discípulos, quanto no nosso atual, jamais Jesus nos retiraria desse mundo, tal como poderia ter feito com seus discípulos logo após sua morte e ressurreição, talvez para privá-los dos ataques do Maligno. Na verdade era preciso que ficassem inseridos nesse mundo justamente para serem usados como instrumento para que o plano da salvação tivesse continuidade.

 

I- O SAL TEMPERA E CONSERVA

1– Definição

Hálas (gr.), substância branca que pode ser definido de quatro maneiras:

  • Tempero para comida e substância usada para salpicar os sacrifícios;
  • Substancia para fertilizar terra;
  • Símbolo de acordo durável, pois servia para proteger os alimentos da putrefação e conservava;
  • Sabedoria e graça.

 

Melach (hb.), derivada de malach, no sentido de rasgar, dissipar, ser dispersado, ser dissipado, salgar, temperar, usado desde Gênesis (Gn 14.3) até ao profeta Sofonias (Sf 2.9), por aproximadamente trinta vezes. O sal também faz alusão especial ao povo de Deus, a nação de Israel que foi chamada por Jesus de “sal da Terra”.

Os fenícios retiravam o sal do Mar Mediterrâneo através da evaporação, outro tipo era retirado de lagos de água salgada, no entanto com muitas impurezas e às vezes até visto como algo inútil, servia somente para ser pisado (Mt 5.13).

O sal também era usado nas ofertas de manjares que deveriam ser salgadas (Lv 2.13), como sinal de pacto perpétuo entre Deus e Israel. Era costume, na época, quando uma cidade era vencida, espalhava-se sal sobre suas ruas como sinal para os derrotados. Os pagamentos aos soldados eram pagos em sal, isto evidencia o seu grande valor, dando origem a uma tradição bem conhecida (sal – salário).

Israel, no tempo de Jesus tinha perdido todo o sabor, a essência. Viviam como sal dentro do saleiro, mas alguns não mereciam ser chamados de sal. A intenção de Jesus era transformar Israel naquilo que daria gosto ao mundo, para ser diferencial, para tanto seria jogado neles, uma pitada de Deu para se tornarem o tempero da graça divina na Terra. No entanto, os judeus não entenderam.  A explicação de Jesus era simples, direta e fácil de entender: “Sal é sal, terra é terra. Quando os dois se juntam, o sal perde o sabor, torna-se insípido, vira monturo, na verdade fica difícil diferenciá-lo de um outro elemento qualquer”.

 

2- A importância do sal

Podemos dizer que o sal tem a função de dar sabor, pois um alimento na medida certa de sal é saboroso (Jó 6.6). Essa função simboliza a vida moderada, equilibrada, de modo que traz uma ideia de boa influência do crente sobre o mundo. Outra função do sal é a de preservar o alimento da deterioração. Quando não havia tecnologia de refrigeração, preservava-se a carne esfregando-a no sal e deixando-a na salmoura. Essa função traz uma ideia de oposição ao mundo, pois os cristãos, como sal, são “esfregados” num mundo em processo de apodrecimento moral e espiritual (1 Jo 5.19).

Realmente o sal tem uma importância tamanha, mas o que seria “ser sal” na Terra? quais implicações? Quais atribuições? Como sal, na Terra, os homens continuariam andando entre os homens maus, corruptos e perdidos, o diferencial seria nas atitudes. “Ser sal” nesse mundo significa dar um sabor diferente aos desgostosos que não encontram mais razões, é apresentar aos oprimidos, doentes e os que carregam fardos pesados, uma solução para os problemas, Jesus (Mt 11.28-30). Em outras palavras, “ser sal”, significa se tornar humano, trazer esperança para aqueles que não alcançam o horizonte de Deus.

Jó estava certo quando disse: “comer-se-á sem sal o que é insípido, ou haverá sabor na clara do ovo” (Jó 6.6), certamente sim. Biblicamente o sal tem o papel de condimento nos alimentos, tanto para os homens quanto para os animais. Como valor medicinal o sal era usado para lavar os recém-nascidos (Ez 16.4) e quando se referia ao caráter do cristão faz alusão a sensatez, sabedoria e equilibrio (Cl 4.6). Ou está salgado, ou está insípido.

 

3- O cristão com o sal

Como cristãos, devemos influenciar o mundo que se encontra em estado de podridão espiritual (Lc 14.34,35). Nesse aspecto, o cristão deve expressar os valores morais e espirituais do Evangelho em sua vida, opondo-se aos valores do mundo. Não esqueçamos, portanto, de nossa identidade verdadeira na relação que temos com este mundo, de acordo com as palavras de nosso Senhor: “vós sois o sal da terra”.

Desde o momento em que o mundo ficou sob o domínio da carne a situação do homem distante de Deus tende a putrefação. Para mudança desta situação, ao longo dos anos, muito se tentou pela educação, filosofia e ciência, mas sempre sem sucesso.

A secularização e mundanismo está nas mãos do Maligno (I jO 5.19; II Co 4.4) e por isso nada humanamente conhecido pode impedir que a contaminação se alastre, a não ser “o sal da Terra e a Luz do mundo” cumpra suas obrigações para evitar a putrefação do mundo. Afinal Jesus disse: "Vós sois o sal da terra” e não “Você é o sal da terra."

A pregação do Evangelho transforma a vida do homem, assim como o sal dá um sabor diferente aos alimentos. O cristão, representante do reino de Deus, tem por responsabilidade dar um sabor diferente ao mundo, através de sua conduta, de seu testemunho. Ora, se um pouco de fermento leveda toda a massa, o mesmo podemos dizer do sal, pois para preservar o alimento é necessário uma grande quantidade, enquanto que para temperar e dar sabor é preciso apenas uma pequena quantidade. Por isto deve ser usado com equilíbrio, pois se a comida sem sal é estranha, muito mais ela será se estiver salgada além do normal.

a) o cristão é o sal da terra para temperar, pois deve:

  • Manifestar a sua resistência ao pecado;
  • Ser temperado nas suas relações com Deus e com o próximo;
  • Buscar e proporcionar a paz;
  • Ser misericordioso com todos, fazendo o bem;
  • Mostrar-se com um coração puro, fiel e honesto.

 

II- À LUZ ILUMINA LUGARES EM TREVAS

1- Conceito físico em metafórico

A luz procede dos corpos celestes (própria, estrelas; refletida; lua, planetas etc.) que traz claridade e, por isso, é capaz de iluminar os objetos e torná-los visíveis. Assim, a lâmpada emite luz, o fogo espalha a luz. Enfim, a luz ilumina tudo e, portanto, não deixa lugar para trevas. Do ponto de vista bíblico, a luz pode ser aplicada metaforicamente a Deus (Sl 104.2; Tg 1.17); a Jesus (Jo 1.4-6); à Palavra de Deus (Sl 119.105); aos discípulos de Cristo (Mt 5.14).

No início Deus disse: “haja luz. E houve luz”. A luz que trouxe a claridade do dia, a luminosidade das luminárias celestes, o raiar do dia, a alvorada, aurora, tão necessárias para a maior de todas as criações de Deus, o homem.

No primeiro dia a Terra estava sem forma, para representar o homem sem glória, que seria criado depois e cairia em pecado. Deus demonstrou perfeição, inteligência e brilhantismo quando ordenou à luz para que clareasse toda aquele inóspito ambiente, independente de haver ou não um astro para produzi-la, tornando esta uma das grandes interrogações que intrigam a ciência humana.

Como seria possível o surgimento de algo sem que houvesse a matéria prima ou fonte para criá-la ou mantê-la? Teria Deus iniciado o plano de criação pelo meio? O sol foi criado somente no quarto dia e com suas atribuições bem definidas, pois deveria determinar anos, estações e produzir calor. A Terra toda estava em trevas, a ordem no caos precisava ser estabelecida.

Esta luz, natural e diferente, possui uma fonte de energia que não está ao alcance do nosso entendimento. Também não depende do sol para existir, pois mesmo na mais completa escuridão ainda é possível enxergarmos.

A luminosidade e o calor produzidos pelo sol, lua ou estrelas não podem ser comparadas com a luz criada no primeiro dia. Exemplo disto são os dias nublados, onde a falta da manifestação destes astros não impedem a luminosidade.

Aquela luz era o próprio Deus se revelando, pois trouxe à existência às coisas que não podiam ser vistas. As trevas foram dissipadas e vencidas pela luz. Este foi o ponto inicial de todas as benfeitorias.

Deus absorveu toda a obrigação em melhorar a vida na Terra, pois o seu plano tinha somente um objetivo, facilitar ao máximo a nossa rápida estadia neste lugar. Ao ordenar o surgimento da luz no primeiro dia deixou bem claro todo seu amor e preocupação com o homem, já que as melhorias ou acréscimos de itens na estrutura deste planeta não caberiam à limitada raça humana operar.

Esta luz representa a revelação da verdade ao homem caído, que ora destituído da glória de Deus, sem salvação, sem esperança, se torna uma simples criatura que necessita urgentemente de salvação, pois vive em condições precárias. Deus vê o homem em trevas, sem forma, vazio e lhe oferece, sem merecer, a luz, através de seu Filho Unigênito.

Deus achou boa a luz e a considerou sua obra prima. Sentimento que pode ser comparado ao da satisfação do dever cumprido que proporcionarmos a Ele quando enxergarmos a luz e aceitamos Jesus como Salvador.

a) Características da luz:

  • A luz não tem limites, preconceitos e tampouco respeita fronteiras. Brilha para todas as raças, tribos, línguas e nações (Palavra);
  • As lamparinas podem ser de vários modelos e necessitam ser alimentadas (Mt 5:15-16), mas o combustível sempre será o mesmo, o azeite (Espírito Santo);
  • A luz não se mistura (Lc 11:33), jamais se contamina pelo ambiente iluminado (o mundo não influencia a luz);
  • A luz é progressiva, produto da lenha, óleo, gás ou elétrica (santificação progressiva do homem);
  • A luz é sanadora. O ambiente escuro propicia a proliferação de males (os dons espirituais aperfeiçoam, curam, edificam, exortam e consolam);
  • A luz é misteriosa e sutil. Dos três raios que compõem a luz, apenas um deles é visível: O lumífero, o raio aquecedor e o transmissor são invisíveis (Deus trino, somente Jesus se fez homem);
  • A luz normal é mansa e delicada. Ela brilha sobre rochas como também sobre ambientes frágeis sem danificá-los (transformação do homem);
  • A luz avisa, mas o homem é negligente. Isto pode ser fatal (sinais de trânsito, painéis de comando, medidores, faróis de veículos terrestres e aéreos, torres, etc (sinais de Deus).

 

2- O cristão como luz

Nas palavras de Jesus não há dubiedades. Observe que Ele não disse: vos elevais ser a luz; mas sim; vós sois a luz. No Reino de Deus, o que se espera do cristão é que seja e viva como luz deste mundo. Ao referir-se ao crente como luz, Jesus faz menção às boas obras produzidas por cada um de nós. Essas obras se caracterizam pelos atos de amor e fé manifestos na vida do crente por meio de um testemunho verdadeiro diante dos homens (Jo 15.8; 1 Pe 2.12). Logo, a vontade de Deus é que as nossas boas obras resplandeçam como luz e sejam vistas por todos os homens e estes glorifiquem a Deus (Mt 5.16).

O cristão regenerado permite que o brilho da luz de Deus reflita em suas vidas para que outros contemplem, no entanto, deve estar consciente de que sua pequena luz brilha justamente porque a Luz maior habita em seu interior (Jo 8.12). Nunca é demais lembrarmos que somos como a Lua que reflete a luz do astro maior, o Sol. Não a toa somos chamados de filhos da Luz (Ef 5.8).

  • a) O cristão, como luz do mundo, deve:
  • Resplandecer a luz do Evangelho de Cristo (2Co 4:4);
  • Ter comunhão com Deus e evitar o pecado;
  • Amar o próximo como a ti mesmo (1Jo 3:17-19);
  • Produzir calor, fervor espiritual (Rm 12:11) e energia (ânimo e estimulo aos demais);
  • Manter-se no anonimato, pois somos apenas espelhos (II Co 3:18) para refletirmos a imagem de Cristo.

 

3- A luz em lugares de trevas

Quando disse que não se pode esconder uma cidade edificada sobre o monte, Jesus referia-se à impossibilidade de esconder o brilho da luz. No Reino de Deus, cada crente é um a luz que brilha no mundo o tempo todo. Nesse sentido, a natureza de quem passou pelo Novo Nascimento é espalhar a “luz do mundo” por meio da própria vida. Por isso, o crente deve estar no lugar para o qual foi chamado, fazendo brilhar a luz por intermédio da boa obra (Mc 4.21; Lc 8.16; cf. Mt 5.14-16). Entretanto, é preciso atentar para esta verdade bíblica: o cristão não pode manter sua vida com o luzeiro pela própria força, mas por intermédio do Espírito Santo que o fortalece (Mt 25.4; At 7.55).

As trevas, na verdade, é a fiel representação da melhor ocasião para que um elemento se sobressaia sobre o outro, ou seja, as trevas é o momento mais propício para que a luz se manifeste e resplandeça em sua totalidade. Ou quem sairá ao meio dia segurando uma vela acesa?

A Lei Mosaica, sempre representou para os hebreus a lâmpada para iluminar o caminho, sempre limitada, já a Graça, não somente é o Sol do meio dia, como nos proporcionou o direito de usufruirmos desta luz e nos tornarmos parte dela, para que a Luz maior, dentro de nós, resplandeça e brilhe neste mundo caído.

A luz é fundamental em qualquer ambiente, pois impede que andemos em trevas. Foi assim no período criacional, quando Deus olhou para a terra e ordenou que houvesse luz. Ele jamais colocaria a sua maior criação para habitar em um local tomado pelas trevas, pois sabia que a sua reação de desaprovação seria imediata e de reprovação. Sem luz o mundo seria um grande abismo mergulhado em densas trevas.

A luz clareia, dá ideia de transparência, conhecimento, direção e revelação divina, mas a ausência dela permite que a escuridão prevaleça. Diferente do sal, que não é visto em ação, a luz só tem valor quando é percebida, mesmo que seja menor que as trevas. Para que ela não seja vista é necessário que seja coberta, escondida ou apagada. Qual destas situações seria a mais trágica para a igreja?

 

III- DISCÍPULOS QUE INFLUENCIAM

1- Sendo “sal”

O sal não aparece, pois atua de maneira oculta e silenciosa. Essa referência nos ensina que, antes de testemunharmos publicamente, é preciso renovar o “homem interior” (2 Co 4.16). Ou seja, antes de propagar uma mensagem pública, ela precisa ser verdadeira dentro de nós. Nesse sentido, o nosso testemunho não será titubeante. Assim, o sal poderá estar fora do saleiro, espalhando-se por todo o mundo. 


”Jonas é o sal que não quer salgar; Paulo é o sal que quer salgar a terra inteira. Por quê? Por causa de possuírem teologias diferentes. Jonas tinha uma teologia da segregação, do apartheid, [...] uma teologia da eleição de Deus que trabalhava contra a inclusão do eleito no mundo, sendo uma eleição que excluía e que era exclusiva aos eleitos, portanto exclusiva e excludente. Já Paulo [...] via tal eleição como inclusiva, inserindo-o na graça e na bondade de Deus para o mundo todo. Jonas se imagina alguém que tem a missão de separar os homens. Paulo, porém, se entende como alguém que tem diante de si a missão de destruir muralhas, barreiras, com o propósito de chamar os diferentes a uma só fé em um só Senhor, que é Jesus Cristo”. (Sal fora do saleiro, Caio Fabio).

 2- Sendo “luz”

Como luz, o cristão deve “brilhar” na família, na escola ou na universidade, no trabalho e em toda a sociedade. Os seguidores de Jesus não podem se esconder. Eles são chamados a andar na luz com o na luz Deus está (1 Jo 1.7). Logo, se o nosso caminho é luz, não pode haver trevas. Nesse caminho não há lugar para escuridão, pois o caminho de Deus é de luz que reflete sob sua Palavra (SI 119.105).

Sem a transformação em nossa conduta, que vem de Deus, jamais poderemos atuar como luz aos perdidos. Se a luz de Deus não brilhar em nós, certamente não teremos acesso ao que pode ser chamado de verdadeiro caráter, ou seja, sem a Luz de Deus, não tem fidelidade, não tem moral, ética, conduta santa e tampouco salvação.

 

3- A influência cristã

Paulo disse que temos um tesouro em vasos de barro (2Co 4.7). Esse tesouro é a verdade do Evangelho. Nós devemos porta-la como bandeira num mundo que inteiramente jaz no Maligno (1 Jo 5.19). Com isso, influenciar a sociedade não significa que o crente seja excêntrico ou ostente alguma coisa. Pelo contrário! A postura de quem é sal e luz é a de um embaixador de uma pátria (2 Co 5.20), cujas referências são a longanimidade, a mansidão e a moderação, bem como outras virtudes do Fruto do Espírito (Gl 5.22-24). Portanto, o modo de viver por meio de uma nova vida, e da prática de boas obras, levará os homens a glorificar a Deus. Ouçamos, pois, o conselho de Paulo: “ veja prudentemente com o andais” (Ef 5 -15).

Devemos difundir a luz de Cristo, deixá-la manifestar e nossa vida, que poderá ser vista na prática da comunhão com Deus que resulta na comunhão com a igreja (Mt 5.16). Esta luz deve ser manifesta em nossa vida afim de que o homem possa se encontrar com Deus através da genuína conversão.

Os cristãos precisam das boas obras, porque elas são virtudes, oriundas de Deus e devem ser uma constante na vida da igreja, perceptíveis a qualquer um, assim como aconteceu em Antioquia, quando os moradores daquela cidade perceberam algo diferente na igreja, tanto que começaram a chamar os primeiros crentes de cristãos (At 11”26).

 

Referências

A eficácia do testemunho cristão. Plano de aula. Disponível em: http://ailtonsilva2000.blogspot.com/2011/08/licao-6-plano-de-aula-e-resumo-dos.html#more. Acesso em 08 de abril de 2022.

Bíblia de estudo aplicação pessoal. CPAD, 2003. 

Bíblia de Estudo Temas em Concordância. Nova Versão Internacional (NVI). Rio de Janeiro. Editora Central Gospel, 2008. 

Bíblia Sagrada. Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000. 

Bíblia Sagrada – Harpa Cristã. Barueri, SP. Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro. Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2003. 

Gomes, Osiel. Os valores do Reino de Deus. a relevância do Sermão do Monte para a igreja de Cristo.  Casa Publicadora das Assembleia de Deus. Rio de Janeiro, 2022

Pentecost, J. Dwight. O Sermão da montanha.

Fabio, Caio. Sal fora do saleiro.


Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

terça-feira, 5 de abril de 2022

Fé e obediência. Abraão, um exemplo para todos os povos. Capítulo 8

Promessa feita – promessa cumprida

Não foi fácil sair do comodismo para enfrentar os perigos e desconhecido, porém a fé de Abraão foi fortalecida logo nos primeiros passos.

A grande questão para o patriarca foi entender em que momento se daria o cumprimento de todas ou parte daquelas promessas.

Quando Abraão ou seus descendentes herdariam aquelas terras? Seria justo receberem a promessa ainda em vida para que familiares, parentes, amigos, servos e opositores presenciassem o prêmio pela sua obediência, mas tudo dependia de Deus.

 

1) A garantia da promessa

O próprio Deus chamou, comissionou, capacitou e fortaleceu Abraão para a longa jornada.

As promessas não eram meras palavras, tinham fundamento e alertavam o patriarca para todos os problemas que seu povo enfrentaria no futuro.

Um povo formado a partir da obediência de Abraão, que mais tarde entraria e sofreria em outra nação, mas que sairia, por mão forte, para receber a promessa.  Toda estra trajetória serviu de preparação para Israel receber a bênção maior, Jesus Cristo.

 

2) Confirmação da promessa

Abraão, pela fé, saiu de sua cidade e peregrinou, em novidade de vida, pelo desconhecido. Porém no meio da caminhada foram necessárias algumas intervenções de Deus para confirmar as promessas e fortalecer sua fé.

Deus prometeu uma família e descendentes numerosos, um nome que seria reverenciado e respeitado e por fim, bênçãos para todas as famílias da terra, tanto daquela época quanto para as futuras gerações.

 

3) Cumprimento parcial

Abraão saiu de suas terras, sem mapas, sem pistas e aprendeu a viver na dependência de Deus e com paciência alcançou a promessa (Hb 6.13-15).

O reconhecimento como povo seleto de Deus, não seria fácil, por isto fora imputado por justiça a Abraão o fato de ter crido com veemência nas promessas. A caminhada seria longa, porém teria suas recompensas.

 

4) Cumprimento total

O reconhecimento como nação exclusiva de Deus se daria pelas vidas de Abraão e Sara?

Ou com Isaque e Rebeca no futuro? Ou ainda com Jacó, o que levou o povo de Abraão ao Egito? Ou quem sabe pela vida de José, o que cuidou de todos naquele território? Ou ainda por Moisés, o que retirou os filhos de Abraão do sofrimento e escravidão?

A lógica seria imaginarmos um momento grande, especial, diferente, nunca visto antes na Terra, para ser eternizado, tanto pelos hebreus quanto pelas outras nações, como de fato foi. 

continua...

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

sexta-feira, 1 de abril de 2022

O Sermão do Monte: O caráter do Reino de Deus - Plano de aula (Lição 1)

INTRODUÇÃO

O Sermão do Monte, ou Sermão da Montanha é considerado a alma do Evangelho. Trata-se de riquíssimos ensinamentos transmitidos por Jesus, a um público alvo, sedento de algo novo, mais profundo, que de fato viesse a esclarecer as regras para que o reino dos céus pudesse ser alcançado.

Nesses ensinamentos encontramos um resumo ético das exigências para serem colocados em prática por aqueles que verdadeiramente desejavam fazer parte do Reino dos céus.

É sem duvida um dos mais conhecidos conjunto de ensinamentos de Jesus, mas na mesma proporção é o menos compreendido e o mais difícil de ser colocado em prática, pois este processo resulta de uma espiritualidade que somente é conhecida e vivenciada por aqueles que já experimentaram o novo nascimento.

 

I. A ESTRUTURA DO SERMÃO DO MONTE

1. Por que Sermão do Monte?

Sermão do Monte (Mt 5.1) ou da Planície (cfe Lc 6.20-49), foi entregue por Jesus aos seus discípulos e multidão que acompanhavam atentos a espera que tal momento fosse encerrado com curas e milagres.

Ou tivesse sido em um monte ou em uma planície, o certo é que todos foram saciados por tamanha revelação vinda do próprio Deus encarnado e não se tratava de algo novo, difícil de colocar em prática, pelo contrário foi um resgate do que já era conhecido.

Não se tratou de uma linguagem difícil de assimilar ou entender e tampouco aquilo tudo ficou restrito as condições culturais daqueles dias, tanto que facilmente pode ser entendido e colocado em prática nos dias atuais. Em nenhum momento durante o sermão, muito menos ao longo da história humana, pode ser ouvido: “Lá vem Jesus com mais um sermão” ou “Não me venham com sermões”.

 

2. A estrutura do Sermão do Monte

O Sermão do Monte tem um início, meio e fim e tem uma ideia central que se espalha por todo o seu conteúdo, culminando com seu ponto climax, que é o Evangelho do Reino (Mt 4.23). O sermão, em sua totalidade, desafiou e desafia, na atualidade, os ensinos de lideranças religiosas legalistas e orgulhosas, levando muitos a abandonarem suas vidas hipócritas e religiosas.

Jesus fez uma ponte entre o reino e a justiça (Mt 5.20; 6.33), apresentando o arrependimento como fator essencial para a entrada no reino dos céus, bem diferente do que se imaginava na época.

Isto tudo combatia o sistema de julgamento mantido pelos judeus, que se apoiavam em seus ensinamentos para se esquivarem de suas responsabilidades e para não viverem com sinceridade e verdade principalmente em seus negócios. Por isso Jesus enfatizou que não havia vindo para tão somente cumprir a lei, mas sim que Ele veio para ensinar a interpretar a lei, cumprindo-a na integra.

 

3. A quem se destina o Sermão do Monte?

O Sermão do Monte foi direcionado aos discípulos (Lc 6.20) e a multidão que ouvia atentamente (Mt 7.28; Lc 6.17), porém esses ensinamentos não ficaram restritos aquela época, pois são facilmente aplicáveis na atualidade, na vida de todo crente que já experimentou o novo nascimento (II Co 5.17).

 

II. AS BEM-AVENTURANÇAS E O CARÁTER DOS FILHOS DE DEUS

1. O que são as bem-aventuranças?

A expressão “Makarios (gr.), que significa “felizes”, diz respeito tanto ao presente quanto ao porvir. Essa certeza é carregada conscientemente por aqueles que estão na presença e seguem a Jesus com sinceridade.

Isso é resultado do novo estilo de vida adotado por estes, que então não viverão mais segundo os padrões do mundo, mas viverão conforme a vontade do Pai e prosseguirão, bem-aventurados e impactados pela mensagem reveladora do Sermão do Monte, cooperando para o progresso do Reino de Deus na Terra.

A expressão bem-aventurado, ditoso, feliz, felicidade perfeita, são recompensas precedidas e fundamentadas na obediência que associadas a fé geram uma ação de Deus em nossas vidas, nos ajudando nos momentos mais difíceis da caminhada. Este estado de felicidade não é produto dos bens que possuímos, mas sim da certeza dos pecados que foram perdoados por Jesus.

Cada bem-aventurança enfatiza e valoriza as riquezas espirituais em detrimento as materiais, o que se tornou em um grande escândalo para os escribas e fariseus, pois eles se preocupavam mais com a letra e exterior do que propriamente com o verdadeiro significado dos preceitos contidos na Lei.

Ser bem-aventurado não é a possuir muitos bens materiais, mas ter um correto relacionamento com Deus, viver dependendo do seu favor. Jesus ensinou ao mundo o que é realmente ser um homem próspero. A base deste ensinamento foi o caráter, a conduta e comportamento cristão. A verdadeira prosperidade consiste em ser e não somente no ter:

  • Os que são humildes de espírito entrarão no Reino dos céus;
  • Os que choram serão consolados;
  • Os que são mansos herdarão a terra;
  • Os que tem fome e sede da justiça serão fartos;
  • Os misericordiosos alcançarão misericórdia;
  • Os limpos de coração verão a Deus;
  • Os pacificadores se tornarão filhos de Deus;
  • Os perseguidos receberão galardão.

 

2. O Reino de Deus e seu caráter

O reino é um território governado por um rei, onde certamente, existe um povo, regido por leis e decretos reais. Assim sendo, podemos afirmar que o reino de Deus é composto por um povo, que cumpre a vontade do Senhor, expressa nas Escrituras Sagradas. É o pleno senhorio de Deus na vida de cada ser humano que aceita submeter-se a Ele. Não é algo que tenha aparência exterior, pois a submissão é uma decisão interior de cada um. Por isso, o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14:17). Reino de Deus é a soma de todas as bênçãos, promessas e alianças que o Todo-Poderoso destinou aos que recebem a Cristo Jesus (Mt 12.28).

a) Ao longo da história do pensamento teológico surgiram diversas interpretações em relação ao verdadeiro conceito de Reino de Deus:

  • Muitos acreditavam que a igreja fosse o reino de Deus (até a reforma protestante), mas os patriarcas, profetas e o ladrão arrependido da cruz pertencem ao Reino de Deus, mas nunca pertenceram à Igreja. No reino, estarão tanto a esposa quanto os amigos do esposo (Jo 3:29);
  • Após a reforma a igreja passou a ser entendida como um elemento do reino de Deus;
  • Outros acreditam que o Reino de Deus é totalmente apocalíptico, algo que está porvir;
  • Enquanto outros, de tendência mais existencialista, enfatizam o Reino de Deus como algo meramente fruto de experiências, isto é, uma identificação religiosa do indivíduo com o meio espiritual que ele vive.

 

b) O que é o reino de Deus:

O reino de Deus (ou dos céus) é antes de tudo uma demonstração do poder divino em ação. Indica seu domínio espiritual na terra, nos corações do seu povo e no meio deste mundo (Jo 14.23; 20.22). É uma operação com poder (Is 64.1; Mc 9.1; 1Co 4.20), não material ou político, e sim, espiritual. Deus não salva ou transforma por intermédio de ativismo social ou político, da força, ou de ação violenta (Jo 18.36).

É Deus intervindo e predominando no mundo, para manifestar seu poder, sua glória e suas prerrogativas contra o domínio do Maligno e a condição atual deste mundo. Trata-se de algo além da salvação ou da igreja, é Deus revelando-se com poder na execução de todas as suas obras.

Nos evangelhos sinóticos, a mensagem pregada por Jesus é identificada como o evangelho do reino (Mt 4.23; 9.35; 24.14; Mc 1.14-15; Lc 4.43; 8.1; 16.16) ou dos céus (que ocorre somente em Mt 3.2; 4.17). João usou poucas vezes a expressão Reino de Deus (3.3,5), possivelmente substituindo-a por conceitos equivalentes, como vida eterna.

O reino de Deus não é um lugar, nem mesmo é o Céu, pois não faria sentido a afirmação de Paulo de que nós já saímos do império das trevas e fomos transportados para esse Reino (Cl 1:13), tampouco ficaria sem sentido a declaração de Jesus em Lc 17:20,21.

 

3. Os súditos do Reino de Deus

Como fazer parte do reino de Deus? Não é qualquer um, mas também não depende de qualidades humanas, exteriores, posses, conhecimentos, influência ou qualquer outro tipo de convenção terrestre.

Para fazer parte do reino Deus é preciso algumas qualidades e situações que somente são vistas na vida dos que se entregam para serem governados por Jesus:

  • O quebrantamento;
  • O choro;
  • Mansidão;
  • Retidão (justiça);
  • Misericórdia;
  • Pureza;
  • Pacificação;
  • Perseguidos por causa dos valores do Reino.

 

III. SOMOS BEM-AVENTURADOS

1. A beatitude na vida dos salvos

A expressão bem-aventurado do grego “makarios”, cujo significado nos remete a felicidade, alegria divina e perfeita. Este era o anseio dos gregos, que acreditavam que somente os deuses poderiam ser bem aventurados. Eles associavam esta palavra ao relativo estado de bem estar físico e material. Já no hebraico a palavra “esher” (Sl 1) dá nos a idéia de quão felizes são, no caso os homens que amam intensamente ao Senhor, representando uma condição de bem estar espiritual com Deus (Sl 1.1; 32.1; 112.1).

As bem-aventuranças desafiam os homens a mudarem suas condutas e exercitarem a fé, haja vista, as recompensas prometidas aos tais que assim praticam e esperam o cumprimento. Nelas estão contidas os fundamentos de uma vida feliz com Deus, mas esta felicidade deve ser vista como a satisfação por ter agido de forma correta, pela fidelidade a Deus e pelo exercício da fé e não somente como um mero sentimento de alegria proporcionado pela existência ou alcance de algum objetivo.

A primeira condição para atingir este estado é a salvação em Jesus Cristo, sem a qual o homem jamais alcançara este estagio de felicidade (Dt 33.29). Nenhuma das recompensas, precedidas pelas bem-aventuranças, tem caráter material, ou fazem alusão a riquezas terrenas, talvez por isto são ignoradas pelo teólogos da prosperidade, por isto que a verdadeira felicidade é fruto da obra de Jesus e não da nossa (Rm 4.6-9).

As bem-aventuranças podem ser associadas ao som produzido pelos sinos, como se estivessem vindo diretamente do céu para chamar os pecadores para o reino de Deus.

 

2. A prova de que o cristão é bem-aventurado

Ao praticarmos as oito beatitudes do Sermão do Monte certamente dominaremos o nosso “eu carnal”, pois estaremos em uma dimensão muito diferente desta.

  • Bem aventurados os pobres de espírito: Pobreza de espírito faz alusão as necessidades da alma e não propriamente a escassez de bens materiais, pois se assim fosse teríamos um número muito maior de pessoas que estariam inseridas neste grupo. Incluímos nesta relação os que reconhecem a sua incapacidade espiritual para gerirem suas próprias vidas, por isso as entregam nas mãos de Deus, ficando a sua total dependência a fim de encontrarem o mantimento e suprimento espiritual. Neste momento entram em cena os verdadeiros adoradores, que adorem em espírito e em verdade (Jo 4.23), os que se estreitam em seus relacionamentos com Deus (Sl 42.1-5). Estes tais prosperarão;
  • Bem aventurados os que choram: Por qualquer motivo? Ou pelo reino de Deus, pelas almas que perecem no mundo? Ou choramos somente pela nossa situação degradante, pelos fracassos da humanidade? Ou pelo pecado, imoralidade e crueldade que imperam neste mundo (Is 6.5). As lágrimas reproduzem fielmente aquilo que a alma é incapaz de comunicar ao mundo, ou pelo menos as verdadeiras assim o fazem. Jesus chorou quando se aproximava de Jerusalém (Lc 19.41), chorou também pela miséria dos homens (Jo 11.35; Hb. 5.7). Foram prantos, soluços, clamores pelas almas que pereciam naquela cidade que não se redimiam do erro e tampouco abriam os corações para o reino que já estava entre eles (Lc 17.21). O crente deve chorar ao perceber a falência espiritual de sua vida, pois este choro o levará ao arrependimento e à conversão. É uma promessa de consolo (Is 57.18).
  • Bem aventurados os mansos: Mansidão é a atitude amável e justa para com qualquer pessoa. É fruto do espírito fruto do Espírito (Gl 5.22). esta característica faz parte do temperamento daqueles que um dia herdarão a terra (Sl 37.11). Prova disto foi a chegada de Israel a Canaã, depois de uma longa caminhada, guiado por um líder manso. Muitos entendem ou confundem o significado de mansidão e a tomam como sinônimo de falsa humildade ou até mesmo frouxidão, na verdade, seu significado é bem mais profundo, nos remete a confiança humilde em vez da arrogância independente. Os mansos se submetem, conscientemente, a vontade de Deus, mesmo que contrariem seus interesses pessoais. São também aqueles que apesar de injustiçados, não procuram a própria vingança, mas confiam em Deus como seu legítimo defensor (Is 41.17; Lc 18.1-8). Muitos desejam, mas não possuem o domínio próprio e a conformação absoluta à vontade de Deus;
  • Bem aventurados os que tem fome e sede de justiça: Verdadeiramente prósperos são aqueles que demonstram um forte desejo pela justiça divina e a buscam ansiosamente. Para estes a implantação do reino de Deus saciará a fome e sede de justiça de todos. Para os que demonstram fome e sede de justiça existem uma promessa de satisfação tal como aconteceu com Paulo (Fp 3.8-10) e com Moisés (Ex 33.13-18), pois foram fartos, mesmo que Moisés não tenha entrado na Terra prometida, mas ele a viu e esta visão foi o suficiente para que ele se regojizasse (Dt 34.1-5). Mas este estado espiritual pode ser afetado pelas preocupações deste mundo, pelo engano das riquezas (Mt 13.22), pela ambição pelas coisas materiais (Mc 4.19), pelos prazeres do mundo (Lc 8.14) e pelo afastamento da presença de Cristo (Jo 15.4). Estas são características da morte espiritual (Rm 5.21). Jesus ensinou sobre a necessidade de buscarmos e colocarmos o reino de Deus como centro de nossos objetivos;
  • Bem aventurados os misericordiosos: Os misericordiosos, segundo ocorrências no Novo Testamento, são aqueles que de boa vontade e com o coração perdoador, socorrem os que estão sofrendo, quer seja pelos pecados, quer seja pelas aflições da vida, já que estes não podem se auto-ajudarem, assim como ocorreu nas parábolas do credor incompassivo (18.23-35) e do bom samaritano (Lc 10.30-37). Foi justamente isto que Deus fez ao enviar ao mundo o seu Filho para que morresse pelo homem (Jo 3.16), retendo desta forma o julgamento pelos nossos pecados. Um exemplo real de homem misericordioso foi José (Gn 45.5-9), pois esta ocasião se constituia em uma oportunidade única para que ele relembrasse a seus irmãos e os fizessem lembrar das provocações e zombarias. Estavam diante da concretização de seus sonhos. Eles já sofriam pela situação, não havia motivos para depreciá-los ainda mais, era hora de socorrê-los;
  • Bem aventurados os limpos de coração: Ao se referir aos limpos de coração, Jesus fez menção da pureza que vinha de dentro, do fundo da alma, os sem mancha, imaculados, puros (Mt 27.59; Rm 14.20; Jo 13.10; At 18.6). Os limpos de coração são aqueles que tiveram seus corações purificados do seu orgulho (Pv 16.5) tem pensamentos santos e consciências limpas. Estes verão a Deus, pelos olhos da fé, tanto por meio da comunhão atual como no momento em que Jesus se apresentar novamente para buscar a sua igreja. A pureza que agrada a Deus se origina no interior do homem e não do exterior como pensavam ou defendiam os fariseus (Lc 11.37-54; Mt. 23.25-28). São incluídos neste grupo aqueles que são sinceros e os que não entregam suas almas à falsidade (Sl. 24.4) ou a tudo que seja contrário a vontade de Deus;
  • Bem aventurados os pacificadores: Os pacificadores são aqueles que amam, fazem a paz (segundo a Peshita, tradução aramaica de Mateus feita em 150 d.C), e os que se encontram comprometidos e participando ativamente do processo pelo qual serão conduzidos ao mesmo estado de paz. Os pacificadores são aqueles, convencidos, de terem recebidos a paz de Deus por intermédio do ministério da reconciliação (II Co 5.18). Serão chamados filhos de Deus, pois estão testificando a origem desta natureza pacificadora, Deus;
  • Bem aventurados os que são perseguidos por causa da justiça: Durante o seu ministério, Jesus apresentou ensinos que eram contrários as filosofias materialistas, principalmente as sustentadas pela teologia da prosperidade da época. Como em sã consciência alguém pode sofrer injustiça, ser perseguido e até martirizado devido ao reino de Deus e ainda exultar de alegria? Mas porque Jesus ensinou desta forma? Para que tivéssemos paz Nele (Jo 16.33). Neste grupo incluímos os que vivem de maneira justa, integra, honesta e os que são perseguidos justamente devido a estas condutas, mas que exultam de alegria por tudo isto, assim como foram os profetas anteriores.

 

Referências

A prosperidade dos bem-aventurados. Plano de aula. Disponível em: http://ailtonsilva2000.blogspot.com/2012/02/prosperidade-dos-bem-aventurados-plano.html#more. Acesso em 28 de março de 2022

Bíblia de estudo aplicação pessoal. CPAD, 2003

Bíblia de Estudo Temas em Concordância. Nova Versão Internacional (NVI). Rio de Janeiro. Editora Central Gospel, 2008

Bíblia Sagrada. Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000

Bíblia Sagrada – Harpa Cristã. Barueri, SP. Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro. Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2003

Gomes, Osiel. Os valores do Reino de Deus. a relevância do Sermão do Monte para a igreja de Cristo.  Casa Publicadora das Assembleia de Deus. Rio de Janeiro, 2022

O projeto original di reino de Deus. disponível em: http://ailtonsilva2000.blogspot.com/2011/06/plano-de-aula-e-resumo-dos-subsidios_29.html#more. Acesso em 31 de março de 2022


Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)

quinta-feira, 31 de março de 2022

Prefiro murmurar no deserto. As dez murmurações do primogênito. Capítulo 11


Os hebreus se julgavam e tinham, a princípio, o direito de se considerarem escolhidos e privilegiados, pois desde que foram ouvidos, atendidos e oficializados como povo eleito de Deus, acumularam cinco grandes motivos para pensarem desta forma:

  • A chamada: Abraão foi chamado e separado dentre os idólatras (Js 24.2), para se tornar pai de uma grande multidão. Foi guiado até uma terra distante, onde Deus com mão forte o protegeu, por isto os hebreus pensavam que seriam guiados sem problemas até Canaã, porém não agiram como o fiel patriarca, que nunca reclamou dos obstáculos;
  • A promessa: A intenção de Deus era separar para si um povo, para adorá-lo e servi-lo. A promessa foi feita a Abraão e depois confirmada, pela ordem ao filho Isaque, ao neto Jacó, aos doze bisnetos e por fim aos hebreus, antes e depois de saírem do Egito. Imaginavam que chegariam em Canaã sem muitos problemas;
  • A trajetória: Tomaram por base a trajetória de José, que vendido como escravo foi exaltado depois do sofrimento, ficando somente abaixo de Faraó. Imaginavam que passariam pelo mesmo processo e seriam exaltados logo após o fim da escravidão. O preço da caminhada no deserto já havia sido pago por Abraão, Isaque, Jacó e seus filhos;
  • A escravidão e libertação: Israel enfrentou momentos de aflições e dores durante a escravidão no Egito. Uma sensação de abandono, pois durante este período não houve nenhuma manifestação de Deus, porém quando Moisés foi enviado para levá-los a Terra Prometida se alegraram novamente com a certeza de que não estavam esquecidos;
  • Operações de milagres e maravilhas: Os milagres operados no Egito e em pleno deserto serviu para aumentar a fé dos hebreus. Acreditavam por isto serem privilegiados, pois nunca houve notícias de nações sendo visitadas ou abençoadas, em tão curto espaço de tempo.

Os hebreus saíram do Egito e viram grandes maravilhas operadas por Deus no deserto, porém não entraram em Canaã. As murmurações no deserto impediram que entrassem na Terra Prometida.

Mesmo diante das murmurações, Deus não permitiu que interrompessem a caminhada ou que retornassem ao Egito, como desejaram alguns. A esperança era que neste meio tempo pudesse haver um concerto coletivo, que lhes daria a oportunidade de alcançar o prêmio da soberana vocação. 

“Não voltará para a terra do Egito, ...” (Os 11.5).  “Eu te conheci no deserto, em terra muito seca” (Os 13.5). 

Esta foi a saga do povo que durante quatrocentos e trinta anos permaneceu no Egito escravizado, mas que um dia foi agraciado, com a audição de seu clamor.

Recepcionaram um dos maiores profetas já levantados na face da terra, Moisés, que os guiou pelo deserto até as portas de Canaã.

As dez murmurações, os dez clamores e os dez livramentos caracterizaram e deram vida, através dos tempos, ao que consideramos os momentos da maior demonstração da justiça de Deus, pois somente recebeu a bênção aqueles que de fato mereceram.

Canaã era uma terra idólatra, imoral e injusta, por isto Israel deveria eliminar todos os ao entrarem em seus limites, para que não fossem contaminados pelas abominações.

Se depararam com uma cultura estranha, rituais religiosos e com as riquezas que foram deixadas por aqueles que fugiram ou morreram na batalha, no entanto nada disto poderia ser absorvido, pelo contrário, deveria ser eliminado todo e qualquer foco de abominação daquele povo.

No entanto não cumpriram as ordens de Deus e se misturaram com o que havia sobrado dos cananeus. Este foi o princípio das dores dos hebreus, o povo escolhido, em sua Terra Prometida. 

“Para que eu veja os bens de teus escolhidos, para que eu me alegre com a alegria do teu povo, para que me regozije com a tua herança” (Sl 106.5).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Geografia Bíblica. Rio de Janeiro . CPAD, 1987.

Bíblia de aplicação pessoal 

Bíblia Sagrada: Nova tradução na linguagem de hoje. Barueri (SP). Sociedade Bíblica do Brasil, 2000. 

COPE, Landa L. Modelo Social do Antigo Testamento: redescobrindo princípios de Deus para discipular as nações. Traduzido por: Andréa Aparício Ribeiro. Almirante Tamandaré JMÍ. Gráfica & Editora Jocum Brasil, 2007. 

GRENZER, Matthias. Do clã de Jacó ao povo de Israel (Ex 1,1-7). Disponível em: http://revistas.pucsp.br/index.php/culturateo/article/view/15573. Acesso em 03 de agosto de 2014 

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do Antigo Testamento - vol 1 - Gênesis a Neemias. 

História do povo judeu. Faculdade de teologia Hokemah. São Luís, 2004. 

JOSEFO, Flávio. A história dos hebreus de Abraão a queda de Jerusalém. Traduzido por Vicente Pedroso 

MACEDO, Edir. A fé de Abraão. Rio de Janeiro. Editora Universal, 2001. 

MACKINTOSH, C. H. Estudos sobre o livro de Êxodo. 

OLIVEIRA, Admilson. Piedade e a fé de seus pais. Disponível em: http://ministerioemfoco.blogspot.com/2011/07/moises-piedade-e-fe-do-seus-pais.html. Acesso em: 01 de ago. 2011. 

Schultz, Samuel J. A história de Israel no antigo testamento. 

Silva, Antônio Gilberto da. A Bíblia através dos séculos: uma introdução. Rio de Janeiro. Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 1986. 

Por: Ailton da Silva - 12 anos (Ide por todo mundo)